google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia: Liberdade de Expressão na Turquia
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22 janeiro 2016

Joe Biden acusa Turquia de limitar liberdade de expressão

O vice-presidente dos EUA começou uma curta visita de dois dias à Turquia com um puxão de orelhas ao Governo de Ahmet Davutoglu, dizendo que o país "não está a dar o exemplo que devia dar" à região, ao "intimidar" jornalistas e ao "cercear" a liberdade na Internet. 

"Quanto mais bem-sucedida for a Turquia, mais forte será a mensagem enviada a todo o Médio Oriente e a áreas do mundo que só agora começam a lidar com a noção de liberdade", disse Joe Biden, perante personalidades da sociedade civil da Turquia e deputados. 

O vice-presidente dos EUA chegou à Turquia na noite de quinta-feira, para uma visita que se estende até sábado, depois de ter participado no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça. Para sábado estão marcadas conversas com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e com o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu. 

Esta sexta-feira, Joe Biden reuniu-se com representantes de organizações não-governamentais, académicos e deputados de três dos quatro partidos com representação parlamentar – o Partido da Justiça e Desenvolvimento (islamita e conservador, no poder), o Partido Democrático do Povo (esquerda e pró-curdo) e o Partido Popular Republicano (centro-esquerda). O Partido Movimento Nacionalista, da extrema-direita, recusou-se a estar presente. 

Apesar de reafirmar o apoio ao Governo turco na luta contra os ataques do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o vice-presidente dos EUA condenou medidas como a imposição do recolher obrigatório no Sudeste do país, onde os episódios de violência são mais acentuados. "Quando os jornalistas são intimidados ou detidos por fazerem um trabalho crítico, quando a liberdade na Internet é cerceada e as redes sociais como o YouTube ou o Twitter são encerradas, e mais de mil académicos são acusados de traição apenas por terem assinado uma petição, não se está a dar o exemplo que se deveria dar", afirmou o vice-presidente dos EUA. 

Num dia em que também visitou a mulher e o filho do director do jornal Cumhuriyet, Can Dundar,  que foi detido em Novembro do ano passado, Joe Biden insistiu no puxão de orelhas: "Quando não temos capacidade para expressar a nossa opinião, para criticar as políticas, para propor ideias opostas sem medo de sermos intimidados ou punidos, estamos a tirar uma oportunidade ao nosso país."

(Fonte: Público)

15 janeiro 2016

Erdoğan declara guerra aos signatários de uma petição pela paz

O Governo turco lançou esta sexta-feira uma caça aos signatários de uma petição que pede o fim das operações controversas do Exército contra a rebelião curda, o que suscitou a ira do Presidente, Recep Tayyip Erdoğan, reavivando as críticas sobre a sua deriva autoritária. 

Por ordem da Justiça, a polícia turca deteve em Kocaeli (nordeste) 14 universitários que colocaram o seu nome por baixo deste “apelo pela paz”. Em Bolu (norte), as forças de ordem revistaram os domicílios de três outros signatários da petição. Em todo o país foram abertos inquéritos judiciais por “propaganda terrorista”, “insulto às instituições e à República turca” e “incitamento a violar a lei” contra os signatários da petição, que arriscam entre um a cinco anos de prisão. 

Segunda-feira, perto de 1200 pessoas já tinham assinado “uma iniciativa universitária pela paz”, que reclamava o fim da intervenção das forças de segurança turca contra os apoiantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), no Sudeste do país de maioria curda. O texto denuncia “um massacre deliberado e planificado em total violação das leis turcas e dos tratados internacionais assinados pela Turquia”. 

Apoiados por tanques, o exército e a polícia turca avançaram há um mês sobre as cidades de Cizre e Silopi que estão a cumprir um cessar-fogo, bem como o distrito sul de Diyarbakir, para desalojar apoiantes armados do PKK que se tinham entrincheirado em alguns bairros. Os combates provocaram a morte de inúmeros civis e o êxodo de uma parte dos habitantes. 

Esta petição, que também é assinada por intelectuais estrangeiros como o linguista americano Noam Chomsky, provocou a fúria dos dirigentes turcos. Pela terceira vez esta semana, Erdoğan acusou os signatários de serem cúmplices dos “terroristas” do PKK e justificou as acções judiciais contra eles. “Aqueles que se juntam ao campo dos cruéis são eles próprios cruéis e aqueles que apoiam os autores de massacres são cúmplices dos seus crimes”, disse o Presidente turco. 

Nas páginas do jornal Yeni Safak, um dos porta-vozes favoritos do poder, o editorialista Ibrahim Karagül apelou aos estudantes para “boicotarem as aulas daqueles que apoiam o terrorismo e se escondem por detrás da palavra paz”. Várias universidades abriram inquéritos disciplinares contra professores signatários da petição, registando-se já um caso de um professor que foi despedido em Düzce (noroeste). E nas redes sociais são muitos os estudantes que insultam os seus colegas signatários com frases como: “Traidores como tu não têm lugar no glorioso solo turco.” 

Estas operações policiais são “muito perigosas e inaceitáveis”, denunciou o Partido Republicano do Povo (oposição social-democrata). Elas “mergulham a Turquia nas trevas”, reagiu o Partido Democrático dos Povos (pró-curdo). A representante da Human Rights Watch na Turquia, Emma Sinclair Webb, escreveu no Twitter que estas detenções de universitários são “escandalosas”. “Exprimir a sua preocupação com a violência não significa apoiar o terrorismo. Criticar o Governo não é traição”, explicou o embaixador dos Estados Unidos em Ancara, John Bass. 

Depois de mais de dois anos de cessar-fogo, os combates entre as forças turcas e o PKK foram retomados no Verão passado, estilhaçando as negociações abertas no final de 2012 para tentar pôr fim a um conflito que já provocou mais de 40 mil mortos desde 1984. 

 (Fonte: Público)

06 junho 2015

Explosão em comício do partido curdo HDP provoca dois mortos

Dois mortos e uma centena de feridos é o resultado de duas explosões num comício do partido curdo HDP, em DiyarBakır, no sul da Turquia. Segundo as autoridades, 24 pessoas precisaram de ser hospitalizadas. 
Após as explosões, alguns grupos de populares lançaram pedras sobre a polícia e, pelo menos, uma viatura policial foi incendiada. A polícia respondeu com granadas de gás lacrimogéneo e canhões de água. O atentado ocorreu a menos de 48 horas das legislativas de Domingo que, ao que tudo indica, voltarão a ser ganhas pelo AKP, o partido de Erdoğan. O presidente já considerou o ataque uma provocação contra a democracia e a estabilidade. 
 
(Fonte: TVI)
  

05 março 2015

Presidente da Turquia multado por insultar artista

Erdoğan não gostou das estátuas erguidas perto da fronteira com a Arménia e chamou-lhes uma "monstruosidade". A obra foi demolida pouco depois e o artista decidiu ir para tribunal. Ganhou.


O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, foi condenado a pagar uma multa de 10 mil liras turcas, cerca de 3500 euros, ao escultor Mehmet Aksoy, por ter insultado o seu trabalho artístico.
O caso remonta a 2011, quando Erdoğan era primeiro-ministro da Turquia e descreveu uma obra concebida por Aksoy como "uma monstruosidade", sugerindo que fosse retirada. O monumento - chamado "Estátua da Humanidade" - pretendia simbolizar a amizade entre a Turquia e a Arménia e era constituído por duas figuras humanas, com cerca de 30 metros de altura, esculpidas em pedra, colocadas numa montanha próxima da cidade turca de Kars, que fica na fronteira entre os dois países.

Presidente da Turquia multado por insultar artista
Fotografia © Ggia/Wikimedia Commons
 
Segundo a BBC, que cita o turco Hurriyet Daily News, o monumento acabou por nunca ser concluído e foi demolido poucos meses depois do comentário de Erdoğan, que viria a ser processado pelo autor da obra por comentários insultuosos. Um tribunal de Istambul decidiu agora dar razão ao artista, ainda que não tenha fixado a indemnização no valor pretendido de 100 mil liras turcas (cerca de 35 mil euros).
Para atenuar o valor da compensação terá contribuído o facto de a Associação de Língua Turca ter defendido, em 2014, que a palavra usada por Erdoğan - "ucube", que pode ser traduzida por "monstruosidade" - não era um insulto, remetendo na realidade para algo "muito estranho e muito feio". Já os advogados do actual presidente alegaram que a declaração de Erdoğan era uma crítica a uma obra de arte e não um insulto ao próprio artista.
 
(Fonte: DN)

21 janeiro 2015

Dez anos de prisão para polícias turcos que mataram manifestante

Dois polícias turcos foram condenados a dez anos de prisão depois de terem espancado até à morte um estudante em Junho de 2013. Aconteceu durante os protestos contra o Governo do país. Os familiares da vítima afirmam que as penas são demasiado leves.
Ali Ismail Korkmaz, o estudante de 19 anos, entrou em coma e morreu após ter sido violentamente agredido na cabeça com cassetetes por, pelo menos, quatro homens.

Gravações de câmaras de vigilância mostram Ali Ismail a ser agredido na cabeça pelos polícias descaracterizados durante protestos na cidade de Eskişehir.

O Presidente da Turquia, Erdoğan, disse que os confrontos em Junho de 2013 foram uma tentativa de golpe de Estado.

Pelo menos outros cinco manifestantes e um polícia morreram e milhares de pessoas ficaram feridas nesta manifestação. Os protestos foram desencadeados quando se soube da intenção de demolir o parque Gezi, no centro de Istambul, para construir um centro comercial.
As autoridades recorreram a gás lacrimogéneo, depois de a sentença ter sido anunciada, para dispersar os manifestantes que se encontravam à porta do tribunal na cidade de Kayseri, na Turquia, escreve o jornal The Guardian.
Os condenados foram acusados de contribuírem para a morte do jovem estudante com penas que chegavam aos 13 anos de prisão.
 Os familiares de Ali Ismail dizem que as penas são demasiado leves e demonstraram raiva por as penas terem sido reduzidas para os dez anos. Já os defensores da polícia defendem que a sentença, ainda assim, é injusta.
Mevlut Saldoğan, um dos polícias condenados a dez anos e dez meses de prisão, disse ao tribunal que "os verdadeiros assassinos são aqueles que estão por trás dos protestos no parque Gezi, por terem enviado jovens inocentes para as ruas".
Cerca de 5.500 pessoas foram chamadas a depor em tribunal, algumas por acusações de terrorismo.
Três outros réus foram condenados a quase sete anos de prisão. Houve ainda um homem sentenciado a três anos de prisão, mas o tribunal decidiu absolvê-lo, dado o tempo que passou a aguardar sentença.
 
(Fonte: RTP)

21 dezembro 2014

Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condena o tratamento dos Alevitas na Turquia

Num acórdão proferido a 2 de Dezembro de 2014, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou a Turquia por ter recusado ao culto Alevita os benefícios concedidos a outras religiões.
Muito embora seguida por 15 a 20 milhões de turcos, o Estado turco não considera o Alevismo como uma religião.
Os Alevitas são muçulmanos xiitas (Alevita significa "discípulo de Ali"), defensores de uma exegese profunda do Alcorão, e, da sua adaptação a todos os lugares e a todas as épocas. Não vão às mesquitas, mas praticam o ritual do semah (o dos "dervixes rodopiantes"). Crentes numa estrita igualdade entre homens e mulheres, promoveram o laicismo na Turquia embora continuem, ainda, sem beneficiar disso.
Desde o século XVI, o Estado, otomano ou o turco, reprime ou ostraciza os Alevitas. O último massacre teve lugar em 1993 (aquando do festival cultural de Sivas). Até à data, continua a não haver qualquer alto funcionário Alevita, apesar desta comunidade ser particularmente brilhante.
A 16 de Novembro de 2014, ao anúncio da sentença do Tribunal Europeu, o primeiro- ministro, Ahmet Davutoglu, anunciou querer resolver o problema Alevita. No entanto, o discurso do Presidente Recep Tayyip Erdoğan mantêm-se sempre marcado por desprezo em relação a eles. Por seu lado, o CHP, o partido de oposição, apresentou uma proposta de lei para tratar da questão. Ela prevê o reconhecimento dos locais de culto Alevitas, a retirada da menção da religião no bilhete de identidade, a revogação dos cursos de cultura religiosa, a adopção de um dia feriado para a grande festa Alevita, Ghadir Khumm, e a transformação do hotel Madimak (local do massacre de 1993) em museu.
 
(Fonte: Rede Voltaire)

19 dezembro 2014

Tribunal liberta editor de jornal com a mira apontada a Gülen

A Turquia prepara-se para pedir aos Estados Unidos a extradição do clérigo islamita e opositor do governo, Fethullah Gülen, sob acusação de alegada associação terrorista. Um tribunal anunciou esta sexta-feira ter aceitado o pedido do Procurador-Geral de Istambul para emitir um mandato de captura contra o clérigo islamita que reside nos Estados Unidos há mais de 15 anos.
Esse mandato, ao abrigo de um acordo geral neste sentido assinado entre os dois países, deverá conduzir ao pedido de Ancara a Washington para a extradição de Gülen, um antigo aliado do actual Presidente turco e actual opositor ao regime em vigor na Turquia.
O clérigo islamita é um dos responsáveis do grupo de comunicação Samanyolu, do qual fazem parte o jornal diário Zaman e a estação de televisão STV, que terão dado eco de uma reportagem e várias notícias, em 2013, sobre um caso de corrupção ao mais alto nível na Turquia e que motivou a queda de quatro ministros do executivo do então ainda primeiro-ministro Erdoğan.
O Governo de Ancara terá alegado provas de acusação contra várias pessoas ligadas a este grupo de comunicação, por alegada associação a grupo terrorista. Isso levou à prisão de quase 30 pessoas, entre elas o editor chefe do Zaman e o director executivo da STV.
Com muitos apoiantes da oposição a Erdoğan em protesto junto ao Palácio da Justiça de Istambul, o editor do jornal, Ekrem Dumanli, embora não absolvido, foi libertado esta sexta-feira ao lado de sete polícias suspeitos de corrupção. O jornalista vai aguardar julgamento em liberdade.
“Nós fomos interrogados pelo Procurador durante toda a noite. No final, perguntei-lhe se o motivo do tratamento a que fomos expostos por vários dias eram aqueles dois artigos e uma reportagem? Ele disse que ‘sim’, relatou Dumanli, ao microfone, perante a multidão de manifestantes, que apupou a alegada resposta do Procurador.
Menos sorte teve o director executivo da televisão. Hidayet Karaca vai aguardar julgamento atrás das grades e não calou a sua revolta, gritando repetidamente para as câmaras de televisão que “a imprensa livre não pode ser silenciada.”
Estados Unidos e União Europeia já revelaram desconfiança das acusações do Governo turco contra estes meios de comunicação e apelou a Ancara para não colocar pressão sobre a liberdade de imprensa.
 
(Fonte: Euronews)

11 fevereiro 2014

Governo turco afasta 166 procuradores e juízes

O Governo turco afastou, esta terça-feira, 166 procuradores e juízes, numa nova purga nos meios judiciais em resposta a um inquérito sobre corrupção que envolve diversos empresários e políticos com ligações ao poder, referiram os média locais.
De acordo com a edição na internet do diário "Hurriyet", entre os visados incluem-se destacados procuradores da capital Ancara, de Istambul e de Esmirna.
Desde o início do escândalo, divulgado em meados de Dezembro, o Governo islamita conservador do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan já despediu milhares de polícias (seis mil segundo as estimativas de diversos média), para além de procuradores, juízes e advogados envolvidos nas investigações sobre alegadas operações de lavagem de dinheiro, contrabando de ouro e corrupção.
Ainda segundo as informações divulgadas, 85 oficiais da polícia de Istambul foram afastados esta semana das suas funções.
Erdoğan, também líder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, no poder desde 2002), tem acusado os apoiantes do exilado e influente predicador turco Fethullah Gülen, de desencadearem as investigações no âmbito de uma tentativa de "golpe" contra o seu Governo num ano de eleições decisivas, com municipais em Março e presidenciais em Agosto.
Estes afastamentos, acompanhados pela aprovação de legislação que reforça o controlo do Governo dos conteúdos da internet, estão a originar reacções no país e no estrangeiro sobre o estado da democracia no país.
O primeiro-ministro turco rejeitou também hoje as fortes críticas à nova legislação que reforça o controlo da internet, e assegurou que se destina prioritariamente à "ciber-intimidação" dos seus adversários políticos.
Erdoğan justificou as alterações à lei de 2007 sobre a internet pela necessidade de combater a "chantagem" exercida pelos seus rivais na rede.
O parlamento turco votou na semana passada uma série de medidas que concedem à autoridade governamental das telecomunicações (TIB) a possibilidade de bloquear uma página da Internet sem decisão judicial, caso "atente contra a vida privada" ou publique "conteúdos discriminatórios face a determinados membros da sociedade".
 
(Fonte: Jornal de Notícias)

07 fevereiro 2014

Jornalista expulso por criticar Governo

A Turquia expulsou esta sexta-feira um jornalista estrangeiro do diário “Zaman”, próximo da confraria do predicador muçulmano Fethullah Gülen, acusado de ter criticado o Governo na rede social Twitter, informou o jornal.
A expulsão de Mahir Zeylanov, cidadão do Azerbaijão, ocorreu após a aprovação pelo Parlamento turco, na noite de quarta-feira, de um conjunto de alterações legislativas que reforçam o controlo do Estado sobre a Internet e que foram consideradas como um atentado à liberdade de informação por numerosas ONG, a União Europeia (UE) e os Estados Unidos.
Segundo o “Zaman”, Zeylanov foi colocado numa lista de cidadãos estrangeiros considerados indesejáveis por Ancara devido à "difusão de 'tweets' dirigidos a altos funcionários do Estado", e na sequência de uma lei que autoriza a expulsão "daqueles cuja permanência na Turquia seja prejudicial à segurança pública e às exigências políticas e administrativas".
(Fonte: Renascença)

31 outubro 2013

Deputadas entram pela primeira vez com véu islâmico no Parlamento turco

Três deputadas do partido islâmico-conservador no poder participaram hoje na sessão do Parlamento usando o véu islâmico, um facto inédito há 14 anos na Turquia.
As deputadas foram eleitas nas legislativas de 2011 nas listas do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islamita moderado) do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan.
Erdoğan aboliu recentemente a proibição de usar véu islâmico na função pública.
Em 1999, a deputada turco-americana Merve Kavakci foi ao parlamento com véu islâmico para a sua cerimónia de posse, da qual foi excluída. Posteriormente, abriu mão da nacionalidade turca.
 
(Fonte: Diário Digital)

25 outubro 2013

Nasceu um novo partido turco no Parque Gezi

 
Depois das manifestações do Verão, os grupos críticos de Erdoğan passaram à acção e fundaram o Partido do Parque Gezi, que pretende mudar a Constituição turca.
 
Inspirado pelos protestos do Verão em Istambul, o Partido do Parque Gezi (GZP) foi fundado esta quarta-feira. O objectivo é tornar-se numa alternativa ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, islamita) do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, no poder desde 2002. O partido nega a existência de uma liderança orgânica. “No Partido Gezi, presidente significa porta-voz. Gezi não aceita qualquer líder”, afirmou um dos fundadores, o músico de heavy metal, Cem Koksal, através da sua conta do Twitter. O símbolo do Partido do Parque Gezi será uma árvore estilizada em que o tronco será representado por uma pessoa. O próximo passo será a criação de uma página na Internet. O partido quer manter vivo o “espírito de Gezi”, não dizendo se pretende participar nas eleições do próximo ano. Para Março estão marcadas as eleições locais, mas é provável que o partido apresente listas para as legislativas de 2015. O objectivo primário do novo partido é influenciar o processo de revisão constitucional, promovendo os valores defendidos durante os protestos no Parque Gezi. “Sabemos que não podemos ter uma Constituição democrática sem luta. Ninguém irá dizer ‘aqui estão os direitos humanos para vocês, aqui está uma Constituição justa que permite que vivam todos juntos’. Entrar no Parlamento é necessário para mudar a Constituição”, pode ler-se na página do Facebook do partido, actualmente a única fonte de informação disponível, de acordo com o diário Hurriyet. "Queremos todos viver num país democrático. Para fazer valer as nossas reivindicações, descemos às ruas e perdemos vidas", diz ainda o comunicado divulgado na rede social.
Os protestos no Parque Gezi tiveram, de início uma origem ambientalista, quando um grupo de pessoas se manifestou contra a construção de um centro comercial no local. No entanto, as manifestações depressa passaram para o campo político, com milhões de Turcos a saírem às ruas contra Erdoğan, a quem acusavam de autoritarismo e de tentativas de islamizar o Estado turco. Um relatório recente da Amnistia Internacional considerou que a repressão dos protestos em Istambul foi desproporcional e condenou a acção da polícia e do Governo de Erdoğan. Seis pessoas morreram e mais de 8 mil terão ficado feridas durante os confrontos com a polícia. Desde então, a oposição ao AKP não tem conseguido capitalizar o descontentamento despertado durante os protestos. O partido de Erdogan continua a liderar as sondagens, num sinal de que a oposição existente não merece o crédito do eleitorado descontente. A paisagem política do país é dominada há mais de uma década por Erdoğan e pelo seu partido. Apesar do crescimento económico e da modernização que a Turquia vem assistindo, o conservadorismo propalado por Erdoğan, assim como os seus tiques ditatoriais, são criticados por uma fatia cada vez maior da população, especialmente entre os jovens. No entanto, é nas zonas rurais da parte asiática do país que Erdoğan continua a recolher apoio, permitindo a sua continuação no poder.
 
(Fonte: Público)

10 julho 2013

Mais uma morte nos protestos

Um jovem de 19 anos, ferido com gravidade nas manifestações contra o Governo na Turquia, faleceu esta quarta-feira, elevando para cinco o número de vítimas mortais nos protestos sem precedentes contra o poder islamita moderado.
As autoridades da Turquia autorizaram na noite de terça-feira a entrada dos manifestantes no Parque Gezi, em Istambul. O local foi palco de diversos protestos, que deram início à onda de contestação ao primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan.
Naquela ocasião, a população protestava contra o corte de árvores para abrir espaço para um empreendimento imobiliário. Os Turcos defendiam que o lugar era um dos principais pontos de encontro da cidade.
A decisão de permitir a entrada dos manifestantes novamente no berço do conflito de Junho foi motivada pelo mês sagrado do Ramadão, quando os muçulmanos saem às ruas para observar a lua crescente no céu. O feriado religioso foi respeitado também pelos integrantes do movimento e não foram registrados incidentes violentos.
Contudo, esta quarta-feira, um jovem de 19 anos que foi ferido nas manifestações contra o Governo em 2 de Junho morreu no hospital. Ali Ismail Korkmaz não resistiu aos ferimentos graves na cabeça cometidos por dois homens não identificados na cidade de Eskisehir, no centro-oeste do país. Com ele, sobe para cinco o número de vítimas fatais dos protestos sem precedentes contra o poder islamita moderado.
 
(Fonte: TSF)

21 junho 2013

Manifestantes em tribunal e tensão entre Ancara e Berlim

As autoridades turcas levaram a tribunal, em Ancara, 26 pessoas detidas esta sexta-feira pelo envolvimento nos protestos antigovernamentais nas últimas semanas.
No exterior do tribunal, centenas de manifestantes mostravam apoio aos detidos.
Segundos grupos de defesa dos direitos humanos, mais de três mil pessoas foram detidas desde o início da contestação. Várias dezenas continuam na prisão e pelo menos seis foram formalmente acusadas.
Alvo dos protestos populares, o primeiro-ministro reuniu 15 mil apoiantes no bastião conservador de Kayseri. Um comício de campanha para as próximas eleições municipais, mas onde Recep Tayyip Erdoğan não perdeu a oportunidade de voltar a criticar os contestatários.
No plano diplomático, a Turquia ameaça a Alemanha de represálias, enquanto o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador turco em Berlim. Tudo isto depois do ministro turco dos Assuntos Europeus ter acusado a chanceler Angela Merkel de tentar bloquear o processo de negociação da adesão de Ancara ao bloco comunitário.
 
(Fonte: Euronews)

20 junho 2013

Batalha do Silêncio

A natureza dos protestos mudou na Turquia. Depois de três semanas de confrontos, os lugares simbólicos das manifestações foram desocupados e o silêncio reina na rua, mas é um silêncio mais forte do que qualquer grito: o desejo da democracia manifesta-se de outro modo. “As pessoas só pedem liberdade. A liberdade é o bem mais precioso para um homem. Se alguém não tem liberdade, significa que não tem dignidade.”
O movimento de protesto que partiu de um punhado de militantes ecologistas no passado dia 31 de Maio ganhou, em poucos dias, uma enorme amplitude, assim como a repressão policial. Centenas de detenções, milhares de feridos, proibição de manifestações, detenções arbitrárias. O chefe do Governo turco tenta lidar com a crise, que se transformou rapidamente num protesto contra a sua política, alternando firmeza, provocação e conciliação, para, de novo, impôr a mão de ferro. Mas a receita, segundo o analista Doğu Ergil custou a Recep Tayip Erdoğan uma parte do capital político. “A popularidade de Erdoğan não mudou grande coisa, mesmo que tenha sido beliscada. A sua liderança não está em questão, é o seu Governo que mudou e as pessoas não esperavam. A sociedade turca, ou pelo menos uma parte dela, está a mostrar claramente que não quer um grande Irmão no poder.” As sondagens indicam que se houvesse eleições agora, o AKP seria eleito de novo, mas com menos votos, porque esta crise custou-lhe parte da credibilidade que tinha. E mesmo que metade do país apoie Erdoğan, a decepção é visível entre os próprios apoiantes. Uns reconhecem o desenvolvimento do país: “Há dez anos, as ruas de todas as cidades do país estavam cheias de lixo. A Turquia não era suficientemente desenvolvida. Agora estamos muito melhor e temos avançado tanto a nível internacional como a nível nacional, graças à nossa economia e às nossas relações internacionais.” Outros, queixam-se da repressão: “Estes dias tive de caminhar através do gás lacrimogénio para ir trabalhar, com os olhos a arder. Não merecemos isto. Votamos nele, mas se me pergunta agora se acho que ele merece estar onde está, eu acho que não, que não merece.”
O Governo de Erdoğan está a reagir muito mal à resistência pacífica e silenciosa em curso na Turquia, conhecida como “homem de pé”.
 
(Fonte: Euronews)

15 junho 2013

Polícia turca expulsou os manifestantes de Gezi

Está terminado. No parque Gezi, em lugar dos manifestantes, polícias sentam-se à porta das tendas, fumam cigarros juntos às bancas anarquistas. Não passaram mais de duas horas, desde o momento em que a força de intervenção começou o ataque e aquele em que todos os ocupantes tinham fugido. Às 11 horas da noite toda a área estava cercada, todos os acessos bloqueados. A zona de Taksim estava coberta de fumo e de silêncio. Ouvia-se apenas o som de sirenes de ambulâncias ao longe.
A polícia de intervenção lançou o ataque cerca das 9 da noite, disparando canhões de água e granadas de gás lacrimogéneo, lançando em fuga e pânico os milhares de manifestantes. De forma lenta e sistemática, avançou por entre o arvoredo, tendas e toda a “mobília” que os manifestantes deixaram para trás, após duas semanas de ocupação do parque.
O alarme foi dado às 8 da noite. Correu célere entre os manifestantes que ocupavam o parque Gezi. “Os polícias estão a levantar-se”, disseram. “Estão a preparar-se para atacar”. Os planos de emergência começaram imediatamente a ser colocados em prática. As máscaras anti-gás foram colocadas, abertos os corredores de segurança. Os vendedores de equipamento anti-gás lacrimogéneo despachavam freneticamente as últimas bugigangas.
“É falso alarme”, disse Cenolut, de 34 anos, sem colocar a máscara. “O primeiro-ministro, Erdoğan, disse num comício que limparia o parque amanhã. Portanto será amanhã, não hoje. E amanhã já não estará aqui quase ninguém”.
Muitos manifestantes estavam convencidos disto e preparavam-se para abandonar o parque amanhã, domingo.
Consideravam que a mensagem tinha sido ouvida e a sua missão cumprida. Tiveram uma surpresa.
O ataque da polícia começou pouco antes das 9 horas. Os jactos de água dos veículos blindados Toma deram o sinal. Granadas de gás foram lançadas para o interior do parque. Centenas de polícias avançaram pela praça Taksim, em direcção ao parque, como não tinham feito no ataque anterior.
Tudo se encheu de fumo, ouviram-se muitas explosões e tiros. A multidão desatou a correr em direcção ao outro extremo do parque. As granadas rebentavam junto aos seus pés. A concentração de gás pimenta tornou-se intensa, o ar irrespirável. Muitos manifestantes precisaram de assistência, outros tombaram no chão.
“Veja o que está a acontecer! Veja isto!”, gritou Yeliz, 34 anos, uma gestora de produto numa empresa privada que nos tinha dito que abandonaria o parque amanhã. “Escreva isto! Escreva! Tenho vergonha do que está a acontecer no meu país”. E desapareceu na multidão, aos tropeções.
No extremo norte do parque Gezi, os manifestantes em fuga descobriram que a polícia tinha já também tomado posições nas ruas confluentes. Os agentes envergavam os capacetes e escudos mas mantinham-se imóveis. Muitos manifestantes passaram por eles, uns aos gritos, outros entoando slogans. Os polícias deixaram-nos passar. O objectivo era esse.
Em vários pontos dos arredores de Taksim, activistas montaram barricadas, para continuar a resistência à polícia. Atiram pedras e disparam fisgas, ao que a polícia responde com gás lacrimogéneo. Toda esta zona da cidade está envolvida numa nuvem de gás tóxico.
A resistência dos activistas não tem, porém, a dimensão da que opuseram na última intervenção da polícia, terça-feira, dia 11. Nessa altura, as forças policiais ocuparam a praça Taksim, mas deixaram incólume a “zona livre” de Gezi. E era daí, do interior do parque, que chegavam as armas e os reforços para combater a polícia.
Desta vez, o parque foi evacuado, todas as ruas previamente cortadas. Sem espaço nem apoio, nenhum foco de resistência dura muito tempo.
É impossível entrar agora no parque, sob controlo da polícia. Mas segundo os testemunhos de vários activistas, a intervenção deixou muitas pessoas feridas, incluindo idosos e crianças. Os que não resistiram ao gás e às balas de borracha e ficaram em Gezi foram levados para ambulâncias, que estavam já à espera, guardadas pela polícia.
Outros feridos refugiaram-se num hotel situado no extremo norte do parque, o Hotel Divan, que abriu as portas para auxiliar os manifestantes. A polícia cercou o hotel, não permitindo entrar nem sair, mas, segundo manifestantes que estiveram lá, não entrou nem tentou deter quem ali se refugiou.
 
(Fonte: Público)

Cavaco Silva diz que confrontos na Turquia não favorecem adesão à União Europeia

O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje que os confrontos na Turquia não favorecem "alguns capítulos que estão sobre a mesa" no processo de adesão do país à União Europeia.
"Temos de lamentar o que aconteceu nos últimos dias na Turquia, a violência da polícia em relação aos manifestantes", disse o chefe de Estado português, numa entrevista à Sic Notícias, divulgada hoje, no âmbito da sua visita esta semana ao Parlamento Europeu.
Questionado sobre os confrontos na Turquia, Aníbal Cavaco Silva elogiou as "palavras bastante sensatas" do Presidente da República da Turquia, Abdullah Gül, que disse ser "um elemento moderador", e sublinhou a importância estratégica daquele país.
"É uma ponte entre dois continentes, tem uma influência muito grande na Ásia Central, sobre o Irão e os países envolvidos no processo de paz do Médio Oriente, em países do Cáucaso e é uma possível potência económica daquela área", declarou.
No entanto, referindo-se ao processo de adesão à União Europeia, o Presidente português considerou que "negociações são negociações".
"Há que respeitar os valores e os princípios e ajustar as políticas da Turquia às políticas comuns da Europa. Portugal apoia a adesão da Turquia, reconheço que as negociações são difíceis e que aquilo que aconteceu nos últimos dias não deve ter favorecido alguns capítulos que estão sobre a mesa ou que se pensava que podiam estar sobre a mesa", disse.
Cavaco Silva reforçou que "há valores e princípios fundamentais que é preciso serem respeitados por todos os que fazem parte desta União Europeia".

(Fonte: SIC Notícias)

"Indignados" asseguram que vão continuar a resistir

Os "indignados" turcos anunciaram hoje que continuarão a "resistência" contra "todo o tipo de injustiças", embora sem especificar se isso significa manter o acampamento no parque Gezi, em Istambul, epicentro dos protestos que sacodem a Turquia há duas semanas. A posição foi divulgada em comunicado, citado pelas agências EFE e AFP.
Segundo fontes da parte dos manifestantes, a maioria dos grupos políticos retirou as suas tendas e manter-se-á apenas uma tenda da rede Solidariedade com Taksim, o movimento que actua como porta-voz dos manifestantes, bem como algumas tendas de activistas ambientalistas.
Os ocupantes do parque Gezi, de onde partiu um movimento de contestação popular sem precedentes na Turquia desde 2002, anunciaram a continuação da luta.
"Hoje somos bem mais fortes, organizados e optimistas do que há 18 dias", quando um pequeno grupo de militantes ecologistas começou a acampar para se opor a um projeto desenvolvido pelas autoridades e que previa a destruição do parque, dizem no comunicado.
O primeiro-ministro turco, Recep Erdoğan, considerou na sexta-feira que a ocupação do parque Gezi em Istambul devia acabar durante a noite, após a promessa aos manifestantes de suspender o polémico projecto urbanístico, e convocou os seus apoiantes para comícios no fim-de-semana.

(Fonte: Lusa/SIC)

12 junho 2013

Quatro televisões da Turquia multadas por transmissão dos protestos

Quatro canais da televisão turca foram multados pela entidade reguladora da rádio e televisão por transmitirem os protestos no parque Gezi e na praça Taksim, em Istambul, noticiou hoje o diário Hürriyet na sua página na internet.
O Conselho Superior da Rádio e Televisão da Turquia (RTUK) indicou ter aplicado as multas porque as emissoras "prejudicaram o desenvolvimento físico, moral e mental das crianças e jovens" ao transmitirem os protestos na zona do parque Gezi.
As televisões multadas são a Halk TV, a Ulusal TV, a Cem TV e a EM TV.
A Halk TV, em particular, registou nos últimos dias picos de audiência por ser a única a transmitir em contínuo, quase sempre em directo, as manifestações que há treze dias se registam em Istambul.
O regulador já tinha advertido antes a Halk TV por emitir um vídeo considerado "humilhante" para o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan.
O canal, segundo o Hürriyet, segue uma linha ideológica "kemalista" - relativa ao primeiro presidente da Turquia moderna, Mustafa Kemal Atatürk - e é considerado próximo do Partido Republicano do Povo (oposição).
Os grandes canais de notícias turcos têm sido criticados, sobretudo depois de, no primeiro sábado de manifestações, a CNN-Turquia emitir um documentário sobre pinguins enquanto se registavam violentos confrontos entre a polícia e manifestantes na praça Taksim.
O pequeno canal Ulusal TV, um dos multados, "respondeu" dias mais tarde interrompendo a transmissão em directo de um discurso de Erdoğan para transmitir imagens de pinguins.
Nos últimos dias, e depois das críticas, a cobertura dos protestos tem sido mais frequente e a edição digital do diário Radikal, próximo da oposição, oferece imagens em directo 24 horas da praça Taksim.
A praça, vizinha do parque Gezi, estava hoje de manhã relativamente calma, apesar de ao longo de toda a madrugada se terem registado confrontos entre a polícia e manifestantes.
Um forte dispositivo policial mantinha-se na praça, com os polícias alinhados atrás dos canhões de água estacionados frente a cada uma das ruas adjacentes.
A polícia tomou de assalto na terça-feira de manhã a praça Taksim, onde milhares de manifestantes permaneciam desde 01 de Junho. Os confrontos com a polícia prolongaram-se por várias horas, numa batalha que terminou com dezenas de feridos, alguns em estado grave. Ao princípio da noite, milhares de manifestantes regressaram à praça.
Na capital, Ancara, a polícia interveio na terça-feira à tarde para dispersar cerca de 5.000 pessoas que se manifestavam para exigir a demissão do primeiro-ministro.
Hoje de manhã, a polícia tentava dispersar várias dezenas de manifestantes que se mantinham no parque Kuğulu, no centro de Ancara.
Erdoğan tem previsto receber hoje à tarde (14:00 em Lisboa) uma delegação de duas dezenas de representantes dos manifestantes. No entanto, a lista de representantes estabelecida pelas autoridades é contestada por algumas das organizações ligadas aos protestos, nomeadamente a plataforma de 116, na origem do movimento de protesto em Istambul, que não consta da lista.
Outros movimentos, como a organização ambientalista Greenpeace, recusaram o convite em protesto contra a actuação da polícia na terça-feira e a intransigência de Erdoğan, que na terça-feira voltou a definir os manifestantes como "extremistas" e a recusar qualquer tolerância.
Segundo o mais recente balanço divulgado pelo sindicato dos médicos turcos, a vaga de protesto fez quatro mortos, três manifestantes e um polícia, e perto de 5.000 feridos, várias dezenas dos quais em estado grave.
A vaga de protestos começou depois de, a 31 de Maio, a polícia ter recorrido à força para dispersar uma manifestação contra a construção de um centro comercial no parque Gezi. Essa carga policial desencadeou uma série de grandes manifestações em toda a Turquia exigindo a demissão de Erdoğan, no poder desde 2002.
 
(Fonte: Lusa/ RTP)

Primeiro-ministro diz que protestos acabarão “em 24 horas”

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, anunciou ter dado ordens ao ministro do Interior para acabar com as manifestações que duram há 12 dias e provocaram quatro mortos: três manifestantes e um polícia.
“Isto estará acabado em 24 horas”, disse Erdoğan, afirmando que as forças de autoridade terão uma actuação diferente do que até aqui, mas que os manifestantes não devem ser magoados.
O governante esteve reunido com 11 representantes dos manifestantes, num encontro que terminou com a possibilidade de um referendo entre os habitantes de Istambul em relação ao destino do parque Gezi.
“O resultado concreto da reunião é o seguinte: podemos levar este assunto a referendo. Não para a Turquia inteira, mas perguntaremos aos cidadãos de Istambul”, resumiu Hüseyin Çelik, porta-voz do partido no poder, o AKP, citado pelo jornal turco de língua inglesa Hurriyet Daily News.
Çelik apelou ao fim dos protestos: “Dirijo-me aos meus jovens irmãos que protestam, dormem, comem e bebem no parque Gezi. Dada esta decisão sobre a possibilidade de um referendo, creio que, depois deste gesto de boa vontade, o parque Gezi deve ser esvaziado e a vida deve voltar ao normal”.
 
(Fonte: Público)

11 junho 2013

Erdoğan acusa manifestantes de golpe de Estado encapuzado

O primeiro-ministro turco acusa os manifestantes da Praça Taksim de prejudicarem “deliberadamente” a imagem e a economia da Turquia.
Recep Tayyip Erdoğan, que discursou perante o grupo parlamentar do seu partido, o AKP, vai mesmo mais longe e acusa-os de tentativa encapuzada de golpe de Estado. “Podem plantar árvores, podem fazer tudo isso, não há obstáculos. Mas apresentar a situação como se houvesse obstáculos à liberdade é uma tentativa de encontrar alternativas ao que não conseguiram fazer nas mesas de voto. As questões ambientais são usadas para diferentes acções, diferentes objectivos e mentalidade, mas também são usadas para disfarçar um levantamento ilegal contra um Governo democraticamente eleito”, afirmou Erdoğan. O discurso de Erdoğan, muito aplaudido pelo seu partido, ocorreu poucas horas depois de a polícia ter desalojado, pela força, os manifestantes que, há cerca de uma semana, assentaram arrais na praça Taksim, em Istambul.
 
(Fonte: Euronews)