15 janeiro 2016

Erdoğan declara guerra aos signatários de uma petição pela paz

O Governo turco lançou esta sexta-feira uma caça aos signatários de uma petição que pede o fim das operações controversas do Exército contra a rebelião curda, o que suscitou a ira do Presidente, Recep Tayyip Erdoğan, reavivando as críticas sobre a sua deriva autoritária. 

Por ordem da Justiça, a polícia turca deteve em Kocaeli (nordeste) 14 universitários que colocaram o seu nome por baixo deste “apelo pela paz”. Em Bolu (norte), as forças de ordem revistaram os domicílios de três outros signatários da petição. Em todo o país foram abertos inquéritos judiciais por “propaganda terrorista”, “insulto às instituições e à República turca” e “incitamento a violar a lei” contra os signatários da petição, que arriscam entre um a cinco anos de prisão. 

Segunda-feira, perto de 1200 pessoas já tinham assinado “uma iniciativa universitária pela paz”, que reclamava o fim da intervenção das forças de segurança turca contra os apoiantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), no Sudeste do país de maioria curda. O texto denuncia “um massacre deliberado e planificado em total violação das leis turcas e dos tratados internacionais assinados pela Turquia”. 

Apoiados por tanques, o exército e a polícia turca avançaram há um mês sobre as cidades de Cizre e Silopi que estão a cumprir um cessar-fogo, bem como o distrito sul de Diyarbakir, para desalojar apoiantes armados do PKK que se tinham entrincheirado em alguns bairros. Os combates provocaram a morte de inúmeros civis e o êxodo de uma parte dos habitantes. 

Esta petição, que também é assinada por intelectuais estrangeiros como o linguista americano Noam Chomsky, provocou a fúria dos dirigentes turcos. Pela terceira vez esta semana, Erdoğan acusou os signatários de serem cúmplices dos “terroristas” do PKK e justificou as acções judiciais contra eles. “Aqueles que se juntam ao campo dos cruéis são eles próprios cruéis e aqueles que apoiam os autores de massacres são cúmplices dos seus crimes”, disse o Presidente turco. 

Nas páginas do jornal Yeni Safak, um dos porta-vozes favoritos do poder, o editorialista Ibrahim Karagül apelou aos estudantes para “boicotarem as aulas daqueles que apoiam o terrorismo e se escondem por detrás da palavra paz”. Várias universidades abriram inquéritos disciplinares contra professores signatários da petição, registando-se já um caso de um professor que foi despedido em Düzce (noroeste). E nas redes sociais são muitos os estudantes que insultam os seus colegas signatários com frases como: “Traidores como tu não têm lugar no glorioso solo turco.” 

Estas operações policiais são “muito perigosas e inaceitáveis”, denunciou o Partido Republicano do Povo (oposição social-democrata). Elas “mergulham a Turquia nas trevas”, reagiu o Partido Democrático dos Povos (pró-curdo). A representante da Human Rights Watch na Turquia, Emma Sinclair Webb, escreveu no Twitter que estas detenções de universitários são “escandalosas”. “Exprimir a sua preocupação com a violência não significa apoiar o terrorismo. Criticar o Governo não é traição”, explicou o embaixador dos Estados Unidos em Ancara, John Bass. 

Depois de mais de dois anos de cessar-fogo, os combates entre as forças turcas e o PKK foram retomados no Verão passado, estilhaçando as negociações abertas no final de 2012 para tentar pôr fim a um conflito que já provocou mais de 40 mil mortos desde 1984. 

 (Fonte: Público)

13 janeiro 2016

Turquia já esperava atentados

Os serviços secretos turcos já esperavam um atentado do grupo Estado Islâmico contra turistas em Istambul e Ancara, antes do ataque suicida de terça-feira em que morreram dez alemães.

De acordo com o que é avançado esta quarta-feira pelo diário em língua inglesa Hürriyet, a polícia turca foi alertada em duas ocasiões para a possibilidade de 19 suspeitos militantes do Estado Islâmico terem entrado recentemente no país com intenções de atacar edifícios ligados a países da NATO, zonas de grande circulação e locais turísticos. O aviso mais recente foi transmitido há uma semana, no dia 4 de Janeiro, e chegou às representações da Alemanha, França e Holanda. O mais antigo data de 17 de Dezembro. Ambos designavam Ancara e Istambul como os dois locais para atentados. A polícia turca já conhecia os 19 suspeitos jihadistas nos alertas – dez homens e nove mulheres –, mas o saudita que se acredita ter executado atentado de terça-feira não se encontrava entre eles. O Governo não o confirmou ainda, mas a imprensa turca dá como certo que o bombista é Nabil Fadli, militante de 27 anos de ascendência síria. O seu nome foi registado pelos serviços de imigração turcos nos primeiros dias de Janeiro, mas não constava das listas de suspeitos jihadistas. “A avaliação de que as suas impressões digitais foram recolhidas e que existe um registo dele está certa”, confirmou o ministro turco do Interior em conferência de Imprensa, nesta quarta-feira. “Mas não fazia parte da lista de indivíduos procurados. Nem sequer nas listas de alvos que nos foram enviadas por outros países”, concluiu Efkan Ala, ao lado do seu homólogo alemão, Thomas de Maiziere. 

A polícia turca avançou sobre redes conhecidas de extremistas horas depois do atentado em Istambul e fez dezenas de detenções. Esta quarta-feira anunciou que dessas operações resultou a captura de um homem que acreditam ser cúmplice do bombista. Foram também capturados três cidadãos russos, em Antalya, no Sudoeste do país. As autoridades afirmam que o material encontrado na casa destes indivíduos indica que pertenciam a uma célula de apoio a combatentes do Estado Islâmico. 

O ministro turco do Interior assegura que “a investigação continua de forma intensiva”. O Governo tenta combater as críticas de que os recursos que dedica a grandes operações policiais e militares no Sudeste do país, em zonas de maioria curda e em combate a militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK, esgotam a sua capacidade de controlar a ameaça terrorista do Estado Islâmico. Daí que Efkan Ala tenha defendido os esforços do seu Governo contra a ameaça do Estado Islâmico. Segundo ele, a polícia deteve 200 suspeitos jihadistas há apenas uma semana – as autoridades anunciaram no final de 2015 terem impedido um duplo atentado suicida para o dia de Ano Novo, em Ancara. O ministro adianta que, no total, a polícia turca fez já 3318 detenções de pessoas suspeitas de ligação ao Estado Islâmico. Destas resultaram 847 prisões, a maior parte cidadãos estrangeiros. A seu lado, Thomas de Maiziere tentava travar o receio na Alemanha de que a Turquia deixou de ser um local de turismo seguro – Berlim é a principal interessada na revitalizada aliança da União Europeia com a Turquia para diminuir o número de refugiados que atravessam o Mediterrâneo. O ministro alemão assegurou que não existem provas de que o ataque tenha atingido deliberadamente alemães – para além dos dez mortos (a informação de que havia um peruano entre os mortos foi corrigida), há nove turistas alemães feridos, dois deles nos cuidados intensivos. “Se os terroristas tentavam perturbar, destruir ou prejudicar a cooperação entre parceiros, conseguiram o oposto: Alemanha e Turquia ficaram ainda mais próximos”, prometeu.

(Fonte: Público)

18 dezembro 2015

Portugal vence a Turquia em Santiago do Cacém

Santiago do Cacém viveu ontem, 17 de dezembro, um dia diferente no setor desportivo. O Campo Municipal Miróbriga recebeu o jogo Portugal vs. Turquia, onde a Equipa das Quinas venceu a partida por (1-0). Mickael Almeida, aos 42 minutos, marcou o golo da vitória da Seleção.
Esta foi a segunda partida da semana diante da Turquia, depois de ter empatado (1-1), na terça-feira, em Sines.
Estes encontros visam a preparação da Equipa Lusa que disputará a Ronda de Elite, a segunda e última fase de qualificação para o Campeonato da Europa Azerbaijão 2016, que será disputada entre os dias 16 e 21 de março na Croácia.
No mês de fevereiro, a formação orientada por Hélio Sousa terá ainda oportunidade de disputar mais três partidas no Torneio Internacional do Algarve.
A Câmara Municipal esteve representada neste encontro pelo Presidente da Câmara Municipal, Álvaro Beijinha, onde se destacou também a presença de um dos maiores goleadores de sempre da Seleção Portuguesa, o ex-internacional português, Pauleta, que neste momento exerce funções diretivas na Federação Portuguesa de Futebol.

(Fonte: Distrito Online)

17 dezembro 2015

Sete portistas vencem a Turquia

Diogo Costa, Diogo Bessa, Diogo Dalot, Diogo Leite, Diogo Queirós, Lamba e Lameira, jogadores das camadas jovens do FC Porto, participaram na tarde desta quinta-feira na vitória da seleção portuguesa de Sub-17 sobre a congénere da Turquia (1-0), em jogo particular disputado no Campo Miróbriga, em Santiago do Cacém.

Mickael Almeida foi o autor do único golo do desafio, que serviu de preparação para a Ronda de Elite, a segunda e última fase de qualificação para o Campeonato da Europa de 2016, que será disputada entre os dias 16 e 21 de Março, na Croácia.

O FC Porto foi o clube com mais representantes na equipa portuguesa (sete), que já na terça-feira tinha defrontado o mesmo adversário, tendo encontro terminado empatado (1-1).

A formação orientada por Hélio Sousa alinhou da seguinte forma: Diogo Costa; Diogo Dalot (João Oliveira, 41m), Thierry Correia (Diogo Bessa, 64m), Diogo Leite e Diogo Queirós (cap.); Florentino, Lameira e Filipe Soares (Gedson Fernandes, 41m); Nuno Santos (Leandro Tipote, 64m), Mickael Almeida (Lamba, 64m) e Trincão (Jorge Teixeira, 41m). 

(Fonte: FC Porto)

16 dezembro 2015

Portugal ajuda Turquia com 24 milhões de euros

O primeiro-ministro anunciou que Portugal vai contribuir com 24 milhões de euros para ajudar a Turquia no acolhimento aos refugidos, disponibilizar equipas técnicas que possam dar apoio no terreno e está disponível para receber mais refugiados.

"Esse apoio deve ser financeiro, que se estima em 24 milhões de euros, mas deve ser também um apoio mais ativo, quer disponibilizando equipas técnicas no apoio ao acolhimento, avaliação e rastreio das pessoas que pedem auxílio, como também na disponibilidade acrescida de acolher refugiados que agora se encontram na Turquia", afirmou António Costa.

O debate de preparação do Conselho Europeu expôs as divergências entre o PS e os partidos que apoiam no parlamento o Governo de António Costa, particularmente patente nas questões relacionadas com a França, a Síria e a questão turca, com o primeiro-ministro a defender o papel daquele país na crise dos refugiados e a porta-voz do BE a considerar que a Turquia "é parte do problema" do autoproclamado Estado Islâmico. "A Turquia não só ataca o exército curdo, linha de defesa contra o Daesh [acrónimo árabe do grupo Estado Islâmico], como é pela Turquia que circula o petróleo que alimenta o exército do terror. O Daesh ganha 1 a 2 milhões de euros por dia com a venda petróleo que, parte dele, passa pela Turquia", afirmou Catarina Martins, que salientou a importância de asfixiar as fontes de financiamento do autodesignado Estado Islâmico.
A porta-voz do BE argumentou ainda não poder "ignorar a venda de armas europeias, de Estados da União Europeia, ao Daesh, feita em grande medida através da Arábia Saudita", defendendo que "a Europa está a alimentar o terror que diz que quer combater" e manifestando-se contra bombardeamentos na Síria.
António Costa admitiu que existem duplicidades na questão do combate ao terrorismo, do Estado Islâmico e outros, nomeadamente os "offshore" que se mantêm no espaço europeu", mas não só concordou com a aliança com a Turquia como assumiu que a França tem legitimidade para se defender, reconhecendo implicitamente que os bombardeamentos na Síria foram um ato em legítima defesa pelos ataques terroristas em Paris.
"Fazemos parte da coligação internacional que responde ao Daesh e temos de assumir todas as obrigações que daí decorrem e desde logo reconhecemos à França a legitimidade para a invocação das cláusulas do artigo 42 do Tratado de Lisboa", afirmou.
Contudo, o primeiro-ministro sublinhou a necessidade de, neste processo de combate ao terrorismo, serem respeitados os "princípios da liberdade", nomeadamente quanto ao registo de passageiros, muito criticado pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
"O registo de passageiros não pode ser feito de uma forma que viole garantias consagradas na carta dos direitos fundamentais", disse António Costa.
Jerónimo de Sousa referiu-se a uma deriva securitária e questionou a posição do Governo sobre a "diretiva do registo de identificação indiscriminada de passageiros que sujeita todos os cidadãos ao mesmo nível de controlo e vigilância, retendo-se a informação durante 5 anos, em que é posta à disposição dos serviços de informação".
O líder do PCP referiu-se também à discussão no Conselho do referendo à permanência da Grã-Bretanha na União Europeia, argumentando que será uma "grande operação de condicionamento do povo britânico" e que pode adotar medidas como a "institucionalização da discriminação dos emigrantes".
Na resposta, o primeiro-ministro opôs-se à europeização das questões internas dos países e apesar de sublinhar que Portugal mantém com a Grã-Bretanha a mais antiga aliança diplomática do mundo nunca poderá concordar com medidas que colidam com "liberdades fundamentais da União Europeia, como é a liberdade de circulação e o princípio de não discriminação".
Pelo partido ecologista "Os Verdes", Heloísa Apolónia defendeu que não se pode "cair na hipocrisia" de esquecer as causas da crise migratória e do terrorismo, que é alimentado pelo negócio das armas.
"E quando o terrorismo é combatido com bombardeamentos que massacram e afugentam povos, isso tem de ser discutido quando se discute com justiça a matéria dos refugiados", declarou.
O PS dividiu as suas perguntas em duas intervenções, com Eurico Brilhante Dias a questionar o Governo sobre fundos comunitários e Vitalino Canas a pronunciar-se sobre matérias como o terrorismo e a crise migratória, mas também o referendo na Grã-Bretanha.
Sobre esta matéria, Vitalino Canas disse que todos os Estados-membros devem contribuir para a permanência do país na União e que há propostas positivas que vão nesse sentido, como o aprofundamento do papel dos parlamentos nacionais e da participação dos Estados que não estão na moeda única.

(Fonte: Jornal de Notícias)

01 outubro 2015

Sporting empatou em Istambul

“Leões” criaram várias oportunidades para vencerem o Besiktas confortavelmente, mas acabaram por sair de Istambul com um empate a uma bola e o primeiro ponto na fase de grupos da Liga Europa.


Bryan Ruíz apontou o golo sportinguista na Turquia Ozan Koze/AFP


Não foi por falta de oportunidades que o Sporting não saiu esta quinta-feira de Istambul com um triunfo histórico, na segunda jornada da fase de grupos da Liga Europa. Frente ao Besiktas, os lisboetas dominaram grande parte do encontro, marcaram um golo cedo, falharam muitos outros, alguns de forma escandalosa, e acabaram por sofrer o empate já na segunda parte, no primeiro (e praticamente único) lance de perigo do adversário. Os “leões” perderam a oportunidade de alcançar o primeiro triunfo em solo turco e acumulam 18 partidas consecutivas sem vencer fora de Alvalade nas competições europeias, distribuídas pelos últimos quatro anos.
Já se sabe que Jorge Jesus tem como prioridade absoluta o campeonato nacional e, como tal, a cabeça do treinador está sintonizada na recepção ao Vitória de Guimarães, no próximo domingo. Neste contexto, não se estranhou tanto as sete alterações que o técnico promoveu na equipa titular que subiu ao relvado do Estádio Ataturk, fazendo alinhar algumas das segundas linhas, com menor ritmo nesta fase da temporada. Mesmo assim, houve espaço para surpresas. A principal, foi a estreia do jovem Matheus Pereira, de 19 anos, mais um produto das escolas “leoninas” e presença habitual, esta temporada, na equipa B dos “leões”.

Apesar das novidades, os lisboetas não acusaram as mexidas em todos os sectores da equipa e conseguiram pôr em sentido um Besiktas que, pelo contrário, aposta forte nesta Liga Europa e não poupou os seus protagonistas. Entre eles, estava Ricardo Quaresma, que defrontou, pela primeira vez, a equipa que o formou numa competição europeia. Mas, tal como a maioria dos seus companheiros, exceptuando o guarda-redes Tolga Zengin, o internacional português não esteve em noite particularmente inspirada.

(Fonte: Público)

30 setembro 2015

Turcos da Yildirim pagam mais de 330 milhões para controlar Tertir

Mota-Engil vendeu a posição por 275 milhões de euros. Novo Banco exerceu ‘tag along’ pelos restantes 36,875%.

Turcos da Yildirim pagam mais  de 330 milhões para controlar Tertir

Os turcos do grupo Yildirim vão pagar à Mota-Engil e ao Novo Banco mais de 330 milhões de euros para controlar 100% da Tertir, gestora de terminais portuários em Portugal, Espanha e no Peru. Em comunicado ontem distribuído, o grupo construtor revelou que a posição de 63,125% no capital da Tertir foi alienada por 275 milhões de euros. Por seu turno, o banco liderado por Stock da Cunha não especificou o valor da sua transacção, exercendo o direito de ‘tag along', mas o Diário Económico sabe que o encaixe para o Novo Banco foi acima do ‘book value', isto é, acima dos 55 milhões de euros a que a participação está registada nas contas desta instituição bancária. Tudo somado, dá mais de 330 milhões de euros, no mínimo, que os turcos da Yildirim irão pagar pelo controlo da Tertir. 

Além das concessões em quatro terminais de contentores, com capacidade para movimentação anual de 1,650 milhões de TEU (medida-padrão equivalente a contentores com 20 pés de comprimento), a Tertir gere ainda dois terminais de carga geral e um terminal de granéis alimentares, num total de quatro quilómetros de cais concessionados em Portugal, nos portos de Lisboa, Leixões, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz. A Mota-Engil aproveitou ainda para vender a Transitex, uma empresa de serviços de suporte de logística.

"A transacção efectuada resultou na sequência de várias demonstrações de interesse que foram surgindo ao longo dos últimos anos por parte de diversos operadores internacionais", sublinha Gonçalo Moura Martins, presidente executivo da Mota-Engil, no referido comunicado. "A aceitação da proposta efectuada pela Yildirim permitiu concretizar este acordo que assegura que o novo accionista dará continuidade ao investimento que vinha sendo realizado no sector portuário para conferir o nível de competitividade que se exige ao sector portuário nacional, sendo para esta entidade uma oportunidade de reforçar a consolidação do sector em linha com o que se verifica a nível mundial", acrescentou o CEO da Mota-Engil.

Robert Yuksel Yildirim, presidente da Yilport, que só irá assumir a gestão dos terminais da Tertir após o parecer favorável da Autoridade da Concorrência, destacou que "como resultado dos investimentos que tem vindo a realizar na Turquia e no estrangeiro durante os últimos anos, a Yilport tornou-se a empresa mais importante no negócio de operações de gestão portuária na Turquia e a única empresa turca a constar da lista dos 20 maiores operadores de terminais de contentores a nível mundial".

Este investimento na aquisição da Tertir foi o maior de sempre de um grupo turco em Portugal, seguindo-se a um outro recente, de uma empresa do mesmo país, também no sector marítimo, a Global Liman Isletmeleri, que liderou o consórcio vencedor para concessão do terminal de cruzeiros do porto de Lisboa. Mas será apenas o início do investimento da Yilport na Tertir e em Portugal, estando previsto o reforço do investimento nos terminais portuários nacionais, "de forma a poder aumentar a sua competitividade, sobretudo através do aumento de movimentação de contentores e do fluxo de negócios nesses terminais. 

"A seguir a esta compra da Tertir, está previsto um investimento massivo do grupo Yildirim no sector portuário em Portugal, com modernização e equipamentos renovados, tornando os portos nacionais dos mais competitivos da Europa e trazendo mais investimento para Portugal", assegurou Gonçalo Vaz Botelho, vice-presidente da comissão executiva do Banco Finantia, em declarações ao Diário Económico. O Finantia foi um dos intermediários desta operação de venda da Tertir. 

(Fonte: Económico)

29 setembro 2015

Mota-Engil vende negócios de portos e logística a grupo turco


A Mota-Engil vai vender ao grupo turco Yildirim as concessões portuárias em Portugal, Espanha e Perú e a empresa logística, num negócio de 275 milhões de euros, segundo a informação enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). 

Segundo a comunicação, a Mota-Engil chegou a acordo com o grupo Yildirim para alienar as “suas subsidiárias Mota-Engil Logística e Tertir, Terminais de Portugal”, sendo que antes dessa transação se efetivar haverá “algumas operações de reorganização societária”. 

A empresa disse que a parte que lhe corresponde dos ativos a alienar será negociada por 275 milões de euros e que “inclui as concessões portuárias, detidas pelo GRUPO em Portugal, Espanha e Perú, bem como a empresa de serviços de suporte de logística Transitex”. 

Para a alienação se concretizar, é necessária a ‘luz verde’ da Autoridade da Concorrência. 

A empresa liderada por António Mota disse que esta venda acontece “na sequência da decisão estratégica de saída do segmento portuário em sintonia com o reforço recente que o GRUPO fez no segmento de resíduos”. 

Recentemente o grupo ganhou a corrida à privatização da Empresa Geral do Fomento (EGF). 

“O encaixe financeiro resultante desta transação irá permitir ao GRUPO a otimização e o reforço da sua estrutura de capital, em linha com a estratégia financeira delineada”, diz ainda a Mota-Engil. 
 

Venda é "reconhecimento" da Mota-Engil na gestão portuária


O presidente executivo da Mota-Engil, Gonçalo Moura Martins, considerou que a venda ao grupo turco Yildirim das concessões portuárias em Portugal, Espanha e Perú “concretizam o reconhecimento da qualidade da gestão” do grupo no setor. 

“A transação efetuada resultou na sequência de várias demonstrações de interesse que foram surgindo ao longo dos últimos anos por parte de diversos operadores internacionais, que concretizam o reconhecimento da qualidade da gestão promovida ao longo de quase uma década pela Mota-Engil no setor portuário e que permitiu promover a modernização do setor em Portugal e o crescimento nacional e internacional da Tertir, criando valor num ativo estratégico” para o país, afirmou Gonçalo Moura Martins, em comunicado. 

Para o presidente executivo, “a aceitação da proposta efetuada pela Yildirim permitiu concretizar este acordo que assegura que o novo acionista dará continuidade ao investimento que vinha sendo realizado no setor portuário para conferir o nível de competitividade que se exige ao setor [portuário] nacional, sendo para esta entidade uma oportunidade de reforçar a consolidação do setor em linha com o que se verifica a nível mundial.” 
 
Novo Banco vende posição na empresa de portos Tertir



O Novo Banco vai vender a sua parte na empresa de logística e portos Tertir aos turcos do grupo Yildirim, segundo a informação enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), mas não indica o valor do negócio. 

O Novo Banco herdou essa posição - equivalente a 36,875% do capital social - do BES e a venda agora anunciada acompanha a alienação da Tertir que está a ser feita pelo grupo Mota-Engil, atual acionista maioritário da empresa de terminais portuários. 

Pouco antes deste comunicado do Novo Banco, a Mota-Engil anunciou precisamente a alienação de vários negócios portuários e de logística à empresa turca Yildirim, entre os quais da Tertir, que controla. 

Para o negócio com a Tertir se concretizar é ainda necessária a ‘luz verde’ da Autoridades da Concorrência, com o Novo Banco a dizer que espera que a operação fique fechada “até ao final do ano corrente”. 

O banco liderado por Stock da Cunha sublinhou os benefícios desta venda para o Novo Banco, referindo que terá “um impacto positivo nos resultados líquidos, rácio de solvabilidade e de liquidez”. 

(Fonte: TVI)

Mota-Engil vende Tertir ao grupo turco Yildirim por € 275 milhões


Nunca os turcos gastaram tanto dinheiro em Portugal: Mota-Engil vende Tertir por €275 milhões

O grupo turco Yildirim compra a operação dos terminais portuários da Tertir à construtora Mota-Engil, sendo o maior negócio feito até hoje em Portugal por uma empresa da Turquia


As concessões portuárias da Tertir, detidas pela construtora Mota-Engil em Portugal, Espanha e no Peru, bem como a empresa de logística Transitex, são vendidas por 275 milhõesde euros ao grupo turco Yildirim, informou a construtora num comunicado enviado ao mercado bolsista. Esta é a maior operação realizada em Portugal por um grupo empresarial da Turquia.
No entanto, esta venda encontra-se pendente da decisão de não oposição da Autoridade da Concorrência, esperando-se a sua concretização até ao final de 2015.
O grupo Mota-Engil tomou a decisão de vender a sua participação na Tertir na sequência da decisão estratégica de saída do segmento portuário.
A Mota-Engil reforçou a sua atividade "no segmento de resíduos com o qual, após a integração recente da EGF, pretende basear a expansão internacional da sua atividade de serviços", refere o comunicado.
Segundo o presidente executivo do grupo Mota-Engil, Gonçalo Moura Martins, “a transação efetuada resultou na sequência de várias demonstrações de interesse que foram surgindo ao longo dos últimos anos por parte de diversos operadores internacionais, que concretizam o reconhecimento da qualidade da gestão promovida ao longo de quase uma década pela Mota-Engil no setor portuário e que permitiu promover a modernização do setor em Portugal e o crescimento nacional e internacional da Tertir, criando valor num ativo estratégico para Portugal".
O comunicado refere ainda que "a aceitação da proposta efetuada pela Yildirim permitiu concretizar este acordo que assegura que o novo acionista dará continuidade ao investimento que vinha sendo realizado no setor portuário para conferir o nível de competitividade que se exige ao setor portuário nacional, sendo para esta entidade uma oportunidade de reforçar a consolidação do sector em linha com o que se verifica a nível mundial.”
O presidente da Yilport, Robert Yuksel Yildirim, explicou que “desde a sua entrada no negócio de operações e gestão portuária, em 2005, a Yilport tornou-se um operador portuário global e continua a fazer progressos neste sector, com investimentos na Turquia e no estrangeiro durante".
A Yilport tornou-se a empresa mais importante no negócio de operações e gestão portuária na Turquia e a única empresa turca a constar da lista dos 20 maiores operadores de terminais de contentores a nível mundial. O grupo Yildirim foi assessorado nesta transação pelo VTB Capital e pelo Banco Finantia.

(Expresso)

28 setembro 2015

Vítor Pereira satisfeito com a personalidade da sua equipa

Mesmo tendo perdido na deslocação ao Olímpico de Istambul, Vítor Pereira era um homem satisfeito. Não com o resultado, claro está, mas com a personalidade de uma equipa que demonstra ter grande influência portuguesa. Sua, de Bruno Alves, Raul Meireles e ainda de Nani.

"Estou orgulhoso com a personalidade da minha equipa. Mandámos no jogo do primeiro ao último minuto. Arbitragem? Cabe-vos analisar, mas não vou retirar o foco dos protagonistas, que são os jogadores. Estou muito satisfeito e o resultado é injusto".

Para além da presença lusa, há outro nome a que não podemos fugir. Markovic, ex-Benfica, foi titular no encontro ante as águias negras, foi um dos tais "protagonistas" que mereceram destaque de Pereira, mas a agilidade que imprimiu no jogo valeu uma falta aos 37’ e... saída por lesão.

PORTUGUESES EM JOGO

VÍTOR PEREIRA. O treinador do Fenerbahçe esteve muito ativo ao longo do jogo. Apresentou a equipa que jogou melhor futebol, saindo muito desagradado com o trabalho do árbitro... e com razão.

BRUNO ALVES. Imperial no jogo aéreo, o melhor da defesa e um dos líderes da equipa. Apesar da boa exibição deste português, o Fenerbahçe sofreu 3 golos de cabeça, dentro da área, ainda que não na zona de Bruno Alves.

RAUL MEIRELES. O médio foi o grande estratega do Fenerbahçe. Com muita classe, mas menor rotação, soube manter nível elevado, gerindo equilíbrios nas transições... Muito bem.

NANI. O antigo avançado do Sporting perdeu mais tempo a discutir com os árbitros do que propriamente a jogar. Assinou algumas iniciativas individuais, mas sem impacto no jogo coletivo da sua equipa.

QUARESMA. O extremo que trocou o FC Porto pelo Besiktas não jogou devido a um problema no pé direito. Mas nem por isso deixou de ser o jogador mais acarinhado pelos adeptos, incluindo... os do Fenerbahçe.

(Fonte: Record)

19 setembro 2015

Rui Bragança vence Grande Prémio da Turquia em taekwondo

Rui Bragança venceu este sábado a categoria de -58 kg do Grande Prémio da Turquia de taekwondo, amealhando importantes pontos na corrida ao apuramento para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro do próximo ano.

O atleta do Vitória de Guimarães impôs-se na final por 8-4 ao alemão Levent Tuncat, numa reedição do combate decisivo que lhe valeu a medalha de ouro nos I Jogos Europeus, em junho em Baku, Azerbaijão.

Júlio Ferreira (bronze nos Jogos Europeus) e Michel Fernandes foram eliminados na primeira ronda de -80 kg. Mário Silva e Nuno Costa (-68 kg) e Joana Cunha (-57 kg), prata nas Universíadas, competem domingo.

Portugal participa com um recorde de seis atletas numa competição acessível apenas aos 32 melhores do Mundo de cada categoria olímpica.


(Fonte: Mais Futebol)

21 agosto 2015

Erdoğan anuncia eleições antecipadas para o dia 1 de Novembro

O Presidente turco anunciou o seu desejo de convocar eleições legislativas antecipadas para 1 de Novembro, após o fim do prazo de negociações para formar um governo de coligação, uma vez que o seu partido, o AKP, não conseguiu uma maioria suficiente no escrutínio de Junho.
 
Domingo, 23 de Agosto, é o dia em que terminam os 45 dias de prazo, e é nessa altura que Recep Tayyip Erdoğan pretende convocar eleições. “Vou encontrar-me com o presidente do Parlamento mais uma vez e depois vamos conduzir o país para eleições antecipadas, esperando o melhor”, afirmou Erdoğan.
 
“Se Deus quiser, a Turquia vai ter uma segunda volta – é como eu lhe chamo, uma segunda volta”, comentou, tornando evidente que espera que os turcos dêem desta vez uma vitória clara ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que ele próprio conduziu ao poder, em 2002, e tem governado a Turquia ininterruptamente desde então.
 
Para Erdoğan, a continuação do AKP é fundamental para alterar a Constituição de forma a tornar o regime mais presidencialista, concendo-lhe mais poderes no cargo que hoje desempenha.
 
Até às eleições, o país deverá ficar nas mãos de um governo de transição, composto por representantes de cada um dos partidos com assento parlamentar, incluindo o Partido Democrático do Povo (HDP), pró-curdo, que conseguiu entrar no Parlamento pela primeira vez nas eleições de Junho. Como a nova atitude ofensiva do Governo de Ancara contra o autoproclamado Estado Islâmico se alarga também contra os curdos, este partido é visto com enorme suspeita.
 
Por isso, o ainda primeiro-ministro Ahmet Davutoğlu iniciou um esforço de última hora para fazer uma coligação, ainda que temporária, por apenas dois meses, com o Partido Republicano (CHP) e o Partido do Movimento Nacionalista (MHP), para formar uma coligação temporária, só até às eleições, relata o jornal turco Hürriyet Daily News.
 
Mas ambos os partidos disseram que não só não querem fazer essa coligação, como não querem participar no governo de transição. O único que parece ter intenção de o integrar, é o HDP, mas só se for completamente livre de escolher os seus representantes - mas não é claro que o possa fazer, diz a Reuters. O AKP quer garantir que ao partido pró-curdo não calhará nenhuma das pastas que tenham que ver com questões de segurança, diz o Hürriyet.
 
Se não houver acordo entre os partidos, este governo de transição, que tem de ser formado até 31 de Agosto, será composto por não políticos.
 
(Fonte: Público)

28 julho 2015

Situação da Turquia discutida em reunião extraordinária da NATO

Encontro foi solicitado pelo Governo turco, depois de ter lançado ofensivas contra os combatentes do autodenominado Estado Islâmico e também contra os opositores curdos do PKK.
 
Numa reunião solicitada por Ancara, os 28 Estados-membros da NATO discutem, esta terça-feira, a situação na Turquia, depois de o país ter recentemente lançado ofensivas contra o autodenominado Estado Islâmico (Daesh) e também contra os opositores do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão).
 
O encontro extraordinário foi solicitado ao abrigo do artigo 4.º do tratado, que envolve a consulta sobre uma eventual ameça à integridade de um Estado, mas não desencadeia automaticamente qualquer ação militar.
 
Nos últimos dias, na sequência de vários ataques atribuidos ou mesmo reivindicados pelo Daesh e pelo PKK – movimentos ferozmente inimigos entre si –, a Turquia lançou pela primeira vez ofensivas aéreas contra posições do Daesh e deteve, por outro lado, centenas de militantes do partido curdo.
 
Na tentativa de “empurrar” os combatentes do Daesh, com vista à criação de uma zona de segurança ao longo da sua fronteira com a Síria, a Turquia e os EUA acordaram também um plano. Esta estratégia, que representa uma vitória diplomática para a Turquia – que sempre colocou a criação dessa zona de exclusão como condição prévia para se juntar à luta contra o Daesh –, permitirá aos norte-americanos intensificar os raides aéreos sobre a Síria, sobretudo por poderem aceder a bases militares turcas.
 
O que não fica claro, lembra o diário britânico “The Guardian”, são as consequências deste novo cenário para os combatentes curdos que lutam contra o Daesh nas zonas fronteiriças. Durante meses as Unidades de Proteção Popular Curdas (YPD) foram ajudadas pelos meios aéreos norte-americanos, que procuraram fazê-las ganhar terreno.
 
O Governo turco, no entanto, preocupa-se com o sucesso das YPD, temendo o seu reflexo nos separatistas do PKK, a que estão ligados, considerando estar em risco a sua segurança nacional.
 
(Fonte: Expresso)

30 junho 2015

Primeiro-ministro turco propõe assistência à Grécia

O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoğlu, ofereceu hoje a assistência do seu país à Grécia, que está à beira de entrar em incumprimento, afirmando-se pronto a considerar "qualquer proposta de cooperação" com a nação vizinha.

"Queremos uma Grécia forte (...), estamos prontos para ajudar a Grécia a superar esta crise através da cooperação nos setores do turismo, energia e comércio", disse Davutoğlu, num discurso perante os membros do seu partido.
"Vamos contactar a Grécia para organizar uma reunião de alto nível, logo que seja possível, e considerar uma acção conjunta para resolver a crise financeira que atingiu o país", acrescentou.
O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, confirmou hoje que a Grécia não vai pagar até ao final do dia a parcela de 1,6 mil milhões de euros de empréstimo ao Fundo Monetário Internacional, e marcou um referendo para domingo, crucial para a manutenção do país na zona euro.
Os dois copresidentes do principal partido curdo na Turquia, próximos do Syriza, partido do poder na Grécia, reafirmaram terça a sua "solidariedade com o povo grego e o seu governo".
"Acreditamos que, em vez das políticas de austeridade, existem soluções mais razoáveis e aceitáveis", disse Selahattin Demirtaş e Figen Yüksekdağ, do Partido Democrático do Povo.
As relações entre a Turquia e a Grécia continuam difíceis, em particular devido ao conflito no Chipre, dividido desde a intervenção militar turca de Julho e Agosto de 1974, justificada por uma tentativa de golpe de Estado organizado pela junta militar no poder em Atenas, e que pretendia a união com a Grécia.
Apesar das conversações de paz recentes, sob os auspícios das Nações Unidas, ainda não foi encontrada uma resolução.

(Fonte: Notícias ao Minuto)

11 junho 2015

PM turco aberto a coligações mesmo sem gostar delas

Os resultados eleitorais inconclusivos na Turquia deixaram o país num impasse político. Para resolvê-lo, o primeiro-ministro, Ahmet Davutoğlu, diz agora estar disposto a entendimentos com outras forças partidárias, apesar de avisar que as coligações não têm tido finais felizes na história do país. 

“Temos usado as eras de coligação das décadas de 1970 e 1990 como exemplo de que as coligações não servem para Turquia e continuamos a defender isso”, disse Davutoğlu numa reunião com responsáveis locais do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). 

Mas sem os votos necessários para continuar no poder sozinho, o AKP não tem grandes alternativas e o primeiro-ministro admite, por isso, estar “aberto a qualquer cenário”. 
“No entanto, no cenário político actual, o único partido que pode apresentar soluções realistas é o AKP”, defendeu.

Esta visão não é partilhada por todas as formações, especialmente pelos pró-curdos do HDP, que conseguiram pela primeira vez ultrapassar a barreira dos dez por cento de votos necessários para garantir um lugar no parlamento. O partido também está aberto a todas as opções para formar uma coligação de governo na Turquia, menos aliar-se ao partido ainda no poder. 

Além de terminarem sem que AKP conseguisse um resultado que lhe permitisse formar governo sozinho, as eleições fizeram também cair por terra o objetivo do partido alcançar dois terços dos lugares no parlamento, necessários para alterar a constituição e dar mais poderes ao presidente.  
Esta última meta era um desígnio do ex-primeiro-ministro e agora chefe de Estado, Recep Tayyip Erdoğan, que depois de ter esgotado o limite de três mandatos à frente do governo pretendia transformar a Turquia num regime presidencialista. 
Para o HDP essa é uma aspiração inaceitável e defendeu que Erdoğan se deve sujeitar aos limites constitucionais, que ditam a neutralidade política do chefe de Estado. Um recado a um presidente que foi uma das presenças mais assíduas publicamente durante a campanha. 
Na lista de prioridades do HDP está também o problema curdo. Selahattin Demirtaş, um dos líderes partidários, defendeu que o processo de paz deve ser acelerado e que o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, que se encontra preso, está disposto a fazer um apelo ao desarmamento.

(Fonte: TVI24)    

07 junho 2015

Partido pró-curdo tira maioria ao AKP















O partido do Presidente e ex-primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan deverá governar sem maioria pela primeira vez desde 2002, caso não consiga formar uma difícil coligação. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) obteve 41% dos votos e 258 deputados, falhando assim o mínimo de 276 assentos necessários para uma maioria.
Os resultados do AKP ultrapassam o Governo e estendem-se a Erdoğan e ao seu projecto político. O Presidente queria alterar a Constituição e concentrar mais poderes no seu cargo. Para isso, o Presidente turco precisava que o AKP atingisse uma maioria confortável no Parlamento. 
A pálida vitória do partido de Erdoğan provocou uma queda da cotação da lira turca e das acções na bolsa de valores, indicando a apreensão dos mercados financeiros, sempre receosos do que consideram ser uma situação política instável.
Na manhã desta segunda-feira, a bolsa de Istambul deu um trambolhão de 8% e a lira viu a sua cotação face ao dólar cair para mínimos históricos. Em resposta, o banco central anunciou um corte nas taxas de juro dos depósitos estrangeiros, para tentar erguer a cotação da moeda turca.
O insucesso do AKP é o sucesso do recém-criado HDP, o partido secularista pró-curdo que apostou tudo nestas eleições e que acaba por ser decisivo. O HDP (Partido Democrático do Povo) assegurou a fasquia mínima de 10% dos votos exigida pela Constituição turca para que um partido entre na Assembleia. As últimas contagens colocam o HDP nos 13%, com entre 75 e 80 deputados. Caso falhasse a margem mínima, os votos e assentos do HDP seriam distribuídos pelos partidos mais votados, o que beneficiaria o AKP.
"Esta é uma vitória dos que querem uma Constituição pluralista e uma solução pacífica para a questão curda", disse na noite de domingo Selahattin Demirtaş, um dos dois líderes do HDP, quando se tornou evidente que o seu partido iria entrar no Parlamento. "O debate sobre o sistema presidencial acabou hoje", sentenciou ainda, referindo-se à intensão de Erdoğan de mudar a Constituição.
Sem maioria, a questão que agora se impõe é se o AKP tentará fazer uma coligação com a terceira força mais votada, o Partido Movimento Nacionalista, que surge com 16,4% dos votos e 82 deputados. Este é o parceiro mais provável para o AKP, já que, para além do HDP, resta apenas no Parlamento o Partido Republicano do Povo (CHP), o tradicional partido da oposição e o segundo classificado destas eleições. O CHP ficou em linha com o resultado de 2011: 25% dos votos e 132 deputados, segundo os últimos resultados.  
Erdoğan não foi a votos, mas muito do que ficará decidido nas eleições deste domingo centra-se na sua figura e herança política. De tal maneira que se tornou na principal figura destas eleições. Mostrou-o o discurso semi-vitorioso de Haluk Koç (CHP): "A Turquia ganhou. Erdoğan perdeu."
Para além do projecto político de concentração de poder na figura do Presidente, Erdoğan jogava nestas eleições a representação parlamentar de uma sociedade turca polarizada. Durante a campanha eleitoral, o HDP denunciou cerca de 70 ataques a várias das suas sedes de campanha. Na sexta-feira morreram três apoiantes do HDP e centenas de outros ficaram feridos na explosão de uma bomba num comício do partido.
Antecipando a importância do HDP, Erdoğan ignorou a imparcialidade exigida ao Presidente e entrou numa ostensiva campanha pelo AKP.Erdoğan associou Demirtaş, do HDP, ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a organização armada que luta desde a década de 1980 pela criação de um Estado curdo. Erdoğan tentou capitalizar ainda o voto religioso junto da população curda, tentando assim roubar votos ao HDP, que se apresenta como o defensor das minorias sexuais e religiosas da Turquia e é contra o ensino obrigatório do islão nas escolas.
 
(Fonte: Público)