27 fevereiro 2018

Mais de 2100 sefarditas adquiriram nacionalidade portuguesa

Um total de 2 160 sefarditas, judeus originários da Península Ibérica expulsos de Portugal no século XVI, adquiriram a nacionalidade portuguesa desde 2016, de acordo com dados do Instituto dos Registos e do Notariado.

Desde finais de março de 2015, altura em que entrou em vigor o decreto-lei que permite a concessão de nacionalidade portuguesa a descendentes de sefarditas, que 12 610 membros apresentaram pedidos, 466 nesse ano, 5 100 em 2016 e 7044 no ano passado. Em 2015, não foi atribuída a nacionalidade portuguesa a qualquer dos 466 de geração sefardita que realizaram o pedido.

Nos dois últimos anos, não só aumentou o número de entradas de pedidos de descendentes de sefarditas como o registo de casos em que foi concedida a nacionalidade portuguesa teve um acréscimo considerável.

Em 2016, foram deferidos 431 pedidos de entre os 5 100, enquanto dos 1 730 processos tendentes à atribuição de nacionalidade no ano passado de requerentes daquela comunidade judaica apenas um foi indeferido.

Na repartição por mês do número de requerimentos em 2017, o Instituto dos Registos e Notariado recebeu um máximo de 1 507 em outubro (252 nacionalidades concedidas), 754 em novembro (214), 738 em setembro (377), 640 em março (126) e 620 em janeiro (104). O registo mais baixo reporta-se aos meses de fevereiro e junho, com 332 formulários apresentados.

Os descendentes de sefarditas com naturalização israelita e turca foram a maioria dos que receberam a nacionalidade portuguesa. Em 2016, foi atribuída a nacionalidade portuguesa a 81 naturais de Israel e a 271 da Turquia, enquanto no ano passado os números ficaram em 457 e 968, respetivamente. Significa que, até ao final do ano passado, 538 descendentes de sefarditas naturais de Israel têm a nacionalidade portuguesa e 1 239 são provenientes da Turquia.

A iniciativa legislativa visou reforçar os laços de Portugal com a comunidade judaica e reconhecer a sua herança.

Em Espanha, o Governo legislou igualmente sobre a matéria, igualmente em 2015, e concedeu a nacionalidade espanhola a mais de 5 000 descendentes de sefarditas.

Com a perseguição movida pela Inquisição espanhola aos sefarditas (também conhecidos na época por "marranos"), que começou em 1492, Portugal acolheu-os, mas, a partir de 1459 expulsou os que não se sujeitassem ao batismo católico. A expulsão obrigou a um êxodo para Holanda, Reino Unido, Turquia e norte de África, mais tarde para o Brasil, Argentina, México e Estados Unidos.

(Fonte: Diário de Notícias)

26 fevereiro 2018

Meral Akşener: "A Turquia está limitada em Afrin"

Meral Akşener, antiga ministra do interior e atual líder do "Bom Partido" da Turquia, falou com a Euronews sobre a operação militar turca em Afrin e sobre a política do presidente Erdogan para a Síria.


“Infelizmente, a Turquia transformou-se num país que não discute a sua política externa, nem no parlamento, nem em público. A política externa é construída a partir das declarações do Sr. Erdoğan. Como resultado desta realidade, todos os dias enfrentamos uma consequência diferente. Sobre o Exército Livre da Síria, gostaria de dizer o seguinte: Lançámos uma operação tardia em Afrin com o objetivo de garantir a segurança para a Turquia, de acordo com o direito internacional. Não se trata de uma guerra. Lançámos uma operação. Portanto, este é um processo legítimo para o país. E o Senhor Erdogan declarou que será feito o que é preciso na região e só depois a operação pode terminar. Neste contexto, o Exército Livre da Síria surge como um amigo tanto em termos do direito internacional, como em termos da política externa. Os Estados Unidos de um lado, e a Rússia e o Irão do outro, uma política moldada apenas pelo líder do partido AKP, e com um ministério dos negócios estrangeiros desativado... Não temos os meios para dizer sim ou não”.

No final de outubro, Meral Akşener formou um partido político de centro-direita para concorrer às presidenciais de 2019.

Fonte: Euronews

24 fevereiro 2018

Pelo menos 130 civis mortos na ofensiva em Afrin

Pelo menos 130 civis morreram na sequência da ofensiva que a Turquia iniciou em meados de janeiro contra o enclave curdo de Afrine, no noroeste da Síria, informou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Entre estas baixas civis, constam 25 crianças e 19 mulheres, precisou aquela organização não-governamental (ONG) com sede em Londres.

O Observatório especificou que um menor morreu hoje e outros cinco civis ficaram feridos em ataques aéreos conduzidos pelas forças turcas nas aldeias de Yindiris (sudoeste de Afrine) e Shara (nordeste).

A par das vítimas mortais, a ONG indicou que centenas de pessoas ficaram feridas na sequência dos raides aéreos e dos ataques de artilharia realizados pelas forças de Ancara desde meados de janeiro.

Desde dia 20 de janeiro, a Turquia e fações opositoras sírias pró-Ancara levam a cabo uma ofensiva terrestre e aérea em Afrine (província síria de Alepo), zona controlada pela principal milícia curda na Síria, as Unidades de Proteção Popular (YPG).

Ancara acusa o YPG de ser o ramo sírio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que é considerado uma organização terrorista pela Turquia, e deseja expulsar a milícia curda desta região.

Segundo as agências internacionais, violentos confrontos foram registados, este sábado, nas zonas rurais do noroeste de Afrine e em Yindiris, combates que envolveram as forças turcas, fações armadas sírias e a milícia YPG.

As forças da ofensiva liderada pela Turquia, denominada "Ramo de Oliveira", já assumiram o controlo de um total de 63 localidades, incluindo Balbala, que representa cerca de 18% da população de Afrine.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos 'jihadistas', e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 350 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

(Fonte: Jornal de Notícias)

05 fevereiro 2018

De Portugal à Turquia a pé durante 500 dias

De Portugal até à Turquia a pé. Um plano de 500 dias. Dez mil quilómetros através de 17 países e mais de 120 parques naturais. Marie, 29 anos, e Nil, 31, são dois jovens franceses com um projecto: Deux Pas Vers l’Autre.

Começou segunda-feira, 5 de Fevereiro, em Sagres, esta ultracaminhada pelo Sul da Europa. "Depois de termos viajado por todo o mundo, a nossa ideia passa por descobrir o nosso continente, em particular os países e as regiões desconhecidos", explicam os protagonistas, apregoando a "sustentabilidade social, cultural e ambiental", destacando-se à partida o programa "um quilo pelo planeta", em que o casal se propõe recolher lixo pelo caminho (aliviando esse peso sempre que possível e repetindo essa acção as vezes que forem necessárias).

Marie e Nil, que trabalhavam, respectivamente, nas áreas de recursos humanos e fotografia de moda e vídeo, assumem que irão evitar "grandes cidades". "Enquanto alguns óptimos trilhos de caminhada às vezes ditam o nosso caminho, muitas vezes escolhemos desviarmo-nos deles. A Europa que sonhamos descobrir é sobretudo rural, não reconhecida, até mesmo esquecida. Mito ou realidade, também imaginamos que podemos fazer contactos mais facilmente em pequenas localidades", escrevem no blogue onde explicam como preparar uma viagem deste género.

Essa descentralização será parte essencial do plano. "Atravessar essas aldeias também nos proporcionará uma oportunidade para obter água e comida. Mesmo se planearmos passar vários dias em autonomia, organizar pontos de reabastecimento frequentes é essencial. Certificamo-nos que encontraremos aldeias regularmente na nossa rota."

Conscientes de que "não existe um encaixe perfeito entre itinerário, meteorologia e riscos" ("não existe um itinerário infalível"), o plano de viagem cruza-se com a questão da sobrevivência ("porque cada oportunidade é boa para obter água, referenciámos as fontes e os rios") e com o clima ("ajustámos nosso cronograma, evitando os riscos do calor e os picos de calor nas montanhas suíças"). "O ideal é reduzir a dificuldade, e até situações perigosas, ao mínimo sem comprometer as etapas importantes da jornada", que percorrerá Portugal, Espanha, França, Itália, Suíça, Eslovénia, Croácia, Bósnia, Montenegro, Kosovo, Macedónia, Albânia, Grécia, Bulgária, Sérvia, Roménia e Turquia.

(Fonte: Público)

04 janeiro 2018

Tensão entre Washington e Ancara dispara com condenação de banqueiro turco

O Governo turco reagiu com indignação à condenação do director do banco estatal Halkbank, Mehmet Hakan Atilla, pelas autoridades norte-americanas, num processo de corrupção que envolve um esquema conjunto com a República Islâmica do Irão para iludir o regime de sanções imposto pelos Estados Unidos. Classificando a decisão judicial como uma “desgraça jurídica”, Ancara contestou a “interferência sem precedentes nos assuntos internos” de um país aliado da NATO e lamentou o caso como um ataque com motivações políticas que vem azedar ainda mais as (já tensas) relações bilaterais.

O Governo de Recep Tayyip Erdogan insurgiu-se contra o processo assim que foram deduzidas acusações contra Mehmet Hakan Atilla e outros oito arguidos (entre os quais o antigo responsável pela pasta da Economia, Zafer Caglayan) num tribunal federal de Nova Iorque. Quer pessoalmente, quer através de vários ministros do seu Governo, Erdogan pôs em causa a legitimidade e até a legalidade do processo, que disse assentar em provas falsas, especialistas escandalosos e magistrados duvidosos – segundo o vice primeiro-ministro, Bekir Bozdag, tratou-se de um complô orquestrado pela CIA, o FBI e a rede do imã Fethullah Gülen, o arqui-inimigo de Erdogan que está exilado nos EUA.

O Presidente ainda não se pronunciou sobre o desfecho do julgamento, mas o seu porta-voz, Ibrahim Kalin, comentou que “um caso escandaloso só podia acabar com um veredicto escandaloso”. O ministro da Justiça, Abdulhamit Gül disse que a Turquia não reconhecia a sentença. Apesar de o nome de Erdogan não figurar directamente no processo, o chefe de Estado não deixou de se ver afectado pelo caso, uma vez que foi entendido que o esquema ilícito decorreu com o seu conhecimento e aprovação.

Mehmet Hakan Atilla, que supervisiona o departamento internacional do banco estatal foi condenado pelos crimes de fraude bancária e conspiração para violar as sanções ao Irão e defraudar os EUA, enfrentando uma pena de prisão que ultrapassa os 30 anos. Mas o tribunal não determinou, para já, se o Halkbank será objecto de punições financeiras e administrativas. Num comunicado, a instituição bancária fez questão de lembrar que não estava implicada neste julgamento.

O banqueiro, que se declarou inocente e decidiu recorrer da sentença, esteve sozinho durante o julgamento: enquanto sete dos arguidos estão fugidos da justiça, um dos imputados no esquema assinou um acordo para colaborar com os procuradores na qualidade de testemunha da acusação.

Reza Zarrab, um cidadão turco-iraniano que negoceia em ouro, explicou a forma como os dirigentes do banco Halkbank, apoiados por elementos do Governo turco e do regime iraniano, puseram de pé uma operação que lhes permitiu aceder a milhões de fundos de petrodólares que estavam restritos no âmbito das sanções aplicadas pelos EUA a Teerão.

A operação, depôs Zarrab, foi comunicada a Erdogan em 2012. Nessa altura, o líder turco ocupava o cargo de primeiro-ministro: segundo disse o “arrependido” – que admitiu ter lucrado 150 milhões de dólares com a participação no esquema – Erdogan terá dado ordens para envolver dois bancos do seu país em transacções falsas de produtos agrícolas e outros bens com entidades que escondiam o comércio de petróleo vedado pelo Tesouro norte-americano.

A condenação de Atilla poderá ser lida como um “embaraço” para Erdogan, mas os analistas políticos não esperavam quaisquer consequências políticas do processo. “Em primeiro lugar, a corrupção não é um tema muito sensível para a população turca. E o Governo foi capaz de usar o actual sentimento anti-americano a seu favor ao referir-se a este caso como uma conspiração contra a Turquia”, disse ao The New York Times o director do Centro de Estudos da Turquia do Instituto do Médio Oriente, Gonul Tol.

No entanto, os analistas financeiros alertaram para o impacto que o caso poderia ter na banca turca – e o efeito negativo para o sistema bancário e a economia do país. Antes do anúncio da decisão do tribunal nova-iorquino, o ministro das Finanças da Turquia, Naci Agbal, garantiu que Ancara faria “tudo o que fosse necessário” para proteger o seu sector bancário. “Aconteça o que acontecer, estaremos do lado dos nossos bancos”, disse à Reuters.

(Fonte: Público)

20 janeiro 2017

FC Porto confirma transferência de Varela para a Turquia

Os Dragões confirmaram a transferência do internacional português para o Kayserispor, da Liga turca: "Varela já não participou no treino, tendo-se transferido para o Kayserispor, da Liga turca. 

Termina assim uma ligação de sete anos e meio do internacional português com os Dragões, que fica marcada por muitos títulos (uma Liga Europa, três Ligas portuguesas, duas Taças de Portugal e cinco Supertaças) e pelo profissionalismo", lê-se. 

O extremo, de 31 anos, chegou ao FC Porto em 2009/10, jogou em 236 partidas oficiais, nas quais marcou 50 golos, tendo sido emprestado ao West Bromwich e ao Parma na temporada 2014/15. 

Formado no Pescadores da Costa da Caparica e no Sporting, Varela passou ainda por Casa Pia, Vitória de Setúbal, Estrela da Amadora e pelos espanhóis do Recreativo de Huelva. 

Varela, que apenas fez sete jogos esta temporada, era, a par com Kelvin, que regressou em janeiro, o único jogador do plantel azul e branco que já tinha sido campeão pelo clube.

(Fonte: O Jogo)

31 maio 2016

Portugal foi ultrapassado pela Turquia no ranking de competitividade

Portugal desceu três lugares no índice mundial de competitividade, publicado anualmente pelo IMD World Competitiveness Center, que junta 61 economias de todo o mundo, e foi ultrapassado pela Turquia. 

O estudo divulgado pela escola suíça de gestão IMD Business School mostra igualmente que os Estados Unidos deixaram de ser a economia mundial mais competitiva, tendo sido ultrapassados pela China/Hong Kong, que ocupa agora o primeiro lugar, e pela Suíça. 

O "top 10" dos países mais competitivos integra ainda Singapura, Suécia, Dinamarca, Irlanda, Holanda, Noruega e Canadá. 

Portugal, que ocupava no ano passado a 36ª posição, escorregou para o 39.º lugar, e foi suplantado pela Turquia, que passou de 40º para 38º país mais competitivo do mundo. Taiwan, Malásia, República da Coreia e Indonésia também sofreram descidas significativas face às posições que ocupavam em 2015, enquanto a China Continental recuou ligeiramente, mantendo-se no 'top 25'. 

O estudo revela que alguns dos avanços mais significativos da Europa aconteceram nos países de leste, nomeadamente na Letónia, Eslováquia e Eslovénia. As economias da Europa ocidental também continuaram a progredir, com os investigadores a realçarem o papel do setor público na recuperação pós-crise financeira.

(Fonte: Jornal de Notícias)

05 fevereiro 2016

Turquia fecha fronteira e acusa Rússia de criar novo êxodo de refugiados sírios

A Turquia fechou esta sexta-feira a sua fronteira a sul da cidade turca de Kilis, para onde afluíram milhares de pessoas que fugiam de Aleppo, a maior síria cidade controlada maioritariamente pelos rebeldes sírios, que nos últimos dias tem estado a ser alvo de fortes ataques das forças do regime de Bashar al-Assad e da aviação russa. 

O primeiro-ministro turco Ahmet Davutoğlu acusa a Rússia de estar com os seus bombardeamentos a provocar o êxodo de dezenas de milhares de sírios. 

Os turcos antecipam uma nova crise de refugiados, numa altura em que a Europa ainda tenta resolver o problema daqueles que já abandonaram anteriormente o país. “Atualmente, há 10 mil novos refugiados à espera à porta de Kilis por causa dos bombardeamentos aéreos e dos ataques contra Aleppo. 

Entre 60 mil e 70 mil pessoas estão a deslocar-se a partir dos acampamentos do norte de Aleppo em direção à Turquia”, afirmou o primeiro-ministro turco, em declarações proferidas em Londres. 

A Turquia já acolhe atualmente cerca de 2,5 milhões de sírios no seu território. 

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos também indicou que 40 mil civis deixaram Aleppo desde segunda-feira, que está a ser alvo dos mais intensos bombardeamentos desde o início do conflito. 

As forças governamentais conseguiram cortar a principal linha de fornecimento entre a fronteira da Turquia e Aleppo e os rebeldes podem estar prestes a perder o seu último grande bastião e a guerra com Assad. 

 (Fonte: Expresso)

22 janeiro 2016

Joe Biden acusa Turquia de limitar liberdade de expressão

O vice-presidente dos EUA começou uma curta visita de dois dias à Turquia com um puxão de orelhas ao Governo de Ahmet Davutoglu, dizendo que o país "não está a dar o exemplo que devia dar" à região, ao "intimidar" jornalistas e ao "cercear" a liberdade na Internet. 

"Quanto mais bem-sucedida for a Turquia, mais forte será a mensagem enviada a todo o Médio Oriente e a áreas do mundo que só agora começam a lidar com a noção de liberdade", disse Joe Biden, perante personalidades da sociedade civil da Turquia e deputados. 

O vice-presidente dos EUA chegou à Turquia na noite de quinta-feira, para uma visita que se estende até sábado, depois de ter participado no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça. Para sábado estão marcadas conversas com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e com o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu. 

Esta sexta-feira, Joe Biden reuniu-se com representantes de organizações não-governamentais, académicos e deputados de três dos quatro partidos com representação parlamentar – o Partido da Justiça e Desenvolvimento (islamita e conservador, no poder), o Partido Democrático do Povo (esquerda e pró-curdo) e o Partido Popular Republicano (centro-esquerda). O Partido Movimento Nacionalista, da extrema-direita, recusou-se a estar presente. 

Apesar de reafirmar o apoio ao Governo turco na luta contra os ataques do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o vice-presidente dos EUA condenou medidas como a imposição do recolher obrigatório no Sudeste do país, onde os episódios de violência são mais acentuados. "Quando os jornalistas são intimidados ou detidos por fazerem um trabalho crítico, quando a liberdade na Internet é cerceada e as redes sociais como o YouTube ou o Twitter são encerradas, e mais de mil académicos são acusados de traição apenas por terem assinado uma petição, não se está a dar o exemplo que se deveria dar", afirmou o vice-presidente dos EUA. 

Num dia em que também visitou a mulher e o filho do director do jornal Cumhuriyet, Can Dundar,  que foi detido em Novembro do ano passado, Joe Biden insistiu no puxão de orelhas: "Quando não temos capacidade para expressar a nossa opinião, para criticar as políticas, para propor ideias opostas sem medo de sermos intimidados ou punidos, estamos a tirar uma oportunidade ao nosso país."

(Fonte: Público)

15 janeiro 2016

Erdoğan declara guerra aos signatários de uma petição pela paz

O Governo turco lançou esta sexta-feira uma caça aos signatários de uma petição que pede o fim das operações controversas do Exército contra a rebelião curda, o que suscitou a ira do Presidente, Recep Tayyip Erdoğan, reavivando as críticas sobre a sua deriva autoritária. 

Por ordem da Justiça, a polícia turca deteve em Kocaeli (nordeste) 14 universitários que colocaram o seu nome por baixo deste “apelo pela paz”. Em Bolu (norte), as forças de ordem revistaram os domicílios de três outros signatários da petição. Em todo o país foram abertos inquéritos judiciais por “propaganda terrorista”, “insulto às instituições e à República turca” e “incitamento a violar a lei” contra os signatários da petição, que arriscam entre um a cinco anos de prisão. 

Segunda-feira, perto de 1200 pessoas já tinham assinado “uma iniciativa universitária pela paz”, que reclamava o fim da intervenção das forças de segurança turca contra os apoiantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), no Sudeste do país de maioria curda. O texto denuncia “um massacre deliberado e planificado em total violação das leis turcas e dos tratados internacionais assinados pela Turquia”. 

Apoiados por tanques, o exército e a polícia turca avançaram há um mês sobre as cidades de Cizre e Silopi que estão a cumprir um cessar-fogo, bem como o distrito sul de Diyarbakir, para desalojar apoiantes armados do PKK que se tinham entrincheirado em alguns bairros. Os combates provocaram a morte de inúmeros civis e o êxodo de uma parte dos habitantes. 

Esta petição, que também é assinada por intelectuais estrangeiros como o linguista americano Noam Chomsky, provocou a fúria dos dirigentes turcos. Pela terceira vez esta semana, Erdoğan acusou os signatários de serem cúmplices dos “terroristas” do PKK e justificou as acções judiciais contra eles. “Aqueles que se juntam ao campo dos cruéis são eles próprios cruéis e aqueles que apoiam os autores de massacres são cúmplices dos seus crimes”, disse o Presidente turco. 

Nas páginas do jornal Yeni Safak, um dos porta-vozes favoritos do poder, o editorialista Ibrahim Karagül apelou aos estudantes para “boicotarem as aulas daqueles que apoiam o terrorismo e se escondem por detrás da palavra paz”. Várias universidades abriram inquéritos disciplinares contra professores signatários da petição, registando-se já um caso de um professor que foi despedido em Düzce (noroeste). E nas redes sociais são muitos os estudantes que insultam os seus colegas signatários com frases como: “Traidores como tu não têm lugar no glorioso solo turco.” 

Estas operações policiais são “muito perigosas e inaceitáveis”, denunciou o Partido Republicano do Povo (oposição social-democrata). Elas “mergulham a Turquia nas trevas”, reagiu o Partido Democrático dos Povos (pró-curdo). A representante da Human Rights Watch na Turquia, Emma Sinclair Webb, escreveu no Twitter que estas detenções de universitários são “escandalosas”. “Exprimir a sua preocupação com a violência não significa apoiar o terrorismo. Criticar o Governo não é traição”, explicou o embaixador dos Estados Unidos em Ancara, John Bass. 

Depois de mais de dois anos de cessar-fogo, os combates entre as forças turcas e o PKK foram retomados no Verão passado, estilhaçando as negociações abertas no final de 2012 para tentar pôr fim a um conflito que já provocou mais de 40 mil mortos desde 1984. 

 (Fonte: Público)

13 janeiro 2016

Turquia já esperava atentados

Os serviços secretos turcos já esperavam um atentado do grupo Estado Islâmico contra turistas em Istambul e Ancara, antes do ataque suicida de terça-feira em que morreram dez alemães.

De acordo com o que é avançado esta quarta-feira pelo diário em língua inglesa Hürriyet, a polícia turca foi alertada em duas ocasiões para a possibilidade de 19 suspeitos militantes do Estado Islâmico terem entrado recentemente no país com intenções de atacar edifícios ligados a países da NATO, zonas de grande circulação e locais turísticos. O aviso mais recente foi transmitido há uma semana, no dia 4 de Janeiro, e chegou às representações da Alemanha, França e Holanda. O mais antigo data de 17 de Dezembro. Ambos designavam Ancara e Istambul como os dois locais para atentados. A polícia turca já conhecia os 19 suspeitos jihadistas nos alertas – dez homens e nove mulheres –, mas o saudita que se acredita ter executado atentado de terça-feira não se encontrava entre eles. O Governo não o confirmou ainda, mas a imprensa turca dá como certo que o bombista é Nabil Fadli, militante de 27 anos de ascendência síria. O seu nome foi registado pelos serviços de imigração turcos nos primeiros dias de Janeiro, mas não constava das listas de suspeitos jihadistas. “A avaliação de que as suas impressões digitais foram recolhidas e que existe um registo dele está certa”, confirmou o ministro turco do Interior em conferência de Imprensa, nesta quarta-feira. “Mas não fazia parte da lista de indivíduos procurados. Nem sequer nas listas de alvos que nos foram enviadas por outros países”, concluiu Efkan Ala, ao lado do seu homólogo alemão, Thomas de Maiziere. 

A polícia turca avançou sobre redes conhecidas de extremistas horas depois do atentado em Istambul e fez dezenas de detenções. Esta quarta-feira anunciou que dessas operações resultou a captura de um homem que acreditam ser cúmplice do bombista. Foram também capturados três cidadãos russos, em Antalya, no Sudoeste do país. As autoridades afirmam que o material encontrado na casa destes indivíduos indica que pertenciam a uma célula de apoio a combatentes do Estado Islâmico. 

O ministro turco do Interior assegura que “a investigação continua de forma intensiva”. O Governo tenta combater as críticas de que os recursos que dedica a grandes operações policiais e militares no Sudeste do país, em zonas de maioria curda e em combate a militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK, esgotam a sua capacidade de controlar a ameaça terrorista do Estado Islâmico. Daí que Efkan Ala tenha defendido os esforços do seu Governo contra a ameaça do Estado Islâmico. Segundo ele, a polícia deteve 200 suspeitos jihadistas há apenas uma semana – as autoridades anunciaram no final de 2015 terem impedido um duplo atentado suicida para o dia de Ano Novo, em Ancara. O ministro adianta que, no total, a polícia turca fez já 3318 detenções de pessoas suspeitas de ligação ao Estado Islâmico. Destas resultaram 847 prisões, a maior parte cidadãos estrangeiros. A seu lado, Thomas de Maiziere tentava travar o receio na Alemanha de que a Turquia deixou de ser um local de turismo seguro – Berlim é a principal interessada na revitalizada aliança da União Europeia com a Turquia para diminuir o número de refugiados que atravessam o Mediterrâneo. O ministro alemão assegurou que não existem provas de que o ataque tenha atingido deliberadamente alemães – para além dos dez mortos (a informação de que havia um peruano entre os mortos foi corrigida), há nove turistas alemães feridos, dois deles nos cuidados intensivos. “Se os terroristas tentavam perturbar, destruir ou prejudicar a cooperação entre parceiros, conseguiram o oposto: Alemanha e Turquia ficaram ainda mais próximos”, prometeu.

(Fonte: Público)

18 dezembro 2015

Portugal vence a Turquia em Santiago do Cacém

Santiago do Cacém viveu ontem, 17 de dezembro, um dia diferente no setor desportivo. O Campo Municipal Miróbriga recebeu o jogo Portugal vs. Turquia, onde a Equipa das Quinas venceu a partida por (1-0). Mickael Almeida, aos 42 minutos, marcou o golo da vitória da Seleção.
Esta foi a segunda partida da semana diante da Turquia, depois de ter empatado (1-1), na terça-feira, em Sines.
Estes encontros visam a preparação da Equipa Lusa que disputará a Ronda de Elite, a segunda e última fase de qualificação para o Campeonato da Europa Azerbaijão 2016, que será disputada entre os dias 16 e 21 de março na Croácia.
No mês de fevereiro, a formação orientada por Hélio Sousa terá ainda oportunidade de disputar mais três partidas no Torneio Internacional do Algarve.
A Câmara Municipal esteve representada neste encontro pelo Presidente da Câmara Municipal, Álvaro Beijinha, onde se destacou também a presença de um dos maiores goleadores de sempre da Seleção Portuguesa, o ex-internacional português, Pauleta, que neste momento exerce funções diretivas na Federação Portuguesa de Futebol.

(Fonte: Distrito Online)

17 dezembro 2015

Sete portistas vencem a Turquia

Diogo Costa, Diogo Bessa, Diogo Dalot, Diogo Leite, Diogo Queirós, Lamba e Lameira, jogadores das camadas jovens do FC Porto, participaram na tarde desta quinta-feira na vitória da seleção portuguesa de Sub-17 sobre a congénere da Turquia (1-0), em jogo particular disputado no Campo Miróbriga, em Santiago do Cacém.

Mickael Almeida foi o autor do único golo do desafio, que serviu de preparação para a Ronda de Elite, a segunda e última fase de qualificação para o Campeonato da Europa de 2016, que será disputada entre os dias 16 e 21 de Março, na Croácia.

O FC Porto foi o clube com mais representantes na equipa portuguesa (sete), que já na terça-feira tinha defrontado o mesmo adversário, tendo encontro terminado empatado (1-1).

A formação orientada por Hélio Sousa alinhou da seguinte forma: Diogo Costa; Diogo Dalot (João Oliveira, 41m), Thierry Correia (Diogo Bessa, 64m), Diogo Leite e Diogo Queirós (cap.); Florentino, Lameira e Filipe Soares (Gedson Fernandes, 41m); Nuno Santos (Leandro Tipote, 64m), Mickael Almeida (Lamba, 64m) e Trincão (Jorge Teixeira, 41m). 

(Fonte: FC Porto)

16 dezembro 2015

Portugal ajuda Turquia com 24 milhões de euros

O primeiro-ministro anunciou que Portugal vai contribuir com 24 milhões de euros para ajudar a Turquia no acolhimento aos refugidos, disponibilizar equipas técnicas que possam dar apoio no terreno e está disponível para receber mais refugiados.

"Esse apoio deve ser financeiro, que se estima em 24 milhões de euros, mas deve ser também um apoio mais ativo, quer disponibilizando equipas técnicas no apoio ao acolhimento, avaliação e rastreio das pessoas que pedem auxílio, como também na disponibilidade acrescida de acolher refugiados que agora se encontram na Turquia", afirmou António Costa.

O debate de preparação do Conselho Europeu expôs as divergências entre o PS e os partidos que apoiam no parlamento o Governo de António Costa, particularmente patente nas questões relacionadas com a França, a Síria e a questão turca, com o primeiro-ministro a defender o papel daquele país na crise dos refugiados e a porta-voz do BE a considerar que a Turquia "é parte do problema" do autoproclamado Estado Islâmico. "A Turquia não só ataca o exército curdo, linha de defesa contra o Daesh [acrónimo árabe do grupo Estado Islâmico], como é pela Turquia que circula o petróleo que alimenta o exército do terror. O Daesh ganha 1 a 2 milhões de euros por dia com a venda petróleo que, parte dele, passa pela Turquia", afirmou Catarina Martins, que salientou a importância de asfixiar as fontes de financiamento do autodesignado Estado Islâmico.
A porta-voz do BE argumentou ainda não poder "ignorar a venda de armas europeias, de Estados da União Europeia, ao Daesh, feita em grande medida através da Arábia Saudita", defendendo que "a Europa está a alimentar o terror que diz que quer combater" e manifestando-se contra bombardeamentos na Síria.
António Costa admitiu que existem duplicidades na questão do combate ao terrorismo, do Estado Islâmico e outros, nomeadamente os "offshore" que se mantêm no espaço europeu", mas não só concordou com a aliança com a Turquia como assumiu que a França tem legitimidade para se defender, reconhecendo implicitamente que os bombardeamentos na Síria foram um ato em legítima defesa pelos ataques terroristas em Paris.
"Fazemos parte da coligação internacional que responde ao Daesh e temos de assumir todas as obrigações que daí decorrem e desde logo reconhecemos à França a legitimidade para a invocação das cláusulas do artigo 42 do Tratado de Lisboa", afirmou.
Contudo, o primeiro-ministro sublinhou a necessidade de, neste processo de combate ao terrorismo, serem respeitados os "princípios da liberdade", nomeadamente quanto ao registo de passageiros, muito criticado pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
"O registo de passageiros não pode ser feito de uma forma que viole garantias consagradas na carta dos direitos fundamentais", disse António Costa.
Jerónimo de Sousa referiu-se a uma deriva securitária e questionou a posição do Governo sobre a "diretiva do registo de identificação indiscriminada de passageiros que sujeita todos os cidadãos ao mesmo nível de controlo e vigilância, retendo-se a informação durante 5 anos, em que é posta à disposição dos serviços de informação".
O líder do PCP referiu-se também à discussão no Conselho do referendo à permanência da Grã-Bretanha na União Europeia, argumentando que será uma "grande operação de condicionamento do povo britânico" e que pode adotar medidas como a "institucionalização da discriminação dos emigrantes".
Na resposta, o primeiro-ministro opôs-se à europeização das questões internas dos países e apesar de sublinhar que Portugal mantém com a Grã-Bretanha a mais antiga aliança diplomática do mundo nunca poderá concordar com medidas que colidam com "liberdades fundamentais da União Europeia, como é a liberdade de circulação e o princípio de não discriminação".
Pelo partido ecologista "Os Verdes", Heloísa Apolónia defendeu que não se pode "cair na hipocrisia" de esquecer as causas da crise migratória e do terrorismo, que é alimentado pelo negócio das armas.
"E quando o terrorismo é combatido com bombardeamentos que massacram e afugentam povos, isso tem de ser discutido quando se discute com justiça a matéria dos refugiados", declarou.
O PS dividiu as suas perguntas em duas intervenções, com Eurico Brilhante Dias a questionar o Governo sobre fundos comunitários e Vitalino Canas a pronunciar-se sobre matérias como o terrorismo e a crise migratória, mas também o referendo na Grã-Bretanha.
Sobre esta matéria, Vitalino Canas disse que todos os Estados-membros devem contribuir para a permanência do país na União e que há propostas positivas que vão nesse sentido, como o aprofundamento do papel dos parlamentos nacionais e da participação dos Estados que não estão na moeda única.

(Fonte: Jornal de Notícias)

09 novembro 2015

Mais de 400 mil crianças sírias não vão à escola na Turquia

Mais de dois terços das 708 mil crianças sírias que estão na Turquia, como refugiadas, não vão à escola, apesar de a lei turca lhes dar esse direito e de estarem em idade da escolaridade obrigatória, conclui a organização humanitária Human Rights Watch, num estudo publicado nesta segunda-feira. 

É um número que representa cerca de 415 mil crianças e jovens sírios, entre os sete e os 17 anos, refugiadas na Turquia pela guerra e fora do sistema de ensino. Há várias barreiras para a entrada de crianças sírias nas escolas turcas. São sobretudo entraves de ordem social, económica, ou de inclusão social e educativa. O problema atinge predominantemente os sírios que estão fora dos campos de refugiados, 85% dos mais de dois milhões de cidadãos sírios fugidos da guerra no país vizinho – 90% dos jovens em campos na fronteira da Turquia com a Síria vão a escolas especiais com currículos sírios em língua árabe, mas apenas 25% dos que estão nas zonas urbanas o fazem. 

"Horrores indescritíveis" estão a ser feitos às crianças da Síria.Na Síria do pré-guerra, 99% das crianças cumpriam a escola primária e 82% matriculava-se nos primeiros anos do ensino secundário. Na Turquia, o país em que vivem mais refugiados sírios, há quatro anos de escolaridade obrigatória de ensino primário, outros quatro de ensino intermédio e mais quatro de ensino secundário. Ao não haver garantia de ensino para as crianças e jovens sírias deslocadas pela guerra, os países de acolhimento arriscam-se a criar uma população alienada, que corre para a radicalização ou para a morte, como diz Shaza, mulher síria à frente de um centro de educação em Istambul. O seu filho, Omar, regressou à Síria e juntou-se a um grupo rebelde depois de não ter conseguido entrar numa escola na Turquia, para onde fugiu da guerra. Morreu com 16 anos a lutar contra o exército do Presidente Bashar al-Assad. “Se uma criança não for à escola, terá grandes problemas no futuro. Acabará nas ruas, ou regressará à Síria para morrer em combate, ou será radicalizada por extremistas, ou morrerá no oceano a tentar chegar à Europa”, diz Shaza à Human Rights Watch. 

Conflitos impedem 13 milhões de crianças de ir à escola este ano Conflitos impedem 13 milhões de crianças de ir à escola este ano Em teoria, Ancara deu um salto qualitativo nas suas leis de proteção de refugiados sírios em 2014, com alterações para permitir o acesso ao sistema universal de educação. Isto apesar de não os reconhecer formalmente como tal – a Turquia é o único país-membro da convenção internacional de refugiados de 1951 que mantém o seu texto original e que, por isso, pode apenas considerar cidadãos europeus como refugiados. Em Abril, alterou a sua lei de imigração de forma a conceder autorizações formais de residência aos cidadãos sírios em seu território e assim permitir-lhes viver fora dos seus 25 campos de refugiados. Mais tarde, o Executivo turco reconheceu oficialmente o direito a cuidados de saúde, acomodação, educação e outros serviços e apoios do Estado a todos os estrangeiros sob a proteção do país. As reformas na lei de imigração e de residência de estrangeiros na Turquia permitiram que as crianças e jovens sírios pudessem entrar no sistema de ensino público turco com um cartão de “identificação de estrangeiro”, um documento acessível a todos os sírios no país. Estavam criadas as condições para que todas as crianças e jovens sírios na Turquia pudessem entrar no sistema de ensino. Na prática, porém, escreve a Human Rights Watch, há uma série de entraves à ida de crianças sírias à escola. Em primeiro lugar, há várias escolas públicas em que continuam a não ser admitidos cartões de identificação de estrangeiros como documento válido, sobretudo em zonas mais rurais. Para além disto, o sistema de ensino turco tem apenas aulas em turco e não em árabe, a língua oficial e predominantemente falada na Síria. Algumas das 50 famílias sírias entrevistadas pela organização humanitária disseram que os estabelecimentos não conseguiram integrar as crianças ou simplesmente que não sabiam que era permitido enviá-las à escola. 

Mas há um problema de fundo mais grave. A incapacidade económica é um dos entraves mais comuns à ida das crianças sírias na Turquia à escola. Os cidadãos sírios não têm autorização para trabalhar no país – Ancara teme que as centenas de milhares de sírios façam aumentar o desemprego, embora também não seja ilegal terem um emprego. Num limbo legal, o trabalho na Turquia para muitos refugiados é frequentemente mal remunerado. As crianças trabalham para compensar esta falta de dinheiro. Nisreen é uma síria de 28 anos na Turquia, viúva e mãe de quatro crianças. “Não temos dinheiro, por isso os meus três filhos mais novos não estão na escola”, disse à Human Rights Watch. “O centro [temporário de educação] mais próximo é demasiado caro: cada criança paga 22 dólares por mês pelo autocarro. Não temos dinheiro para isso. O meu filho mais velho trabalha como mecânico, mas a nosso rendimento é de 81 dólares por semana.” 

Os centros temporários de educação são os únicos na Turquia com um currículo em árabe especialmente concebido para as crianças sírias. Existem dentro e fora dos campos de refugiados e têm um programa preparado em parceria com o Governo de Ancara e o governo Interino da Síria, a organização-mãe do grupo de oposição a Assad exilado na Turquia e apoiado pelo Ocidente (Coligação Nacional da Síria). É em muito semelhante ao que é ministrado ainda em Damasco, embora lhes sejam retiradas as referências à família Assad e ao Governo sírio. Mas estes centros existem em apenas 19 das 81 províncias turcas e os refugiados estão espalhados por todo o país. Para além do mais, alguns destes centros são geridos por organizações privadas que cobram taxas de transporte e de ensino que podem atingir as dezenas de dólares mensais.

(Fonte: Público)

01 outubro 2015

Sporting empatou em Istambul

“Leões” criaram várias oportunidades para vencerem o Besiktas confortavelmente, mas acabaram por sair de Istambul com um empate a uma bola e o primeiro ponto na fase de grupos da Liga Europa.


Bryan Ruíz apontou o golo sportinguista na Turquia Ozan Koze/AFP


Não foi por falta de oportunidades que o Sporting não saiu esta quinta-feira de Istambul com um triunfo histórico, na segunda jornada da fase de grupos da Liga Europa. Frente ao Besiktas, os lisboetas dominaram grande parte do encontro, marcaram um golo cedo, falharam muitos outros, alguns de forma escandalosa, e acabaram por sofrer o empate já na segunda parte, no primeiro (e praticamente único) lance de perigo do adversário. Os “leões” perderam a oportunidade de alcançar o primeiro triunfo em solo turco e acumulam 18 partidas consecutivas sem vencer fora de Alvalade nas competições europeias, distribuídas pelos últimos quatro anos.
Já se sabe que Jorge Jesus tem como prioridade absoluta o campeonato nacional e, como tal, a cabeça do treinador está sintonizada na recepção ao Vitória de Guimarães, no próximo domingo. Neste contexto, não se estranhou tanto as sete alterações que o técnico promoveu na equipa titular que subiu ao relvado do Estádio Ataturk, fazendo alinhar algumas das segundas linhas, com menor ritmo nesta fase da temporada. Mesmo assim, houve espaço para surpresas. A principal, foi a estreia do jovem Matheus Pereira, de 19 anos, mais um produto das escolas “leoninas” e presença habitual, esta temporada, na equipa B dos “leões”.

Apesar das novidades, os lisboetas não acusaram as mexidas em todos os sectores da equipa e conseguiram pôr em sentido um Besiktas que, pelo contrário, aposta forte nesta Liga Europa e não poupou os seus protagonistas. Entre eles, estava Ricardo Quaresma, que defrontou, pela primeira vez, a equipa que o formou numa competição europeia. Mas, tal como a maioria dos seus companheiros, exceptuando o guarda-redes Tolga Zengin, o internacional português não esteve em noite particularmente inspirada.

(Fonte: Público)