google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia: A Questão do Alegado Genocídio Arménio
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05 março 2015

Presidente da Turquia multado por insultar artista

Erdoğan não gostou das estátuas erguidas perto da fronteira com a Arménia e chamou-lhes uma "monstruosidade". A obra foi demolida pouco depois e o artista decidiu ir para tribunal. Ganhou.


O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, foi condenado a pagar uma multa de 10 mil liras turcas, cerca de 3500 euros, ao escultor Mehmet Aksoy, por ter insultado o seu trabalho artístico.
O caso remonta a 2011, quando Erdoğan era primeiro-ministro da Turquia e descreveu uma obra concebida por Aksoy como "uma monstruosidade", sugerindo que fosse retirada. O monumento - chamado "Estátua da Humanidade" - pretendia simbolizar a amizade entre a Turquia e a Arménia e era constituído por duas figuras humanas, com cerca de 30 metros de altura, esculpidas em pedra, colocadas numa montanha próxima da cidade turca de Kars, que fica na fronteira entre os dois países.

Presidente da Turquia multado por insultar artista
Fotografia © Ggia/Wikimedia Commons
 
Segundo a BBC, que cita o turco Hurriyet Daily News, o monumento acabou por nunca ser concluído e foi demolido poucos meses depois do comentário de Erdoğan, que viria a ser processado pelo autor da obra por comentários insultuosos. Um tribunal de Istambul decidiu agora dar razão ao artista, ainda que não tenha fixado a indemnização no valor pretendido de 100 mil liras turcas (cerca de 35 mil euros).
Para atenuar o valor da compensação terá contribuído o facto de a Associação de Língua Turca ter defendido, em 2014, que a palavra usada por Erdoğan - "ucube", que pode ser traduzida por "monstruosidade" - não era um insulto, remetendo na realidade para algo "muito estranho e muito feio". Já os advogados do actual presidente alegaram que a declaração de Erdoğan era uma crítica a uma obra de arte e não um insulto ao próprio artista.
 
(Fonte: DN)

24 janeiro 2012

França aprovou lei que prevê pena de prisão para quem negar genocídio arménio

A aprovação em França de uma lei sobre o alegado genocídio arménio ocorrido entre 1915 e 1917 está a levantar polémica e a suscitar críticas por parte da Turquia, que não reconhece o alegado massacre de arménios ocorrido há um século. O projecto de lei agora aprovado pelo Senado não é apoiado por unanimidade e já foi qualificado de "inoportuno" pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Alain Juppé .
A nova legislação prevê uma pena de um ano de prisão e multa de 45 000 euros para quem negar que houve genocídio por parte do Império Otomano. O texto foi ratificado com 127 votos a favor e 86 contra, e já tinha sido aprovado a 22 de Dezembro pela Assembleia Nacional. Na semana passada, o Comité Judicial do Senado considerou o texto "inconstitucional".
Os massacres e deportações ocorridos entre 1915 e 1917 terão causado mais de 1,5 milhões de mortos segundo os Arménios, e 300 000 a 500 000 segundo os Turcos, que refutam a acusação de genocídio.

Sarkozy acusado de oportunismo

A nova legislação conta com o apoio de Nikolaz Sarkozy, a quem o Governo turco acusa de "oportunismo" e estratégia para conquistar os votos dos 600 000 Arménios que residem em França. Cabe agora ao Presidente francês ratificar o texto, o que deverá ocorrer até ao fim de Fevereiro.
Na altura da aprovação desta lei pela Assembleia francesa, Ancara chamou o seu embaixador em França e cancelou todas as reuniões bilaterais sobre temas económicos, políticos e militares.
No passado fim-de-semana, o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Ahmet Davutoğlu, voltou a apelar ao Senado para "chumbar" um texto que considera "contrário aos direitos humanos", e advertiu que "haverá novas sanções, desta vez permanentes, até que a França mude de ideias".
O Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, já declarou que se o texto for aprovado não voltará a por os pés no território francês.
A França é o segundo investidor na Turquia. Segundo fontes citadas pelas agências, Ancara poderá, para além de reduzir a sua representação diplomática em França, avançar com um conjunto de medidas nas áreas comerciais e económicas.
As relações entre os dois países não estão famosas desde a posse em 2007 de Sarkozy, que nunca escondeu a sua posição contra a entrada da Turquia na União Europeia.

(Fonte: Expresso)

23 dezembro 2011

Arménios na Turquia contra medida do Parlamento francês


A aprovação pelo Parlamento francês do projecto-lei que torna ilegal negar o genocídio arménio de 1915 provocou consternação na Turquia.
Centenas de pessoas protestaram em frente à embaixada de França em Ancara, com o Partido Nacionalista a liderar.
Para a comunidade arménia a viver na Turquia, este reconhecimento acaba por ser contraproducente.
Robert Koptas, jornalista de um dos jornais arménios de maior prestígio na Turquia, considera que a medida veio desviar a atenção do trabalho que se tem vindo a realizar nos últimos anos.
“Neste momento, enquanto não houver consciência na Turquia sobre a questão, enquanto o povo turco não souber o suficiente sobre isso, punir indivíduos que negam esse passado num país estrangeiro, como em França, sentenciá-los a um ano de prisão e a pagar uma pesada multa de 45 mil euros, não me parece certo,” conclui o jornalista.
Koptas evidencia ainda que “a reacção na Turquia é, em geral, extrema. Por isso, esta lei vai prejudicar os nossos esforços para discutirmos o assunto. Desvia a atenção do nosso diálogo com a sociedade e dá mais argumentos aos nacionalistas e a todos aqueles que negam esse passado. Quando França limita a liberdade de expressão, as restrições à liberdade de expressão aqui, ficam legitimadas.”
Na Assembleia turca, o grupo de amizade franco-turco cessou funções. Os membros decidiram desta forma, protestar contra a medida do Parlamento francês.

(Fonte: Euronews)

Turquia acusa França de genocídio argelino

A tensão diplomática entre Ancara e Paris não pára de crescer. Recep Tayyip Erdoğan acusa a França de genocídio aquando da ocupação colonial da Argélia.
Os comentários de hoje do primeiro-ministro turco são a mais recente reacção à lei que a França aprovou, e segundo a qual é crime negar que os massacres cometidos pelos Turcos otomanos sobre Arménios constituem genocídio.
Erdoğan aponta agora o dedo aos colonialistas gauleses que acusa de terem incinerado argelinos. A França ocupou a Argélia na década de 30 do século XIX, e saiu do território cerca de 130 anos depois.
A polémica lei francesa ainda precisa de passar no Senado, mas assim que passou na Câmara Baixa, o líder turco suspendeu as relações políticas e económicas, e chamou o representante diplomático da Turquia em Paris.

(Fonte: Sol)

22 dezembro 2011

Turquia manda regressar o seu embaixador em França

A Turquia mandou regressar o seu embaixador em França, Tahsin Burcuoğlu, depois de ter sido votada no Parlamento francês uma lei que condena a negação do genocídio de 1915 em que foram alegadamente mortos 1,5 milhões de Arménios.
O termo genocídio é negado pelas autoridades turcas, que reconhecem terem morrido entre 250 mil e 500 mil Arménios durante o Império Otomano. Mas a Arménia tem defendido que, nesses massacres, morreram pelo menos 1,5 milhões de pessoas, e hoje os deputados franceses aprovaram uma lei que reconhece o genocídio e condena quem o negar.
Segundo a lei agora aprovada, a negação do genocídio arménio poderá ser penalizada com um ano de prisão e 45 mil euros de multa. A decisão indignou as autoridades turcas, que anunciaram que o seu representante em Paris deixará a França “amanhã”.
Este não é o primeiro caso de condenação da negação de um genocídio por parte da França, que já tomou uma decisão semelhante em relação ao massacre de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Nos últimos dias a Turquia pressionou a França para que a lei não fosse aprovada, sublinhou a AFP, mas o Parlamento aprovou o reconhecimento do genocídio numa iniciativa que contou com o apoio do Governo francês.
Ancara chegou a prometer represálias diplomáticas, económicas e culturais, adiantou a agência francesa, e essas medidas não se fizeram esperar. A ordem para fazer o embaixador em Paris regressar ocorreu pouco depois de ter sido anunciado o resultado da votação em França.
A Arménia, por outro lado, agradeceu a decisão francesa. O ministro arménio dos Negócios Estrangeiros, Edouard Nalbandia, manifestou a “gratidão” do seu país, e as autoridades arménias já se tinham congratulado com a iniciativa francesa. “Quero, uma vez mais, expressar a minha gratidão às autoridades francesas, ao Parlamento e ao povo francês,” disse Nalbandian. “Ao adoptar esta lei, a França prova novamente que os crimes contra a humanidade não prescrevem e que a sua negação deve ser punida.”
O texto que condena a negação do genocídio arménio foi aprovado por larga maioria dos deputados presentes, cerca de 50, com apenas meia dúzia dos parlamentares a votar contra, adiantou a AFP. A decisão irá agora deteriorar as relações entre a França e a Turquia, numa altura em que ambos os países procuravam alcançar uma posição comum quanto aos confrontos na Síria e a repressão perpetrada pelas autoridades de Damasco.

"Traição da história"
O vice-primeiro-ministro turco, Bülent Arınç, considerou a decisão do Parlamento francês uma “traição da história” e adiantou, através de uma mensagem no Twitter: “Condeno o Parlamento francês por ter aprovado esta lei, que é o equivalente a uma traição da história e da verdade histórica.”
A Turquia também considerou que a lei agora aprovada tem “propósitos eleitoralistas”, nomeadamente cativar o meio milhão de Arménios que vivem em França, quando já se aproximam as presidenciais francesas que irão realizar-se na Primavera.
A proposta de lei terá ainda de ser aprovada pelo Senado antes de entrar em vigor. Uma legislação semelhante já foi adoptada pela Suíça e o Parlamento Europeu também reconheceu o genocídio arménio em 1987, o que também já foi feito pelo Uruguai, em 1965, pelo Parlamento russo (1994), o Senado belga (1998), o Parlamento canadiano (2004), o senado argentino e o Parlamento sueco (2010).
A decisão do Parlamento francês gerou protestos em frente à embaixada da França na Turquia e em frente ao Parlamento francês. Prevê-se que a reacção de Ancara passe também pela expulsão do embaixador francês.

(Fonte: Público)

24 abril 2010

Primeiras comemorações públicas do alegado genocídio arménio em Istambul

As primeiras comemorações públicas do alegado genocídio de Arménios durante o Império Otomano, tiveram hoje lugar em Istambul. Uma manifestação foi organizada pela Organização dos Direitos do Homem (IHD) para assinalar a morte de 220 arménios a 24 de abril de 1915, e que terá sido o ponto de partida para os massacres.
Reunidos em frente ao slogan "Aquilo Nunca Mais", colocado junto aos degraus da estação de Haydarpaşa, de onde partiu o primeiro comboio de deportação, cerca de uma centena de manifestantes prestou homenagem aos Arménios desaparecidos.
Uma outra manifestação está prevista para o meio da tarde de hoje em Taksım, o centro nevrálgico da metrópole, tendo os organizadores lançado uma petição intitulada "Este Sofrimento é o Nosso Sofrimento".
Os Arménios qualificam de genocídio os massacres e deportações que, entre 1915 e 1917, provocaram mais de 1,5 milhões de mortos.
A Turquia reconhece que entre 300 mil e 500 mil pessoas pereceram durante o caos dos últimos anos do Império Otomano.

(Fonte Lusa / Açoriano Oriental)

12 abril 2010

Primeiro-ministro turco e presidente arménio encontram-se em Washington

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, vai encontrar-se esta segunda-feira em Washington com o presidente da Arménia, Serj Sarkisian, para avançar com o processo de normalização das relações entre os dois países, anunciou a imprensa turca.
No ano passado, a Turquia e a Arménia assinaram na Suíça uma série de protocolos para restabelecer as relações diplomáticas, abrir as fronteiras e criar uma comissão de peritos para estudar o alegado genocídio arménio.
No entanto, nos últimos meses os contactos entre os dois países arrefeceram e a Turquia ainda não submeteu os protocolos à votação no parlamento.

(Lusa/Açoriano Oriental)

06 março 2010

Votação do genocídio arménio causa crise diplomática entre EUA e Turquia

Uma votação no Congresso americano que abre caminho ao reconhecimento do genocídio arménio está a provocar uma crise diplomática entre a Turquia e os Estados Unidos, dois aliados na NATO. O Governo do primeiro-ministro Recep Erdoğan chamou para "consultas" o seu embaixador em Washington e pediu à Casa Branca para travar uma eventual resolução dos legisladores americanos sobre os legados massacres de arménios que ocorreram entre 1915 e 1923. A Turquia recusa-se a reconhecer o acontecimento como sendo genocídio.
O presidente turco, Abdullah Gül, afirmou que o seu país "não será responsável" por qualquer consequência negativa que a votação possa vir a ter. O Governo emitiu uma declaração onde se pode ler que o país é acusado "de um crime que não cometeu" e a oposição republicana acusou Washington de "abandonar" a Turquia. A Arménia elogiou o texto, que considerou um avanço na causa dos "direitos humanos".
A resolução sobre o genocídio arménio é não vinculativa e foi aprovada pela comissão de negócios estrangeiros da Câmara de Representantes, que votou de forma cerrada, 23 votos a favor e 22 contra, com um dos congressistas a recusar o voto. O documento segue para discussão na Câmara dos Representantes, onde a aprovação será difícil, devido à falta de entusiasmo dos líderes democratas.
Antes da comissão se pronunciar, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, tentara travar o processo, lembrando aos congressistas o carácter inoportuno da discussão, que pode afectar a normalização de relações entre Turquia e Arménia. O processo de reconciliação entre os dois países vizinhos teve enorme avanço em Outubro, após uma negociação dramática, mediada pelos Americanos, que permitiu assinar um acordo que prevê aproximação diplomática, cooperação económica e análise conjunta do evento histórico que separa estas nações.
De qualquer forma, com a nova resolução, a administração Obama poderá estar em posição complicada, pois o presidente fez uma promessa eleitoral de reconhecer o genocídio, questão muito importante para o forte lobby da diáspora arménia nos EUA.
A votação da resolução motivou uma reacção irritada de Ancara, que acusou os Americanos de "séria falta de visão estratégica". Esta foi uma provável referência às questões onde os Americanos precisam de ajuda turca. A Turquia não é apenas um aliado na NATO, mas está envolvida na guerra do Afeganistão, tem influência nos assuntos iraquianos, apoia a estratégia americana em relação ao Irão e, acima de tudo, constitui um modelo de regime secular e democrático que muitos países muçulmanos procuram imitar. É também o único amigo de Israel na região.
O genocídio arménio é reconhecido oficialmente pela União Europeia e por alguns países europeus, incluindo a França, mas também pelo Canadá e a Argentina, entre outros. As perseguições de Arménios no Império Otomano começaram no século XIX, mas agravaram-se entre 1915 e 1917. A Turquia admite os massacres, que atribui a uma rebelião armada, mas quer evitar a palavra genocídio, que pode ter consequências legais.

(Fonte: Diário de Notícias)

Erdoğan diz que reconhecimento dos EUA do "genocídio" arménio é uma "paródia"

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, qualificou hoje como uma “paródia” a resolução norte-americana que descreve como um “genocídio” os massacres de Arménios pelo Império Otomano.
Aprovada quinta-feira pelo comité dos Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes, aquela resolução está a causar profunda tensão entre os dois países, com o regime de Ancara a sentir-se profundamente agastado com o crucial aliado por este lhe apontar o dedo por “um crime” que a Turquia considera não ter existido.
“Quero deixar claro que esta resolução não nos afectará. Mas irá prejudicar as relações bilaterais [entre Estados Unidos e Turquia], os seus interesses e as suas visões para o futuro. E não seremos nós quem fica a perder”, afirmou Erdoğan, numa reunião com empresários em Ancara que foi transmitida pela televisão estatal. A Turquia, asseverou ainda, “não será bloqueada por uma comédia destas, uma tão grande paródia.”
Para o primeiro-ministro turco, a aprovação daquela resolução (por 23 contra 22 votos no comité) – que a própria Casa Branca envidou todos os esforços para que não acontecesse – constitui o resultado de “políticas erradas”. A Turquia chamou ontem mesmo o seu embaixador nos Estados Unidos “para consultas”.
O Governo de Ancara instara ontem Washington a impedir que aquela resolução chegasse a votação na assembleia da Câmara dos Representantes, sublinhando desde logo que a qualificação dos massacres de Arménios durante a Primeira Guerra Mundial como um genocídio iria também minar o processo de reconciliação entre a Turquia e a Arménia.

(Fonte: Público)

11 outubro 2009

Erdoğan manifesta reservas quanto ao tratado com a Arménia

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdoğan, quer ver a retirada arménia do enclave de Nagorno-Karabakh para que o tratado aprovado no Sábado para a normalização das relações entre a Turquia e a Arménia possa ser mais facilmente aceite pelo Parlamento.
“Nós, enquanto Governo, abrimos caminho para esta cooperação, mas se vai ou não ser aplicada caberá ao Parlamento decidir”, avisou Erdoğan num congresso partidário, citado pela Reuters. “Se este assunto [da retirada de forças] for resolvido, o nosso povo e o nosso Parlamento terão uma atitude mais positiva em relação a este protocolo e a este processo.”
Na véspera, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países assinaram em Zurique um acordo considerado histórico, que pretende acabar com um século de hostilidades, normalizar as relações diplomáticas e abrir as fronteiras entre os dois vizinhos. O maior entrave à sua aprovação por parte de Ancara era a questão de Nagorno-Karabakh, um enclave no Azerbaijão (país turcófono e muçulmano), cuja ocupação por parte da Arménia levou a Turquia a fechar as fronteiras, em 1993.
“Queremos que todas as fronteiras se abram ao mesmo tempo... Mas enquanto a Arménia não se retirar dos territórios do Azerbaijão que ocupa, a Turquia não pode ter uma atitude positiva em relação a este assunto”, adiantou o primeiro-ministro. Erdoğan garantiu que, apesar das suas renitências, apresentará o acordo para que este seja ratificado pelos deputados.
O passo dado entre os dois vizinhos foi criticado pelo ministério azerbaijano dos Negócios Estrangeiros. O Governo de Baku defendeu que a Turquia não deveria ter assinado o documento sem primeiro ver resolvida a questão do enclave. Pouco depois de assinado o acordo, os Negócios Estrangeiros emitiram um comunicado no qual diziam que a abertura das fronteiras entre a Turquia e a Arménia “colocará em xeque a paz regional e a segurança”.
Uma reacção mais positiva surgiu da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). “Saúdo o acordo histórico de normalização das relações entre a Turquia e a Arménia”, dois países membros da OSCE, declarou o primeiro-ministro e chefe da diplomacia grega, George Papandreou, também actual presidente da Organização. “Aplaudo os esforços e a vontade política demonstrada pelos dois dirigentes para ultrapassar as suas diferenças”, cita a AFP.
Da parte arménia, foi preciso abrir mão da reivindicação de que a Turquia teria de reconhecer como genocídio o massacre e deportação de Arménios no fim do império otomano, entre 1915 e 1917.

(Fonte: Público)

10 outubro 2009

UE: Acordos entre Arménia e Turquia são um passo para a paz no Cáucaso


A Comissão Europeia e a presidência sueca temporária da União Europeia (UE) comemoraram neste Sábado os acordos de normalização das relações entre Arménia e Turquia, assinados em Zurique, Suíça, considerando-os um passo para a resolução dos conflitos em toda a região do sul do Cáucaso.
"A Comissão Europeia considerou que este é um passo válido para a paz e a estabilidade na região do sul do Cáucaso, e uma decisão verdadeiramente histórica que mostra que as duas partes estão dispostas a assumir um compromisso", indicou o executivo, em comunicado.
"Esta assinatura abre novas perspectivas para a resolução do conflito, principalmente o de Nagorno Karabakh", declarou a comissária europeia das Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner.
A cerimônia de assinatura dos acordos, prevista para as 17 horas na Universidade de Zurique, aconteceu às 20.20 horas depois das intensas discussões sob os olhares das delegações dos Estados Unidos, liderada pela secretária de Estado, Hillary Clinton, e Suíça.
As relações entre os Turcos e os Arménios sofrem há quase um século as consequências da lembrança do alegado genocídio e deportações de Arménios em 1915-1917 (mais de um milhão e meio de mortos segundo a Arménia, e de 300.000 a 500.000 segundo a Turquia, que rejeita o termo genocídio).
Depois de uma guerra de seis anos (de 1988 a 1994), Erevan passou a controlar o enclave povoado de Arménios no Azerbaijão, aliado da Turquia, que em 1993 fechou a sua fronteira à Arménia como represália.

(Fonte: AFP)

Turquia e Arménia assinam acordo que põe fim a um século de hostilidades

Por longos momentos pensou-se que não iria acontecer: o acordo entre a Arménia e a Turquia foi atrasado por “dificuldades de última hora”. Mas depois de uma reunião com a delegação norte-americana, a parte arménia terá ultrapassado as reservas que levantou sobre as declarações que iriam ser lidas na cerimónia. E foi finalmente assinado o protocolo que pretende acabar com um século de hostilidades entre os dois países vizinhos.
As objecções arménias reflectem a sensibilidade que rodeia esta questão. Nos dois países, as opiniões públicas não olham com indiferença para o que ontem os seus governantes assinaram. Haverá muitos, de um lado e do outro da fronteira, sem vontade de festejar. As resistências são tais que horas antes da cerimónia, o presidente arménio, Serge Sarkissian, justificou de forma solene ao país que “não teve alternativa ao restabelecimento das relações, sem condições prévias, com a Turquia”, cita a AFP. Mas tentou apaziguar os ânimos, explicando também que “ter relações com a Turquia não deve, de forma nenhuma, pôr em dúvida a realidade do genocídio... É um facto bem conhecido e que deve ser reconhecido”. A oposição vem de ambos os lados, e também da diáspora arménia, particularmente influente em França e nos EUA, refere a agência francesa. E por isso, a sua aprovação por parte dos respectivos parlamentos – fundamental para que o texto possa passar à prática – pode não ser tão rápida quanto os governos desejam. O acordo prevê um calendário para a normalização dos laços diplomáticos e a abertura da fronteira entre os dois vizinhos.
O motivo da disputa remonta a 1915-17, quando as tropas otomanas foram responsáveis por massacres e deportações de milhares de arménios – mais de um milhão e meio, segundo Erevan, entre 300 mil e 500 mil, defende Ancara. As populações eram enviadas em massa da Anatólia Oriental para o deserto sírio, entre outros locais, e quando não eram executadas pelas forças otomanas morriam de fome ou doença. A Arménia chama-lhe genocídio (há duas dezenas de países a fazê-lo), a Turquia recusa-se a aceitar o termo. Uma equipa conjunta de investigadores trabalhará para determinar quem tem razão, como prevê o acordo.

O espinho de Nagorno-Karabakh

Para além dos massacres, há um outro espinho, chamado Nagorno-Karabakh. O território dentro das fronteiras do Azerbaijão, de etnia arménia, foi alvo de uma disputa de seis anos (entre 1988 e 1994). Ficou sob controlo da Arménia. Como resposta, o Azerbeijão, aliado da Turquia (já que é um país turcófono e muçulmano), fechou as suas fronteiras com o país vizinho.

A Suíça dedicou-se à mediação do diferendo, mas precisou do auxílio de pesos-pesados. A Rússia, Estados Unidos e União Europeia envolveram-se nas negociações, pressionando os dois lados a avançar com a normalização das suas relações e mostrando o quanto ambos teriam a ganhar se o fizessem. Para a Turquia, isso significaria um avanço no processo de adesão à U. Para a Arménia, país sem recursos energéticos, o fim do seu isolamento económico.

“Estou seguro de que estas decisões serão muito positivas para o conjunto da região”, comentou ontem o chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, em Zurique. “E não há dúvida nenhuma que será importante para os países implicados nas suas relações connosco”. União Europeia e Estados Unidos encontram vantagens importantes, e por isso o próprio presidente norte-americano, Barack Obama, declarara em Abril que o processo de negociações teria de avançar “rapidamente”.

As relações pacíficas entre ambos são vistas como fundamentais para a estabilidade do sul do Cáucaso, um corredor de petróleo e gás para o Ocidente, e uma região na qual a Rússia gosta de exibir a sua força, refere a Reuters. O êxito das negociações conduzidas por Washington e Moscovo levou um diplomata da delegação da secretária de Estado norte-americana, de Hillary Clinton (que foi a Zurique assistir à assinatura do acordo), a comentar à AFP que este era “um exemplo concreto da forma como podemos trabalhar juntos”.

(Fonte: Público)

09 outubro 2009

Milhares de Arménios manifestam-se contra acordo com Turquia

Milhares de Arménios manifestaram-se hoje em Erevan, capital da Arménia, para protestar contra a intenção do governo de assinar um acordo histórico de aproximação com a Turquia.
Segundo um jornalista da AFP, os manifestantes nas ruas seriam perto de dez mil e muitos exibiam cartazes dizendo "Não às concessões aos Turcos".
A Turquia e a Arménia vão assinar sábado em Zurique dois protocolos sobre o estabelecimento de relações diplomáticas e sobre o desenvolvimento de relações, disse à Lusa o embaixador turco em Portugal, Kaya Türkmen.
As relações entre os dois países têm sido "envenenadas" pelos alegados massacres de Arménios durante o Império Otomano.
Segundo a Arménia, nos últimos anos do Império Otomano mais de um milhão de Arménios foram mortos pelas forças otomanas, no que classifica de genocídio. A Turquia sempre negou tais acusações, falando de matanças de ambas as partes.
Num documento entregue hoje na presidência arménia, os contestatários do acordo pedem ao chefe de Estado, Serge Sarkissian, para não assinar os protocolos. "Estes protocolos têm elementos perigosos para a nossa nação, para o nosso Estado e ameaçam os nossos interesses", refere o texto.
A manifestação foi organizada por vários partidos da oposição, incluindo a Federação Arménia Revolucionária, que deixou a coligação no poder em desacordo com o processo de reconciliação com a Turquia.
Uma vez assinados, os protocolos têm de ser ratificados pelos parlamentos dos dois países.
A Turquia e a Arménia anunciaram em Agosto que chegaram a acordo quanto a dois textos sobre o estabelecimento de relações diplomáticas e a reabertura da fronteira.
"Estes protocolos têm elementos perigosos para a nossa nação, para o nosso Estado e ameaçam os nossos interesses", refere o texto. A manifestação foi organizada por vários partidos da oposição, incluindo a Federação Arménia Revolucionária, que deixou a coligação no poder em desacordo com o processo de reconciliação com a Turquia. Uma vez assinados, os protocolos têm de ser ratificados pelos parlamentos dos dois países. A Turquia e a Arménia anunciaram em Agosto que chegaram a acordo quanto a dois textos sobre o estabelecimento de relações diplomáticas e a reabertura da fronteira.

(Fonte: Diário Digital/Lusa)

08 outubro 2009

Embaixador da Turquia em Portugal classifica de "passo em frente" acordo entre Turquia e Arménia

A Turquia e a Arménia vão assinar Sábado em Zurique dois protocolos sobre o estabelecimento de relações diplomáticas e sobre o desenvolvimento de relações, afirmou hoje à agência Lusa o embaixador turco em Portugal, Kaya Türkmen.
O acordo de reconciliação "vai ser assinado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros" turco, Ahmet Davutoğlu, e arménio, Eduard Nalbandian, precisou o diplomata.
Kaya Türkmen classificou de "passo em frente" a assinatura dos protocolos, que prevêem a abertura das fronteiras comuns "nos dois meses seguintes à sua ratificação", assim como consultas políticas regulares entre os dois países.

(Fonte: Lusa)

22 maio 2009

Nedim Gürsel: Entre o Sena e o Bósforo

Nedim Gürsel considera-se uma ponte entre a Turquia e a França, entre o Leste e o Ocidente. Como outros escritores que fugiram do país depois do golpe de 1980, obteve a cidadania francesa e vive em Paris, onde é director de investigação no CNRS e organiza palestras sobre a Europa,
Acusado de blasfémia no país de origem, Turquia, depois de publicar o livro “Filhas de Alá” no ano passado, tem uma segunda audiência do julgamento no dia 26 Maio. O procurador retirou as acusações, mas o inquérito prossegue.
Euronews: Os europeus questionam se a Turquia é realmente um país laico e se merece fazer parte da União Europeia. Que responde a isto?
Nedim Gürsel
– Bem, eu sou um firme defensor da adesão do meu país à integração na União Europeia. É verdade que agora, com este julgamento, tenho algumas interrogações… Será que a Turquia anda à deriva para um regime mais autoritário? O que não é, obviamente, compatível com a ideia de Europa expressa na Turquia.
Espero que o meu julgamento seja um acidente de percurso. Mas acho que a Europa tem razão em colocar estas questões, porque talvez a Turquia não esteja pronta para entrar na Europa.
EN – Será que a Europa, especificamente os europeus, não têm uma certa responsabilidade? No sentido de os Turcos se sentirem menosprezados quando falamos com eles e falarem de um “clube cristão”?
NG –
Sim, penso que a rejeição é mal vista pelos Turcos porque, de algum modo, afecta o orgulho nacional. Eu…sou contra o nacionalismo.
Mas, há bastante tempo que a Turquia bate à porta da União Europeia e depara sempre com pretextos para justificar um discurso – digamos – de rejeição. Como é o caso neste momento com Merkel e Sarkozy.
A Turquia é um país muçulmano. Mas se a Turquia partilha valores europeus seria enriquecedor para a Europa ter um país como a Turquia no seu seio.
O que é difícil de admitir pelos europeus. Não dizem, mas a candidatura da Turquia reenvia a Europa face à própria imagem: a Europa afirma a identidade e rejeita o outro, a Turquia. Mas é necessária uma reconciliação.
EN – Há mesmo assim progressos no sentido de uma maior liberdade de expressão na Turquia nos últimos anos. Assistimos à restauração da nacionalidade do poeta Nazim Hikmet, e no ano passado, o famoso artigo 301 º que penaliza a difamação da nação turca foi reformulado. No entanto, há organizações, indivíduos que denunciam simples mudanças cosméticas. Concorda com a interpretação?
GN –
Em qualquer caso, fez bem em evocar o caso de Nazim Hikmet, um dos grandes poetas turcos. A Turquia fez uma grande injustiça com este grande poeta preso durante 16 anos e condenado ao exílio. Morreu em 1963, em Moscovo. O nosso primeiro-ministro, que afirmou recentemente que Nazim Hikmet estava reabilitado, também disse que a Turquia é um país que já não julga os escritores. Fui o primeiro a congratular-me. Mas o meu processo é a negação evidente deste discurso. Falou de alterações cosméticas, pequenos retoques…talvez, mas é melhor assim, porque precisamos de ir mais longe na democratização da Turquia, e sem a perspectiva europeia não vai ser possível.
EN – O senhor é um dos signatários da carta de desculpas aos Arménios escrita por um grupo de intelectuais turcos. Ora, há pessoas que criticam esta carta porque não está lá palavra genocídio …
GN –
Acho que a Turquia deve fazer um verdadeiro trabalho de memória. No que se refere à petição que assinei, penso que é uma coisa boa, porque vai mexer com os tabus. Vai quebrar tabus como a religião… o problema arménio continua a ser um tabu na memória colectiva dos Turcos.
O mesmo se aplica à questão curda. Ainda há uma dezena de anos , não podíamos falar nisso. Nem podíamos pronunciar a palavra “curdo”.
Agora, o presidente Abdullah Gül diz que a questão curda é a questão mais importante do nosso país, por isso, há uma evolução inegável.
EN – Sente-se no exílio?
GN –
É um exílio voluntário. Não me sinto no exílio, porque vou muitas vezes à Turquia. Alimento-me… o meu imaginário é alimentado pela Turquia, pela história otomana. Escrevi romances históricos, estou muito ligado à cidade de Istambul.
Mas houve um tempo, especialmente depois do golpe militar de 12 de Setembro de 1980, em que não pude voltar ao meu país durante três anos. Portanto, estava verdadeiramente no exílio.
Por isso escrevi um livro chamado “O Último Eléctrico”, onde exprimi o sentimento de escritor turco no exílio: a vida nómada, o apego à pátria, à cidade, etc.
Agora não me sinto no exílio, estou um pouco a meio caminho entre Paris e Istambul. Digo sempre que, metaforicamente, sou como a ponte do Bósforo, que, não só liga duas margens de um rio, o rio asiático e o rio europeu, mas também os homens e as culturas, e acredito que esse é o papel do escritor, porque a literatura é universal, aproxima os homens entre si.

(Fonte: Euronews)

24 abril 2009

Obama evita a palavra "genocídio" mas utiliza expressão arménia

O presidente Barack Obama evitou o termo "genocídio" para caracterizar os incidentes de 1915, mas utilizou a expressão "Meds Yeghern," utilizada pelos Arménios para qualificar esses eventos.
Na declaração anual que marca " o dia da memória das mortes arménias", Obama apelou à Turquia e à Arménia para normalizarem as suas relações.
"Há 94 anos começou uma das maiores atrocidades do século XX. Todos os anos, paramos para recordar os 1,5 milhões de Arménios que foram massacrados ou que caminharam para a morte nos dias finais do Império Otomano. Os Meds Yeghern devem permanecer na nossa memória, tal como permanecem nos corações do povo arménio", disse Obama.

Meds Yeghern significa literalmente "grande catástrofe".

22 abril 2009

Turquia e Arménia definem “roteiro” para a normalização das suas relações

A Turquia e a Arménia concordaram com um “roteiro” para a normalização das suas relações durante discussões mediadas pela Suíça, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco. As negociações conduziram a “progressos concretos” e a “uma compreensão mútua”, disse o Ministério de Ancara num comunicado. Ficou assim definido o “quadro global para a normalização das relações bilaterais de uma forma satisfatória para as duas partes”.
A Turquia fechou a sua fronteira com a Arménia em 1993, em apoio ao Azerbaijão que viu o enclave de Nagorno-Karabach ocupado nessa altura pela Arménia. Nesta última fase de reaproximação, o Azerbaijão parecia ser o maior obstáculo a um compromisso entre Turcos e Arménios.

(Fonte: Público)

07 abril 2009

Obama apela ao reatamento das relações diplomáticas entre a Turquia e a Arménia

Barack Obama incentivou os ministros dos negócios estrangeiros da Turquia e da Arménia a completarem as conversações para a restauração das relações diplomáticas entre os dois países vizinhos.
Obama entregou esta mensagem pessoalmente ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Ali Babacan, e ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Arménia, Edward Nalbandian, quando os encontrou numa recepção em Istambul oferecida a todos os convidados presentes no Fórum Aliança das Civilizações.
"À margem do jantar desta noite da Aliança das Civilizações, o presidente encontrou-se com os ministros dos Negócios Estrangeiros da Turquia e Arménia para elogiar os seus esforços no processo de normalização das relações Turquia-Arménia e para incentivá-los a chegarem rapidamente a um acordo", revelou um elemento da comitiva do presidente Obama.
A Turquia e a Arménia não têm relações diplomáticas e as sua fronteira foi fechada há mais de uma década após a invasão de 20% do território do Azerbaijão por parte da Arménia – o conflito Nagorno-Karabakh.
A Arménia e a Turquia encetaram um processo de normalização das suas relações, incluindo a reabertura da fronteira, quando o presidente turco Abdullah Gül fez uma visita histórica a Yerevan no ano passado para assistir ao jogo de qualificação para o campeonato do mundo de futebol que as equipas dos dois países disputaram.
Obama disse ontem em Ancara que o seu ponto de vista sobre os incidentes de 1915 não se alterarou, mas congratulou-se com o diálogo que está a decorrer entre a Turquia e a Arménia.
A Arménia, apoiada por toda a sua diáspora, tem tentado obter o apoio da comunidade internacional para o reconhecimento do alegado genocídio arménio. Por seu lado, a Turquia tenta convencer a Arménia a aceitar uma investigação histórica dos acontecimentos de 1915.

O encontro de Obama com a oposição e os ecos do seu discurso

Obama encontrou-se ontem com os líderes dos três principais partidos da oposição no Parlamento turco e falou individualmente com cada um deles durante cerca de cinco minutos. Reuniu-se com Deniz Baykal, líder do Partido Republicano do Povo (CHP, kemalista), com Devlet Bahçeli, líder do Partido do Movimento Nacional (MHP, nacionalista) e com o líder do DTP, Ahmet Türk, líder do Partido da Sociedade Democrática (DTP, pró-curdo).
Baykal agradeceu a Obama o encontro com a oposição. "Eu sei a importância da oposição nas democracias. Eu também estive na oposição durante anos", respondeu Obama ao líder do maior partido da oposição. Baykal entregou a Obama dois romances: "Huzur" (Conforto), de Ahmet Hamdi Tanpınar e "Haritada bir Nokta" (Um Ponto no Mapa) de Sait Faik Abasıyanık.

Barack Obama com Deniz Baykal

Durante o encontro entre Bahçeli e Obama, a importância das relações entre os dois países foi mencionada.

Barack Obama com Devlet Bahçeli
Ahmet Türk, revelou que o presidente norte-americano Barack Obama disse ao seu partido que "a violência ou a luta armada não resolverão o problema curdo". "Eu disse-lhe que nós também denunciamos a violência, mas informei-o de que aconteceram mais de 17 000 mortes à margem da lei [no sudeste da Turquia] ao longo dos anos", disse o líder do DTP. Disse ainda que entregou a Obama um dossier que inclui os pontos de vista do DTP para a solução do problema curdo. Também entregou ao Presidente um jogo de botões e um alfinete para Michelle Obama.
Os deputados turcos parecem ter apreciado o "discurso histórico" de Obama no Parlamento. "Falou de democracia, secularismo e de Atatürk. Enviou a mensagem de que Israel e a Palestina são dois estados, algo que nós também defendemos. Definiu o PKK como uma organização terrorista", referiu o líder da bancada do CHP, Onur Öymen. O deputado do DTP por Istambul, Ahmet Tan, mencionou o discurso do presidente Bill Clinton em 1999 e disse não existirem diferenças entre os dois discursos. "Só existe uma diferença de 10 anos. O facto de ter referido a reabertura de uma seminário foi uma surpresa", disse. O deputado do AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento (islamita, no Governo), Seracettin Karayağız, escreveu uma carta a Obama onde aborda os acontecimentos de 1915. "Os Arménios mataram os meus dois tios e muitos familiares meus. Colocaram o meu pai numa prisão. Ambas as partes sofreram grandes perdas durante a guerra, mas não se tratou de um genocídio", escreveu Karayağız na sua carta a Obama.

05 abril 2009

Turquia e Arménia poderão reatar relações diplomáticas

A Turquia e a Arménia decidiram encetar conversações formais sobre uma série de assuntos, incluindo a abertura de fronteiras, uma medida que poderá reatar as suas relações diplomáticas. O timing do acordo, que talvez seja assinado no dia 16 de Abril, poderá ter a ver com a visita de Obama à Turquia. Ancara estará alegadamente a tentar não só melhorar as relações com Yerevan, como também a convencer Washington a não dar seguimento às promessas de Obama de que iria reconhecer o alegado genocídio arménio.
Não existem actualmente relações diplomáticas entre a Turquia e a Arménia e as fronteiras estão encerradas em virtude da Arménia ter invadido 20 por cento do território do Azerbaijão.
A Arménia tem tentado que a comunidade internacional reconheça o alegado genocídio e deportação forçada de centenas de milhar, ou até mesmo de mais de um milhão, de pessoas de origem arménia que em 1915 viviam no Império Otomano.