google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

08 outubro 2006

Merkel: "O diálogo inter-religioso é uma condição para a paz"

O diálogo inter-religioso é uma condição para a paz

O diálogo inter-religioso é uma condição para a paz, disse a chanceler alemã Angela Merkel no último dia da sua visita de dois dias à Turquia. “Como políticos, temos de dialogar com pessoas de diferentes religiões. Eu acredito que o diálogo é uma condição para se viver em paz”, disse Merkel numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, depois de uma audiência na sexta-feira com os líderes religiosos de Istambul no Palácio Dolmabahçe. “O encontro mostrou o quão importante é respeitar as religiões. Estamos também a planear um encontro semelhante na Alemanha”, disse Merkel.
Depois da conferência de imprensa, Merkel e Erdoğan posaram para as câmaras, acompanhados pelo patriarca arménio Mesrob II, pelo patriarca da igrega ortodoxa grega Bartolomeu I, pelo Mufti ou líder religioso islâmico Mustafa Çağrıcı e pelo rabino Isak Haleva.

A questão de Chipre durante o encontro de Erdoğan com Angela Merkel

A questão de Chipre durante o encontro de Erdoğan com Angela Merkel

"Não é justo esperar que haja uma abertura dos portos e aeroportos turcos ao tráfego greco-cipriota por parte da Turquia, a não ser que seja levantado o isolamento dos Turcos cipriotas", disse o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, na passada quinta-feira.

Erdoğan e a chanceler alemã Angela Merkel estiveram presentes numa conferência de imprensa conjunta depois do seu encontro em Ancara. Quando Erdoğan foi questionado por um jornalista alemão se a Turquia iria permitir que os navios cipriotas gregos usassem os portos turcos, disse: "nós vamos discutir os detalhes sobre esse assunto com a chanceler alemã. Contudo, quero reiterar que o acordo de Ancara não inclui uma sanção unilateral. Pelo contrário, estão previstas sanções mútuas. Primeiro que tudo, o isolamento dos cipriotas turcos deveria ser levantado. Não é justo esperar tais coisas (abertura dos portos e aeroportos turcos ao tráfego greco-cipriota) da Turquia a não ser que o isolamento (dos Cipriotas turcos) seja liberado. Por outro lado, o norte do Chipre é uma área de terrorismo? É um centro de tráfico ilícito de drogas? Por que é que se impõe isolamento aos Cipriotas turcos? Os países membros da UE encorajaram os partidos em Chipre a realizarem um referendo em 24 de Abril de 2004. Enquanto que os Cipriotas turcos apoiaram o plano do secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan no referendo, os Cipriotas gregos rejeitaram-no. Contudo, os Cipriotas turcos foram punidos, enquanto que os Cipriotas gregos foram galardoados com a entrada na União Europeia. Não é uma aproximação justa. Isto devia de ser corrigido primeiro. Nós agimos honestamente e aceitámos a inclusão da administração cipriota grega na união alfandegária. Nós não estamos receptivos relativamente à abertura dos portos e aeroportos turcos ao tráfego greco-cipriota, a não ser que o isolamento dos Cipriotas turcos seja liberado", frisou Erdoğan.

07 outubro 2006

Jorge Sampaio: “Continuem com as reformas”

Jorge Sampaio: “Continuem com as reformas”

O anterior presidente da república portuguesa Jorge Sampaio, disse que a Turquia “não se pode dar ao luxo da fustração”.

Jorge Sampaio, encorajou ontem a Turquia a continuar com as reformas, avisando que um abrandamento pode ter repercussões perigosas na sua adesão à União Europeia. “A Turquia não deve ignorar que existem lobbies na Europa contra a sua adesão à União Europeia”. Sampaio, que se auto-intitula apoiante de longa data da entrada da Turquia no bloco das 25 nações, disse em entrevista ao jornal Turkish Daily News: “continuem com as reformas, têm um grande potencial para o fazer, apercebam-se disso”.
As declarações de Sampaio surgem no seguimento das afirmações proferidas pelo comissário europeu para o alargamento, Olli Rehn, no início desta semana, de que a Turquia devia acelerar o seu processo de reformas para evitar a falência da sua entrada na Europa.
O comissário europeu Rehn vai divulgar um relatório a 8 de Novembro, com a avaliação do progresso da Turquia na concretização da harmonização com os padrões europeus, tendo em vista a sua eventual adesão. Espera-se que o relatório tenha um grande tom crítico relativamente aos déficits de reformas, particularmente no que diz respeito ao artigo 301 do código penal turco (TCK), à luz do qual vários intelectuais foram julgados por insultos à “identidade turca”, e a questão de Chipre.
O governo turco, que tem desenvolvido reformas políticas e económicas abrangentes desde a sua tomada de poder em 2002, para o avanço da candidatura da Turquia à UE, tem tido reacções díspares às criticas europeias, com alguns ministros a concordarem que tem havido um abrandamento, enquanto outros insistem que Ancara tem feito a sua parte.
Sampaio, conhecedor das críticas da UE, disse que um abrandamento teria efeitos negativos no processo de candidatura. “Eu não posso julgar as declarações da UE [de que a implementação de reformas tem abrandado]. Mas se o abrandamento for real, é perigoso. A Turquia é um país orgulhoso, com uma cultura rica. Não pode perder o ritmo das reformas”.
Sampaio diz que a Turquia, com o seu Estado secular e população predominantemente muçulmana, constitui um valioso bem para a UE, no que ele chamou de um “tempo muito difícil” quando a divião Este-Oeste é profunda.“A Turquia tem um papel muito importante a desempenhar no trazer a sua diferença fundamental”, disse. Mas os Turcos têm de estar preparados para altos e baixos no processo de adesão à UE e não esperar um sucesso acelerado, uma vez que a própria UE está a colocar vários problemas por si só, tais como opiniões públicas cépticas preocupadas com o aumento de emigrantes e perda de empregos para os trabalhadores estrangeiros. “O que eu digo é que devem ser pacientes enquanto operam o processo de reformas”, disse, avisando que a população turca também deve estar convencida de que o processo é lento. “Também foi lento para nós”, disse, lembrando que demorou oito anos para Portugal ser membro da UE.

“Chipre pode ser um obstáculo difícil”:

As perspectivas da entrada da Turquia na UE são também ensombradas pela disputa persistente entre Ancara e Bruxelas sobre a abertura dos portos e aeroportos turcos ao tráfego greco-cipriota. A Turquia insiste em não abrir os seus portos e aeroportos a não ser que o isolamento dos cipriotas turcos seja simultaneamente suspenso e nega a normalização de laços com a administração cipriota grega. “A minha opinião sincera é que ajudaria muito se o assunto de Chipre fosse resolvido de uma forma equitativa”, disse Sampaio. Pressionado a comentar sobre o que aconteceria se uma solução não fosse encontrada, Sampaio sugeriu que existiriam alguns dentro da UE que utilizariam o facto para bloquear o caminho da Turquia para a adesão. “E os portos e aeroportos a continuarem fechados, não está a ajudar a situação”, acrescentou.
Sampaio fez estas declarações à margem da conferência anual EuroMeSCo, que começou ontem em Istambul e terminou hoje. O tema da conferência, que junta políticos, académicos e burocratas dos países euro-mediterrânicos, é “Caminhos para a democracia e inclusão na diversidade”.
O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, que iria inaugurar a conferência, teve de alterar o seu programa, uma vez que recebeu ontem a chanceler alemã Angela Merkel. O ministro de Estado Mehmet Aydın leu o discurso de abertura.

06 outubro 2006

Passageiros do avião "sequestrado" não chegaram a sentir pânico

Passageiros do avião

Os passageiros do voo da Turkish Airlines que foi sequestrado na terça-feira, seguiu para Istambul na quarta-feira, com os passageiros a dizerem que não chegaram a sentir pânico. "Graças a Deus tudo terminou sem que nada de grave tivesse acontecido", disse Ergün Erköseoğlu, um passageiro que passou a maior parte do sequestro a falar com o canal de televisão turco NTV via telemóvel. "Disseram-nos que íamos aterrar em Itália devido a um problema técnico no aeroporto Atatürk em Istambul, por isso não houve muito pânico", disse. "Só quando vimos os soldados italianos no aeroporto é que nos apercebemos que algo se passava". "Alguns passageiros só souberam que o avião tinha sido sequestrado quando ligaram os telemóveis", disse Halil Demir, outro passageiro turco. "Quando aterramos, ligamos os nossos telemóveis e começamos a receber mensagens [de familiares] a dizer que tinhamos sido raptados", disse.
O raptor foi identificado como sendo Hakan Ekinci, de 28 anos de idade, um desertor que estava a ser alvo de um processo de deportação da Albânia para a Turquia, quando sequestrou o avião.
Encontrava-se desarmado, e entrou no cockpit do avião cerca de 20 minutos depois deste ter descolado de Tirana com destino a Istambul, e ameaçou os pilotos com um pacote que disse conter uma bomba.
Ekinci, um convertido ao cristianismo e objector de consciência, pediu asilo político a Itália depois de se ter rendido à polícia italiana sem ter provocado ferimentos a ninguém. Tinha escrito uma carta ao Papa em Agosto, pedindo-lhe apoio para não cumprir o serviço militar na Turquia.
"O raptor forçou a entrada no cockpit quando a hospedeira nos estava a servir. Puxou-a contra mim e eu tentei empurrá-lo mas não consegui. Ele era um homem forte", disse o piloto Mürsel Gökalp, numa conferência de imprensa no aeroporto Atatürk. "Ele disse: 'Eu não vou magoar ninguém', disse que o seu único intento era entregar uma mensagem ao Papa e que se renderia logo depois, e caso não conseguisse o que queria explodiria o avião". O piloto disse também que Ekinci deve ter feito amplas pesquisas na internet. "Ele sabia que era necessário um código. Ele até sabia se o avião seguia para Este ou Oeste”.
Erköseoğlu referiu que estava sentado na frente do avião e que viu o raptor a entrar no cockpit depois de ter empurrado a hospedeira, mas disse que os passageiros não suspeitaram de nada até o avião ter aterrado na cidade italiana de Brindisi. O raptor “pediu desculpa e desejou-nos boa noite" antes do piloto o ter levado até à polícia italiana para se render, disseram os passageiros.
Depois de se ter entregue à policia italiana, Ekinci disse: “Se estivessem mais Turcos sentados na frente do avião eu nunca teria feito isto. “Quando entrei no avião, vi que a maior parte dos passageiros eram Albaneses. Vi só alguns Turcos. Os Turcos estavam todos sentados separados uns dos outros. Se houvessem dez ou 15 Turcos sentados à frente, nunca teria tentado o sequestro. Os Turcos são loucos, paravam-me na hora”.
Os passageiros turcos e maioritariamente albaneses a bordo do avião, falaram com os média e com amigos e familiares via telemóvel durante o impasse. Num dado momento, foram ouvidos na televisão (pelo telemóvel de Erköseoğlu) enquanto aplaudiam o raptor depois deste se ter desculpado e despedido dos passageiros antes de se render. No total estavam 113 pessoas a bordo deste avião Boeing 737-400.
Hakan Ekinci permanece em Itália, não parecendo eminente a sua extradição para a Turquia, uma vez que pede asilo político e a aterragem do avião foi forçada em solo italiano. Entretanto, Ekinci disse às autoridades italianas que se converteu ao cristianismo, e que teme pela sua vida como cristão na Turquia, um facto que parece complicar ainda mais os procedimentos legais. Ekinci tem um vasto registo de actividade criminal na Turquia.

05 outubro 2006

UE: “A postura da Turquia relativamente à liberdade de expressão preocupa-nos”

UE: “A postura da Turquia relativamente à liberdade de expressão preocupa-nos”

A atmosfera esteve tensa ontem em Ancara numa reunião entre o comissário europeu responsável pelo alargamento, Olli Rehn, e membros do parlamento turco. Rehn teceu duras críticas à recente aprovação da Lei da Nova Fundação, que disse não atribuir estatuto legal aos seminários religiosos ou igrejas na Turquia, assim como ao controverso artigo 301 do código penal turco (TCK), que fez com que autores como Orhan Pamuk, Elif Şafak e dezenas de outros intelectuais, fossem julgados por insultos à “identidade turca”. Avisou igualmente que a proposta da presidência finlandesa para quebrar o impasse relativamente a Chipre, pode ser a última oportunidade para evitar que aconteça um "desastre de comboio nas negociações de adesão". Rehn discutiu ontem essa proposta, com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan e com o ministro dos Negócios Estrangeiros Abdullah Gül.
Falando sobre o artigo 301, Rehn referiu: "Deve ser quebrado o círculo vicioso que este artigo criou. Tem de ser ou alterado ou removido do código penal. Isso é de extrema importância para a liberdade de expressão. Mesmo que os casos terminem favoravelmente para os acusados, isso não altera o facto de que nunca deveriam ter sido alvo de acusação e julgamento [...]. Tal como se discute como fazer pickles, têm de ser dados passos em frente na liberdade de expressão”.
O membro da comissão de harmonização da União Europeia, Yaşar Yakış interpelou Rehn, dizendo: "Nós somos um país que está no meio das negociações com a UE. Enquanto se fala de agricultura e se discute o tamanho de pepinos para se fazer pickles, coloca-se a questão da liberdade de expressão à nossa frente. Esses são assuntos diferentes [...]. Há aqui uma dualidade de padrões". Rehn respondeu à queixa de Yakış: "Eu nada tenho a ver com o assunto da agricultura. Isso é com outros. Mas a liberdade de expressão é um fundamento muito básico da UE, e é algo que não estamos a conseguir resolver. Enquanto outros estados membros colocam avisos sobre a liberdade de expressão na primeira página, as palavras da Turquia sobre a librerdade de expressão nem sequer aparecem até à página nove. Esta é uma situação que faz com que mesmo aqueles que apoiam a entrada da Turquia na UE, se sintam numa posição desconfortável". A tensão também aumentou quando legisladores turcos referiram uma medida controversa em França que penaliza qualquer negação de alegado genocídio. Questionaram Rehn se isso não significaria uma dualidade de actuação, uma vez que, por um lado a UE pressiona a Turquia para alterar artigos do seu código penal que restringem a liberdade de expressão, e por outro, outro país membro da UE debate uma medida que torna crime a negação de um alegado genocídio.

03 outubro 2006

Desvio de avião da Turkish Airlines não foi protesto contra a visita papal

Desvio de avião da Turkish Airlines não foi protesto contra a visita papal

Um Turco de nome Hakan Ekinci desviou um avião da Turkish Airlines proveniente de Tirana, na Albânia, com destino a Istambul durante o princípio da noite de hoje.
O homem em questão não se estava a insurgir contra a visita do papa Bento XVI à Turquia no mês de Novembro, mas sim a tentar obter asilo em Itália por não querer cumprir o serviço militar a que é obrigado na Turquia.
De acordo com testemunhos de passageiros do avião em questão, que falaram ao telefone em directo para um canal de televisão turco durante o sequestro, Hakan Ekinci não maltratou ninguém dentro do aparelho e pediu desculpa a todos os passageiros. No final, quando deixou o avião para ser interrogado pelas autoridades italianas foi aplaudido pelos passageiros. Foi esta a descrição feita ao telefone por um dos passageiros, durante o desenrolar dos últimos acontecimentos dentro do avião.
De acordo com as notícias veiculadas pelas televisões turcas, o jovem, de cerca de 30 anos, converteu-se ao cristianismo há cerca de dez anos e dizia não querer viver num país maioritariamente muçulmano como a Turquia e não querer cumprir o serviço militar a que todos os homens são obrigados no país. Hakan Ekinci já tinha escrito uma carta ao Papa pedindo-lhe apoio relativamente ao asilo político que pretende.

Elemento do PKK foi morto em Mardin

Um elemento do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) foi morto no passado Domingo durante uma operação na província de Mardin, de acordo com a agência noticiosa Anatólia.
A morte aconteceu durante uma operação que tinha aparentemente como alvo membros do PKK que mataram um tenente na mesma região num confronto na semana passada perto do distrito de Dargeçit. Os confrontos terão começado perto do distrito de Ömerli na província de Mardin entre um grupo do PKK e forças de segurança, depois do grupo ter ignorado ordens para parar. O confronto de Domingo com o grupo do PKK aconteceu no primeiro dia de um cessar-fogo unilateral declarado pelo PKK no Sábado, depois do pedido feito pelo seu líder Abdullah Öcalan a partir da prisão onde se encontra. A Turquia não acatou o pedido de Öcalan, com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan a dizer que um cessar-fogo era acordado entre Estados, não com organizações terroristas e sublinhou que o PKK devia depor as armas. As autoridades de segurança também disseram que as operações contra o PKK não iriam parar.
A Turquia tem ignorado todos os outros pedidos de cessar-fogo feitos pelo grupo, classificado como uma organização terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia. O PKK, de acordo com o pedido de Öcalan, disse que só irá usar armas se for atacado pelo exército turco. Erdoğan, em conversa com os jornalistas a caminho dos Estados Unidos no Sábado, disse que o fim das operações de segurança estava fora de questão, mas acrescentou que não iriam haver operações surpresa. “Em nenhum local do mundo as forças de segurança param as suas operações, contudo, não haverá nenhuma operação fora desse âmbito”. Os confrontos de Domingo aconteceram depois de um soldado ter morrido e de outro ter sido ferido no Sábado quando pisaram uma mina que se crê ter sido colocada pelo PKK na província de Hakkari.

Turquia e Estados Unidos discutem estratégia contra o PKK

Turquia e Estados Unidos discutem estratégia contra o PKK

Erdoğan disse que discutiu com Bush uma estratégia conjunta para o combate ao terrorismo, e caminhos para a adopção de medidas concretas para lidar com o problema.

O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos George W. Bush no Domingo, para discutir uma estratégia de cooperação contra o radicalismo e extremismo e medidas contra o terrorismo.
Bush, numa conferência de imprensa conjunta com Erdoğan, depois de cerca de duas horas de reunião, revelou apoio à entrada da Turquia na União Europeia, evitando no entanto uma declaração clara relativamente às preocupações de Ancara sobre o cessar-fogo proposto pelo ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). “Eu disse claramente ao primeiro-ministro que penso que é do interesse dos Estados Unidos que a Turquia faça parte da União Europeia”, disse Bush aos jornalistas na conferência de imprensa. Disse igualmente que abordaram o extremismo e radicalismo, assim como esforços comuns para “trazer estabilidade para o médio oriente" e a situação Irão e Iraque.
Bush congratulou Erdoğan pelas reformas económicas que “permitiram que a economia turca se tivesse fortalecido para o bem da população turca”, e elogiou-o como “amigo e homem de paz”.
Outro assunto que Bush e Erdoğan discutiram foi a região problemática do Darfur, com Bush a referir que “o nosso grande desejo é melhorar as vidas daqueles que sofrem no Darfur”.
O encontro Erdoğan-Bush foi muito aguardado, principalmente no que diz respeito ao tema da luta contra o PKK. Erdoğan, em declarações antes de partir para os Estados Unidos, disse que iria pedir aos responsáveis norte-americanos para tomarem medidas para acelerar o processo de luta contra o PKK.
Erdoğan disse que discutiu com Bush todos os asuntos importantes entre dois parceiros estratégicos, com maior destaque para o combate ao terrorismo.
Numa conferência de imprensa só para jornalistas turcos, mais tarde, Erdoğan disse que ele e Bush discutiram passos conjuntos para o combate ao terrorismo, e medidas que permitam passos importantes contra o terrorismo. Declinou, contudo, fornecer uma linha cronológica de actuação relativamente a medidas contra o PKK. Disse ainda que os dois países já partilhavam da opinião de que uma plataforma global necessita de ser criada para combater o terrorismo global.
A conversa entre Erdoğan e Bush aconteceu depois do PKK ter anunciado um cessar-fogo unilateral no Sábado, de acordo com uma comunicação do líder Abdullah Öcalan a partir da prisão onde se encontra. O pedido de Öcalan foi precedido de uma declaração feita pelo presidente iraquiano Jalal Talabani, um Curdo, dizendo que o PKK iria anunciar um cessar-fogo nos próximos dias.
Os analistas dizem que a liderança curdo-iraquiana ajudou a projectar um anúncio de cessar-fogo do PKK com a instigação dos Estados Unidos.
Horas antes do encontro Erdoğan-Bush, O comandante geral das Forças Armadas, general Yaşar Büyükanıt, anulou claramente o cessar-fogo unilateral do PKK. “As Forças Armadas turcas disseram que vão manter a luta contra o terrorismo até que não exista um único terrorista armado. Não há uma única mudança na nossa posição, nem haverá”, disse num discurso na Academia Turca de Guerra em Istambul. “A única solução para os membros da organização terrorista é baixarem as armas e renderem-se à justiça turca”. As declarações de Büyükanıt pareceram ser uma resposta às propostas de uma amnistia para o PKK, no sentido de fazer descer os seus militantes das montanhas Kandil no Iraque, e fazê-los largar as armas. Relatos jornalísticos disseram antes do encontro, que os Estados Unidos queriam que a Turquia proclamasse uma amnistia para ajudar a resolver o problema, embora os responsáveis americanos nunca tenham feito declarações públicas que sugerissem isso. “É mencionado [...] um cessar-fogo como se houvessem dois países em guerra”, disse Büyükanıt sobre a declaração do PKK. “Isto foi agendado primeiro por certos indivíduos, instituições e grupos. Depois, pedidos semelhantes foram feitos por membros do parlamento europeu e alguns Estados. Na semana passada, a pessoa que ostenta o título de presidente do Iraque disse que tinha convencido a organização terrorista a cessar-fogo. E depois, a organização terrorista declarou um cessar-fogo. Isto mostra que o assunto se trata de grande plano”.
A Turquia ignorou as anteriores declarações de cessar-fogo do PKK, e os oficiais acreditam que se trata de um mero movimento táctico. Os peritos militares dizem que a chegada do Inverno nas áreas montanhosas do sudeste na fronteira com o Iraque, onde o PKK é particularmente activo, iria forçar o grupo terrorista a abrandar os seus ataques ate à proxima primavera. Büyükanıt disse que a experiência do passado demonstrou que não há outra alternativa senão manter a luta contra o PKK. “Tem-se visto que a organização terrorista arranja ramificações onde quer e até tentou pactuar com o Estado para concretizar alguns objectivos”, disse.

02 outubro 2006

Louis Michel apoia a entrada da Turquia na União Europeia

Louis Michel apoia a entrada da Turquia na União Europeia

O anterior ministro dos Negócios Estrangeiros belga e actual membro da Comissão Europeia, Louis Michel, demonstrou o seu apoio à Turquia face à pressão da União Europeia para aceitar o "genocídio" relativamente à Arménia.

Falando sobre esse assunto, Michel disse ontem em Bruxelas: "não podem ser apresentados novos critérios políticos à Turquia para a adesão à União Europeia. A Turquia tem uma grande importância para a União Europeia. Basta olhar e ver onde é que as linhas energéticas se cruzam para perceber isso".
Michel focou o papel da Turquia na região, e como estava convencido daquilo a que chama "a grande necessidade da UE relativamente à Turquia". "Basta olhar para os problemas na região. Se olharmos para os problemas no Iraque, Médio Oriente, Irão, reparamos que a Turquia é um país chave em tudo isso[...]. Existem parlamentares no Parlamento Europeu que parecem comportar-se como se a Turquia se fosse tornar membro amanhã. A entrada da Turquia ainda vai demorar algum tempo, e temos de dar tempo ao país para se preparar".

Aumenta a tensão com a França devido ao alegado genocídio arménio

Aumenta a tensão com a França devido ao alegado genocídio arménio

Em resposta à pergunta se a Turquia deveria reconhecer que o massacre de Arménios em 1915-1917 pelo Império Otomano se tratou de um "genocídio", Chirac respondeu: “Sinceramente, penso que sim”.

As relações ente Ancara e Paris foram perturbadas no Sábado pelas declarações que o presidente francês Jacques Chirac fez durante a visita de Estado de dois dias que realizou à Arménia, dizendo que a Turquia devia reconhecer que o massacre de Arménios durante a 1.ª Grande Guerrra foi um “genocídio”, antes da sua possível entrada na União Europeia.
"Todos os países crescem aprendendo com os seus dramas e erros", disse Chirac.
O evento ocorreu no meio dos intensos esforços que a Turquia tem estado a desenvolver para evitar que a Assembleia Nacional Francesa adopte uma resolução reconhecendo que a morte de Arménios no primeiro quarto do século passado se tratou de um “genocídio.” O voto está agendado para o dia 12 de Outubro.
Fontes diplomáticas do ministério turco dos Negócios Estrangeiros, sublinharam a importância que a Turquia atribui às relações bilaterais com a França, e exprimiram preocupação relativamente à adopção de uma medida tão controversa que poderá prejudicar as relações entre as duas nações, assim como os empresários franceses com negócios na Turquia e que negoceiam com a Turquia.
“Mesmo que essa medida seja adoptada, não é possível a Turquia aceitar uma teoria desse tipo”, revelaram as mesmas fontes, acrescentando que Ancara tem estado a contactar responsáveis franceses a todos os níveis para impedir que essa medida seja aprovada.
Os diplomatas turcos chamam a atenção para o facto de que a Arménia, fazendo com que as acusações de genocídio contra a Turquia sejam aceites por outros paises, está a tentar prejudicar as relações bilaterais entre a Turquia e outros países e a garantir benefícios políticos.
“O lobby arménio devia abandonar os jogos de bastidores, e devia apresentar argumentos concretos suportados por factos históricos”, disseram as mesmas fontes diplomáticas referindo-se à proposta que Ancara fez no ano passado para o estabelecimento de um comité conjunto de peritos arménios e turcos para o estudo das alegações de um "genocídio" arménio nos momentos finais do império otomano.
No início do mês passado, durante conversações com o seu homólogo francês, Philippe Douste-Blazy, integradas na visita a França do ministro dos Negócios Estrangeiros turco Abdullah Gül, foi sugerido que a França participasse nesse comité.
Gül disse nessa altura que outros países incluindo a França podiam integrar esse comité composto por académicos turcos e arménios para o estudo das alegações.
Enquanto Ancara emitia no Sábado uma declaração a condenar o incidente, oficiais séniores turcos, referiam que as declarações de Chirac foram “totalmente inaceitáveis” e que iriam certamente ter um sério impacto nas relações políticas e económicas entre os dois países.
No Sábado, Chirac e a sua mulher Bernadette, compareceram numa cerimónia solene no monumento arménio dedicado aos alegados massacres de Arménios de 1915-1917 pelo império otomano.
Esta é a primeira visita de um presidente francês a esta nação pobre do Cáucaso, que tem desavenças com os seus vizinhos túrquicos, Azerbaijão e Turquia.
Chirac colocou flores no monumento Tsitsernakaberd antes de ser conduzido a uma visita ao denominado "Museu do Genocídio".
A França, que tem 400 000 cidadãos originários da Arménia, reconheceu oficialmente os eventos da 1.ª Guerra Mundial como "genocidas" em 2001, arrefecendo as suas relações com a Turquia, país candidato a membro da União Europeia e seu parceiro na NATO.
Muitos países, incluindo os Estados Unidos e Israel, recusaram-se até agora a reconhecer os massacres como "genocídio".
Ancara argumenta que 300 000 Arménios e pelo menos o mesmo número de Turcos morreram num conflito interno despoletado por tentativas de Arménios adquirirem a independência relativamente ao Leste da Anatólia.
A Arménia também tem um conflito com o Azerbeijão relativamente ao enclave étnico de Nagorno Karabakh, sobre o qual ganhou controle numa guerra no início dos anos 90, mas que ainda é reconhecido internacionalmente como parte do Azerbaijão.