google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia: A Questão Curda
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26 fevereiro 2018

Meral Akşener: "A Turquia está limitada em Afrin"

Meral Akşener, antiga ministra do interior e atual líder do "Bom Partido" da Turquia, falou com a Euronews sobre a operação militar turca em Afrin e sobre a política do presidente Erdogan para a Síria.


“Infelizmente, a Turquia transformou-se num país que não discute a sua política externa, nem no parlamento, nem em público. A política externa é construída a partir das declarações do Sr. Erdoğan. Como resultado desta realidade, todos os dias enfrentamos uma consequência diferente. Sobre o Exército Livre da Síria, gostaria de dizer o seguinte: Lançámos uma operação tardia em Afrin com o objetivo de garantir a segurança para a Turquia, de acordo com o direito internacional. Não se trata de uma guerra. Lançámos uma operação. Portanto, este é um processo legítimo para o país. E o Senhor Erdogan declarou que será feito o que é preciso na região e só depois a operação pode terminar. Neste contexto, o Exército Livre da Síria surge como um amigo tanto em termos do direito internacional, como em termos da política externa. Os Estados Unidos de um lado, e a Rússia e o Irão do outro, uma política moldada apenas pelo líder do partido AKP, e com um ministério dos negócios estrangeiros desativado... Não temos os meios para dizer sim ou não”.

No final de outubro, Meral Akşener formou um partido político de centro-direita para concorrer às presidenciais de 2019.

Fonte: Euronews

24 fevereiro 2018

Pelo menos 130 civis mortos na ofensiva em Afrin

Pelo menos 130 civis morreram na sequência da ofensiva que a Turquia iniciou em meados de janeiro contra o enclave curdo de Afrine, no noroeste da Síria, informou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Entre estas baixas civis, constam 25 crianças e 19 mulheres, precisou aquela organização não-governamental (ONG) com sede em Londres.

O Observatório especificou que um menor morreu hoje e outros cinco civis ficaram feridos em ataques aéreos conduzidos pelas forças turcas nas aldeias de Yindiris (sudoeste de Afrine) e Shara (nordeste).

A par das vítimas mortais, a ONG indicou que centenas de pessoas ficaram feridas na sequência dos raides aéreos e dos ataques de artilharia realizados pelas forças de Ancara desde meados de janeiro.

Desde dia 20 de janeiro, a Turquia e fações opositoras sírias pró-Ancara levam a cabo uma ofensiva terrestre e aérea em Afrine (província síria de Alepo), zona controlada pela principal milícia curda na Síria, as Unidades de Proteção Popular (YPG).

Ancara acusa o YPG de ser o ramo sírio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que é considerado uma organização terrorista pela Turquia, e deseja expulsar a milícia curda desta região.

Segundo as agências internacionais, violentos confrontos foram registados, este sábado, nas zonas rurais do noroeste de Afrine e em Yindiris, combates que envolveram as forças turcas, fações armadas sírias e a milícia YPG.

As forças da ofensiva liderada pela Turquia, denominada "Ramo de Oliveira", já assumiram o controlo de um total de 63 localidades, incluindo Balbala, que representa cerca de 18% da população de Afrine.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos 'jihadistas', e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 350 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

(Fonte: Jornal de Notícias)

15 janeiro 2016

Erdoğan declara guerra aos signatários de uma petição pela paz

O Governo turco lançou esta sexta-feira uma caça aos signatários de uma petição que pede o fim das operações controversas do Exército contra a rebelião curda, o que suscitou a ira do Presidente, Recep Tayyip Erdoğan, reavivando as críticas sobre a sua deriva autoritária. 

Por ordem da Justiça, a polícia turca deteve em Kocaeli (nordeste) 14 universitários que colocaram o seu nome por baixo deste “apelo pela paz”. Em Bolu (norte), as forças de ordem revistaram os domicílios de três outros signatários da petição. Em todo o país foram abertos inquéritos judiciais por “propaganda terrorista”, “insulto às instituições e à República turca” e “incitamento a violar a lei” contra os signatários da petição, que arriscam entre um a cinco anos de prisão. 

Segunda-feira, perto de 1200 pessoas já tinham assinado “uma iniciativa universitária pela paz”, que reclamava o fim da intervenção das forças de segurança turca contra os apoiantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), no Sudeste do país de maioria curda. O texto denuncia “um massacre deliberado e planificado em total violação das leis turcas e dos tratados internacionais assinados pela Turquia”. 

Apoiados por tanques, o exército e a polícia turca avançaram há um mês sobre as cidades de Cizre e Silopi que estão a cumprir um cessar-fogo, bem como o distrito sul de Diyarbakir, para desalojar apoiantes armados do PKK que se tinham entrincheirado em alguns bairros. Os combates provocaram a morte de inúmeros civis e o êxodo de uma parte dos habitantes. 

Esta petição, que também é assinada por intelectuais estrangeiros como o linguista americano Noam Chomsky, provocou a fúria dos dirigentes turcos. Pela terceira vez esta semana, Erdoğan acusou os signatários de serem cúmplices dos “terroristas” do PKK e justificou as acções judiciais contra eles. “Aqueles que se juntam ao campo dos cruéis são eles próprios cruéis e aqueles que apoiam os autores de massacres são cúmplices dos seus crimes”, disse o Presidente turco. 

Nas páginas do jornal Yeni Safak, um dos porta-vozes favoritos do poder, o editorialista Ibrahim Karagül apelou aos estudantes para “boicotarem as aulas daqueles que apoiam o terrorismo e se escondem por detrás da palavra paz”. Várias universidades abriram inquéritos disciplinares contra professores signatários da petição, registando-se já um caso de um professor que foi despedido em Düzce (noroeste). E nas redes sociais são muitos os estudantes que insultam os seus colegas signatários com frases como: “Traidores como tu não têm lugar no glorioso solo turco.” 

Estas operações policiais são “muito perigosas e inaceitáveis”, denunciou o Partido Republicano do Povo (oposição social-democrata). Elas “mergulham a Turquia nas trevas”, reagiu o Partido Democrático dos Povos (pró-curdo). A representante da Human Rights Watch na Turquia, Emma Sinclair Webb, escreveu no Twitter que estas detenções de universitários são “escandalosas”. “Exprimir a sua preocupação com a violência não significa apoiar o terrorismo. Criticar o Governo não é traição”, explicou o embaixador dos Estados Unidos em Ancara, John Bass. 

Depois de mais de dois anos de cessar-fogo, os combates entre as forças turcas e o PKK foram retomados no Verão passado, estilhaçando as negociações abertas no final de 2012 para tentar pôr fim a um conflito que já provocou mais de 40 mil mortos desde 1984. 

 (Fonte: Público)

13 janeiro 2016

Turquia já esperava atentados

Os serviços secretos turcos já esperavam um atentado do grupo Estado Islâmico contra turistas em Istambul e Ancara, antes do ataque suicida de terça-feira em que morreram dez alemães.

De acordo com o que é avançado esta quarta-feira pelo diário em língua inglesa Hürriyet, a polícia turca foi alertada em duas ocasiões para a possibilidade de 19 suspeitos militantes do Estado Islâmico terem entrado recentemente no país com intenções de atacar edifícios ligados a países da NATO, zonas de grande circulação e locais turísticos. O aviso mais recente foi transmitido há uma semana, no dia 4 de Janeiro, e chegou às representações da Alemanha, França e Holanda. O mais antigo data de 17 de Dezembro. Ambos designavam Ancara e Istambul como os dois locais para atentados. A polícia turca já conhecia os 19 suspeitos jihadistas nos alertas – dez homens e nove mulheres –, mas o saudita que se acredita ter executado atentado de terça-feira não se encontrava entre eles. O Governo não o confirmou ainda, mas a imprensa turca dá como certo que o bombista é Nabil Fadli, militante de 27 anos de ascendência síria. O seu nome foi registado pelos serviços de imigração turcos nos primeiros dias de Janeiro, mas não constava das listas de suspeitos jihadistas. “A avaliação de que as suas impressões digitais foram recolhidas e que existe um registo dele está certa”, confirmou o ministro turco do Interior em conferência de Imprensa, nesta quarta-feira. “Mas não fazia parte da lista de indivíduos procurados. Nem sequer nas listas de alvos que nos foram enviadas por outros países”, concluiu Efkan Ala, ao lado do seu homólogo alemão, Thomas de Maiziere. 

A polícia turca avançou sobre redes conhecidas de extremistas horas depois do atentado em Istambul e fez dezenas de detenções. Esta quarta-feira anunciou que dessas operações resultou a captura de um homem que acreditam ser cúmplice do bombista. Foram também capturados três cidadãos russos, em Antalya, no Sudoeste do país. As autoridades afirmam que o material encontrado na casa destes indivíduos indica que pertenciam a uma célula de apoio a combatentes do Estado Islâmico. 

O ministro turco do Interior assegura que “a investigação continua de forma intensiva”. O Governo tenta combater as críticas de que os recursos que dedica a grandes operações policiais e militares no Sudeste do país, em zonas de maioria curda e em combate a militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK, esgotam a sua capacidade de controlar a ameaça terrorista do Estado Islâmico. Daí que Efkan Ala tenha defendido os esforços do seu Governo contra a ameaça do Estado Islâmico. Segundo ele, a polícia deteve 200 suspeitos jihadistas há apenas uma semana – as autoridades anunciaram no final de 2015 terem impedido um duplo atentado suicida para o dia de Ano Novo, em Ancara. O ministro adianta que, no total, a polícia turca fez já 3318 detenções de pessoas suspeitas de ligação ao Estado Islâmico. Destas resultaram 847 prisões, a maior parte cidadãos estrangeiros. A seu lado, Thomas de Maiziere tentava travar o receio na Alemanha de que a Turquia deixou de ser um local de turismo seguro – Berlim é a principal interessada na revitalizada aliança da União Europeia com a Turquia para diminuir o número de refugiados que atravessam o Mediterrâneo. O ministro alemão assegurou que não existem provas de que o ataque tenha atingido deliberadamente alemães – para além dos dez mortos (a informação de que havia um peruano entre os mortos foi corrigida), há nove turistas alemães feridos, dois deles nos cuidados intensivos. “Se os terroristas tentavam perturbar, destruir ou prejudicar a cooperação entre parceiros, conseguiram o oposto: Alemanha e Turquia ficaram ainda mais próximos”, prometeu.

(Fonte: Público)

09 setembro 2015

Sede do partido pró-curdo HDP vandalizada

A sede do Partido Democrático do Povo (HDP), um dos principais partidos da oposição turca que é pró-curdo, foi atacada na noite de terça-feira por nacionalistas turcos em Ancara que deitaram fogo ao edifício.

A agência de notícias turca Anadolu avança que os responsáveis terão sido pelo menos 50 pessoas, que se manifestavam contra os atentados levados a cabo por militares do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Esta é a segunda noite consecutiva em que manifestantes nacionalistas turcos atacam vários edifícios públicos. O HDP acusa o governo do AKP, o partido islamita do presidente Recep Tayyip Erdogan, de orquestrar os ataques alegadamente levados a cabo pela minoria curda, como o que, na terça-feira, vitimou mais de dez agentes da polícia turca.

“Estes ataques são dirigidos por uma só mão, a do Estado”, disse Selahattin Demirtas, vice-presidente do HDP.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, pediu calma e condenou os actos de violência. “É inaceitável danificar edifícios de partidos políticos e propriedade de nossos cidadãos civis”, afirmou no Twitter.

Na noite de terça-feira, cerca de sete mil pessoas saíram às ruas para manifestar o seu descontentamento contra o que classificam de actos terroristas levados a cabo pelo PKK.

A polícia local teve de intervir a fim de evitar maiores confrontos e utilizou gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

Desde o final do mês de Julho que o governo turco ordenou vários bombardeamentos aéreos contra bases dos curdos na região do Curdistão do Iraque, em resposta aos ataques do PKK contra as forças de segurança turcas.

Os ataques acontecem um mês depois de o executivo de Davutoglu ter posto fim ao processo de paz que estava a ser conduzido com os curdos da Turquia - cerca de 18% da população - desde 2012, depois de várias décadas de conflito que causaram mais de 40 mil mortos.

(Fonte: Jornal I)




21 agosto 2015

Erdoğan anuncia eleições antecipadas para o dia 1 de Novembro

O Presidente turco anunciou o seu desejo de convocar eleições legislativas antecipadas para 1 de Novembro, após o fim do prazo de negociações para formar um governo de coligação, uma vez que o seu partido, o AKP, não conseguiu uma maioria suficiente no escrutínio de Junho.
 
Domingo, 23 de Agosto, é o dia em que terminam os 45 dias de prazo, e é nessa altura que Recep Tayyip Erdoğan pretende convocar eleições. “Vou encontrar-me com o presidente do Parlamento mais uma vez e depois vamos conduzir o país para eleições antecipadas, esperando o melhor”, afirmou Erdoğan.
 
“Se Deus quiser, a Turquia vai ter uma segunda volta – é como eu lhe chamo, uma segunda volta”, comentou, tornando evidente que espera que os turcos dêem desta vez uma vitória clara ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que ele próprio conduziu ao poder, em 2002, e tem governado a Turquia ininterruptamente desde então.
 
Para Erdoğan, a continuação do AKP é fundamental para alterar a Constituição de forma a tornar o regime mais presidencialista, concendo-lhe mais poderes no cargo que hoje desempenha.
 
Até às eleições, o país deverá ficar nas mãos de um governo de transição, composto por representantes de cada um dos partidos com assento parlamentar, incluindo o Partido Democrático do Povo (HDP), pró-curdo, que conseguiu entrar no Parlamento pela primeira vez nas eleições de Junho. Como a nova atitude ofensiva do Governo de Ancara contra o autoproclamado Estado Islâmico se alarga também contra os curdos, este partido é visto com enorme suspeita.
 
Por isso, o ainda primeiro-ministro Ahmet Davutoğlu iniciou um esforço de última hora para fazer uma coligação, ainda que temporária, por apenas dois meses, com o Partido Republicano (CHP) e o Partido do Movimento Nacionalista (MHP), para formar uma coligação temporária, só até às eleições, relata o jornal turco Hürriyet Daily News.
 
Mas ambos os partidos disseram que não só não querem fazer essa coligação, como não querem participar no governo de transição. O único que parece ter intenção de o integrar, é o HDP, mas só se for completamente livre de escolher os seus representantes - mas não é claro que o possa fazer, diz a Reuters. O AKP quer garantir que ao partido pró-curdo não calhará nenhuma das pastas que tenham que ver com questões de segurança, diz o Hürriyet.
 
Se não houver acordo entre os partidos, este governo de transição, que tem de ser formado até 31 de Agosto, será composto por não políticos.
 
(Fonte: Público)

28 julho 2015

Situação da Turquia discutida em reunião extraordinária da NATO

Encontro foi solicitado pelo Governo turco, depois de ter lançado ofensivas contra os combatentes do autodenominado Estado Islâmico e também contra os opositores curdos do PKK.
 
Numa reunião solicitada por Ancara, os 28 Estados-membros da NATO discutem, esta terça-feira, a situação na Turquia, depois de o país ter recentemente lançado ofensivas contra o autodenominado Estado Islâmico (Daesh) e também contra os opositores do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão).
 
O encontro extraordinário foi solicitado ao abrigo do artigo 4.º do tratado, que envolve a consulta sobre uma eventual ameça à integridade de um Estado, mas não desencadeia automaticamente qualquer ação militar.
 
Nos últimos dias, na sequência de vários ataques atribuidos ou mesmo reivindicados pelo Daesh e pelo PKK – movimentos ferozmente inimigos entre si –, a Turquia lançou pela primeira vez ofensivas aéreas contra posições do Daesh e deteve, por outro lado, centenas de militantes do partido curdo.
 
Na tentativa de “empurrar” os combatentes do Daesh, com vista à criação de uma zona de segurança ao longo da sua fronteira com a Síria, a Turquia e os EUA acordaram também um plano. Esta estratégia, que representa uma vitória diplomática para a Turquia – que sempre colocou a criação dessa zona de exclusão como condição prévia para se juntar à luta contra o Daesh –, permitirá aos norte-americanos intensificar os raides aéreos sobre a Síria, sobretudo por poderem aceder a bases militares turcas.
 
O que não fica claro, lembra o diário britânico “The Guardian”, são as consequências deste novo cenário para os combatentes curdos que lutam contra o Daesh nas zonas fronteiriças. Durante meses as Unidades de Proteção Popular Curdas (YPD) foram ajudadas pelos meios aéreos norte-americanos, que procuraram fazê-las ganhar terreno.
 
O Governo turco, no entanto, preocupa-se com o sucesso das YPD, temendo o seu reflexo nos separatistas do PKK, a que estão ligados, considerando estar em risco a sua segurança nacional.
 
(Fonte: Expresso)

30 junho 2015

Primeiro-ministro turco propõe assistência à Grécia

O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoğlu, ofereceu hoje a assistência do seu país à Grécia, que está à beira de entrar em incumprimento, afirmando-se pronto a considerar "qualquer proposta de cooperação" com a nação vizinha.

"Queremos uma Grécia forte (...), estamos prontos para ajudar a Grécia a superar esta crise através da cooperação nos setores do turismo, energia e comércio", disse Davutoğlu, num discurso perante os membros do seu partido.
"Vamos contactar a Grécia para organizar uma reunião de alto nível, logo que seja possível, e considerar uma acção conjunta para resolver a crise financeira que atingiu o país", acrescentou.
O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, confirmou hoje que a Grécia não vai pagar até ao final do dia a parcela de 1,6 mil milhões de euros de empréstimo ao Fundo Monetário Internacional, e marcou um referendo para domingo, crucial para a manutenção do país na zona euro.
Os dois copresidentes do principal partido curdo na Turquia, próximos do Syriza, partido do poder na Grécia, reafirmaram terça a sua "solidariedade com o povo grego e o seu governo".
"Acreditamos que, em vez das políticas de austeridade, existem soluções mais razoáveis e aceitáveis", disse Selahattin Demirtaş e Figen Yüksekdağ, do Partido Democrático do Povo.
As relações entre a Turquia e a Grécia continuam difíceis, em particular devido ao conflito no Chipre, dividido desde a intervenção militar turca de Julho e Agosto de 1974, justificada por uma tentativa de golpe de Estado organizado pela junta militar no poder em Atenas, e que pretendia a união com a Grécia.
Apesar das conversações de paz recentes, sob os auspícios das Nações Unidas, ainda não foi encontrada uma resolução.

(Fonte: Notícias ao Minuto)

11 junho 2015

PM turco aberto a coligações mesmo sem gostar delas

Os resultados eleitorais inconclusivos na Turquia deixaram o país num impasse político. Para resolvê-lo, o primeiro-ministro, Ahmet Davutoğlu, diz agora estar disposto a entendimentos com outras forças partidárias, apesar de avisar que as coligações não têm tido finais felizes na história do país. 

“Temos usado as eras de coligação das décadas de 1970 e 1990 como exemplo de que as coligações não servem para Turquia e continuamos a defender isso”, disse Davutoğlu numa reunião com responsáveis locais do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). 

Mas sem os votos necessários para continuar no poder sozinho, o AKP não tem grandes alternativas e o primeiro-ministro admite, por isso, estar “aberto a qualquer cenário”. 
“No entanto, no cenário político actual, o único partido que pode apresentar soluções realistas é o AKP”, defendeu.

Esta visão não é partilhada por todas as formações, especialmente pelos pró-curdos do HDP, que conseguiram pela primeira vez ultrapassar a barreira dos dez por cento de votos necessários para garantir um lugar no parlamento. O partido também está aberto a todas as opções para formar uma coligação de governo na Turquia, menos aliar-se ao partido ainda no poder. 

Além de terminarem sem que AKP conseguisse um resultado que lhe permitisse formar governo sozinho, as eleições fizeram também cair por terra o objetivo do partido alcançar dois terços dos lugares no parlamento, necessários para alterar a constituição e dar mais poderes ao presidente.  
Esta última meta era um desígnio do ex-primeiro-ministro e agora chefe de Estado, Recep Tayyip Erdoğan, que depois de ter esgotado o limite de três mandatos à frente do governo pretendia transformar a Turquia num regime presidencialista. 
Para o HDP essa é uma aspiração inaceitável e defendeu que Erdoğan se deve sujeitar aos limites constitucionais, que ditam a neutralidade política do chefe de Estado. Um recado a um presidente que foi uma das presenças mais assíduas publicamente durante a campanha. 
Na lista de prioridades do HDP está também o problema curdo. Selahattin Demirtaş, um dos líderes partidários, defendeu que o processo de paz deve ser acelerado e que o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, que se encontra preso, está disposto a fazer um apelo ao desarmamento.

(Fonte: TVI24)    

07 junho 2015

Partido pró-curdo tira maioria ao AKP


O partido do Presidente e ex-primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan deverá governar sem maioria pela primeira vez desde 2002, caso não consiga formar uma difícil coligação. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) obteve 41% dos votos e 258 deputados, falhando assim o mínimo de 276 assentos necessários para uma maioria.
Os resultados do AKP ultrapassam o Governo e estendem-se a Erdoğan e ao seu projecto político. O Presidente queria alterar a Constituição e concentrar mais poderes no seu cargo. Para isso, o Presidente turco precisava que o AKP atingisse uma maioria confortável no Parlamento. 
A pálida vitória do partido de Erdoğan provocou uma queda da cotação da lira turca e das acções na bolsa de valores, indicando a apreensão dos mercados financeiros, sempre receosos do que consideram ser uma situação política instável.
Na manhã desta segunda-feira, a bolsa de Istambul deu um trambolhão de 8% e a lira viu a sua cotação face ao dólar cair para mínimos históricos. Em resposta, o banco central anunciou um corte nas taxas de juro dos depósitos estrangeiros, para tentar erguer a cotação da moeda turca.
O insucesso do AKP é o sucesso do recém-criado HDP, o partido secularista pró-curdo que apostou tudo nestas eleições e que acaba por ser decisivo. O HDP (Partido Democrático do Povo) assegurou a fasquia mínima de 10% dos votos exigida pela Constituição turca para que um partido entre na Assembleia. As últimas contagens colocam o HDP nos 13%, com entre 75 e 80 deputados. Caso falhasse a margem mínima, os votos e assentos do HDP seriam distribuídos pelos partidos mais votados, o que beneficiaria o AKP.
"Esta é uma vitória dos que querem uma Constituição pluralista e uma solução pacífica para a questão curda", disse na noite de domingo Selahattin Demirtaş, um dos dois líderes do HDP, quando se tornou evidente que o seu partido iria entrar no Parlamento. "O debate sobre o sistema presidencial acabou hoje", sentenciou ainda, referindo-se à intensão de Erdoğan de mudar a Constituição.
Sem maioria, a questão que agora se impõe é se o AKP tentará fazer uma coligação com a terceira força mais votada, o Partido Movimento Nacionalista, que surge com 16,4% dos votos e 82 deputados. Este é o parceiro mais provável para o AKP, já que, para além do HDP, resta apenas no Parlamento o Partido Republicano do Povo (CHP), o tradicional partido da oposição e o segundo classificado destas eleições. O CHP ficou em linha com o resultado de 2011: 25% dos votos e 132 deputados, segundo os últimos resultados.  
Erdoğan não foi a votos, mas muito do que ficará decidido nas eleições deste domingo centra-se na sua figura e herança política. De tal maneira que se tornou na principal figura destas eleições. Mostrou-o o discurso semi-vitorioso de Haluk Koç (CHP): "A Turquia ganhou. Erdoğan perdeu."
Para além do projecto político de concentração de poder na figura do Presidente, Erdoğan jogava nestas eleições a representação parlamentar de uma sociedade turca polarizada. Durante a campanha eleitoral, o HDP denunciou cerca de 70 ataques a várias das suas sedes de campanha. Na sexta-feira morreram três apoiantes do HDP e centenas de outros ficaram feridos na explosão de uma bomba num comício do partido.
Antecipando a importância do HDP, Erdoğan ignorou a imparcialidade exigida ao Presidente e entrou numa ostensiva campanha pelo AKP.Erdoğan associou Demirtaş, do HDP, ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a organização armada que luta desde a década de 1980 pela criação de um Estado curdo. Erdoğan tentou capitalizar ainda o voto religioso junto da população curda, tentando assim roubar votos ao HDP, que se apresenta como o defensor das minorias sexuais e religiosas da Turquia e é contra o ensino obrigatório do islão nas escolas.
 
(Fonte: Público)

Erdoğan pede "uma nova conquista, se Deus quiser"

 
50 milhões de turcos podem votar e escolher o novo Parlamento. Em jogo está mais do que um programa de quatro anos: está o futuro da Turquia e o poder de um homem para o moldar.
 
As principais preocupações dos turcos são a economia e o desemprego. Após uma década de crescimento estável, muitos já sentem o aumento da inflação, a desvalorização da lira, o recuo do investimento externo. Há 11% no desemprego e 20% dos jovens não encontra trabalho. Apesar disto, mais do que sobre as propostas dos partidos, as eleições de domingo são um referendo ao ex-primeiro-ministro e actual Presidente, Recep Tayyip Erdoğan.
Estas são as eleições que vão definir o futuro de Erdoğan e da Turquia. O futuro do homem que polarizou o país depois de o pôr no "bom caminho", com reformas económicas e políticas sociais que diminuíram as desigualdades, leis que impediram o Exército de derrubar governos e uma tentativa de resolver a questão curda e pôr fim a um conflito que já fez 40 mil mortos. Medidas aplaudidas pela União Europeia, à qual a Turquia continua, no papel, a querer aderir.
Mas o Erdoğan de hoje é aquele que não se engasga ao tratar os opositores como “conspiradores”, ao chamar "terrorista" ao adolescente de 15 anos que morreu baleado pela polícia nos protestos de Gezi, em 2013, ao mandar fechar o Twitter numa vã tentativa de impedir a partilha de suspeitas de corrupção contra si.
Um político que, depois de fazer aprovar leis para promover a divisão de poderes, tenta agora controlar a justiça – só desde Agosto, quando foi eleito Presidente, 105 pessoas foram acusadas de “insulto ao chefe de Estado”, ao mesmo tempo que jornalistas independentes continuam a ser detidos, acusados de divulgar “segredos de Estado” ou atentar contra a segurança nacional.
 
“Merece ser rei”

Erdoğan quer mudar a Constituição para fazer da Turquia um regime presidencialista e só por isso se candidatou ao cargo. É acusado de querer o poder pelo poder, para nele se conseguir eternizar.
O Presidente não esconde ao que vem. Quer estar no cargo até 2023, centenário da República fundada por Mustafa Kemal Atatürk. Quer ser maior do que Atatürk, substitui-lo como o “pai” dos turcos. Muitos já o vêem assim. Chamam-lhe Tayyip e dizem, como Fatma Şahin, uma apoiante de 32 anos que o jornal The New York Times encontrou num comício, que “não merece só a presidência, merece ser rei”.
Mas por cada turco que ama Erdoğan, há outro turco que o teme. Erdoğan “transformou-se num verdadeiro déspota, participa de forma activa na campanha para defender o seu partido, o AKP, quando deveria estar acima das formações políticas tal como prevê a Constituição, ataca todos os dias a oposição, denuncia conspirações imaginárias, denigre os melhores artistas do país e ameaça a imprensa independente”, escreveu no Le Monde Nadim Gürsel, romancista e analista turco a viver em França.
São 50 milhões os turcos que podem votar para eleger a nova Grande Assembleia Nacional e os seus 550 deputados. O AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento) governa com maioria absoluta desde 2002. Sob a liderança de Erdoğan venceu sete eleições legislativas, municipais e presidenciais consecutivas, para além de dois referendos. Em 2011, obteve 49,8% dos votos e 363 lugares.
Com 276 deputados (metade mais um), um partido tem maioria para governar. Chegar aos 330 é ter uma vitória decisiva e legislar à vontade; é a maioria de três quintos, com a qual um partido pode mudar a Constituição, desde que a referende. Mas só os 367, a chamada super-maioria, permitem mudar a Constituição sem precisar de perguntar aos turcos se estão de acordo. As sondagens são pouco fiáveis, mas todas deixam o AKP entre os 276 e os 330 deputados, com 40 a 45% votos.
 
O partido mais pequeno

A oposição tradicional, os herdeiros de Atatürk e do seu CHP (Partido Republicano do Povo, nacionalistas sociais-democratas), tentaram uma renovação, fizeram primárias para escolher o novo líder, Kemal Kiliçlaroğlu, incluíram mais mulheres nas listas e têm propostas para resolver os problemas do país. Mas numa campanha dominada por Erdoğan – numa só semana de Maio teve 44 horas de directos nas televisões – foi difícil a Kiliçlaroglu fugir às polémicas com o chefe de Estado e explicar o seu programa.
Em 2011, o CHP teve 26% dos votos, quase o dobro dos 13% da formação de extrema-direita MHP (Partido do Movimento Nacionalista), que é contra o processo de paz e defende que os curdos têm de aceitar a autoridade do Estado turco. Por causa do MHP, e da sua capacidade de atrair votos entre o eleitorado mais nacionalista, Erdoğan e vários candidatos do AKP passaram a criticar o processo de paz que eles mesmos iniciaram.
Nem o CHP nem o MHP poderão impedir o AKP de alcançar a maioria de três quintos. Mas há um partido que o pode conseguir e é curdo. Chama-se HDP (Partido Democrático do Povo) e, tal como Erdoğan, joga tudo nestas eleições. Até agora, os seus membros concorriam como independentes para evitar o risco de não chegar aos 10%, o mínimo que a Constituição impõe a um partido para entrar na Assembleia. Elegeram 30 deputados em 2011.
Apresentar-se como partido dá ao HDP outro estatuto. Se alcançar os 10% terá 50 a 60 deputados e uma importante palavra a dizer no futuro da Turquia. Se falhar, num sistema eleitoral que o diário The Guardian descreve como “o mais injusto do mundo”, perde tudo e os seus votos são distribuídos pelos partidos mais votados em cada região, beneficiando assim o AKP.
Mas o HDP já não representa só os curdos, 20% da população – muitos dos quais, conservadores e religiosos, votam habitualmente no AKP. O único partido com dois líderes, um homem e uma mulher, o único com 50% de mulheres nas suas listas, atrai os turcos que temem o autoritarismo de Erdoğan. Minorias culturais e sexuais ou jovens que querem mudanças reais revêem-se na formação que é comparada ao Podemos espanhol ou ao Syriza grego.
“Somos o partido de todos, o partido dos oprimidos”, repetiu em campanha Selahattin Demirtaş, o advogado de 42 anos que é um dos líderes e o rosto mais conhecido do HDP. Aos 20 anos, tentou entrar na guerrilha curda mas foi recusado. Agora, quer mudar a Turquia a partir das instituições. “Se nos tornarmos no partido mais pequeno no Parlamento, podemos limitar o poder do maior partido”, disse numa entrevista. “O AKP está muito nervoso. Não esperava este desafio.”
 
Uma nova Turquia

Demirtaş tem razão. A candidatura do seu partido pôs os líderes do AKP a descrevê-lo como um “perigoso militante do PKK”. Por causa do HDP, Erdoğan levou um Corão em curdo para os comícios. É que o principal obstáculo do HDP para chegar aos 10% não são as acusações de laços aos terroristas, mas o seu apoio aos homossexuais e propostas como o fim do ensino obrigatório do islão nas escolas. A maioria do eleitorado curdo é muito religioso e o AKP joga nisso para combater Demirtaş.
Há uma semana, no comício onde o New York Times encontrou Fatma Şahin, a mulher que gostava que Erdoğan fosse rei, o Presidente só falou depois da banda de 600 músicos ter tocado e marchado, enquanto caças sobrevoavam o céu de Istambul e desenhavam com fumo colorido a bandeira da Turquia.
Depois de recitar o Corão, levando alguns apoiantes às lágrimas, Erdoğan lembrou que “transformar o destino doente desta nação em 12 anos foi uma conquista”. Também disse que “atravessar este ponto de viragem a caminho de uma nova Turquia é uma conquista”. Depois, apelou ao voto: “Se Deus quiser, 7 de Junho vai ser uma conquista.”
 
(Fonte: Público)

06 junho 2015

Explosão em comício do partido curdo HDP provoca dois mortos

Dois mortos e uma centena de feridos é o resultado de duas explosões num comício do partido curdo HDP, em DiyarBakır, no sul da Turquia. Segundo as autoridades, 24 pessoas precisaram de ser hospitalizadas. 
Após as explosões, alguns grupos de populares lançaram pedras sobre a polícia e, pelo menos, uma viatura policial foi incendiada. A polícia respondeu com granadas de gás lacrimogéneo e canhões de água. O atentado ocorreu a menos de 48 horas das legislativas de Domingo que, ao que tudo indica, voltarão a ser ganhas pelo AKP, o partido de Erdoğan. O presidente já considerou o ataque uma provocação contra a democracia e a estabilidade. 
 
(Fonte: TVI)
  

01 novembro 2014

Cidade síria de Kobane lembrada em Lisboa

A cidade síria de Kobane e a luta que ali acontece há mais de um mês foi lembrada este sábado no centro de Lisboa, numa manifestação aplaudida por Serdar Tunagur, curdo com o “coração na terra”.
Este sábado, “Dia Mundial Kobane”, em que ocorrem em todo o mundo acções para mobilizar apoios à cidade cercada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), no Rossio, em Lisboa, a situação também foi lembrada, com cartazes e com música.
Tunagur, 34 anos, refugiado curdo a viver em Portugal há quase quatro anos, dois filhos, um deles já nascido no país, esteve na frente dos cartazes, para dizer que “os curdos não aceitam os islamismos radicais”.
“Kobane historicamente é curda, são os curdos quem vive lá, e o EI quer matar os curdos”, diz Serdar Tunagur, acrescentando que estão de facto a matar, incluindo idosos, mulheres e crianças.
E há 47 dias, afirma, que os curdos estão a lutar para viver, “para não deixar a sua terra”, porque o EI não conseguiu em Kobane o que fez no Iraque, que foi tomar cidades numa noite.
Ainda assim, Serdar Tunagur é um homem optimista. Louva o apoio dos países ocidentais na luta contra o EI, mas lamenta que tenham “esperado 35 dias”, deixando os curdos a lutar sozinhos, quase sem armas, sem perceberem que “os curdos não iam deixar a sua terra e iam morrer ali”.
De Portugal vai acompanhando o que se passa lá. “Vivemos aqui, mas os nossos sonhos, ideias, a nossa cabeça, está tudo lá”, justifica. E por isso admite voltar “a casa um dia”. “O nosso coração vive na nossa terra”.
Foi por tudo isso que com a mulher e os filhos esteve junto da estátua de D. Pedro V, no Rossio, ao lado de cartazes a dizer “Save Kobane” ou “Viva a Resistência em Kobane”.
Muitos cartazes e música, e panfletos distribuídos por Sian Eden, turco, do movimento Ritmos de Resistência, uma rede de activistas contra o capitalismo, a globalização, a exploração e a opressão.
Diz à Lusa que os Estados Unidos apenas apoiam Kobane para a situação ficar como está, mas “não para o movimento curdo ganhar”.
Basicamente, diz, é preciso abrir “um corredor” para que outros curdos se possam juntar aos que lutam em Kobane, porque há muitos a querer fazê-lo.
Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, na noite passada entraram na cidade (que fica perto da fronteira com a Turquia) 150 curdos iraquianos (peshmergas),para combater o EI.
Desde o início da ofensiva, a 16 de Setembro, Kobane está completamente cercada pelos radicais do EI, excepto a norte, parte que limita com Turquia.
Nas últimas horas os combates continuam em Kobane, nomeadamente na zona da mesquita Al Hach Rachad, lá onde vive o coração de Tunagur.
 
(Fonte: Observador)

20 outubro 2014

Turquia cede o mínimo e insiste que os EUA estão a armar curdos “terroristas”

Norte-americanos fazem primeira entrega de armas e munições aos combatentes que defendem a cidade síria de Kobani dos jihadistas.

À Turquia tem-se pedido muito: que autorize a entrada na Síria de combatentes turcos curdos, que permita a passagem pelo seu território de armas para reforçar os curdos que combatem os fundamentalistas do Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque, e que deixe a coligação liderada pelos Estados Unidos usar as suas bases aéreas. Para Ancara, os riscos são altos – e daí todas as condições que tem colocado. O anúncio de que vai facilitar a entrada na Síria aos combatentes curdos iraquianos é um primeiro passo, mas também é uma forma de continuar a evitar entrar nesta guerra.
Os curdos que defendem Kobani, cidade síria junto à fronteira com a Turquia, cercada pelo EI por todos os lados menos por Norte, tiveram esta segunda-feira um dia de boas notícias. Primeiro, vieram os “27 fardos” largados por aviões de transporte C-130 norte-americanos: 21 toneladas de armas e munições fornecidas pelas autoridades do Curdistão iraquiano, incluindo armamento antitanques, dizem os curdos no terreno, que esperam novos carregamentos nos próximos dias.
O Presidente norte-americano, Barack Obama, telefonou ao primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, a avisá-lo desta operação, que não implicou a entrada no espaço aéreo turco. Horas depois, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Çavusoğlu, anunciava que o seu Governo ia “ajudar os peshmerga [combatentes] a passar para Kobani”.
Mas nada disto muda o facto de Ancara ver o YPG (Unidades de Defesa do Povo), a milícia do Partido da União Democrática (PYD, sírio) que defende Kobani, como igual aos seus aliados do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão, turco), que tanto a Turquia como os EUA e Bruxelas consideram um “grupo terrorista”, ou mesmo como igual ao EI.
“Nos últimos dias, começou a surgir a ideia de armar o PYD para combater o ISIL [outro acrónimo de EI]. “Para nós, PYD e PKK são o mesmo, uma organização terrorista”, disse Erdoğan este fim-de-semana. “Seria errado esperar um ‘sim’ como resposta da nossa parte se um país amigo e aliado da NATO nos pede colaboração e admite apoiar uma organização terrorista.”
Entretanto, as autoridades turcas libertaram os últimos curdos sírios dos 250 detidos há duas semanas. O grupo, vindo de Kobani, era acusado de ligações ao PKK, o movimento com o qual Ancara iniciou negociações há dois anos, após um conflito com mais de 30 anos que já fez mais de 40 mil mortos.
“Deixem-me dizer claramente aos nossos aliados turcos que compreendemos os fundamentos da sua oposição e os nossos a qualquer tipo de grupo terrorista, e são particularmente óbvios os desafios que eles enfrentam com o PKK”, afirmou o secretário de Estado norte-americano, John Kerry. Mas os membros do EI “escolheram este campo de batalha [Kobani], atacando um pequeno grupo que, apesar de estarem ligados às pessoas a que os nossos amigos turcos se opõem, estão corajosamente a combater o ISIL”.
Se o PYD e o seu exército são próximos do PKK – e são, muito próximos –, a lógica dita que Washington também se oporia. Mas a Síria e a ameaça dos jihadistas pôs em causa muitas lógicas. Com esta operação de entrega de armas, os EUA admitem pela primeira vez estar a armar directamente o YPG.
UE pressiona Ancara
Não é de agora que a Turquia teme o PYD. Este partido controla desde há muito várias zonas da Síria conquistadas ao regime de Bashar al-Assad. No final do ano passado, anunciou a criação de um governo para três distritos. Esta ambição territorial (que Ancara usa para sustentar a comparação com o EI) é o que mais preocupa um país onde vivem 14 milhões de curdos, muitos dos quais já protestaram violentamente pela ausência de mais ajuda a Kobani, razão que levou também o PKK a ameaçar desistir das negociações de paz.
Permitir a entrada de combatentes curdos iraquianos – Ancara acabou por se render à existência de um Curdistão iraquiano e tem boas relações com os seus líderes – e libertar os sírios são formas de aliviar um pouco a pressão sem ceder em nada no que são as suas linhas vermelhas.
Para mais cooperação, Erdoğan exige que o alvo se alargue do EI ao regime de Assad, que seja imposta uma zona de segurança na Síria junto à fronteira turca para os refugiados (a Turquia recebe pelo menos 1,5 milhões, incluindo quase 200 mil que fugiram de Kobani), a criação de uma zona de exclusão aérea no espaço sírio junto à Turquia para proteger os refugiados e os sírios que combatem Assad (Exército Livre da Síria) e que outros grupos da oposição (não ligados à Al-Qaeda nem ao EI) recebam treino e equipamento.
A pressão é que não vai parar. Já ao fim do dia, a União Europeia pediu a Ancara que “abra a sua fronteira para todos os reabastecimentos para a população de Kobani”. O comunicado, saído de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros, não é claro, mas um diplomata ouvido pela AFP diz que o pedido se refere a bens de primeira necessidade, mas também a combatentes e armas.
 
(Fonte: Público)

17 outubro 2014

A Turquia e a questão curda

1.A Turquia é um Estado complexo, em termos de identidade e geopolíticos. Isso resulta da sua própria história, da extensão do seu território, superior a 780.000 Km2, mas também da heterogeneidade de uma população que ronda os 80 milhões.
Sendo, simultaneamente, Europa e Médio Oriente, o leste e o sudeste do país interligam-na com essa área geopolítica conturbada e os seus intrincados conflitos. Às suas portas decorrem a violenta guerra civil na Síria, a guerra intermitente no Iraque e as bárbaras atrocidades do ISIL (Estado Islâmico do Iraque e Levante, na sigla Inglesa), sobre as minorias cristãs, yazidis, xiitas e curdas. Consequência da instabilidade geopolítica e da crise humanitária gerada, a questão curda voltou a reentrar na política internacional. Como se pode ver pelas recentes e dramáticas imagens do cerco à cidade síria de Kobani, junto à fronteira turca, pelo ISIL, o problema curdo tem um perfil transnacional. O que explica a repartição das populações curdas por vários Estados? Como se chegou à questão curda actual, onde esta minoria étnica é alvo frequente de violência e sofrimentos provocados pelos próprios Estados onde vive? Impõe-se um breve enquadramento político e histórico.
2. Até à I Guerra Mundial os curdos encontravam-se essencialmente repartidos entre o Império Otomano e o Império Persa. Hoje encontram-se nos seus Estados sucessores, respectivamente Turquia, Iraque e Síria (Império Otomano) e Irão (Império Persa). A sua população total é estimada algures entre os 27,5 e os 35 milhões de pessoas. A seguir aos árabes, aos turcos e aos persas/iranianos, os curdos são o quarto maior grupo étnico do Médio Oriente. Não existem, todavia, estatísticas oficiais que permitam dar um número rigoroso, pelo que todos os valores que se possam apontar são meras aproximações. A dispersão territorial e política da população curda acentuou a sua heterogeneidade. Encontram-se repartidos por vários grupos religiosos e linguísticos, a par de divisões tribais e em clãs. Em termos religiosos, existe uma grande predominância de muçulmanos sunitas (rondará os 80% ou até um pouco mais). É significativo o número de alevis (estimado entre 12% a 15 %). Em termos mais residuais, encontram-se também yazidis, judeus e cristãos (na ordem dos 3% ou algo inferior). Quanto à língua curda contém vários dialectos: o curmanji, o sorani, o zaza e o gorani. Os dois primeiros são predominantes, existindo, também, diversos subdialectos. Importa notar que uma parte significativa dos curdos não fala curdo, em qualquer dos seus dialectos. As razões são essencialmente políticas e estão ligadas à proibição legal e/ou marginalização política e social do uso da língua curda, nos Estados onde vivem.
3. A história faz sentir o seu peso na questão curda. O Tratado de Sèvres, assinado em 1920, entre as potências vencedoras da I Guerra Mundial e o Império Otomano/Turquia previa a possibilidade de nascimento de um Estado curdo. À parte os interesses estratégicos das potências europeias na região, a ideia inseria-se na linha dos ideais do Presidente dos EUA, Woodrow Wilson e da fórmula do “direito das Nações disporem de si próprias”. O Tratado de Sèvres nunca chegou a ter validade jurídica, pois não foi ratificado pelo Império Otomano/Turquia. Todavia, o seu texto reflecte problemas bem actuais. No seu artigo 62.º, sob a epígrafe “Curdistão”, estabelecia a preparação da “autonomia local para as regiões predominantemente curdas, situadas a leste do Eufrates [...] e a norte da fronteira da Turquia com a Síria e a Mesopotâmia.” Previa, complementarmente, “garantias plenas para a protecção dos assírios-caldeus e outras minorias raciais ou religiosas no interior destas regiões”. Por sua vez, o artigo 64.º considerava uma possível independência: “Se, no prazo de um ano a contar da entrada em vigor do presente Tratado, a população curda [...] demonstrar que uma maioria da população dessas regiões deseja tornar-se independente da Turquia [...]” esta compromete-se “a executar essa recomendação e a renunciar a todos os direitos e títulos sobre essas regiões.” Não foi esse o rumo da história, após a vitoriosa campanha militar de Mustafa Kemal Atatúrk, em 1921-1922, que levou à fundação da moderna República da Turquia em 1923.
 
(Fonte: Público)

14 outubro 2014

Turquia quebra cessar-fogo e bombardeia PKK

Esta é a primeira grande falha num cessar-fogo de quase dois anos entre independentistas curdos e a Turquia. Tensões regressaram depois de Ancara ter recusado apoiar os curdos no combate aos avanços do autoproclamado Estado Islâmico.

Aviões F-16 e F-4 turcos bombardearam esta terça-feira duas bases militares do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), perto da fronteira com o Iraque. As acções desta terça-feira não deixam dúvidas acerca do momento de tensão vivido no cessar-fogo em vigor há quase dois anos.
Os ataques aéreos em Daglica, cidade próxima da fronteira com o Iraque, constituíram uma resposta ao bombardeamento de um posto militar turco pelo PKK, dizem as forças armadas, citadas pela BBC. Também o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoğlu, fez saber que as acções do exército turco constituem uma retaliação face a ataques do PKK na zona fronteiriça, de acordo com a agência Reuters.
Pelo menos 35 pessoas morreram em tumultos durante a semana passada quando membros da minoria turca (que conta cerca de 15 milhões) se insurgiam contra a inércia da Turquia no combate ao Estado Islâmico (EI), especialmente no combate travado no enclave sírio de Kobane, cidade que os jihadistas tentam tomar há quase um mês e da qual detêm agora a maior parte.
"Pela primeira vez em quase dois anos, uma operação aérea foi levada a cabo contra nós pelas forças do exército da ocupante República da Turquia", disse uma fonte do PKK, citada pela agência Reuters. "Estes ataques contra duas bases da guerrilha em Daglica violaram o cessar-fogo", declarou o membro do PKK.
Os curdos do PKK têm ajudado a milícia curda YPG (Unidades de Protecção Popular) no combate aos extremistas sunitas do EI. Já a Turquia não está disposta a abrir mão do combate de três décadas contra o movimento curdo independentista e nega firmemente armar as forças curdas ou permitir-lhes que atravessem a fronteira com a Síria através de território turco.
Ancara, como os EUA e a União Europeia, classifica o PKK como organização terrorista. O líder e cofundador dos rebeldes soberanistas, Abdullah Ocalan, está preso na Turquia desde 2012.
Ocalan terá dito esta semana que as conversações de paz entre o grupo e Ancara deveriam ocorrer até quarta-feira, segundo a agência Reuters. Citado pelo seu irmão, Mehmet, Ocalan terá avisado a partir da prisão: "Esperaremos até 15 de outubro... Depois nisso não haverá nada que possamos fazer".
Num funeral na cidade turca de Suruc (a cerca de 10 quilómetros da fronteira síria) de quatro mulheres combatentes do YPG, centenas de pessoas cantavam: "'Erdoğan [Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan] assassino" em turco e também 'longa vida ao YPG' em curdo", contava a Reuters esta terça-feira.
Relutante em juntar-se às fileiras de combate aos jihadistas, o Parlamento de Ancara aprovou a 2 de outubro a entrada do país na coligação internacional - liderada pelos EUA - que tem levado a cabo ataques aéreos no Iraque e na Síria. Contudo, o país não está disposto a abrir mão do combate ao regime sírio de Bashar al-Assad e aos separatistas curdos do PKK.
A Turquia põe como condição para um apoio real à campanha militar contra os jihadistas do EI uma luta paralela contra o regime de Damasco. Todavia, Washington opõe-se a esta medida, por dispersar a estratégia militar em curso, que visa unicamente destruir o autoproclamado EI.

(Fonte: Expresso)

13 outubro 2014

Afinal, ainda não há acordo entre EUA e Turquia para uso das bases aéreas turcas

Estados Unidos anunciaram o acordo no domingo, mas a Turquia negou-o esta segunda-feira, revelando que existem conversações e que se mantêm.
 
Falso alarme. O acordo entre Estados Unidos e Turquia para o acesso dos primeiros às bases aéreas turcas, com particular foco em Incirlik, foi negado pelo governo de Erdogan, avançou o New York Times esta segunda-feira. Ainda assim, as conversações existem e mantêm-se. Tudo não terá passado de um mal-entendido.
As negociações surgem no âmbito da campanha internacional liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico (EI), que quererá envolver a Turquia depois do grupo jihadista ter investido na conquista de Kobane, uma cidade síria próxima da fronteira turca.
O anúncio de domingo foi feito pela conselheira de Defesa, Susan Rice, na rede de televisão NBC, acrescentando que os norte-americanos teriam ainda autorização para treinarem “forças rebeldes moderadas” nessas mesmas instalações. “Este é um novo compromisso, e um acordo que é muito bem-vindo”, disse Susan Rice, referindo que ainda haveria detalhes sobre a utilização destas bases aéreas que estariam a ser acertadas entre os dois países. Sabe-se agora que serão mais do que detalhes, embora o diálogo continue de pé.
A base de Incirlik é atualmente utilizada por forças turcas e norte-americanas, uma situação que não está inserida no plano de coligação internacional contra o Estado Islâmico. Estas instalações têm especial interesse por se localizarem perto da fronteira entre a Turquia e a Síria.
A Turquia tem estado relutante em aderir a este esforço internacional devido às reservas em apoiar as forças curdas com quem manteve uma longa guerra civil. Com o avanço dos terroristas em Kobane, o país mobilizou tropas para aquela zona do território, mas pôs de lado qualquer intervenção terrestre. Mais de 200 mil pessoas já fugiram da cidade e estão agora refugiadas do lado turco.
 
(Fonte: Observador)

21 setembro 2014

Cerca de 70 mil curdos sírios refugiam-se na Turquia para fugirem do Estado Islâmico

"O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) está a reforçar os seus esforços de ajuda ao Governo da Turquia para auxiliar os cerca de 70 mil sírios que fugiram para a Turquia nas últimas 24 horas", adiantou a organização, num comunicado publicado na noite de sábado.
Diz também que o "Governo turco e o ACNUR preparam-se para a possível chegada de centenas de milhares de refugiados nos próximos dias", enquanto os combates continuarem.
A Turquia abriu na quarta-feira as suas fronteiras aos refugiados sírios que, na quinta-feira, começaram a abandonar a localidade de Ain al-Arab, cercada pelos combatentes do grupo extremista sunita Estado Islâmico (EI).
Ain al-Arab, a terceira maior cidade curda da Síria, tinha sido relativamente poupada pelo conflito na Síria e chegou a servir de abrigo a cerca de 200 mil sírios deslocados, refere a ONU.
Mas o recente aumento da atividade dos jihadistas do EI na região e o cerco que fizeram à cidade, levou muitos moradores a fugirem, principalmente curdos.
"O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) está a reforçar os seus esforços de ajuda ao governo da Turquia para auxiliar os cerca de 70 mil sírios que fugiram para a Turquia nas últimas 24 horas", adiantou a organização, num comunicado publicado na noite de sábado.
Diz também que o "governo turco e o ACNUR preparam-se para a possível chegada de centenas de milhares de refugiados nos próximos dias", enquanto os combates continuarem.
A Turquia abriu na quarta-feira as suas fronteiras aos refugiados sírios que, na quinta-feira, começaram a abandonar a localidade de Ain al-Arab, cercada pelos combatentes do grupo extremista sunita Estado Islâmico (EI).
Ain al-Arab, a terceira maior cidade curda da Síria, tinha sido relativamente poupada pelo conflito na Síria e chegou a servir de abrigo a cerca de 200 mil sírios deslocados, refere a ONU.
Mas o recente aumento da atividade dos jihadistas do EI na região e o cerco que fizeram à cidade, levou muitos moradores a fugirem, principalmente curdos.

07 novembro 2013

Protestos contra a construção de muro na Síria

A polícia de choque turca usou esta quinta-feira gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar milhares de pessoas que se manifestavam contra a construção de um muro na fronteira com a Síria.
Na cidade fronteiriça de Nusaybin, no sudeste da Turquia, a multidão atirou ‘cocktails’ Molotov e garrafas de plástico aos guardas fronteiriços.
A presidente da Câmara de Nusaybin, situada numa zona maioritariamente curda, esteve em greve de fome nos últimos nove dias, também em protesto, e classificou o procjeto como um “muro da vergonha”.
O Governo turco, que receia que os cidadãos de etnia curda na Turquia se juntem aos curdos do outro lado da fronteira para reclamar a criação de um estado autónomo, negou estar a construir um muro e disse que se tratava de uma vedação de arame farpado.

(Fonte: Euronews)

03 abril 2013

Governo turco cria comité de "sábios" para promover processo de paz


"Uma delegação de sábios foi criada (…). É composta por pessoas conhecidas e apreciadas na Turquia, abertas ao diálogo, são artistas, com uma identidade política, empresários, dirigentes ou especialistas de organizações não-governamentais (ONG) ou de centros de reflexão", afirmou o vice-primeiro-ministro, em declarações aos jornalistas, à margem de uma conferência em Ancara.
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, que constituiu a lista das 63 individualidades, vai encontrar-se com o comité de “sábios” na quinta-feira em Istambul. Durante a reunião, o chefe do Governo turco irá debater com as personalidades os princípios da sua missão. “Depois deste encontro, os elementos do comité vão trabalhar e percorrer durante um mês todas as regiões da Turquia, com o objectivo de apresentar, informar e esclarecer a população sobre o processo de resolução” da questão curda, indicou Bulent Arinç. “Vão ser divididos em grupos de trabalho que serão constituídos para cada uma das sete regiões da Turquia. Um presidente, um vice-presidente e um porta-voz foram nomeados”, acrescentou o vice-primeiro-ministro. Entre as personalidades escolhidas para integrar o comité figuram artistas de grande mediatismo como o cantor Orhan Gencebay ou a actriz Hulya Koçyiğit, mas também empresários influentes, como é o caso do antigo representante dos patrões turcos Arzuhan Doğan Yalçindağ, segundo uma lista divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro turco. O grupo integra ainda vários académicos e jornalistas, com uma forte presença das correntes islamo-conservadora, próxima do Governo de Ancara, e liberal.
As autoridades de Ancara estão a discutir há vários meses com o líder rebelde curdo Abdullah Ocalan com o objectivo de acabar com o conflito curdo, que fez cerca de 45 mil mortos em quase três décadas de luta armada. No passado dia 21 de Março, Abdullah Ocalan, de 63 anos, detido na ilha prisão de Imrali desde 1999, assumiu um passo importante no processo de negociações, ao pedir aos rebeldes do PKK para deporem as armas e abandonarem a Turquia. “Chegámos a uma fase em que as armas devem calar-se (…) e os elementos armados devem retirar-se para lá das fronteiras da Turquia”, afirmou então Ocalan numa carta lida por um deputado pró-curdo perante centenas de milhares de pessoas reunidas em Diyarbakir, principal cidade do Curdistão turco. “Este não é um tempo de guerra e luta, mas de alianças e compromissos”, referiu na mesma altura. O anúncio de Ocalan surgiu depois de 2012 ter sido o ano mais sangrento desde o início do século, com 140 soldados e polícias turcos e mais de 500 rebeldes mortos em confrontos no sudeste da Turquia. A rebelião do PKK iniciou-se em 1984 para exigir direitos para os mais de 12 milhões de curdos da Turquia.
 
(Fonte: Lusa)