05 março 2015

Boas relações com a Turquia podem gerar mais negócios

AEP quer traduzir em resultados económicos a Cimeira Intergovernamental desta semana.
 
Para traduzir em negócios o bom momento por que passam as relações políticas e diplomáticas entre Portugal e a Turquia, como evidenciou a 1.ª Cimeira Intergovernamental entre os dois países que anteontem decorreu em Lisboa, a Associação Empresarial de Portugal (AEP) vai estar no próximo mês em Istambul, em duas frentes: com uma missão empresarial e na maior feira de construção da grande nação euro-asiática, cuja área de exposição chega aos 100 mil metros quadrados.

Com efeito, entre 21 e 25 de Abril, a AEP assegura a participação nacional na 38.ª edição da TurkeyBuild, que costuma atrair à maior cidade turca profissionais da fileira da construção oriundos de todo o país e dos Balcãs, Rússia, Norte de África e Médio Oriente. Paralelamente, terá no terreno uma missão multissectorial, para contactos institucionais e reuniões de negócios, tendo em vista o incremento das exportações portuguesas para aquele mercado, de mais de 74 milhões de consumidores.

Como o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoğlu, deixou claro na conferência de imprensa que se seguiu à Cimeira Intergovernamental desta semana, em Lisboa, há oportunidades a explorar nos sectores agro-alimentar, da construção e imobiliário, dos transportes, da energia (particularmente, renováveis e eficiência energética), da saúde, das indústrias de defesa e do turismo. Na avaliação da AEP, o mercado turco é também interessante para a oferta portuguesa nas áreas dos componentes para a indústria automóvel, tecnologias da informação e comunicação, inovação, serviços financeiros e têxtil.

Mas outras oportunidades há a explorar, tanto mais que, como reconheceu o primeiro-ministro da Turquia, o relacionamento económico com Portugal vai intensificar-se, seja pelo aumento das ligações áreas para Lisboa e Porto da companhia de aviação turca, seja pelos efeitos da cimeira empresarial agendada para Outubro, na qual os governos dos dois países depositam grandes expectativas. Ahmet Davutoğlu antecipou mesmo que o encontro entre empresários "terá seguramente impacto comercial". Por outro lado, na declaração final da cimeira os dois governos reconhecem que "o comércio bilateral de bens está muito aquém do seu potencial".

Segundo o chefe do Governo turco, a cooperação económica com Portugal movimenta actualmente cerca de 1,3 mil milhões de dólares por ano, que poderão chegar, a médio prazo, aos 5.000 milhões. Intencionalmente ou não, referiu que Portugal é o "parceiro europeu que melhor percebe" o seu país.

Passos Coelho, por seu lado, salientou o apoio que Portugal tem dado ao pedido de adesão da Turquia à União Europeia e o facto de estar em causa um "parceiro económico, político e diplomático", com uma "economia dinâmica e com excelentes perspectivas de crescimento".

Na verdade, a economia turca está a crescer acima dos 4% ao ano, segundo os indicadores internacionais mais recentes, e a tendência é para que assim continue. Abrem-se, assim, boas oportunidades às empresas portuguesas que queiram investir naquele mercado, para onde Portugal exporta, sobretudo, pastas celulósicas e papel, máquinas, combustíveis minerais, plásticos e borracha e químicos. Em sentido inverso, vêm, principalmente, materiais têxteis, metais comuns, veículos e material de transporte e maquinaria. Entre as empresas nacionais com operação na Turquia contam-se os grupos Sonae e Onyria, a tecnológica TIMWE, a Inapa e a Ascendum, ao passo que o investimento turco em Portugal é praticamente residual.

Com vultuosos investimentos públicos e privados em curso, uma população jovem (média de idades nos 28 anos) e um mercado que deverá atingir, em 2050, os 100 milhões de consumidores, a Turquia oferece, na avaliação a AEP, um manancial de oportunidades relevante para as empresas portuguesas. Construção, energia, agroa-alimentar e TICE são áreas em que Portugal apresenta algumas vantagens comparativas, que a associação quer tornar tangíveis com estas duas acções. Ambas fazem parte do programa associativo de internacionalização "Business on the way", apoiado pelo Compete, ao abrigo do QREN. As empresas interessadas em participar na missão têm, por isso, acesso a apoios financeiros que podem chegar a 45% dos custos de participação.
 
(Fonte: Económico)

03 março 2015

Turquia quer que Portugal seja seu porta-voz em Bruxelas

 
A Primeira Cimeira Intergovernamental entre Portugal e Turquia terminou hoje em Lisboa com a assinatura de quatro acordos bilaterais nas áreas de Educação, comércio, saúde alimentar e protecção mútua de informação classificada.
No final, os dois primeiros-ministros mostraram satisfação face à intensificação das relações comerciais dos dois países após a visita de Passos Coelho a Ancara, em 2012. O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoğlu, elogiou a “fantástica saída limpa do processo de ajustamento” por parte de Portugal e vê um “apetite da comunidade empresarial turca em investir em Portugal”. O governante turco anunciou que, a nível comercial, o objectivo da cooperação bilateral passa por aumentar o volume de negócios dos actuais 1,3 mil milhões de dólares anuais para os três mil milhões numa primeira fase e cinco mil milhões mais tarde.
No mesmo âmbito, Pedro Passos Coelho destacou a importância deste “parceiro económico, político e diplomático”, com uma “economia dinâmica com excelentes perspectivas de crescimento”.
O encontro, decorrido no Palácio das Necessidades, em Lisboa, serviu ainda para o Governo português reforçar o seu apoio à adesão da Turquia à União Europeia, um processo presentemente estagnado que Passos Coelho quer ver recuperado pois considera que a Turquia “pode ser importante para a paz na região e para a segurança internacional”.
No documento final da cimeira, o Governo português reforçou a sua condição de apoiante da adesão europeia da Turquia, comprometendo-se a "partilhar com a Turquia o seu conhecimento e experiência relativo a adequação das suas práticas e legislação interna ao acervo comunitário".
Por sua vez, Ahmet Davutoğlu considerou que “Portugal é o parceiro europeu que melhor percebe a Turquia” e como tal deseja ter no Governo de Lisboa um “porta-voz em Bruxelas”, que saiba defender a causa da adesão turca. O homem que em Agosto de 2014 sucedeu a Recep Tayip Erdoğan, actual Presidente da Turquia, diz que o seu país está prestes a concretizar as reformas exigidas por Bruxelas para que quando “se voltarem a abrir os capítulos de negociação possam ser de imediato encerrados”.
Os dois países mostraram ainda a intenção de promover uma solução diplomática para o conflito da Ucrânia, com base nos acordos de Minsk, e "acordaram em cooperar em assuntos ligados aos Direitos Humanos na Crimeia, em particular face à deterioração da situação do povo tártaro da Crimeia", segundo o documento distribuído pelo gabinete do primeiro-ministro.
A actual situação no Médio Oriente, em especial o caos provocado pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria, assim como o estatuto de observador da Turquia na CPLP e a sua aposta na diplomacia em África foram outros assuntos debatidos pelos Executivos de Ancara e Lisboa.
Portugal fez-se ainda representar na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros pelo vice primeiro-ministro e pelos ministros das Finanças, da Defesa, da Educação e Ciência, pelo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, para além do anfitrião Rui Machete. Do lado turco estiveram presentes, para além do chefe do Governo, o ministro dos Assuntos Europeus e Negociador Chefe, e os ministros dos Negócios Estrangeiros, das Finanças, da Educação Nacional e da Defesa.

(Fonte: Sol)

Davutoğlu: "Portugal é quem melhor entende a Turquia no processo de adesão à União Europeia"


O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoğlu, disse hoje que Portugal é o país que "melhor entende" a Turquia no longo processo de negociações de adesão à União Europeia (UE), definido como um "objectivo estratégico".
 
"Portugal tem surgido como um porta-voz da Turquia em Bruxelas, parece ser o país que melhor entende a Turquia", considerou Ahmet Davutoğlu durante a conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo português, Pedro Passos Coelho, no final da I Cimeira Intergovernamental Portugal-Turquia, que hoje decorreu em Lisboa.
O dirigente turco voltou a insistir no tema durante o período de perguntas e respostas, quando agradeceu a Passos Coelho a "solidariedade portuguesa" e vincou que a "decisão estratégica" da Turquia é pertencer à UE.
"Portugal sempre demonstrou vontade em que a Turquia faça parte da Europa", salientou. "Sabem da nossa capacidade para promover reformas, o futuro da Europa é o futuro da Turquia. Agradecemos aos amigos da Turquia", adiantou.
As relações próximas entre os dois países foi outro tema que dominou a intervenção do responsável turco, que lidera desde 2014 o Governo islamita-conservador do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002.
O responsável turco destacou a reunião "amistosa" de hoje, em que se fez acompanhar por seis ministros, disse que os dois países se "entendem bem", por partilharem "uma tradição comum do Estado, da política, dos laços culturais", e ainda por possuírem "um enorme alcance geográfico e também com uma relação face a geografias mais latas".
O bom momento das relações económicas luso-turcas, com uma reunião empresarial conjunta agendada para Outubro e "seguro impacto comercial", e o reforço das ligações aéreas da companhia aérea turca para Lisboa, e ainda para o Porto, também mereceram destaque na intervenção do chefe do governo turco.
Nesta linha, Davotoğlu aproveitou para felicitar Portugal pela "evolução impressionante da [sua] economia, tendo em consideração a saída do programa de ajustamento".
A celebração do Dia da Língua Portuguesa em Ancara, a crescente presença do seu país na África, Ásia, América Latina, "com 32 embaixadas turcas em África", e o estatuto de país-membro observador da CPLP, foram também recordados pelo primeiro-ministro turco, ex-chefe da diplomacia de Ancara e um dos homens de confiança do Presidente Recep Tayyip Erdoğan, o líder do AKP.
A situação no Iraque, na Síria, a xenofobia e o terrorismo, além da decisiva posição geoestratégica da Turquia, também foi focada, com Davutoğlu a sustentar a necessidade de "paz e estabilidade", quando se parece preparar uma ofensiva contra o grupo Estado Islâmico (EI), que há quase um ano controla a estratégica cidade de Mossul, no norte iraquiano e perto da fronteira do Curdistão turco.
Neste aspeto, referiu-se a uma "missão histórica", mas foi diplomaticamente cauteloso. E, por fim, ao recordar que Portugal e Turquia enfrentam eleições gerais no outono, desejou que se mantenham, e reforcem, as relações entre Lisboa e Ancara.
O primeiro-ministro turco efectuou hoje uma visita oficial a Lisboa para participar na 1ª Cimeira Portugal-Turquia, tendo sido recebido pelo Presidente Cavaco Silva antes de se reunir com o seu homólogo Pedro Passos Coelho no Palácio das Necessidades.
Davutoğlu e Pedro Passos Coelho encontraram-se no final da tarde, antes do início da sessão plenária entre as duas delegações, a nível ministerial, e participaram na assinatura de quatro acordos bilaterais.
 
Fonte: (Notícias ao Minuto)

Cimeira em Lisboa analisa adesão da Turquia à UE

O processo de adesão da Turquia à União Europeia, as situações de tensão na Ucrânia e Médio Oriente, Líbia e o Irão foram os assuntos nesta terça-feira em destaque na reunião bilateral entre os primeiros-ministros de Portugal e Turquia.
Na declaração final conjunta, na sequência da I Cimeira intergovernamental Portugal-Turquia que decorreu no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa, Passos Coelho e Ahmet Davutoğlu sublinharam os “desenvolvimentos positivos” nas relações Portugal-Turquia e trocaram impressões sobre os principais focos de tensão internacionais e regionais, para além de diversas decisões no âmbito da diplomacia económica, a cargo dos dois vice-primeiros-ministros.
Numa referência às negociações de adesão da Turquia à União Europeia (UE), iniciadas em 2005, as duas partes sublinharam a importância da união alfandegária para as duas economias, e a troca contínua de informações sobre o processo de adesão turco.
Na agenda internacional, foram analisadas, ainda, com particular atenção as situações de tensão na Ucrânia, Síria – país com o qual a Turquia tem fronteira - e Líbia, para além da questão do Irão, em particular as negociações em torno do dossier nuclear e diversos cenários no continente africano.
As duas partes reiteraram a “firme condenação do terrorismo em todas as suas formas”, comprometeram-se em prosseguir esforços para resolver a situação na Síria, um conflito muito delicado para Ancara, encorajar o diálogo entre as diversas facções na Líbia, e a aplicação das decisões internacionais no âmbito do processo de paz israelo-palestiniano. Uma concordância natural entre dois parceiros da Aliança Atlântica.
Nesta primeira cimeira intergovernamental foram assinados dois memorandos de entendimento. Um do AICEP e do seu congénere turco e outro no domínio da Educação. Foi igualmente firmado um acordo sobre protecção mútua de informação classificada e um protocolo entre as autoridades de segurança alimentar de ambos os países.
Durante as conversações bilaterais que envolveram os chefes de Governo, os vice-primeiro ministros, os titulares das Finanças, Negócios Estrangeiros, Educação e Defesa foram passados em revista temas da cooperação bilateral. No âmbito das relações económicas foram identificados como prioritários os sectores agro-alimentar, construção civil, transportes, energias, farmacêutico, saúde, indústrias de defesa, turismo e imobiliário.
A promoção da língua portuguesa foi também objecto de análise, em linha com o estatuto de Observador Associado da Turquia na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP. Do mesmo modo, foi acordado promover o ensino do turco como segunda língua estrangeira opcional nas escolas do ensino secundário portuguesas.
 
(Fonte: Público)

17 fevereiro 2015

A islamização e a violência contra as mulheres na Turquia

As organizações de defesa dos direitos das mulheres da Turquia pediram a todos os cidadãos que iniciem, nas redes sociais, uma campanha com a palavra chave (hashtag) "sendeanlat". Significa "Conta também" e pretende manter vivo o protesto pela violação e assassínio de Özgecan Aslan, ao mesmo tempo que alerta para o papel reservado às mulheres no modelo social que o actual Governo está a criar.
"O nosso Estado é um Estado ‘macho’. Esperamos que o Parlamento trave o que está a acontecer", disse à Reuters Sevda Bayramoğlu, da organização Iniciativa Mulheres pela Paz, acusando os homens de matarem, violarem e torturarem as mulheres e ficarem impunes.
A campanha para chamar a atenção sobre o que se está a passar na Turquia foi motivada por um crime, mais um — os próprios dados oficiais dizem que a violência contra as mulheres aumentou na última década, coincidindo com a governação do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) do Presidente Recep Erdoğan; no ano passado 300 mulheres foram mortas por homens e mais de cem foram violadas.
Özgecan Aslan, que tinha 20 anos, foi assassinada na semana passada. Esta estudante de psicologia ia a caminho de casa quando o condutor de um minibus a tentou violar. Perante a resistência da mulher, o condutor agrediu-a na cabeça com um objecto metálico e apunhalou-a.
Aslan foi dada como desaparecida a 11 de Fevereiro, tendo a polícia encontrado o seu corpo a 13. O condutor, o pai dele e um amigo foram detidos e acusados pelo crime. O primeiro-ministro, Ahmet Davutoğlu, prometeu punir os responsáveis pelo crime. Mas as organizações de defesa dos direitos das mulheres e feministas, assim como a oposição secular, consideram que a morte da estudante é um sintoma de uma mudança que está a ser orquestrada pelo próprio Governo.
"Isto é o resultado da atmosfera de radicalização islâmica que este Governo criou", disse Zeynep, uma das milhares de mulheres que no fim-de-semana se manifestaram em toda a Turquia contra a violência de género e em homenagem a Özgecan Aslan. "Os homens dizem que as mulheres têm de ser mais conservadoras, que merecem este tipo de violência", disse.
"Por um lado, estou furiosa com o que aconteceu. Por outro, tenho medo que uma coisa assim me possa acontecer a mim ou às minhas amigas", disse à Reuters outra manifestante, Bulay Doğan. Nas principais cidades turcas, as manifestantes gritaram uma só palavra de ordem: "Basta! Acabemos com o assassínio de mulheres".
O Partido de Erdoğan, no poder desde 2002, tem raízes no islamismo e o Governo é classificado como islamita-conservador. Em Novembro do ano passado, o Presidente fez um discurso num colóquio sobre Justiça e Mulheres — ao qual assistia uma das suas filhas, Sumeyye Erdoğan — em que clarificou a nova política oficial em relação às mulheres. Disse Erdoğan que há diferenças biológicas entre mulheres e homens e que, por isso, as mulheres não podem realizar certas tarefas ou funções — "Por causa da natureza delicada delas". A igualdade homem-mulher é "anti-natural", disse.
"A nossa religião — prosseguiu — definiu um papel para as mulheres: a maternidade. (...) Algumas pessoas entendem isto, outras não conseguem. Não podemos explicar que é assim às feministas porque elas não percebem o conceito de maternidade".
Já no primeiro dia deste ano, e ao visitar a maternidade onde nasceu o primeiro bebé turco de 2015, o ministro da Saúde, Mehmet Müezzin, reforçou a visão oficial do Governo sobre as mulheres: as mulheres devem ter filhos e a única carreira que as mães devem ter é cuidar dos filhos. "As mães têm a carreira da maternidade. As mulheres que são mães não devem tentar ter outra carreira".
O líder do Partido Republicano do Povo (oposição laica e social-democrata), Kemal Kiliçlaroğlu, disse que o aumento da violência contra as mulheres é o resultado da "moral religiosa" e de género do partido no poder. "O AKP chegou ao poder argumentando que a moralidade estava pelas ruas da amargura, mas a verdade é que tanto a moral como a democracia perderam muito terreno nos últimos anos".
O Governo anunciou que vai realizar uma grande campanha de prevenção da violência contra as mulheres. E alguns dos seus ministros responderam à violação e assassínio da estudante de psicologia dizendo que este crime justifica que se considere o regresso da pena de morte na Turquia. "Não tanto como ministra e mais como mãe penso que este género de crime deve ser punido com a morte", disse a ministra da Família e única mulher no Governo, Ayşenur Islam. Uma petição exigindo uma "punição exemplar" para os autores do crime já tem 700 mil assinaturas.
 
(Fonte: Público)
 
   

Özgecan Aslan: O nome que se grita na Turquia

Özgecan Aslan. Desde sexta-feira, este é o nome mais falado na Turquia. Centenas de mulheres invadiram as ruas na Turquia em protesto contra a tentativa de violação e assassinato brutal da estudante de psicologia, de 20 anos, por um condutor de autocarro. Com esta morte, o tema da violência contra as mulheres regressa à praça pública no país.
Os detalhes da morte da estudante de psicologia são brutais. Na passada quarta-feira, após todos os passageiros terem saído do minibus, o condutor saiu do percurso normal e tentou violar Ozgecan. Ela lutou e ripostou ao disparar-lhe spray de gás pimenta para os olhos, para tentar parar a violação. O condutor, porém, não parou. Bateu-lhe e esfaqueou-a até à morte. E, depois, com a ajuda do pai e de um amigo, cortou-lhe as mãos e queimou o corpo. Logo no mesmo dia, os pais de Ozgecan deram-na como desaparecida.
“Esta rapariga inocente estava a ir para casa e foi assassinada”, disse Gül Bebek, uma protestante em Istambul. “Todos os dias, centenas [de mulheres] são expostas a situações de violência, especialmente no leste e sudeste da Turquia, mas ninguém fala sobre isto, Em vez disso, dizem às mulheres para não vestirem mini-saias.”
O condutor confessou o crime após a polícia ter encontrado manchas de sangue no seu minibus. Mais tarde, recuperaram o corpo que tinha sido deitado a um rio. Neste momento, o condutor está preso.
Muitas mulheres turcas estão a utilizar as redes sociais para partilharem as suas experiências de assédio e violação, pedindo, ao mesmo tempo, para o Governo turco ter políticas mais agressivas contra as violações dos direitos das mulheres.
“Nós estamos aqui pelas mulheres, nós estamos aqui para proteger as mulheres”, afirmou Saliha, uma dona de casa turca, que tinha a burca a cobrir a cara, num protesto em Istambul. Dezenas de mulheres envergavam cartazes com a fotografia de Özgecan.
 
(Fonte: Observador)

06 fevereiro 2015

Pólo aquático: Selecção feminina vence a Turquia

A selecção portuguesa feminina de polo aquático venceu a Turquia por 14-7, em jogo da primeira ronda de apuramento para o Europeu de 2016 da modalidade, que decorreu em Longwy, França. Em comunicado, a Federação Portuguesa de Natação (FPN) informou que equipa feminina começou a vencer por 4-1 no primeiro parcial, mantendo a tendência ascendente até ao final da partida.

Os golos portugueses foram apontados por Ana Rita Pereira (1), Mariana Sarmento (1), Inês Nunes (4), Elisabete Matos (2), Aurelie Mariani (1), Inês Braga (4) e Naida Mariani (1).

O seleccionador Miguel Pires admitiu que a equipa "entrou muito focada no objetivo". "Ganhámos o jogo defensivamente e, em termos de ataque, conseguimos, através de contra-ataques, provocar estragos na defesa turca. Parabéns às jogadoras pela entrega e concentração. Mantivemos a intensidade competitiva até ao fim", acrescentou o técnico.

Portugal defronta no sábado a selecção francesa, que goleou a Suíça por 34-3.

Os pontos somados pelas selecções no primeiro torneio de qualificação transitam para o segundo torneio, que se disputa em Outubro.
 
(Fonte: O Jogo)

Turquia ausente da Conferência de Munique

Na capital do estado da Baviera reunem-se políticos, militares e também chefes de Estado e de governo de cerca de 20 países, além de ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros de 60 nações. Este tornou-se um dos mais importantes fóruns sobre segurança mundial. Este ano ao menu está a crise da Ucrânia e a esperança de poderem ser postos frente a frente o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko e o ministro Sergei Lavrov. Sobre a presença do Irão há expectativas de que, paralelamente à conferência, ocorram negociações a respeito do programa nuclear iraniano. A esmorecer a pintura está a recusa da Turquia em participar devido à presença de Israel. Israel e Turquia têm péssimas relações desde que, em 2010, forças israelitas atacaram uma frota turca utilizada por uma ONG para levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Na operação, morreram dez turcos.

(Fonte: Euronews)

05 fevereiro 2015

Delegação de autarcas turcos no Montijo

Montijo recebeu, no dia 3 de fevereiro, a visita de uma comitiva de autarcas da Turquia. Um dia de multiculturalidade, marcado pelo conhecimento de experiências e práticas do Município do Montijo na área da intervenção social e solidariedade.
Os autarcas turcos foram recebidos no Salão Nobre dos Paços do Concelho pelo presidente da Câmara Municipal do Montijo, Nuno Canta, que manifestou o seu total apoio a este tipo de intercâmbios.
“São extremamente necessários e resultado de um dever de solidariedade e de concepção do interesse público que valoriza devidamente os benefícios para o Montijo de um projecto de cooperação internacional. Acreditamos que o nosso futuro colectivo passa também pelo estreitamento de relações com outros municípios”, afirmou.
Na sua intervenção o presidente da Câmara Municipal do Montijo abordou, de uma forma generalizada, as políticas sociais da autarquia, realçando a importância de “reinventar os instrumentos da integração e da solidariedade a partir dos problemas concretos das pessoas. A câmara tem, por isso, desenvolvido respostas sociais de proximidade que visam consensos e compromissos para que se consiga actuar e desenvolver projectos em conjugação com os moradores dos bairros”.
A visita da delegação turca ao Montijo estendeu-se durante todo o dia. Na parte da manhã, foi realizada uma apresentação dos projectos sociais do município e, na parte da tarde, os autarcas turcos tiveram oportunidade de contactar in loco com algumas respostas sociais como o Tu Kontas + no Bairro da Caneira, o Roda Livre no Bairro do Esteval, a Loja Social do Montijo e a Cantina Social.
Os autarcas da Turquia colocaram diversas questões relacionadas com as práticas sociais da Câmara, como o funcionamento da habitação social ou a inclusão social de pessoas de diversas etnias.
Esta visita ao Montijo surgiu no âmbito de um projecto da Associação de Municípios da Turquia, apoiado pela União Europeia, que tem como objectivo principal a criação de gabinetes em 12 municípios turcos para apoio à inclusão social de pessoas em situação de pobreza e de exclusão.

04 fevereiro 2015

Paulo Fonseca convidado para a Câmara de Comércio e Indústria Portugal – Turquia

Paulo Fonseca, presidente da Câmara Municipal de Ourém, foi convidado pelo presidente da Câmara de Comércio Portugal – Turquia, Rui Paias Couto, para ocupar o cargo de vice presidente desta associação.
O convite foi aceite e anunciado aos membros da Câmara, na última reunião do executivo.
Para o autarca, este convite é muito honroso e simboliza “o reconhecimento de um trabalho de vários anos na senda da internacionalização do Município de Ourém” concretizada com a “implementação de uma consciência global que hoje é fundamental para os Povos, as empresas e as instituições públicas”.
Segundo informação veiculada no site da Aicep Portugal Global, E.P.E., Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, esta Câmara de Comércio congratula-se com o avanço verificado entre os dois países nos aspetos da cooperação e da diplomacia económica, lembrando a criação da JETS (Joint Economics and Trade Comission) pelo atual vice-Primeiro-ministro Paulo Portas e pelo ministro da Economia turco, em maio de 2013,, aquando da visita oficial do Presidente Abdullah Gul ao nosso país.
“Atualmente, o relacionamento é muito bom”, sublinha o presidente da CCIPT, Rui Couto, argumentando com os números da balança comercial, nomeadamente com a trajetória das exportações portuguesas, que, “duplicaram” no espaço de apenas quatro anos. Com efeito, segundo as estatísticas, os produtos vendidos pelas nossas empresas à Turquia passaram de 267 milhões de euros, em 2010, para 381 milhões de euros, em 2013.
Já a evolução no prato das importações portuguesas foi diferente, tendo passado de 321,7 milhões de euros em 2010 para 290 milhões em 2013.
 
(Fonte: O Ribatejo)

03 fevereiro 2015

Luís Leal no Gaziantepspor

Depois de um ano no Médio Oriente, o avançado português Luís Leal está de regresso à Europa, tendo assinado contrato válido até final da época com o Gaziantepspor, da Turquia.

"Estou muito feliz por ter surgido esta oportunidade porque há muito tempo que tinha este objectivo de regressar ao futebol europeu. No início da temporada houve uma possibilidade muito concreta de voltar a Portugal, infelizmente não se concretizou, e agora tinha de aproveitar mais esta oportunidade", afirmou o jogador, citado pela sua assessoria de Imprensa.

Com 27 anos, Luís Leal não esconde o entusiasmo por ter assinado pelo actual sétimo classificado da Liga turca.

"É uma liga muito competitiva e acredito que as coisas me vão sair bem e vou continuar a marcar golos, como fiz na Arábia Saudita e nos Emirados", referiu.
 
(Fonte: A Bola)

31 janeiro 2015

Número de turistas portugueses na Turquia aumentou

A Turquia teve em 2014 um aumento em 15,1%  do número de turistas portugueses, que voltaram a superar a marca dos 50 mil, como já não acontecia desde o ano de 2011, de acordo com os dados do Ministério turco da Cultura e do Turismo.
A informação indica que em 2014 chegaram à Turquia 52.851 turistas portugueses, que é o segundo maior total anual de sempre, depois dos 53.373 em 2010, e representa um aumento de 6.923 em relação ao ano anterior.
As chegadas de portugueses à Turquia vinham de três anos sucessivos de quedas, de 2% em 2011, 10,9% em 2012 e 1,5% em 2013, pelas quais em 2013 tinham ficado 13,9% ou 7.445 abaixo do ano recorde de 2010.
Com a subida no ano de 2014, essa queda reduziu-se para 1% ou 522, o que significa uma recuperação de 93% da quebra ocorrida entre 2010 e 2103.
Dezembro 2014 foi um período que contribuiu para essa recuperação, com o total de turistas portugueses chegados à Turquia a superar pela primeira vez os dois mil, com 2.839.
Esse total reflecte um aumento em 45,7% ou 891 relativamente a Dezembro de 2013 e em 64,9% ou 1.117 em relação ao último mês do ano recorde de 2010.
Dados do Aeroporto de Lisboa indicam que o tráfego total em voos de e para a Turquia tiveram em 2014 um aumento do número de embarques e desembarques em 37,1% ou 37,5 mil, para 138,8 mil.
A Turkish Airlines, única companhia com voos regulares todo o ano entre Portugal e a Turquia, voando entre Lisboa e Istambul, somou 133,5 mil passageiros nos dois sentidos, com um crescimento em 36,6% ou 35,7 mil face a 2013.
Os outros cerca de 5,3 mil passageiros foram em charters sazonais, principalmente para Antalya, que até Outubro somaram 3.491 passageiros, tendo um aumento superior a 200%, e Istambul, que somavam 1.853 passageiros, em queda de 55%.
A comparação entre os dados do Aeroporto de Lisboa sobre o movimento de passageiros entre Portugal e a Turquia e do Ministério turco da Cultura e Turismo sobre as chegadas de portugueses aponta para que aproximadamente 24% dos passageiros que voaram de Lisboa para a Turquia fizeram depois conexão para outros destinos.
Essa opção, de facto, transparece em muitos dos programas de operadores turísticos portugueses com programas para o Médio e Extremo Oriente que os elaboram com base em voos da Turkish Airlines.
 
(Fonte: PressTur)

24 janeiro 2015

Erdoğan diz que a UE deve aceitar a Turquia se estiver contra a islamofobia

"Pode a Europa digerir uma Turquia cujo povo é islâmico? Poderá acolhê-la como membro? Está contra a islamofobia ou não? Se está contra deve aceitar a Turquia", diz o presidente turco, Erdoğan.

O Presidente da Turquia, Recep Tayip Erdoğan, afirmou hoje que a União Europeia (UE) deve aceitar o seu país como membro se quiser demonstrar que é contra a islamofobia.
Numa conferência de impresa, transmitida em dirceto pela cadeia NTV em Djibouti, onde se encontra em viagem oficial, Erdoğan disse: "Estamos a pôr à prova a Europa. Pode a Europa digerir uma Turquia cujo povo é islâmico? Poderá acolhê-la como membro? Está contra a islamofobia ou não? Se está contra deve aceitar a Turquia. De outro modo, confirmar-se-ia a tese de que a UE é uma união cristã", acrescentou o chefe de Estado turco.
Erdoğan também sublinhou que "não é importante se a UE aceita ou não a Turquia" e que o país "não está a bater à porta a pedir um favor".
O Presidente turco iniciou na quinta-feira uma visita pela África oriental, passando pela Etiópia e Djibouti, mas cancelou a sua viagem à Somália depois da morte do rei Abdullah da Arábia Saudita, em cujo funeral esteve presente na sexta-feira.

(Fonte: DN)

21 janeiro 2015

Dez anos de prisão para polícias turcos que mataram manifestante

Dois polícias turcos foram condenados a dez anos de prisão depois de terem espancado até à morte um estudante em Junho de 2013. Aconteceu durante os protestos contra o Governo do país. Os familiares da vítima afirmam que as penas são demasiado leves.
Ali Ismail Korkmaz, o estudante de 19 anos, entrou em coma e morreu após ter sido violentamente agredido na cabeça com cassetetes por, pelo menos, quatro homens.

Gravações de câmaras de vigilância mostram Ali Ismail a ser agredido na cabeça pelos polícias descaracterizados durante protestos na cidade de Eskişehir.

O Presidente da Turquia, Erdoğan, disse que os confrontos em Junho de 2013 foram uma tentativa de golpe de Estado.

Pelo menos outros cinco manifestantes e um polícia morreram e milhares de pessoas ficaram feridas nesta manifestação. Os protestos foram desencadeados quando se soube da intenção de demolir o parque Gezi, no centro de Istambul, para construir um centro comercial.
As autoridades recorreram a gás lacrimogéneo, depois de a sentença ter sido anunciada, para dispersar os manifestantes que se encontravam à porta do tribunal na cidade de Kayseri, na Turquia, escreve o jornal The Guardian.
Os condenados foram acusados de contribuírem para a morte do jovem estudante com penas que chegavam aos 13 anos de prisão.
 Os familiares de Ali Ismail dizem que as penas são demasiado leves e demonstraram raiva por as penas terem sido reduzidas para os dez anos. Já os defensores da polícia defendem que a sentença, ainda assim, é injusta.
Mevlut Saldoğan, um dos polícias condenados a dez anos e dez meses de prisão, disse ao tribunal que "os verdadeiros assassinos são aqueles que estão por trás dos protestos no parque Gezi, por terem enviado jovens inocentes para as ruas".
Cerca de 5.500 pessoas foram chamadas a depor em tribunal, algumas por acusações de terrorismo.
Três outros réus foram condenados a quase sete anos de prisão. Houve ainda um homem sentenciado a três anos de prisão, mas o tribunal decidiu absolvê-lo, dado o tempo que passou a aguardar sentença.
 
(Fonte: RTP)

20 janeiro 2015

Vítor Gomes assina pelo Balikesirspor

O Balikesirspor anunciou a contratação de Vítor Gomes, depois de ter chegado a acordo com o Moreirense para a transferência do médio português.
É o terceiro jogador que o clube turco "pesca" no Minho, depois de no início da época ter assegurado Nuno André Coelho, ex-Braga, e André Santos, ex-Vitória de Guimarães.
Vítor Gomes, de 27 anos, tinha chegado esta temporada a Moreira de Cónegos e era uma das peças influentes na equipa de Miguel Leal. O médio deixa o clube como um dos melhores marcadores, a par de André Simões, com três golos. O último que marcou foi no domingo, frente ao Arouca (1-0).
Esta será a terceira experiência de Vítor Gomes fora de Portugal, depois de ter passado pelos italianos do Cagliari e pelos húngaros do Videoton. O Balikesirspor é último classificado do campeonato turco, com 12 pontos. A equipa está a dois pontos do Rizespor, a primeira equipa em zona de manutenção.
 
(Fonte: Rádio Renascença)

16 janeiro 2015

Custódio deixa Braga para rumar à Turquia

Chegou ontem ao fim a relação entre Custódio e o Sporting de Braga: o médio defensivo de 31 anos rescindiu amigavelmente o contrato que o ligava ao clube de Braga, para assim ficar livre para abraçar uma nova aventura em terras estrangeiras.
O médio internacional, que ganhou fama ao vestir a camisola do Sporting, já não era uma opção regular nas escolhas de Sérgio Conceição e a rescisão por mútuo acordo revelou-se a melhor decisão para ambas as partes - o jogador irá rumar à Turquia para reforçar o contingente do Akhisar, treinado por Roberto Carlos.
Esta será a segunda ida de Custódio para terras distantes. Na sua primeira saída de Portugal, Custódio emigrou para Moscovo, na Rússia, onde representou o Dinamo Moscovo, sem grande sucesso. Ao regressar a terras lusas, assinou pelo Vitória de Guimarães, realizando toda a época de 2009/2010 pelos vimaranenses antes de ingressar nos rivais minhotos.
«Foi fantástico vestir a camisola deste Clube! Foram cinco anos fantásticos em que fiz parte de um grande Clube e de uma grande família. O SC Braga é um Clube que cresceu bastante, é um “Grande” e sei que irá continuar a crescer. Eu só tenho a agradecer a toda a gente que trabalhou comigo. Quero deixar um obrigado ao Presidente, treinadores, jogadores, todo o staff, todos os colaboradores do clube, bem como a todos os adeptos, eles que me acarinharam de uma forma que ao início não esperava. Foi sensacional fazer parte deste Clube», declarou ontem o médio na hora da despedida, ao site oficial do SC Braga.
 
(Fonte: Vavel)