23 maio 2009
Discurso de Lula da Silva durante jantar oferecido por Abdullah Gül
Turquia vence vizinhos gregos
O encontro, referente ao Grupo 3, o mesmo de Portugal, esteve empatado até aos 69 minutos, quando Sercan Yıldırım colocou a Turquia na frente do marcador. Quatro minutos depois, Eren Albayrak fez o 2-0 e o melhor que os Gregos fizeram foi reduzir por intermédio de Lefteris Matsoukas, perto do apito final. A Turquia vai agora medir forças com a Dinamarca, na segunda-feira, ao passo que os Gregos defrontam os anfitriões portugueses no mesmo dia.
22 maio 2009
Lula fecha visita à Turquia em busca de relançar elo centenário
Nedim Gürsel: Entre o Sena e o Bósforo
Acusado de blasfémia no país de origem, Turquia, depois de publicar o livro “Filhas de Alá” no ano passado, tem uma segunda audiência do julgamento no dia 26 Maio. O procurador retirou as acusações, mas o inquérito prossegue.
Euronews: Os europeus questionam se a Turquia é realmente um país laico e se merece fazer parte da União Europeia. Que responde a isto?
Nedim Gürsel – Bem, eu sou um firme defensor da adesão do meu país à integração na União Europeia. É verdade que agora, com este julgamento, tenho algumas interrogações… Será que a Turquia anda à deriva para um regime mais autoritário? O que não é, obviamente, compatível com a ideia de Europa expressa na Turquia.
Espero que o meu julgamento seja um acidente de percurso. Mas acho que a Europa tem razão em colocar estas questões, porque talvez a Turquia não esteja pronta para entrar na Europa.
EN – Será que a Europa, especificamente os europeus, não têm uma certa responsabilidade? No sentido de os Turcos se sentirem menosprezados quando falamos com eles e falarem de um “clube cristão”?
NG – Sim, penso que a rejeição é mal vista pelos Turcos porque, de algum modo, afecta o orgulho nacional. Eu…sou contra o nacionalismo.
Mas, há bastante tempo que a Turquia bate à porta da União Europeia e depara sempre com pretextos para justificar um discurso – digamos – de rejeição. Como é o caso neste momento com Merkel e Sarkozy.
A Turquia é um país muçulmano. Mas se a Turquia partilha valores europeus seria enriquecedor para a Europa ter um país como a Turquia no seu seio.
O que é difícil de admitir pelos europeus. Não dizem, mas a candidatura da Turquia reenvia a Europa face à própria imagem: a Europa afirma a identidade e rejeita o outro, a Turquia. Mas é necessária uma reconciliação.
EN – Há mesmo assim progressos no sentido de uma maior liberdade de expressão na Turquia nos últimos anos. Assistimos à restauração da nacionalidade do poeta Nazim Hikmet, e no ano passado, o famoso artigo 301 º que penaliza a difamação da nação turca foi reformulado. No entanto, há organizações, indivíduos que denunciam simples mudanças cosméticas. Concorda com a interpretação?
GN – Em qualquer caso, fez bem em evocar o caso de Nazim Hikmet, um dos grandes poetas turcos. A Turquia fez uma grande injustiça com este grande poeta preso durante 16 anos e condenado ao exílio. Morreu em 1963, em Moscovo. O nosso primeiro-ministro, que afirmou recentemente que Nazim Hikmet estava reabilitado, também disse que a Turquia é um país que já não julga os escritores. Fui o primeiro a congratular-me. Mas o meu processo é a negação evidente deste discurso. Falou de alterações cosméticas, pequenos retoques…talvez, mas é melhor assim, porque precisamos de ir mais longe na democratização da Turquia, e sem a perspectiva europeia não vai ser possível.
EN – O senhor é um dos signatários da carta de desculpas aos Arménios escrita por um grupo de intelectuais turcos. Ora, há pessoas que criticam esta carta porque não está lá palavra genocídio …
GN – Acho que a Turquia deve fazer um verdadeiro trabalho de memória. No que se refere à petição que assinei, penso que é uma coisa boa, porque vai mexer com os tabus. Vai quebrar tabus como a religião… o problema arménio continua a ser um tabu na memória colectiva dos Turcos.
O mesmo se aplica à questão curda. Ainda há uma dezena de anos , não podíamos falar nisso. Nem podíamos pronunciar a palavra “curdo”.
Agora, o presidente Abdullah Gül diz que a questão curda é a questão mais importante do nosso país, por isso, há uma evolução inegável.
EN – Sente-se no exílio?
GN – É um exílio voluntário. Não me sinto no exílio, porque vou muitas vezes à Turquia. Alimento-me… o meu imaginário é alimentado pela Turquia, pela história otomana. Escrevi romances históricos, estou muito ligado à cidade de Istambul.
Mas houve um tempo, especialmente depois do golpe militar de 12 de Setembro de 1980, em que não pude voltar ao meu país durante três anos. Portanto, estava verdadeiramente no exílio.
Por isso escrevi um livro chamado “O Último Eléctrico”, onde exprimi o sentimento de escritor turco no exílio: a vida nómada, o apego à pátria, à cidade, etc.
Agora não me sinto no exílio, estou um pouco a meio caminho entre Paris e Istambul. Digo sempre que, metaforicamente, sou como a ponte do Bósforo, que, não só liga duas margens de um rio, o rio asiático e o rio europeu, mas também os homens e as culturas, e acredito que esse é o papel do escritor, porque a literatura é universal, aproxima os homens entre si.
Portugal e Turquia presentes no segundo Festival Europeu de Futebol de Rua
Declaração conjunta por ocasião da visita do presidente Lula à Turquia
"Declaração conjunta - visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à república da Turquia - 21 a 22 de Maio de 2009. A convite de Sua Excelência o presidente Abdullah Gül, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou uma visita oficial à república da Turquia, nos dias 21 e 22 de Maio de 2009, a primeira ao mais alto nível de um chefe de Estado brasileiro. A visita insere-se no contexto da determinação dos dois chefes de Estado de intensificar e aprofundar os históricos laços de amizade e de cooperação entre o Brasil e a Turquia.
2. Os dois presidentes reafirmaram os valores que o Brasil e a Turquia compartilham quanto ao respeito pelo direito internacional, pelos princípios democráticos, pela garantia da paz e segurança internacionais, defesa dos direitos humanos e promoção do desenvolvimento com justiça social.
3. Durante a visita, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Abdullah Gül discutiram formas de aprofundar o relacionamento bilateral em distintas áreas e passaram em revista os principais temas de interesse comum da agenda global.
4. Os dois chefes de Estado enfatizaram a sua determinação de alçar a cooperação bilateral ao mais elevado patamar. Neste sentido, destacaram a importância dos trabalhos da comissão conjunta de alto nível, estabelecida em 2006, sob a co-presidência dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países, como mecanismo de coordenação e de promoção das relações bilaterais, tanto na esfera do aprofundamento do diálogo político, como na dinamização do relacionamento nos sectores económico, comercial, financeiro, científico e tecnológico, cultural, bem como nas áreas de defesa e turismo.
5. Durante as conversas, foi concedida atenção especial ao comércio e à cooperação económica. Os dois presidentes registaram com satisfação o contínuo aumento da corrente comercial bilateral e decidiram envidar esforços para que o relacionamento se desenvolva de forma a reflectir as dimensões e o dinamismo das economias do Brasil e da Turquia, dois membros do G-20.
6. Os dois presidentes encorajaram as suas respectivas instituições a intensificar o trabalho relativo ao incremento do comércio e investimentos, particularmente nos setores automóvel, de energia e da indústria de defesa. Nesse sentido, destacaram a necessidade de a comissão económica conjunta e o conselho empresarial bilateral funcionarem activamente.
7. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Abdullah Gül saudaram a realização, em Istambul, no contexto da visita, do Seminário Económico Brasil-Turquia, com expressiva participação de empresários de diversos setores dos dois países. No seu pronunciamento no referido seminário, o presidente Lula destacou o interesse em dinamizar os investimentos mútuos e o comércio bilateral.
8. Os dois chefes de Estado expressaram o seu agrado quanto à cooperação já existente entre os dois países na área de energia. Expressaram a sua satisfação com a parceria entre a Turkish Petroleum Company (TPAO) e a Petrobrás, consolidada com a assinatura, no contexto da visita, de novos contratos entre as duas empresas, relativos à prospecção de petróleo na zona económica turca no mar Negro. Durante a visita do presidente Lula, também foram discutidas energias renováveis, área prioritária para os governos de ambos os países.
9. Os dois presidentes acolheram com satisfação a inauguração, em Abril de 2009, de voos regulares da companhia aérea Turkish Airlines, no eixo Istambul-São Paulo e reafirmaram a sua importância para estimular os fluxos de comércio e turismo entre os dois países. Nesse contexto, o presidente Lula saudou a decisão da Turquia de abrir um consulado geral em São Paulo e comunicou a disposição de reciprocar o gesto mediante a instalação de um consulado geral em Istambul.
10. Os dois presidentes reiteraram também o compromisso de estimular as relações nas áreas da ciência e cultura entre o Brasil e a Turquia. Com esse espírito, saudaram a inauguração do centro de estudos latino-americanos estabelecido na Universidade de Ancara. Os dois chefes de Estado discutiram ainda a possibilidade de organizar reciprocamente semanas do Brasil na Turquia e da Turquia no Brasil, de forma a promover uma maior visibilidade mútua e propiciar maior interacção cultural entre os povos do Brasil e da Turquia.
11. Os dois líderes também abordaram as relações entre a Turquia e o Mercosul e reiteraram o seu apoio ao êxito das negociações do acordo de livre comércio Mercosul-Turquia. O presidente Gül expressou a expectativa no apoio do Brasil ao estabelecimento de um mecanismo de diálogo político entre a Turquia e o Mercosul.
12. O presidente Lula cumprimentou o presidente Abdullah Gül pelo êxito da organização pela Turquia, do segundo fórum da Aliança das Civilizações, realizado em Istambul, nos dias 6 e 7 de Abril de 2009. Ao sublinhar a importância do trabalho da Aliança das Civilizações, os dois presidentes destacaram o significado das conclusões do fórum de Istambul e expressaram a sua convicção de que a terceira edição do fórum, a realizar-se no Brasil, em 2010, constituirá um passo significativo para a consecução dos objectivos da Aliança, assim como para a sua expansão em sentido universalizante.
13. Os dois líderes também compartilharam opiniões sobre os grandes desafios internacionais. Ao discutir a necessidade de resposta global à actual crise económica, enfatizaram a importância do fortalecimento do G-20 como uma plataforma altamente representativa que inclui importantes países desenvolvidos e economias emergentes. Expressaram acolher, com satisfação, as decisões e iniciativas adoptadas na cúpula do G-20, realizada em Londres, em Abril último, e reiteraram o compromisso de trabalhar conjuntamente com outros líderes do G-20 para recuperar a estabilidade económica e financeira internacional.
14. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Abdullah Gül reafirmaram também o empenho dos seus governos em prol do fortalecimento do multilateralismo. Sublinharam, nesse contexto, a necessidade de avançar no processo de reforma do conselho de segurança das Nações Unidas, de forma a torná-lo mais eficaz e representantivo. Recordaram a necessidade de que o Conselho reflicta mais acuradamente as realidades internacionais contemporâneas, em particular por meio de uma mais ampla representação de países em desenvolvimento. Os dois presidentes reiteraram também o seu compromisso com a conclusão positiva da cimeira de Doha.
15. Os dois líderes analisaram com especial interesse a situação no oriente médio, no quadro do engajamento mútuo na promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento na região. Sublinharam a necessidade de avanço no processo negociador do conflito israelo-palestiniano que conduza à criação de um Estado palestino, convivendo em harmonia e segurança com o Estado de Israel.
16. Os presidentes Lula e Gül, ao discutirem os efeitos da mudança do clima, convergiram quanto à necessidade de ampla cooperação em âmbito global, com base na convenção-quadro das Nações Unidas sobre mudança do clima (UNFCCC) e o seu protocolo de Quioto, reconhecendo as respectivas capacidades dos países e reafirmando os princípios consagrados na UNFCCC, inclusive o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, dos Estados.
17. Os dois presidentes expressaram especial satisfação com os entendimentos alcançados durante a visita e reiteraram o empenho de aprofundar e diversificar os laços de amizade entre os governos e os povos do Brasil e da Turquia".
Vendedor é chamado de 'Turco' no Brasil, diz Lula, na Turquia
Petrobras vai explorar águas turcas
Esses investimentos estão contemplados no planeamento estratégico da companhia, que prevê investimentos de US$ 15,9 bilhões no segmento internacional nos próximos cinco anos.
As negociações começaram em 2006 e já consumiram US$ 130 milhões no estudos de dois blocos. Mais US$ 630 milhões serão gastos no aluguer por três anos da sonda norueguesa Leiv Eiriksson, que deve chegar em Dezembro e ser cedida por seis meses à TPAO, que pagará um sexto do valor. Até ao fim do próximo ano, devem ser gastos mais US$ 250 milhões, o que eleva o orçamento do projecto ao patamar de US$ 1 bilhão de dólares.
A estatal turca poderá fazer uso do equipamento para perfuração de um dos poços da Petrobras no Mar Negro, com a possibilidade de extensão para poços adicionais, após a perfuração do poço Sinop, do qual a Petrobras é operadora. A previsão é de que as operações de perfuração sejam iniciadas no primeiro trimestre de 2010.
A opção dos Turcos pela Petrobras deve-se à tecnologia da empresa brasileira na exploração em águas profundas. A estimativa é de que o petróleo esteja a cerca de 1000 metros de profundidade e a 230 kms da costa.
Em entrevista no Palácio Presidencial, Lula disse que a necessidade de investir na camada pré-sal no Brasil não é motivo para a Petrobras deixar de buscar parcerias a fim de prospectar petróleo em outras regiões do mundo. "Estamos avançando porque nosso investimento em pesquisa passou de US$ 500 milhões para US$ 2 bilhões", disse, observando que a existência de petróleo no pré-sal é mais um motivo para os investimentos em outras regiões continuarem. O presidente ainda destacou que, se houver possibilidade do país se associar com outras empresas pelo mundo, isso será feito. "Queremos ser a primeira de petróleo. Ficamos muito tempo sem fazer investimento", afirmou.
O casal Cavaco Silva na Turquia
Cavaco e Maria lá encontraram o habitual casal português e o Presidente foi beijado na cara pela mulher, muito feliz. O pior foi quando uma espanhola, com muito salero, tentou fazer o mesmo. Aí não foi um ‘armário’ turco que agiu. Foi Maria Cavaco Silva quem deu um bom empurrão à atrevida. Um chega para lá muito decidido e dissuasor.
KÁTIA GUERREIRO ATÉ NO AVIÃO CANTOU
JORNALISTA SEMPRE: O QUE PREPARA MARIA JOÃO?
A jornalista Maria João Avillez foi à Turquia como convidada do Presidente da República. Não tinha de aturar todos os dias as declarações, as correrias, as entrelinhas e principalmente a ditadura dos caracteres. Mas quem pensa que Maria João Avillez foi apenas dar um passeio à Turquia está redondamente enganado. A jornalista, mesmo como convidada, é sempre jornalista, e andava atenta a tudo o que se passava. Veremos daqui a uns tempos o que irá escrever Maria João Avillez.
21 maio 2009
Lula participa no fórum económico Brasil-Turquia
Lula, que está acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Celso Amorim, e pelo ministro da Indústria, Miguel Jorge, chegou terça-feira à noite a Istambul, onde foi recebido pelo primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan.
Entre os empresários que viajam com o presidente destacam-se representantes da Embraer e da Petrobras, empresa que investiu 130 milhões de dólares na Turquia desde 2006.
Também participarão do fórum económico os presidentes dos três principais clubes de futebol da Turquia: Fenerbahçe, Beşiktaş e Galatasaray.
Na sexta-feira, Lula e a sua delegação viajarão para Ancara, onde se reunirão com o presidente turco, Abdullah Gül, o presidente do Parlamento, Koksal Toptan, e com o primeiro-ministro Erdoğan.
Depois de participar na inauguração do Centro de Estudos Latino-Americanos na Universidade de Ancara e de um jantar oficial oferecido pelo presidente Gül, Lula retornará ao Brasil.
