google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

20 agosto 2009

Aldeia curda da Turquia autorizada a restaurar o seu nome curdo

A Turquia começou a restaurar os nomes das aldeias curdas e está a considerar a hipótese de permitir que se façam sermões religiosos na língua própria de um povo de 20 a 25 milhões de pessoas que até hoje ainda não conseguiu valer o direito a uma pátria própria.
A aldeia de Celkaniya viu reconhecido finalmente o direito de poder usar o nome que é seu, em vez de ter de se disfarçar sob o nome turco de Kırkpınar, revelou hoje o jornal diário "Habertürk".
As medidas de alguma tolerância agora anunciadas fazem parte das reformas democráticas que o primeiro-ministro Tayyip Erdoğan prometeu, de modo a responder às queixas de tão importante grupo étnico e poder assim levar por diante a aspiração que a Turquia tem de ser aceite na União Europeia.
Erdoğan espera que com estas reformas se atenda finalmente a décadas de queixas de discriminação e se consiga até acabar com 25 anos de conflito entre o Estado turco e os guerrilheiros curdos.
O primeiro-ministro tenta conseguir apoio da opinião pública, das Forças Armadas e do Parlamento para esta sua iniciativa, destinada a persuadir os militantes do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) a baixar as armas e acabar com uma rebelião que já levou à morte de cerca de 40 mil pessoas.
Este conflito é um dos motivos pelos quais à UE tem colocado tantos entraves à adesão da Turquia. Alguns analistas citados pela Reuters declararam que parte das medidas previstas vai requerer reformas jurídicas e constitucionais para as quais Erdoğan terá de conseguir um vasto consenso. Mas a verdade é que os principais partidos da oposição continuam a argumentar que o processo de reconhecimento dos direitos do povo curdo ameaça a unidade nacional da Turquia. Cerca de 12 milhões de Curdos, perto de metade de todos os que existem, vivem entre os 72 milhões de habitantes da Turquia. Trata-se do maior grupo étnico de todo o mundo que ainda não conseguiu ver reconhecido o direito a um Estado próprio.

(Fonte: Público)

17 agosto 2009

Dez anos depois, Istambul não está preparada para outro grande terramoto

Em 1999 morreram mais de 17 mil pessoas vítimas de um grande terramoto que sacudiu a região do Mar de Mármara (noroeste da Turquia) e especialistas apontam que hoje, no décimo aniversário da tragédia, cidades como Istambul continuam sem estar preparadas para um sismo de grande magnitude.
No dia 17 de Agosto de 1999, às 3h02 da manhã, o terramoto de 7,4 graus na escala de Richter durou apenas 45 segundos, mas foi o suficiente para deixar um rasto de destruição: 17480 mortos, mais de 40 mil feridos, 329 mil edifícios destruídos e quase meio milhão de desalojados.
Em Değirmendere, os únicos edifícios que não sofreram nenhum dano foram os construídos pelo Exército, mostrando as péssimas condições em que se constroem casas e edifícios na Turquia.
Depois da catástrofe de 1999, mais de seis mil pessoas foram julgadas por negligências vinculadas ao terramoto, mas só uma, o construtor Veli Göçer, foi condenado a pena de prisão.
Após ter cumprido cinco anos da pena de 18 anos, Göçer - em entrevista publicada hoje pelo diário "Habertürk" - acusa o Estado turco de ser, em parte, culpado pelas mortes, já que é o Governo que aprova as construções e as leis que regem o sector.
Desde aquele grande terramoto, a Câmara de Istambul - onde milhares de pessoas ficaram desabrigadas - gastou cerca de 80 milhões de euros em estudos sobre os edifícios e a sua adequação para resistir a movimentos sísmicos de grande magnitude, segundo a revista "Newsweek Türkiye". No entanto, especialistas como o professor de Engenharia Civil da Universidade do Bósforo Semih Tezcan, dizem que a metrópole turca "não está preparada para outro terramoto" apesar da região de Mármara ser a mais desenvolvida de toda Turquia.
"Em Istambul há um milhão de edifícios e só um 1% foi reforçado. Há três mil escolas e só 250 foram reforçadas e há 635 hospitais públicos, dos quais apenas dez estão preparados", explicou Tezcan em declarações ao jornal "Milliyet".
O maior temor dos moradores de Istambul é que se volte a produzir outro grande terramoto. Uma em cada quatro pessoas que vivenciaram o terramoto de 1999 tem problemas para dormir ou sofre de traumas psicológicos. Além disso, nos últimos anos proliferaram pseudo-cientistas e videntes que, em programas de televisão sensacionalistas, anunciam a proximidade de um grande terramoto, com as empresas seguradoras a aproveitarem-se do medo da população para vender "pacotes anti-terramoto".
"Não haverá um terramoto em Istambul pelo menos até 2015. Se acontecer algum tremor antes disso seria uma enorme surpresa para o meio científico", opinou o presidente da Câmara de Engenheiros Geofísicos, Ahmet Ercan, em declarações ao "Habertürk".
O professor de Geofísica da Universidade Técnica de Istambul, Haluk Eyidoğan, no entanto, alertou que a cidade do Bósforo tem de estar preparada para a eventualidade de um terramoto, já que "nos últimos 200 anos a região de Mármara sofreu 50 terramotos de uma magnitude superior a 6,5 graus".
Uma consequência positiva daquele terramoto - que um mês depois se registou em Atenas - foi o espírito de solidariedade entre Turcos e Gregos, duas nações com muitas diferenças durante séculos. Sociedade civil, ONGs e corpos de protecção civil organizaram-se rapidamente e enviaram equipas de resgate gregas à Turquia, algo que mudou a percepção dos vizinhos. Desde então, as relações entre os dois países melhoraram e a cooperação aumentou consideravelmente.

(Fonte: EFE)

Öcalan defende mais democracia para os Curdos

Abdullah Öcalan, o chefe rebelde curdo preso e condenado a prisão perpétua, defendeu mais democracia para os Curdos da Turquia em antecipação ao roteiro que deverá apresentar com propostas para o fim do conflito. “Um novo processo começou, é tão importante como a criação da República por Mustafa Kemal Atatürk”, sublinhou Öcalan aos seus advogados durante o último encontro na prisão da ilha de İmralı, onde é desde 1999 o único preso e cumpre uma pena de prisão perpétua por "traição".
A República “foi criada na altura [1923], agora vai democratizar-se”, disse, exortando o Estado turco a “reconhecer os direitos dos Curdos e a tornar-se numa nação democrática”, cita a agência de notícias pró-curda Firat. Os Curdos, diz Öcalan, querem por seu turno reconhecer o Estado turco, confirmando assim que renunciou às suas reivindicações secessionistas. “No passado acreditei que tudo seria resolvido se nós formássemos um Estado. Recuso hoje uma federação com o Iraque [onde os Curdos contam com uma região autónoma, no norte]”, explica ainda.
O líder do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) tinha anunciado para 15 de Agosto um “roteiro” com propostas para a paz. Nessa data assinalavam-se os 25 anos do início da luta armada contra o Estado turco. O anúncio foi adiado, mas os planos de Öcalan deverão ser apresentados ainda esta semana pelos seus advogados.

(Fonte: Público)

16 agosto 2009

Atentado em Istambul assinala 25.º aniversário da luta armada do PKK

A explosão de uma bomba ontem em Gaziosmanpaşa, no litoral europeu de Istambul, causou um morto e um ferido, no dia em que parte da comunidade curda da Turquia assinala o início da luta armada separatista pelo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
A explosão deu-se numa lata de lixo que estava em frente a uma fábrica de têxteis e matou o guarda que estava perto do local, ferindo ainda uma segunda pessoa. O ataque surge depois do Governo ter feito várias consultas para preparar reformas a favor dos Curdos e encontrar formas para terminar com a insurreição do PKK.
A polícia não afasta, todavia, a possibilidade desta explosão ser obra de alguns grupos islamitas e de extrema-esquerda, que episodicamente também realizam atentados à bomba em Istambul.
O Governo turco, dirigido pelo islamita moderado Recep Tayyip Erdoğan, anunciou no final da semana a realização de uma ronda de contactos com os partidos políticos e restantes actores sociais para iniciar um processo de solução do conflito, que causou mais de 40 mil mortos desde 1984. Foi nesse ano que o PKK pegou em armas para reivindicar a independência dos Curdos da Turquia.
As principais formações da oposição - o Partido Republicano do Povo (nacionalista laico) e o Partido da Acção Nacionalista (direita) - criticaram a iniciativa do Executivo, considerando-a deslocada e politicamente inútil. Por outro lado, Öcalan tinha anunciado que apresentaria ontem um projecto de roteiro para uma solução pacífica do conflito, acção que foi adiada pela impossibilidade dos seus advogados o visitarem na prisão, localizada numa ilha no Mar de Mármara, por causa do mau tempo.

(Fonte: Diário de Notícias)

15 agosto 2009

Erdoğan promete reformas para as minorias religiosas da Turquia

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, prometeu hoje, durante raro encontro com líderes das minorias religiosas do país, realizar reformas democráticas que enfatizem os direitos das mesmas, um importante ponto para a entrada do país na União Europeia.
O patriarca ortodoxo ecuménico Bartolomeu e líderes das pequenas comunidades do país -arménia, judaica, ortodoxa siríaca e católica siríaca- almoçaram com Erdoğan e ministros na ilha de Büyükada, perto de Istambul, disse à Reuters uma autoridade do patriarcado que pediu para não ser identificada.
O almoço coincidiu com medidas reformistas do Governo para amenizar tensões de décadas com os 12 milhões de curdos do país.
Erdoğan, um devoto muçulmano cujo governo é visto com suspeitas devido às suas raízes islâmicas, fez alusão, em seu discurso, a um amplo processo reformista.
"Agora é essencial para nós abraçar todos os 71,5 milhões do povo desta nação com respeito e amor", disse, repetindo a sua oposição ao nacionalismo étnico e dizendo que o seu Governo mantém equidistância com todos os credos.
"Há falhas na implementação? Sim. Vamos superá-las juntos nessa luta. Acredito que essa iniciativa democrática mudará muitas coisas neste país", afirmou, em comentários divulgados pela CNN Türk e confirmadas pela autoridade do Patriarcado.

(Fonte: Reuters)

Rebelião curda na Turquia completa 25 anos

O presidente do Parlamento da Turquia pediu a reconciliação com a minoria curda no dia que marca o 25.º aniversário dos primeiros ataques rebeldes, embora nem o Governo nem os insurgentes tenham apresentado um plano para encerrar o conflito.
"Eu vejo uma grande vantagem em colocar de lado o preconceito", disse o presidente do Parlamento, Mehmet Ali Şahin, na televisão turca. "Eu não concordo com as alegações de que certas medidas culturais para reduzir as tensões vão dividir a Turquia".
Em 15 de Agosto de 1984, rebeldes separatistas atacaram unidades policiais e militares nas cidades de Eruh e Şemdinli, antes de fugirem para o Iraque. Activistas curdos planeavam realizar um festival em Eruh mais tarde neste Sábado (15), e forças de segurança extra foram posicionadas no local. Embora a violência tenha diminuído fortemente desde os anos 1990, a questão sobre como convencer milhares de rebeldes a desistir das armas continua a ser uma profunda disputa. As exigências do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o rebelde PKK, incluem amnistia aos seus principais líderes, mas tal acordo irritaria muitos Turcos.
A Turquia já tomou algumas medidas para assimilar os Curdos, que representam cerca de 20% da população de 75 milhões e dominam o sudeste do país. Em Janeiro, o primeiro canal de televisão 24 horas em língua curda foi lançado e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, proferiu algumas palavras no idioma banido no passado.
Neste Sábado (15), a agência de notícias Doğan relatou que Erdoğan disse que, "no sudeste, os problemas não são apenas psicológicos, sociológicos. Aqui, temos problemas militares, políticos, diplomáticos. Problemas económicos".

(Fonte: Agência Estado)

Erdoğan anuncia projectos de reformas a favor da comunidade curda

O primeiro-ministro turco afirmou que o seu Governo vai avançar, antes do fim do ano, com projectos de reformas a favor da comunidade curda da Turquia.
A declaração de Recep Tayyip Erdoğan foi feita ontem, véspera do 25.º aniversário do primeiro ataque do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) na Turquia.
"Não podemos esperar até ao fim do ano por esta iniciativa. Começaremos o processo com medidas que podem ser aplicadas", disse Erdoğan, durante uma recepção em Ancara.
No início do mês em curso, Erdoğan aceitou - pela primeira vez em dois anos - reunir-se com o presidente do Partido para uma Sociedade Democrática (DTP, principal partido curdo do país) para discutir a forma de pôr termo à rebelião curda.

(Fonte: Diário de Notícias)

Há uma "oportunidade histórica" para a "questão curda"

Eram 19h30 locais, a 15 de Agosto de 1984, quando 30 rebeldes das Hêzên Rizgariya Kurdistan (HRK - Forças de Libertação do Curdistão) entraram em Eruh, povoação de 4000 habitantes nas montanhas do sudeste da Turquia. Divididos em três grupos, apoderaram-se de uma guarnição militar e mataram um soldado. Ocuparam uma mesquita e, por um dos altifalantes do templo, anunciaram a sua presença. Antes de recuarem para os seus refúgios, alardeando o feito de terra em terra, proclamaram na praça central o "início da guerra de libertação curda".
Vinte e cinco anos depois deste primeiro ataque do braço armado do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), espera-se que o seu fundador revele hoje um "roteiro" para solucionar um conflito que já causou 30 mil a 40 mil mortos. As propostas de Abdullah Öcalan, a cumprir uma pena perpétua desde a sua captura em 1999, deverão ser lidas pelos seus advogados durante o 1.º Festival de Arte e Cultura em Eruh - localidade agora governada pelo Partido para uma Sociedade Democrática (DTP), "braço político" do PKK.
Segundo o diário turco "Today's Zaman", o roteiro de Öcalan poderá incluir "expressões que se aproximam de um pedido de desculpas" e até "uma autocrítica". Composto por quatro capítulos ("Introdução, Princípios, Um Modelo de Solução e Princípios de Paz"), reivindica mais direitos e mais autonomia, cessar-fogo e uma amnistia, uma revisão constitucional e uma "comissão da verdade".
O que hoje será conhecido começou com um pedido de Öcalan aos seus advogados para contactarem intelectuais, escritores e organizações da sociedade civil. De 86 horas de reuniões (gravadas) com 55 personalidades saíram várias recomendações, que o chefe do PKK prometeu incluir na sua redacção final.
O Governo turco, por seu lado, acelerou uma "iniciativa para resolver a questão curda" e, embora as suas ideias sejam ainda vagas, sobressai a vontade de levantar as restrições à expressão da identidade curda, oferecer uma amnistia aos "militantes de base" do PKK e aumentar os incentivos económicos nas áreas de maioria curda.

Contactos indirectos?
O que levou o único prisioneiro da fortaleza de İmralı, no mar de Mármara, e o Governo a procurar uma saída para a mais longa insurreição curda na Turquia? Para Şahin Alpay, professor de Ciência Política na Universidade de Bahçeşehir, em Istambul, são quatro as principais razões. "Os militaristas em ambos os campos compreenderam que não há solução militar; Ancara reconheceu que a política de negação da identidade curda já não é sustentável; os Curdos do Iraque perceberam que precisam do apoio da Turquia (contra os Árabes) quando os Americanos se retirarem; todos (incluindo os EUA e a União Europeia) querem estabilidade para construir e operar os pipelines que atravessarão as regiões curdas da Turquia e do Iraque", especificou, numa entrevista ao Público por e-mail.
Convencido de que o Governo de Ancara não só tem "algum apoio dos militares" como está a "negociar indirectamente com o PKK e Öcalan", o veterano analista Alpay acredita que será possível abrir o caminho da paz. "Öcalan detém uma substancial influência e, embora os principais partidos da oposição [ultranacionalista], CHP e MHP, tenham uma atitude muito negativa, a maioria da opinião pública [na Turquia] é favorável a medidas para pôr fim às hostilidades - a minha previsão é a de que os partidos que se opõem à iniciativa do Governo serão duramente penalizados nas eleições parlamentares de 2011".
O académico Henri Barkey, do Carnegie Endowment for International Peace, em Washington, autor de "Turkey's Kurdish Question", avalia assim o que será a reacção na Turquia às propostas do PKK: "Vão ignorar o roteiro e fingir que nunca aconteceu, mas se contiver elementos de valor, o AKP [Partido da Justiça e Desenvolvimento, no Governo] vai usá-los, sem dizer que são as ideias de Öcalan."
As autoridades turcas "vão (e devem) apelar ao PKK para pôr fim à luta armada", afirmou Barkey ao Público, por correio electrónico. Inquirido sobre quais as linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas, o antigo conselheiro do Departamento de Estado americano respondeu: "O Governo não pode ser visto a dialogar com Öcalan e não pode concordar em discutir uma federação ou autonomia - o resto é semântica".
Numa entrevista à Rádio Europa Livre, Barkey adiantou: um dos principais problemas é a revisão da Constituição, de modo a que "a definição de cidadania seja mais inclusiva" para os Curdos. Öcalan quer, alegadamente, um regresso à de 1921, que dava amplos poderes a parlamentos provinciais, nos campos da educação, saúde ou desenvolvimento económico.
Rever a Constituição, explica Barkey, "é ir contra a própria definição do Estado turco, tal como concebida por Mustafa Kemal Atatürk, e há muitas pessoas para quem tudo o que o fundador disse é sacrossanto, imutável e intocável." O maior obstáculo, diz Barkey, poderá ser o Tribunal Constitucional (TC). Mesmo que o Governo consiga aprovar a sua iniciativa no Parlamento, onde o AKP tem maioria absoluta e o apoio de outros partidos, os juízes do TC, "que não é um organismo independente, mas muito ideológico", poderão chumbar o que foi aceite pelos deputados.
Ainda que isso possa acontecer, Barkey admite que os militares, cujas opiniões influenciam os veredictos do TC, "concluíram que jamais poderão vencer a guerra contra o PKK, ou os Curdos." Há outro factor que este professor na Universidade de Lehigh salientou ao Público: "Nos últimos anos, o DTP aproximou-se ainda mais do PKK. Os Curdos sempre se envolveram em política e raramente sob uma bandeira que destruísse a sua identidade curda - os deputados curdos do DTP são tão nacionalistas como os do AKP."

O ponto de viragem
Os sinais mais fortes de mudança na Turquia surgiram em 2005 quando o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, reconheceu, na província de Diyarbakır, no Sudeste, que o Estado cometeu "erros" na sua relação com os Curdos, salientou Amberin Zaman, do German Marshall Fund dos EUA.
Seguiram-se contactos secretos entre o chefe dos serviços de espionagem, Emre Taner, e o governo regional curdo no Norte do Iraque, para convencer os rebeldes do PKK, entrincheirados nas montanhas que separam o Iraque do Irão, a depor as armas. Esta diligência falhou devido aos entraves colocados pelos "falcões" no Exército turco e no PKK.
Outro sinal foi a decisão da administração Bush, em 2007, de partilhar em tempo real dados recolhidos por satélite sobre as actividades do PKK, permitindo que aviões de guerra turcos bombardeassem as suas bases no Norte do Iraque.
"Isso mudou, dramaticamente, o equilíbrio de forças", vincou Amberin, correspondente da revista "The Economist" em Ancara. "O PKK foi obrigado a ficar na defensiva e sofreu pesadas perdas. Dissipou-se a percepção de que os EUA favoreciam os Curdos iraquianos em detrimento da Turquia (devido à recusa de Ancara em abrir o seu território a uma segunda frente contra Saddam Hussein em 2003)."
A nomeação, em Agosto de 2008, do general İlker Başbuğ como chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Turcas (TSK) foi outro sinal. Em 15 de Abril último, o general usou a expressão "povos da Turquia" e não "Turcos".
Falou dos Curdos e da necessidade de rever a lei para que membros do PKK possam entregar as armas e deixar as montanhas. Considerou que "um terrorista também é um ser humano". Curdos e Turcos definiram este discurso como "histórico".
O Exército tem mantido o silêncio à medida que o Governo vai procurando apoios para a sua iniciativa. A imprensa turca vê nisto uma estratégia: se o plano resultar, o Exército vai recolher os louros; se falhar, juntar-se-á à oposição contra o AKP.
Outro sinal vital: numa recente entrevista a um jornal turco, Murat Karayilan, o principal comandante militar do PKK, disse que a independência já não está na agenda da organização. Mostrou-se disponível para negociar através de "terceiras partes" - alusão implícita ao DTP -, "se fosse necessário". Posteriormente, o líder do DTP, Ahmet Türk, lamentou um ataque do PKK contra soldados e deixou um aviso: "Os que procuram uma solução devem tirar o dedo do gatilho".
Foi uma rara manifestação de independência do líder do DTP (o PKK costuma assassinar os críticos), notou Amberin Zaman, e Erdoğan recompensou-o com um primeiro encontro, no dia 5 de Agosto, no Parlamento.
Em todo este processo, uma das figuras mais optimistas é o Presidente Abdullah Gül. "Encontraremos uma solução", declarou ao jornal "Sabah". "Esta questão [curda] é a mais importante questão na Turquia. Não enterremos as cabeças na areia. Temos aqui uma oportunidade histórica."

(Fonte: Público)

14 agosto 2009

Öcalan ainda não terminou plano para resolver conflito curdo

O líder histórico do grupo armado curdo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Öcalan, não divulgará o seu plano para a solução do conflito curdo no dia 15 de Agosto, como estava previsto, porque ainda não terminou a elaboração do plano.
Öcalan planeava anunciar o plano nessa data por marcar o 25º aniversário do primeiro ataque armado do PKK.
Ömer Güneş, um dos advogados de Öcalan, disse em entrevista colectiva perto de Istambul, após visitar Öcalan na ilha-prisão de Imrali, que o líder do PKK terminará a sua proposta "em dois dias".
Güneş acrescentou que "com toda probabilidade" o plano será divulgado na próxima quarta-feira, para quando está prevista a visita semanal dos advogados do líder curdo, capturado em 1998 por agentes turcos no Quénia.
O PKK, fundado em 1978 por Öcalan, iniciou a sua luta armada em 15 de Agosto de 1984 com o assassinato de dois polícias turcos. É considerado um grupo terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia (UE).
A proposta de Öcalan era esperada com grande expectativa na Turquia, onde o Governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan também prepara uma iniciativa para uma solução pacífica do conflito curdo, que nos últimos 25 anos matou cerca de 40 mil pessoas.

(Fonte: EFE)

Frederico Gil nas meias-finais do "challenger" de Istambul

O tenista português Frederico Gil, primeiro cabeça-de-série e 89.º do "ranking" mundial, qualificou-se hoje para as meias-finais do "challenger" de Istambul, na Turquia, ao vencer o Cazaque Mikhail Kukushkin.
Gil superou Kukushkin, 164.º da hierarquia mundial, por 6-2 e 6-4 e vai discutir o acesso à final com o Alemão Florian Mayer, 129.º e quatro pré-designado, que bateu o Turco Marsel Ilhan, 242.º, por um duplo 6-4. O melhor tenista luso no "ranking" está também na final de pares, variante em que faz dupla com o Sueco Filipe Prpic, marcada para Sábado. O "challenger" de Istambul está dotado com 50.000 dólares (cerca de 35.000 euros) em prémios monetários.

(Fonte: Público)