google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

06 outubro 2013

Juventude Lis sofre pesada derrota na Turquia na Taça das Taças de andebol

A Juventude Lis foi hoje derrotada por expressivo 32-18 pelo Muratpaşa Belediyesi SK, na primeira mão da segunda eliminatória da Taça das Taças de andebol feminino, em desafio disputado em Antália, Turquia.
Ao intervalo, as lusas perdiam por "apenas" cinco golos (14-9), mas o segundo tempo foi mais penoso e o resultado avolumou-se até aos 14 tentos de diferença: o segundo e decisivo desafio disputa-se hoje, igualmente em Antália.
Com oito golos, Ana Gante foi a melhor marcadora do encontro, surgindo depois a ucraniana Olga Laiuk com cinco, seguida por cinco companheiras do conjunto turco, todas com quatro golos.


(Fonte: Lusa/Visão)

04 outubro 2013

Assad diz que a Turquia vai pagar caro por apoio a rebeldes

O presidente sírio, Bashar al-Assad, disse que a Turquia vai pagar um preço muito alto por apoiar os rebeldes que lutam para derrubar o Governo da Síria, e acusou Ancara de abrigar "terroristas" ao longo da sua fronteira, que mais tarde ou mais cedo se voltarão contra os próprios turcos.
Em entrevista à TV turca Halk, que será transmitida mais tarde nesta sexta-feira, Assad chamou o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdoğan, de "fanático" e disse que a Turquia permite que terroristas atravessem a fronteira para atacar o Exército e civis sírios. "Não é possível colocar o terrorismo no bolso e usá-lo como um cartão, porque é como um escorpião, que não hesitará em picá-lo na primeira oportunidade", disse Assad, segundo uma transcrição publicada no site da Halk. "Num futuro próximo, estes terroristas irão ter um impacto sobre a Turquia, e a Turquia vai pagar um preço alto por isso."
A Turquia, que partilha uma fronteira de 900 kms com a Síria e tem a segunda maior força militar da NATO, é uma das mais críticas de Assad e uma defensora ferrenha da oposição, mas nega armar os rebeldes. O país abriga um quarto dos dois milhões de pessoas que fugiram da Síria e algumas vezes viu o confronto atravessar as fronteiras para o seu território, respondendo à altura quando morteiros e bombas disparados da Síria atingiram o seu solo. Junto com os aliados ocidentais que fazem oposição a Assad, a Turquia tem se preocupado com as divisões entre os rebeldes e o aprofundamento da influência de militantes islâmicos radicais na Síria. O grupo militante Estado Islâmico do Iraque e o Levante, filiado à Al Qaeda, tomou no mês passado a cidade de Azaz, a cerca de 5 kms da fronteira com a Turquia, e entrou em conflito várias vezes com a brigada local Tempestade do Norte desde então.
 
(Fonte: Exame)

08 setembro 2013

Cristóvão no Konyaspor

Após ter rescindido em Agosto com o Levski Sofia, onde actuou nas duas últimas épocas, o Português Cristóvão Ramos assinou pelos Turcos do Konyaspor, juntando-se a Djalma, extremo angolano emprestado pelo FC Porto.
O avançado de 30 anos foi formado nos Dragões, passando depois por Penafiel e Leixões, antes de alinhar nos cipriotas do AEP e do Anorthosis.
 
(Fonte: Record)

09 agosto 2013

Ancara aconselha Turcos a deixarem o Líbano após rapto de dois pilotos turcos

A Turquia aconselhou os seus cidadãos a saírem do Líbano, depois do sequestro de dois pilotos turcos perto do aeroporto de Beirute. O rapto poderá ser uma represália pelo apoio diplomático de Ancara aos rebeldes sírios. A autoria foi reivindicada pelo até agora desconhecido “grupo dos visitantes do Imã Ali al-Rida”, num comunicado difundido pelos media libaneses. O grupo exige a libertação de nove peregrinos xiitas libaneses, capturados pela rebelião síria em Maio de 2012. O Presidente turco frisou que “o Líbano é um lugar de risco e todos os Turcos que aí se encontram devem tomar as precauções adequadas”. Abdullah Gül sublinhou que está a ser feito todo o possível para garantir a libertação dos pilotos da companhia turca, mostrando esperanças de que “voltem em breve, sãos e salvos”. As famílias dos peregrinos libaneses de confissão xiita manifestaram-se várias vezes, durante o último ano, em frente aos escritórios da Turkish Airlines em Beirute, para pedir a Ancara que use a influência perto dos rebeldes para obter a sua libertação.
 
(Fonte: Euronews)

10 julho 2013

Mais uma morte nos protestos

Um jovem de 19 anos, ferido com gravidade nas manifestações contra o Governo na Turquia, faleceu esta quarta-feira, elevando para cinco o número de vítimas mortais nos protestos sem precedentes contra o poder islamita moderado.
As autoridades da Turquia autorizaram na noite de terça-feira a entrada dos manifestantes no Parque Gezi, em Istambul. O local foi palco de diversos protestos, que deram início à onda de contestação ao primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan.
Naquela ocasião, a população protestava contra o corte de árvores para abrir espaço para um empreendimento imobiliário. Os Turcos defendiam que o lugar era um dos principais pontos de encontro da cidade.
A decisão de permitir a entrada dos manifestantes novamente no berço do conflito de Junho foi motivada pelo mês sagrado do Ramadão, quando os muçulmanos saem às ruas para observar a lua crescente no céu. O feriado religioso foi respeitado também pelos integrantes do movimento e não foram registrados incidentes violentos.
Contudo, esta quarta-feira, um jovem de 19 anos que foi ferido nas manifestações contra o Governo em 2 de Junho morreu no hospital. Ali Ismail Korkmaz não resistiu aos ferimentos graves na cabeça cometidos por dois homens não identificados na cidade de Eskisehir, no centro-oeste do país. Com ele, sobe para cinco o número de vítimas fatais dos protestos sem precedentes contra o poder islamita moderado.
 
(Fonte: TSF)

21 junho 2013

Manifestantes em tribunal e tensão entre Ancara e Berlim

As autoridades turcas levaram a tribunal, em Ancara, 26 pessoas detidas esta sexta-feira pelo envolvimento nos protestos antigovernamentais nas últimas semanas.
No exterior do tribunal, centenas de manifestantes mostravam apoio aos detidos.
Segundos grupos de defesa dos direitos humanos, mais de três mil pessoas foram detidas desde o início da contestação. Várias dezenas continuam na prisão e pelo menos seis foram formalmente acusadas.
Alvo dos protestos populares, o primeiro-ministro reuniu 15 mil apoiantes no bastião conservador de Kayseri. Um comício de campanha para as próximas eleições municipais, mas onde Recep Tayyip Erdoğan não perdeu a oportunidade de voltar a criticar os contestatários.
No plano diplomático, a Turquia ameaça a Alemanha de represálias, enquanto o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador turco em Berlim. Tudo isto depois do ministro turco dos Assuntos Europeus ter acusado a chanceler Angela Merkel de tentar bloquear o processo de negociação da adesão de Ancara ao bloco comunitário.
 
(Fonte: Euronews)

20 junho 2013

Batalha do Silêncio

A natureza dos protestos mudou na Turquia. Depois de três semanas de confrontos, os lugares simbólicos das manifestações foram desocupados e o silêncio reina na rua, mas é um silêncio mais forte do que qualquer grito: o desejo da democracia manifesta-se de outro modo. “As pessoas só pedem liberdade. A liberdade é o bem mais precioso para um homem. Se alguém não tem liberdade, significa que não tem dignidade.”
O movimento de protesto que partiu de um punhado de militantes ecologistas no passado dia 31 de Maio ganhou, em poucos dias, uma enorme amplitude, assim como a repressão policial. Centenas de detenções, milhares de feridos, proibição de manifestações, detenções arbitrárias. O chefe do Governo turco tenta lidar com a crise, que se transformou rapidamente num protesto contra a sua política, alternando firmeza, provocação e conciliação, para, de novo, impôr a mão de ferro. Mas a receita, segundo o analista Doğu Ergil custou a Recep Tayip Erdoğan uma parte do capital político. “A popularidade de Erdoğan não mudou grande coisa, mesmo que tenha sido beliscada. A sua liderança não está em questão, é o seu Governo que mudou e as pessoas não esperavam. A sociedade turca, ou pelo menos uma parte dela, está a mostrar claramente que não quer um grande Irmão no poder.” As sondagens indicam que se houvesse eleições agora, o AKP seria eleito de novo, mas com menos votos, porque esta crise custou-lhe parte da credibilidade que tinha. E mesmo que metade do país apoie Erdoğan, a decepção é visível entre os próprios apoiantes. Uns reconhecem o desenvolvimento do país: “Há dez anos, as ruas de todas as cidades do país estavam cheias de lixo. A Turquia não era suficientemente desenvolvida. Agora estamos muito melhor e temos avançado tanto a nível internacional como a nível nacional, graças à nossa economia e às nossas relações internacionais.” Outros, queixam-se da repressão: “Estes dias tive de caminhar através do gás lacrimogénio para ir trabalhar, com os olhos a arder. Não merecemos isto. Votamos nele, mas se me pergunta agora se acho que ele merece estar onde está, eu acho que não, que não merece.”
O Governo de Erdoğan está a reagir muito mal à resistência pacífica e silenciosa em curso na Turquia, conhecida como “homem de pé”.
 
(Fonte: Euronews)

A Prosperidade da Turquia

O crescimento de longo prazo deriva de políticas monetárias e orçamentais prudentes, da vontade política para regular os bancos e de uma combinação de fortes investimentos públicos e privados em infra-estruturas, habilidades e tecnologias de ponta. Uma recente visita à Turquia recordou-me do seu enorme sucesso económico durante a última década. A economia tem crescido rapidamente, a desigualdade está a diminuir e a inovação a aumentar.
As conquistas da Turquia são ainda mais notáveis quando consideramos a sua vizinhança. Os seus vizinhos no oeste, o Chipre e a Grécia, estão no epicentro da crise da Zona Euro. O sudeste é devastado pela guerra na Síria, que já levou cerca de 400 mil refugiados para a Turquia. A leste, tem o Iraque e o Irão. E a nordeste, tem a Arménia e a Geórgia. Se há uma vizinhança mais complicada no mundo, seria difícil encontrá-la. No entanto, a Turquia tem feito progressos notáveis no meio desta região em convulsão. Depois de uma acentuada quebra em 1999-2001, a economia cresceu 5% por ano, em média, de 2002 a 2012. Permaneceu em paz, apesar das guerras regionais. Os seus bancos evitaram o ciclo de altos e baixos da década anterior, tendo aprendido com o colapso do sistema bancário de 2000-2001. A desigualdade tem diminuído. E o Governo ganhou três eleições consecutivas, cada vez com uma maior percentagem do voto popular. Não há nada de chamativo na expansão da Turquia, que tem sido baseada em fundamentais económicos e não em bolhas ou descobertas de recursos. De facto, a Turquia não tem os recursos de petróleo e gás dos seus vizinhos, mas compensa esta carência com a competitividade da sua indústria e serviços. O turismo sozinho atraiu mais de 36 milhões de visitantes em 2012, fazendo da Turquia um dos principais destinos turísticos do mundo. Mesmo uma breve estadia em Ancara permite ver a força destas bases. O aeroporto, as auto-estradas e outras infra-estruturas são de primeiro nível; e uma rede ferroviária intercidades de alta velocidade liga Ancara a outras partes do país. Grande parte da engenharia avançada é de desenvolvimento local. As empresas de construção turcas são internacionalmente competitivas e ganham cada vez mais concursos no Médio Oriente e África. Também as universidades turcas estão a crescer. Ancara tornou-se um centro do ensino superior, que atrai estudantes de África e Ásia. Muitos programas de topo são em inglês, assegurando que a Turquia atrai um número cada vez maior de estudantes internacionais. E das universidades do país surgem cada vez mais empresas de alta tecnologia na aviação, tecnologia de informação e electrónica avançada, entre outras áreas. Há que destacar também que a Turquia começou a investir em força em tecnologias sustentáveis. O país é rico em energia eólica, geotérmica e outras energias renováveis e deverá tornar-se um exportador global de inovações avançadas em tecnologia ecológica. Tipicamente, as instalações de tratamento de lixo não são atracções de turistas, mas o novo sistema de gestão de lixo urbano integrado de Ancara tem atraído a atenção mundial e com razão. Até há uns anos, o lixo era despejado num aterro mal cheiroso e insalubre. Agora, com a utilização de tecnologia avançada, tornou-se numa área verde. A empresa privada de gestão de lixo ITC recebe milhares de toneladas de resíduos sólidos municipais por dia. O lixo é separado em material reciclável (plástico e metal) e lixo orgânico. O lixo orgânico é processado numa fábrica de fermentação, produzindo adubo e metano, que é usado para produzir electricidade numa fábrica de energia de 25 megawatts. A electricidade é injectada na rede de energia da cidade e o calor dos escapes é canalizado para estufas da instalação, que produzem tomates, morangos e orquídeas. A diversificada e inovadora base de indústria, construção e serviços da Turquia rende grandes benefícios num mundo em que as oportunidades de mercado estão a mudar dos Estados Unidos e Europa Ocidental para África, Europa Oriental, Médio Oriente e Ásia. A Turquia tem sido hábil em aproveitar estas novas oportunidades, com as exportações a aumentarem cada vez mais para o sul e leste para as economias emergentes, mais do que para o oeste para mercados de elevados rendimentos. Esta tendência vai continuar, com a África e a Ásia a tornarem-se importante mercados para as empresas de construção, tecnologias de informação e inovação em tecnologia ecológica da Turquia. Então, como é que a Turquia o fez? Em primeiro lugar, o primeiro-ministro Tayyip Erdoğan e a equipa económica, liderada pelo vice primeiro-ministro Ali Babacan, voltaram ao básico e adoptaram uma visão de longo prazo. Erdoğan chegou ao poder em 2003, depois de anos de instabilidade de curto prazo e de crises bancárias. O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi chamado para um resgate de emergência. Passo a passo, a estratégia de Erdoğan-Babacan foi reconstruir o sector bancário, manter o orçamento sob controlo e investir de forma intensa e consistente onde é necessário: infra-estruturas, educação, saúde e tecnologia. A diplomacia inteligente também ajudou. A Turquia manteve-se fiel a uma postura moderada numa região de extremismos. Manteve uma porta aberta e uma diplomacia equilibrada (na medida do possível) com as principais potências nas suas vizinhanças. Isso ajudou a Turquia não apenas a manter o seu equilíbrio interno, mas também a ganhar mercados e conservar os aliados, sem o peso e os riscos de divisões geo-políticas. Sem dúvida, não é garantido que a Turquia consiga manter-se sempre nesta trajectória de rápido crescimento. Qualquer combinação de crises – Zona Euro, Síria, Iraque, Irão ou o preço internacional do petróleo – pode criar instabilidade. Outra crise financeira global pode interromper os fluxos de capital de curto prazo. Uma vizinha perigosa significa riscos inevitáveis, embora a Turquia tenha demonstrado uma capacidade notável, ao longo da última década, para os superar. Além disso, o desafio de aumentar a qualidade educativa e os resultados dos estudantes, especialmente para raparigas e mulheres, continua a ser uma prioridade. Felizmente, o Governo tem reconhecido claramente o desafio da educação, o qual tem perseguido através de reformas escolares, aumento dos investimentos e introdução de novas tecnologias de informação nas salas de aulas. Os sucessos da Turquia têm raízes profundas na capacidade governamental e nas habilidades das suas gentes, reflectindo décadas de investimento e séculos de história que remontam ao tempo do Império Otomano. Outros países não podem simplesmente copiar estas realizações, mas podem aprender as principais lições que são frequentemente esquecidas num mundo de "estímulos", bolhas e pensamento de curto prazo. O crescimento de longo prazo deriva de políticas monetárias e orçamentais prudentes, da vontade política para regular os bancos e de uma combinação de fortes investimentos públicos e privados em infra-estruturas, habilidades e tecnologias de ponta. (Fonte: Jornal de Negócios/Project Syndicate)

15 junho 2013

Polícia turca expulsou os manifestantes de Gezi

Está terminado. No parque Gezi, em lugar dos manifestantes, polícias sentam-se à porta das tendas, fumam cigarros juntos às bancas anarquistas. Não passaram mais de duas horas, desde o momento em que a força de intervenção começou o ataque e aquele em que todos os ocupantes tinham fugido. Às 11 horas da noite toda a área estava cercada, todos os acessos bloqueados. A zona de Taksim estava coberta de fumo e de silêncio. Ouvia-se apenas o som de sirenes de ambulâncias ao longe.
A polícia de intervenção lançou o ataque cerca das 9 da noite, disparando canhões de água e granadas de gás lacrimogéneo, lançando em fuga e pânico os milhares de manifestantes. De forma lenta e sistemática, avançou por entre o arvoredo, tendas e toda a “mobília” que os manifestantes deixaram para trás, após duas semanas de ocupação do parque.
O alarme foi dado às 8 da noite. Correu célere entre os manifestantes que ocupavam o parque Gezi. “Os polícias estão a levantar-se”, disseram. “Estão a preparar-se para atacar”. Os planos de emergência começaram imediatamente a ser colocados em prática. As máscaras anti-gás foram colocadas, abertos os corredores de segurança. Os vendedores de equipamento anti-gás lacrimogéneo despachavam freneticamente as últimas bugigangas.
“É falso alarme”, disse Cenolut, de 34 anos, sem colocar a máscara. “O primeiro-ministro, Erdoğan, disse num comício que limparia o parque amanhã. Portanto será amanhã, não hoje. E amanhã já não estará aqui quase ninguém”.
Muitos manifestantes estavam convencidos disto e preparavam-se para abandonar o parque amanhã, domingo.
Consideravam que a mensagem tinha sido ouvida e a sua missão cumprida. Tiveram uma surpresa.
O ataque da polícia começou pouco antes das 9 horas. Os jactos de água dos veículos blindados Toma deram o sinal. Granadas de gás foram lançadas para o interior do parque. Centenas de polícias avançaram pela praça Taksim, em direcção ao parque, como não tinham feito no ataque anterior.
Tudo se encheu de fumo, ouviram-se muitas explosões e tiros. A multidão desatou a correr em direcção ao outro extremo do parque. As granadas rebentavam junto aos seus pés. A concentração de gás pimenta tornou-se intensa, o ar irrespirável. Muitos manifestantes precisaram de assistência, outros tombaram no chão.
“Veja o que está a acontecer! Veja isto!”, gritou Yeliz, 34 anos, uma gestora de produto numa empresa privada que nos tinha dito que abandonaria o parque amanhã. “Escreva isto! Escreva! Tenho vergonha do que está a acontecer no meu país”. E desapareceu na multidão, aos tropeções.
No extremo norte do parque Gezi, os manifestantes em fuga descobriram que a polícia tinha já também tomado posições nas ruas confluentes. Os agentes envergavam os capacetes e escudos mas mantinham-se imóveis. Muitos manifestantes passaram por eles, uns aos gritos, outros entoando slogans. Os polícias deixaram-nos passar. O objectivo era esse.
Em vários pontos dos arredores de Taksim, activistas montaram barricadas, para continuar a resistência à polícia. Atiram pedras e disparam fisgas, ao que a polícia responde com gás lacrimogéneo. Toda esta zona da cidade está envolvida numa nuvem de gás tóxico.
A resistência dos activistas não tem, porém, a dimensão da que opuseram na última intervenção da polícia, terça-feira, dia 11. Nessa altura, as forças policiais ocuparam a praça Taksim, mas deixaram incólume a “zona livre” de Gezi. E era daí, do interior do parque, que chegavam as armas e os reforços para combater a polícia.
Desta vez, o parque foi evacuado, todas as ruas previamente cortadas. Sem espaço nem apoio, nenhum foco de resistência dura muito tempo.
É impossível entrar agora no parque, sob controlo da polícia. Mas segundo os testemunhos de vários activistas, a intervenção deixou muitas pessoas feridas, incluindo idosos e crianças. Os que não resistiram ao gás e às balas de borracha e ficaram em Gezi foram levados para ambulâncias, que estavam já à espera, guardadas pela polícia.
Outros feridos refugiaram-se num hotel situado no extremo norte do parque, o Hotel Divan, que abriu as portas para auxiliar os manifestantes. A polícia cercou o hotel, não permitindo entrar nem sair, mas, segundo manifestantes que estiveram lá, não entrou nem tentou deter quem ali se refugiou.
 
(Fonte: Público)

Cavaco Silva diz que confrontos na Turquia não favorecem adesão à União Europeia

O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje que os confrontos na Turquia não favorecem "alguns capítulos que estão sobre a mesa" no processo de adesão do país à União Europeia.
"Temos de lamentar o que aconteceu nos últimos dias na Turquia, a violência da polícia em relação aos manifestantes", disse o chefe de Estado português, numa entrevista à Sic Notícias, divulgada hoje, no âmbito da sua visita esta semana ao Parlamento Europeu.
Questionado sobre os confrontos na Turquia, Aníbal Cavaco Silva elogiou as "palavras bastante sensatas" do Presidente da República da Turquia, Abdullah Gül, que disse ser "um elemento moderador", e sublinhou a importância estratégica daquele país.
"É uma ponte entre dois continentes, tem uma influência muito grande na Ásia Central, sobre o Irão e os países envolvidos no processo de paz do Médio Oriente, em países do Cáucaso e é uma possível potência económica daquela área", declarou.
No entanto, referindo-se ao processo de adesão à União Europeia, o Presidente português considerou que "negociações são negociações".
"Há que respeitar os valores e os princípios e ajustar as políticas da Turquia às políticas comuns da Europa. Portugal apoia a adesão da Turquia, reconheço que as negociações são difíceis e que aquilo que aconteceu nos últimos dias não deve ter favorecido alguns capítulos que estão sobre a mesa ou que se pensava que podiam estar sobre a mesa", disse.
Cavaco Silva reforçou que "há valores e princípios fundamentais que é preciso serem respeitados por todos os que fazem parte desta União Europeia".

(Fonte: SIC Notícias)