google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

12 maio 2009

Cavaco Silva defende a economia de mercado na Assembleia Nacional Turca

Cavaco Silva defendeu hoje, na Assembleia Nacional Turca, que a economia de mercado é a melhor forma de “somar a liberdade ao progresso económico e social”.

"A economia de mercado é a melhor via para somar a liberdade ao progresso económico e social", disse Cavaco Silva durante o discurso na Assembleia Nacional Turca. "É essencial, para que tal se confirme, que o Estado e as Instituições competentes assumam as suas responsabilidades em matéria de regulação e de supervisão e que os valores e os princípios éticos estejam bem presentes no funcionamento dos mercados financeiros", acrescentou na mesma ocasião.
O Presidente da República sublinhou que "o proteccionismo apenas conduziria a uma crise maior, quando estamos perante o resultado da interdependência entre Estados".
"Falar da adesão da Turquia à União Europeia traz-me à memória a adesão do meu próprio País. A adesão de Portugal foi um processo longo e complexo, que enfrentou múltiplas resistências", terminou assim Cavaco Silva o discurso aos deputados da Assembleia Nacional Turca.
A visita oficial de Cavaco Silva à Turquia serve para cimentar as "excelentes" relações políticas entre os dois países. A acompanhar o Presidente está uma comitiva de 30 empresários. A visita termina no próximo dia 15 de Maio.

(Fonte: Económico-Sapo)

António Vitorino: Adesão da Turquia à UE a curto prazo é irrealista

O socialista António Vitorino considerou hoje "irrealista" a entrada da Turquia na União Europeia a curto prazo, adiantando que tal não deve ocorrer antes de dez a 15 anos. Sobre a visita que o Presidente da República, Cavaco Silva, está a efectuar à Turquia, Vitorino considerou-a importante, uma vez que Portugal "tem tido uma posição consistente no sentido de apoiar a adesão da Turquia".



(Fonte: Antena 1)

Discurso de Cavaco Silva na Assembleia Nacional Turca

in Presidência da República Portuguesa

Discurso do Presidente da República perante o Plenário da Grande Assembleia Nacional Turca
Ancara, 12 de Maio de 2009

Senhor Presidente da República,Senhor Presidente da Grande Assembleia Nacional Turca,Senhores Deputados,Ilustres Autoridades,Minhas Senhoras e meus Senhores,
As minhas primeiras palavras são de sentido agradecimento pelo honroso convite que me foi endereçado para ser o primeiro Chefe de Estado do meu país a dirigir-se a esta ilustre Assembleia. Vejo neste gesto um sinal de estima e consideração por Portugal e pelos portugueses, que muito me sensibiliza. É, assim, em meu nome, mas também em nome dos portugueses, que agradeço e saúdo esta Assembleia, emanação da vontade soberana da nação turca.
O povo turco está entre aqueles, poucos, cuja acção determinou, muitas vezes, o curso da História. Impressionam os múltiplos feitos que protagonizou, a imensa riqueza do seu legado, a notável dimensão de tantas das suas figuras. Mas a História do povo turco é mais do que a soma de tudo isto. É uma fonte de exemplos do carácter e da determinação sem os quais não se conquistam vitórias, nem se superam adversidades.
Este é o povo que se reergueu numa hora difícil e fez da Turquia moderna um actor central na cena internacional, ouvido, respeitado e, em vários domínios, exemplar. O povo de que se orgulhava Atatürk, que lembrava que nele residia a única fonte de toda a soberania, como reza a divisa desta Casa.
Senhores Deputados,
Aos grandes povos, às grandes nações cabem, também, grandes responsabilidades na construção do mundo que desejamos.
E que mundo é esse?
Um mundo em que prevaleça a paz, a estabilidade, a segurança e o respeito pela dignidade humana de que os povos necessitam para o seu progresso económico e social e de que cada individuo carece para a sua plena afirmação.
Alexandre Herculano foi uma figura grande da História portuguesa do século XIX, romancista, historiador, guerreiro e político. Dizia ele que “o desejo mede os obstáculos e a vontade vence-os”.
Não será preciso ir muito longe para identificar os obstáculos que se colocam à concretização do mundo que ambicionamos. Basta olhar à nossa volta, basta recordar os acontecimentos que marcaram a nossa História recente. As lições sobre os desafios que temos e teremos pela frente estão aí, evidentes, no que vemos e no que vivemos.
Os conflitos entre povos e nações, a violência terrorista, a insegurança, as crises alimentar, energética, a crise financeira e económica, as catástrofes relacionadas com a degradação ambiental e com as alterações climáticas, as doenças, que rapidamente se transformam em pandemias globais. De tudo isto somos chamados a retirar ensinamentos, se queremos um mundo melhor para nós e para os nossos filhos.
A cada um caberão as suas conclusões.
As minhas dizem-me que a fome, a pobreza, a injustiça, a impunidade perante comportamentos claramente reprováveis, a ausência de esperança e a intolerância alimentam os sentimentos de exclusão e de humilhação e favorecem a eclosão de conflitos. As forças do terror encontram aí o campo propício para espalhar a sua lógica inaceitável e inegociável de morte e de destruição.
Recordemos o preço que atingiram as energias fósseis e os alimentos, quando os primeiros alertas para uma crise financeira e económica pareciam, ainda, aos ouvidos de muitos, um discurso de cépticos incorrigíveis. Pensemos no que poderá suceder quando esta crise passar, se se confirmar que rareiam os recursos de que necessitamos para viver de acordo com os nossos parâmetros actuais. Somemos a esta realidade, já suficientemente preocupante, a mais que previsível crise da água, um recurso vital, que não é inesgotável, mas que vimos tratando como se fosse.
Diz-me, ainda, a leitura que faço dos acontecimentos recentes, que a economia de mercado é a melhor via para somar a liberdade ao progresso económico e social. Mas, também, que é essencial, para que tal se confirme, que o Estado e as Instituições competentes assumam as suas responsabilidades em matéria de regulação e de supervisão e que os valores e os princípios éticos estejam bem presentes no funcionamento dos mercados financeiros.
Diz-me, também, aquilo que me é dado testemunhar, que de nada valerão todos os esforços em favor desse mundo que desejamos se nada fizermos para combater os efeitos das alterações climáticas. A ideia de que possa haver quem saia beneficiado, caso se concretizem os cenários para que os cientistas nos vêm alertando, é perigosamente ilusória.
Finalmente, em tudo o que acabo de referir me parece implícita a mais importante das conclusões: a de que os principais desafios com que nos confrontamos, ou são globais pela sua própria natureza, ou passaram a sê-lo, fruto da interdependência entre os Estados. O proteccionismo não é possível, quando os desafios são incontornavelmente globais – de nada adianta encerrar as fronteiras às alterações climáticas, por exemplo. O proteccionismo apenas conduziria a uma crise maior, quando estamos perante o resultado da interdependência entre Estados. Nunca, como agora, foi mais evidente a necessidade de mecanismos de coordenação internacional.
Coordenação internacional que permita melhor prevenir conflitos entre nações e combater as suas causas e efeitos; que garanta uma defesa mais eficaz contra o terrorismo; que promova o desarmamento e impeça a proliferação das armas de destruição maciça; que torne mais fácil antecipar crises energéticas, de alimentos, financeiras e económicas e possibilite uma intervenção mais rápida e eficaz, quando ocorram.
A eficácia da coordenação internacional passa por uma representatividade nas estruturas e mecanismos de decisão que reflicta a realidade dos nossos dias, tornando mais fácil a aceitação universal das decisões. Que reconheça a diversidade geográfica, histórica e cultural que caracteriza os Estados e a multiplicidade de interesses que essa diversidade multifacetada implica. Que não ignore o papel de crescente importância que vêm assumindo as organizações regionais.
Por isso Portugal se candidatou a membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para o biénio 2011-2012, com o apoio da Turquia, que quero, mais uma vez, agradecer. Também por isso, Portugal entende que a composição do G-20 não pode ignorar as organizações regionais.
Uma coordenação internacional que, para ser credível, tem que assentar em princípios e valores. No caso do sistema das Nações Unidas, estes estão vertidos em documentos de valor universal. Há que aplicá-los. No que diz respeito à arquitectura financeira, é a meu ver essencial que resulte claro para as nossas opiniões públicas que as decisões se pautam por regras éticas. Que a afectação de recursos não ignora as necessidades dos mais fracos, dos países em vias de desenvolvimento.
Uma coordenação internacional, enfim, que valorize as estruturas que favorecem a criação de pontes entre Povos e culturas, como é o caso da Aliança das Civilizações, de cuja paternidade a Turquia foi um dos responsáveis.
Trata-se de tirar as devidas ilações da realidade a que Atatürk se referia, nas suas palavras visionárias, quando nos dizia que “a Humanidade é como um corpo único, de que cada nação é parte”, acrescentando que “não devemos dizer nunca: o que me interessa que parte do mundo sofra? Se existe esse sofrimento, devemos sentir-nos atingidos por ele, como se fosse nosso.”
Trata-se, em suma, de assumirmos as implicações políticas de uma cidadania global.
É neste quadro que sobressaem, com particular vigor, para nós, Europeus, as vantagens da União Europeia. De uma União Europeia forte, credível e afirmativa na cena internacional, capaz de falar, de forma coesa, em nome de todos os seus povos, e de garantir e projectar a paz, a segurança e o progresso social e económico.
A integração europeia, em particular através dos seus valores e do modelo económico e social que representa, deve influenciar e inspirar as respostas aos grandes desafios do nosso tempo, sejam eles a segurança, as alterações climáticas ou a crise económica e financeira. Para travar esses combates, a Europa precisa da Turquia.
Com a adesão da Turquia, para lá do enriquecimento que representa a integração de uma grande nação, que é exemplo de uma realidade cultural multifacetada, a União Europeia ganha uma acrescida importância estratégica, que lhe permitirá actuar com um peso muito superior em sectores fundamentais para o seu destino colectivo. Dois exemplos, apenas: a energia e a política externa.
A União Europeia precisa de uma política energética comum. Uma política que garanta, no exterior, a diversidade das fontes de abastecimento e dos circuitos de distribuição, e, no interior, a interligação de redes. A Turquia pode ter, neste domínio, um contributo decisivo.
Por outro lado, a Turquia garante à política externa da União Europeia uma projecção acrescida: pelos meios de defesa de que dispõe; pela influência de que goza na vizinhança imediata da União e em espaços com uma importância estratégica fundamental para a União; pelo contributo que a integração de uma grande nação muçulmana e democrática constitui para a defesa dos valores e princípios em que se funda o projecto europeu.
Mas permitam-me que sublinhe: se a União Europeia que desejamos precisa da Turquia, a Turquia precisa, também ela, da Europa.
Pela experiência do meu próprio País, posso dizer, com convicção, que a integração plena na União Europeia permitirá à Turquia consolidar o seu processo de desenvolvimento e modernização e garantir-lhe-á uma projecção internacional ainda maior. Sei bem que é muito diferente para os nossos interlocutores internacionais falarem connosco como Estados individualmente considerados, ou como membros de uma organização como a União Europeia, capazes de influenciar os seus processos de decisão.
Fruto de uma História que nos levou aos quatro cantos do mundo, Portugal mantém relações muito próximas com os países de língua oficial portuguesa. Com eles fundou, aliás, uma Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa, que se vem afirmando crescentemente a nível internacional. No entanto, não temos qualquer dúvida de que, mesmo no diálogo com esses países que nos estão tão próximos, o nosso peso é muito maior por pertencermos à União Europeia.
Senhores Deputados,
Falar da adesão da Turquia à União Europeia traz-me à memória a adesão do meu próprio País.
A adesão de Portugal foi um processo longo e complexo, que enfrentou múltiplas resistências. As vozes que se lhe opunham alertavam para os custos que representava o nosso diferencial de desenvolvimento, a ameaça que constituíam os fluxos migratórios com que confrontaríamos os Estados Membros mais ricos, a nossa própria idiossincrasia, que nos condenaria a colocar as nossas lealdades mais próximo dos interesses atlânticos e das relações com as nossas antigas colónias, do que da Europa. E por aí adiante.
Mas, voltando a Alexandre Herculano, “o desejo mede os obstáculos e a vontade vence-os”. Não nos faltava o desejo, nem nos faltou a vontade. Sabíamos que o nosso lugar era na Europa, que aí estava o nosso interesse nacional, que não podíamos ficar à margem do processo de integração europeia.
Tivemos de cumprir com critérios de adesão exigentes. Em nome deles, foi necessário adaptar estruturas, muitas vezes de forma radical, transpor um volume impressionante de legislação comunitária, introduzir reformas profundíssimas, que nos obrigaram a alterações constitucionais e legislativas de grande alcance. Tivemos de reequacionar a forma como víamos o nosso lugar no mundo.
Hoje, não tenho qualquer dúvida em dizer que valeu a pena.
Cada país é uma realidade. A Turquia não é Portugal e Portugal não é a Turquia.
Peço-vos, por isso, que tomem o que aqui digo sobre a nossa própria experiência não como lições que não teriam cabimento, mas como palavras de um amigo, que gostaria de vos ter à mesa das decisões europeias.
Senhores Deputados,
Esta minha Visita tem por objectivo central contribuir para o reforço das relações entre os nossos dois países, aliados, de há muito, na NATO, e parceiros, no Conselho da Europa.
São relações excelentes, a nível político, mas muito longe do seu potencial, noutros domínios. É tempo de alterar esse estado de coisas.
Trago comigo uma significativa delegação empresarial, representativa de alguns dos sectores mais dinâmicos da nossa economia. Uma economia que é, hoje, criadora e exportadora de alta tecnologia, que alcançou um patamar de relevo, a nível mundial, em domínios que tanto interessam à Turquia, como o das energias renováveis, a construção de infra-estruturas, o turismo, as telecomunicações. Que se internacionalizou e está, hoje, presente em mercados que conhece particularmente bem, como a África de expressão portuguesa e o Brasil. Que quer chegar a mercados onde a Turquia é uma presença de referência.
O programa desta Visita foi organizado de forma a fomentar os contactos entre estes empresários e os seus colegas turcos. Quero acreditar que saberão encontrar novas oportunidades de negócio e de parcerias.
Mas é importante que a cooperação entre nós se intensifique, também, a outros níveis. Nos sectores científico, cultural, académico, turístico. Espero que as várias vertentes do programa que estabeleci com o apoio inestimável das autoridades turcas, contribuam para o reforço dos contactos e da cooperação nestas áreas.
Em última instância, é preciso que os nossos Povos se conheçam melhor.
Nas minhas visitas à Turquia, incluindo as que fiz a título privado, fiquei frequentemente maravilhado com a riqueza do seu património histórico, impressionei-me com a determinação do seu povo e com as realizações da Turquia moderna.
Mas houve algo mais que sempre me tocou particularmente: as semelhanças que encontrei entre nós e que fazem com que, algumas vezes, me pergunte se saí realmente do meu País. Na Turquia, como europeu e como português, sinto-me em casa.
É o que acontece, hoje, aqui, perante vós, nesta ilustre Casa da democracia turca.
Muito obrigado.

Portugal e Turquia unidos contra França e Alemanha

O presidente da República, Cavaco Silva, e o seu homólogo turco, Abdullah Gül, convergiram na reacção às mais recentes afirmações proferidas pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo presidente francês, Nicholas Sarkozy, de oposição à entrada da Turquia na União Europeia (UE).
Se o chefe de Estado luso foi mais brando no discurso proferido no final de um encontro bilateral, em Ancara, já o seu congénere não poupou nas palavras. "O processo de adesão já dura há alguns anos. Os países que hoje contestam a nossa entrada estiveram representados no momento em que nos foi reconhecido o estatuto de candidato à adesão", aventou, para rematar. "Os políticos falam, mas os políticos passam. E os políticos, às vezes, dizem coisas diferentes do que defendem por falta de visão".
Recorde-se que, anteontem, Merkel e Sarkozy voltaram a manifestar-se contra a integração plena da Turquia na UE, defendendo um regime intermédio, que passasse pela constituição de uma associação privilegiada. Mas não é isso que a Turquia quer. Abdullah Gül lembrou que aquela nação de maioria muçulmana está sempre dependente de uma decisão jurídica do Conselho Europeu e da Comissão Europeia e garantiu: "Vamos continuar as nossas reformas, vamos continuar o nosso caminho. E até admitimos abrir alguns dossiês". Não disse foi quais.
Para poder juntar-se ao clube dos 27, a Turquia tem de cumprir os chamados critérios de Copenhaga, que prevêm uma série de alterações internas ao nível das reformas legislativas, constitucionais (é necessário alterar a Constituição) e na justiça.
Já Cavaco Silva lembrou que durante os sete anos que Portugal demorou a integrar a União Europeia também houve "algumas desconfianças" por parte de outros Estados e que, por isso, só resta aos Turcos serem persistentes. "Eu não tenho dúvidas de que a Turquia também tem argumentos [para convencer os países opositores]", disse. E lembrou sinais positivos que estão a ser dados: a Suécia, o próximo país a assumir a presidência da UE, já se pôs do mesmo lado dos Turcos e, se tudo correr de feição, a Irlanda aprovará, finalmente, o Tratado de Lisboa no final do ano, o que poderá forçar os 27 a tomar uma posição comum e definitiva. Abdullah Gül assinalou ainda que a data da adesão da Turquia "depende muito da performance" do país, mas sobretudo do "interesse" que os parceiros europeus tenham na sua real entrada para o clube.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Presidente turco garante que o seu país vai prosseguir com as reformas para adesão plena à UE

O Presidente da República turco, Abdullah Gül, respondeu hoje às objecções da França e Alemanha à adesão plena da Turquia à União Europeia, dizendo que "os políticos passam" e que o país vai prosseguir com as reformas. "Nós vamos fazer o nosso trabalho, vamos continuar as reformas na Turquia, vamos continuar este caminho", garantiu Gül na conferência de imprensa conjunta com o Presidente da República português, Cavaco Silva, depois do encontro entre os dois. Sobre a mesma matéria, o chefe de Estado português, que iniciou hoje uma visita de Estado de quatro dias à Turquia, lembrou a experiência portuguesa de adesão à UE.



(Fonte: Antena 1)

Maria Cavaco Silva participou em aula de Português na Universidade de Ancara


Tiago Paixão iniciara a aula de Português há escassos segundos quando Maria Cavaco Silva o interrompeu pela primeira vez: "Posso ir para junto de si? Nunca dei uma aula sentada". De seguida, levantou-se do lugar que lhe tinham destinado, perto da secretária do professor, despiu o casaco e não mais parou. Diante de si, cerca de 30 jovens turcos, estudantes de português desde o início do ano lectivo, seguiam-lhe os gestos e tentavam acompanhar-lhe as palavras.
Apesar de falar pausadamente, nem sempre a primeira-dama se fazia entender. Para agarrar a turma, socorria-se então de um Inglês perfeito. Com o decorrer da aula, deixou vir ao de cima toda a experiência ganha em cerca de 40 anos a leccionar. Paralelamente, não perdia uma oportunidade para gracejar: "Eu sou professora, mulher do Presidente só por acidente", disse após ser apresentado o seu currículo.
Durante a aula, aproximou-se dos alunos para melhor escutar a sua pronúncia, recitou "De Repente" do poeta turco Orhan Veli e solicitou a um aluno que lesse o mesmo poema em língua turca. Enquanto Cavaco Silva se desdobrava em contactos políticos em Ancara, a primeira-dama esbanjava simpatia na Faculdade de Línguas, História e Geografia da Universidade de Ancara, onde são leccionadas 30 línguas, incluindo o Português, desde há três anos.
Tiago Paixão, um lisboeta de 27 anos, licenciado em Línguas e Literaturas Modernas: Estudos Portugueses, é o responsável pelos leitorados do Instituto Camões nas cidades de Ancara e Izmir. Em declarações ao Expresso, explicou que os seus 45 alunos são estudantes das licenciaturas de Espanhol, Francês e Italiano, que têm no Português uma disciplina de opção. Por estarem a aprender línguas latinas, convencem-se de que é mais fácil aprender o Português. Mas, segundo Tiago Paixão, há um outro motivo de peso: "A língua é vista como um instrumento de trabalho. Eles sabem que toda a gente que fala Português na Turquia - e não estou a exagerar - tem emprego. E um bom emprego! Trabalham para multinacionais, por exemplo, e como tradutores para jogadores de futebol".
À margem da aula, o Instituto Camões e a Universidade de Ancara assinaram um Protocolo de Cooperação com o objectivo de criar um Minor em Estudos Portugueses e assegurar a manutenção de um Leitorado de Língua e Cultura Portuguesa. Tiago Paixão mostra-se confiante: "Neste momento, só estamos a ensinar Língua Portuguesa. No próximo ano, teremos Cultura e Literatura".

(Fonte: Expresso)

Maria Cavaco Silva satisfeita com alunos de Português na Turquia

Maria Cavaco Silva esteve esta terça-feira na Universidade de Ancara, na Turquia, onde assistiu à assinatura de um protocolo entre o estabelecimento de ensino e o Instituto Camões para criar um curso de Minor em Estudos Portugueses e manter o Leitorado de Língua e Cultura Portuguesa na Universidade turca. A mulher do Chefe de Estado esteve também numa aula com 45 alunos turcos que estão a aprender Português desde Fevereiro. A antiga professora afirmou-se satisfeita por ver jovens a estudar a sua língua materna na outra ponta da Europa, e chegou mesmo a declamar um poema turco.


(Fonte: Antena 1)

Adesão da Turquia à UE marca agenda política da viagem de Cavaco Silva


No primeiro dia da visita oficial à Turquia, Cavaco Silva pediu aos Turcos para não desanimarem nas negociações para a entrada na União Europeia. E até deu o exemplo de Portugal que levou sete anos a convencer Bruxelas. O presidente turco assegurou que o país vai prosseguir nas reformas que o levem a integrar a Europa unida.

(Fonte: RTP)

Adesão da Turquia à União Europeia debatida na Turquia com Cavaco Silva

Adesão da Turquia à União Europeia debatida na Turquia com Cavaco Silva (Foto: Lusa)
O Presidente da República iniciou hoje uma visita oficial à Turquia. Cavaco Silva encontrou-se com o homólogo turco e afirmou que o país "tem activos fortes para convencer as opiniões públicas europeias". Perante os obstáculos colocados pela França e Alemanha em relação à adesão da Turquia à UE, o presidente Abdullah Gül afirmou: "Os políticos passam".
Este Domingo, a chanceler alemã Ângela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy uniram posições ao afirmar que "uma Europa sem fronteiras seria uma Europa sem valores".
Merkel avançou com a possibilidade de uma associação privilegiada com a Turquia em alternativa a uma adesão plena do país à União Europeia.
A resposta do Presidente turco aconteceu hoje na conferência de imprensa após o encontro com Cavaco Silva. Abdullah Gül garantiu que a Turquia vai continuar as reformas. "Todos sabem que dependemos só da decisão jurídica da comissão e do conselho. Os políticos chegam, passam, falam, às vezes por falta de visão dizem coisas diferentes, não vamos depender disso", disse Abdullah Gül.

Cavaco Silva recorda obstáculos que Portugal teve de vencer

O Presidente da República afirmou que, apesar da posição francesa e alemã, nos últimos dias "surgiram notícias muito positivas" para a Turquia. "O país que vai assumir a próxima presidência da União Europeia, a Suécia, produziu uma declaração de apoio inequívoco à adesão plena da Turquia à União Europeia", disse Cavaco. Outro sinal positivo, acrescentou, chegou do Senado checo que aprovou recentemente o Tratado de Lisboa. "Todos nós sabemos que o Tratado de Lisboa cria condições mais favoráveis ao alargamento da EU", disse.

Agenda presidencial na Turquia

Cavaco Silva chegou segunda-feira a Ancara e logo ao final do dia encontrou-se com o primeiro-ministro Recep Erdoğan.
O programa oficial teve início apenas esta terça-feira com uma cerimónia no Mausoléu de Atatürk, fundador da Turquia moderna e primeiro chefe de Estado da Turquia.
Após a reunião com o presidente turco, Cavaco Silva profere à tarde um discurso em Português na Grande Assembleia Nacional. O dia termina com uma audiência com o líder do maior partido da Oposição (CHP ou Partido Republicano do Povo) e com um banquete oferecido pelo Presidente da República da Turquia.

Dezenas de empresários acompanham Cavaco Silva na Turquia

Para além das questões políticas, a visita do Presidente à Turquia reveste-se também de um forte carácter empresarial. Cavaco Silva leva na sua comitiva 30 empresários. Juntos pretendem aprofundar as relações económicas entre os dois países. "A Turquia está em grande desenvolvimento, está a sofrer agora com a crise mas é uma grande economia, é um grande país e não podíamos ficar indiferentes ao mercado turco", disse o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Basílio Horta.
"Há todo um conjunto de possibilidades que esta visita do Presidente da República vai potenciar quando decide acompanhar-se de um conjunto de empresários com a qualidade que estes têm", acrescentou Basílio Horta.

(Fonte: RTP)

Empresários portugueses apresentam o vinho do Porto na Turquia

Dos vários empresários que seguiram viagem com o presidente da República à Turquia, são muitos aqueles que se encontram ligados à indústria vitivinícola. O objectivo é claro: dar a conhecer o famoso vinho do Porto aos Turcos.


(Fonte: Antena 1)

EDP pode entrar na Turquia no próximo ano

A EDP Renováveis admite estar atenta ao mercado turco, onde poderá entrar já em 2010, desde que surjam oportunidades, revelou a presidente executiva da empresa à Agência Financeira.
"A Turquia pode ter características interessantes em termos de recursos e remuneração. Surgindo oportunidades, estaremos claramente interessados. Estamos atentos", disse Ana Maria Fernandes à AF.
A responsável sublinha, no entanto, que ainda não há regulação na Turquia e que pode decorrer mais de um ano para que este obstáculo seja ultrapassado.
"Este ano é difícil (entrarmos na Turquia), mas quem sabe em 2010", acrescentou a presidente executiva da EDPR à Agência Financeira, apontando a energia eólica como a mais forte aposta neste mercado.
De referir que, esta semana, o Presidente da República, Cavaco Silva, está na Turquia com o objectivo de promover as relações entre os dois países. Este país poderá vir a aderir à União Europeia. A esta viagem vão juntar-se várias empresas portuguesas de diversos sectores, nomeadamente a EDP.

(Fonte: Agência Financeira)

11 maio 2009

Cavaco Silva aconselha paciência à Turquia no seu caminho rumo à UE

Mensagem presidencial: a Turquia tem de usar da sedução junto dos resistentes à sua entrada na UE, e pode aproveitar o exemplo português como trunfo para convencer França, Alemanha e Áustria da bondade do seu desejo.
Cavaco Silva não tem dúvidas: só com paciência é que os turcos poderão algum dia fazer parte do Grupo dos 27. E para isso nada melhor do que olhar para os sete anos que durou o namoro português a Bruxelas para perceber os frutos que a perseverança ajudou a colher. Foi no avião que o levou a Ancara, capital turca, que o presidente da República explicou a fórmula. A única, de resto, que parece resultar junto de países (França, Alemanha e Áustria) que tudo têm feito para desincentivar os restantes parceiros europeus no apoio à aventura turca. Mas há alguns senãos, como também notou Cavaco Silva. E o mais espinhoso será, porventura, o facto de a Turquia não reconhecer o Chipre como país autónomo, e ao mesmo tempo querer entrar para uma união onde esse país está representado. Temas que não passaram ao lado do encontro de uma hora que o chefe de Estado manteve com o primeiro-ministro Tayyip Erdoğan. O assunto central foi sem dúvida a adesão da Turquia à UE, mas os dois líderes políticos abordaram outras matérias de relacionamento bilateral, tendo-se registado uma consonância de posições. O mesmo sucedendo nos dossiês internacionais, com destaque para o conflito no Médio Oriente, a situação no Paquistão e no Afeganistão e a realidade de África e da América Latina.
A visita de Estado de quatro dias àquela nação muçulmana simboliza, por um lado, o apoio político de Portugal à ambição turca e, por outro lado, um piscar de olho a um mercado económico cuja atractividade os cerca de 73 milhões de habitantes ajudam a explicar. Por isso seguiu viagem no mesmo avião da SATA uma comitiva de cerca de 30 empresários de áreas de actividade consideradas mais promissoras. Basílio Horta, presidente da Agência Portuguesa para o Investimento, mostra a paisagem desta janela de oportunidade: "Já há cerca de 500 empresas portuguesas na Turquia", admite, ao JN, garantindo que a tendência é para engordar a cifra. Apostas económicas de Portugal naquele mercado: o negócio dos moldes, as várias áreas ligadas à saúde (biotecnologia, gestão hospitalar) e o software informático.
Mas como é a mesa que muitos dos negócios se proporcionam, nada melhor do que um branco da Gaivosa, um Porto 10 anos e um tinto reserva Casa Burmester para promover o vinho nacional. De resto, não é por acaso que o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto levou para a Turquia 750 garrafas. Com a liberalização do álcool naquele país muçulmano, o mercado turco pode matar a sede a muitas empresas portuguesas. "Apostamos sobretudo no sector do turismo, uma vez que a Turquia é visitada por pessoas de todo o Mundo", explica Luciano Vilhena, presidente do Instituto. Embora o ano passado as exportações do Vinho do Porto tenham diminuído.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Cavaco Silva leva 30 empresários à Turquia

Exportações portuguesas para a Turquia


No mercado externo, a Turquia é o vigésimo segundo cliente de Portugal. Mas a Turquia não escapa à crise mundial com previsões de retracção na ordem dos três e meio por cento para este ano. Ainda assim há empresas portuguesas para quem a Turquia é cada vez mais um excelente cliente.

(Fonte: RTP)

Cavaco Silva chega hoje à Turquia

O Presidente da República chega hoje à Turquia para uma visita oficial que se prolonga até sexta-feira, com o objectivo de cimentar as relações políticas entre os dois países e aprofundar as relações económicas. Um dos temas centrais da visita é a futura adesão da Turquia à União Europeia.


(Fonte: RTP)

Entrevista a Cavaco Silva publicada no jornal turco Zaman

Entrevista a Cavaco Silva publicada no jornal turco Zaman

“A Europa necessita da Turquia e do seu entusiasmo”

A Europa que pretende ter uma palavra mais enérgica sobre política internacional necessita de uma Turquia como o seu entusiasmo, diz Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa.
Em conversa com o Today’s Zaman de hoje, na véspera da sua Visita Oficial de quatro dias à Turquia, Cavaco Silva declarou que o seu País pretende que todos os obstáculos colocados perante a abertura de novos capítulos nas negociações para a adesão da Turquia deverão ser desobstruídos e que nenhum dos capítulos poderá ficar congelado. Cavaco Silva ainda referiu que a União Europeia terá uma atitude mais firme quanto à paz, segurança e estabilidade caso a Turquia seja um Estado membro, e a Turquia poderá ter uma maior influência na política internacional que de outra forma não teria. "Mesmo um Estado membro de menor dimensão tem a possibilidade de projectar a sua própria imagem na política mundial através da UE", disse Cavaco Silva. Recordando os tempos difíceis que o seu País sofreu durante os sete anos de negociações para adesão à União Europeia, o Presidente português disse que tanto as autoridades turcas e o povo turco deveriam estar ao corrente das dificuldades, e que uma decisão final necessitará que 27 Estados membros, cada um com os seus interesses específicos, assumam um compromisso. Sendo ele o último político em actividade entre as individualidades que assinaram o Tratado de Maastricht em 1992, que criou a União Monetária Europeia e o Euro como moeda comum, o Presidente Cavaco Silva declarou ao Today’s Zaman que, sem o Euro, a actual crise financeira teria atingido muitos países mais fortemente do que foi o caso. “Espero bem que um dia o povo turco também decida que em vez da Lira Turca deverá conviver com o Euro” disse Cavaco Silva.
O Presidente da República Portuguesa chega hoje à Turquia para uma Visita Oficial de quatro dias. Terá encontros com o Presidente Abdullah Gül, com o Primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan e com o líder do principal partido da oposição. Cavaco Silva fará também uma intervenção perante a Grande Assembleia Nacional Turca. Será o primeiro presidente estrangeiro a discursar perante a Assembleia após o Presidente americano Barack Obama. Cavaco Silva será acompanhado por um grupo de empresários portugueses que irão debater com os seus congéneres turcos a penetração em conjunto dos mercados Latino-Americano, Africano, do Cáucaso e da Ásia Central. Cavaco Silva inaugurará uma exposição de quadros de artistas portugueses em Istambul e oferecerá um jantar oficial em honra do Presidente Gül que se seguirá a um concerto de fado da cantora portuguesa Kátia Guerreiro.
O Today’s Zaman entrevistou o Presidente Cavaco Silva, que foi anteriormente professor catedrático de política fiscal e Primeiro-ministro do seu país durante dez anos após 1985, sobre a actual crise financeira, sobre o endurecimento das relações diplomáticas entre a Rússia e a NATO, a opinião de Portugal sobre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e, claro, sobre o fado e o bacalhau. Segue-se um excerto dessa entrevista.
Tem alguma esperança sobre a adesão da Turquia à UE?
A posição assumida por Portugal tem sido sempre consistente quanto à adesão da Turquia. Se pretendemos uma Europa com maior firmeza no palco internacional, que tenha uma opinião influente quanto à paz, segurança e estabilidade, então a Europa precisa da Turquia. Pretendemos que todos os obstáculos colocados quanto à abertura de novos capítulos sejam retirados. Pretendemos que não haja capítulos congelados. É contudo evidente que tal necessita da boa vontade de ambas as partes. As negociações de acesso são sempre difíceis e tanto as autoridades turcas como a opinião pública deveriam estar ao corrente. Trata-se de um compromisso de 27 estados membros; cada um com o seu interesse específico. Espero que o Governo turco continue com as reformas estruturais. Penso que até agora a Turquia não terá muitas razões de queixa, tendo em atenção que muitas outras negociações de adesão foram extremamente difíceis. Portugal, por exemplo, teve que esperar que as negociações com a Espanha fossem finalizadas.
Vai fazer uma conferência na Universidade Turca do Bósforo sobre o processo de adesão de Portugal à União Europeia e sobre o que a Turquia poderá aprender a partir desse processo. Quais são as questões principais que irá abordar?
Talvez o termo “aprender” não seja aqui o mais adequado. Seria melhor o termo partilhar uma experiência. A adesão de Portugal teve lugar quando eu fui Primeiro-ministro. Assumi este cargo no princípio de Novembro de 1985 e a adesão de Portugal teve lugar a 1 de Janeiro de 1986. Fui Primeiro-ministro de Portugal durante os primeiros dez anos em que Portugal foi um Estado membro. Foi uma época de enormes desafios e de grande entusiasmo.
Julgo que Portugal beneficiou muito como Estado membro, mas a UE também beneficiou bastante, devidos às nossas relações especiais com África, com a América Latina e com países e povos do Extremo Oriente. Devemos também destacar as relações muito especiais de Portugal com o Brasil. Este é o maior país de língua portuguesa no mundo e é hoje uma potência económica e política emergente. Tem bastantes semelhanças com a Turquia. Ambos os países são membros do G-20.
Não mencionou a Turquia como sendo um país com relações especiais com Portugal...
De facto nós estamos situados no extremo ocidental da Europa e a Turquia no extremo oriental. Mas somos ambos membros da NATO, somos ambos membros do Conselho da Europa, e Portugal espera que em breve sejamos também parceiros na UE. Eu julgo que existe uma verdadeira amizade entre os povos português e turco.
Sabe qual é a origem desta amizade?
Penso que Portugal, tal como a Turquia, é um ponto de encontro de culturas diferentes, de civilizações diferentes e de religiões diferentes. Portugal é, tal como a Turquia, uma ponte entre culturas e civilizações. Somos uma ponte para o Atlântico, para a América do Sul, para a América do Norte. A Turquia é uma ponte para a Ásia e para África. Está localizada numa posição muito estratégica. De facto não somos assim tão diferentes um do outro. Senti isto na primeira vez que visitei a Turquia como turista. A passear nas ruas de Istambul, a visitar o Grande Bazar, a olhar para as caras das pessoas... Nasci no sul de Portugal. Aí, os muçulmanos estavam do outro lado do estreito. Mas devo destacar que embora as nossas relações políticas sejam excelentes, noutras áreas como a economia e a cultura a nossa cooperação e o nosso diálogo estão ainda longe do que poderiam ser.
Haverá alguma explicação para esta circunstância?
Há uma. Nos nossos 25 anos como membros da UE, os empresários portugueses concentraram as suas actividades económicas na área da UE. Era um mercado interno muito grande e eram vastos os potenciais abertos aos empresários portugueses. Agora, todavia, os nossos empresários estão a olhar para além destes, digamos, mercados tradicionais. Esta é uma das razões pelas quais trouxe à Turquia uma importante delegação comercial. É um grupo de cerca de quarenta empresários. Participarei num seminário económico, onde empresários turcos e portugueses se encontrarão e tenho conhecimento que muitos outros contactos estão sendo planeados. Não estamos pensando apenas no mercado interno da Turquia, mas também noutros mercados. Julgo que os empresários de ambos os países podem reflectir sobre a América Latina. Temos aí vantagens. Conhecemos o mercado e os povos da América Latina. Quanto a África, julgo saber que é intenção das autoridades turcas abrirem novas embaixadas em África. Temos relações excelentes com as nossas ex-colónias em África. Angola é uma potência económica emergente em África. O mesmo se passa em Moçambique. Os empresários portugueses poderão aprender com os seus congéneres turcos como fazer negócios no Cáucaso e nas regiões da Ásia Central sobre as quais sabemos ter a Turquia importantes conhecimentos. Julgo assim que este contacto entre empresários de ambos os países poderia ser um primeiro passo muito importante no incremento das nossas relações comerciais. Também gostaria de mencionar o turismo. Portugal e a Turquia são ambos países turísticos. Há muitos Portugueses que vêm à Turquia e que trazem lembranças maravilhosas. Temos hoje muito importantes operadores turísticos mundiais. Estão actualmente representados em dezenas de países. Não tenho a certeza se já estarão ou não na Turquia, mas poderão estar interessados em ali se instalarem. Estamos agora a ser muito inovadores na criação de novos produtos turísticos. Somos apenas um país com dez milhões de habitantes, mas recebemos anualmente 14 milhões de turistas. Esta é uma importantíssima área de cooperação.
Há matérias que poderemos debater quanto a investimento directo estrangeiro. Um dos maiores investimentos na Turquia num sector não-financeiro é uma empresa portuguesa. Esta empresa investiu cerca de um bilião de dólares americanos na Turquia. E há outras áreas em que nos desenvolvemos muito rapidamente nos últimos anos. Uma destas áreas que pode ser ainda mais desenvolvida é a das energias alternativas. Portugal é um dos países que estão a investir fortemente em energias renováveis, especialmente em energia eólica. Temos excelentes parcerias com empresas alemãs e estamos actualmente a produzir em Portugal aquelas torres gigantes bem como os geradores. Para além das energias renováveis podemos cooperar em aplicações de software, na indústria farmacêutica, na indústria electrónica e, muito importante, nas infra-estruturas. Durante o processo de adesão Portugal beneficiou de fundos estruturais. Construímos auto-estradas até ao ponto em que eu próprio por vezes digo que temos auto-estradas a mais. Graças àquele processo de adesão desenvolvemos empresas especializadas em infra-estruturas que hoje estão a executar trabalhos na Polónia, na Hungria e em África. Uma empresa portuguesa está a construir o metropolitano de Telavive. Estamos em todo o mundo. Esta é mais uma área de cooperação.
Referiu apenas a economia, mas também já citou cooperação cultural.
Com certeza. Já existe cooperação entre um instituto português e a Universidade de Ancara. Espero que seja possível reforçar tal cooperação. Espero também que possamos criar uma comissão conjunta de autoridades portuguesas e turcas para debater o que mais se poderá empreender na área cultural. Já é possível aprender a língua portuguesa na Universidade de Ancara, mas devemos também pensar em Istambul. A música é outra área cultural sobre a qual podemos trabalhar. Vou levar comigo uma das mais famosas cantoras de Fado. Esta é a nossa música tradicional e a Kátia Guerreiro fez parte da minha campanha eleitoral. Foi a minha interlocutora com a juventude. Conheço-a muito bem e estou certo que o povo turco vai adorar a sua voz. Também levo uma exposição de pintura portuguesa para Istambul. São pinturas dos séculos XIX e XX. O nome da exposição será “Lisboa: Memórias de outra cidade”. Houve aqui, em 2007, uma exposição de pinturas turcas. Julgamos que seria uma boa ideia demonstrar as semelhanças entre as paisagens de Istambul e as de Lisboa. Assim, a exposição está organizada de tal forma que, embora estejamos tão afastados em termos geográficos, estamos de facto muito próximos em muito outros aspectos, incluindo as paisagens das nossas principais cidades.
Verifiquei que Portugal é famoso pela produção de azulejos. Sempre pensei que tal fosse uma arte unicamente turca.
Bem, temos um museu de lindos azulejos de Lisboa. Poderia de facto ser uma influência otomana. Mas parece-me ser mais uma influência do mar. Temos apenas um país vizinho, a Espanha, e um enorme mar aberto à nossa frente. As nossas fronteiras com a Espanha não se alteraram nos últimos 700 anos. Por isso tivemos que contar com o mar. Foi por esta razão que os nossos famosos navegadores descobriram o caminho marítimo para a Índia e chegaram até ao Japão. No Japão existe uma famosa ilha, que se chama Nagashima. Os Portugueses introduziram as armas de fogo no Japão a alteraram a forma como as guerras entre os senhores das terras eram combatidas. Há uma festividade nesta ilha, que celebra unicamente a introdução das armas de fogo pelos Portugueses no Japão. A influência do mar não é apenas a do Oceano Atlântico, mas também do Mar Mediterrâneo. A temperatura não é tão agradável como a das águas turcas mas aqui é muito acolhedor e sossegado.
O mar é também a origem do Fado. Conheço o Fado como uma música triste e melancólica. Mas o povo português gosta de sorrir. O Senhor tem um dos sorrisos mais simpáticos de todos os líderes europeus. Não acha isso curioso?
O Fado é um pouco melancólico. Mas temos dois tipos de Fado: o Fado de Lisboa e o Fado de Coimbra. O Fado de Coimbra está ligado à Universidade. Os estudantes cantam o Fado mais por amor. É uma forma de Fado muito diferente. Em Lisboa, como disse, é mais melancólico. É triste. No passado era a música das tabernas onde o povo bebia vinho e esta música triste incitava a que se bebesse mais. Mas hoje é cantado por caras jovens e bonitas. Quanto ao ser curioso... Na nossa cultura há outras coisas curiosas. Somos uma nação feliz com uma canção triste, mas ainda há outras. Por exemplo, o nosso peixe tradicional: o bacalhau. É impossível encontrar bacalhau na nossa costa. Tem de se ir à Noruega, ao Canadá, à Islândia e por aí adiante para encontrar o bacalhau. Então porque é que o nosso peixe tradicional é o bacalhau? Todo o nosso bacalhau é importado e é salgado. Os nossos navios iam aos mares daqueles países para o pescar e trazer, e como a viagem era muito longa tinham de o salgar. Mas também se diz que há 1001 maneiras de cozinhar bacalhau. Há uma ligação entre a melancolia do Fado e os pescadores saírem para a pesca do bacalhau. A melancolia do Fado está relacionada com aquele sentimento de partida: partida para a Índia, partida para a Madeira, mais tarde a partida dos emigrantes. É o sentimento da partida de alguém que amamos muito e que não temos a certeza que vai regressar. A este sentimento chamamos saudade.
O senhor também teve essa experiência. Foi para Moçambique em muito novo para servir nas forças armadas.
Fui para Moçambique e também fui para a Grã-Bretanha. Fui para a Grã-Bretanha já licenciado para me doutorar e para trabalhar como professor numa Universidade durante algum tempo. Fui para Moçambique para servir nas forças armadas. Parti de Lisboa num navio apenas dez dias após me ter casado. Primeiro não me deixaram levar a minha mulher, mas no fim consegui convencê-los. Viajou comigo no mesmo navio a viveu lá dois anos. Há uma razão pela qual tenho uma relação muito especial com Moçambique. Mas mesmo antes de ir para lá eu tinha muito bons amigos moçambicanos na Universidade. Voltaram para lá e hoje são ministros e gente muito importante no seu país. No ano passado resolvi levar toda a minha família a Moçambique, os meus filhos e os filhos destes. Quis mostrar-lhes onde tinha passado a minha lua-de-mel.
Talvez esta seja uma boa altura para falarmos sobre os Países de Língua Portuguesa e sobre o papel de Portugal na mobilização desses países para a política internacional. Qual é a sua percepção pessoal quanto a esta comunidade?
Oito países em todos os continentes e 250 milhões de pessoas que falam Português... Portugal assumiu agora a presidência dessa comunidade. No próximo ano será Angola que presidirá. Estamos a trabalhar em conjunto, os oito Estados membros, para reforçar aquela comunidade a nível internacional. Queremos que o português seja uma das línguas oficiais da ONU. Mas para além disto, nós, como Portugal, queremos continuar a ter um papel importante na UE. A UE é uma prioridade da nossa política externa. O papel de Portugal na UE foi muito claro durante a presidência portuguesa no segundo semestre de 2007. Conseguimos organizar uma Cimeira UE-África. Devo dizer que isto não é uma questão de orgulho irrealista. Nenhum outro país conseguiria juntar todos os países africanos com todos os 27 Estados membros da UE. Esta cimeira foi a primeira em que foi possível chegar a um acordo para uma estratégia conjunta. Foi também durante a presidência portuguesa que se estabeleceu uma parceria entre a UE e o Brasil. Portugal também conseguiu juntar a UE com a MERCOSUL, a organização latino-americana de integração regional. Temos de falar também sobre a Estratégia de Lisboa e sobre o Tratado de Lisboa. Embora sejamos um país pequeno, Lisboa já é uma palavra temática no dicionário europeu. A Estratégia de Lisboa foi configurada para melhorar a competitividade europeia. Até agora 26 países já aprovaram o Tratado de Lisboa. Espero que o Tratado de Lisboa possa ser implementado antes do final do ano corrente. É muito importante para o funcionamento da UE com 27 Estados membros. Aumentará a eficiência das instituições, Aumentará a transparência a fará da UE um protagonista global com maior relevo. Muito mais importante, contudo, será a possibilidade de criar condições para um futuro alargamento da União, incluindo a adesão da Turquia.
Todas as suas referências biográficas apontam para um conceito denominado “estabilidade dinâmica”. Este conceito aplica-se em ciências naturais. A que se refere quando se trata de política?
A estabilidade não é um fim em si próprio. Pretendemos a estabilidade para alcançar alguns objectivos que estão ligados ao bem-estar do povo. Assim, quando refiro dinâmica, quero dizer que não pretendemos deixar tudo na mesma situação. Mas temos também que evitar dificuldades: temos que atrasar o que é difícil, embora tal possa ser necessário. Sou a favor da estabilidade política porque estou convencido que é importante ser-se dinâmico nas acções. E quando o mundo se está a alterar de forma tão rápida, os agentes políticos também devem estar preparados para fazer alterações. Se assim não for outros virão e no futuro ficaremos arrependidos por não termos tido a sabedoria e coragem precisas para fazer o que teria sido necessário.
Como ex-professor de economia fiscal acha que o mundo estará a fazer o suficiente para lidar convenientemente com esta crise financeira? Muitos pensam que os EUA estão a tentar salvar os bancos e não o povo.
No passado houve muitas outras crises. No Japão, na Indonésia, no México, na Rússia, na Argentina e na Tailândia. Porque será esta diferente das antecedentes? Porque o núcleo da crise é a maior economia do mundo: os Estados Unidos. Foram praticados erros medonhos na avaliação do comportamento de risco dos bancos. Os valores e os princípios éticos foram violados pelos agentes bancários e no final receberam estes prémios. Os prémios são normalmente concedidos para compensar a boa gestão, mas desta vez foram-no por incumprimento. Então que fazer? Julgo que o primeiro passo a dar será o de estabilizar os mercados financeiros. É impossível que o crescimento económico continue sem um sistema financeiro. Julgo que as decisões tomadas em Londres, no G-20, apontavam na direcção correcta. Como sabe, a Turquia estava ali representada. O G-20 foi importante na medida em que constituiu o reconhecimento que esta foi uma crise que não pode ser resolvida apenas com diálogo entre os EUA e alguns países europeus. As economias emergentes têm um papel essencial na solução desta crise. E tal vai influenciar a futura geo-estratégia no mundo. Ficou bem claro com esta crise que os EUA não tinham a possibilidade de repor unilateralmente a estabilidade económica. E Obama assim reconheceu quando veio e disse “Eu estou aqui para aprender convosco”. Portanto a palavra-chave agora é cooperação. Uma crise global pode ser resolvida com cooperação global entre muitos países do mundo. A China tem um papel a cumprir, porque é um enorme credor dos EUA. Diz-se que possui mais de um trilião de dólares americanos em obrigações. Mas julgo que 2010 ainda vai ser um ano difícil.
Devemos começar a reler A Capital de Marx?
O modelo da economia de mercado é o único que pode reconciliar a liberdade e o respeito pelos direitos humanos com a economia e o progresso social. Poderá haver hoje uma retórica sobre o fim do capitalismo, mas no final verá que a economia de mercado sobrevive. Para recreio intelectual poderemos querer reler A Capital de Marx. Li-o quando era estudante. Para mim chegou.
Parece que a NATO está ter dificuldades no relacionamento com a Rússia. Estará a Rússia a voltar a ser o que era e estaremos a entrar novamente numa época de Guerra-fria?
Não, não acredito nessas premissas. A Rússia é um parceiro estratégico da União Europeia e também da NATO. O diálogo tem que ser mantido. Tal não quererá dizer que a UE não deveria ter condenado o que sucedeu na Geórgia. Mas a NATO e a UE não podem ignorar a Rússia e a contribuição da Rússia para a paz e estabilidade. O aumento dos preços do petróleo e do gás podem ter proporcionado a alguns líderes russos a sensação do Poderio do Petróleo e do Poderio do Gás. Mas os preços já não têm a dimensão que tinham em anos recentes. A Rússia necessita da UE em termos de diálogo político e económico e poderemos dizer o mesmo quanto à UE.
O Senhor é o único líder político da Europa que assinou o Tratado de Maastricht de 1992 e que ainda se encontra em actividade. Olhando o passado como avalia a União Monetária Europeia que ficou estabelecida naquele tratado?
Considero o Euro um grande sucesso. Basta pensar no que seria a situação hoje do mercado cambial se não fora o Euro. Repare na situação da Islândia. Repare no que seria a situação da Irlanda sem o Euro. Entendo que o Banco Central Europeu tem realizado na generalidade um bom trabalho. Como economista penso que conduziram melhor a política monetária europeia que o FED conduziu nos EUA. Começamos com 11 países e agora somos 16 e muitos outros gostariam de aderir no futuro. É evidente que existem os critérios de convergência. Não foi fácil para Portugal cumprir com esses critérios. Mas felizmente éramos um dos países fundadores da União Monetária Europeia. No decorrer das negociações, Margaret Thatcher estava sentada ao meu lado e dizia “Nunca me encontrarão aqui!”. Pode assim verificar que mesmo um grande país não foi capaz de dar aquele passo importante, digamos, de avanço político na integração. Moeda, bandeira e equipas de futebol são símbolos de soberania. Para muitos países tais como a Alemanha, por exemplo, aceitar a desistência do Marco Alemão não foi tarefa fácil. Devemos louvar o Chanceler Kohl por essa razão. Sem o Chanceler Kohl teria sido impossível a criação da UME. Espero bem que um dia o povo turco também decida que em vez da Lira Turca deverá conviver com o Euro. Para países como Portugal, a eliminação dos custos das transacções, a eliminação de incertezas e a possibilidade de obter empréstimos e reembolsá-los na sua própria moeda é muito importante. Hoje a banca portuguesa pode ir à Alemanha obter empréstimos em Euros e reembolsá-los em Euros. Foi esse o problema da Islândia. Tiveram problemas em efectuar reembolsos em Euros. Se examinarmos os 50 anos da integração europeia, embora tenham surgido pequenos problemas de vez em quando, podemos afirmar que foi um caso de grande sucesso. Cinquenta anos de paz e prosperidade, e uma Europa com uma voz muito mais firme no palco internacional. Se a Turquia se juntar à UE passará a ter uma influência que isolada nunca poderá ter na política internacional. Mesmo um Estado membro de menor dimensão tem a possibilidade de projectar a sua própria imagem na política mundial através da UE. Mas a escolha pertence ao povo turco.

(Fonte: Presidência da República)