google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia: Política interna
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18 maio 2023

Kemal Kılıçdaroğlu promete enviar todos os refugiados de volta para casa

O adversário de Recep Tayyip Erdoğan na corrida presidencial da Turquia, Kemal Kılıçdaroğlu, elevou o tom sobre a imigração nesta quinta-feira, ao prometer enviar todos os imigrantes de volta para os seus países se for eleito na segunda volta de 28 de maio.

Kemal Kılıçdaroğlu, candidato de uma aliança de oposição de seis partidos, obteve cerca de 45% de votos na eleição de domingo, enquanto Erdoğan conseguiu cerca de 49,5%, ficando um pouco abaixo da maioria necessária para evitar uma segunda volta.

Os comentários mais recentes de Kılıçdaroğlu surgiram na sequência de expectativas de que o terceiro candidato na corrida presidencial anunciaria a sua decisão para a segunda volta.

Sinan Oğan, um político nacionalista apoiado por um partido anti-refugiados, obteve cerca de 5,2%, de votos, o que o tornou uma peça decisiva para a segunda volta.

Dirigindo-se aos membros de seu partido na sede do Partido Republicano do Povo (CHP), Kılıçdaroğlu manteve o seu tom desafiador contra as políticas de imigração de Erdoğan: "Erdogan, você permitiu deliberadamente 10 milhões de refugiados na Turquia. Você até colocou a cidadania turca à venda para obter votos importados". Anuncio aqui: vou mandar todos os refugiados de volta para casa assim que for eleito presidente, ponto final', disse Kılıcdaroğlu.

A Turquia abriga a maior população de refugiados do mundo, de cerca de 4 milhões, segundo dados oficiais.

(Fonte: Antena 1/Reuters)


Kiliçdaroğlu endurece tom para apelar ao eleitorado nacionalista


O opositor turco Kemal Kiliçdaroglu, que vai desafiar Recep Tayyip Erdogan na segunda volta das eleições presidenciais turcas de dia 28, endureceu hoje o tom sobre as questões dos refugiados e do terrorismo, num apelo ao eleitorado nacionalista.

"Nunca me sentei à mesa com organizações terroristas e nunca o farei [...]. Mandarei todos os refugiados para casa assim que chegar ao poder", afirmou o candidato da aliança da oposição em Ancara, no primeiro discurso público desde a primeira volta, a 14 de maio. 

Nos últimos meses, o líder da oposição tinha utilizado apenas a palavra "repatriamento" e dito que o faria num prazo de dois anos se vencesse a votação.

Estas duas promessas, agora formuladas num tom invulgarmente firme, tal como define a agência noticiosa France-Presse (AFP), "soam como uma mensagem" enviada aos 2,8 milhões de eleitores (5,2 por cento do eleitorado) que apoiaram o terceiro e último candidato mais votado na primeira volta, o ultranacionalista Sinan Ogan.

Segundo a imprensa turca, Sinan Ogan encontrou-se quarta-feira com um dos seis líderes da aliança da oposição e poderá encontrar-se sexta-feira com Kiliçdaroglu, que obteve 44,9% dos votos no domingo, contra 49,5% do Presidente cessante Recep Tayyip Erdogan, uma diferença de mais de 2,5 milhões de votos.

Sinan Ogan poderá apelar aos seus apoiantes no final da semana para que votem num dos dois finalistas da eleição, embora esteja por percecionar se o eventual apoio do ultranacionalista a qualquer um dos candidatos seja seguido pelos seus apoiantes.

Na primeira volta, Ogan centrou parcialmente a sua campanha na expulsão dos quatro milhões de refugiados que vivem em solo turco, 90% deles sírios.

Kiliçdaroglu, que há muito prometeu enviar os refugiados sírios para o país de origem, acusou hoje o chefe de Estado cessante de ter "trazido voluntariamente 10 milhões de refugiados" para a Turquia.

"Se se mantiverem no poder, haverá mais 10 milhões de refugiados [...]. Haverá pilhagens. As cidades serão geridas pela máfia e pelos traficantes de droga. O feminicídio vai aumentar", alertou.

Sobre a questão do terrorismo, Kiliçdaroglu acusou Erdogan de ter conduzido "negociações secretas" com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um grupo descrito como terrorista por Ancara e pelos seus aliados ocidentais.

O líder da oposição turca também o chefe de Estado de ter "alimentado e feito crescer" o movimento do pastor exilado Fethullah Gülen, um antigo aliado de Erdogan, acusado por este último de ter fomentado a tentativa de golpe de Estado de julho de 2016.

"Nunca estive do lado daqueles que conspiraram contra os nossos soldados e nunca estarei", disse, visando Erdogan, que, por sua vez, acusa Kiliçdaroglu de "receber ordens" do PKK desde que ganhou o apoio do partido pró-curdo HDP.

O candidato da oposição também denunciou as "irregularidades" que, defendeu, prejudicaram a primeira volta das eleições.

"Não precisamos de um ou dois, mas de cinco observadores em cada assembleia de voto", afirmou o líder da oposição.

(Fonte: JN)

14 maio 2023

Kemal Kılıçdaroğlu promete devolver a democracia ao país


O líder da oposição turco, Kemal Kiliçdaro[lu, exerceu este domingo o seu voto para as eleições presidenciais, apelando à harmonia numa eleição em que tem oportunidade de destituir o atual presidente, Recep Tayyip Erdoğan.

O líder do Partido Democrático Popular, Kiliçdaroğlu, exerceu o seu voto na escola primária Argentina, em Ancara, acompanhado da esposa, Selvi, entre clamores de "Kemal, presidente".

Em declarações aos jornalistas, depois de votar, Kiliçdaroğlu, que é o principal adversário do atual presidente Erdogan, destacou que "a primavera vai regressar" ao país.

"Todos sentimos falta da democracia. Sentimos falta de estarmos juntos, de nos abraçarmos uns aos outros. Vão ver, a Primavera vai regressar a este país, se Deus quiser, e vai durar para sempre", afirmou.

(Fonte: TSF)

12 maio 2023

Dirigente do AKP: Vamos vencer as eleições mas respeitamos qualquer resultado


O dirigente do AKP em Ancara assegurou em entrevista à Lusa que os resultados eleitorais de domingo serão respeitados pelo partido no poder, mas previu que nas legislativas e presidenciais de domingo a oposição será novamente derrotada.

“Respeitaremos a vontade da nação. Obedeceremos aos resultados, mas a aliança da oposição não aceitará a sua derrota e caminhará na lama. Não legitimarão os resultados para arruinar o processo eleitoral. E tentarão atuar em diversos cenários”, indicou Murat Alparslan, 49 anos, que concorre na terceira posição nas listas do partido.

“Acreditamos que vamos vencer as eleições legislativas e presidenciais. E que venceremos as presidenciais na primeira volta”, arriscou.

Numa observação final ao duplo escrutínio de 14 de maio, o dirigente local do AKP recordou que as eleições na Turquia registam geralmente elevada participação, com a presença de observadores nacionais e estrangeiros.

As eleições presidenciais e legislativas de domingo na Turquia serão decisivas para a manutenção, ou não, do Presidente Recep Tayip Erdogan e do seu partido AKP, no poder há duas décadas.

A oposição apresenta uma frente unida de seis partidos que tem um único candidato à Presidência, Kemal Kiliçdaroglu, apoiado pelo partido esquerdista e pró-curdo HDP.

Perto de 61 milhões de eleitores vão decidir o futuro do país, incluindo mais de três milhões de turcos que vivem fora do seu país, incluindo em Portugal, que votam antecipadamente.

Murat Alparslan falou à Lusa na sede de campanha para o 1.º distrito de Ancara, situada num amplo recinto no centro com construções pré-fabricadas e onde se concentram as equipas de apoio aos deputados.

Ao ser questionado sobre as alegadas conspirações internas e externas dirigidas contra o Estado e o partido no poder e denunciadas regulamente pelos media que controlam, considerou que não constituem uma surpresa.

“Tentaram que a Turquia ficasse controlada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), e com esse objetivo pretendem afastar Erdogan, porque caso contrário o FMI não poderá controlar o destino da Turquia”, alegou.

“O país é suficientemente inteligente para enfrentar estas armadilhas contra si e contra Erdogan, e quando se livrar destas armadilhas solucionará os seus principais problemas. A grande vantagem de Erdogan consiste em aglutinar junto de si um partido forte e os seus membros, e manter uma forte empatia com a nação”, defendeu à Lusa.

Numa abordagem à “questão curda”, em particular o colapso das inéditas conversações promovidas pelo AKP com o proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), mas que colapsaram em 2015, Murat Alparslan recordou que todas as minorias étnicas e religiosas “desempenharam uma função essencial na construção da Turquia”, rejeitando por isso que sejam consideradas como minorias.

“Não temos problemas com minorias étnicas e religiosas e não temos um problema com os curdos, antes com os grupos terroristas. A maioria da população curda é prejudicada pelos grupos terroristas”, assinalou.

Ainda numa referência ao malogrado processo de paz, iniciado em 2012, sustentou que Erdogan e o Estado atuaram com brandura face aos curdos, “com o objetivo de terminar um prolongado banho de sangue e o funeral de mártires”.

Neste processo, acusa os “grupos terroristas” de aproveitamento da situação.

“Por isso, o Estado e Erdogan deram um murro com um punho de ferro na mesa. A luta contra o terrorismo e os grupos terroristas vai prosseguir até ao fim. No nosso grupo de deputados e no Governo do AKP existem mais curdos que no CHP”, a principal força da oposição, assinalou.

(Fonte: Lusa/Observador)

Mudança de poder na Turquia pode não significar o fim dos laços com Putin

Em plena campanha eleitoral e a apenas três semanas da abertura das urnas, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente russo, Vladimir Putin, inauguraram a primeira central nuclear da Turquia numa cerimónia virtual, gesto que aproximou ainda mais os dois vizinhos do Mar Negro.

No mês passado, foi feita a primeira entrega de combustível nuclear na central de Akkuyu, na província de Mersin, que é a primeira do mundo a ser construída, detida e explorada por uma única empresa - a empresa estatal russa de energia atómica Rosatom.

Com isso, a Turquia aumentou a sua dependência energética de Moscovo, numa altura em que os seus aliados da NATO estavam a reduzir esses laços para privar a Rússia de influência contra eles. A presença de Moscovo na Turquia foi reforçada a longo prazo, precisamente no momento em que Erdogan se prepara para participar numa eleição que, segundo algumas sondagens, o poderá afastar do poder.

O reforço dos laços entre Erdogan e Putin causou nervosismo no Ocidente, com alguns a observarem as próximas eleições na expectativa de uma possível saída de Erdogan.

O homem forte turco sabe disso. Quando, em março, o embaixador dos EUA em Ancara, Jeff Flake, visitou o seu principal rival eleitoral, Kemal Kiliçdaroglu, Erdogan atacou-o, chamando à visita do diplomata norte-americano uma "vergonha" e avisando que a Turquia tem de "dar uma lição aos EUA nestas eleições".

As sondagens sugerem uma corrida apertada entre Erdogan e Kiliçdaroglu, com a probabilidade de as eleições de 14 de maio irem a uma segunda volta se nenhum candidato obtiver a maioria dos votos.

Mas os analistas afirmam que, mesmo que Erdogan seja derrotado nas urnas, uma reviravolta na política externa da Turquia não é um dado adquirido. Enquanto figuras próximas da oposição consideram que, em caso de vitória, a Turquia será reorientada para o Ocidente, outros dizem que as questões fundamentais da política externa provavelmente permanecerão inalteradas.

Ao longo das últimas duas décadas, a Turquia de Erdogan reposicionou-se de uma nação secular e orientada para o Ocidente para uma nação mais conservadora e orientada para a religião. Membro da NATO, e com o segundo maior exército da Aliança, reforçou os seus laços com a Rússia e, em 2019, chegou mesmo a comprar-lhe armas, desafiando os EUA. Erdogan tem levantado suspeitas no Ocidente ao continuar a manter laços estreitos com a Rússia, enquanto esta prossegue a sua ofensiva na Ucrânia, e foi uma dor de cabeça para os planos de expansão da NATO ao impedir a adesão da Finlândia e da Suécia.

No entanto, a Turquia também tem sido útil aos seus aliados ocidentais durante o governo de Erdogan. No ano passado, Ancara ajudou a mediar um acordo histórico de exportação de cereais entre a Ucrânia e a Rússia e até forneceu à Ucrânia drones que desempenharam um papel importante contra os ataques russos.

"Penso que há áreas em que vamos assistir a mudanças radicais, se a oposição ganhar, e muitos dos nossos colegas e diplomatas europeus em Ancara estão a perguntar até que ponto a Turquia vai voltar a aproximar-se dos seus aliados ocidentais", disse Onur Isci, professor assistente de relações internacionais na Universidade Bilkent, em Ancara, observando que, se a oposição ganhar, a primeira coisa que vai fazer é reparar as barreiras com o Ocidente.

Limites da viragem da Turquia para o Ocidente

Mas, mesmo que as relações com o Ocidente sejam restabelecidas, haverá limites para o regresso da Turquia àquela esfera, dada a profunda interligação entre as economias turca e russa, especialmente no que respeita à energia.

Segundo Isci, grande parte da política externa de Erdogan tem sido orientada por considerações económicas. E é provável que isso continue no próximo governo.

A Turquia é um parceiro comercial fundamental para a Rússia, bem como um centro para milhares de russos que fugiram após a invasão russa da Ucrânia, investindo dinheiro no sector imobiliário e noutros sectores.

O comércio entre os dois países tem vindo a aumentar e, no mês passado, Putin afirmou que a Rússia estava interessada em aprofundar os seus laços económicos com Ancara, referindo que o comércio bilateral ultrapassou os 57 mil milhões de euros em 2022, de acordo com a agência noticiosa estatal russa TASS. Este facto coloca a Rússia entre os maiores parceiros comerciais da Turquia.

No entanto, a União Europeia, enquanto bloco, continua a ser o maior parceiro comercial da Turquia, com o comércio bilateral a atingir cerca de 200 mil milhões de euros, de acordo com a Comissão Europeia. Entretanto, o comércio com os EUA ascendeu a cerca de 31 mil milhões de euros em 2022, de acordo com o Gabinete dos Censos dos EUA.

A proximidade geográfica da Rússia com a Turquia, bem como os seus interesses económicos em Ancara, provavelmente significa que um líder diferente de Erdogan continuará a manter boas relações com Moscovo, enquanto ancora a Turquia nas suas alianças democráticas ocidentais, perspetivou Murat Somer, professor de ciência política da Universidade Koc, em Istambul, à CNN.

"Em termos de perspetivas do país, este será orientado para o Ocidente democrático", afirmou Somer, salientando que tal não significa o fim total das divergências com os países ocidentais.

Após vários atrasos, a Turquia permitiu este ano que a Finlândia aderisse finalmente à NATO, mas continua a impedir a adesão da Suécia, alegando que este país alberga "organizações terroristas" curdas, referindo-se ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que é considerado um grupo terrorista pela Turquia, pelos EUA e pela UE.

As questões relativas à adesão da Suécia podem, no entanto, ser resolvidas com ou sem Erdogan.

"É muito provável que, independentemente de quem ganhe as eleições, Ancara ratifique a adesão da Suécia em 2023, depois de a nova legislação antiterrorista entrar em vigor na Suécia", antecipou à CNN Nigar Goksel, diretor para a Turquia do International Crisis Group.

A oposição tem feito questão de salientar que, para que a adesão da Suécia seja aprovada, são essenciais "medidas construtivas para eliminar as preocupações da Turquia em matéria de segurança".

Mas enquanto as relações com a UE podem melhorar se a oposição ganhar, o caminho pode ser mais longo e mais difícil com os EUA, dizem os especialistas.

"Quando mencionamos a relação da Turquia com o Ocidente por vezes tomamos os dois extremos do Atlântico como se fossem um só", disse Isci. "A relação da Turquia com os EUA chegou a um beco sem saída e tem vindo a deteriorar-se desde há muito tempo."

Quer Erdogan ou a oposição ganhem, acredita Isci, a Turquia vai tentar "desenredar a sua relação com os EUA e a UE", dada a dependência de Ancara dos seus parceiros comerciais europeus.

(Fonte: CNN Portugal)

UE pede tratamento igualitário de todos os candidatos e transparência

A União Europeia alerta para a importância de assegurar a pluralidade dos órgãos de comunicação social na Turquia e o tratamento igualitário de todos os candidatos às eleições presidenciais e legislativas de domingo, disse à Lusa fonte oficial comunitária.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Peter Stano, disse esperar que as eleições do próximo domingo sejam “transparentes e inclusivas, e em linha com os princípios democráticos”.

É importante que seja assegurada a pluralidade dos órgãos de comunicação social e o tratamento igualitário de todos os partidos políticos e candidatos”, sustentou.

A União Europeia (UE) não vai enviar uma missão de observação para a Turquia, uma vez que o acompanhamento de eleições nos países da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) é feita pelo Gabinete para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos.

Questionado sobre de que modo é que uma derrota do Presidente Recep Tayyip Erdogan, do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), pode ser um reinício das relações com Ancara, atribuladas nos últimos meses, a Comissão rejeitou “especular sobre cenários hipotéticos”.

Peter Stano comentou que Bruxelas “está preparada para continuar a trabalhar com proximidade com qualquer Governo e administração da Turquia eleitos democraticamente”.

As relações entre a UE e a Turquia têm sido complicadas. Há anos que Ancara utiliza como instrumento de negociação com Bruxelas os milhões de migrantes que tentam chegar à UE — muitos deles refugiados da Síria —, mas que acabam por ficar retidos em território turco, na sequência de um acordo assinado em 2016.

O acordo pode estar em causa em função do resultado das eleições, uma vez que existe a intenção dos dois lados de reduzir o número de migrantes que estão no país, obrigando-os a regressar aos países de origem ou possivelmente rompendo o acordo com a UE.

Em abril de 2021, o Presidente turco esteve no centro de uma polémica designada por Sofagate por ter deixado a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sentada num sofá afastada do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e do próprio Erdogan durante uma visita dos líderes das instituições europeias a Ancara.

Michel e Erdogan sentaram-se em duas poltronas para uma conversa e Von der Leyen ficou de pé, tendo apenas um sofá, afastado dos outros dois intervenientes na reunião, para se sentar.

O gesto foi na altura criticado pela diplomacia europeia.

De acordo com um artigo dos analistas Asli Aydintasbas e Jeremy Shapiro divulgado no final de abril pelo Conselho Europeu para Relações Estrangeiras, as relações da UE e dos Estados Unidos com a Turquia estão dependentes da atuação que estes dois blocos tenham nas eleições.

Os dois analistas sugerem que Bruxelas e Washington se resfriem de intervir durante o processo eleitoral, mesmo que vá a uma segunda volta (que poderá ocorrer a 28 de maio), uma vez que do lado do AKP e do Presidente Erdogan existem acusações de que o líder da oposição turca (e principal rival político de Erdogan no escrutínio) e a sua coligação são instrumentos do Ocidente para destabilizar a Turquia.

O opositor de Erdogan, Kemal Kiliçdaroglu, apresentou-se com um candidato mais pró-ocidental e que deseja criar um sistema democrático mais pluralista, em oposição ao regime populista e cada vez mais autoritário de Erdogan.

Na ótica dos analistas, o máximo que a UE e os Estados Unidos deveriam fazer era reiterar a importância de um processo eleitoral ordeiro e transparente, como a Comissão Europeia respondeu à Lusa.

As eleições presidenciais e legislativas na Turquia realizam-se no domingo, 14 de maio, e serão decisivas para a manutenção, ou não, do Presidente Recep Tayyip Erdogan e do seu partido AKP, no poder há duas décadas.

A oposição apresenta uma frente unida de seis partidos que tem um único candidato à Presidência, Kemal Kiliçdaroglu, líder do maior partido da oposição turca (Partido Republicano do Povo — CHP, social-democrata).

Perto de 61 milhões de eleitores vão decidir o futuro do país, incluindo mais de três milhões de turcos que vivem fora do seu país, incluindo em Portugal, que votaram antecipadamente.

A última sondagem divulgada na quinta-feira pelo reconhecido Instituto Konda atribui a Kiliçdaroglu 49,3% das intenções de voto na primeira volta, contra 43,7% de Erdogan.

(Fonte: Observador)

09 maio 2023

Portugal acompanha escrutínio na Turquia com atenção



O Governo português irá acompanhar “com muita atenção” as eleições na Turquia esperando que Ancara continue a ser parceiro da União Europeia (UE), e destaca o “papel muito importante” do país para mediar tensões na guerra na Ucrânia.

A posição é do secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Tiago Antunes, que em entrevista à agência Lusa a propósito do Dia da Europa, que hoje se assinala, defende que “a Turquia é um país muitíssimo importante em si mesmo e também no domínio das relações com a UE porque é um país candidato e faz parte de uma União aduaneira com a União Europeia”.

“Portanto, naturalmente, seguimos com muita atenção, com muito interesse, tudo aquilo que se passa na Turquia”, afirma o responsável.

Além disso, continua Tiago Antunes, “nas atuais circunstâncias, é um país absolutamente decisivo, no contexto do conflito na Ucrânia, basta relembrar o papel muito importante que teve na negociação com as Nações Unidas na iniciativa dos cereais do Mar Negro, que garantiu o escoamento de cereais da Ucrânia e a sua mobilização para várias zonas do globo, designadamente no sul global, permitindo evitar situações de fome ou de subnutrição”.

“Todos estes fatores contribuem para que a realidade na Turquia seja algo que, na União Europeia, seguimos com muita atenção e todos os parceiros europeus acompanham com atenção, desejando, naturalmente, que continue a ser um parceiro”, sublinha o secretário de Estado.

O responsável lembra, ainda, aquele que foi um dos maiores desastres naturais da Europa, quando um sismo de magnitude 7,8 na escala de Richter atingiu em fevereiro passado o sul da Turquia e o norte da vizinha Síria, provocando milhares de vítimas e o desabamento de milhares de edifícios.

“Há um esforço de reconstrução muito grande a fazer”, adianta.

As eleições presidenciais e legislativas na Turquia realizam-se em 14 de maio e serão decisivas para a manutenção, ou não, do Presidente Recep Tayip Erdogan e do seu partido AKP, no poder há duas décadas.

A oposição apresenta uma frente unida de seis partidos que tem um único candidato à Presidência, Kemal Kiliçdaroğlu, líder do maior partido da oposição turca (Partido Republicano do Povo - CHP, social-democrata), apoiado pelo partido esquerdista e pró-curdo HDP.

Perto de 61 milhões de eleitores vão decidir o futuro do país, incluindo mais de três milhões de turcos que vivem fora do seu país, incluindo em Portugal, que votam antecipadamente.

As mais recentes sondagens indicam que o resultado das eleições presidenciais está muito renhido, deixando em aberto uma vitória de Erdogan ou de Kiliçdaroglu, com uma ligeira vantagem para este último.

Se Erdogan vencer, poderá cumprir o seu terceiro mandato consecutivo como Presidente.

(Fonte: Açoriano Oriental)


26 fevereiro 2018

Meral Akşener: "A Turquia está limitada em Afrin"

Meral Akşener, antiga ministra do interior e atual líder do "Bom Partido" da Turquia, falou com a Euronews sobre a operação militar turca em Afrin e sobre a política do presidente Erdogan para a Síria.


“Infelizmente, a Turquia transformou-se num país que não discute a sua política externa, nem no parlamento, nem em público. A política externa é construída a partir das declarações do Sr. Erdoğan. Como resultado desta realidade, todos os dias enfrentamos uma consequência diferente. Sobre o Exército Livre da Síria, gostaria de dizer o seguinte: Lançámos uma operação tardia em Afrin com o objetivo de garantir a segurança para a Turquia, de acordo com o direito internacional. Não se trata de uma guerra. Lançámos uma operação. Portanto, este é um processo legítimo para o país. E o Senhor Erdogan declarou que será feito o que é preciso na região e só depois a operação pode terminar. Neste contexto, o Exército Livre da Síria surge como um amigo tanto em termos do direito internacional, como em termos da política externa. Os Estados Unidos de um lado, e a Rússia e o Irão do outro, uma política moldada apenas pelo líder do partido AKP, e com um ministério dos negócios estrangeiros desativado... Não temos os meios para dizer sim ou não”.

No final de outubro, Meral Akşener formou um partido político de centro-direita para concorrer às presidenciais de 2019.

Fonte: Euronews

04 janeiro 2018

Tensão entre Washington e Ancara dispara com condenação de banqueiro turco

O Governo turco reagiu com indignação à condenação do director do banco estatal Halkbank, Mehmet Hakan Atilla, pelas autoridades norte-americanas, num processo de corrupção que envolve um esquema conjunto com a República Islâmica do Irão para iludir o regime de sanções imposto pelos Estados Unidos. Classificando a decisão judicial como uma “desgraça jurídica”, Ancara contestou a “interferência sem precedentes nos assuntos internos” de um país aliado da NATO e lamentou o caso como um ataque com motivações políticas que vem azedar ainda mais as (já tensas) relações bilaterais.

O Governo de Recep Tayyip Erdogan insurgiu-se contra o processo assim que foram deduzidas acusações contra Mehmet Hakan Atilla e outros oito arguidos (entre os quais o antigo responsável pela pasta da Economia, Zafer Caglayan) num tribunal federal de Nova Iorque. Quer pessoalmente, quer através de vários ministros do seu Governo, Erdogan pôs em causa a legitimidade e até a legalidade do processo, que disse assentar em provas falsas, especialistas escandalosos e magistrados duvidosos – segundo o vice primeiro-ministro, Bekir Bozdag, tratou-se de um complô orquestrado pela CIA, o FBI e a rede do imã Fethullah Gülen, o arqui-inimigo de Erdogan que está exilado nos EUA.

O Presidente ainda não se pronunciou sobre o desfecho do julgamento, mas o seu porta-voz, Ibrahim Kalin, comentou que “um caso escandaloso só podia acabar com um veredicto escandaloso”. O ministro da Justiça, Abdulhamit Gül disse que a Turquia não reconhecia a sentença. Apesar de o nome de Erdogan não figurar directamente no processo, o chefe de Estado não deixou de se ver afectado pelo caso, uma vez que foi entendido que o esquema ilícito decorreu com o seu conhecimento e aprovação.

Mehmet Hakan Atilla, que supervisiona o departamento internacional do banco estatal foi condenado pelos crimes de fraude bancária e conspiração para violar as sanções ao Irão e defraudar os EUA, enfrentando uma pena de prisão que ultrapassa os 30 anos. Mas o tribunal não determinou, para já, se o Halkbank será objecto de punições financeiras e administrativas. Num comunicado, a instituição bancária fez questão de lembrar que não estava implicada neste julgamento.

O banqueiro, que se declarou inocente e decidiu recorrer da sentença, esteve sozinho durante o julgamento: enquanto sete dos arguidos estão fugidos da justiça, um dos imputados no esquema assinou um acordo para colaborar com os procuradores na qualidade de testemunha da acusação.

Reza Zarrab, um cidadão turco-iraniano que negoceia em ouro, explicou a forma como os dirigentes do banco Halkbank, apoiados por elementos do Governo turco e do regime iraniano, puseram de pé uma operação que lhes permitiu aceder a milhões de fundos de petrodólares que estavam restritos no âmbito das sanções aplicadas pelos EUA a Teerão.

A operação, depôs Zarrab, foi comunicada a Erdogan em 2012. Nessa altura, o líder turco ocupava o cargo de primeiro-ministro: segundo disse o “arrependido” – que admitiu ter lucrado 150 milhões de dólares com a participação no esquema – Erdogan terá dado ordens para envolver dois bancos do seu país em transacções falsas de produtos agrícolas e outros bens com entidades que escondiam o comércio de petróleo vedado pelo Tesouro norte-americano.

A condenação de Atilla poderá ser lida como um “embaraço” para Erdogan, mas os analistas políticos não esperavam quaisquer consequências políticas do processo. “Em primeiro lugar, a corrupção não é um tema muito sensível para a população turca. E o Governo foi capaz de usar o actual sentimento anti-americano a seu favor ao referir-se a este caso como uma conspiração contra a Turquia”, disse ao The New York Times o director do Centro de Estudos da Turquia do Instituto do Médio Oriente, Gonul Tol.

No entanto, os analistas financeiros alertaram para o impacto que o caso poderia ter na banca turca – e o efeito negativo para o sistema bancário e a economia do país. Antes do anúncio da decisão do tribunal nova-iorquino, o ministro das Finanças da Turquia, Naci Agbal, garantiu que Ancara faria “tudo o que fosse necessário” para proteger o seu sector bancário. “Aconteça o que acontecer, estaremos do lado dos nossos bancos”, disse à Reuters.

(Fonte: Público)

09 setembro 2015

Sede do partido pró-curdo HDP vandalizada

A sede do Partido Democrático do Povo (HDP), um dos principais partidos da oposição turca que é pró-curdo, foi atacada na noite de terça-feira por nacionalistas turcos em Ancara que deitaram fogo ao edifício.

A agência de notícias turca Anadolu avança que os responsáveis terão sido pelo menos 50 pessoas, que se manifestavam contra os atentados levados a cabo por militares do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Esta é a segunda noite consecutiva em que manifestantes nacionalistas turcos atacam vários edifícios públicos. O HDP acusa o governo do AKP, o partido islamita do presidente Recep Tayyip Erdogan, de orquestrar os ataques alegadamente levados a cabo pela minoria curda, como o que, na terça-feira, vitimou mais de dez agentes da polícia turca.

“Estes ataques são dirigidos por uma só mão, a do Estado”, disse Selahattin Demirtas, vice-presidente do HDP.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, pediu calma e condenou os actos de violência. “É inaceitável danificar edifícios de partidos políticos e propriedade de nossos cidadãos civis”, afirmou no Twitter.

Na noite de terça-feira, cerca de sete mil pessoas saíram às ruas para manifestar o seu descontentamento contra o que classificam de actos terroristas levados a cabo pelo PKK.

A polícia local teve de intervir a fim de evitar maiores confrontos e utilizou gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

Desde o final do mês de Julho que o governo turco ordenou vários bombardeamentos aéreos contra bases dos curdos na região do Curdistão do Iraque, em resposta aos ataques do PKK contra as forças de segurança turcas.

Os ataques acontecem um mês depois de o executivo de Davutoglu ter posto fim ao processo de paz que estava a ser conduzido com os curdos da Turquia - cerca de 18% da população - desde 2012, depois de várias décadas de conflito que causaram mais de 40 mil mortos.

(Fonte: Jornal I)




21 agosto 2015

Erdoğan anuncia eleições antecipadas para o dia 1 de Novembro

O Presidente turco anunciou o seu desejo de convocar eleições legislativas antecipadas para 1 de Novembro, após o fim do prazo de negociações para formar um governo de coligação, uma vez que o seu partido, o AKP, não conseguiu uma maioria suficiente no escrutínio de Junho.
 
Domingo, 23 de Agosto, é o dia em que terminam os 45 dias de prazo, e é nessa altura que Recep Tayyip Erdoğan pretende convocar eleições. “Vou encontrar-me com o presidente do Parlamento mais uma vez e depois vamos conduzir o país para eleições antecipadas, esperando o melhor”, afirmou Erdoğan.
 
“Se Deus quiser, a Turquia vai ter uma segunda volta – é como eu lhe chamo, uma segunda volta”, comentou, tornando evidente que espera que os turcos dêem desta vez uma vitória clara ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que ele próprio conduziu ao poder, em 2002, e tem governado a Turquia ininterruptamente desde então.
 
Para Erdoğan, a continuação do AKP é fundamental para alterar a Constituição de forma a tornar o regime mais presidencialista, concendo-lhe mais poderes no cargo que hoje desempenha.
 
Até às eleições, o país deverá ficar nas mãos de um governo de transição, composto por representantes de cada um dos partidos com assento parlamentar, incluindo o Partido Democrático do Povo (HDP), pró-curdo, que conseguiu entrar no Parlamento pela primeira vez nas eleições de Junho. Como a nova atitude ofensiva do Governo de Ancara contra o autoproclamado Estado Islâmico se alarga também contra os curdos, este partido é visto com enorme suspeita.
 
Por isso, o ainda primeiro-ministro Ahmet Davutoğlu iniciou um esforço de última hora para fazer uma coligação, ainda que temporária, por apenas dois meses, com o Partido Republicano (CHP) e o Partido do Movimento Nacionalista (MHP), para formar uma coligação temporária, só até às eleições, relata o jornal turco Hürriyet Daily News.
 
Mas ambos os partidos disseram que não só não querem fazer essa coligação, como não querem participar no governo de transição. O único que parece ter intenção de o integrar, é o HDP, mas só se for completamente livre de escolher os seus representantes - mas não é claro que o possa fazer, diz a Reuters. O AKP quer garantir que ao partido pró-curdo não calhará nenhuma das pastas que tenham que ver com questões de segurança, diz o Hürriyet.
 
Se não houver acordo entre os partidos, este governo de transição, que tem de ser formado até 31 de Agosto, será composto por não políticos.
 
(Fonte: Público)

30 junho 2015

Primeiro-ministro turco propõe assistência à Grécia

O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoğlu, ofereceu hoje a assistência do seu país à Grécia, que está à beira de entrar em incumprimento, afirmando-se pronto a considerar "qualquer proposta de cooperação" com a nação vizinha.

"Queremos uma Grécia forte (...), estamos prontos para ajudar a Grécia a superar esta crise através da cooperação nos setores do turismo, energia e comércio", disse Davutoğlu, num discurso perante os membros do seu partido.
"Vamos contactar a Grécia para organizar uma reunião de alto nível, logo que seja possível, e considerar uma acção conjunta para resolver a crise financeira que atingiu o país", acrescentou.
O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, confirmou hoje que a Grécia não vai pagar até ao final do dia a parcela de 1,6 mil milhões de euros de empréstimo ao Fundo Monetário Internacional, e marcou um referendo para domingo, crucial para a manutenção do país na zona euro.
Os dois copresidentes do principal partido curdo na Turquia, próximos do Syriza, partido do poder na Grécia, reafirmaram terça a sua "solidariedade com o povo grego e o seu governo".
"Acreditamos que, em vez das políticas de austeridade, existem soluções mais razoáveis e aceitáveis", disse Selahattin Demirtaş e Figen Yüksekdağ, do Partido Democrático do Povo.
As relações entre a Turquia e a Grécia continuam difíceis, em particular devido ao conflito no Chipre, dividido desde a intervenção militar turca de Julho e Agosto de 1974, justificada por uma tentativa de golpe de Estado organizado pela junta militar no poder em Atenas, e que pretendia a união com a Grécia.
Apesar das conversações de paz recentes, sob os auspícios das Nações Unidas, ainda não foi encontrada uma resolução.

(Fonte: Notícias ao Minuto)

11 junho 2015

PM turco aberto a coligações mesmo sem gostar delas

Os resultados eleitorais inconclusivos na Turquia deixaram o país num impasse político. Para resolvê-lo, o primeiro-ministro, Ahmet Davutoğlu, diz agora estar disposto a entendimentos com outras forças partidárias, apesar de avisar que as coligações não têm tido finais felizes na história do país. 

“Temos usado as eras de coligação das décadas de 1970 e 1990 como exemplo de que as coligações não servem para Turquia e continuamos a defender isso”, disse Davutoğlu numa reunião com responsáveis locais do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). 

Mas sem os votos necessários para continuar no poder sozinho, o AKP não tem grandes alternativas e o primeiro-ministro admite, por isso, estar “aberto a qualquer cenário”. 
“No entanto, no cenário político actual, o único partido que pode apresentar soluções realistas é o AKP”, defendeu.

Esta visão não é partilhada por todas as formações, especialmente pelos pró-curdos do HDP, que conseguiram pela primeira vez ultrapassar a barreira dos dez por cento de votos necessários para garantir um lugar no parlamento. O partido também está aberto a todas as opções para formar uma coligação de governo na Turquia, menos aliar-se ao partido ainda no poder. 

Além de terminarem sem que AKP conseguisse um resultado que lhe permitisse formar governo sozinho, as eleições fizeram também cair por terra o objetivo do partido alcançar dois terços dos lugares no parlamento, necessários para alterar a constituição e dar mais poderes ao presidente.  
Esta última meta era um desígnio do ex-primeiro-ministro e agora chefe de Estado, Recep Tayyip Erdoğan, que depois de ter esgotado o limite de três mandatos à frente do governo pretendia transformar a Turquia num regime presidencialista. 
Para o HDP essa é uma aspiração inaceitável e defendeu que Erdoğan se deve sujeitar aos limites constitucionais, que ditam a neutralidade política do chefe de Estado. Um recado a um presidente que foi uma das presenças mais assíduas publicamente durante a campanha. 
Na lista de prioridades do HDP está também o problema curdo. Selahattin Demirtaş, um dos líderes partidários, defendeu que o processo de paz deve ser acelerado e que o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, que se encontra preso, está disposto a fazer um apelo ao desarmamento.

(Fonte: TVI24)    

07 junho 2015

Partido pró-curdo tira maioria ao AKP


O partido do Presidente e ex-primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan deverá governar sem maioria pela primeira vez desde 2002, caso não consiga formar uma difícil coligação. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) obteve 41% dos votos e 258 deputados, falhando assim o mínimo de 276 assentos necessários para uma maioria.
Os resultados do AKP ultrapassam o Governo e estendem-se a Erdoğan e ao seu projecto político. O Presidente queria alterar a Constituição e concentrar mais poderes no seu cargo. Para isso, o Presidente turco precisava que o AKP atingisse uma maioria confortável no Parlamento. 
A pálida vitória do partido de Erdoğan provocou uma queda da cotação da lira turca e das acções na bolsa de valores, indicando a apreensão dos mercados financeiros, sempre receosos do que consideram ser uma situação política instável.
Na manhã desta segunda-feira, a bolsa de Istambul deu um trambolhão de 8% e a lira viu a sua cotação face ao dólar cair para mínimos históricos. Em resposta, o banco central anunciou um corte nas taxas de juro dos depósitos estrangeiros, para tentar erguer a cotação da moeda turca.
O insucesso do AKP é o sucesso do recém-criado HDP, o partido secularista pró-curdo que apostou tudo nestas eleições e que acaba por ser decisivo. O HDP (Partido Democrático do Povo) assegurou a fasquia mínima de 10% dos votos exigida pela Constituição turca para que um partido entre na Assembleia. As últimas contagens colocam o HDP nos 13%, com entre 75 e 80 deputados. Caso falhasse a margem mínima, os votos e assentos do HDP seriam distribuídos pelos partidos mais votados, o que beneficiaria o AKP.
"Esta é uma vitória dos que querem uma Constituição pluralista e uma solução pacífica para a questão curda", disse na noite de domingo Selahattin Demirtaş, um dos dois líderes do HDP, quando se tornou evidente que o seu partido iria entrar no Parlamento. "O debate sobre o sistema presidencial acabou hoje", sentenciou ainda, referindo-se à intensão de Erdoğan de mudar a Constituição.
Sem maioria, a questão que agora se impõe é se o AKP tentará fazer uma coligação com a terceira força mais votada, o Partido Movimento Nacionalista, que surge com 16,4% dos votos e 82 deputados. Este é o parceiro mais provável para o AKP, já que, para além do HDP, resta apenas no Parlamento o Partido Republicano do Povo (CHP), o tradicional partido da oposição e o segundo classificado destas eleições. O CHP ficou em linha com o resultado de 2011: 25% dos votos e 132 deputados, segundo os últimos resultados.  
Erdoğan não foi a votos, mas muito do que ficará decidido nas eleições deste domingo centra-se na sua figura e herança política. De tal maneira que se tornou na principal figura destas eleições. Mostrou-o o discurso semi-vitorioso de Haluk Koç (CHP): "A Turquia ganhou. Erdoğan perdeu."
Para além do projecto político de concentração de poder na figura do Presidente, Erdoğan jogava nestas eleições a representação parlamentar de uma sociedade turca polarizada. Durante a campanha eleitoral, o HDP denunciou cerca de 70 ataques a várias das suas sedes de campanha. Na sexta-feira morreram três apoiantes do HDP e centenas de outros ficaram feridos na explosão de uma bomba num comício do partido.
Antecipando a importância do HDP, Erdoğan ignorou a imparcialidade exigida ao Presidente e entrou numa ostensiva campanha pelo AKP.Erdoğan associou Demirtaş, do HDP, ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a organização armada que luta desde a década de 1980 pela criação de um Estado curdo. Erdoğan tentou capitalizar ainda o voto religioso junto da população curda, tentando assim roubar votos ao HDP, que se apresenta como o defensor das minorias sexuais e religiosas da Turquia e é contra o ensino obrigatório do islão nas escolas.
 
(Fonte: Público)

Erdoğan pede "uma nova conquista, se Deus quiser"

 
50 milhões de turcos podem votar e escolher o novo Parlamento. Em jogo está mais do que um programa de quatro anos: está o futuro da Turquia e o poder de um homem para o moldar.
 
As principais preocupações dos turcos são a economia e o desemprego. Após uma década de crescimento estável, muitos já sentem o aumento da inflação, a desvalorização da lira, o recuo do investimento externo. Há 11% no desemprego e 20% dos jovens não encontra trabalho. Apesar disto, mais do que sobre as propostas dos partidos, as eleições de domingo são um referendo ao ex-primeiro-ministro e actual Presidente, Recep Tayyip Erdoğan.
Estas são as eleições que vão definir o futuro de Erdoğan e da Turquia. O futuro do homem que polarizou o país depois de o pôr no "bom caminho", com reformas económicas e políticas sociais que diminuíram as desigualdades, leis que impediram o Exército de derrubar governos e uma tentativa de resolver a questão curda e pôr fim a um conflito que já fez 40 mil mortos. Medidas aplaudidas pela União Europeia, à qual a Turquia continua, no papel, a querer aderir.
Mas o Erdoğan de hoje é aquele que não se engasga ao tratar os opositores como “conspiradores”, ao chamar "terrorista" ao adolescente de 15 anos que morreu baleado pela polícia nos protestos de Gezi, em 2013, ao mandar fechar o Twitter numa vã tentativa de impedir a partilha de suspeitas de corrupção contra si.
Um político que, depois de fazer aprovar leis para promover a divisão de poderes, tenta agora controlar a justiça – só desde Agosto, quando foi eleito Presidente, 105 pessoas foram acusadas de “insulto ao chefe de Estado”, ao mesmo tempo que jornalistas independentes continuam a ser detidos, acusados de divulgar “segredos de Estado” ou atentar contra a segurança nacional.
 
“Merece ser rei”

Erdoğan quer mudar a Constituição para fazer da Turquia um regime presidencialista e só por isso se candidatou ao cargo. É acusado de querer o poder pelo poder, para nele se conseguir eternizar.
O Presidente não esconde ao que vem. Quer estar no cargo até 2023, centenário da República fundada por Mustafa Kemal Atatürk. Quer ser maior do que Atatürk, substitui-lo como o “pai” dos turcos. Muitos já o vêem assim. Chamam-lhe Tayyip e dizem, como Fatma Şahin, uma apoiante de 32 anos que o jornal The New York Times encontrou num comício, que “não merece só a presidência, merece ser rei”.
Mas por cada turco que ama Erdoğan, há outro turco que o teme. Erdoğan “transformou-se num verdadeiro déspota, participa de forma activa na campanha para defender o seu partido, o AKP, quando deveria estar acima das formações políticas tal como prevê a Constituição, ataca todos os dias a oposição, denuncia conspirações imaginárias, denigre os melhores artistas do país e ameaça a imprensa independente”, escreveu no Le Monde Nadim Gürsel, romancista e analista turco a viver em França.
São 50 milhões os turcos que podem votar para eleger a nova Grande Assembleia Nacional e os seus 550 deputados. O AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento) governa com maioria absoluta desde 2002. Sob a liderança de Erdoğan venceu sete eleições legislativas, municipais e presidenciais consecutivas, para além de dois referendos. Em 2011, obteve 49,8% dos votos e 363 lugares.
Com 276 deputados (metade mais um), um partido tem maioria para governar. Chegar aos 330 é ter uma vitória decisiva e legislar à vontade; é a maioria de três quintos, com a qual um partido pode mudar a Constituição, desde que a referende. Mas só os 367, a chamada super-maioria, permitem mudar a Constituição sem precisar de perguntar aos turcos se estão de acordo. As sondagens são pouco fiáveis, mas todas deixam o AKP entre os 276 e os 330 deputados, com 40 a 45% votos.
 
O partido mais pequeno

A oposição tradicional, os herdeiros de Atatürk e do seu CHP (Partido Republicano do Povo, nacionalistas sociais-democratas), tentaram uma renovação, fizeram primárias para escolher o novo líder, Kemal Kiliçlaroğlu, incluíram mais mulheres nas listas e têm propostas para resolver os problemas do país. Mas numa campanha dominada por Erdoğan – numa só semana de Maio teve 44 horas de directos nas televisões – foi difícil a Kiliçlaroglu fugir às polémicas com o chefe de Estado e explicar o seu programa.
Em 2011, o CHP teve 26% dos votos, quase o dobro dos 13% da formação de extrema-direita MHP (Partido do Movimento Nacionalista), que é contra o processo de paz e defende que os curdos têm de aceitar a autoridade do Estado turco. Por causa do MHP, e da sua capacidade de atrair votos entre o eleitorado mais nacionalista, Erdoğan e vários candidatos do AKP passaram a criticar o processo de paz que eles mesmos iniciaram.
Nem o CHP nem o MHP poderão impedir o AKP de alcançar a maioria de três quintos. Mas há um partido que o pode conseguir e é curdo. Chama-se HDP (Partido Democrático do Povo) e, tal como Erdoğan, joga tudo nestas eleições. Até agora, os seus membros concorriam como independentes para evitar o risco de não chegar aos 10%, o mínimo que a Constituição impõe a um partido para entrar na Assembleia. Elegeram 30 deputados em 2011.
Apresentar-se como partido dá ao HDP outro estatuto. Se alcançar os 10% terá 50 a 60 deputados e uma importante palavra a dizer no futuro da Turquia. Se falhar, num sistema eleitoral que o diário The Guardian descreve como “o mais injusto do mundo”, perde tudo e os seus votos são distribuídos pelos partidos mais votados em cada região, beneficiando assim o AKP.
Mas o HDP já não representa só os curdos, 20% da população – muitos dos quais, conservadores e religiosos, votam habitualmente no AKP. O único partido com dois líderes, um homem e uma mulher, o único com 50% de mulheres nas suas listas, atrai os turcos que temem o autoritarismo de Erdoğan. Minorias culturais e sexuais ou jovens que querem mudanças reais revêem-se na formação que é comparada ao Podemos espanhol ou ao Syriza grego.
“Somos o partido de todos, o partido dos oprimidos”, repetiu em campanha Selahattin Demirtaş, o advogado de 42 anos que é um dos líderes e o rosto mais conhecido do HDP. Aos 20 anos, tentou entrar na guerrilha curda mas foi recusado. Agora, quer mudar a Turquia a partir das instituições. “Se nos tornarmos no partido mais pequeno no Parlamento, podemos limitar o poder do maior partido”, disse numa entrevista. “O AKP está muito nervoso. Não esperava este desafio.”
 
Uma nova Turquia

Demirtaş tem razão. A candidatura do seu partido pôs os líderes do AKP a descrevê-lo como um “perigoso militante do PKK”. Por causa do HDP, Erdoğan levou um Corão em curdo para os comícios. É que o principal obstáculo do HDP para chegar aos 10% não são as acusações de laços aos terroristas, mas o seu apoio aos homossexuais e propostas como o fim do ensino obrigatório do islão nas escolas. A maioria do eleitorado curdo é muito religioso e o AKP joga nisso para combater Demirtaş.
Há uma semana, no comício onde o New York Times encontrou Fatma Şahin, a mulher que gostava que Erdoğan fosse rei, o Presidente só falou depois da banda de 600 músicos ter tocado e marchado, enquanto caças sobrevoavam o céu de Istambul e desenhavam com fumo colorido a bandeira da Turquia.
Depois de recitar o Corão, levando alguns apoiantes às lágrimas, Erdoğan lembrou que “transformar o destino doente desta nação em 12 anos foi uma conquista”. Também disse que “atravessar este ponto de viragem a caminho de uma nova Turquia é uma conquista”. Depois, apelou ao voto: “Se Deus quiser, 7 de Junho vai ser uma conquista.”
 
(Fonte: Público)

17 fevereiro 2015

A islamização e a violência contra as mulheres na Turquia


As organizações de defesa dos direitos das mulheres da Turquia pediram a todos os cidadãos que iniciem, nas redes sociais, uma campanha com a palavra chave (hashtag) "sendeanlat". Significa "Conta também" e pretende manter vivo o protesto pela violação e assassínio de Özgecan Aslan, ao mesmo tempo que alerta para o papel reservado às mulheres no modelo social que o actual Governo está a criar.

"O nosso Estado é um Estado ‘macho’. Esperamos que o Parlamento trave o que está a acontecer", disse à Reuters Sevda Bayramoğlu, da organização Iniciativa Mulheres pela Paz, acusando os homens de matarem, violarem e torturarem as mulheres e ficarem impunes.

A campanha para chamar a atenção sobre o que se está a passar na Turquia foi motivada por um crime, mais um — os próprios dados oficiais dizem que a violência contra as mulheres aumentou na última década, coincidindo com a governação do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) do Presidente Recep Erdoğan; no ano passado 300 mulheres foram mortas por homens e mais de cem foram violadas.

Özgecan Aslan, que tinha 20 anos, foi assassinada na semana passada. Esta estudante de psicologia ia a caminho de casa quando o condutor de um minibus a tentou violar. Perante a resistência da mulher, o condutor agrediu-a na cabeça com um objecto metálico e apunhalou-a.

Aslan foi dada como desaparecida a 11 de Fevereiro, tendo a polícia encontrado o seu corpo a 13. O condutor, o pai dele e um amigo foram detidos e acusados pelo crime. O primeiro-ministro, Ahmet Davutoğlu, prometeu punir os responsáveis pelo crime. Mas as organizações de defesa dos direitos das mulheres e feministas, assim como a oposição secular, consideram que a morte da estudante é um sintoma de uma mudança que está a ser orquestrada pelo próprio Governo.

"Isto é o resultado da atmosfera de radicalização islâmica que este Governo criou", disse Zeynep, uma das milhares de mulheres que no fim-de-semana se manifestaram em toda a Turquia contra a violência de género e em homenagem a Özgecan Aslan. "Os homens dizem que as mulheres têm de ser mais conservadoras, que merecem este tipo de violência", disse.

"Por um lado, estou furiosa com o que aconteceu. Por outro, tenho medo que uma coisa assim me possa acontecer a mim ou às minhas amigas", disse à Reuters outra manifestante, Bulay Doğan. Nas principais cidades turcas, as manifestantes gritaram uma só palavra de ordem: "Basta! Acabemos com o assassínio de mulheres".

O Partido de Erdoğan, no poder desde 2002, tem raízes no islamismo e o Governo é classificado como islamita-conservador. Em Novembro do ano passado, o Presidente fez um discurso num colóquio sobre Justiça e Mulheres — ao qual assistia uma das suas filhas, Sumeyye Erdoğan — em que clarificou a nova política oficial em relação às mulheres. Disse Erdoğan que há diferenças biológicas entre mulheres e homens e que, por isso, as mulheres não podem realizar certas tarefas ou funções — "Por causa da natureza delicada delas". A igualdade homem-mulher é "anti-natural", disse.
"A nossa religião — prosseguiu — definiu um papel para as mulheres: a maternidade. (...) Algumas pessoas entendem isto, outras não conseguem. Não podemos explicar que é assim às feministas porque elas não percebem o conceito de maternidade".

Já no primeiro dia deste ano, e ao visitar a maternidade onde nasceu o primeiro bebé turco de 2015, o ministro da Saúde, Mehmet Müezzin, reforçou a visão oficial do Governo sobre as mulheres: as mulheres devem ter filhos e a única carreira que as mães devem ter é cuidar dos filhos. "As mães têm a carreira da maternidade. As mulheres que são mães não devem tentar ter outra carreira".

O líder do Partido Republicano do Povo (oposição laica e social-democrata), Kemal Kiliçlaroğlu, disse que o aumento da violência contra as mulheres é o resultado da "moral religiosa" e de género do partido no poder. "O AKP chegou ao poder argumentando que a moralidade estava pelas ruas da amargura, mas a verdade é que tanto a moral como a democracia perderam muito terreno nos últimos anos".

O Governo anunciou que vai realizar uma grande campanha de prevenção da violência contra as mulheres. E alguns dos seus ministros responderam à violação e assassínio da estudante de psicologia dizendo que este crime justifica que se considere o regresso da pena de morte na Turquia. "Não tanto como ministra e mais como mãe penso que este género de crime deve ser punido com a morte", disse a ministra da Família e única mulher no Governo, Ayşenur Islam. Uma petição exigindo uma "punição exemplar" para os autores do crime já tem 700 mil assinaturas.
 
(Fonte: Público)

21 janeiro 2015

Dez anos de prisão para polícias turcos que mataram manifestante

Dois polícias turcos foram condenados a dez anos de prisão depois de terem espancado até à morte um estudante em Junho de 2013. Aconteceu durante os protestos contra o Governo do país. Os familiares da vítima afirmam que as penas são demasiado leves.
Ali Ismail Korkmaz, o estudante de 19 anos, entrou em coma e morreu após ter sido violentamente agredido na cabeça com cassetetes por, pelo menos, quatro homens.

Gravações de câmaras de vigilância mostram Ali Ismail a ser agredido na cabeça pelos polícias descaracterizados durante protestos na cidade de Eskişehir.

O Presidente da Turquia, Erdoğan, disse que os confrontos em Junho de 2013 foram uma tentativa de golpe de Estado.

Pelo menos outros cinco manifestantes e um polícia morreram e milhares de pessoas ficaram feridas nesta manifestação. Os protestos foram desencadeados quando se soube da intenção de demolir o parque Gezi, no centro de Istambul, para construir um centro comercial.
As autoridades recorreram a gás lacrimogéneo, depois de a sentença ter sido anunciada, para dispersar os manifestantes que se encontravam à porta do tribunal na cidade de Kayseri, na Turquia, escreve o jornal The Guardian.
Os condenados foram acusados de contribuírem para a morte do jovem estudante com penas que chegavam aos 13 anos de prisão.
 Os familiares de Ali Ismail dizem que as penas são demasiado leves e demonstraram raiva por as penas terem sido reduzidas para os dez anos. Já os defensores da polícia defendem que a sentença, ainda assim, é injusta.
Mevlut Saldoğan, um dos polícias condenados a dez anos e dez meses de prisão, disse ao tribunal que "os verdadeiros assassinos são aqueles que estão por trás dos protestos no parque Gezi, por terem enviado jovens inocentes para as ruas".
Cerca de 5.500 pessoas foram chamadas a depor em tribunal, algumas por acusações de terrorismo.
Três outros réus foram condenados a quase sete anos de prisão. Houve ainda um homem sentenciado a três anos de prisão, mas o tribunal decidiu absolvê-lo, dado o tempo que passou a aguardar sentença.
 
(Fonte: RTP)

19 dezembro 2014

Turquia pede prisão para o imã rival de Erdoğan

O Ministério Público turco pediu mandado de prisão para o imã Fethullah Gülen, que se tornou o arqui-rival do Presidente Recep Tayyip Erdoğan, e vive nos Estados Unidos desde 1998. Gülen, de 73 anos, é acusado de ser o líder de “uma organização criminosa, que se estrutura nos media, na economia e na burocracia, violando a leis e os regulamentos”.
Este é o passo mais ousado na ofensiva de Erdoğan lançada nos últimos dias contra sectores dos media ligados a Gülen, defensor da modernização do islão, que construiu a sua influência graças a uma rede de escolas e universidades que formaram boa parte da moderna elite turca e tem um especial peso na justiça e na polícia.
A 14 de Dezembro foram presos o director de um important
e jornal diário ligado a Gülen, o Zaman, e o director do grupo de televisão Samanyolu, bem como outras figuras ligada aos media, criticadas pela União Europeia.
Mas nesta semana foram também anulados processos por corrupção iniciados em Dezembro do ano passado contra 53 pessoas, que chegaram a membros do Governo e figuras importantes da administração de Erdoğan. O dinheiro apreendido na casa do filho do ex-ministro do Interior Muammer Güler (cerca de 300 mil euros) e 1,5 milhões de euros descobertos dentro de caixas de sapatos na casa de Süleyman Aslan, ex-director geral do banco Halkbank, confiscados na altura, vão ser-lhes devolvidos – e com pagamento de juros, noticia o jornal turco Hürriyet, na sua edição online em inglês.
Estes processos foram considerados a grande ofensiva dos sectores que apoiam Gülen contra Erdoğan. Agora, está-se a assistir à resposta de Erdoğan, que acusa o ex-aliado de conspirar para o derrubar.
Mas colocar a disputa no plano internacional não será o mais benéfico para Erdoğan. As relações da Turquia com os Estados Unidos, que teriam de extraditar Gülen, já não são as melhores, tanto pelo discurso nacionalista do agora Presidente turco como pelas posições turcas sobre a guerra na Síria, nem sempre as mais satisfatórias para os EUA.
 
(Fonte: Público)   

Tribunal liberta editor de jornal com a mira apontada a Gülen

A Turquia prepara-se para pedir aos Estados Unidos a extradição do clérigo islamita e opositor do governo, Fethullah Gülen, sob acusação de alegada associação terrorista. Um tribunal anunciou esta sexta-feira ter aceitado o pedido do Procurador-Geral de Istambul para emitir um mandato de captura contra o clérigo islamita que reside nos Estados Unidos há mais de 15 anos.
Esse mandato, ao abrigo de um acordo geral neste sentido assinado entre os dois países, deverá conduzir ao pedido de Ancara a Washington para a extradição de Gülen, um antigo aliado do actual Presidente turco e actual opositor ao regime em vigor na Turquia.
O clérigo islamita é um dos responsáveis do grupo de comunicação Samanyolu, do qual fazem parte o jornal diário Zaman e a estação de televisão STV, que terão dado eco de uma reportagem e várias notícias, em 2013, sobre um caso de corrupção ao mais alto nível na Turquia e que motivou a queda de quatro ministros do executivo do então ainda primeiro-ministro Erdoğan.
O Governo de Ancara terá alegado provas de acusação contra várias pessoas ligadas a este grupo de comunicação, por alegada associação a grupo terrorista. Isso levou à prisão de quase 30 pessoas, entre elas o editor chefe do Zaman e o director executivo da STV.
Com muitos apoiantes da oposição a Erdoğan em protesto junto ao Palácio da Justiça de Istambul, o editor do jornal, Ekrem Dumanli, embora não absolvido, foi libertado esta sexta-feira ao lado de sete polícias suspeitos de corrupção. O jornalista vai aguardar julgamento em liberdade.
“Nós fomos interrogados pelo Procurador durante toda a noite. No final, perguntei-lhe se o motivo do tratamento a que fomos expostos por vários dias eram aqueles dois artigos e uma reportagem? Ele disse que ‘sim’, relatou Dumanli, ao microfone, perante a multidão de manifestantes, que apupou a alegada resposta do Procurador.
Menos sorte teve o director executivo da televisão. Hidayet Karaca vai aguardar julgamento atrás das grades e não calou a sua revolta, gritando repetidamente para as câmaras de televisão que “a imprensa livre não pode ser silenciada.”
Estados Unidos e União Europeia já revelaram desconfiança das acusações do Governo turco contra estes meios de comunicação e apelou a Ancara para não colocar pressão sobre a liberdade de imprensa.
 
(Fonte: Euronews)

02 novembro 2014

Turquia viola direito à educação

O Governo de Ancara está a fechar escolas de ensino secular substituindo-as por escolas públicas de ensino religiosas (Iman Hatip). Mais de 40.000 alunos, incluindo os não muçulmanos, foram forçados a frequentar estas escolas.
Com a reforma do sistema educativo, iniciada em Setembro, os alunos são colocados nas escolas com base nos resultados dos exames nacionais. Os que não conseguem entrar na primeira escolha vão para os estabelecimentos mais perto das suas casas. O problema é que as escolas seculares têm vindo a ser substituídas pelas Iman Hatip e em muitas áreas são a única opção disponível, deixando os alunos e os pais sem qualquer poder de escolha.
O problema não é novo: em Setembro, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou a Turquia dando procedência a uma queixa datada de 2011 de pais de alunos alevitas por estes serem forçados a frequentar um sistema educativo baseado nas convicções sunitas. Esta violação do direito à educação tem de ser resolvida «o mais rápido possível», recomendou o tribunal.
Actualmente existem cerca de 40.000 escolas públicas na Turquia. Segundo o Economic Research Institute (ERI), o número de escolas Iman Hatip aumentou 83 % nos últimos cinco anos, em comparação com o aumento de 57% das escolas de ensino regular e de 23% de escolas técnicas.
Mais de 1.450 escolas foram convertidas em escolas religiosas, desde 2010 a 2013, diz o ERI.
Os críticos acusam o novo sistema de educação de ser ideológico e de fazer parte de um plano dos dirigentes do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que está no poder, de ‘islamizar’ a educação e de desmantelar o sistema secular fundado por Mustafa Kemal Atatürk.
«As mudanças no sistema foram feitas para apoiar a ideologia e o projecto religioso do Governo. Este sistema vai substituir o conhecimento, a ciência e as artes pelo dogma», disse à Al Jazeera Namik Havutca, do Partido Republicano (CHP).
 
‘Nova’ Turquia
 
Sinal dos tempos, Tayyp Erdoğan inaugurou na quarta-feira um palácio presidencial com mil divisões, em Ancara. Terá custado 280 milhões de euros e é mais um factor de divisão. «A nova Turquia deve afirmar-se com algo novo», disse o Presidente. Mas os secularistas encaram o abandono do palácio Çankaya, símbolo da República, como uma provocação e um gasto desnecessário.
 
(Fonte: Sol)