google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia: A Questão de Chipre
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30 junho 2015

Primeiro-ministro turco propõe assistência à Grécia

O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoğlu, ofereceu hoje a assistência do seu país à Grécia, que está à beira de entrar em incumprimento, afirmando-se pronto a considerar "qualquer proposta de cooperação" com a nação vizinha.

"Queremos uma Grécia forte (...), estamos prontos para ajudar a Grécia a superar esta crise através da cooperação nos setores do turismo, energia e comércio", disse Davutoğlu, num discurso perante os membros do seu partido.
"Vamos contactar a Grécia para organizar uma reunião de alto nível, logo que seja possível, e considerar uma acção conjunta para resolver a crise financeira que atingiu o país", acrescentou.
O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, confirmou hoje que a Grécia não vai pagar até ao final do dia a parcela de 1,6 mil milhões de euros de empréstimo ao Fundo Monetário Internacional, e marcou um referendo para domingo, crucial para a manutenção do país na zona euro.
Os dois copresidentes do principal partido curdo na Turquia, próximos do Syriza, partido do poder na Grécia, reafirmaram terça a sua "solidariedade com o povo grego e o seu governo".
"Acreditamos que, em vez das políticas de austeridade, existem soluções mais razoáveis e aceitáveis", disse Selahattin Demirtaş e Figen Yüksekdağ, do Partido Democrático do Povo.
As relações entre a Turquia e a Grécia continuam difíceis, em particular devido ao conflito no Chipre, dividido desde a intervenção militar turca de Julho e Agosto de 1974, justificada por uma tentativa de golpe de Estado organizado pela junta militar no poder em Atenas, e que pretendia a união com a Grécia.
Apesar das conversações de paz recentes, sob os auspícios das Nações Unidas, ainda não foi encontrada uma resolução.

(Fonte: Notícias ao Minuto)

13 maio 2014

Turquia condenada a pagar 90 milhões de euros ao Chipre

A Turquia foi condenada pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a pagar 90 milhões de euros ao Chipre pelos danos causados durante a invasão militar, em 1974.
A alta instância decidiu que 60 milhões deverão reverter para os Cipriotas gregos que ainda residem em Carpas, península no norte administrada pela Turquia.
Os restantes 30 milhões, e os devidos impostos, como explicou o juiz destinam-se a compensar os danos morais das famílias dos desaparecidos.
A Turquia já anunciou que não acatará a sentença. O governo do Chipre mostrou-se satisfeito.
Há 40 anos o exército turco ocupou a parte norte da ilha cipriota. Respondia a um golpe de Estado, dos cipriotas gregos, que pretendia unificar a ilha com a Grécia. Em 1983 a região norte autoproclamou-se República Turca do Norte do Chipre, situação reconhecida apenas pela Turquia.
A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos acontece no momento em que se retomam as conversações sobre a unificação da ilha cipriota, mediadas pelas Nações Unidas.
 
(Fonte: Euronews)

02 abril 2012

Davutoğlu: "Existe uma necessidade de liderança visionária na UE"

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Ahmet DavutoĞlu, é tido como o arquitecto da política externa da Turquia, da última década. Politólogo e historiador, Davutoğlu é conhecido pela “política de zero problemas” com os vizinhos. Tornou-se num actor importante na política regional, numa altura decisiva para o Médio Oriente. Em entrevista, Ahmet Davutoğlu fala da crise na Síria e sobre o impasse nas negociações entre a Turquia e a União Europeia.

Euronews: A Síria mantém-se um tema quente e a crise, no país, prolonga-se. O plano de Kofi Annan concedeu mais tempo ao regime de Bashar Al-Assad. Por outro lado, existem planos para unirem a oposição síria. Todas estas medidas exigem mais tempo. Caso esta crise se prolongue, a Turquia pode ver-se em apuros? A criação de uma zona de contenção está, também, em cima da mesa…

Ahmet Davutoğlu: “Claro que, se a crise continuar, não é só a Turquia que fica em apuros, mas toda a região, pois a localização geopolítica da Síria é crítica. O país tem uma interactividade muito estreita com os países vizinhos. É um vizinho muito importante da Turquia. Qualquer tensão proveniente da Síria, pode afetar todos os países circundantes. Por isso, esperar e deixar que o assunto se resolva com o tempo não é a opção certa. A comunidade internacional deve intervir de modo a evitar que isto se transforme numa grande fonte de instabilidade.”

E: Considera que existe o perigo de um conflito armado?

AD: “Neste momento existem já grandes confrontos na Síria.”

E: Quero dizer, podem espalhar-se para fora das fronteiras da Síria?

AD: “Isso depende do curso dos desenvolvimentos no país, mas existe, sempre, esse tipo de risco. No final, todos os conflitos internos afectam os países vizinhos e as outras nações da região. Isso é óbvio! Por isso, temos uma responsabilidade histórica e humanitária para com o povo sírio e estamos determinados a assumir essa responsabilidade. Estamos, também, determinados a realizar isso com a comunidade internacional. Se esse conflito ameaçar os interesses e a segurança nacional da Turquia então, temos o direito de tomar todas as precauções necessárias para precaver a nossa segurança nacional.”

E: Regressou agora do Irão. A Síria é um assunto importante entre os dois países, que se encontram divididos em relação à Síria. Podemos dizer que têm abordagens opostas sobre o destino do líder sírio. A questão vai colocar sob tensão as relações entre a Turquia e o Irão? Que impacto terá?

AD: “Não. As relações entre a Turquia e o Irão estão muito enraizadas. É uma relação de vizinhança. Quando divergimos sobre certas questões, dizemos-lhes, como sempre fizemos. O nosso primeiro-ministro explicou muito bem as nossas preocupações ao homólogo iraniano, aquando da visita. Claro que temos algumas divergências sobre a postura do Governo sírio e do seu futuro. Estamos em contacto permanente com o Irão de modo a superarmos esses
problemas. A Síria é um país contíguo à Turquia e a Turquia está, em primeiro lugar, preocupada com os desenvolvimentos na Síria. É importante que a comunidade internacional perceba a nossa posição.”

E: E a questão da União Europeia? Parece ter saído da agenda turca… Claro que isso se deve, também, a factores externos. Parece que as relações entre a UE e a Turquia irão ficar congeladas, quando o Chipre presidir à União. Qual é a sua previsão sobre as relações entre a União Europeia e a Turquia?

AD: “Não é correcto dizer que as nossas relações com a União Europeia tenham ficado para trás pois, há duas semanas, fui convidado, pela primeira vez na história da Turquia e da UE, para a reunião do Conselho das Relações Externas em Bruxelas. Discursei lá. As relações estão em andamento mas temos problemas em relação às negociações para a adesão. Com a integração do Chipre do Sul na União, surgiu uma anomalia. Agora, esta irregularidade atinge uma segunda fase. Na verdade, de acordo com o acervo da União Europeia, toda a ilha se tornou membro da UE. Agora, a parte Cipriota grega, que não representa todo o Chipre, assume a presidência da União Europeia. Assim, a irregularidade persiste. Esta é a fraqueza da UE. Se Bruxelas não mostrar capacidade para superar este problema, as negociações não progredirão facilmente, independentemente da Turquia ter feito bem o trabalho de casa. Em primeiro lugar, a União Europeia tem de se questionar e de tomar uma decisão. Tem de mostrar que quer remover todos os obstáculos que bloqueiam a adesão plena da Turquia. Se a UE quer transformar-se numa potência global, em termos geográficos e culturais, tendo uma base geopolítica e económica dinâmica e culturalmente inclusiva, então, a adesão da Turquia é obrigatória.
A economia turca tornou-se muito forte e dinâmica. Isso mostra que a Turquia é um activo estratégico para a União Europeia, mas precisamos de líderes europeus que entendam isso. Existe uma necessidade de liderança visionária no clube. Infelizmente, sem tal visionarismo, é difícil que a Turquia e a UE consigam atingir uma nova dimensão nas suas relações.”

E: Sobre a questão dos vistos entre a Turquia e a União Europeia. O país pediu que houvesse liberdade de movimentos dentro da UE, mas, por alguma razão, essas exigências não foram atendidas. Na sua opinião, o que está a impedir a livre circulação dos Turcos na União Europeia?

AD: “Essa é uma questão vital para nós. É um assunto importante e não deve ser visto como um favor. Que fique claro: é um direito para os cidadãos turcos. Era imperativo ter a liberalização dos vistos, ao longo do tempo, a partir de 1996, depois do Acordo que instituiu a União Aduaneira. Há várias decisões, tomadas por tribunais europeus, que referem que a
implementação do visto é contrária às leis europeias.
A lógica do Acordo que instituiu a União Aduaneira e as decisões dos tribunais europeus demonstram que a implementação do visto é ilegal. Além disso, politicamente é difícil entender o porquê de estarmos sujeitos a restrições de vistos, enquanto alguns países da América Latina, que nem são candidatos, estão isentos de visto. Não é uma atitude legítima. Apesar das promessas para suavizar os regulamentos, alguns países europeus dizem que se opuseram. Mas quando temos conversações bilaterais com esses países, que se opuseram ao levantamento dos vistos, eles desmentem estar contra a livre circulação dos Turcos na União Europeia.
A Comissão dos Assuntos Internos da UE vai reunir-se a 26 de Abril. Esperamos aí fazer progressos em relação a essa questão. Em conclusão, os membros da União Europeia devem entender que a livre circulação é um direito dos cidadãos turcos e faremos tudo o que pudermos para que esse direito seja reconhecido.”

(Fonte: Euronews)

19 setembro 2011

UE pede à Turquia para acabar com ameaças a Chipre

A União Europeia pediu hoje à Turquia para evitar qualquer ameaça a Chipre, depois de Ancara ter advertido que agirá face à intenção do Governo da ilha de iniciar explorações petrolíferas no Mediterrâneo Oriental.
"Pedimos à Turquia para se abster de qualquer tipo de ameaça que possa afectar de forma negativa as suas relações com Chipre," afirmou Maja Kocijancic, porta-voz da chefe da diplomacia europeia.
Kocijancic respondia a declarações do ministro da Energia turco, Taner Yıldız, que pediu ao Governo cipriota-grego, que a Turquia não reconhece, para travar os seus planos petrolíferos, advertindo que a marinha turca podia acompanhar os barcos do país em tarefas de exploração na zona do Mediterrâneo.

(Fonte: DN)

05 novembro 2010

Embaixador da Turquia: "Turquia deve ser incluída no mecanismo de decisão da UE"

A Turquia deve ser incluída na política de segurança e defesa da União Europeia (UE) e contribuir para o seu processo de decisão, considerou em entrevista à LUSA o embaixador turco em Lisboa Ali Kaya Savut.
“A Turquia deveria ser envolvida nos mecanismos de decisão da União Europeia, algo que não acontece e não é normal para nós”, sublinhou.
Nas vésperas da cimeira da NATO em Lisboa, a relação entre a NATO e a União, incluída no novo conceito estratégico, será um dos temas em destaque e que envolve directamente Ancara. Também devido à irresolúvel questão de Chipre, que opõe este país dividido, que não integra a NATO, à Turquia, com estatuto de candidato à União. Um contencioso que tem afectado os trabalhos do conselho de segurança UE-NATO.
Ao recordar que, além de possuir o segundo exército aliado, a Turquia está envolvida em operações militares da UE, na Bósnia ou Kosovo, Ali Savut, 56 anos e em Lisboa desde Agosto após missão no Senegal, está seguro de que “as relações UE-NATO serão reforçadas durante a cimeira e isso será positivo para a Turquia”.
Numa referência ao diferendo com Nicósia, um dos factores que tem bloqueado as negociações de adesão à União, sustenta que a rejeição pelos Cipriotas gregos do “plano Annan” em Abril de 2004 e a posterior integração da república de Chipre na UE está “na origem” dos actuais problemas.
“Caso exista uma solução abrangente em Chipre, o problema da Turquia não pertencer à UE e Chipre não pertencer à NATO seriam resolvidos mais facilmente”, sublinha. E insiste que pelo facto de Chipre não desempenhar “qualquer função nas operações da NATO” não existem motivos para incluir este país nas reuniões entre os 28 membros da Aliança. “Este é o problema de se estar envolvido em organizações diferentes”, reconhece.
O actual cenário não deverá impedir a “determinação nos esforços da Turquia” em aderir à União e alcançar os “padrões europeus”. Um “objectivo final” e que “também beneficiará a UE, tornando-a mais forte e economicamente mais rica”.
No entanto, e numa referência às recentes opções da política externa turca, definidas por diversos sectores em Bruxelas como o regresso à diplomacia “neo-otomana” e à viragem para leste, Ali Savut é peremtório: “Em relação há cinco anos, e de acordo com as sondagens, a opinião pública turca está menos interessada na UE. Isto deve-se talvez à atitude populista dos líderes de alguns países europeus, e por isso a opinião pública turca está a perder o interesse”.
O reforço das relações com a Ásia central é assim considerada uma aproximação a países “com quem mantemos relações especiais e uma afinidade cultural, diria que são nossos primos”.
O embaixador sublinha que o reforço das relações políticas e económicas com estes “países turcófonos” tem sido bem sucedida, e também poderá beneficiar a UE.
“Não devemos considerar que a Turquia está a virar as costas à Europa, pelo contrário. Quando a Turquia for parte da Europa será positivo para a Turquia e UE manterem boas relações políticas e económicas com estes países da Ásia central”, considera.
Alerta, contudo, para a necessidade de abordar com atenção particular a questão do terrorismo, um tema reforçado no novo conceito estratégico que será aprovado na cimeira de Lisboa.
“Na nossa perspetiva, todo o género de terrorismo deve ser condenado com firmeza e não há diferença entre terrorismo, seja religioso, nacional, internacional, não religioso. Não há justificação para qualquer terrorismo”, conclui.

(Fonte: Correio do Minho)

31 janeiro 2010

Erdoğan: "Alguns Estados membros da UE não estão a agir de forma honesta"

In Euronews

A Euronews acaba de lançar a versão turca. Nesta ocasião especial, entrevistamos o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, e abordámos questões como as negociações de adesão à União Europeia, as relações com Israel, a questão curda e os acordos assinados com a Arménia.

Euronews: As negociações de adesão à União Europeia são lentas. Bruxelas critica a Turquia por atrasar as reformas e Ancara acusa alguns líderes europeus de barrarem o caminho à Turquia. Actualmente, estão abertos 12 capítulos das negociações, para além disso há oito que estão bloqueados pela Comissão Europeia, cinco por Paris e seis pelos Cipriotas gregos. Restam apenas quatro capítulos para abrir e negociar. O que pensa do futuro das negociações de adesão?

Recep Tayyip Erdoğan: Infelizmente, alguns Estados membros não estão a agir de forma honesta. É aqui que surge o problema. Porque é que eu digo isto? Porque estão a tentar bloquear a Turquia com condições que não existem no acervo comunitário. Isto está errado. Temos de manter em mente que nós, os líderes, somos mortais, as nações não. Uma aproximação negativa de um líder face a outro país pode influenciar negativamente a percepção que o povo desse país tem do seu líder.

Euronews: Refere-se ao presidente francês, Nicolas Sarkozy?

Erdoğan: Sim, o presidente Sarkozy provoca coisas que não são fáceis de compreender. Mas pouco importa o que fazem ou o género de obstáculos que levantam, vamos continuar a avançar com paciência. Haverá de certeza um final. Será o momento em que todos os Estados membros da União Europeia vão dizer: “Nós não aceitamos a Turquia. Não vamos parar até que digam isso. "

Euronews: Pensa que as diferenças religiosas e culturais estão na origem da posição negativa de alguns líderes europeus?

Erdoğan: A União Europeia não se deve transformar num clube cristão. A UE não deve participar numa campanha de islamofobia. Devemos avisar qualquer país que o faça. Por agora, como primeiro-ministro da Turquia, sou um líder que condena abertamente o anti-semitismo e considero-o um crime contra a humanidade. Mas também sou sensível quando se trata de islamofobia. Porque sou muçulmano e nunca poderei tolerar o anti-islamismo. Como muçulmano, vou defender a minha posição sempre que necessário. Ninguém pode associar o islão com o terrorismo. Eu, como muçulmano e primeiro-ministro da República turca, não posso dizer sim a alguém que se atreve a fazê-lo.

Euronews: O que vai acontecer se fracassarem as negociações de reunificação de Chipre? O que espera de Bruxelas e da União Europeia?

Erdoğan: Até agora, a União Europeia também não foi honesta sobre a questão de Chipre. Sessenta e cinco por cento dos Cipriotas turcos disseram sim ao plano Annan. O que é que aconteceu no sul? Setenta e cinco por cento disseram não. Agora, quem é que é honesto neste quadro? O norte de Chipre. A União Europeia tem uma grande responsabilidade no actual bloqueio em Chipre. Foi um erro histórico aceitar Chipre na União Europeia.
Gerhard Schroeder criticou duramente a política da UE ao dizer que “o norte de Chipre foi tratado de forma imoral”. Angela Merkel diz “cometemos um erro ao aceitar o sul de Chipre”. É o que dizem. Agora vemos que defendem o sul de Chipre.
Além disso, chamar Chipre ao sul de Chipre é outro erro político. Porque no norte, há um outro Estado que está em conflito com o sul. E nós, Turquia, reconhecemos o Estado do norte. Não fazemos especulações com esse Estado. Outros talvez. Não é importante para nós.
Os Estados membros da União Europeia devem lembrar-se do erro que cometeram. Vai ficar escrito assim nos livros de história.

Euronews: Pensa ver a ilha de Chipre reunificada nos próximos anos?

Erdoğan: O sul de Chipre sempre evitou uma abordagem directa. Neste ponto, a União Europeia tem de avisar o sul de Chipre. Não é um segredo que o processo de paz foi feito refém.

Euronews: Pensa que será necessário muito mais tempo para resolver a questão?

Erdoğan: Estamos a esforçar-nos para resolver a questão este ano e queremos que seja resolvida sob a égide da ONU. Podemos fazê-lo envolvendo todas as partes. As cinco. Quero dizer o norte e o sul de Chipre, a Turquia, a Grécia e o Reino Unido. Podemos resolver isto juntos.
Há alguns dias, Gordon Brown telefonou-me e perguntou-me o que é que eu queria dizer com “juntos”. Não é um problema para nós. Podemos reunir-nos e falar. O importante nesta questão é ser honesto. Se começamos o processo como Estado garantidor, temos de saber quais são essas garantias.
Esperamos que este dossiê seja resolvido este ano.

Euronews: Sobre a questão curda deu um passo histórico. Preparou um plano, um projecto, para a resolver. Actualmente, como vê esse processo?

Erdoğan: Esse é um dos pontos mais importantes da agenda nos últimos dias. Mas se lhe chamamos questão curda então estamos a minar, a enfraquecer o projecto.
O plano está ligado à unidade nacional, à amizade, não diz respeito só aos Curdos. É uma iniciativa democrática e a questão curda é apenas um dos problemas étnicos. Mas, infelizmente, fomos mal compreendidos pela sociedade ocidental.
Se considerarmos apenas a questão curda, individualmente, estamos a desrespeitar os outros grupos étnicos que fazem parte da Turquia e da nação turca. Este projecto abrange todos e estamos a trabalhar também para outros grupos étnicos.

Euronews: Como vê as relações entre a Turquia e Israel no futuro? Depois de tudo o que aconteceu, ainda pensa que a Turquia pode fazer de mediador entre Israel e a Síria e outros Estados árabes?

Erdoğan: Perder um amigo como a Turquia é algo que tem de levar Israel a reflectir. A forma como trataram o nosso embaixador não tem um equivalente na política internacional. Fizemos o nosso melhor nas relações de Israel com a Síria, mas agora vemos Benjamin Netanyahu que diz que não confia em Erdoğan, mas em Sarkozy. Temos de dar um nome a isto? Trata-se também de falta de experiência diplomática. Porque quando se diz algo do género… como é que eu posso confiar em si se você não confia em mim?
Actualmente, temos importantes acordos a avançar. Como é que seria possível manter esses acordos se há um clima de desconfiança?
Penso que Israel teria uma melhor visão das relações com os vizinhos se fosse uma potência mundial.

Euronews: Recentemente, o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Avigdor Liberman, acusou-o de estar na origem das tensões entre os dois países e acusou-o de anti-semitismo. Agora, quando olha para trás, como é teria gerido este incidente? Sente que poderia tê-lo gerido de forma mais diplomática?

Erdoğan: Estou a dizer a verdade… e continuarei a fazê-lo... A Turquia é um país com muita história e temos de ter cuidado quando se fala a um tal Estado…
Quando civis inocentes são mortos de forma brutal, atingidos por bombas de fósforo, quando infra-estruturas são destruídas por bombas, quando as pessoas são forçadas a viver numa prisão ao ar livre não é possível associar tudo isto com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, simples direitos humanos. Não podemos fechar os olhos a tudo o que se passou.

Euronews: Ancara irritou-se com a interpretação feita pelo Tribunal Constitucional arménio dos protocolos turco-arménios que visam normalizar as relações entre os dois países. Face a estes desenvolvimentos, qual será o impacto da política turca em relação a estes acordos?

Erdoğan: Bem, aparentemente, o início não é o melhor. E depois o que é que estamos a negociar? O que vamos fazer? A Arménia também deve voltar a ter isso em consideração. Porque nós, Turquia, respeitamos os nossos compromissos face aos protocolos. Ambas as partes têm um roteiro. Isto vai avançar. Estamos prontos para isso. Somos sinceros e continuaremos a avançar tal como o fizemos até agora.

14 outubro 2009

Relatório anual sobre o alargamento não poupa críticas à Turquia

A Comissão Europeia fez o ponto da situação sobre o alargamento da União Europeia e não poupou críticas à Turquia. O relatório anual, publicado esta quarta-feira, denuncia os ataques à liberdade de expressão e imprensa.
Em causa está a pesada multa ao grupo Doğan Yayın, como explica Olli Rehn, comissário europeu para o Alargamento: “Há uma preocupação face à multa, pois quando esta equivale ao valor anual de negócios da empresa, não se trata apenas de sanção fiscal, mas assemelha-se mais a uma sanção política”.
O grupo Doğan é proprietário de metade dos media privados turcos e foi multado em 2,2 mil milhões de euros por fraude fiscal. A empresa fala de perseguição devido às críticas que faz ao governo.
Gusen Ozalp, correspondente do jornal Milliyet, do grupo Doğan, defende: “É a pior parte do relatório. Podemos dizê-lo porque é a primeira vez que a Comissão Europeia acusa a Turquia em relação à liberdade de imprensa e isso é uma mancha. Dizem claramente que há uma pressão política sobre a imprensa. Não é bom para a candidatura da Turquia porque, como sabem, a liberdade de imprensa é um dos princípios fundamentais da União Europeia”.
Ancara é criticada também pela ausência de progresso nas reformas políticas e constitucionais, na defesa das minorias, como os Curdos, ou das mulheres face à violência doméstica e aos crimes de honra.
Temas que não são inéditos, como reconhece Bahadir Kaleağası, chefe do patronato turco em Bruxelas: “A maioria das críticas presentes no relatório já são alvo de um intenso debate na imprensa e na sociedade civil turca. Nós como homens de negócios sempre pusemos estes assuntos no topo da agenda turca”.
Mas nem tudo é negro. Bruxelas saudou os acordos históricos de reconciliação assinados entre a Turquia e a Arménia no passado fim-de-semana na Suíça.
Impasse ainda em torno do conflito sobre Chipre. Ancara continua a recusar abrir portos e aeroportos aos Cipriotas-gregos, mas este ano Bruxelas não impôs mais sanções para deixar avançar as difíceis negociações sobre a reunificação de Chipre iniciadas há um ano.

(Fonte: Euronews)

13 outubro 2009

Chipre e Turquia cancelam manobras militares para facilitar negociações

O Chipre e a Turquia cancelaram manobras militares que tinham previsto levar a cabo em Outubro, manifestação de um novo entendimento que visa facilitar as negociações sobre a reunificação da ilha, anunciou hoje fonte governamental.
O Governo do Chipre anunciou hoje a suspensão dos exercícios "Nikiforos" da Guarda Nacional em resposta à anulação por parte da Turquia de manobras conjuntas com a autoproclamada República Turca do Norte do Chipre.
Ancara anunciou hoje a suspensão dos exercícios, que se realizam todos os anos em Outubro, pretendendo com isto criar um clima mais favorável às negociações entre Gregos e Cipriotas turcos, retomadas em Setembro passado, com a intenção de acabar com os 35 anos de divisão da ilha mediterrânica.

(Fonte: Lusa)

02 outubro 2009

Ancara pede adesão à UE "o mais rápido possível"

O comissário europeu para o Alargamento assegurou hoje "não haver datas" para a adesão da Turquia, depois do ministro turco dos Negócios Estrangeiros ter advogado a entrada de Ancara "quanto antes". O ministro Ahmet Davutoğlu avisou que "2015 seria demasiado tarde".
Numa conferência de imprensa conjunta, na sede da Comissão Europeia (CE), o comissário Olli Rehn aconselhou a Turquia a resolver as suas carências em matérias como o respeito dos direitos fundamentais e da liberdade de imprensa para continuar o seu caminho rumo à adesão.
Antes, Davutoğlu manifestara descontentamento pela desaceleração das negociações, abertas em 2005, e defendera a entrada da Turquia na UE "o mais rápido possível".
"Mesmo 2015 seria demasiado tarde, não só para nós, como para a União Europeia (UE)", realçou.
Questionado sobre estas declarações, o comissário para o Alargamento lembrou que "não há datas para o acesso de nenhum país", já que não é possível saber antecipadamente quando é que um candidato vai cumprir as condições para harmonizar a sua legislação ao acervo comunitário.
Além disso, tanto a França como a Alemanha advogaram conjuntamente um estatuto especial para Ancara que não inclua a integração plena.
Outro dos obstáculos com que se depara a Turquia tem a ver com o seu contencioso territorial com um dos parceiros comunitários, Chipre, impedido de aceder aos portos e aeroportos turcos.
Em Paris, entre 200 e 250 membros da diáspora arménia atrasaram hoje a cerimónia de deposição de uma coroa de flores pelo presidente arménio, Serge Sarkissian, em protesto contra a aproximação em curso entre Erevan e Ancara.
Precisamente hoje, o outro candidato a entrar na UE desde 2005, a Croácia, retomou as negociações de adesão, depois de quase um ano de paralisação devido ao conflito fronteiriço com a vizinha Eslovénia.
(Fonte: Lusa/Diário de Notícias)

Turquia recusa abrir portos e aeroportos a Cipriotas gregos

O ministro turco dos Negócios Estrangeiros recusou hoje abrir os portos e os aeroportos aos Cipriotas gregos, apesar de um ultimato europeu, e expressou impaciência perante a lentidão das negociações sobre a adesão da Turquia à União Europeia.
Ahmet Davutoğlu, que falava em Bruxelas, onde decorrem consultas diplomáticas sobre a adesão da Turquia à UE, faz depender a abertura dos portos e aeroportos turcos de um acordo nas negociações de paz entre as comunidades grega e turca da ilha de Chipre.
"O reconhecimento dos Cipriotas gregos não é possível para nós se a questão do Chipre não estiver resolvida", disse o ministro.
A União Europeia deu a Ancara um prazo até ao fim de 2009 para adoptar todas as medidas necessárias para alargar o acordo aduaneiro UE-Turquia aos Estados membros que entraram na UE em 2004, como o Chipre.
As negociações de adesão da Turquia são difíceis devido ao não reconhecimento por Ancara da República de Chipre, membro da UE.
Oito capítulos do processo de adesão estão congelados desde Dezembro de 2006 devido à recusa da Turquia em autorizar navios e aviões cipriotas a acederem aos portos e aeroportos turcos.
A Comissão Europeia deverá divulgar a 14 de Outubro um relatório muito aguardado sobre a Turquia, que avaliará os esforços de Ancara.

(Fonte: Lusa/Diário de Notícias)

Turquia é tema obrigatório na campanha eleitoral grega

A "questão da Turquia", que gerou algumas posições de consenso entre os principais rivais políticos, constituiu tema obrigatório da campanha eleitoral para as eleições legislativas de Domingo na Grécia.
A dimensão do país vizinho e o problema da imigração, o prolongado contencioso no Mar Egeu e em Chipre ou o processo de adesão turca à União Europeia (UE) voltaram a animar o debate.
Apesar do processo de reaproximação entre Atenas e Ancara, iniciado em finais de 1999 na sequência do terramoto que atingiu a capital turca, permanecem pontos de tensão que voltaram a emergir durante a campanha.
Em 14 de Setembro, um helicóptero da Lituânia que sobrevoava o Mar Egeu recebeu uma mensagem rádio de um radar turco, que pedia para se retirar da "zona aérea turca". Os pilotos, envolvidos no programa de coordenação operacional das fronteiras externas da UE (FRONTEX), ignoraram a mensagem. Um comunicado oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros grego informou depois que o aparelho tinha localizado um barco que transportava imigrantes ilegais para a ilha grega de Farmakonisi, enquanto um navio-patrulha turco era detectado na área, em águas territoriais gregas.
Terá sido a sexta vez que a Turquia emite sinais de emergência por radar dirigidos a aparelhos que sobrevoam o Mar Egeu. E as acusações sobre frequentes violações do espaço aéreo grego, a intercepção de aviões de combate gregos por caças turcos ou as acusações de "cumplicidade" no tráfico clandestino de imigrantes implicaram, nos últimos meses, novo aumento da tensão entre Atenas e Ancara.
Esta "guerra de nervos" não tem contudo impedido o prosseguimento do diálogo bilateral. No decurso da campanha para as eleições do próximo Domingo, o líder conservador da Nova Democracia (ND) e primeiro-ministro, Costas Karamanlis, manifestou o apoio da Grécia à "orientação europeia da Turquia", numa referência ao complexo processo de negociações de adesão de Ancara à UE, iniciado oficialmente em Outubro de 2005.
Sublinhou ainda que a Turquia "deve honrar os seus compromissos" e alertou que "o ponto-chave para o prosseguimento das negociações está em Dezembro próximo", numa referência ao aguardado relatório da União sobre o estado das conversações de adesão.
O governo grego tem exigido à Turquia o respeito pelo acordo de 2001 sobre o repatriamento de imigrantes clandestinos, a aplicação do acordo europeu sobre imigração e asilo e o fim da protecção aos traficantes ilegais.
Já o líder socialista do PASOK, George Papandreou, apontado pelas sondagens como o futuro primeiro-ministro, criticou a política externa do país face à Turquia, numa referência ao contencioso fronteiriço no Mar Egeu, a violação do espaço aéreo do país ou a questão cipriota.
Contudo, o antigo ministro grego dos Negócios Estrangeiros, cargo que exerceu durante dez anos no último executivo dos socialistas, assegurou que em caso de vitória do PASOK "o governo não acenará com o seu direito de veto face à marcha europeia da Turquia".
Restam no entanto questões decisivas por solucionar, desde o eterno diferendo em torno da plataforma continental no Mar Egeu, do espaço aéreo grego, do estatuto militar das ilhas do Leste do Egeu, que necessitam de um regulamento legal e definitivo, até ao problema de Chipre. Que também envolve os dois vizinhos rivais.

(Fonte: Diário de Notícias)

27 agosto 2009

Rasmussen: Grécia e Turquia comprometem cooperação NATO-UE

A falta de cooperação entre Grécia e Turquia pode pôr em risco as operações da NATO no Afeganistão. Esta foi a mensagem que Anders Fogh Rasmussen transmitiu ao executivo grego durante a visita desta quinta-feira a Atenas.
O novo secretário-geral da NATO tentou sensibilizar o executivo helénico para as consequências dos diferendos com a Turquia nas relações entre Aliança Atlântica e União Europeia.
O ex-primeiro-ministro dinamarquês referiu que não tem sido possível concluir um acordo de segurança entre a NATO e a UE e que a falta de um acordo pode pôr em risco as forças de segurança no terreno.
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte desloca-se em seguida à Turquia para uma visita de 48 horas.
Durante os dois dias, Anders Fogh Rasmussen vai sensibilizar as autoridades turcas para a mesma questão, mas aqui deverá uma tarefa bem mais complicada já que a Turquia sempre se opôs à sua nomeação para o cargo de secretário-geral da NATO.
O não reconhecimento por parte da Turquia da República de Chipre está na origem do diferendo entre Atenas e Ancara.

(Fonte: Euronews)

03 junho 2009

Rejeição da adesão turca utilizada como argumento eleitoral

A Turquia (72,5 milhões de habitantes), candidata à UE desde o Conselho Europeu de Helsínquia em 1999, iniciou as negociações de adesão em Outubro de 2005 e em 2008 o Conselho aprovou uma revisão da parceria de acesso, mas os principais dossiers permanecem estagnados ou ainda não foram iniciados.
Contudo, a Turquia possui uma longa tradição de contactos com as instituições europeias. Em 1963, a então Comunidade Económica Europeia (CEE) assinou com Ancara um acordo de associação para o estabelecimento progressivo de uma união aduaneira. Em Dezembro de 2006, e devido à recusa de Ancara em aplicar à República de Chipre o protocolo adicional do acordo de associação, o conselho europeu decidiu bloquear a abertura de oito capítulos negociais considerados “relevantes”.
Deste modo, a adesão turca também está intimamente relacionada com a questão de Chipre, sobretudo após a integração da República de Chipre (a “parte grega” da ilha, internacionalmente reconhecida) no grande alargamento de 2004. Nesta ilha dividida do Mediterrâneo oriental aumentam os receios de uma separação de facto das duas entidades cipriotas, sobretudo após a vitória da corrente nacionalista nas eleições que decorreram na auto-denominada República Turca de Chipre do Norte (RTCN), apenas reconhecida por Ancara e ocupada por forças militares turcas desde a invasão de 1974. Um argumento de peso que as autoridades da Turquia sempre utilizarão no seu processo negocial com Bruxelas.
As negociações com Ancara prosseguem a um ritmo muito lento, não apenas devido à actual e aparente falta de entusiasmo da parte turca, mas também pelos sinais emitidos por países decisivos da União: em Abril passado, o presidente francês Nicolas Sarkozy voltou a opor-se à adesão turca, enquanto a chanceler alemã Angela Merkel manifestava preferência por uma “parceria privilegiada” com Ancara, em alternativa à adesão plena.
O sentimento anti-adesão reforça-se em simultâneo na Europa e na Turquia, e não apenas entre os sectores ultra-nacionalistas, que também criticam a “hipocrisia” em torno de uma solução para Chipre.
Analistas têm notado que os políticos europeus conservadores estão a utilizar a questão da adesão turca como um argumento eleitoral para compensar os efeitos da persistente crise económica e o seu próprio desgaste político. Contudo, em Ancara considera-se que o líder francês e a chanceler alemã estão a violar os compromissos legais da UE em relação à Turquia.
Apesar de o tom anti-turco poder diminuir após as eleições europeias de 7 de Junho, receia-se que estas declarações provoquem um impacto de longo prazo na perspectiva de integração e comprometam o apoio público na Europa para a adesão. Numa recente entrevista, Sarkozy considerou que “o alargamento da Europa não pode prosseguir para sempre, e não devemos dar à Turquia mais falsas promessas”.
Neste contencioso, todos os argumentos são válidos. Durante a recente cimeira de Abril dos 28 Estados-membros da NATO em Estrasburgo (Croácia e Albânia foram integradas na organização), a Turquia colocou fortes objecções à eleição do novo secretário-geral e ex-primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmunssen, opositor da entrada da Turquia na União e que irritou os muçulmanos ao apoiar o direito de caricaturar o profeta Maomé.
As reticências de Ancara face à designação do novo secretário-geral da NATO, depois retiradas após cedências mútuas, suscitaram perplexidade nas capitais europeias e colocaram uma questão simples: se um país com o peso e a dimensão da Turquia adoptou esta atitude na cimeira dos aliados atlânticos, que comportamento poderá demonstrar na qualidade de estado membro de pleno direito da UE?
Em paralelo, a iniciativa da União para uma nova parceria a leste, que inclui os três estados do Caúcaso (Arménia, Azerbaijão e Geórgia) e ainda Bielorrússia, Ucrânia, Moldávia, colide com uma zona geoestratégica de “interesse vital” para Ancara e Moscovo. Assim, e como também tem sido sublinhado, as políticas da UE face à Turquia e Rússia nunca poderão deixar de estar presentes quando se impulsionarem as relações com os países incluídos na parceria a leste.
Com os vizinhos “não-europeus” do sul (um vasto arco mediterrânico que se estende de Marrocos à Síria) foi também decidido reforçar a cooperação através de uma iniciativa paralela, a união para o Mediterrâneo, que ocorreu durante a presidência francesa (Julho de 2008).
A política de vizinhança a sul abrange um vasto leque de países da orla do Mediterrâneo: Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egipto, Israel, território palestiniano ocupado, Líbano, Jordânia e Síria. Para além de uma parceria e acordo de cooperação com o Iraque.
A situação geográfica destes países exclui-os de qualquer perspectiva de adesão plena.

(Fonte: Açoriano Oriental)

15 novembro 2008

Vinte cinco anos de divisão do Chipre

O dia que marca os 25 anos de divisão do Chipre (15/11/2008) leva na Europa a reflexões a respeito de uma possível reunificação do país. Há movimentos tanto no sul grego, quanto no norte turco, em prol do fim da fronteira entre as duas partes.
Desde 1960 um Estado soberano, o Chipre foi, de facto, dividido em 1974. O sul mantém a sua condição de representante oficial da originária República Cipriota e é, como tal, membro da União Europeia. A parte norte do país teve a sua independência declarada a 15/11/1983 sob o nome de "República Turca do Norte do Chipre" – uma autonomia até hoje não reconhecida por nenhum país do mundo, excepto pela própria Turquia, que mantém a região sob controle com um contingente de mais de 50 mil soldados.
Aos olhos dos Cipriotas de origem grega, trata-se de um regime de ocupação. Para boa parte dos Cipriotas de origem turca, esta é a única garantia de que a minoria turca não seja completamente oprimida pela maioria de origem grega. As esperanças de uma reunificação por ocasião do ingresso do Chipre na UE caíram por terra. O conflito persiste até hoje, 25 anos depois da divisão.

(Fonte: Deutsche Welle)

23 julho 2008

Chipre: negociações para a reunificação da ilha retomadas em Setembro

Os líderes grego e turco da ilha dividida de Chipre vão começar as conversações de paz em Setembro, adiantou hoje em entrevista à CNN Turquia o chefe cipriota turco Mehmet Ali Talat. 

As negociações têm como objectivo pôr fim a um conflito que se arrasta há décadas e que impede a parte turca da ilha dividida de se juntar à União Europeia. 

No início deste mês, o Presidente cipriota grego, Demetris Christofias, tinha já indicado que os líderes cipriotas turco e grego iriam decidir no dia 25 de Julho reatar as negociações directas de reunificação.

“Elas [as negociações] vão começar em Setembro”, afirmou Talat quando questionado acerca da data e da eventualidade das negociações. 

A ilha do Mediterrâneo ficou dividida depois da invasão turca de 1974 em resposta a um breve golpe de Estado de inspiração grega. 

O sul da ilha, controlado pela parte grega, está integrado na União Europeia, ao passo que a parte norte está de fora do grupo dos 27. 

As negociações de paz pela reunificação da ilha estão empatadas há quatro anos e desde a sua eleição, em Fevereiro, que Christofias já manteve vários encontros com Talat a fim de retomar as conversações.

Christofias é encarado como mais conciliador que o seu predecessor Tassos Papadopoulos. 

Quer os Gregos quer os Turcos concordam com uma federação comunal de duas zonas mas diferem na maneira de o fazer.

(Fonte: Público / Reuters)

18 abril 2008

Chipre: retomadas conversas sobre reunificação

Um novo processo sobre a reunificação do Chipre foi retomado hoje em Nicósia sob mediação da ONU, com uma rápida cerimónia e com o início do trabalho preparatório por delegações das duas comunidades que dividem a ilha desde 1974: a greco-cipriota e a turco-cipriota.
A enviada especial da ONU Elizabeth Spehar lembrou a "histórica" abertura da rua Ledras em Nicósia no dia 3 pela primeira vez desde 1974, como "um sinal para uma solução aceitável sobre o problema de Chipre", ressaltou. "Acredito que hoje temos outro novo sinal positivo", acrescentou a alta funcionária internacional."
A cerimónia de hoje constitui um início bem sucedido", disse o representante turco-cipriota, Ozdil Nami, que destacou que "o que não foi conseguido em 20 meses foi alcançado em 20 dias".
Georgios Iacovou, delegado greco-cipriota nas conversas de hoje, qualificou de "histórico" o momento vivenciado por Chipre, e expressou o seu desejo de que o trabalho dos grupos de negociação e dos comités técnicos "seja um passo em direcção à reunificação da ilha".
Após os discursos, foi dado sinal verde para as reuniões de seis grupos de trabalho e sete comités técnicos integrados por delegados e especialistas de ambas as comunidades, no antigo aeroporto de Nicósia, onde actualmente está a sede da missão da ONU em Chipre.
O trabalho desses grupos centrar-se-á em assuntos quotidianos relacionados com o problema da divisão da ilha e na preparação das negociações que deverão ser retomadas ao mais alto nível.
O Chipre está dividido desde que o Exército turco invadiu a sua parte norte em 1974, após um golpe de Estado nacionalista greco-cipriota que contava com o apoio do então regime militar de Atenas. A República do Chipre, de maioria grega e que ocupa dois terços da ilha, é reconhecida pela comunidade internacional, e desde 2004 é membro da União Europeia (UE), enquanto que a autoproclamada República Turca do Norte do Chipre, presidida por Mehmet Ali Talat, só é reconhecida pela Turquia.

(Fonte: EFE)

10 abril 2008

Durão Barroso avisa Turquia que proibição do partido do Governo terá consequências

Durão Barroso vai hoje e amanhã levar à Turquia uma mensagem de encorajamento das reformas necessárias para a adesão à União Europeia (UE), a par de um alerta implícito sobre o risco de interrupção do processo, em caso de proibição do partido AKP, no poder.
Para o presidente da Comissão Europeia, que decidiu manter uma visita prevista há longa data a Ancara e Istambul, apesar da crise político-institucional, "a Europa só pode aceitar uma Turquia democrática", com "um consenso sobre os valores democráticos", afirmou ontem. A análise em curso no Tribunal Constitucional de uma proposta de interdição do partido islamista moderado AKP e de mais de 70 dos seus membros, incluindo o primeiro-ministro, Recep Tayip Erdoğan, e o presidente da República, Abdullah Gül, acusados de querer criar um Estado islâmico, é "pelo menos fora do comum", afirmou Barroso. "Não é normal que um partido escolhido pela maioria do povo turco esteja sob este tipo de investigação." A Europa quer "uma Turquia secular e democrática" , insistiu, e não é possível "impor o secularismo pela força".
A visita, a terceira de um presidente da Comissão - depois de Walter Hallstein, nos anos 1960 e de Romano Prodi, em 2004 -, pretende marcar o apoio europeu à adesão de Ancara. Isto, através do "encorajamento das reformas" necessárias para alinhar a Turquia com as normas e valores da UE: liberdade de expressão, melhoria do controlo do poder político sobre o militar, garantia dos direitos e liberdades da minoria curda e das minorias religiosas ou luta contra a corrupção. Particularmente importante será a supressão do artigo 301 do Código Penal, que criminaliza os propósitos "antiturcos" e que já levou a tribunal vários intelectuais, incluindo o escritor e prémio Nobel Orhan Pamuk. Frisando que este artigo é "incompatível com a liberdade de expressão" defendida pela UE, Barroso considerou "um passo na direcção certa" a proposta para a sua alteração apresentada esta semana por deputados do AKP.
Para a UE, as reformas são cruciais para permitir o avanço das negociações de adesão, iniciadas em Outubro de 2005. Desde então, os 27 só abriram as conversações (obrigatoriamente por unanimidade) em seis dos 35 capítulos do direito comunitário (estatísticas, controlo financeiro, investigação científica, política industrial, protecção dos consumidores e redes transeuropeias). Barroso conta confirmar durante a visita a abertura, antes de Junho, de dois novos capítulos (direito das empresas e propriedade intelectual), e de mais dois ou três até ao fim do ano (como a energia ou a educação). Oito capítulos, ligados aos transportes e livre circulação de mercadorias, permanecerão congelados, enquanto a Turquia não abrir os portos e aeroportos aos navios e aviões de Chipre, um passo que Ancara condiciona à resolução do problema da divisão da ilha entre as comunidades grega e turca. O tom mais moderado assumido pelo novo presidente da República cipriota, Demetris Christofias, abriu uma nova fase de esperança nas negociações para a reunificação da ilha, que, a confirmar-se, impulsionará as aspirações de Ancara.
A adesão de Ancara continua a contar com a oposição da França, Chipre, Áustria, ou, de forma mais discreta, da Alemanha. Paris, que presidirá à UE no segundo semestre deste ano, aceita a abertura dos capítulos que permitam desembocar numa "parceria privilegiada", a solução que prefere à plena integração de Ancara. Ao invés, os Franceses recusam negociar questões expressamente ligadas à adesão, como a agricultura, política regional, orçamento, instituições ou união económica e monetária.

(Fonte: Público)

04 abril 2008

Chipre: Ban Ki-moon saúda abertura da Rua Ledra

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU) saudou hoje a abertura da Rua Ledra no centro de Nicósia dividida, que classificou de "símbolo de um novo clima de esperança" para a reunificação insular.
Um comunicado distribuído na sede da ONU em Nova Iorque destaca que esta artéria em pleno centro da capital cipriota foi encerrada em 1963, quando se começaram a agudizar as hostilidades entre as comunidades cipriotas grega e turca, escassos três anos depois da independência do Reino Unido.
O texto sublinha a determinação da ONU em contribuir para o "delicado processo" negocial recentemente retomado pelas partes, para a reunificação da ilha.
A Rua Ledra liga as partes grega e turca de Nicósia, através da "linha verde" (zona tampão) da ONU.
Chipre está dividido desde 1974, ano das duas invasões militares consecutivas da Turquia, para impedir a anexação à Grécia - como pretendiam golpistas cipriotas-gregos - e a "limpeza étnica" dos cipriotas-turcos por um grupo terrorista ultra-nacionalista helénico (EOKA-B).
O contencioso ficou desbloqueado com a eleição, há dois meses, do novo presidente cipriota, Demetris Christofias, que se reuniu com o líder cipriota-turco Mehmet Talat a 21 de Março, anunciando o reatar das negociações para Junho.

(Fonte: RTP)

Chipre: Aberta passagem simbólica em Nicósia

Um novo ponto de passagem encerrado há 45 anos foi ontem aberto no centro de Nicósia, a última capital dividida do mundo, assinalando uma etapa simbólica nos esforços de reunificação de Chipre.
Representantes das edilidades cipriota grega e turca assistiram à cerimónia de abertura do novo ponto de passagem na zona tampão de Nicósia, administrada pela ONU, que separa o norte e o sul da capital.
A vedação metálica que impedia o acesso à terra de ninguém do lado cipriota-grego de Nicósia foi retirada antes do amanhecer.
Em Março de 2007, as autoridades cipriotas-gregas demoliram o muro que separava os dois sectores norte e sul para o substituir por uma simples vedação em chapa metálica, dois anos depois do derrube do muro no sector turco.
Foi esta vedação, bem como um posto de guarda anexo, que foram desmantelados por uma dezena de soldados na rua Ledra, uma popular rua pedonal de comércio e cafés na parte antiga da dividida capital.
As barreiras desta rua foram a primeiras a ser erguidas em Nicósia na sequência das violências entre as duas comunidades cipriotas em 1963.
Estes incidentes levaram no ano seguinte à intervenção da ONU, que desde então mantém forças estacionadas na ilha.
Chipre está dividida desde 1974, após uma invasão da Turquia em resposta a um golpe de Estado de apoiantes da junção de Chipre com a Grécia.

(Fonte: RTP)

11 março 2008

Grécia e Turquia saúdam "nova oportunidade" para reunificar Chipre

As diplomacias grega e turca, mostram-se unidas, no apoio à retoma das discussões sobre a reunificação de Chipre. A dias de um primeiro encontro entre os líderes das duas metades da ilha, a ministra dos Negócios Estrangeiros grega reuniu-se com o seu homólogo turco, em Ancara. Para os dois responsáveis, é importante aproveitar a oportunidade criada pela eleição do novo presidente cipriota grego, que quer pôr fim ao bloqueio das discussões, que dura desde 2004. O comunista Demetris Christofias, que tomou posse na passada semana, anunciou já que uma primeira reunião com o seu homólogo cipriota turco se desenrolará entre 17 e 24 de Março. Uma oportunidade para pôr fim à divisão da ilha que dura desde 1974 e que há quatro anos deixou de fora da União Europeia a metade cipriota turca. A reunião de Sábado, em Ancara, sela a reaproximação entre a Grécia e Turquia, após a deslocação histórica do primeiro-ministro grego à capital turca, no início do ano.
(Fonte: Euronews)