google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

20 abril 2023

Missão portuguesa pós-sismo liderada pelo Instituto Superior Técnico: uma questão de vontade política e não de legalidade #6

A presente missão de avaliação e reconhecimento pós-sismo na Turquia, tem como propósitos compreender melhor o que falhou em termos técnicos, sociais e políticos, bem como coligir o que se destaca pela positiva e possa servir de aprendizagem ao nosso país. Tem também um objetivo que é o de comunicar, informar o cidadão, por forma a incentivar a mudança de mentalidades e atitudes.

Em Ancara, foi-nos possível ter uma reunião com o Ministério da Saúde da Turquia, para perceber como se conseguiu que o Estado turco exigisse, na última década, que fossem instalados sistemas de isolamento base em hospitais novos que fossem construídos.

Depois do sismo de 1999 e, novamente, da destruição que causou, o Estado turco percebeu que teria de tomar alguma atitude e decisões relativamente à falta de capacidade de resposta dos hospitais perante um sismo.

Em 2007, um aluno de doutoramento turco no Japão, tomou conhecimento destes sistemas de proteção sísmica. Tendo avaliado o potencial da sua aplicação, em conjunto com os seus professores, envidou esforços para que o isolamento sísmico fosse considerado no projeto de hospitais. Um dos seus professores convidou então o ministro da Saúde turco a visitar os hospitais japoneses que possuíam isolamento de base e ver o potencial dessa tecnologia para melhorar o comportamento sísmico destes edifícios. A partir daí os laços estreitaram-se e o conhecimento foi passado para a Turquia.

Desde 2013, o Ministério da Saúde turco tem vindo então a exigir que os novos hospitais públicos com mais de 100 camas, que sejam construídos nas zonas de mais elevado risco (nível 1 e 2), possuam um sistema de isolamento de base e sensores de monitorização do edifício. Na Turquia, tal como em Portugal, os regulamentos técnicos de projeto e construção não obrigam à utilização de isolamento de base. Os edifícios, tal como cá, são construídos para a estrutura não colapsar por completo e para que as pessoas possam evacuar os edifícios após o sismo. No entanto, e particularmente em caso de hospitais, isso não é suficiente, uma vez que os elementos não-estruturais, como equipamentos médicos, sistemas de AVAC, tubagens, paredes divisórias, revestimentos, entre inúmeros componentes e equipamentos que possibilitam o funcionamento de um hospital, podem ser danificados. Para que isso não aconteça, e apesar do regulamento não exigir a utilização de sistemas de isolamento de base nestes edifícios, o Ministério da Saúde turco passou a exigi-la. Imediatamente após a ocorrência de um sismo, a solicitação de cuidados médicos vai disparar. Se não existirem hospitais operacionais, como poderão ser as pessoas socorridas? Como se observou na Turquia, hospitais com isolamento de base permitem dar uma resposta rápida e eficiente à sua população e não perder, em alguns segundos, todo o investimento feito no edifício, nos equipamentos médicos, etc.

O custo dos sistemas de isolamento de base nos hospitais turcos já construídos rondou os 7%-10% do custo do edifício. No entanto, informações sobre edifícios com isolamento de base em Itália e Portugal apontam para valores inferiores. Na avaliação dos custos também é preciso ter em conta outras questões: i) este sistema pode, em alguns casos, permitir poupanças a outros níveis, como por exemplo na estrutura acima do sistema de isolamento, e/ou mais lugares de estacionamento devido a haver menos necessidade de paredes estruturais em caves abaixo do sistema de isolamento, e ii) dado que o custo de todos os equipamentos médicos de um hospital pode ser da ordem de grandeza do custo do edifício, o custo relativo do isolamento de base é residual face ao investimento global (e note-se que protege não só o edifício e as pessoas, mas também os equipamentos médicos, ou seja, protege todo o investimento). Assim, o acréscimo de custo, em termos relativos, de um hospital com isolamento sísmico face a outros sem isolamento, será provavelmente inferior a 5%, sendo mais expectáveis valores da ordem de 2% a 3%. Mas muitíssimo mais importante é: quanto custa a perda total de um hospital numa situação de Emergência, ou seja, quando ele é mais preciso? E as vidas que não pode salvar por ficar inoperacional após um sismo?

Atualmente estão a ser construídos cerca de 65 hospitais nas zonas de risco sísmico mais elevado da Turquia. Todos incluem isolamento de base e um sistema de monitorização por decisão do Governo. E em Portugal, como vai ser?

Mesmo em casos como o do Hospital de Lisboa Oriental em que o projeto, sem isolamento de base, está feito e a obra adjudicada, e em que a alteração desta situação pode implicar outros custos (indemnizações, elaboração de novo projeto), o que está em causa é de tal forma importante, que vale a pena pagar esses custos adicionais.

Nota: Os autores agradecem ao Ministério da Saúde da Turquia, em Ancara, por os ter recebido.

Esta é uma missão não-governamental composta por membros da academia, da Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica e de empresas, que se juntou a colegas da Turquia.

Autores:

Mónica Amaral Ferreira e Mário Lopes - Instituto Superior Técnico

Xavier Romão - Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Miguel Sério Lourenço - JSJ Structural Engineering

Cristina Oliveira - Escola Superior de Tecnologia do Barreiro do Instituto Politécnico de Setúbal

Paulo Pimenta - Pretensa Lda.

(Fonte: Expresso)

15 abril 2023

Missão portuguesa pós-sismo liderada pelo Instituto Superior Técnico: resiliência sísmica #1

A missão portuguesa de reconhecimento dos danos após os sismos que ocorreram na Turquia e Síria, a 6 de fevereiro, encontra-se desde dia 12 de abril a percorrer as áreas mais atingidas da Turquia. Tomadas de decisão que podem conduzir a que a resiliência sísmica de um país não aumente poderão ter impactos económicos e sociais significativos a curto e médio/longo prazo

A produção de aço é uma das principais indústrias da Turquia. Iskenderun, localizada a 120 quilómetros do epicentro, é uma dessas cidades industriais, com um importante terminal portuário no Mediterrâneo. Na sequência do sismo, os danos nas vias e o incêndio que deflagrou no terminal de contentores levaram ao encerramento deste porto, por tempo indeterminado, até que todas as condições básicas de operação estejam repostas.

Se ocorrer um sismo em Portugal, com magnitude semelhante ou superior à dos sismos de 6 de fevereiro, o terminal portuário de Sines poderá ficar igualmente paralisado por tempo indeterminado. O contributo desta infraestrutura para a competitividade da economia portuguesa é fundamental, pois além de albergar o mais importante terminal de gás natural liquefeito em território nacional, é o único porto português de águas profundas que permite exportar para todo o mundo.

Iskenderun, é também conhecida pelas suas praias, sendo uma zona onde muitas pessoas compram as suas casas. Na sequência dos sismos, foram observados diversos danos nos edifícios residenciais dessa zona, muitos associados a práticas construtivas inapropriadas (queda de paredes de fachada por deficiente fixação, entre outros), não sendo também de excluir a possibilidade de alguns desses danos terem sido intensificados devido à existência de solos de fundação inadequados.

Apesar dos danos observados em Iskenderun serem muito frequentes após um sismo, é possível observar pontos positivos na cidade de Osmaniye. Esta cidade fica a cerca de 20 quilómetros da povoação de Pazarcik, onde se localizou o epicentro do primeiro sismo (com magnitude 7.7), segundo a Proteção Civil Turca (AFAD), e possui um hospital construído com sistema de isolamento de base. Este tipo de sistema consiste em apoiar os pilares e paredes estruturais em aparelhos que separam a estrutura das fundações, reduzindo, assim, a intensidade das acelerações que o solo transfere para a estrutura.

Este sistema protege o edifício, os seus ocupantes e todos os equipamentos médicos do seu interior. A construção de hospitais com este sistema permite, assim, que estas infraestruturas essenciais fiquem totalmente operacionais após a ocorrência de um sismo. As vantagens de construir um hospital com isolamento de base foram confirmadas em Osmaniye. O hospital, acabado de ser construído, pôde ser posto ao serviço da comunidade imediatamente após o evento.

Durante a missão, foi possível observar todo o sistema de isolamento de base do edifício, desde os aparelhos de isolamento sísmico, os sistemas que permitem acomodar os deslocamentos relativos entre a estrutura isolada e outras infraestruturas não isoladas, até aos sistemas especiais para as instalações técnicas acomodarem os deslocamentos. O sistema de isolamento sísmico cumpriu a sua função como previsto; o edifício estava totalmente operacional e em pleno funcionamento. Sem dúvida que se trata de um sistema eficaz para garantir uma qualidade e segurança das construções, algo de extrema importância numa estrutura como um hospital, que se pretende em funcionamento sem interrupções durante e após um sismo. Este hospital foi também um elemento fulcral na assistência humanitária à população por ser a única estrutura capaz de assegurar alimentação a 40 mil pessoas no imediato e, atualmente, serve ainda 30 mil pessoas. Outros hospitais do mesmo tipo serviram até como abrigo temporário às populações.

As estratégias e políticas públicas de prevenção e preparação para a ocorrência de um sismo devem ter como um dos objetivos o aumento da resiliência das infraestruturas que possam vir a ser afetadas.

Esta é uma missão não-governamental composta por membros da academia, da Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica e de empresas, que se juntou a colegas da Turquia. Os autores deste artigo são:

Mónica Amaral Ferreira e Mário Lopes - Instituto Superior Técnico;

Cristina Oliveira - Escola Superior de Tecnologia do Barreiro do Instituto Politécnico de Setúbal;

Xavier Romão - Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto;

Paulo Pimenta - Pretensa Lda.;

Miguel Lourenço - JSJ Structural Engineering.

(Fonte: Expresso)

21 fevereiro 2023

Terminaram oficialmente as buscas por sobreviventes na província de Hatay

A província turca de Hatay foi a mais duramente atingida pelos terramotos de 6 de fevereiro e, esta segunda-feira, sofreu mais dois sismos que provocaram vítimas.

As autoridades turcas deram esta terça-feira por terminadas as buscas por sobreviventes na província de Hatay, a mais duramente atingida pelos terramotos de 6 de fevereiro e que sofreu mais dois tremores na segunda-feira à noite.

Os sismos de magnitude 6,4 e 5,8 da noite passada causaram o colapso de muitos edifícios que já tinham sido gravemente danificados pelos terramotos de há 15 dias.

Seis pessoas morreram em resultado dos colapsos, um número que as autoridades consideram agora definitivo, segundo a agência noticiosa turca oficial Anadolu, enquanto 294 pessoas, 18 das quais gravemente feridas, receberam cuidados médicos.

O número de mortos não foi mais elevado porque desde o primeiro sismo, que causou a morte a pelo menos 42.310 pessoas em toda a Turquia, os edifícios em Antakya e arredores permanecem desocupados e as pessoas têm passado a noite ao ar livre em tendas ou em casas pré-fabricadas que estão a ser montadas.

Pelo menos três das seis vítimas eram pessoas que tinham entrado em edifícios vazios ainda de pé para recuperar os seus pertences, uma prática comum nos dias de hoje, mas muito arriscada como o terramoto de segunda-feira à noite demonstrou.

O novo tremor de terra e o seu tremor secundário, com o seu epicentro a apenas uma dúzia de quilómetros a sul de Antakya, abalaram também edifícios que até agora pareciam intactos, de modo que nenhuma casa pode ser considerada segura de momento, segundo a emissora turca NTV.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdo[an, disse hoje que 139.000 edifícios, incluindo quase meio milhão de casas ou escritórios nas 11 províncias afectadas, foram demolidos ou severamente danificados pelos tremores de terra.

No total, depois de investigar mais de um milhão de edifícios na área, um em cada dez está desmoronado ou tem de ser demolido urgentemente, concluiu o ministro do Urbanismo, Murat Kurum.

A proporção é duas vezes superior nas duas províncias mais afectadas, Kahramanmaras e Hatay, onde um em cada cinco edifícios controlados é destruído.

Hatay, uma província de 1,6 milhões de habitantes com uma agricultura florescente, indústria, artesanato e turismo local, é de longe a mais afetada, com 37.000 edifícios em ruínas.

A capital provincial, Antakya, com quase 400.000 habitantes, está tão destruída que a economia não poderá recuperar a curto prazo, disse Hikmet Çinçin, presidente da câmara de comércio local, à emissora NTV.

Segundo este responsável, das 2.000 pequenas empresas registadas, 1.700 foram arruinadas pelos terramotos, causando um êxodo de sobreviventes que carecem dos serviços necessários para a vida quotidiana.

Duas instalações industriais nas colinas da periferia de Antakya resistiram ao terramoto praticamente incólumes, mas não poderão continuar a funcionar, uma vez que tanto os trabalhadores como os empregados mais instruídos deixaram a área, disse Çinçin.

A indústria local está agora desesperadamente à procura de trabalhadores mas terá de fechar se ninguém ficar para viver numa cidade onde não há electricidade neste momento, concluiu.

O terramoto de 6 de fevereiro, com epicentro em território turco, e ao qual se seguiram várias réplicas, fez pelo menos 44 mil mortos e mais de 100 mil feridos na Turquia e na Síria, números ainda provisórios e que deverão continuar a aumentar.

(Fonte: SIC Notícias)

Pelo menos seis mortos e quase 300 feridos após novo sismo na Turquia


Pelo menos seis pessoas morreram em dois sismos de magnitude 6,4 e 5,8 que atingiram a província turca de Hatay na segunda-feira à noite, noticiaram esta terça-feira os média locais.

Já o Ministério da Saúde turco indicou terem sido identificados até ao momento 294 feridos. O anterior balanço apontava para três mortos e 213 feridos.

O terramoto principal foi registado a sul da cidade de Antakya, na província de Hatay, uma das 11 regiões turcas devastadas há 15 dias por dois sismos que mataram pelo menos 44 mil pessoas, na Turquia e na Síria.

(Fonte: CMTV)

14 fevereiro 2023

“Caos e sofrimento”: O relato de um médico português na Turquia

“Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar.” Assim começa a cantata da paz, escrita por Sophia de Mello Breyner.  Assim nos obriga a sentir a dimensão da tragédia humana, após o devastador terramoto que assolou a Síria e a Turquia, longe de poder ser contabilizada. 

Perante as imagens que nos chegam todos os dias, dividimos as lágrimas e a frequência cardíaca entre a atualização em crescendo do número de mortos e a esperança por cada vida salva, contra as probabilidades. 

O Dr. António Gandra d’Almeida, é o médico responsável da equipa do INEM em missão na Turquia e aceitou partilhar o seu testemunho, apesar do trabalho infindável e das condições adversas.

Onde se encontra a equipa da missão portuguesa na Turquia?

Estamos em Hatay. Estivemos, até domingo, no centro da cidade. Agora, começámos as operações nas zonas mais remotas. 

Quais foram as primeiras impressões à chegada à Turquia?

Caos e sofrimento. As pessoas perderam família, amigos e as suas casas. Não havia elettricidade nem água. As temperaturas são muito baixas. 

Estiveram envolvidos na operação que resgatou com vida uma criança de 10 anos, o pequeno Baran. O que sentiram?

É uma sensação difícil de explicar. Uma explosão de sentimentos muito intensa. O mais importante: o Baran vai ficar bem. Valeu a pena. 

Como é o cenário em termos de assistência médica no terreno e nos hospitais?

Há equipas médicas de emergência a dar apoio no terreno. Os hospitais nacionais de regiões vizinhas também estão a prestar apoio, ainda que por vezes se encontrem a grande distância.

Da sua experiência de cenários de catástrofe, o que podemos esperar nos próximos dias? Ainda se poderá encontrar pessoas com vida entre os escombros?

É cada vez mais improvável encontrar sobreviventes, mas continuamos com esperança e mantemos as operações de busca. Aos poucos, a população está a tentar restabelecer as suas vidas. Vai ser demorado e muito difícil.

Como está a equipa portuguesa? Como têm sido os vossos dias?

Os nossos dias são de muito trabalho e longos. Todos estão a dar o seu melhor. Estamos a fazer os possíveis e impossíveis para ajudar, apoiar e estarmos onde precisam de nós. Estamos bem e muito moralizados.

(Fonte: CNN)

12 fevereiro 2023

Equipa portuguesa resgata criança de dez anos em Hatay


A equipa portuguesa de busca e salvamento que está na Turquia resgatou com vida uma criança de dez anos. Em entrevista à RTP este domingo, o comandante da missão, José Guilherme, diz já ter valido a pena a deslocação a esse país.

O comandante explicou que o alerta sobre a criança foi dado por populares e que a operação de resgate "demorou algumas horas".

"Vamos continuar empenhados na nossa missão, que todos os portugueses nos confiaram, na ajuda a este país", declarou José Guilherme, falando num "orgulho pelos operacionais" que resgataram o menino de dez anos.

(Fonte: RTP)

11 fevereiro 2023

Equipa portuguesa de resgate procura vida nos escombros de Antáquia


Na baixa de Antáquia, junto a um edifício em que o rés-do-chão desapareceu, Orhan Demir e a mulher correm até à equipa portuguesa que está a apoiar operações de busca e salvamento em Antáquia, no sudeste da Turquia, desde quarta-feira.

A mulher pede ajuda, de forma insistente.

Orhan implora à equipa para olharem para dentro daquele prédio destruído, diz que há uma luz ao fundo de um buraco, que haverá alguma forma de lá chegar e que lá estarão a sua irmã e os seus três filhos.

Há um desespero e um sentido de urgência na voz do homem, que se põe em risco e salta logo de seguida para cima de um prédio altamente danificado, tentando mostrar à equipa portuguesa onde poderá estar a sua irmã e sobrinhos.

Pouco mais tarde, Orhan, sentado numa cadeira de plástico, fuma um cigarro, de olhos molhados, enquanto observa o prédio onde estará a sua irmã, junto ao seu, também completamente destruído.

Está em choque.

Chora e conta que, a juntar à irmã e sobrinhos (de oito, dez e 15 anos de idade) que não são encontrados, soma-se agora a morte do marido da sua irmã, que Orhan encontrou morto pelo frio, na noite de sexta-feira, à frente da casa, quando lhe ia entregar uns cobertores.

Orhan Demir apenas diz que vai continuar à espera, a fazer o que tem feito todos os dias, a gritar pelos nomes da sua irmã e dos seus sobrinhos, para o caso de estarem vivos.

"Fico aqui até poder fazer o funeral dos meus sobrinhos e da minha irmã", conta à agência Lusa.

No local, a equipa portuguesa, que se divide entre membros da Proteção Civil, GNR e INEM, vai verificando ruínas, à procura de sinais de vida, com a preciosa ajuda de Red, Agra e Síria, três cães que conseguem entrar dentro dos escombros das casas e ladrar, caso encontrem alguém vivo.

Junto à equipa, uma mulher fala com o tradutor e chora.

A mulher tinha ouvido ruídos da sua casa e acreditava que o seu filho estaria vivo, preso nos escombros.

A equipa fez uma busca extensa à residência, com o recurso aos cães, tiraram fotos e tiveram uma conversa, difícil, mas necessária.

"Havia a angústia de poder estar com vida e precisar de ajuda. Agora, aquela mãe pode, ao menos, começar o processo do luto", disse à Lusa a psicóloga do INEM, Joana Anjos.

A equipa avança por entre os escombros da baixa de Antáquia, uma zona mais pobre daquela cidade de meio milhão de habitantes onde não há qualquer edifício intacto.

Logo de seguida, a equipa pára e toda a gente se cala, outros pedem silêncio.

"Se alguém está vivo, que dê um som! Se alguém está vivo, que dê um som!", gritou um homem, em turco, enquanto toda a gente permanecia calada, imóvel, na expectativa.

Nada se ouviu e a equipa seguiu para a casa onde tinha estado com a mãe. Numa das paredes, grafitaram: "Vd" - sinal de que o edifício tinha sido verificado e que não tinha sido encontrado ninguém com vida.

Noutras ruínas, espalham-se fotos de família, uma mulher feliz a segurar um bebé recém-nascido, uma turma sorridente na escola, momentos de festa familiar, ou um casal a posar para uma fotografia de casamento.

A equipa portuguesa, que trabalha num setor que ainda estava por verificar, é chamada mais à frente.

Vão sempre confirmar, sempre à procura da chance, mesmo que ínfima, de encontrar um sobrevivente, que a prioridade ainda não é desenterrar os mortos, mas encontrar possíveis vivos.

Um militar da GNR recorda à Lusa uma história de uma pessoa que foi encontrada uma hora depois de morrer por outra equipa, de outro país.

Noutra ruela daquela baixa completamente intransitável, um homem aborda a missão portuguesa, pede para encontrarem a sua tia que poderá estar viva, debaixo de uns escombros.

Os cães avançam, mas nenhum deles ladra.

Na rua ao lado, um rapaz pede uma câmara térmica para encontrar uma prima que estaria dentro de outra casa completamente destruída.

É-lhe explicado que os cães já por lá andaram e também não encontraram qualquer sinal de vida.

Passados alguns metros, novamente outro pedido.

"Três vizinhos meus moravam aí. Eu não sei se estão vivos, mas, por favor, usem o cão", pede um homem velho, a chorar.

O cão entra nos escombros, mas também não sinaliza vida.

Pelo caminho, cruzam-se com a equipa portuguesa mineiros do Mar Negro, vestidos de branco, que seguem para as ruínas com as suas picaretas.

No final da operação da manhã, uma senhora, a chorar, chega ao pé da psicóloga do INEM, Joana Anjos, e dá-lhe um abraço.

"Espero que venham, mas como turistas e que todos nós nos possamos juntar, mas já sem desgraças, sem nada destruído", diz a mulher, de nome Sevim, que morava num prédio muito afetado, na baixa de Antáquia.

(Fonte: Mundo ao Minuto/Lusa)

Sismo: "Uma demonstração de solidariedade da Humanidade"

Um dos mais poderosos sismos do século, com magnitude de 7.7, ocorreu na província turca de Kahramanmaraş nas primeiras horas do dia 6 de fevereiro. Cerca de 700 réplicas reverberaram por toda a região após o sismo inicial e uma vasta área de 10 províncias na Turquia, assim como na Síria, estão severamente afetadas. Só na Turquia já ceifou perto de 20 mil vidas e o número continua a aumentar à medida que os esforços de resgate continuam. Cerca de 70 mil pessoas encontram-se feridas. Os socorristas estão numa corrida contra o tempo e um clima adverso para salvar crianças, homens e mulheres que se encontram debaixo dos escombros. Mais de 6 mil edifícios ruíram. Existe um profundo pesar misturado com esperança.

Enquanto enviamos as nossas sentidas condolências às famílias das vítimas e desejamos rápidas melhoras a todos os que se encontram feridos, o que este devastador sismo nos lembra a todos uma e outra vez é o quão vulneráveis somos enquanto seres humanos face a desastres de larga escala, e o quão significativo é poder demonstrar a solidariedade humanitária nas horas mais negras.

Para além dos intensos esforços governamentais e da sociedade civil da Turquia, tendo enviado para o local mais de 60 mil operacionais, que estão ativos nos esforços de socorro, mais de 5 mil membros de equipas internacionais de busca e salvamento de todo o Mundo estão também presentes na zona do terramoto em resposta ao nosso apelo, a avaliar necessidades, a prestar assistência. A UE anunciou que mais de 30 equipas médicas e de busca e salvamento foram mobilizadas por parte de 20 países, incluindo mais de 1.200 elementos e 70 cães de busca. Uma Força Operacional Conjunta portuguesa com 53 pessoas, acompanhadas de equipamento e cães, partiu para a Turquia no dia 8 de fevereiro, numa missão de busca e salvamento. ONGs de Portugal enviaram equipas de busca e salvamento. Agradecemos a resposta imediata e estamos gratos pelo apoio e solidariedade demonstrados pela comunidade internacional.

Pessoas de todo o mundo também uniram as suas mãos para ajudar pessoas que foram resgatadas do terramoto. Estão a ser enviadas doações em géneros para os centros de crise na Turquia para serem distribuídas pelas pessoas necessitadas. A ONU e ONGs estão mobilizadas para ajudar. A autoridade oficial da Turquia para a gestão de desastres e emergência, a AFAD, o Türk Kızılay, sendo a maior organização humanitária na Turquia e parte da Cruz Vermelha Internacional e do Crescente Vermelho, estão a receber e a transferir estas doações.

Apelamos à comunidade internacional para ajudar milhares de famílias atingidas por este desastre, especialmente aqueles que se encontram em áreas onde o acesso é um desafio por vários motivos. Estamos a receber doações em géneros na Embaixada turca em Lisboa e no nosso centro de recolha no Porto, e também através de transferências bancárias. Poderá encontrar toda a informação nas páginas de Facebook e Twitter da Embaixada. Agradecemos ao Governo e ao povo português pelo sentido interesse e caloroso apoio.

Agradecemos também o apelo à sociedade internacional por parte do secretário-geral da ONU, António Guterres, para que se erga pelos povos turco e sírio, reconhecendo a Turquia como um país que generosamente recebeu e protegeu milhões de refugiados e pessoas deslocadas.

A Turquia está também a facilitar a passagem de ajuda para a Síria de forma a ajudar as pessoas afetadas pelo terramoto. Seis caravanas com ajuda da ONU atravessaram a fronteira da Turquia para a Síria no dia 9 de fevereiro, a primeira ajuda internacional que aquelas pessoas tiveram.

Desastres acontecem em todo o mundo, do Japão ao Chile, de Itália ao Haiti, causando sofrimento sob várias formas e magnitudes. O importante no dia seguinte é como nos unimos ao estender uma mão amiga para curar as feridas das pessoas afetadas. Dar uma mão para o salvamento, fazer um contacto visual com a esperança, lembrando-nos da razão pela qual nós, humanos, existimos no mundo. Hoje, é por isso que o povo turco está grato.

Embora nos sintamos gratos pelo apoio demonstrado pela humanidade, apelo humildemente às vossas orações por aqueles que ainda esperam por um salvamento.

Lale Ülker, Embaixadora da Turquia em Portugal

(Fonte: DN)

Sismo: Número de mortos ultrapassa os 24 mil


O número de vítimas mortais provocadas pelo sismo que, na segunda-feira, abalou o sul da Turquia e o norte da Síria subiu, na mais recente atualização para 24.218.

Na Turquia, morreram pelo menos 20.665 pessoas. Na Síria, contabilizando o território controlado pelo governo de Assad e as zonas controladas pelos rebeldes, 3553 pessoas perderam a vida.

Neste momento, há também já cerca de 80 mil feridos confirmados pelas autoridades dos dois países. Para apoiar a população síria afetada pela tragédia, a ONU já anunciou que irá doar 25 milhões de dólares (€23,3M).

Equipas de emergência resgataram este sábado várias pessoas que estiveram soterradas sob escombros, em diferentes cidades da Turquia, durante mais de 120 horas.

As esperanças de encontrar mais sobreviventes vão diminuindo a cada minuto que passa e os trabalhos de resgate já pararam em algumas áreas, com as equipas a começarem a remover os escombros.

Ajuda e equipas de salvamento concentraram-se nas grandes cidades turcas após o terramoto, mas há um grande número de pequenas localidades onde o apoio ainda não chegou, 

O diário turco Hurriyet noticia que muitas das estradas que levam a aldeias rurais da região estão fechadas devido à queda de neve, enquanto o mau estado de muitas estradas de montanha, que já era assim antes do terramoto, complica as comunicações.

Em muitas localidades, as casas tornaram-se inabitáveis e alternativas como as tendas não chegam, sendo que a falta de água e comida também afeta os animais nestas pequenas aldeias agrícolas.

O sismo afetou uma população de 13 milhões de habitantes em 10 províncias turcas, onde o acesso à água ainda está cortado ou restrito, na melhor das hipóteses, e há falta de alimentos e o frio também aumenta o risco de epidemias.

Embora mais de 100 mil socorristas e pessoal de emergência trabalhem na área, a sua enorme dimensão, o elevado grau de destruição, os mais de mil tremores secundários registados e o frio complicam os trabalhos de auxílio às vítimas dos sismos.

O sismo de magnitude 7,8 na escala de Richter que atingiu o sudeste da Turquia, numa área maior do que a superfície de Portugal, provocou um elevado grau de destruição, incluindo infraestruturas básicas, o que torna difícil a distribuição da ajuda.

(Fonte: Expresso)

10 fevereiro 2023

Equipa de resgate portuguesa a caminho da Turquia



Uma equipa de resgate portuguesa, composta por seis operacionais e dois cães, está a caminho da Turquia para ser integrada nas operações de socorro às vítimas do sismo, ocorrido na madrugada de segunda-feira. 

Os elementos das Associação Portuguesa de Busca e Salvamento são voluntários e contaram com a colaboração das entidades patronais para participar numa missão que se estenderá, pelo menos, pelos próximos sete dias.

Fundamentais para o sucesso da ação de resgate serão as cadelas que integram a comitiva. Tracy, uma pastora belga, terá o seu batismo internacional, mas não será a primeira vez que estará num teatro de operações. Foi esta cadela que, entre outros casos, descobriu o cadáver de Fernando Ferreira, conhecido pela alcunha de "Conde", nas margens do Rio Ave, em Barco, em 2020. A vítima, de 63 anos, atirou-se ao rio, "em pânico, por se ver emboscado".

Encontrar sobreviventes na área mais afetada

Ao JN, Pedro Baptista, da Associação Portuguesa de Busca e Salvamento, explica que, logo após o sismo que afetou a Turquia e a Síria, foi mostrada disponibilidade por parte de vários elementos para participar nas operações de socorro em curso. E acrescenta que, recentemente, a Embaixada da Turquia em Portugal solicitou o seu auxílio.

(Fonte: JN)