google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

15 agosto 2007

Gül defende o direito ao uso do véu islâmico


O candidato à Presidência turca, Abdullah Gül, afirmou esta quarta-feira não ter antecipado nenhum problema com o poderoso Exército do país por causa do véu islâmico que a sua mulher usa e insistiu que a Constituição garante a sua liberdade em usá-lo.
A elite secular turca, incluindo os generais, opõe-se à tentativa de Gül de concorrer ao posto mais alto da nação devido ao seu passado islâmico e ao fato da sua mulher, Hayrunisa, usar o véu islâmico.
O véu, visto por secularistas como uma ameaça à separação entre Estado e religião, é proibido em locais públicos e escolas, apesar de mais de metade das mulheres turcas o usar.
Questionado se o Exército pode levantar objecções sobre o véu, Gül respondeu aos jornalistas: "A Turquia é um país governado por leis [...]. A Constituição garante os direitos humanos básicos, incluindo o direito de cada um se vestir como quiser".
Gül também prometeu agir como um chefe de Estado imparcial. "O presidente deve manter distâncias iguais e observar o princípio da imparcialidade", disse Gül depois de procurar apoio para a sua candidatura entre líderes empresariais e sindicatos.
O Parlamento da Turquia vai realizar uma série de votações, com início na próxima semana, para a eleição presidencial.
Gül deve ganhar no terceiro turno, em 28 de Agosto, quando precisar de uma maioria simples entre os 550 membros do Parlamento, onde o seu partido, AKP, detém 341 assentos.

14 agosto 2007

Gül compromete-se a defender a laicidade do Estado

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Abdullah Gül, formalizou hoje a sua candidatura à presidência da República, comprometendo-se a defender a laicidade do Estado, mas a oposição já contestou a iniciativa dos islamitas.
Fortalecido pela vitória alcançada nas legislativas do mês passado, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), decidiu manter a candidatura de Gül à chefia de Estado, numa eleição prevista para o final deste mês no Parlamento de Ancara. A insistência representa um desafio à oposição laica e ao Exército, que na Primavera passada se opuseram à escolha de um islamita para a mais alta magistratura da nação. O boicote da oposição no Parlamento conseguiu mesmo evitar a eleição de Gül, por falta de quórum, o que levou o AKP a procurar nas urnas a legitimidade para enfrentar os sectores laicos. “O reforço e a defesa dos valores republicanos estipulados na Constituição serão a minha principal prioridade”, afirmou Abdullah Gül na apresentação da candidatura, antes de acrescentar: “Farei tudo o que for necessário para defender a laicidade e penso que ninguém deverá preocupar-se com esse assunto”.
Apesar de 99 por cento da sua população ser muçulmana, a Constituição da Turquia estipula a separação entre Estado e religião, atribuindo ao Exército o papel de defensor do laicismo estatal. A escolha de Gul foi por isso vista com maus olhos pela oposição, dominada pela elite laica, que não se cansa de lembrar que a mulher do antigo ministro surge em público envergando o véu islâmico, proibido nas instituições públicas e considerado um símbolo ostensivo do islamismo. Sinal desse incómodo é a recusa da liderança do principal partido da oposição, os sociais-democratas do CHP, em receber Gül, até agora o único candidato oficial à presidência. Ainda assim, o antigo ministro reuniu-se com outros dirigentes políticos, numa tentativa para conseguir apoios. Apesar de não ter dificuldades em ser eleito – o AKP detém maioria absoluta no Parlamento, o necessário para uma eleição à terceira votação – Gül sabe que necessita de um apoio mais abrangente para garantir legitimidade fora dos meios islamitas, como ficou claro em Abril e Maio, quando a oposição conseguiu reunir centenas de milhares de pessoas nas ruas em defesa da laicidade.

(Fonte: Público)

O regresso da Turquia


Discutir a possibilidade e as consequências da entrada da Turquia na União Europeia foi um tópico extremamente importante nos últimos seis anos. O 11 de Setembro foi uma grande prancha política para Ancara e para os partidários da sua entrada na União Europeia. As dúvidas e as hesitações vieram a seguir. As eleições de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy parecem ter assinalado o fim da ideia. E com 2007 veio a ideia de que, sem a União Europeia, a Turquia está destinada a ter um papel menor na política internacional. Afinal de contas ouvimos falar da Turquia apenas por causa dos seus problemas internos ou então por causa das ansiedades dos militares de Ancara em relação às actividades do PKK no Curdistão iraquiano.
Os europeus que ignoram ou desvalorizam a importância política da Turquia cometem um grave erro. Primeiro, por uma razão que é normalmente ignorada sempre que se fala do país na maior parte das capitais europeias. Longe dos nossos olhares, a economia turca tem vido a crescer consistentemente acima dos cinco por cento durante os últimos anos. Este crescimento transformou a Turquia na maior e mais dinâmica economia muçulmana e garantiu a entrada do país no grupo das vinte maiores economias mundiais. Este crescimento não está assegurado, é certo, mas a Turquia já é hoje a maior economia no Mediterrâneo oriental, Médio-Oriente e Cáucaso. A ascensão da economia turca tem sido silenciosa mas não pode continuar a ser ignorada.
Acima de tudo, e este é o segundo ponto que é crucial reter, porque um crescimento económico deste tipo não deixará de ter importantes consequências políticas no relacionamento da Turquia com os seus vizinhos. Aqui, as últimas décadas não são um bom guia para o que aí vem. O colapso do império otomano, a fundação da Turquia, a influência de ingleses e franceses no Médio-Oriente, a Guerra Fria e a ascensão regional dos EUA contribuíram para diminuir drasticamente o papel político internacional de Ancara. As importantes mudanças que estão a actualmente a decorrer no xadrez político regional são uma enorme oportunidade para a Turquia voltar a desempenhar o seu papel histórico.

Por Miguel Monjardino in Expresso

AKP mantém Gül como candidato à presidência da República


O partido de orientação islâmica no poder (AKP) esteve reunido à porta fechada durante várias horas na segunda-feira e decidiu nomear novamente o ministro dos Negócios Estrangeiros Abdullah Gül como o seu candidato à presidência da República apesar da oposição secularista e do Exército.
O Parlamento vai efectuar uma primeira volta da eleição presidencial na próxima segunda-feira, mais de três meses depois da oposição ter vetado a eleição de Gül e da crise que a sua candidatura despoletou abrindo caminho à antecipação das eleições legislativas. Nessa altura, a oposição secular acusou o governo de ter o objectivo de derrubar as tradições seculares fundadas por Atatürk e de tentar canalizar o poder para poder assim impôr o islamismo.
O partido de Erdoğan ganhou as eleições de 22 de Julho, mas não conseguiu os dois terços necessários para a aprovação do seu candidato presidencial durante as primeiras duas voltas da votação parlamentar. Contudo, o presidente pode ser eleito por maioria na terceira volta, se o Parlamento reunir o quórum necessário para as eleições presidenciais. A primeira volta da votação parlamentar terá lugar no dia 20 de Agosto, a segunda no dia 24 de Agosto e a terceira no dia 28 de Agosto.
Cihan Pacaci, um membro do Partido do Movimento Nacionalista (MHP), afirmou que o seu partido irá apoiar Gül para prevenir uma nova crise política.
Por outro lado, Deniz Baykal, líder do principal partido da oposição (CHP) disse que "Não é apropriado que o país tenha um presidente que tem problemas com a filosofia fundadora da República turca".
A função do presidente é fundamental no controlo do Estado turco. Tem o poder de vetar leis e acordos do governo. O actual presidente Ahmet Necdet Sezer, bloqueou muitas vezes as iniciativas do governo.

13 agosto 2007

Colisão de duas embarcações ao largo de Istambul


Uma colisão entre um ferry turco de transporte de passageiros e um navio de carga ucraniano ao largo de Istambul fez hoje 40 feridos.
O ferry dirigia-se para a ilha de Avşa e transportava 450 passageiros.
As autoridades dizem que o incidente não fez vítimas mortais nem feridos muito graves e que não afectou o tráfego no Estreito do Bósforo, importante ponto de passagem de petroleiros internacionais.
Foi iniciada uma investigação para determinar as causas do acidente.
O Mar de Mármara faz a ligação ao Mar Negro através do Estreito do Bósforo, a Istambul e ao Mar Egeu através do Estreito de Dardanelos.
Os dois estreitos constituem a principal rota para os navios ucranianos e russos chegarem ao Oceano Atlântico através do Mar Mediterrâneo e são as águas com maior tráfego em todo o mundo.
Os esforços da Turquia para melhor regulamentar e limitar o tráfego no Bósforo e Dardanelos, têm sido gorados ao longo dos anos devido à oposição dos países que fazem fronteira com o Mar Negro e cuja principal rota comercial é a marítima.

12 agosto 2007

Regresso

Irei publicando as notícias mais importantes que marcaram a actualidade da Turquia durante o período em que este blogue esteve de férias.
Assim sendo, e para a consulta ser mais fácil e organizada, pode encontrá-las abaixo deste post na data correspondente.

08 agosto 2007

Permanecem as dúvidas sobre o candidato presidencial do AKP


O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, deverá apresentar um candidato consensual à presidência do país para evitar novas tensões entre o novo Governo e o sector laico.
Segundo a imprensa turca, Erdoğan deseja que o último candidato por si apresentado às presidenciais turcas, o chefe da diplomacia de Ancara, Abdullah Gül, se retire da corrida presidencial para evitar de novo tensões com os laicos.
A candidatura às presidenciais de Abdullah Gül, ex-islamita cuja mulher usa véu islâmico, esteve na origem da grave crise institucional da Primavera entre o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, saído do movimento islamita) e o campo pró-laico. A crise política originou a antecipação das eleições legislativas para 22 de Julho último.
Durante a crise, o Exército turco lançou um aviso ao Governo contra qualquer tentativa de pôr em causa o secularismo do país e milhões de turcos saíram à rua para demonstrar a recusa de ter um chefe de Estado cuja mulher usa véu.
Três dias depois das eleições de 22 de Julho, nas quais o AKP obteve uma esmagadora maioria (341 dos 550 deputados da Assembleia Nacional), Gül deu a entender que se mantinha na corrida presidencial, alegando o apoio popular dado ao AKP a 22 de Julho.
"Gül presidente" foi um dos slogans da campanha do AKP. A eleição do novo chefe de Estado da Turquia deverá realizar-se no final deste mês.
Apesar de não dispor de dois terços dos votos na Assembleia Nacional
necessários para a eleição do Presidente nas primeiras duas votações, o AKP deverá eleger sem problemas o candidato que apresentar na terceira votação, durante a qual 276 votos são suficientes.

(Fonte: O Primeiro de Janeiro)

06 agosto 2007

Sezer pede a formação de novo governo

O presidente da Turquia, Necdet Ahmet Sezer, pediu hoje ao primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, para formar um novo governo. O pedido aconteceu dois dias depois da posse do novo Parlamento. Erdoğan tem 45 dias para apresentar uma lista de ministros para a aprovação de Sezer. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdoğan, com raízes no movimento islâmico da Turquia, conquistou 341 das 550 cadeiras do Parlamento nas últimas eleições. Erdoğan renunciou de imediato para permitir que o presidente lhe solicitasse a formação de um novo governo.

04 agosto 2007

O novo Parlamento tomou posse


Um novo Parlamento turco dominado pelo partido de orientação islâmica do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan foi empossado hoje, abrindo caminho para um novo governo que foi lembrado no discurso de abertura da sua obrigação de proteger os princípios seculares da nação.
No início da cerimónia, o presidente provisório do Parlamento, Şukru Elekdağ, do oposicionista Partido Republicano do Povo (CHP), disse que Erdoğan deveria agir com bom senso a fim de evitar a polarização política."Desenvolver uma política para proteger valores seculares e democráticos ajudará o país no seu objectivo de alcançar o nível contemporâneo de civilização", afirmou Elekdağ. O seu partido e os militares fortemente seculares do país têm sublinhado nos últimos dias que o próximo presidente, que será eleito pelo Parlamento ainda este mês, deve defender sinceramente o secularismo. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdoğan, detém 341 das 550 cadeiras do actual parlamento, 10 a menos do que no anterior, mas ainda com uma maioria folgada. O presidente Ahmet Necdet Sezer deverá pedir na segunda-feira a Erdoğan para formar um novo governo. O partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), terá 99 cadeiras. O Partido do Movimento Nacionalista (MHP), de extrema direita, retornou ao parlamento com 70 deputados, depois de cinco anos de ausência. O centro-esquerdista Partido Democrático de Esquerda conquistou 13 cadeiras (DSP). Um renovado partido curdo, o Partido da Sociedade Democrática (DTP), ficou com 21 assentos. Para muitos Curdos, o novo Parlamento marca uma nova era na sua luta por mais direitos. Mas muitos Turcos temem que a agremiação curda seja influenciada pelo ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado terrorista pelos Estados Unidos e União Europeia e que luta pela formação de um Estado curdo independente. É a primeira vez que o grupo é representado no Parlamento desde a sua expulsão em 1994 por supostos laços com rebeldes separatistas curdos. Líderes do partido prometeram não provocar tumultos na cerimónia de posse, como fizeram os seus antecessores. Mas um deputado do partido, Ahmet Türk, numa entrevista à televisão turca, recusou-se a considerar o PKK uma organização terrorista, alegando que isso iria contra seu papel de procurar a paz. Todos os partidos no Parlamento recusam uma cooperaração com os deputados curdos enquanto eles não denunciarem o PKK como um grupo terrorista.

01 agosto 2007

Começaram hoje os cortes de água em Ancara


A Turquia enfrenta grandes cortes no fornecimento de água e de eletricidade em função de uma grave seca que atinge o país e que provocou a redução do nível de água dos reservatórios até níveis críticos.
Em Ancara começou hoje o racionamento de água ordenado pela Câmara Municipal, e cada freguesia da capital, de forma alternada, disporá de dois dias de água e dois dias sem água durante os próximos cinco meses.
Após a divulgação do plano, o preço do garrafão de água potável de 5 litros aumentou 40% na última semana.
O nível dos reservatórios que abastecem Ancara é de 4,8%, enquanto em Istambul é de 28%, quantidade de água que os especialistas consideram suficientes apenas para os próximos três meses.
Caso não sejam registradas chuvas, Istambul deverá adoptar as mesmas medidas de Ancara.
Os especialistas criticam a demora do Governo e Municípios nas aplicação de restrições ao uso de água, algo que atribuem às eleições legislativas realizadas em Julho.
"Não só este Governo, mas também os anteriores fracassaram ao investir no sector energético durante os últimos 20 anos e, por outro lado, perderam tempo a falar vagamente sobre a energia nuclear", criticou o membro da Câmara de Engenheiros Eléctricos de Ancara, Cengiz Göltas, em declarações ao jornal Milliyet.
Outro dos problemas enfrentados na Turquia por causa da seca é o risco de uma crise energética por causa da dependência da eletricidade de procedência hídrica e do rápido aumento no consumo.
As primeiras províncias afectadas pelo corte de electricidade foram Denizli, Isparta e Antália, situadas nas regiões Egea e Mediterrânea, todas com grande volume turístico.
A produção eléctrica das represas dos rios Tigre e Kızılırmak, dois dos maiores da Turquia, registrou um total de 49% e 20%, respectivamente, o que representa uma perda de 12% da produtividade com relação ao ano passado.
O Governo turco prometeu a construção de novas represas e recentemente aprovou uma lei que permitirá pela primeira vez a abertura de fábricas nucleares no país.
Outra das soluções estudadas é a privatização da gestão de rios e lagos por um período de 29 a 49 anos.
Os concursos para as privatizações, que estarão abertos a investidores estrangeiros, incluirão um total de 12 ou 13 rios entre os quais estão o Tigre, o Eufrates e o Kızılırmak.
O aumento global das temperaturas e um ano com poucas chuvas são apontados como razões para a grave seca, embora alguns especialistas a atribuam ao mau uso dos recursos hídricos.
"O aquecimento global implica um aumento das precipitações. Se na Turquia vivemos uma seca não é culpa do clima e sim da falta de conhecimento ao usar a água", disse o professor de Ciências do Mar da Universidade de Izmir, Doğan Yaşar, em declarações publicadas na edição de hoje do jornal Sabah.

(Fonte: EFE)