google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia: A Questão do Véu Islâmico
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31 outubro 2013

Deputadas entram pela primeira vez com véu islâmico no Parlamento turco

Três deputadas do partido islâmico-conservador no poder participaram hoje na sessão do Parlamento usando o véu islâmico, um facto inédito há 14 anos na Turquia.
As deputadas foram eleitas nas legislativas de 2011 nas listas do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islamita moderado) do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan.
Erdoğan aboliu recentemente a proibição de usar véu islâmico na função pública.
Em 1999, a deputada turco-americana Merve Kavakci foi ao parlamento com véu islâmico para a sua cerimónia de posse, da qual foi excluída. Posteriormente, abriu mão da nacionalidade turca.
 
(Fonte: Diário Digital)

17 maio 2009

As duas caras da moderna Turquia

No avião que segue de Istambul para Ancara viajam duas mulheres que simbolizam a Turquia actual: uma oculta o corpo enquanto amamenta um bebé recém-nascido; outra exibe os seios sem pudor numa blusa desabotoada.
O futuro do Estado, explica Can Paker, presidente da Turkish Economic and Social Studies Foundation "dependerá muito da capacidade de conciliar dois principais blocos: o secular e o de orientação islâmica". A Turquia, que Cavaco Silva visitou esta semana, "está numa encruzilhada há mais de 100 anos, mas uma coisa é certa, não se vai desviar do caminho para o Ocidente, porque este faz parte do seu ADN", acrescenta Paker, presidente e director-geral da Henkel Turkey e administrador da poderosa Sabanci Holding. Foi uma aula de política o que Paker deu a um grupo de jornalistas convidados pela Delegação da Comissão Europeia na Turquia para discutir, em Istambul e em Ancara, o processo de adesão da Sublime Porta à UE. "Este país foi estabelecido por uma burocracia civil-militar", explica. "O núcleo era uma elite e o resto camponeses. A população rural tornou-se uma classe média que se foi desenvolvendo ao mesmo tempo que a classe média da elite. O que se assiste actualmente é a uma luta de classes, não de género marxista, mas entre duas classes médias apostadas em beneficiar da prosperidade económica. "O duelo islamismo versus secularismo é, sobretudo, uma fachada", comenta Paker. Com o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, pró-islamita) a dominar o Parlamento, o Governo e a Presidência da República, o poder dos militares (a velha classe média) está a diminuir, porque aumentaram as pressões da sociedade civil e da União Europeia. O AKP, a nova classe média, "sabe que não se pode desviar da Europa" porque isso significará "o regresso da velha elite" que, neste momento, se encontra "em muito mau estado", frisa Paker. O Partido Republicano do Povo (CHP), de Deniz Baykal, "deixou de ter qualidades para deter o poder - não tem uma política económica, não tem perspectivas de política externa, só existe como protector do secularismo - é o seu argumento exclusivo. A única oposição que a Turquia enfrenta é a da União Europeia e das ONG. O AKP não enfrentará adversários enquanto satisfizer a nova classe média", que não tem vergonha nem medo de assumir religião e tradições.
Hakan Altinay, director da Open Society Foundation, admitiu que "há uma guerra cultural entre seculares e religiosos", mas, para a Europa, "os secularistas são agora o lado mau, enquanto o AKP está no campo dos bons". Apesar de todos os cidadãos "ainda não terem direitos iguais, de haver suspeitas de favorecimentos ilícitos e de outras falhas", Altinay salienta que algumas das reformas adoptadas por pressão da UE nunca pensou vê-las concretizadas no seu tempo de vida. Exemplos: a abolição da pena de morte e prisão perpétua para crimes de honra; uma televisão e uma rádio, escolas e universidades em língua curda; um chefe de Estado (Abdullah Gül) eleito apesar de um ultimato dos militares; uma mulher com veú islâmico no palácio presidencial (a primeira-dama); a exigência de estudos superiores para ingressar na polícia e no exército. Conclusão de Altinay: "A Turquia torna-se uma sociedade melhor à medida que se aproxima mais dos valores da União Europeia".

Moderna e europeia

Hugh Pope, analista do Think Tank International Crisis Group, realça que "a Turquia já é uma sociedade modernizada mas aspira a mais: quer ser europeia". Não lhe interessa ser um Estado árabe. "E não se pode voltar ao faz-de-conta: a Turquia fazer de conta que entra; a UE fazer de conta que aceita". Este ano é decisivo. Dilek Kurban, professora de Direito na Universidade de Boğaziçi, constata que "a UE está a discutir a sua identidade através do processo de adesão da Turquia. O que é ser europeu? Interessante, porque os muçulmanos já lá estão e não vão desaparecer". Embora critique o AKP por não ter ainda eliminado a discriminação de que continuam a ser alvo as minorias, incluindo os muçulmanos alevitas, como ela, Kurban reconhece que já foi percorrido algum caminho. A televisão curda, por exemplo, "foi uma boa ideia, apesar de ter chegado com dez anos de atraso", o que permitiu aos separatistas do PKK fazer a sua propaganda através de emissoras no exterior.

Que civilização?

Paker, Altinay, Pope e Kurban depositam agora grandes esperanças na revisão da Constituição, que garantirá mais direitos e liberdades, e no desfecho do processo Ergenekon - nome de uma organização clandestina, que incluiria generais, juízes, políticos e jornalistas, alegadamente envolvida numa conspiração para derrubar o Governo. "Nos anos 90, estas pessoas, ligadas ao Exército, matavam nacionalistas curdos e agora estão na cadeia", diz Hugh. "Eu acredito que será investigado o que se passou no Sudeste da Anatólia, que valas comuns serão abertas e que os responsáveis serão castigados", confia Kurban. Na sede do CHP, o partido criado por Mustafa Kemal Atatürk, a decepção é visível no rosto envelhecido de Onur Öymen, o vice-presidente, de voz e mãos trémulas. "Não podemos defender os nossos valores desde que o AKP governa sozinho [foi um terramoto político a primeira vitória eleitoral que dispensou uma coligação], por isso pedimos ajuda aos nossos amigos europeus para travar as ameaças ao secularismo. A Turquia não pode entrar na UE se não for uma república secular." Sobre o caso Ergenekon, denuncia escutas ilegais e detenções sem culpa formada. "Este é o mais grave processo em curso na Turquia", queixa-se. "Ninguém sabe quando e como vai acabar." Öymen não parece ver nada de positivo nas políticas do AKP: acusa-o de limitar a liberdade de imprensa, critica a aproximação à Arménia (porque "hostilizou o aliado Azerbaijão") e condena as boas relações com o Irão, o Sudão e o Hamas. Opõe-se também à participação da Turquia na Aliança das Civilizações. "Que civilização?", interroga. "Não fazemos parte da mesma, ou deixámos de ser europeus para ser islâmicos?"

(Fonte: Público)

27 fevereiro 2009

Falar Curdo no Parlamento turco


O líder do Partido da Sociedade Democrática, ou DTP, Ahmet Türk, chocou o país esta semana, ao falar Curdo no Parlamento turco. Numa sessão parlamentar, ele lembrou que no dia 21 de Fevereiro se celebrava o "Dia Internacional da Língua Materna", e depois começou a discursar na sua língua, o Curdo. De imediato, os media reportaram o incidente como notícia de última hora. A TRT 3, o canal público que transmite em directo as sessões parlamentares, parou de imediato a emissão. O presidente do Parlamento, Köksal Toptan, frisou que era contra a Constituição a utilização de outra língua que não o Curdo no Parlamento. Os líderes da oposição criticaram não só Ahmet Türk, mas também o Governo (AKP), que vêem como um colaborador na causa pró-curda.
A opinião pública turca divide-se. Liberais, como Cengiz Çandar ou Oral Çalışlar defendem que Ahmet Türk fez bem em quebrar o tabu. Outros colunistas, tipicamente preocupados com as "fundações do regime," apresentam-se mais críticos. De acordo com Fikret Bila do diário Milliyet, o discurso de Ahmet Türk provou claramente que ele e o seu partido se dedicam a criar "dois povos" na Turquia: um Turco e outro Curdo. Segundo Bila, este foi um ataque grave ao país, que não pode ser tolerado. Esta é a posição mais bem aceite na Turquia. Identidades indesejáveis têm sido despejadas do Parlamento ocasionalmente. Para além dos golpes militares, que o fizeram totalmente, houveram dois momentos dramáticos nos anos 90. No primeiro caso, em 1994, um grupo de deputados curdos, que incluíram a controversa e famosa Leyla Zana, tentaram prestar o seu juramento em Curdo. Foram privados dos seus assentos e condenados a uma pena de prisão. Em 1999, a recém-eleita Merve Kavakçı atreveu-se a entrar no Parlamento com o véu islâmico. Centenas de deputados secularistas protestaram contra a sua presença, e esta foi levada do Parlamento. Merve Kavakçı perdeu a nacionalidade turca.

Há dois símbolos intocáveis na República turca: o secularismo, personificado pelo legado de Atatürk, e a identidade turca simbolizada pela sua língua. Com a passagem do tempo, as reacções aos "atentados" aos alicerces da República turca têm-se tornado menos intempestivas. Ahmet Türk não será "crucificado" por ter falado turco no Parlamento, o que teria sido diferente há 10 anos atrás.
A questão crucial é a seguinte: O que realmente pretende o povo curdo? Pretende fazer parte de uma Turquia democrática que respeite as suas liberdades individuais, ou está convencido de que é um povo totalmente diferente do povo turco e que precisa de um território diferente? Esta é a questão que permanece por responder e que fervilha e inquieta. O partido de Ahmet Türk, o DTP, não convence quanto ao seu real objectivo. Será que o seu plano a longo prazo é a criação de uma nação curda independente? Enquanto esse receio permenecer no ar, as reformas que podem possibilitar mais direitos ao povo curdo estão comprometidas. Talvez se no próximo discurso do DTP se ouvir falar da arte da coexistência étnica o panorama se altere.

23 outubro 2008

Protesto de estudantes turcas pelo direito de usar véu islâmico

Estudantes protestam na Turquia pelo direito de usar véu islâmico. Protesto ocorreu em frente ao campus da Universidade de Istambul. Governo tenta derrubar lei que proíbe uso do véu islâmico em universidades.

(Fonte:G1/AP)

13 junho 2008

Mulher turca pode vir a ser acusada de "insulto" a Atatürk


Um promotor na Turquia abriu uma investigação criminal contra uma mulher que disse num programa de televisão que não gosta de Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da Turquia moderna.
Nuray Bezirgan, muçulmana fervorosa que usa véu, provocou polémica na Turquia ao dizer que Atatürk é responsável pela opressão de que sofre.
"Se as pessoas me oprimimem em nome de Atatürk, então não pode esperar que eu goste dele", disse.
Nuray reclamou que os muçulmanos não têm direito de exercer a sua religião na Turquia e disse ser admiradora do Aiatolá Khomeini, que fundou a República Islâmica do Irão.
O promotor vai decidir se vai entrar com um processo contra a mulher pelo "insulto" a Atatürk. Nesse caso, ela poderá ter de cumprir até quatro anos de prisão.
Nuray Bezirgan disse na televisão não ter conseguido completar os estudos porque o uso do véu islâmico não é permitido nas universidades e instituições públicas.
Este é um assunto sensível na Turquia, num momento em que o partido AKP (no Governo) é acusado de tentar acabar com o sistema secular fundado por Atatürk, tendo apresentado como uma das suas propostas o fim da proibição do uso do véu islâmico nas universidades.
Mustafa Kemal Atatürk governou a Turquia entre 1923 e 1938 e é responsável por reformas que aboliram o sultanato no país e deram início ao Estado secular. O legado de Atatürk - como a abolição da poligamia e a substituição do direito islâmico por leis civis ocidentais - é fortemente protegido por legislações no país.

(Fonte: BBC)

06 junho 2008

Tribunal Constitucional anula lei que autorizava véu islâmico nas universidades

Primeiro-ministro turco e família

O Tribunal Constitucional da Turquia anulou uma lei do Governo que punha fim à proibição do uso do véu islâmico nas universidades do país, uma norma emblemática do laicismo do Estado turco. A decisão poderá agravar a crise política no país, numa altura em que corre uma acção pedindo a ilegalização do partido no poder por actividades anti-laicas. Os 11 juízes da mais alta instância judicial do país – e um dos bastiões do laicismo republicano – foram chamados a pronunciar-se em resposta a um recurso da oposição, que contestava a legalidade de uma alteração à Constituição adoptada em Fevereiro pela maioria parlamentar, autorizando as mulheres a entrar nas universidades com o véu islâmico. Em comunicado, os juízes sustentam que o diploma do Governo viola as disposições constitucionais referentes ao carácter laico da República, as quais, argumentam, não são passíveis de emendas legislativas. Este veredicto constitui o pior cenário para o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, que em Fevereiro apresentou esta emenda como um sinal da democratização das instituições turcas. Ao anular a emenda, o tribunal dá um sinal de que poderá, no próximo mês, dar seguimento a um processo autónomo em que a procuradoria-geral turca pede a ilegalização do AKP, no poder desde 2002, por actividades contrárias à laicidade. O recurso pede também que os 71 islamitas eleitos, incluindo o primeiro-ministro, sejam banidos da actividade política pelo período de cinco anos.

(Fonte: Público)

01 abril 2008

Tribunal Constitucional vai analisar pedido de ilegalização do partido no poder

O Tribunal Constitucional da Turquia aceitou examinar a petição entregue por um Procurador pedindo a ilegalização do partido no poder, acusado de actividades anti-laicas, e a suspensão da actividade política dos seus dirigentes, incluindo o actual primeiro-ministro.
A decisão de analisar as actividades do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) foi tomada por unanimidade entre os 11 juízes conselheiros do TC, reunidos, ontem de manhã, durante quase cinco horas na sede da instância. Foi ainda decidido, por maioria, incluir neste processo o Presidente da República, Abdullah Gül, que se desvinculou do partido desde que assumiu o cargo, mas que pertenceu durante anos aos quadros do AKP.
Em declarações aos jornalistas, o vice-presidente da instância, Osman Paksut, explicou que os juízes se limitaram a declarar que o recurso é admissível do ponto de vista formal, não tendo adoptado qualquer posição sobre o conteúdo do mesmo. Ainda assim, a iniciativa promete abrir um novo foco de tensão entre o AKP, um partido nascido nos meandros islamitas turcos, no poder desde 2002, e a elite militar e judicial do país, bastião do laicismo da República turca.
A petição no seio da discórdia foi apresentada, no passado dia 14, por Abdurrahman Yalçınkaya, procurador chefe do Tribunal de Recurso de Ancara, que acusa o AKP de se ter tornado “um foco de actividades contrárias à laicidade”, apresentando como exemplo o fim da lei que proibia o uso do véu islâmico nas universidades. Além da ilegalização do AKP, o procurador pede que 71 dos seus dirigentes sejam banidos da actividade política pelo prazo de cinco anos, incluindo Recep Tayyip Erdoğan, actual primeiro-ministro e líder do partido, e Abdullah Gül.
O tribunal vai analisar agora a questão de fundo, sendo que o AKP tem um mês para apresentar a sua defesa, um prazo que poderá ser prorrogado a pedido da formação.
Yalçınkaya apresentou a polémica petição semanas depois de o AKP, que detém maioria no Parlamento, ter aprovado uma reforma que autoriza o uso do véu islâmico nas universidades, pondo fim a uma proibição que durava há décadas. Desde então, várias universidades puseram em prática a nova legislação, mas algumas continuam a impedir as alunas de envergar o véu. Noutras instituições, os responsáveis adiantaram que vão manter a proibição até que a lei seja regulamentada, estipulando, por exemplo, se devem ser autorizados símbolos de um Islão mais radical como o chador (véu comprido que cobre a mulher dos pés à cabeça) ou a burqa (que tapa mesmo a cara).
A separação entre religião e política é um dos pilares da República turca, fundada após a I Guerra Mundial por Mustafa Kemal Atatürk, ainda que 99 por cento da população seja muçulmana.
Em 2002, a chegada ao poder do AKP, um partido conservador nascido nos meios islamitas turcos, desencadeou um conflito com as elites judiciais e militares, considerados os defensores da laicidade do Estado. Apesar de garantir que não pretende transformar a Turquia num Estado islâmico e das reformas que promoveu para aproximar o país da UE, o Governo de Erdoğan (cuja mulher enverga o véu islâmico) continua a ser acusado de ataques ao secularismo.
Na última década, o Tribunal Constitucional ilegalizou dois partidos islamitas (o Refah em 1998 e o Fazilet, em 2001), em cujos quadros militavam alguns dos actuais dirigentes do AKP.

(Fonte: Público)

17 março 2008

Partido do Governo em risco de ser encerrado


O procurador-geral do Supremo Tribunal turco solicitou na passada sexta-feira a ilegalização do Partido AKP (no poder) e a incapacidade política do presidente e do primeiro-ministro por violarem as leis que consagram o país como estado laico.
A Procuradoria tornou público o anúncio com o argumento de que o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islamista moderado) do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan "se converteu no centro das actividades contra o secularismo" ainda que sem adiantar mais pormenores.
Os media locais relacionaram esta medida com a autorização do véu islâmico nas universidades concedida pelo Governo.

O porta-voz do AKP, Dengir Mir Mehmet Firat, contestou esta acusação numa conferência de imprensa depois de uma reunião de emergência do Comité Central Executivo do partido e disse que se trata do "maior ataque contra as conquistas democráticas" da Turquia.
Além da ilegalização do partido governante, o procurador-geral do Supremo, Abdurrahman Yalçınkaya, pediu ao Tribunal Constitucional a incapacidade política do presidente da República Abdullah Gül, do primeiro-ministro e de outros 69 políticos do AKP.
Este partido foi fundado em 2001, depois de desaparecer o seu antecessor, o Partido da Virtude, proibido pelas suas actividades anti-laicas. A nova formação adoptou uma linha muito mais moderada em relação a outros partidos islamitas.
Nas últimas eleições gerais de Julho de 2007 obteve 46,7 por cento dos votos, o que lhe garantiu uma ampla maioria parlamentar.
Firat qualificou a denúncia do procurador-geral de "grande vergonha" e afirmou que desta forma sairão prejudicadas as aspirações turcas de adesão à União Europeia.
Por seu lado, o presidente Gül pediu calma aos cidadãos convidando-os a pensar se o país "ganharia algo" caso fosse levada a cabo a ilegalização do partido.
O procurador-geral tinha comentado anteriormente que o levantamento da proibição do véu para as mulheres estudantes nas universidades turcas transformaria as universidades em locais propícios à criação de grupos fundamentalistas.

(Fonte: Lusa/RTP)

12 março 2008

Continuam os esforços para inviabilizar a aprovação do véu islâmico nas universidades


O Supremo Tribunal Administrativo levantou ontem um novo obstáculo aos esforços do Governo para levantar a proibição das estudantes usarem o véu islâmico na universidade, por o considerarem um símbolo político do Islão e uma ameaça à separação do país da religião.
O tribunal garante que o YOK, corpo que supervisiona o ensino universitário turco, ultrapassou a sua autoridade ao dizer que as universidades poderiam deixar as estudantes usar o lenço, depois do Parlamento ter votado em Fevereiro algumas emendas constitucionais com o objectivo de não facilitar a proibição. Os secularistas dizem que a proibição permanece inalterada, até ao Tribunal Constitucional avaliar uma petição do principal partido da oposição na Turquia, o CHP, que rejeita as emendas e garante que elas violam a ordem secular. O Governo defende que o lenço é uma matéria da liberdade religiosa individual, mas os secularistas vêem-no como parte de uma estratégia a longo prazo do executivo para impulsionar o papel da religião na Turquia.No passado dia 9 de Fevereiro os deputados votaram a alteração à lei por 411 votos a favor e 103 contra, mesmo depois do aceso debate levantado num país maioritariamente muçulmano mas que quer cada vez mais dividir as águas entre a religião e a vida social, contando para isso com o apoio das elites militares, da justiça e do ensino e com a herança laica do fundador do Estado turco Kemal Atatürk, que conseguiu fundar a República turca, com base num sistema secularista em 1923.

(Fonte: Público)

06 março 2008

Desfile de moda islâmica em Ancara

Realizou-se no passado dia 3 de Março no hotel Sheraton, em Ancara, um desfile de moda intitulado "Moda Islâmica da Turquia".
O evento foi acompanhado por várias agências noticiosas internacionais e foi presenciado por cerca de 900 convidados. Entre eles, destacou-se o anterior presidente do Parlamento turco Bülent Arınç, militante do Partido AKP que lidera o Governo.
Algumas estudantes desfilaram com perucas, em sinal de protesto contra a não autorização do uso do véu islâmico nas universidades, facto que está a prestes a ser alterado na Constituição.
Actualmente, uma estudante com véu islâmico tem de o retirar antes de entrar na universidade. Por esse facto, muitas optam por colocar uma peruca durante a sua permanência no interior da universidade.




22 fevereiro 2008

O Presidente turco aprovou o véu islâmico nas universidades

O presidente turco Abdullah Gül aprovou uma polémica emenda constitucional que permite a utilização do véu islâmico nas universidades, informou hoje o seu gabinete.
O principal partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), tinha prometido levar a lei ao Tribunal Constitucional argumentando que é contrária aos princípios do Estado laico. Por outro lado, os responsáveis das universidades, numa declaração conjunta, advertiram no início de Fevereiro que o uso do véu pode levar a confrontos nas universidades e ao boicote de alguns professores.

14 fevereiro 2008

Manifestação contra o véu islâmico


Tradução: "A Turquia é Laica e Vai Continuar Laica"


Ver mais imagens aqui.

Ancara, 9 de Fevereiro de 2008 - Momentos do dispersar da manifestação contra o fim da proibição do véu islâmico nas universidades da Turquia. Nesta manifestação, foram detectadas e desactivadas duas bombas.

10 fevereiro 2008

Nova votação parlamentar voltou a aprovar o véu islâmico nas universidades mas a contestação continua



O Parlamento turco aprovou ontem por 411 votos a favor e 103 contra uma alteração à Constituição que põe fim à interdição do véu islâmico nas universidades do país. A decisão assinala uma mudança relevante no plano político e social na Turquia e surge num momento em que questões semelhantes se colocam em vários países europeus.

Ontem, em Ancara, votaram a favor o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), partido islamita no poder, e o Partido de Acção Nacionalista (MHP), conservador. A principal formação a votar contra foi o Partido Republicano do Povo (CHP), criado por Kemal Atatürk, o fundador da Turquia moderna. A votação no Parlamento de Ancara permite a revogação de legislação restritiva adoptada no início dos anos 90, mas que não era rigorosamente aplicada nos anos mais recentes. Um dos argumentos para a mudança foi a de que o carácter da lei afastava as crentes femininas do ensino superior. Mas, várias sondagens têm indicado que, por um lado, se dois terços dos turcos são favoráveis ao fim da interdição, por outro, a principal causa que barra o acesso feminino ao ensino superior são as provas de admissão e não o uso do véu. A decisão do Parlamento tem agora de ser ratificada pelo Presidente Abdullah Gül, um muçulmano conservador cuja mulher é também uma muçulmana devota que se apresenta sempre de véu em público. Sendo Gül um membro do AKP, não há dúvidas sobre o caminho que irá seguir. Em sentido contrário, o CHP já anunciou que vai pedir a anulação ao Tribunal Constitucional, com o argumento de que está em causa a natureza laica da República e de que este é apenas um primeiro passo para a instauração de um regime islâmico. Também o poder judicial pode desencadear mecanismos que bloqueiem esta mudança, tendo os tribunais capacidade para suscitar acções contra os partidos políticos, instrumento que poderão utilizar contra as formações que a votaram favoravelmente, consideravam ontem os analistas. Quinta-feira, o novo presidente do Supremo Tribunal, Hasan Gerçeker, no discurso da sua tomada de posse, avisou que "as reformas legais e constitucionais" não devem ser usadas "para debilitar a laicidade". Para este jurista, o que está em causa "não é o simples problema do véu", é a possibilidade de "um retorno a um sistema marcado pela superstição".

Enquanto o Parlamento votava, depois de na véspera ter discutido a questão durante mais de 12 horas, numa praça próxima manifestavam-se contra a reforma perto de cem mil pessoas, segundo estimativa da polícia. No passado fim-de-semana, outra manifestação junto ao mausoléu de Atatürk criticara a mudança.

As forças armadas turcas, que se assumem declaradamente como garante da natureza laica do regime, não se envolveram neste processo depois de, em Abril de 2007, o chefe de estado-maior general Yasar Büyükanıt ter divulgado uma nota em que lembrava aquela faceta. A dimensão política determinante da nota do general Büyükanıt é que a sua divulgação se verificou após o candidato presidencial do AKP, Abdullah Gül, falhar a eleição para o cargo numa primeira votação no Parlamento. Na época, a candidatura de Gül à Presidência, quando o AKP já detinha o Governo, era classificada nos sectores seculares como um passo na estratégia dos círculos islamitas de transformação da natureza do Estado. Gül acabaria por ser eleito depois da dissolução do Parlamento e de eleições em que o AKP emergiu como claro vencedor.


(Fonte: Diário de Notícias)

08 fevereiro 2008

O véu islâmico foi aprovado mas o debate está longe do fim


A primeira sessão parlamentar que discutiu e aprovou a suspensão da proibição do véu nas universidades reacendeu o debate na Turquia entre apoiantes e opositores da medida. O debate parlamentar, que terminou na madrugada desta quinta-feira, 7, foi tenso e esteve cercado de manifestações do lado de fora da assembleia.
A proposta, que consiste em emendar dois artigos da Constituição e um da Lei de Educação Superior, foi aprovada por 404 votos a favor, 92 contra, dois em branco e 1 inválido, embora o resultado seja provisório até à votação definitiva em segunda instância, que ocorrerá no Sábado.
Os favoráveis à modificação constitucional, o Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP, no governo) e o Partido da Acção Nacionalista (MHP), juntamente com o pró-curdo Partido da Sociedade Democrática (DTP), votaram a favor da proposta. Já os laicos Partido Republicano do Povo (CHP) e Partido da Esquerda Democrática (DSP) posicionaram-se contra a medida.
A oposição dos laicos foi tão forte que o presidente da assembleia foi obrigado a interromper a sessão num dado momento porque um deputado do DSP se negava a passar a palavra aos parlamentares rivais.
Ufuk Uras, deputado independente, votou em branco, dizendo que defende "o direito à educação das meninas com véu e dos jovens com camisas de Che Guevara ou com piercings". Advertiu relativamente aos riscos da aliança "turco-islâmica" entre islamitas moderados do AKP e ultranacionalistas do MHP.
Uma pesquisa divulgada na terça-feira por vários jornais indicou que 64,9% dos turcos aprovam a suspensão da proibição do véu e só 27,6% se opõem. A maioria (57%) acredita que se trata de uma questão de "democracia, liberdade de consciência e liberdade religiosa" e, por outro lado, 26,3% consideram a medida um "ataque contra o laicismo e o regime republicano".

(Fonte: Efe / Estadão)

07 fevereiro 2008

Parlamento turco aprovou o uso do véu islâmico nas universidades

O parlamento turco aprovou na noite de quarta para quinta-feira, numa votação final, uma polémica revisão constitucional que legaliza o uso do véu nas universidades, anunciou o vice-presidente da Assembleia, Nevzat Pakdil.
Na votação final, realizada por voto secreto, 404 votaram "Sim" e 92 "Não", o que supera os dois terços necessários (367 sobre 550) para uma modificação da Constituição, disse.
A emenda chave do projecto de revisão constitucional declara que "ninguém pode ser privado do seu direito à educação superior", numa referência às jovens turcas que usam o véu islâmico.
No total, o longo e conturbado debate em torno de um tema que suscitou fortes tensões políticas no país, durou mais de 13 horas.
Uma segunda votação está prevista para Sábado, para concluir a revisão proposta pelo Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, de raízes islâmicas, no Governo) e pelo partido da oposição nacionalista MHP.
O projecto provocou um forte movimento de resistência nos meios laicos turcos, bem como da oposição social-democrata, que afirmam que tal medida corrói os princípios laicos da Constituição da Turquia, país maioritariamente muçulmano, e que pode levar as mulheres com véu a exercer funções públicas e frequentar escolas, o que actualmente é estritamente proibido.
(Fonte: Diário Digital)

02 fevereiro 2008

Grande manifestação em Ancara contra o véu islâmico nas universidades


Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Ancara contra um projecto de levantamento da proibição do véu islâmico nas universidades, apresentado pelo Governo turco como uma reforma necessária no caminho para a adesão à União Europeia.
Entoando palavras de ordem "A Turquia é laica e continuará", "Demissão do governo" e "Somos todos soldados de Atatürk" e com bandeiras turcas, os manifestantes concentraram-se no mausoléu do fundador da República turca laica, Mustafa Kemal Atatürk.
Respondendo ao apelo de 35 associações, muitas das quais feministas, cerca de 100.000 pessoas criticaram o projecto apresentado sexta-feira no Parlamento pelo Governo de inspiração islamita.
O texto, que deverá ser votado na próxima semana, prevê o fim da proibição de uso do lenço islâmico nas universidades da Turquia, país com um regime rigorosamente laico.
"Estou muito irritada, não contra as mulheres com véu, mas contra os que querem tapar com um véu os valores da República", comentou a romancista Sevgi Özel, que se encontrava entre os manifestantes.
O projecto é criticado nos meios secularistas, particularmente numerosos nas forças armadas, magistratura e administração das universidades.
O chefe da diplomacia turca, Ali Babacan, justificou hoje o projecto como uma reforma necessária na via de adesão à UE e considerou que a polémica à sua volta prejudica a Turquia. "As polémicas nos últimos dias na Turquia infelizmente prejudicam a imagem da Turquia no estrangeiro", declarou o ministro à imprensa. "A Turquia é um país que deve avançar no domínio dos direitos e das liberdades. A Turquia é um país que tem a obrigação de fazer reformas políticas para chegar a uma adesão plena à União Europeia", adiantou.
O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, no poder), considera que a proibição do véu islâmico na universidade viola a liberdade de consciência e o direito à educação das jovens afastadas das universidades por o usarem.
O AKP e o Partido de Acção Nacionalista (MHP), que apoia a reforma, dispõem no Parlamento da maioria de dois terços necessária à aprovação do texto.
Centenas de milhar de pessoas participaram na última Primavera em manifestações nas principais cidades da Turquia contra o Governo e a favor do laicismo.

(Fonte: Notícias da Turquia / Diário Digital)


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27 janeiro 2008

Turquia prepara-se para levantar a proibição do véu islâmico nas universidades


O partido AKP (no Governo), de raiz islâmica, e um partido fundamental da oposição, MHP, chegaram a acordo para banir a proibição do véu islâmico nas universidades do país. O comunicado conjunto explica que o acordo foi atingido com base na avaliação em termos de direitos e liberdades.
O primeiro-ministro, Tayyip Erdoğan, precisou dos votos do MHP para alterar a constituição nesse sentido.
A elite secular do país - que inclui generais, juizes e reitores das universidades, encaram a proibição do véu islâmico como essencial para a separação do Estado e da religião.
O MHP é o partido de acção nacionalista, de direita, que saiu dos antigos Lobos Cinzentos. Depois de cinco anos de eclipse, conseguiu obter uma representação parlamentar nas eleições antecipadas de Julho de 2007, com 71 deputados.
O lobo, símbolo da ideologia do MHP, é também o símbolo nacional da Turquia sob presidência de Atartürk. Paradoxalmente, o Pai da Nação turca, Atartük, definiu e lançou as bases para a construção de um Estado moderno, instituindo o laicismo.

(Fonte: Euronews)

06 dezembro 2007

O uso do véu islâmico está a aumentar na Turquia


O número de mulheres que usam o véu islâmico aumentou na Turquia nos últimos quatro anos, segundo uma pesquisa publicada na passada segunda-feira.
A pesquisa, realizada pelo instituto Konda para o jornal liberal Milliyet, revela que a proporção de mulheres que usa véu islâmico passou de 64,2% em 2004 para 69,4% em 2007.
Segundo o instituto, pela voz de Tarhan Erdem, os resultados da pesquisa não são um indicador de uma tendência anti-ocidental ou antimodernização na sociedade turca, mas sim o fruto de um desejo de proteger os valores tradicionais e as convicções religiosas.
Esta pesquisa, no entanto, contradiz outro trabalho publicado há um ano pela Fundação de Estudos Económicos e Sociais (TESEV), segundo o qual o uso do véu teria diminuido de 72,5% em 1999 para 61,3% em 2006.

(Fonte: AFP)

20 setembro 2007

O véu islâmico em debate na Turquia


O projecto do governo de Ancara de incluir na nova Constituição um texto que autorize o uso do véu islâmico nas universidades, está a provocar um violento debate sobre a questão na Turquia. O presidente e o primeiro-ministro turcos, Abdullah Gül e Recep Tayyip Erdoğan, defendem o fim da proibição do uso do véu islâmico nas universidades. Juristas e quadros do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, no poder), defendem os benefícios de uma tal revogação no projecto da nova Constituição que estão a elaborar. “O direito a uma educação superior não pode ser restringido devido à roupa utilizada por uma jovem”, declarou Erdoğan numa entrevista publicada ontem pelo "Financial Times". “Tal problema não existe nas sociedades ocidentais, mas existe na Turquia e acredito que se trata do primeiro dever daqueles que estão na política de resolver este problema”, adiantou.
Os defensores do regime secular, como o exército, a alta magistratura e os quadros superiores das universidades, consideram o uso do véu islâmico como um gesto de desafio em relação ao regime estritamente laico turco e acusam o AKP de Erdoğan, e que Gül abandonou depois de ser eleito em Agosto, de tentar desgastar os valores laicos do país.

(Fonte: O Primeiro de Janeiro)