google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

01 setembro 2023

Rúben Ribeiro regressou ao futebol português


Depois de três épocas ao serviço do Hatayspor, na Turquia, clube no qual cumpriu 88 jogos e apontou três golos, Rúben Ribeiro regressa ao futebol português para vestir as cores do emblema flaviense.

Numa nota publicada nas redes sociais, o emblema transmontano destacou as "várias épocas de grande qualidade em Portugal", com passagens por Gil Vicente, Sporting, Rio Ave, Boavista, Paços de Ferreira, Beira-Mar, Penafiel e Leixões.

Além-fronteiras, o centrocampista passou, também, pelo Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos.

Já em solo flaviense, Rúben Ribeiro mostrou-se feliz com o novo desafio, garantindo que veio para "ajudar a conquistar os objetivos do clube", elogiando a forma como foi acolhido e os adeptos transmontanos.

"Não há nada melhor [do que ser] bem recebido e desejado. Sei que [o clube] tem uma massa adepta exigente, mas eu gosto e é mais um desafio na minha carreira. Espero que com a ajuda de todos os meus colegas e o staff [cheguemos] a bom porto", frisou o jogador em declarações aos órgãos de comunicação do clube.

(Fonte: O Jogo)

13 julho 2023

Yilport reclama exclusividade em Leixões


A Yilport insiste na exclusividade do TCL no porto de Leixões, onde se propõe investir entre 500 e mil milhões de euros, adianta Robert Yildirim, o líder do grupo turco.

“Agora temos tido disputas com as autoridades, que reclamam que não temos a exclusividade, mas é claro. Preto no branco. Está escrito. E queremos continuar assim para expandir o porto”, afirma, peremptório, o homem forte da Yilport.

As divergências sobre a exclusividade do TCL na movimentação de contentores no porto de Leixões arrastam-se há anos e terão sido uma das razões do protelamento da construção do novo terminal de -14 metros. Pouco antes de deixar a liderança da APDL, Nuno Araújo afirmou que o assunto estava sanado com um acordo entre as partes, o que abriria caminho ao avanço da transformação do terminal multiusos num novo terminal de contentores.

O CEO e Chairman da Yilport desfaz a ideia de existência de qualquer acordo e, outrossim, mantém, os planos de expansão, apresentados por si, em Leixões, já em 2019 (aquando da assinatura da renegociaçãpo do contrato de concessão), e reafirmados no final de 2021, pelo então co-CEO Nicolas Sartini (na comemoração do recorde dos 700 mil TEU).

“Queremos construir no lado Norte um novo terminal de contentores e carga geral”, afirma Robert Yildirim, “mas estamos com dificuldades. Temos dialogado com os ministros, mas os ministros dos Transportes estão sempre a mudar, e quando explicamos a situação o ministro sai. E quando o apresentamos ao novo ministro, e o fazemos entender, e estamos à beira de conseguir o apoio, muda de novo”.

“Mais de 500 milhões de euros”, podendo chegar aos “mil milhões, é o montante do investimento proposto pela Yilport para Leixões. Para o lado Norte do porto (tendo por base o actual terminal de contentores Norte do TCL), Robert Yildirim fala num terminal “state of the art”, equipado com “pórticos super-post-panamax”, com “dragagens e fundos para trazer os maiores navios do mundo”, mais terraplenos e novas e maiores frentes de cais.

O projecto, diz, já foi actualizado várias vezes – “a versão actual é a melhor” -, mas “ainda não sabemos o que a autoridade portuária nos deixará fazer, em termos de dimensões físicas: localização, terraplenos, cais,…”.

No entretanto, e desde que assumiu o controlo do TCL, a Yilport já investiu “cerca de 50 milhões de euros” na modernização e aumento da capacidade do terminal de contentores. Robert Yildirim refere, a propósito, a instalação dos RTG automatizados, as melhorias no parque de contentores e a adopção do sistema de gestão Navis (que não correu bem, concede, tendo originado protestos dos transportadores rodoviários).

“Hoje o TCL está a trabalhar a 110% da capacidade”, garante.

(Fonte: Transportes e Negócios)

03 julho 2023

Turquia vence no campeonato da inflação

Num ano em que os custos subiram acentuadamente, os atores da indústria da moda inflacionaram os preços, mas esse aumento não tem sido transferido para o consumidor ao mesmo ritmo em todos os países. Mercados como Espanha, Islândia e Noruega mantiveram uma certa estabilidade dos preços, enquanto na Turquia, o aumento dos preços chegou a 31,5%, devido à desvalorização da lira.

De acordo com os dados da Eurostat, a agência de estatística europeia, a Turquia lidera a lista dos mercados mais inflacionistas, seguida pela República Checa, com uma subida de 18,5% dos preços em 2022, e pela Croácia (+7,3%). O top 5 encerra com a Bulgária (+6,7%) e a Estónia (+6,5%).

Em Portugal, os preços (incluindo calçado) subiram 0,8%, sendo que, considerando apenas o vestuário, a inflação foi de 1,1%.

Em Itália o aumento dos preços dos artigos de moda foi de 1,5% e em França de 2,7%. Já em Espanha, os preços do vestuário e calçado mantiveram-se iguais a 2021, na Islândia aumentaram 0,3% e na Noruega cresceram 0,5%.

De acordo com o Eurostat, no conjunto da União Europeia, a inflação do sector foi de 2,9%, em comparação com 1% registado em 2021. Desde 2018, a tendência tem sido de crescimento, tendo 2022 sido o ano mais inflacionista para a União Europeia.

O aumento dos preços na moda, contudo, situa-se bastante abaixo do registado no geral, onde a inflação atingiu 9,2%, em comparação com 2,9% no ano anterior, 0,7% em 2020 e 1,5% em 2019.

Nos EUA, o índice de preços ao consumidor aumentou 5,5% no ano passado, sendo a maior subida dos preços da moda nos últimos cinco anos. Em 2021, os preços do sector registaram um aumento de 2,4% e em 2020 houve uma queda de 4,3%.

(Fonte: Portugal Têxtil)

30 junho 2023

Morreu o Embaixador da Turquia em Portugal


Murat Karagöz havia apresentado este ano credenciais ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, passando a ser nomeado oficialmente como Embaixador a 4 de maio.

Dois dias depois, o diplomata publicou um artigo de opinião no DN no qual apontou as "tarefas significativas da Embaixada turca em Lisboa", tendo elogiado o papel de Portugal nas operações de busca e salvamento após os sismos que abalaram a Turquia em fevereiro.

No mesmo artigo, Karagöz anunciou que pela primeira vez em Portugal, a comunidade turca, com cerca de 1500 eleitores registados, poderia votar nas eleições presidenciais e parlamentares da Turquia, que tiveram lugar a 14 de maio, a partir da Embaixada.

"Estamos profundamente consternados com a súbita perda do nosso estimado Embaixador, Sr. Murat Karagöz. Desejamos a misericórdia de Alá ao nosso falecido Embaixador e serenidade à sua enlutada família. Condolências para toda a sua família e entes queridos. Que a sua alma descanse em paz", pode ler-se no Facebook da Embaixada da Turquia em Lisboa.

Ao que o DN apurou, o diplomata morreu subitamente enquanto passava férias na Turquia.

(Fonte: DN)

10 junho 2023

Kökcü é reforço do Benfica


O médio Orkun Kökcü, de 22 anos, é reforço da equipa de futebol profissional do Sport Lisboa e Benfica. O internacional turco chega ao Clube proveniente dos neerlandeses do Feyenoord e rubrica um contrato válido por cinco temporadas, até 2028.

Aí está o novo camisola 10 do Benfica, que, em declarações à BTV, assumiu o "orgulho" e a "honra" por representar um "grande clube", explicando o que o levou à tomada de decisão no momento de se transferir, perante o assédio de outros emblemas.

"Antes de tudo porque o Benfica é um grande clube europeu, forte na Liga dos Campeões e para mim é o melhor passo para me desenvolver. Sinto que o Benfica é uma família muito calorosa, como clube tem grandes adeptos, e o Estádio é fantástico. Também senti que há muito que o Benfica tentava bastante [contar comigo] e tinha de me manter fiel a isso. Os meus pais vieram ver o Benfica-Inter para a Liga dos Campeões. Nessa altura tive o feeling de que gostaria de vir para o Benfica, e agora estou feliz por estar aqui, no Estádio da Luz. Um grande Estádio! Estou muito feliz, muito orgulhoso e é o melhor passo para a minha carreira", assegurou.

"O Benfica é um grande clube europeu, forte na Liga dos Campeões e para mim é o melhor passo para me desenvolver"

De águia ao peito terá oportunidade de atuar ao lado de Aursnes, antigo colega no Feyenoord, e às ordens de Roger Schmidt, um técnico que o defrontou na Eredivisie, quando orientava o PSV Eindhoven. Um motivo para maior felicidade.

"Joguei uma temporada com o Fredrik [Aursnes] e, quando veio [para o Benfica], disse-lhe que me tinha deixado cedo demais. E agora, um ano depois de ele vir, volto a ter a oportunidade de jogar com ele. Combinamos bem em campo. Estou feliz por voltar a jogar com ele e por Roger Schmidt ser o treinador, porque ele conhece-me da Liga neerlandesa e eu conheço-o. É a escolha perfeita", defendeu.

"Conheço o treinador e como ele quer jogar. Encaixa no meu estilo. Mal posso esperar por jogar e ganhar troféus por este grande clube"

O papel a desempenhar num Benfica de ataque, um estilo de jogo que "encaixa" no que pratica, foi outro dos aspetos considerados pelo internacional turco de 22 anos.

"Quando há oportunidade de te transferires, primeiro olhas para o estilo de jogo da equipa, e é exatamente o mesmo estilo em que jogava. Conheço o treinador e como ele quer jogar. Encaixa no meu estilo. Mal posso esperar por jogar e ganhar troféus por este grande clube", asseverou, confessando o que espera do Glorioso: "O Estádio é grande, o Clube tem muitos adeptos, grandes adeptos. Mal posso esperar por jogar neste Estádio frente aos nossos adeptos, retribuir-lhes, ganhar títulos e ser bem-sucedido. É esse o objetivo."

"Receber a camisola 10 do Presidente é uma grande honra. Sinto-me muito honrado, e agora tenho de retribuir dentro de campo"

O facto de ter recebido a camisola 10 do Benfica das mãos do Presidente Rui Costa, que, enquanto jogador, envergou o mesmo número, defendeu o mesmo emblema e foi um dos melhores intérpretes do mundo no seu tempo, deixou Kökcü "honrado".

"É algo importante para mim. Era muito novo quando o nosso Presidente jogou, mas vi muitos vídeos. Podemos ver que era um grande jogador, uma lenda. Receber a camisola 10 do Presidente é uma grande honra. Sinto-me muito honrado, e agora tenho de retribuir dentro de campo", concluiu.

Orkun Kökcü deu os primeiros passos no futebol no Olympia Haarlem, nos Países Baixos, clube da cidade onde nasceu, representando-o durante duas temporadas. Em 2009/10 ingressou no HFC EDO, competindo até nova mudança no final da época para o Stormvogels. Aí, 2010/11, o talento chamou a atenção do Groningen, emblema que representou durante três estações, entre 2011/12 e 2013/14.

O jovem médio de ascendência turca transitou, ainda em 2014, para as equipas jovens do Feyenoord, onde se destacou rapidamente. Aliás, tal levou a que se estreasse pela equipa principal do atual campeão neerlandês com apenas 17 anos, concretamente a 17 de setembro de 2018, num encontro frente ao VV Gemert, na primeira ronda da KNBB Cup, apontando o segundo dos quatro golos que ditaram o triunfo da formação de Roterdão (4-0).

A estreia oficial na Eredivisie surgiu quase dois meses depois, a 9 de dezembro de 2018, pouco antes de completar 18 anos. O médio criativo foi suplente utilizado na vitória (1-4) perante o FC Emmen, jogo em que fez um golo e uma assistência nos 45 minutos em que esteve em campo.

Por esta altura já Orkun Kökcü era internacional Sub-17, Sub-18 e Sub-19 pelos Países Baixos, contando com 19 internacionalizações e cinco golos pelas seleções jovens neerlandesas.

Porém, em julho de 2019 o criativo decidiu representar a Turquia, ele que tem ascendência turca e azeri. A estreia oficial com as cores turcas verificou-se a 6 de setembro de 2019, precisamente na equipa de Sub-21, na qualificação para o Campeonato da Europa da categoria, frente à Inglaterra, que venceu por 3-2.

Orkun Kökcü fez apenas dois jogos pelos Sub-21 da Turquia, registando a primeira internacionalização pela seleção principal a 6 de setembro de 2020, perante a Sérvia, num encontro para a Liga das Nações que terminou empatado (0-0). Até ao momento da assinatura do contrato com o Benfica, o médio contava com 20 internacionalizações e dois golos, apontados frente a Montenegro, a 16 de novembro de 2021, e Arménia, a 25 de março de 2023.

Figura cada vez mais proeminente no Feyenoord, Orkun Kökcü fez parte da equipa titular – ao lado do hoje benfiquista Fredrik Aursnes – que disputou a final da Liga Conferência frente à AS Roma em 2021/22.

Em setembro de 2022, Orkun Kökcü tornou-se capitão do Feyenoord, guiando a equipa de Roterdão à conquista da Eredivisie em 2022/23, ele que já tinha no currículo uma Supertaça pelo clube, erguida em 2018, após o triunfo frente ao PSV Eindhoven no desempate por marcação de grandes penalidades (0-0, 5-6 gp), jogo no qual foi suplente não utilizado.

Na temporada finda (2022/23), Orkun Kökcü foi eleito Futebolista do Ano nos Países Baixos, encerrando a mesma com 46 jogos, mais de 3900 minutos de utilização, 12 golos e cinco assistências, isto englobando Campeonato, Taça e Liga Europa.

(Fonte: SLBenfica)

18 maio 2023

Kemal Kılıçdaroğlu promete enviar todos os refugiados de volta para casa

O adversário de Recep Tayyip Erdoğan na corrida presidencial da Turquia, Kemal Kılıçdaroğlu, elevou o tom sobre a imigração nesta quinta-feira, ao prometer enviar todos os imigrantes de volta para os seus países se for eleito na segunda volta de 28 de maio.

Kemal Kılıçdaroğlu, candidato de uma aliança de oposição de seis partidos, obteve cerca de 45% de votos na eleição de domingo, enquanto Erdoğan conseguiu cerca de 49,5%, ficando um pouco abaixo da maioria necessária para evitar uma segunda volta.

Os comentários mais recentes de Kılıçdaroğlu surgiram na sequência de expectativas de que o terceiro candidato na corrida presidencial anunciaria a sua decisão para a segunda volta.

Sinan Oğan, um político nacionalista apoiado por um partido anti-refugiados, obteve cerca de 5,2%, de votos, o que o tornou uma peça decisiva para a segunda volta.

Dirigindo-se aos membros de seu partido na sede do Partido Republicano do Povo (CHP), Kılıçdaroğlu manteve o seu tom desafiador contra as políticas de imigração de Erdoğan: "Erdogan, você permitiu deliberadamente 10 milhões de refugiados na Turquia. Você até colocou a cidadania turca à venda para obter votos importados". Anuncio aqui: vou mandar todos os refugiados de volta para casa assim que for eleito presidente, ponto final', disse Kılıcdaroğlu.

A Turquia abriga a maior população de refugiados do mundo, de cerca de 4 milhões, segundo dados oficiais.

(Fonte: Antena 1/Reuters)


Kiliçdaroğlu endurece tom para apelar ao eleitorado nacionalista


O opositor turco Kemal Kiliçdaroglu, que vai desafiar Recep Tayyip Erdogan na segunda volta das eleições presidenciais turcas de dia 28, endureceu hoje o tom sobre as questões dos refugiados e do terrorismo, num apelo ao eleitorado nacionalista.

"Nunca me sentei à mesa com organizações terroristas e nunca o farei [...]. Mandarei todos os refugiados para casa assim que chegar ao poder", afirmou o candidato da aliança da oposição em Ancara, no primeiro discurso público desde a primeira volta, a 14 de maio. 

Nos últimos meses, o líder da oposição tinha utilizado apenas a palavra "repatriamento" e dito que o faria num prazo de dois anos se vencesse a votação.

Estas duas promessas, agora formuladas num tom invulgarmente firme, tal como define a agência noticiosa France-Presse (AFP), "soam como uma mensagem" enviada aos 2,8 milhões de eleitores (5,2 por cento do eleitorado) que apoiaram o terceiro e último candidato mais votado na primeira volta, o ultranacionalista Sinan Ogan.

Segundo a imprensa turca, Sinan Ogan encontrou-se quarta-feira com um dos seis líderes da aliança da oposição e poderá encontrar-se sexta-feira com Kiliçdaroglu, que obteve 44,9% dos votos no domingo, contra 49,5% do Presidente cessante Recep Tayyip Erdogan, uma diferença de mais de 2,5 milhões de votos.

Sinan Ogan poderá apelar aos seus apoiantes no final da semana para que votem num dos dois finalistas da eleição, embora esteja por percecionar se o eventual apoio do ultranacionalista a qualquer um dos candidatos seja seguido pelos seus apoiantes.

Na primeira volta, Ogan centrou parcialmente a sua campanha na expulsão dos quatro milhões de refugiados que vivem em solo turco, 90% deles sírios.

Kiliçdaroglu, que há muito prometeu enviar os refugiados sírios para o país de origem, acusou hoje o chefe de Estado cessante de ter "trazido voluntariamente 10 milhões de refugiados" para a Turquia.

"Se se mantiverem no poder, haverá mais 10 milhões de refugiados [...]. Haverá pilhagens. As cidades serão geridas pela máfia e pelos traficantes de droga. O feminicídio vai aumentar", alertou.

Sobre a questão do terrorismo, Kiliçdaroglu acusou Erdogan de ter conduzido "negociações secretas" com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um grupo descrito como terrorista por Ancara e pelos seus aliados ocidentais.

O líder da oposição turca também o chefe de Estado de ter "alimentado e feito crescer" o movimento do pastor exilado Fethullah Gülen, um antigo aliado de Erdogan, acusado por este último de ter fomentado a tentativa de golpe de Estado de julho de 2016.

"Nunca estive do lado daqueles que conspiraram contra os nossos soldados e nunca estarei", disse, visando Erdogan, que, por sua vez, acusa Kiliçdaroglu de "receber ordens" do PKK desde que ganhou o apoio do partido pró-curdo HDP.

O candidato da oposição também denunciou as "irregularidades" que, defendeu, prejudicaram a primeira volta das eleições.

"Não precisamos de um ou dois, mas de cinco observadores em cada assembleia de voto", afirmou o líder da oposição.

(Fonte: JN)

14 maio 2023

Kemal Kılıçdaroğlu promete devolver a democracia ao país


O líder da oposição turco, Kemal Kiliçdaro[lu, exerceu este domingo o seu voto para as eleições presidenciais, apelando à harmonia numa eleição em que tem oportunidade de destituir o atual presidente, Recep Tayyip Erdoğan.

O líder do Partido Democrático Popular, Kiliçdaroğlu, exerceu o seu voto na escola primária Argentina, em Ancara, acompanhado da esposa, Selvi, entre clamores de "Kemal, presidente".

Em declarações aos jornalistas, depois de votar, Kiliçdaroğlu, que é o principal adversário do atual presidente Erdogan, destacou que "a primavera vai regressar" ao país.

"Todos sentimos falta da democracia. Sentimos falta de estarmos juntos, de nos abraçarmos uns aos outros. Vão ver, a Primavera vai regressar a este país, se Deus quiser, e vai durar para sempre", afirmou.

(Fonte: TSF)

12 maio 2023

Dirigente do AKP: Vamos vencer as eleições mas respeitamos qualquer resultado


O dirigente do AKP em Ancara assegurou em entrevista à Lusa que os resultados eleitorais de domingo serão respeitados pelo partido no poder, mas previu que nas legislativas e presidenciais de domingo a oposição será novamente derrotada.

“Respeitaremos a vontade da nação. Obedeceremos aos resultados, mas a aliança da oposição não aceitará a sua derrota e caminhará na lama. Não legitimarão os resultados para arruinar o processo eleitoral. E tentarão atuar em diversos cenários”, indicou Murat Alparslan, 49 anos, que concorre na terceira posição nas listas do partido.

“Acreditamos que vamos vencer as eleições legislativas e presidenciais. E que venceremos as presidenciais na primeira volta”, arriscou.

Numa observação final ao duplo escrutínio de 14 de maio, o dirigente local do AKP recordou que as eleições na Turquia registam geralmente elevada participação, com a presença de observadores nacionais e estrangeiros.

As eleições presidenciais e legislativas de domingo na Turquia serão decisivas para a manutenção, ou não, do Presidente Recep Tayip Erdogan e do seu partido AKP, no poder há duas décadas.

A oposição apresenta uma frente unida de seis partidos que tem um único candidato à Presidência, Kemal Kiliçdaroglu, apoiado pelo partido esquerdista e pró-curdo HDP.

Perto de 61 milhões de eleitores vão decidir o futuro do país, incluindo mais de três milhões de turcos que vivem fora do seu país, incluindo em Portugal, que votam antecipadamente.

Murat Alparslan falou à Lusa na sede de campanha para o 1.º distrito de Ancara, situada num amplo recinto no centro com construções pré-fabricadas e onde se concentram as equipas de apoio aos deputados.

Ao ser questionado sobre as alegadas conspirações internas e externas dirigidas contra o Estado e o partido no poder e denunciadas regulamente pelos media que controlam, considerou que não constituem uma surpresa.

“Tentaram que a Turquia ficasse controlada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), e com esse objetivo pretendem afastar Erdogan, porque caso contrário o FMI não poderá controlar o destino da Turquia”, alegou.

“O país é suficientemente inteligente para enfrentar estas armadilhas contra si e contra Erdogan, e quando se livrar destas armadilhas solucionará os seus principais problemas. A grande vantagem de Erdogan consiste em aglutinar junto de si um partido forte e os seus membros, e manter uma forte empatia com a nação”, defendeu à Lusa.

Numa abordagem à “questão curda”, em particular o colapso das inéditas conversações promovidas pelo AKP com o proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), mas que colapsaram em 2015, Murat Alparslan recordou que todas as minorias étnicas e religiosas “desempenharam uma função essencial na construção da Turquia”, rejeitando por isso que sejam consideradas como minorias.

“Não temos problemas com minorias étnicas e religiosas e não temos um problema com os curdos, antes com os grupos terroristas. A maioria da população curda é prejudicada pelos grupos terroristas”, assinalou.

Ainda numa referência ao malogrado processo de paz, iniciado em 2012, sustentou que Erdogan e o Estado atuaram com brandura face aos curdos, “com o objetivo de terminar um prolongado banho de sangue e o funeral de mártires”.

Neste processo, acusa os “grupos terroristas” de aproveitamento da situação.

“Por isso, o Estado e Erdogan deram um murro com um punho de ferro na mesa. A luta contra o terrorismo e os grupos terroristas vai prosseguir até ao fim. No nosso grupo de deputados e no Governo do AKP existem mais curdos que no CHP”, a principal força da oposição, assinalou.

(Fonte: Lusa/Observador)

Mudança de poder na Turquia pode não significar o fim dos laços com Putin

Em plena campanha eleitoral e a apenas três semanas da abertura das urnas, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente russo, Vladimir Putin, inauguraram a primeira central nuclear da Turquia numa cerimónia virtual, gesto que aproximou ainda mais os dois vizinhos do Mar Negro.

No mês passado, foi feita a primeira entrega de combustível nuclear na central de Akkuyu, na província de Mersin, que é a primeira do mundo a ser construída, detida e explorada por uma única empresa - a empresa estatal russa de energia atómica Rosatom.

Com isso, a Turquia aumentou a sua dependência energética de Moscovo, numa altura em que os seus aliados da NATO estavam a reduzir esses laços para privar a Rússia de influência contra eles. A presença de Moscovo na Turquia foi reforçada a longo prazo, precisamente no momento em que Erdogan se prepara para participar numa eleição que, segundo algumas sondagens, o poderá afastar do poder.

O reforço dos laços entre Erdogan e Putin causou nervosismo no Ocidente, com alguns a observarem as próximas eleições na expectativa de uma possível saída de Erdogan.

O homem forte turco sabe disso. Quando, em março, o embaixador dos EUA em Ancara, Jeff Flake, visitou o seu principal rival eleitoral, Kemal Kiliçdaroglu, Erdogan atacou-o, chamando à visita do diplomata norte-americano uma "vergonha" e avisando que a Turquia tem de "dar uma lição aos EUA nestas eleições".

As sondagens sugerem uma corrida apertada entre Erdogan e Kiliçdaroglu, com a probabilidade de as eleições de 14 de maio irem a uma segunda volta se nenhum candidato obtiver a maioria dos votos.

Mas os analistas afirmam que, mesmo que Erdogan seja derrotado nas urnas, uma reviravolta na política externa da Turquia não é um dado adquirido. Enquanto figuras próximas da oposição consideram que, em caso de vitória, a Turquia será reorientada para o Ocidente, outros dizem que as questões fundamentais da política externa provavelmente permanecerão inalteradas.

Ao longo das últimas duas décadas, a Turquia de Erdogan reposicionou-se de uma nação secular e orientada para o Ocidente para uma nação mais conservadora e orientada para a religião. Membro da NATO, e com o segundo maior exército da Aliança, reforçou os seus laços com a Rússia e, em 2019, chegou mesmo a comprar-lhe armas, desafiando os EUA. Erdogan tem levantado suspeitas no Ocidente ao continuar a manter laços estreitos com a Rússia, enquanto esta prossegue a sua ofensiva na Ucrânia, e foi uma dor de cabeça para os planos de expansão da NATO ao impedir a adesão da Finlândia e da Suécia.

No entanto, a Turquia também tem sido útil aos seus aliados ocidentais durante o governo de Erdogan. No ano passado, Ancara ajudou a mediar um acordo histórico de exportação de cereais entre a Ucrânia e a Rússia e até forneceu à Ucrânia drones que desempenharam um papel importante contra os ataques russos.

"Penso que há áreas em que vamos assistir a mudanças radicais, se a oposição ganhar, e muitos dos nossos colegas e diplomatas europeus em Ancara estão a perguntar até que ponto a Turquia vai voltar a aproximar-se dos seus aliados ocidentais", disse Onur Isci, professor assistente de relações internacionais na Universidade Bilkent, em Ancara, observando que, se a oposição ganhar, a primeira coisa que vai fazer é reparar as barreiras com o Ocidente.

Limites da viragem da Turquia para o Ocidente

Mas, mesmo que as relações com o Ocidente sejam restabelecidas, haverá limites para o regresso da Turquia àquela esfera, dada a profunda interligação entre as economias turca e russa, especialmente no que respeita à energia.

Segundo Isci, grande parte da política externa de Erdogan tem sido orientada por considerações económicas. E é provável que isso continue no próximo governo.

A Turquia é um parceiro comercial fundamental para a Rússia, bem como um centro para milhares de russos que fugiram após a invasão russa da Ucrânia, investindo dinheiro no sector imobiliário e noutros sectores.

O comércio entre os dois países tem vindo a aumentar e, no mês passado, Putin afirmou que a Rússia estava interessada em aprofundar os seus laços económicos com Ancara, referindo que o comércio bilateral ultrapassou os 57 mil milhões de euros em 2022, de acordo com a agência noticiosa estatal russa TASS. Este facto coloca a Rússia entre os maiores parceiros comerciais da Turquia.

No entanto, a União Europeia, enquanto bloco, continua a ser o maior parceiro comercial da Turquia, com o comércio bilateral a atingir cerca de 200 mil milhões de euros, de acordo com a Comissão Europeia. Entretanto, o comércio com os EUA ascendeu a cerca de 31 mil milhões de euros em 2022, de acordo com o Gabinete dos Censos dos EUA.

A proximidade geográfica da Rússia com a Turquia, bem como os seus interesses económicos em Ancara, provavelmente significa que um líder diferente de Erdogan continuará a manter boas relações com Moscovo, enquanto ancora a Turquia nas suas alianças democráticas ocidentais, perspetivou Murat Somer, professor de ciência política da Universidade Koc, em Istambul, à CNN.

"Em termos de perspetivas do país, este será orientado para o Ocidente democrático", afirmou Somer, salientando que tal não significa o fim total das divergências com os países ocidentais.

Após vários atrasos, a Turquia permitiu este ano que a Finlândia aderisse finalmente à NATO, mas continua a impedir a adesão da Suécia, alegando que este país alberga "organizações terroristas" curdas, referindo-se ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que é considerado um grupo terrorista pela Turquia, pelos EUA e pela UE.

As questões relativas à adesão da Suécia podem, no entanto, ser resolvidas com ou sem Erdogan.

"É muito provável que, independentemente de quem ganhe as eleições, Ancara ratifique a adesão da Suécia em 2023, depois de a nova legislação antiterrorista entrar em vigor na Suécia", antecipou à CNN Nigar Goksel, diretor para a Turquia do International Crisis Group.

A oposição tem feito questão de salientar que, para que a adesão da Suécia seja aprovada, são essenciais "medidas construtivas para eliminar as preocupações da Turquia em matéria de segurança".

Mas enquanto as relações com a UE podem melhorar se a oposição ganhar, o caminho pode ser mais longo e mais difícil com os EUA, dizem os especialistas.

"Quando mencionamos a relação da Turquia com o Ocidente por vezes tomamos os dois extremos do Atlântico como se fossem um só", disse Isci. "A relação da Turquia com os EUA chegou a um beco sem saída e tem vindo a deteriorar-se desde há muito tempo."

Quer Erdogan ou a oposição ganhem, acredita Isci, a Turquia vai tentar "desenredar a sua relação com os EUA e a UE", dada a dependência de Ancara dos seus parceiros comerciais europeus.

(Fonte: CNN Portugal)