google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia: O Alevismo na Turquia
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21 dezembro 2014

Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condena o tratamento dos Alevitas na Turquia

Num acórdão proferido a 2 de Dezembro de 2014, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou a Turquia por ter recusado ao culto Alevita os benefícios concedidos a outras religiões.
Muito embora seguida por 15 a 20 milhões de turcos, o Estado turco não considera o Alevismo como uma religião.
Os Alevitas são muçulmanos xiitas (Alevita significa "discípulo de Ali"), defensores de uma exegese profunda do Alcorão, e, da sua adaptação a todos os lugares e a todas as épocas. Não vão às mesquitas, mas praticam o ritual do semah (o dos "dervixes rodopiantes"). Crentes numa estrita igualdade entre homens e mulheres, promoveram o laicismo na Turquia embora continuem, ainda, sem beneficiar disso.
Desde o século XVI, o Estado, otomano ou o turco, reprime ou ostraciza os Alevitas. O último massacre teve lugar em 1993 (aquando do festival cultural de Sivas). Até à data, continua a não haver qualquer alto funcionário Alevita, apesar desta comunidade ser particularmente brilhante.
A 16 de Novembro de 2014, ao anúncio da sentença do Tribunal Europeu, o primeiro- ministro, Ahmet Davutoglu, anunciou querer resolver o problema Alevita. No entanto, o discurso do Presidente Recep Tayyip Erdoğan mantêm-se sempre marcado por desprezo em relação a eles. Por seu lado, o CHP, o partido de oposição, apresentou uma proposta de lei para tratar da questão. Ela prevê o reconhecimento dos locais de culto Alevitas, a retirada da menção da religião no bilhete de identidade, a revogação dos cursos de cultura religiosa, a adopção de um dia feriado para a grande festa Alevita, Ghadir Khumm, e a transformação do hotel Madimak (local do massacre de 1993) em museu.
 
(Fonte: Rede Voltaire)

07 novembro 2009

Presidente turco visitou uma casa de oração alevita


No âmbito do programa de aproximação à população alevita, o presidente da Turquia visitou Tunceli, uma cidade curda alevita do leste da Anatólia. Tratou-se da primeira visita presidencial a essa cidade em 19 anos.
No discurso que proferiu durante a visita, Abdullah Gül afirmou não existirem diferenças entre Edirne e Hakkari, Sinop e Mersin, Kayseri e Tunceli. "Todas estas terras são valiosas para o país, e cada um e todos os cidadãos que aí vivem são o mais importante”, disse Gül.
O presidente foi acompanhado durante a visita por İzzettin Doğan, presidente da fundação CEM, uma organização alevita, e por alguns deputados.
Em Tunceli, o presidente também visitou uma cemevi (casa de oração alevita), e assistiu a uma cerimónia religiosa. As cemevi não são reconhecidas oficialmente pelo governo turco como locais de oração.
A campanha de aproximação do governo à população alevita tem sido denunciada por muitas organizações alevitas como sendo um programa reaccionário.
Os alevitas são conhecidos pelas suas tendências progressistas e de esquerda e, por esse facto, têm sido oprimidos pelo reaccionarismo sunita.

09 novembro 2008

Cerca de 50.000 Turcos alevitas protestaram em Ancara por igualdade religiosa

Cerca de 50.000 Turcos alevitas, uma comunidade muçulmana moderada, manifestou-se hoje em Ancara para denunciar a discriminação de que diz ser vítima por parte do governo islamita e para reclamar o respeito do laicismo e igualdade religiosa. Procedentes de todas as regiões da Turquia, os manifestantes concentraram-se no centro da capital turca cantando slogans contra o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, no poder), acusado de questionar o laicismo. Os Alevitas, cujos ritos são muito diferentes dos dos Muçulmanos sunitas, seguem uma interpretação moderada do Corão, defendem o laicismo e reclamam a abolição das aulas obritatórias de religião. A Turquia, um país maioritariamente sunita, conta com cerca de 14 milhões de Alevitas. Apesar de representarem um quinto da população, essa comunidade não dispõe de nenhum status especial e não beneficia de subvenções como as que são concedidas às instituições culturais sunitas.

(Fonte: AFP)

05 setembro 2008

Os Alevitas continuam invisíveis na Turquia

O Governo turco adoptou uma iniciativa importante relativamente à comunidade alevita na Turquia ao nomear um conselheiro especial para se ocupar dos seus problemas, mas Reha Çamuroğlu, um Alevita e mentor do projecto governamental de "abertura aos Alevitas", diz agora que as promessas feitas aos Alevitas não foram honradas. No entanto, mantém-se como deputado do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no Governo). 

Face a esta situação, o presidente do Directorado dos Assuntos Religiosos, Ali Bardakoğlu, declarou que está pronto para apoiar qualquer iniciativa relativa à comunidade alevita. "Vamos adoptar todas as medidas para não deixar a Europa dividir a nossa sociedade. Se alguém foi ofendido ou pensa ter sido ofendido então temos de remediar isso," disse Bardakoğu ao diário Milliyet ontem, referindo-se aparentemente aos Alevitas. Bardakoğlu disse que se os Alevitas querem rezar nas "cemevi," a sua casa de oração, eles devem continuar a rezar lá, mas então não deviam perguntar-lhe se rezar numa "cemevi" significa a mesma coisa que rezar no Islamismo sunita. "Toda a gente sabe que rezar numa cemevi é uma prática que faz [os Alevitas] felizes, mas não é uma alternativa a rezar [no Islamismo sunita]," disse, em oposição a quaisquer mudanças radicais às práticas estabelecidas do Islão.

Um grupo de legisladores alemães, incluindo consultores veteranos de igrejas e religiões e o plenipotenciário da Igreja Evangélica da Alemanha, encontrou-se na passada terça-feira com Bardakoğlu. Antes de uma paragem em Ancara, o grupo visitou Tarso a cidade onde nasceu o apóstolo São Paulo. O Dr. Otmar Oehring, o presidente do departamento Missio-Aachen para os direitos humanos, disse que quando regressasse à Alemanha teria "infelizmente" de escrever um relatório negativo sobre a liberdade religiosa na Turquia. Disse que uma das suas queixas é o facto de Ancara não ter alterado a sua posição relativamente à reabertura do seminário Heybeliada numa ilha perto de Istambul. 

A Turquia tem sido pressionada pela União Europeia para reabrir o seminário Heybeliada, encerrado em 1971. Este seminário permaneceu aberto até 1985, quando os últimos cinco estudantes se licenciaram. Oehring acolheu bem a lei das fundações que passou recentemente no Parlamento turco classificando o facto de "melhor que nada," mas disse que há muito ainda a ser feito, tal como na questão alevita, uma vez que "os Alevitas não têm nenhum estatuto legal na Turquia". Referiu ainda que o Estado não aceita a existência dos Alevitas, o que torna impossível que estes reclamem direitos.

14 janeiro 2008

A situação dos Alevitas na Turquia

Os Alevitas observam, desde o dia 10 de Janeiro, o primeiro dia do mês de Muharrem, o jejum de Muharrem, que se prolonga durante 12 dias até ao dia do Aşure (Aşure Günü).

O Muharrem é o jejum praticado pelos alevitas nos primeiros 12 dias do mês de Muharrem, ou 20 dias depois do Festival do Sacrifício (Kurban Bayramı). Durante esse período os Alevitas praticam o jejum do nascer ao pôr do sol e também não bebem água e não consomem carne. Evitam também qualquer tipo de prazer ou conforto e não utilizam facas, a arma utilizada no massacre de Hüseyin. Este sacrifício destina-se a lembrar o martírio do filho de Ali (primo e genro de Maomé), o Imam Hüseyin, durante a Batalha de Kerbala.

Há mais de um mês que se fala da realização de um iftar de Muharrem (jantar de quebra de jejum) em honra do mês sagrado dos Alevitas. Trata-se de uma iniciativa do Governo, a primeira do género na Turquia, com o objectivo de reunir o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, vários líderes espirituais alevitas, muitos deputados do Parlamento e diversos representantes dos Alevitas, no dia 11 de Janeiro, à semelhança do que costuma ser feito no mês do Ramadão para os muçulmanos sunitas. No entanto, esta atitude tem merecido algumas críticas por parte dos principais representantes dos Alevitas.

O jantar acabou por acontecer conforme o previsto, com a presença de cerca de 900 pessoas num hotel de Ancara e com o primeiro-ministro Erdoğan a praticar todos os rituais alevitas durante o encontro. A ementa foi especial e obedeceu a todos os preceitos alevitas, nomeadamente a não ingestão de carne e de água e a não utilização de facas.

As críticas alevitas têm a ver com o facto de considerarem a atitude do Governo como uma manobra para captar mais simpatias e votos junto dos Alevitas, e não uma vontade sincera de aproximação. Ouviram-se críticas do género: "O primeiro-ministro [Recep Tayyip Erdoğan] nem sequer sabe o que é o Alevismo [...] e nem sequer reconhece as nossas casas de culto [cemevi]. Temos primeiro de ver as reformas e só depois os espectáculos".

Dois deputados do partido de Erdoğan (AKP) de origem alevita, Reha Çamuroğlu e İbrahim Yiğit, entregaram a Erdoğan um pacote de reformas relacionado com o estatuto dos Alevitas, cuja população é estimada em cerca de 12 a 20 milhões na Turquia, país onde têm a sua maior expressão. No entanto, a comunidade alevita não acredita que os deputados alevitas do AKP sejam representativos da comunidade alevita.

Embora os alevitas se dividam quanto à classificação da sua fé, uma vez que uns a consideram como parte do Islão e outros a consideram distinta, todos pensam que Çamuroğlu não representa os Alevitas, que têm sido discriminados desde o Império Otomano e são conhecidos pelo seu posicionamento secularista desde a fundação da República.

"O facto da fé alevita ser ou não integrada no Islão é irrelevante para a discussão. Todas as organizações alevitas consideram que as cemevi são as casas de culto dos alevitas", disse Turan Eser, presidente da Federação Alevita-Bektaşi (ABF), com sede em Ancara e que representa 148 associações alevitas de todo o país.

Mesmo um líder alevita pró-AKP, Fermani Altun, presidente da Fundação Ahlul Bayt com sede em Istambul, e que é próximo da interpretação sunita do Islão, expressou descontentamento sobre a forma como a aproximação tem sido apresentada. "Çamuroğlu é um deputado de Istambul e nunca pôs um pé na nossa organização. Ele não tem os Alevitas em consideração," referiu Altun. Também acrescenta que o Governo não anunciou qualquer plano e que esse facto foi confirmado na reunião que teve a 28 de Novembro com o vice-primeiro-ministro Cemil Çiçek, altura em que este lhe terá dito não saber de nenhum plano para solucionar os problemas dos Alevitas. "Se o Governo tem um projecto para atender aos pedidos dosAalevitas, apoiá-lo-emos incondicionalmente, mas o Governo não tem respondido a nenhum dos nossos pedidos nos últimos cinco anos. Pedimos reuniões por várias vezes sem qualquer resultado," acrescentou.

Outro defensor do projecto de reformas, "se existe alguma," é o Professor İzzettin Doğan, presidente da Fundação Cem, com sede em Istambul, que defende um entendimento entre os Alevitas e o Islão. Doğan diz que os Alevitas foram "surpreendidos" porque não estavam à espera de tal aproximação por parte do Governo, que tem "recusado" trabalhar com as organizações alevitas não-governamentais até agora. Acrescenta que é compreensível que o Governo trabalhe com o seu deputado, Çamuroğlu, que é "um Alevita, apesar de tudo." "Do meu ponto de vista, o Governo quer encontrar uma solução para este problema tão antigo. A intenção é positiva. Todos podem cometer erros. Se se arrependem dos seus erros, temos de dar-lhes uma oportunidade", disse.

No entender de Cemal Şener, um intelectual alevita e autor de muitos livros sobre a história dos Alevitas e sobre o Alevismo, a relutância da comunidade alevita relativamente ao AKP é compreensível. "Eles [AKP] nunca fizeram nada de positivo em prol dos Alevitas. A população alevita está muito preocupada com a posição do Governo relativamente ao secularismo. Estamos preocupados com o encerramento dos refeitórios nas instituições públicas durante o Ramadão. Queremos ter garantias relativamente à protecção da República secular", disse Şener. Também se referiu às recentes declarações do deputado do AKP Mustafa Özbayrak, que se opôs à proposta de distribuição de uma verba do orçamento do Directorado dos Asuntos Religiosos para os Alevitas. 

No início de Novembro, no Parlamento, Özbayrak disse que os Alevitas são um ramo dos Xiitas, uma minoria do Islão, e perguntou o que aconteceria se outros grupos, como os Satanistas, pedissem também uma verba. 

"Os Alevitas estão cansados de preconceitos", disse Şener. "Temos de ver o que é que o Governo faz na prática. Não gostamos que a nossa fé seja utilizada como um jogo nas mãos de pessoas insensíveis. Veremos se eles são sinceros".

O vice-presidente da Fundação Gazi Cemevi, Munzur Ardoğan, lembrou as palavras de Tayyar Taş, presidente do Directorado dos Assuntos Religiosos, que ofendeu os Alevitas quando disse em 2002 que as cemevis são cümbüşevi, um local de entretenimento, em vez de um local de culto.

O culto alevita consiste genericamente em reuniões (cem) de homens e mulheres, que têm lugar nas cemevi. Na Anatólia as reuniões realizam-se tradicionalmente à quinta-feira à noite e são conduzidas por um Dede, o guia espiritual da comunidade, que tem uma ligação directa de sangue à família do profeta Maomé.

Os Alevitas queixam-se do que têm de enfrentar na sua vida diária devido à percepção distorcida que a maior parte dos Sunitas têm em relação a si. Existe a ideia de que durante as celebrações os Alevitas desligam as luzes e praticam incesto e adultério.

Durante o Ramadão é feito o anúncio diário nas várias televisões turcas, nomeadamente públicas, da hora do iftar (refeição do quebrar do jejum), algo que não é feito para o jejum do Muharrem. Os Alevitas reclamam também a pouca informação que é dada à população em geral sobre os Alevitas e o Alevismo, o que contribui para a distorção da realidade e para a incompreensão da sua fé.

Um dos deputados alevitas pelo AKP, İbrahim Yiğit, refere que o jantar conjunto entre elementos do Governo e os representantes alevitas é só o começo de "um projecto social de paz com os alevitas", acrescentando que "os Alevitas precisam de expressar a sua identidade livremente e sem relutância". Çamuroğlu mencionou um pacote de reformas a Erdoğan, que está "bastante receptivo" a uma aproximação, disse Yiğit, acrescentando que Erdoğan quer que Çamuroğlu seja o seu conselheiro sobre o assunto. "O primeiro-ministro prometeu reconhecer o estatuto legal das cemevi ", disse também Yiğit. "O pacote de reformas só tomará forma depois das discussões com os líderes das organizações alevitas e com intelectuais alevitas, incluindo Rıza Zelyut e Cemal Şener", disse, enfatizando que os Alevitas serão consultados.

Mais do que um reconhecimento oficial das cemevis como casas de culto alevita, os Alevitas pedem verbas proporcionais ao Governo.

Segundo o Professor Doğan, presidente da Fundação Cem, existem cerca de 4,000 casos pendentes no Tribunal Europeu de Direitos Humanos relativamente a cidadãos alevitas turcos que pagam impostos mas não recebem serviços religiosos por parte do Governo. "Os casos estão prestes a ser encerrados e parece que a Turquia vai ser penalizada se não tiverem sido tomadas as medidas necessárias", disse.

Os Alevitas também pedem a abolição do Directorado de Assuntos Religiosos por ser contrário à identidade secular do Estado. Em vez dessa instituição, dizem que os assuntos religiosos devem ser autónomos e devem receber a sua parte do orçamento geral. "A nossa proposta de receber uma parte do orçamento geral foi rejeitada em 21 de Novembro no Parlamento, mas vamos continuar a pressionar ", disse Turan Eser, presidente da Federação Alevita-Bektaşi.

Outra associação alevita com 48 filiais em toda a Turquia, a Associação Cultural Pir Sultan Abdal, apresentou uma petição ao primeiro-ministro em 2004 com 600,000 assinaturas. "Mesmo se o Directorado dos Assuntos Religiosos se mantiver, gostaríamos de ter uma parte do orçamento geral, mas o Governo deverá ser capaz de investigar para onde vai o dinheiro", disse Kazım Genç, presidente da associação. Referindo-se às notícias de que cerca de 3,000 líderes espirituais alevitas receberão salário do Governo, Genç disse que um Dede não pode receber um salário pela sua identidade alevita. "As comunidades alevitas suportam os seus Dede. Eles não são assalariados", disse Genç.

Outro pedido tem a ver com as aulas de religião nas escolas. Os pais dos estudantes alevitas e os próprios estudantes queixam-se de que o Alevismo ou é totalmente ignorado, ou é descrito como algo imoral e como uma religião não-muçulmana pelos professores. Os grupos alevitas querem a inclusão do Alevismo nas aulas de religião. Recentemente, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos deu razão a um pai alevita turco e disse que a inclusão no currículo de compulsão religiosa viola a Convenção de Direitos Humanos.

Os preconceitos podem ser uma das razões para que um grande número de Alevitas comece a publicitar a sua fé e cultura através de publicações, na televisão e na rádio e formando diversas organizações. Os Alevitas possuem neste momento, nomeadamente, canais de televisão e de rádio específicos.

As gerações mais antigas parecem sentir a dor e as feridas dos massacres mais profundamente do que as gerações mais novas. No entanto, esses ressentimentos passam para as gerações mais novas e continuam bem presentes. "As feridas do evento de 1993 em Sivas e de 1995 em Gaziosmanpaşa ainda estão bem presentes", refere um cidadão alevita de 45 anos. Refere-se aos maiores incidentes que envolveram Alevitas nos últimos anos. Em Sivas morreram 37 alevitas carbonizados dentro de um hotel. O fogo terá sido posto por fanáticos que não gostaram que uma associação alevita tivesse convidado o escritor Aziz Nesin para uma conferência no hotel. Os Alevitas sentem que o Governo não agiu convenientemente na punição de todos os responsáveis. O outro incidente foi em Março de 1995, quando alguém disparou num café frequentado por alevitas, em Istambul. Dois homens morreram, incluindo um líder espiritual alevita. Muitos Alevitas residentes nas imediações protestaram, porque sentiram que a polícia não foi totalmente séria na investigação. Sucederam-se mais manifestações em Istambul, e mais de 15 pessoas desarmadas, a maioria Alevitas, perderam a vida.

"Temos de deixar para trás os massacres e olhar para o futuro. Hoje toda a gente pode dizer que é Alevita", disse outro cidadão alevita de 27 anos. Assim como todos os outros Alevitas cépticos, ele também enfatiza as acções mais do que as palavras. "As organizações alevitas precisam de mais jovens em todos os níveis", disse.

Fermani Altun, presidente da Fundação Ahlul Bayt, por outro lado, diz: "Os Alevitas têm sido reprimidos há muitos anos. Precisam de uma mão amiga. Precisam de um abraço. O primeiro-ministro precisa de falar com cada organização alevita pelo menos durante dez minutos".

Existem boatos de que o primeiro-ministro Erdoğan está a considerar visitar uma cemevi. De acordo com a crença alevita, uma pessoa que não esteja reconciliada com outra não pode participar numa reunião de culto. A acontecer, esse acto poderá ser de importância histórica para a paz entre os Alevitas e o Estado turco.

Sobre o massacre de 1993:

23 agosto 2007

Presidente do Instituto de História da Turquia debaixo de fogo devido a declarações sobre a origem de Alevitas e Curdos

Membros da Federação Alevi Bektaşi protestaram em frente ao Instituto de História da Turquia (TTK) contra as declarações do seu presidente, Yusuf Halaçoğlu, relativas às origens dos Alevitas e dos Curdos da Turquia.

A federação alega que o presidente dessa instituição humilhou os Curdos, Alevitas e Arménios e violou os seus direitos políticos e culturais. Avisou que aqueles que desenvolvem estudos históricos devem basear as suas descobertas em dados científicos, e enfatizou que as declarações de Halaçoğlu, longe de serem científicas, correspondem a uma "avaliação ideológica".

“Esta aproximação que tenta diminuir o conhecimento comum, a memória social colectiva e identidades culturais várias, só leva à discriminação e racismo.”

Halaçoğlu revelou que muitos Curdos têm origem turca, enquanto que os Turcos alevitas têm origem arménia.

Levantou-se de imediato um vasto círculo de protestos, provenientes de associações alevitas até deputados do partido do governo (AKP), a pedirem a destituição de Halaçoğlu.

Halaçoğlu disse que as suas declarações foram mal entendidas e que não quis dizer que não existe uma comunidade curda na Turquia.

“Actualmente, algumas famílas que se auto-definem como Curdas são de facto membros de tribos túrquicas”, disse numa conferência de imprensa. Halaçoğlu acrescentou que descobriu, enquanto pesquisava nos arquivos otomanos, que alguns membros de tribos da Anatólia estavam registados não como Curdos mas como membros de tribos túrquicas.

18 março 2007

A plataforma Abant abordou o alevismo


A 13.ª Plataforma Abant, uma conferência onde intelectuais de diferentes áreas se reunem para encontrar um consenso relativamente a assuntos nacionais e internacionais, teve lugar no passado fim-de-semana para abordar vários aspectos do alevismo.
A plataforma, que acredita que os assuntos relativos à identidade na Turquia se encontram estanques devido a falta de informação e confusão, discutiu o alevismo em todas as suas vertentes. O alevismo é um ramo xiita do islamismo, praticado maioritariamente na Turquia.
O tema do encontro, "Dimensões Históricas, Culturais, Etnográficas e Contemporâneas do Alevismo", juntou intelectuais peritos nessas temáticas, representantes da Associação Alevi-Bektaşi (uma sub-seita do alevismo), assim como membros do Governo, tanto da Turquia como da Europa.
Foram abordados aspectos históricos, teológicos e sócio-culturais do alevismo, assim como as suas problemáticas actuais.
A plataforma, deu aos representantes alevitas a possibilidade de ouvir as necessidades e preocupações da comunidade alevita, e espera facilitar a avaliação e o início da abordagem destes temas. De igual modo, deu ênfase à necessidade de recursos informativos, analíticos e intelectuais para o diálogo entre diferentes grupos de fé, em conjunto com iniciativas que promovam empatia e compreensão.

07 janeiro 2007

Governo turco vai publicar "Dezassete Clássicos do Alevismo"

O Directorado dos Assuntos Religiosos decidiu publicar "Dezassete Clássicos do Alevismo", uma colecção de trabalhos literários alevitas. O directorado declarou que escolheu os clássicos juntamente com os líderes espirituais alevitas (dedeler).

Logo após a difusão da notícia pelos meios de comunicação social, os líderes alevitas declararam que embora tenham participado numa reunião com o directorado sobre esse assunto no final de 2005, não concordaram com a publicação dos volumes. Dizem que o directorado preparou tudo e só os consultou no final do processo para ganhar legitimidade. Referem igualmente que a maior parte dos clássicos já estavam publicados, e se mais publicações fossem necessárias, deveria ser feita pelas instituições alevitas.
Esta controvérsia tem antecedentes históricos. Os alevitas são seguidores do imame Ali, o genro do profeta Maomé. Consideram que o Directorado dos Assuntos Religiosos é uma instituição sunita que não representa a crença alevita.

A associação alevita Cem ("Cem Vakfı"), liderada por İzettin Doğan, tem mantido contactos com todos os governos no poder desde os inícios dos anos 90 para acabar com a descriminação contra os alevitas, pedindo igualdade de direitos no que diz respeito ao orçamento do directorado. O directorado recruta dezenas de milhar de imames, consigna-os às mesquitas e paga-lhes os salários. Nenhum alevita usufrui destas regalias, uma vez que não frequentam mesquitas e, por outro lado, o directorado não reconhece os alevitas. Outras actividades levadas a cabo pelo Directorado dos Assuntos Religiosos consistem na organização de peregrinações a Meca e no estabelecimento do calendário para o jejum do Ramadão. Os alevitas não participam em nenhum destes eventos, porque a sua religião não contempla a ida a Meca nem o jejum do Ramadão.
Attila Erden, da Associação Cultural Hacı Bektaş Veli refere: “Eles dizem aos alevitas para irem às mesquitas em vez de construirem casas "cem" ["cem evi", locais de culto dos alevitas]. O Directorado dos Assuntos Religiosos não atende aos pedidos dos alevitas, o que acima de tudo é desrespeitoso.”
Os líderes alevitas afirmam que o directorado desenvolve uma política no sentido de enfraquecer o Alevismo, aproximando-o do Sunismo, sendo a publicação dos volumes uma investida nesse sentido. Doğan diz que os alevitas têm sérias dúvidas quanto à selecção e autenticidade dos livros: "Trata-se de um assunto muito importante, porque em versões mais tardias dos livros, não aceites como originais, existem traços de crença sunita."
Ao que tudo indica, o directorado irá distribuir clássicos aos alevitas que não os possam comprar.
O colunista do jornal "Milliyet", Taha Akyol, disse que ficou muito feliz com a notícia inicial de que o directorado ia publicar os clássicos. "Se fossem aplicados métodos científicos de publicação, não haveriam problemas," referiu. Akyol lamenta que exista opressão à cultura alevita, pelo facto dos seus clássicos não serem bem conhecidos. Por outro lado, para Selahattin Özel, presidente da Federação das Associações Alevitas, a decisão da publicação não passa de mais um passo para o esforço histórico de assimilação. Referiu igualmente que os alevitas têm as suas próprias instituições para publicar os seus livros. Doğan mencionou o mesmo ponto, dizendo: “Nós fundámos uma organização de serviço religioso.” Referiu ainda que a publicação tem unicamente em vista o preenchimento dos requisitos impostos pela União Europeia, uma vez que no processo de adesão, os direitos dos cidadãos alevitas foram um dos tópicos mais criticados dentro da categoria dos direitos humanos.

27 setembro 2006

Responsáveis pelas mortes de Sivas não beneficiam de lei para terroristas

Não ficou provado que os autores do crime de Sivas pertencessem a um organização terrorista e, como tal, não podem beneficiar de uma lei especial que lhes poderia conceder uma amnistia.

O directorado de Segurança indeferiu um pedido dos advogados dos réus no caso do crime de incêndio culposo em Sivas, em que solicitavam que os seus clientes fossem autorizados a beneficiar da lei de reintegração na sociedade.

Os instigadores da tragédia de Sivas - na qual 37 pessoas, a maior parte intelectuais alevitas, perderam a vida quando o hotel onde estavam hospedados foi incendiado por um grupo religioso fundamentalista há 13 anos - não podem beneficiar dessa lei, disse o directorado numa nota enviada para o 11.º tribunal criminal de Ancara. A lei aplica-se apenas a membros de organizações terroristas, disse o departamento, e “a presença de uma organização à qual pertencessem os autores do crime de Sivas não foi detectada [durante a investigação]”.

A lei de reintegração concede amnistia a membros de organizações terroristas que não tenham participado em crimes cometidos por essa organização, que tenham deixado de pertencer a essa organização ou a tenham denunciado às autoridades.

Os advogados de acusação Şenal Sarıhan, Kazım Genç e Süleyman Ateş participaram na audiência, que teve lugar no 11.º tribunal criminal de Ancara na segunda-feira. A resposta ao pedido, que tinha sido enviado ao directorado de Segurança Nacional, foi anunciada pelo juiz do tribunal, Mehmet Orhan Karadeniz.

De acordo com a nota proveniente do Directorado, 49 réus requereram amnistia ao abrigo da lei de reintegração.