21 dezembro 2014
Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condena o tratamento dos Alevitas na Turquia
07 novembro 2009
Presidente turco visitou uma casa de oração alevita
O presidente foi acompanhado durante a visita por İzzettin Doğan, presidente da fundação CEM, uma organização alevita, e por alguns deputados.
Os alevitas são conhecidos pelas suas tendências progressistas e de esquerda e, por esse facto, têm sido oprimidos pelo reaccionarismo sunita.
09 novembro 2008
Cerca de 50.000 Turcos alevitas protestaram em Ancara por igualdade religiosa
05 setembro 2008
Os Alevitas continuam invisíveis na Turquia
14 janeiro 2008
A situação dos Alevitas na Turquia
Há mais de um mês que se fala da realização de um iftar de Muharrem (jantar de quebra de jejum) em honra do mês sagrado dos Alevitas. Trata-se de uma iniciativa do Governo, a primeira do género na Turquia, com o objectivo de reunir o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, vários líderes espirituais alevitas, muitos deputados do Parlamento e diversos representantes dos Alevitas, no dia 11 de Janeiro, à semelhança do que costuma ser feito no mês do Ramadão para os muçulmanos sunitas. No entanto, esta atitude tem merecido algumas críticas por parte dos principais representantes dos Alevitas.
O jantar acabou por acontecer conforme o previsto, com a presença de cerca de 900 pessoas num hotel de Ancara e com o primeiro-ministro Erdoğan a praticar todos os rituais alevitas durante o encontro. A ementa foi especial e obedeceu a todos os preceitos alevitas, nomeadamente a não ingestão de carne e de água e a não utilização de facas.


Dois deputados do partido de Erdoğan (AKP) de origem alevita, Reha Çamuroğlu e İbrahim Yiğit, entregaram a Erdoğan um pacote de reformas relacionado com o estatuto dos Alevitas, cuja população é estimada em cerca de 12 a 20 milhões na Turquia, país onde têm a sua maior expressão. No entanto, a comunidade alevita não acredita que os deputados alevitas do AKP sejam representativos da comunidade alevita.
"O facto da fé alevita ser ou não integrada no Islão é irrelevante para a discussão. Todas as organizações alevitas consideram que as cemevi são as casas de culto dos alevitas", disse Turan Eser, presidente da Federação Alevita-Bektaşi (ABF), com sede em Ancara e que representa 148 associações alevitas de todo o país.
Mesmo um líder alevita pró-AKP, Fermani Altun, presidente da Fundação Ahlul Bayt com sede em Istambul, e que é próximo da interpretação sunita do Islão, expressou descontentamento sobre a forma como a aproximação tem sido apresentada. "Çamuroğlu é um deputado de Istambul e nunca pôs um pé na nossa organização. Ele não tem os Alevitas em consideração," referiu Altun. Também acrescenta que o Governo não anunciou qualquer plano e que esse facto foi confirmado na reunião que teve a 28 de Novembro com o vice-primeiro-ministro Cemil Çiçek, altura em que este lhe terá dito não saber de nenhum plano para solucionar os problemas dos Alevitas. "Se o Governo tem um projecto para atender aos pedidos dosAalevitas, apoiá-lo-emos incondicionalmente, mas o Governo não tem respondido a nenhum dos nossos pedidos nos últimos cinco anos. Pedimos reuniões por várias vezes sem qualquer resultado," acrescentou.
Outro defensor do projecto de reformas, "se existe alguma," é o Professor İzzettin Doğan, presidente da Fundação Cem, com sede em Istambul, que defende um entendimento entre os Alevitas e o Islão. Doğan diz que os Alevitas foram "surpreendidos" porque não estavam à espera de tal aproximação por parte do Governo, que tem "recusado" trabalhar com as organizações alevitas não-governamentais até agora. Acrescenta que é compreensível que o Governo trabalhe com o seu deputado, Çamuroğlu, que é "um Alevita, apesar de tudo." "Do meu ponto de vista, o Governo quer encontrar uma solução para este problema tão antigo. A intenção é positiva. Todos podem cometer erros. Se se arrependem dos seus erros, temos de dar-lhes uma oportunidade", disse.
No entender de Cemal Şener, um intelectual alevita e autor de muitos livros sobre a história dos Alevitas e sobre o Alevismo, a relutância da comunidade alevita relativamente ao AKP é compreensível. "Eles [AKP] nunca fizeram nada de positivo em prol dos Alevitas. A população alevita está muito preocupada com a posição do Governo relativamente ao secularismo. Estamos preocupados com o encerramento dos refeitórios nas instituições públicas durante o Ramadão. Queremos ter garantias relativamente à protecção da República secular", disse Şener. Também se referiu às recentes declarações do deputado do AKP Mustafa Özbayrak, que se opôs à proposta de distribuição de uma verba do orçamento do Directorado dos Asuntos Religiosos para os Alevitas.
No início de Novembro, no Parlamento, Özbayrak disse que os Alevitas são um ramo dos Xiitas, uma minoria do Islão, e perguntou o que aconteceria se outros grupos, como os Satanistas, pedissem também uma verba.
"Os Alevitas estão cansados de preconceitos", disse Şener. "Temos de ver o que é que o Governo faz na prática. Não gostamos que a nossa fé seja utilizada como um jogo nas mãos de pessoas insensíveis. Veremos se eles são sinceros".
O vice-presidente da Fundação Gazi Cemevi, Munzur Ardoğan, lembrou as palavras de Tayyar Taş, presidente do Directorado dos Assuntos Religiosos, que ofendeu os Alevitas quando disse em 2002 que as cemevis são cümbüşevi, um local de entretenimento, em vez de um local de culto.
O culto alevita consiste genericamente em reuniões (cem) de homens e mulheres, que têm lugar nas cemevi. Na Anatólia as reuniões realizam-se tradicionalmente à quinta-feira à noite e são conduzidas por um Dede, o guia espiritual da comunidade, que tem uma ligação directa de sangue à família do profeta Maomé.
Os Alevitas queixam-se do que têm de enfrentar na sua vida diária devido à percepção distorcida que a maior parte dos Sunitas têm em relação a si. Existe a ideia de que durante as celebrações os Alevitas desligam as luzes e praticam incesto e adultério.
Durante o Ramadão é feito o anúncio diário nas várias televisões turcas, nomeadamente públicas, da hora do iftar (refeição do quebrar do jejum), algo que não é feito para o jejum do Muharrem. Os Alevitas reclamam também a pouca informação que é dada à população em geral sobre os Alevitas e o Alevismo, o que contribui para a distorção da realidade e para a incompreensão da sua fé.
Outra associação alevita com 48 filiais em toda a Turquia, a Associação Cultural Pir Sultan Abdal, apresentou uma petição ao primeiro-ministro em 2004 com 600,000 assinaturas. "Mesmo se o Directorado dos Assuntos Religiosos se mantiver, gostaríamos de ter uma parte do orçamento geral, mas o Governo deverá ser capaz de investigar para onde vai o dinheiro", disse Kazım Genç, presidente da associação. Referindo-se às notícias de que cerca de 3,000 líderes espirituais alevitas receberão salário do Governo, Genç disse que um Dede não pode receber um salário pela sua identidade alevita. "As comunidades alevitas suportam os seus Dede. Eles não são assalariados", disse Genç.
Sobre o massacre de 1993:
23 agosto 2007
Presidente do Instituto de História da Turquia debaixo de fogo devido a declarações sobre a origem de Alevitas e Curdos
18 março 2007
A plataforma Abant abordou o alevismo
A plataforma, que acredita que os assuntos relativos à identidade na Turquia se encontram estanques devido a falta de informação e confusão, discutiu o alevismo em todas as suas vertentes. O alevismo é um ramo xiita do islamismo, praticado maioritariamente na Turquia.
O tema do encontro, "Dimensões Históricas, Culturais, Etnográficas e Contemporâneas do Alevismo", juntou intelectuais peritos nessas temáticas, representantes da Associação Alevi-Bektaşi (uma sub-seita do alevismo), assim como membros do Governo, tanto da Turquia como da Europa.
Foram abordados aspectos históricos, teológicos e sócio-culturais do alevismo, assim como as suas problemáticas actuais.
A plataforma, deu aos representantes alevitas a possibilidade de ouvir as necessidades e preocupações da comunidade alevita, e espera facilitar a avaliação e o início da abordagem destes temas. De igual modo, deu ênfase à necessidade de recursos informativos, analíticos e intelectuais para o diálogo entre diferentes grupos de fé, em conjunto com iniciativas que promovam empatia e compreensão.
07 janeiro 2007
Governo turco vai publicar "Dezassete Clássicos do Alevismo"

O Directorado dos Assuntos Religiosos decidiu publicar "Dezassete Clássicos do Alevismo", uma colecção de trabalhos literários alevitas. O directorado declarou que escolheu os clássicos juntamente com os líderes espirituais alevitas (dedeler).
Logo após a difusão da notícia pelos meios de comunicação social, os líderes alevitas declararam que embora tenham participado numa reunião com o directorado sobre esse assunto no final de 2005, não concordaram com a publicação dos volumes. Dizem que o directorado preparou tudo e só os consultou no final do processo para ganhar legitimidade. Referem igualmente que a maior parte dos clássicos já estavam publicados, e se mais publicações fossem necessárias, deveria ser feita pelas instituições alevitas.
Esta controvérsia tem antecedentes históricos. Os alevitas são seguidores do imame Ali, o genro do profeta Maomé. Consideram que o Directorado dos Assuntos Religiosos é uma instituição sunita que não representa a crença alevita.
A associação alevita Cem ("Cem Vakfı"), liderada por İzettin Doğan, tem mantido contactos com todos os governos no poder desde os inícios dos anos 90 para acabar com a descriminação contra os alevitas, pedindo igualdade de direitos no que diz respeito ao orçamento do directorado. O directorado recruta dezenas de milhar de imames, consigna-o
s às mesquitas e paga-lhes os salários. Nenhum alevita usufrui destas regalias, uma vez que não frequentam mesquitas e, por outro lado, o directorado não reconhece os alevitas. Outras actividades levadas a cabo pelo Directorado dos Assuntos Religiosos consistem na organização de peregrinações a Meca e no estabelecimento do calendário para o jejum do Ramadão. Os alevitas não participam em nenhum destes eventos, porque a sua religião não contempla a ida a Meca nem o jejum do Ramadão.
Attila Erden, da Associação Cultural Hacı Bektaş Veli refere: “Eles dizem aos alevitas para irem às mesquitas em vez de construirem casas "cem" ["cem evi", locais de culto dos alevitas]. O Directorado dos Assuntos Religiosos não atende aos pedidos dos alevitas, o que acima de tudo é desrespeitoso.”
Os líderes alevitas afirmam que o directorado desenvolve uma política no sentido de enfraquecer o Alevismo, aproximando-o do Sunismo, sendo a publicação dos volumes uma investida nesse sentido. Doğan diz que os alevitas têm sérias dúvidas quanto à selecção e autenticidade dos livros: "Trata-se de um assunto muito importante, porque em versões mais tardias dos livros, não aceites como originais, existem traços de crença sunita."
Ao que tudo indica, o directorado irá distribuir clássicos aos alevitas que não os possam comprar.
O colunista do jornal "Milliyet", Taha Akyol, disse que ficou muito feliz com a notícia inicial de que o directorado ia publicar os clássicos. "Se fossem aplicados métodos científicos de publicação, não haveriam problemas," referiu. Akyol lamenta que exista opressão à cultura alevita, pelo facto dos seus clássicos não serem bem conhecidos. Por outro lado, para Selahattin Özel, presidente da Federação das Associações Alevitas, a decisão da publicação não passa de mais um passo para o esforço histórico de assimilação. Referiu igualmente que os alevitas têm as suas próprias instituições para publicar os seus livros. Doğan mencionou o mesmo ponto, dizendo: “Nós fundámos uma organização de serviço religioso.” Referiu ainda que a publicação tem unicamente em vista o preenchimento dos requisitos impostos pela União Europeia, uma vez que no processo de adesão, os direitos dos cidadãos alevitas foram um dos tópicos mais criticados dentro da categoria dos direitos humanos.
27 setembro 2006
Responsáveis pelas mortes de Sivas não beneficiam de lei para terroristas
O directorado de Segurança indeferiu um pedido dos advogados dos réus no caso do crime de incêndio culposo em Sivas, em que solicitavam que os seus clientes fossem autorizados a beneficiar da lei de reintegração na sociedade.
A lei de reintegração concede amnistia a membros de organizações terroristas que não tenham participado em crimes cometidos por essa organização, que tenham deixado de pertencer a essa organização ou a tenham denunciado às autoridades.
Os advogados de acusação Şenal Sarıhan, Kazım Genç e Süleyman Ateş participaram na audiência, que teve lugar no 11.º tribunal criminal de Ancara na segunda-feira. A resposta ao pedido, que tinha sido enviado ao directorado de Segurança Nacional, foi anunciada pelo juiz do tribunal, Mehmet Orhan Karadeniz.

