google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

12 outubro 2010

França afirma que avanço das negociações com a UE depende da Turquia

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, estimulou hoje a Turquia a avançar na via das reformas para que se possam abrir novos capítulos de negociações com a União Europeia.
Kouchner, que falava numa conferência de imprensa em Ancara com o homólogo turco, Ahmet Davutoğlu, afirmou que o capítulo sobre a concorrência "devia poder ser aberto até ao fim do ano" e o capítulo sobre a política social e o emprego "no próximo ano". Quanto ao terceiro, sobre a reforma dos mercados públicos, "não deve colocar problemas". Mas "é necessário que um determinado número de reformas seja concretizado pelo vosso país para que esses três capítulos possam ser abertos e, desde logo, a concorrência", disse. "De momento, a bola está do vosso lado", sublinhou.

(Fonte: Lusa)

11 outubro 2010

Embaixadora de Portugal na Turquia apresentou cartas credenciais



A nova Embaixadora de Portugal na Turquia, Luísa Bastos de Almeida, apresentou as cartas credenciais ao Presidente da República da Turquia, Abdullah Gül, no Palácio Presidencial.
 

10 outubro 2010

Polémica leva Emir Kusturica a abandonar festival de cinema na Turquia


O realizador sérvio Emir Kusturica anunciou hoje a sua decisão de abandonar um festival de cinema na Turquia, onde era convidado de honra, depois de uma polémica em torno de declarações que fez sobre a guerra da Bósnia.
Os média turcos noticiaram nos últimos dias que o realizador e músico sérvio minimizou repetidamente o número de mortos na guerra da Bósnia e a violação de mulheres muçulmanas. Os jornais não explicitaram quando foram feitas essas declarações e, segundo o diário Milliyet, Kusturica negou-as.
A guerra da Bósnia (1992-1995) envolveu as forças sérvias da antiga Jugoslávia e ficou nomeadamente marcada por massacres de muçulmanos bósnios.
Segundo as agências turcas, o cineasta anunciou a decisão numa conferência de imprensa na estância de Antália, onde decorre o festival, e lamentou as críticas que lhe foram feitas pelos órgãos de comunicação social e por responsáveis políticos.
O ministro turco da Cultura, Ertuğrul Günay, criticou no sábado "as controversas tomadas de posição" de Emir Kusturica. "Considero o ministro da Cultura deste país um inimigo, porque ele merece-o", disse o realizador.

(Fonte: Diário Digital)

09 outubro 2010

Merkel e Erdoğan acordam intensificar esforços para integração dos turcos na Alemanha

A chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, acordaram hoje, sábado, intensificar os esforços para a integração dos cerca de 2,5 milhões de turcos residentes na Alemanha, repetidamente considerada insuficiente.
Merkel e Erdoğan falaram também da entrada da Turquia na União Europeia, processo sobre o qual a chanceler alemã se comprometeu a agir como facilitadora.
"Relativamente à integração, ainda há claramente problemas que vamos resolver", disse Merkel à imprensa após um encontro com Erdoğan.
"Do lado turco há uma forte vontade de ajudar tanto quanto possível e de estar ao nosso lado de forma construtiva", acrescentou.
O primeiro-ministro turco disse-se "evidentemente favorável" à integração dos turcos na Alemanha, "para o seu próprio bem-estar e para o bem-estar e o futuro da sociedade alemã".
Os dois chefes de governo anunciaram a intenção de aproveitar o 50.º aniversário do acordo de 1961 sobre "trabalhadores convidados" (Gastarbeiter), através do qual entraram na Alemanha milhões de turcos desejosos de beneficiar da reconstrução do pós-guerra. Erdoğan disse que visitará a Alemanha para assinalar esse aniversário.
"Propomos que em cada cidade onde há pessoas de origem turca, aproveitemos esse acontecimento para fazer o ponto da situação, ver em que ponto estamos e o que ainda pode ser feito", disse Merkel.
O primeiro-ministro turco retomou hoje perante a imprensa algumas posições que tem assumido e que têm provocado polémica na Alemanha.
Uma das declarações que mais críticas suscitou foi proferida em Fevereiro de 2008, num discurso em Colónia, no qual Erdoğan afirmou que "ninguém pode exigir (dos turcos) a assimilação", que "é um crime contra a humanidade" porque corresponde "a obrigar" uma pessoa a abandonar a sua cultura e as suas tradições.
Hoje, ao lado de Merkel, Erdogan frisou as diferenças entre assimilação e integração.
A integração dos imigrantes, em especial dos muçulmanos, voltou a estar no centro do debate público na Alemanha depois da divulgação em Agosto de um documento de um antigo dirigente do Banco Central onde se afirma que os muçulmanos improdutivos e mal educados tornam o país "mais estúpido".
O debate voltou a inflamar-se quando o presidente alemão, Christian Wullf, afirmou que o Islão faz parte da Alemanha, no discurso por ocasião dos 20 anos da reunificação, a 3 de Outubro.
Sobre o processo de adesão da Turquia à EU, Merkel afirmou: "Naquilo que pudermos ajudar, lá estaremos. Não se podem permitir atrasos neste processo".
Merkel acrescentou todavia que se trata de um processo com final aberto e sem prazos nem resultados estabelecidos.

(Fonte: Jornal de Notícias)

07 outubro 2010

Estudantes turcos à descoberta de Gaia

Mário Fontemanha, vereador da câmara municipal de Vila Nova de Gaia, deu as boas-vindas a um grupo de alunos e professores turcos e polacos e, também da escola EB2/3 Soares dos Reis, esta tarde, na assembleia municipal de Gaia, no âmbito do projecto europeu "Comenius".

Maria Lurdes Pinto, coordenadora do projecto e professora de Inglês na EB 2/3 Soares dos Reis, explicou que, integrado no "Comenius" (um sub-programa sectorial do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida), criaram o "I Hug You In My World" (Abraço-te no Meu Mundo), um programa que envolve estudantes de Portugal, da Polónia e da Turquia que comunicam entre si em Inglês. Cada país tem como objectivo principal dar a conhecer a respectiva realidade cultural, a nível histórico, arquitectónico e gastronómico, a par com os costumes e as tradições: "Levámos os meninos a Istambul, onde fomos muito bem recebidos. Em Maio, vão ter a oportunidade de ir à Polónia. Agora coube-nos recebê-los. E recebemo-los de braços abertos, tal como o nosso projecto diz: Abraçá-los no nosso mundo!"

São objectivos do referido projecto europeu reforçar o contributo da aprendizagem ao longo da vida para a coesão social, a cidadania activa, o diálogo intercultural, a igualdade entre homens e mulheres e a realização pessoal. O projecto europeu pretende igualmente promover a aprendizagem de línguas, além de apoiar o desenvolvimento de conteúdos, serviços, pedagogias e práticas inovadoras, baseado nas Tecnologias de Informação e Comunicação.

Tendo em conta que um dos objectivos do projecto é a mobilidade, Maria Lurdes Pinto acrescentou; "Só convivendo com os outros e estando em contacto com outras realidades diferentes é que conseguimos perceber que, na verdade, apesar das diferenças, somos todos iguais. E só assim aceitamos os outros."

"Quando visitámos a Turquia, o grupo foi recebido pelo ministro da Educação Regional. Trazê-los à assembleia municipal tem a ver com a comunidade e as entidades que deverão estar presentes nestes projectos e deverão mostrar que também fazem parte dessa abertura e desse abrir os braços e querer que os outros façam parte do nosso mundo. Por isso, quisemos que eles fossem recebidos por uma personalidade municipal", concluiu Maria Lurdes Pinto.

(Fonte: Gaia Global)

05 outubro 2010

Embaixador da Turquia em Portugal: "Sistema antimíssil deve abranger todos os países da NATO"

O sistema de defesa antimíssil deverá abranger, sem excepção, todos os países da NATO, mas o diálogo permanece como principal prioridade para a resolução de conflitos, disse em entrevista à Lusa o embaixador da Turquia em Portugal.
"Consideramos que a totalidade dos territórios da Aliança deveriam ser cobertos por este sistema. Nenhum país aliado deverá ser deixado à margem. Isto é importante," referiu Ali Kaya Savut, 56 anos, e representante diplomático de Ancara em Lisboa desde Agosto.
Ao analisar as ameaças que têm sido delineadas pela Aliança, e numa óbvia referência ao diferendo em torno do programa nuclear do Irão, manifestou-se pela necessidade de se privilegiar a abordagem política e diplomática. "Não deverá existir qualquer declaração que torne ainda mais difícil a solução diplomática de problemas que possam existir com outros países," precisou.
Em Maio, a Turquia, Brasil e Irão firmaram um acordo sobre a troca de urânio enriquecido, criticado no Ocidente e que não implicou o levantamento das sanções internacionais a Teerão ou o congelamento do programa nuclear de Teerão. Apesar de garantir que Ancara respeita as sanções económicas decretadas pela ONU, Ali Savut também reconheceu que a Turquia está a "tentar reforçar" as relações económicas com o seu vizinho. "Tal como sucede com alguns países da UE, temos boas relações económicas com o Irão porque a interdependência económica também fomenta a paz e estabilidade na região. Não apenas em relação ao Irão, também para outros países. E este é um princípio da UE, promover a interdependência económica para garantir paz e estabilidade numa região. É o que fazemos com o Irão, é a nossa abordagem face ao Irão."
Em paralelo, o embaixador turco confirmou o reforço das relações bilaterais com o Brasil, recordando que Ancara "tem uma política de abertura em relação aos países da América Latina", e disse que os dois países já integram o G20. "Somos o que se designa por países emergentes, somos populares destinos turísticos e entre os nossos políticos também existem relações de amizade que facilitam as relações bilaterais."
Numa referência específica ao Afeganistão, outra questão onde a Turquia permanece envolvida, Ali Savut recordou os "laços históricos e tradicionais" entre os dois países, e admitiu que na cimeira da NATO em Lisboa vão ser tomadas decisões sobre o anunciado "período de transição". Mas não deixou de revelar apreensão face ao actual cenário: "Após o período de transição, digamos entre 2011 e 2013, o Afeganistão não deve ser abandonado. Por isso, estamos a organizar um conjunto de iniciativas com actores regionais focadas no Afeganistão e que incluem, por exemplo, o Paquistão. A Turquia também possui o maior programa de cooperação internacional com o Afeganistão, para nós é uma questão especial. Após o período de transição o Afeganistão não será abandonado." O representante de Ancara admite ainda que "a grande questão é saber se a intervenção no Afeganistão foi um sucesso ou um falhanço". Um assunto também agendado para a cimeira da NATO de 19 e 20 de Novembro. "Não penso que tenha sido um falhanço, mas o assunto será debatido em Lisboa," confirmou.

(Fonte: Lusa)

28 setembro 2010

Um dia a Turquia conduzirá a UE


A Turquia ainda nem sequer é membro da UE, mas o vice-primeiro-ministro turco, Ali Babacan, já reivindica um papel de primeiro plano para o seu país. E com o seu crescimento económico e demográfico, arrisca-se mesmo a consegui-lo, escreve Die Presse.
“Se a Turquia se tornar membro da UE, não ficará na segunda fila e é por isso mesmo que a nossa adesão preocupa tanto alguns países como a Alemanha e a França”, declarou orgulhosamente o vice-primeiro-ministro turco, Ali Babacan, à margem da assembleia geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Este desejo de ver a Turquia desempenhar um papel de relevo baseia-se em factos sólidos: com um crescimento económico que, este ano, deverá atingir os 7%, uma influência crescente no sector energético, onde é uma placa giratória, e um potencial praticamente inesgotável de recursos humanos, o país passou recentemente para a via rápida da Europa.
Actualmente, a Turquia é a 17.ª economia do mundo. Na opinião dos especialistas, dentro de 20 anos deverá estar entre as dez primeiras e ultrapassar países como a Espanha e a Itália. Ao mesmo tempo que irá, segundo as previsões da IIASA [Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados] e do Vienna Institute of Demography [Instituto Demográfico de Viena], contar com 85,5 milhões de habitantes e ultrapassar o maior país da Europa, a Alemanha, no que diz respeito à população.
Se a Turquia conseguir entrar na UE, apesar da resistência de países como a Áustria, a Alemanha ou a França, dominará a orientação política das instituições europeias. Actualmente, já seria a segunda maior influência no parlamento europeu e estaria em pé de igualdade com os grandes países no conselho da UE.
Apesar de as estruturas do poder deverem, nos próximos anos, adaptar-se progressivamente às regras do Tratado de Lisboa, nada disso mudaria grande coisa para a Turquia. A sua influência deverá até aumentar por causa do grande crescimento da sua população, porque o número de lugares no parlamento ou as novas maiorias no conselho dependem, antes de mais, do número de habitantes.
Na sua qualidade de grande país, a Turquia poderia não apenas fazer passar as suas decisões, como também bloquear as que não lhe conviessem. O Tratado de Lisboa prevê que, a partir de 2014, os países que representem, em conjunto, 35% da população da UE constituirão uma minoria de bloqueio. Isto significa que Ancara poderia, por exemplo, a par de Londres, Madrid e Varsóvia, levantar obstáculos a todas as medidas apresentadas por Paris e Berlim. O domínio do eixo franco-germânico seria quebrado.
O que é que a entrada da Turquia na UE mudaria politicamente? A política externa e a segurança virar-se-iam ainda mais para os Estados Unidos, dizem os diplomatas europeus. Em matéria de política comercial, Ancara defenderia ainda mais o comércio livre do que os países que estão há mais tempo na UE. Ancara promoveria, muito provavelmente, uma maior cooperação em matéria de segurança interna, mas seria um travão no que diz respeito aos direitos civis, nomeadamente na proteção de dados informáticos.
Babacan disse, em Nova Iorque, que a União Europeia ganharia importância na cena internacional com a entrada da Turquia. “O peso da economia europeia no mundo é pequeno e vai continuar a diminuir. Só com o alargamento a UE será capaz de preservar o seu poder e a sua influência."
Uma opinião também defendida por Gerhard Schröder num artigo para o Welt-Online. “Sem a Turquia, a UE mergulhará na mediocridade”, declarou o antigo chanceler social-democrata, lembrando as altas taxas de crescimento daquele país. Só este ano a economia turca crescerá quatro vezes mais do que a da França e duas vezes mais do que a da Alemanha. Schröder afirma que, dentro de 20 anos, a Turquia será a quarta ou quinta economia europeia. Seremos, então, obrigados a passar por ela.

(Fonte: Presseurop)

24 setembro 2010

Embaixadora de Portugal na Turquia admite encerrar temporariamente a embaixada

A embaixadora de Portugal na Turquia, Luísa Bastos de Almeida, admite propor o encerramento temporário das instalações diplomáticas naquele país se o governo não resolver alguns dos problemas com que se depara, avança a agência Lusa.
A questão tem sido suscitada pela diplomata através de telegramas enviados para o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). "Lamento, mais uma vez, dever voltar à questão da precariedade da prestação serviços desta embaixada", lê-se num dos telegramas a que a Lusa teve acesso. "Face à ausência de reacção das autoridades portuguesas, vejo cada vez mais próximo o momento em que me verei obrigada a propor a V.Exa o encerramento temporário desta secção consular e embaixada por estarmos, afinal, nestas circunstâncias, a contribuir para uma imagem que considero indigna do nosso país", afirma Luísa Bastos de Almeida na mensagem.
A Agência Lusa tentou falar com a diplomata para esclarecer quais os problemas com que se depara e qual a gravidade da situação para colocar em cima da mesa a possibilidade de se encerrar temporariamente a embaixada, mas a embaixadora remeteu quaisquer explicações para o MNE.
Contactada pela Lusa, a assessora do MNE confirmou apenas que "há problemas, cuja resolução está em curso." A mesma fonte disse ainda que "Estão a encontrar-se soluções para resolver os problemas" daquela embaixada, não adiantando, no entanto, quais os problemas.
A assessora não confirmou que o MNE tenha recebido o telegrama em que a embaixadora admite que poderá propor em breve o encerramento temporário da representação diplomática portuguesa em Ancara.

(Fonte TVI24)

13 setembro 2010

Referendo aprovou alterações à constituição

Cerca de 50 milhões de eleitores turcos foram ontem convocados para um referendo sobre emendas à constituição turca. Encarado por muitos como um teste de confiança ao governo conservador pró-islâmico do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), o projecto, que inclui 26 emendas, tem como objectivo central a redefinição das relações de força entre o poder político e a hierarquia judicial e eliminar a herança da constituição de 1980, elaborada durante o regime de ditadura militar. "Uma das grandes mudanças do pacote de reformas passará por romper com o sistema de castas do poder judicial", disse, sob anonimato, um conselheiro do primeiro-ministro turco, à CNN.
Ao fim do dia, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan acabou por confirmar os números que se esperavam: 58% dos turcos aprovaram a revisão constitucional. "O 12 de setembro será um ponto de viragem na história democrática da Turquia", disse, referindo ainda que "o povo escreveu uma etapa histórica".
Defendendo que as alterações à constituição iriam levar uma maior liberdade e democracia ao país, Erdoğan esgotou as últimas horas de campanha, na sexta-feira, a percorrer Istambul para tentar convencer os indecisos: "Existirá algo mais inteligente e significativo do que a passagem de uma constituição de golpe de Estado para uma constituição das pessoas?", questionou Erdoğan, referindo-se ao facto de que o documento em vigor foi introduzido na sequência do golpe militar de 12 de Setembro de 1980 - ou seja 30 anos antes da realização do referendo. Entre as medidas, destacam-se alterações ao sistema judicial, restrições ao poder dos tribunais militares, a abolição da imunidade que protege os líderes do golpe de Estado, igualdade de géneros e uma maior protecção de crianças, idosos e deficientes.
Segundo os analistas, o referendo materializa o último confronto entre o partido islâmico de Erdoğan e a tradição secular turca, que há oito anos (altura em que o AKP assumiu a liderança do país) disputam o poder. "Começou como um referendo sobre uma reforma constitucional, mas rapidamente se tornou num confronto entre governo e oposição", explicou o jornalista, Andrew Finkel, residente em Istambul. Enquanto o Partido Republicano do Povo (CHP, "pró-laico") e o Partido de Acção Nacionalista (direita) apelaram à rejeição das refomas em nome da "separação de poderes", a formação pró-curda Partido da Paz e da Democracia (BDP) exigiu o boicote.
"Independentemente de quem ganhar, a guerra não vai parar", garantiu Mustafa Avci presidente adjunto do BDP.
"Ninguém escuta ninguém. Muitos não sabem o que vão votar. Uma polarização tão profunda, exacerbada pela retórica dos líderes políticos na campanha, constitui uma séria ameaça para a democracia neste país, já tão polarizada sobre assuntos como o laicismo, as tensões com a minoria curda ou outros", afirmou um observador à agência EFE.
Ontem houve vários momentos de tensão no sudeste da Turquia, quando as forças de segurança enfrentaram activistas turcos que tentavam boicotar a ida às urnas. Segundo a agência turca Anadolu, 50 pessoas foram detidas nas províncias de Van e Batman por quererem forçar os eleitores a boicotar o referendo. Já a agência pró-curda Fırat informou que as forças de segurança obrigaram os activistas a votar, uma vez que o voto é exigido pela legislação turca.
A Comissão Europeia definiu a revisão constitucional turca como "um passo na boa direcção" apesar de ter alertado que "será decisiva a forma como for aplicada". Os sectores "laicos" da Turquia encaram a reforma com muita apreensão, ao contrário do governo que assegura que a iniciativa política é um "passaporte" para o país poder aderir à União Europeia e contribuirá para "desmilitarizar" a Turquia e melhorar a democracia no país.

(Fonte: i)

A maioria dos Turcos disse "Evet" às mudanças na constituição

Os eleitores turcos aprovaram domingo um pacote de alterações de fundo à constituição do país, a qual tinha sido elaborada há quase três décadas, durante o regime militar. As mudanças que já tiveram o apoio expresso dos Estados Unidos e da União Europeia, destinam-se a aproximar a legislação turca da que está em vigor na União Europeia, que a Turquia espera, um dia, vir a integrar.

Segundo a televisão estatal TRT, com 99 por cento dos boletins já contados, 58 por cento dos eleitores turcos votaram "Sim" às mudanças constitucionais. Outros 42 por cento escolheram o "Não", dando ouvidos aos argumentos da oposição, de que as reformas propostas iriam limitar a liberdade dos tribunais.
A referendo estavam 26 alterações à lei fundamental, que foi elaborada após o golpe militar de 1980. As modificações propostas tinham-se tornado num cavalo de batalha entre o actual Governo de inspiração islâmica e as elites tradicionais, incluindo os militares, que temem qualquer ameaça aos princípios seculares que regem a Turquia.
A afluência às urnas foi de 78 por cento, e o resultado do referendo pode ser visto como um voto de confiança no Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) no poder, antes das eleições previstas para o próximo ano.
Ao comentar os resultados, o primeiro-ministro Tayyip Erdoğan disse: "Atravessámos um limiar histórico para o avanço da democracia e supremacia da lei. O regime de tutela na Turquia, chega a partir de agora ao fim" disse o chefe do governo, acrescentando que os que na Turquia têm entusiasmo por golpes militares terão, a partir de agora, de o manter refreado.

Suspeitas da oposição
A oposição acusa Erdogğan e o seu partido, que tem as suas raízes no islão político, de tentar tomar o controlo do sistema judiciário, no quadro de uma agenda de islamização do Estado turco, "pela porta de trás".
Opinião diferente tem o líder do Partido de Acção Nacionalista da Turquia, Devlet Bahçeli, um grupo nacionalista da linha dura, que avisou que as mudanças constitucionais iriam enfraquecer o Estado e encorajar os rebeldes curdos que procuram autonomia. Segundo ele, a Turquia entrou "numa era cheia de graves riscos e perigos".
Por outro lado, um partido curdo apelou aos seus apoiantes para que boicotassem o voto, argumentando que as alterações propostas não avançam os interesses desta minoria étnica.

Aprovação internacional
No entanto, a expressiva aprovação que os eleitores turcos deram às mudanças propostas foi saudada internacionalmente.
Uma declaração emitida pela Casa Branca, diz que o Presidente dos EUA, Barack Obama, reconheceu "a pujança da democracia turca", na grande afluência registada no referendo.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Guido Westerwelle, disse que o voto era "crítico" para a ambição da Turquia em integrar a União Europeia. "Esta discussão na sociedade acerca da forma concreta do balanço de poder no Estado é muito bem-vinda" disse o chefe da diplomacia alemã numa declaração.
A Comissão Europeia juntou-se aos que saudaram os resultados do voto. "Como temos vindo a dizer consistentemente nos últimos meses, estas reformas são um passo na direcção certa, uma vez que vêm satisfazer um grande número de prioridades de longa data nos esforços da Turquia para cumprir em pleno com os critérios de acesso", disse numa declaração o comissário europeu do Alargamento Stefan Fuele.

(Fonte: RTP)