google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

11 abril 2008

Durão Barroso discursou no Parlamento turco perante o olhar crítico do principal partido da oposição


O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, defendeu a interferência de Bruxelas nos acontecimentos políticos dos países candidatos e voltou a frisar a sua surpresa relativamente ao processo em tribunal contra o AKP, durante a sua primeira visita à Turquia desde que se tornou presidente da Comissão Europeia em 2004.
É a segunda vez que um presidente da Comissão Europeia visita a Turquia desde 1963.
Mantendo o seu olhar crítico relativamente ao processo legal que está a decorrer contra o partido do Governo (AKP), Durão Barroso disse ontem durante a sua visita a Ancara que o encerramento do partido do Governo não é uma acção usual num país democrático e estável. “Não podemos ficar indiferentes à não concordância de um país com os padrões da União Europeia. No entanto, respeitamos totalmente as decisões do Tribunal Constitucional,” disse Durão Barroso numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan no primeiro dia de uma visita crucial à Turquia.
Durão Barroso, acompanhado pelo comissário para o Alargamento da UE Olli Rehn, visitou o mausoléu do fundador da República da Turquia, Mustafa Kemal Atatürk, antes de se encontrar com o presidenete Abdullah Gül e com Erdoğan.
A oposição continua crítica relativamente a esta viagem do presidente da Comissão Europeia à Turquia, que coincide com o decorrer do processo judicial aberto no Tribunal Constitucional para encerrar o AKP (partido governante), e está a ser olhada por alguns como um apoio da UE ao Governo. Contudo, Barroso defendeu o envolvimento da Comissão Europeia nos acontecimentos políticos dos países candidatos.
“Se me perguntarem se eu fiquei surpreendido (sobre o processo judicial contra o partido do Governo), sim fiquei,” disse.
Barroso recusou comentar os detalhes do caso mas expressou o desejo de que o Tribunal Constitucional decida de acordo com a lei e com os princípios da UE.
Antes da sua chegada, Barroso enviou mensagens de secularismo e disse que o princípio do secularismo não pode ser imposto como uma religião. Na Turquia, Durão Barroso explicou o significado dessas suas palavras. “Existem diferentes formas de aplicar o secularismo. Por isso é que eu disse que o secularismo não é uma religião. O que é importante é a separação entre o Estado e a religião. Isso é o secularismo democrático.”
Por seu lado, Erdoğan disse, “Espero que esta visita seja um marco nas relações entre a Turquia e a UE,” sem mencionar o processo contra o seu partido. Reiterou a determinação do Governo em continuar com as reformas e pediu mais apoio à Comissão Europeia.
“Tenho a certeza de que serão abertos mais dois capítulos nas negociãções com a Turquia,” disse Barroso, sublinhando que a sua visita tem como objectivo o encorajamento do processo de reformas na Turquia, dizendo que ajudarão tanto a Turquia como a UE a atingirem um objectivo comum: a eventual adesão da Turquia à UE.
Uma das prioridades para a Turquia é o desenvolvimento da liberdade de expressão. Bruxelas insiste nos pedidos para a Turquia alterar ou eliminar ao artigo 301 do Código Penal, que é tido como um entrave à liberdade de expressão.
“A liberdade de expressão é muito importante mas eu não posso comentar a proposta actual,” disse Barroso, referindo-se à nova proposta do Governo de alteração do controverso artigo.

Durão Barroso falou no Parlamento turco

No seu discurso no Parlamento turco, Barroso não falou abertamente sobre o processo judicial contra o AKP, mas sublinhou a importância do fundador da Turquia Atatürk, que estabeleceu o Parlamento, criando um espaço legítimo para os cidadãos discutirem os seus problemas.
Barroso disse estar contente com as reformas levadas a cabo até agora na Turquia tendo em vista a adesão à UE. “É um trabalho comum que temos de fazer juntos. A abolição da pena de morte e dos tribunais do Estado, a supremacia das regulações internacionais sobre os códigos legais nacionais, o fortalecimento das igualdades entre mulheres e homens e os desenvolvimentos no código civil são bons exemplos,” disse Barroso, acrescentando estar satisfeito por saber que o Parlamento tomou medidas no sentido de diminuir os problemas das comunidades não muçulmanas da Turquia mediante alterações legais. "A Turquia precisa ainda de progredir nas relações entre a sociedade civil e o Exército, poder dos sindicatos, e nos direitos culturais, disse Barroso."
“A Comissão está totalmente consciente da ameaça terrorista no sudeste da Turquia. O PKK está em absoluto na lista de terroristas da UE,” disse Barroso, e sublinhou também que os direitos políticos e culturais dos Curdos deverão ser garantidos.
Barroso disse ainda que o nacionalismo está inteiramente de acordo com a integração no grande projecto que é o de ser membro da UE.

Durão Barroso encontrou-se com os partidos da oposição

Durão Barroso também se encontrou com os líderes dos partidos da oposição: Partido Republicano do Povo (CHP), Partido do Movimento Nacionalista (MHP) e Partido da Sociedade Democrática (DTP, pró-curdo).
A oposição criticou as visitas de Barroso e de Rehn. Em entrevistas concedidas minutos antes de Durão Barroso falar no Parlamento, Deniz Baykal, o líder do CHP, ameaçou abandonar o Parlamento se Durão Barroso falasse sobre o processo judicial que está a decorrer contra o partido do Governo (AKP).
Já o Partido MHP é contra qualquer alteração ao polémico artigo 301, defendendo que a autorização de qualquer insulto à identidade turca é inaceitável.

10 abril 2008

Durão Barroso avisa Turquia que proibição do partido do Governo terá consequências

Durão Barroso vai hoje e amanhã levar à Turquia uma mensagem de encorajamento das reformas necessárias para a adesão à União Europeia (UE), a par de um alerta implícito sobre o risco de interrupção do processo, em caso de proibição do partido AKP, no poder.
Para o presidente da Comissão Europeia, que decidiu manter uma visita prevista há longa data a Ancara e Istambul, apesar da crise político-institucional, "a Europa só pode aceitar uma Turquia democrática", com "um consenso sobre os valores democráticos", afirmou ontem. A análise em curso no Tribunal Constitucional de uma proposta de interdição do partido islamista moderado AKP e de mais de 70 dos seus membros, incluindo o primeiro-ministro, Recep Tayip Erdoğan, e o presidente da República, Abdullah Gül, acusados de querer criar um Estado islâmico, é "pelo menos fora do comum", afirmou Barroso. "Não é normal que um partido escolhido pela maioria do povo turco esteja sob este tipo de investigação." A Europa quer "uma Turquia secular e democrática" , insistiu, e não é possível "impor o secularismo pela força".
A visita, a terceira de um presidente da Comissão - depois de Walter Hallstein, nos anos 1960 e de Romano Prodi, em 2004 -, pretende marcar o apoio europeu à adesão de Ancara. Isto, através do "encorajamento das reformas" necessárias para alinhar a Turquia com as normas e valores da UE: liberdade de expressão, melhoria do controlo do poder político sobre o militar, garantia dos direitos e liberdades da minoria curda e das minorias religiosas ou luta contra a corrupção. Particularmente importante será a supressão do artigo 301 do Código Penal, que criminaliza os propósitos "antiturcos" e que já levou a tribunal vários intelectuais, incluindo o escritor e prémio Nobel Orhan Pamuk. Frisando que este artigo é "incompatível com a liberdade de expressão" defendida pela UE, Barroso considerou "um passo na direcção certa" a proposta para a sua alteração apresentada esta semana por deputados do AKP.
Para a UE, as reformas são cruciais para permitir o avanço das negociações de adesão, iniciadas em Outubro de 2005. Desde então, os 27 só abriram as conversações (obrigatoriamente por unanimidade) em seis dos 35 capítulos do direito comunitário (estatísticas, controlo financeiro, investigação científica, política industrial, protecção dos consumidores e redes transeuropeias). Barroso conta confirmar durante a visita a abertura, antes de Junho, de dois novos capítulos (direito das empresas e propriedade intelectual), e de mais dois ou três até ao fim do ano (como a energia ou a educação). Oito capítulos, ligados aos transportes e livre circulação de mercadorias, permanecerão congelados, enquanto a Turquia não abrir os portos e aeroportos aos navios e aviões de Chipre, um passo que Ancara condiciona à resolução do problema da divisão da ilha entre as comunidades grega e turca. O tom mais moderado assumido pelo novo presidente da República cipriota, Demetris Christofias, abriu uma nova fase de esperança nas negociações para a reunificação da ilha, que, a confirmar-se, impulsionará as aspirações de Ancara.
A adesão de Ancara continua a contar com a oposição da França, Chipre, Áustria, ou, de forma mais discreta, da Alemanha. Paris, que presidirá à UE no segundo semestre deste ano, aceita a abertura dos capítulos que permitam desembocar numa "parceria privilegiada", a solução que prefere à plena integração de Ancara. Ao invés, os Franceses recusam negociar questões expressamente ligadas à adesão, como a agricultura, política regional, orçamento, instituições ou união económica e monetária.

(Fonte: Público)

09 abril 2008

Durão Barroso visita Turquia "preocupado" com crise interna e para encorajar reformas

Durão Barroso realiza entre quinta-feira e Sábado uma visita oficial à Turquia, "preocupado" com a crise política interna e com uma "mensagem de encorajamento das reformas em curso", essenciais para a eventual adesão à União Europeia.
Apontando que a visita, agendada já há alguns meses, se dá "num momento especialmente importante", o presidente da Comissão Europeia sublinhou hoje que "a Europa obviamente só pode aceitar uma Turquia democrática, onde haja um consenso básico sobre os valores democráticos", razão pela qual segue com preocupação a actual situação no país.
Barroso, que falava numa conferência de imprensa em Bruxelas, referia-se à recente decisão do Tribunal Constitucional da Turquia de abrir o processo para a ilegalização do partido no governo, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islamita moderado), por alegada acção contra o laicismo oficial do Estado.
"Estamos naturalmente preocupados com estas recentes evoluções, que são, pelo menos, fora do comum. Não é comum em nenhum país democrático estabilizado que haja um processo contra a maior força política e que as próprias figuras do Estado estejam elas próprias acusadas nesse processo", comentou, fazendo votos para que o processo "seja resolvido no pleno respeito pelo Estado de Direito e também pela democracia e vontade maioritária dos cidadãos turcos".
Assinalando que nesta sua deslocação - a primeira ao país enquanto presidente da Comissão - vai "ouvir as diferentes opiniões que existem na Turquia", tendo previstos encontros com o presidente da República, o primeiro-ministro, os partidos da oposição com assento parlamentar e ainda com associações económicas e líderes de opinião, Durão Barroso afirmou que leva "uma mensagem de encorajamento das reformas" e também uma ideia já manifestada segunda-feira em Lisboa. "Vou enviar à Turquia uma mensagem que é essencialmente esta: é essencial que a Turquia faça ver à Europa o interesse da Europa na adesão da Turquia. Nós, Europeus, temos que demonstrar aos Turcos o nosso interesse na Turquia, mas a Turquia tem de mostrar à Europa o que é que a Europa ganha com a Turquia", disse.
Nesta sua viagem, Barroso será acompanhado pelo comissário europeu para o Alargamento, Olli Rehn, estando previstas deslocações a Ancara e Istambul.
Os 27 iniciaram oficialmente negociações de adesão com a Turquia em Outubro de 2005, as quais estão organizadas em 35 capítulos temáticos, mas as conversações têm decorrido a um ritmo muito lento, tendo sido abertos apenas seis até hoje, os dois últimos dos quais durante a presidência portuguesa da UE, no segundo semestre de 2007.
O processo conheceu um grande revés em Dezembro de 2006, quando, devido à recusa de Ancara em abrir os portos a Chipre (membro da UE desde 2004), Bruxelas decidiu congelar oito dos 35 capítulos da negociação, todos eles relacionados com o Protocolo de Ancara de livre comércio entre a UE e a Turquia.
A ameaçar também seriamente o processo conta-se ainda a forte oposição a uma adesão da Turquia por parte do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que no segundo semestre deste ano presidirá à União Europeia.

(Fonte: RTP)

08 abril 2008

Durão Baroso: Turquia deve "convencer a Europa"

O presidente da Comissão Europeia considerou, ontem, que a Turquia pode vir a ser membro da União Europeia, se respeitar todos os critérios, mas defendeu que o país deve convencer a Europa que é do interesse desta a sua integração.
"A Turquia pode vir a ser membro da UE se respeitar todos os critérios", declarou José Manuel Durão Barroso, adiantando, no entanto, que a sua integração "põe problemas de uma grande sensibilidade" e que há países europeus contra a adesão. Tendo em conta que a adesão à União exige a unanimidade dos Estados membros e que se ganha "também pelas opiniões públicas", Durão Barroso defendeu que os Turcos devem "convencer a Europa" que é do interesse desta "integrar a Turquia".
O presidente da Comissão Europeia, que inicia a 10 de Abril uma visita oficial à Turquia, respondia a perguntas após a realização de uma conferência na Faculdade de Letras de Lisboa sobre "A Europa e os desafios da Globalização", no âmbito dos 10 anos da licenciatura em Estudos Europeus. Segundo Durão Barroso, a visita à Turquia, a terceira de um presidente da Comissão Europeia ao país, "é muito importante". A visita visa acompanhar o processo de reformas de aproximação do país à UE e ocorre no meio das disputas internas na Turquia entre o governo islamita e o Estado laico. Durão Barroso é acompanhado pelo comissário europeu para o Alargamento, Olli Rehn, que já criticou a decisão do Tribunal Constitucional da Turquia de abrir o processo para a ilegalização do partido no governo, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islamita moderado), por alegada acção contra o laicismo oficial do Estado. O comissário reiterou também que essa decisão do Tribunal Constitucional turco pode ameaçar a futura adesão do país à UE.
A propósito das adesões ao espaço comunitário, o presidente da Comissão Europeia declarou que "a Croácia será o 28 Estado membro, os países balcânicos poderão ser o conjunto seguinte e a Turquia poderá vir a seguir".

(Fonte: SIC)

06 abril 2008

Erdogan está ameaçado e precisa da UE


Artigo de Yavuz Baydar, colunista do jornal turco Today’s Zaman

O mais alto tribunal da Turquia tem de se pronunciar sobre dois pedidos de interdição de dois partidos presentes no Parlamento, um dos quais tem a maioria. Qual a gravidade da situação?

A Turquia está a mergulhar na pior crise desde o golpe militar em 1980. Dois dos cinco partidos com representação parlamentar estão ameaçados de serem banidos. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) e o pró-curdo DTP conseguiram quase 54 por cento dos votos nas eleições de Julho do ano passado e, juntos, têm 360 lugares no Parlamento. Nas províncias predominantemente curdas no Sudeste, estes partidos obtiveram 90 por cento dos votos. Todas as minhas fontes credíveis estão convencidas de que ambos vão ser mesmo banidos – portanto, os dois processos parecem já irreversíveis. As consequências na cena política e social são inimagináveis. O sistema pode não entrar em colapso, mas dizer que a situação é precária do ponto de vista da democracia é muito pouco.

Os apoiantes do AKP dizem que os procedimentos no Tribunal Constitucional são um golpe de Estado por meios legais. Pode dizer-se que são?

Há fortes sinais de uma acção legal bem engendrada para paralisar o AKP. Não é apenas uma acção legal, é uma acção política. Segue-se ao voto promovido pelo AKP – com a ajuda do ultranacionalista MHP e do pró-curdo DTP – para alterar a Constituição e autorizar o uso do véu islâmico nas universidades. Fora isso, não há muito mais no processo do que frases anti-seculares de deputados e presidentes de câmaras do AKP. É, de um ponto de vista legal, um caso ridículo, como tem sido descrito por muitos democratas na Europa. A acusação baseia-se num conjunto de discursos, mas o artigo 83 da Constituição garante a liberdade de todos os discursos – mesmo se eles constituírem um crime. Por isso, a acusação é inconstitucional e outra prova de quão politizado está o sistema judicial. O objectivo da “batalha legal” é derrubar [o primeiro-ministro Recep Tayyip] Erdoğan, invalidar o Governo e dividir o AKP – por esta ordem. A paralisia da democracia parlamentar está a tornar-se num facto.

Porquê?

Os prós e os contras podem ter sido calculados. O sistema burocrático nunca gostou do AKP. O processo de reformas tem sido consistentemente entendido como uma ameaça ao “sistema” que, aparentemente, queria uma erosão na maioria constitucional do AKP e a continuação de uma “velha ordem” sem os desafios de uma Constituição nova.

E o timing do caso contra o AKP?

O caso começou quando o AKP perdeu apetite por mais reformas europeias e demorou tempo a modificar o artigo 301 [que criminaliza o insulto à “identidade turca”]. Ao mesmo tempo, a aparente obsessão do AKP com o véu islâmico, a falta de comunicação e sinais contraditórios ajudaram a aumentar a tensão interna. Este clima pode ter proporcionado as condições perfeitas para a acção legal.

Como podem Erdoğan e [o Presidente Abdullah] Gül responder a esta acção? Se os líderes do AKP tentarem mudar a Constituição, o que acontece?

Erdoğan está perante a decisão “ser ou não ser”. Ele dá sinais de que vai ripostar com o mandato dado ao AKP nas eleições. Pode pegar em duas alterações constitucionais (que tornariam a proibição de partidos políticos muito mais difícil”) e levá-las a referendo. Tem uma maioria à justa para o fazer. Por isso, tem de fazer com que o AKP se mantenha unido. Mas pode haver dissidência e cisão no partido. Recep Erdoğan pode ainda tentar contar com os votos do pró-curdo DTP, mas o risco é que seja acusado de “cooperação com terroristas”. Além disso, o DTP quer do AKP que as acusações de separatismo violento não sejam razão para banir partidos. E isso não deve acontecer. Por isso, a liderança do AKP está a trabalhar num “pacote de liberdade”, que inclua mudanças constitucionais, leis dos partidos políticos e leis eleitorais e tenta chegar a consenso no Parlamento.

Se o AKP o fizer sozinho...

Pode levar as alterações (a interdição dos partidos) a referendo, com a aprovação de Gül, mas o CHP vai recorrer de novo ao Tribunal Constitucional. O tribunal irá – com certeza – decidir não apenas pela continuação da proibição do véu islâmico com base na actividade anti-secular (como quer o CHP) mas também – numa fase posterior – declarar o resultado do futuro referendo inválido com a mesma referência – “actividade anti-secular”. Por outras palavras, o acordo está feito. O AKP está encurralado, e apenas uma batalha democrática com a mesma aliança reformista pode quebrar este círculo vicioso. É possível ao AKP fazer campanha por reformas europeias, incluindo uma nova Constituição, com nova mobilização de massas? É muito difícil de dizer. Acho que não.

O que sabemos sobre a popularidade de Erdoğan na opinião pública turca? Aumentou ou diminuiu desde as eleições?

Algumas sondagens do mês passado mostram que o AKP está agora acima dos 50 por cento.

O que deve a UE fazer agora?

Se Erdoğan estiver determinado a fazer mais reformas políticas no espírito da UE, os líderes europeus – todos e cada um deles – deveriam telefonar-lhe e até apoiá-lo publicamente. Isto despertaria o entusiasmo sobre a Turquia na UE e causaria certamente dificuldades nos círculos antidemocráticos.

É possível definir o papel de Deniz Baykal, líder da oposição social-democrata?

Se fizermos um flashback aos discursos muito ameaçadores de Baykal ficamos com a impressão de que ele sabia que o AKP ia ser acusado antes mesmo de se tornar público. Agora tem sido muito favorável à opção de banir tanto o AKP como o DTP. Não tem mostrado qualquer interesse em defender a democracia turca. A Internacional Socialista devia mesmo considerar expulsar o partido de Baykal por este motivo. O CHP não é um partido político, é parte do aparelho do Estado, serve os interesses dos burocratas. Não devia ser membro da Internacional Socialista porque não está a defender a democracia.

(Fonte: Público)

04 abril 2008

Protestos e detenções na passagem da chama olímpica por Istambul

Oito pessoas foram presas durante a passagem da tocha olímpica por Istambul.
Os manifestantes detidos protestavam contra a China e a favor da independência do Turquistão Oriental, região pertencente à província de Xinjiang.
Segundo informações da imprensa turca, os protestantes pertenceriam ao grupo Alperen Ocakları, de ideologia ultranacionalista.
Os protestos tiveram início quando a patinadora Tuğba Karademir acendeu a chama olímpica.
Os protestos, no entanto, não afectaram a passagem da tocha por Istambul.

(Fonte: A Tarde)

Chipre: Ban Ki-moon saúda abertura da Rua Ledra

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU) saudou hoje a abertura da Rua Ledra no centro de Nicósia dividida, que classificou de "símbolo de um novo clima de esperança" para a reunificação insular.
Um comunicado distribuído na sede da ONU em Nova Iorque destaca que esta artéria em pleno centro da capital cipriota foi encerrada em 1963, quando se começaram a agudizar as hostilidades entre as comunidades cipriotas grega e turca, escassos três anos depois da independência do Reino Unido.
O texto sublinha a determinação da ONU em contribuir para o "delicado processo" negocial recentemente retomado pelas partes, para a reunificação da ilha.
A Rua Ledra liga as partes grega e turca de Nicósia, através da "linha verde" (zona tampão) da ONU.
Chipre está dividido desde 1974, ano das duas invasões militares consecutivas da Turquia, para impedir a anexação à Grécia - como pretendiam golpistas cipriotas-gregos - e a "limpeza étnica" dos cipriotas-turcos por um grupo terrorista ultra-nacionalista helénico (EOKA-B).
O contencioso ficou desbloqueado com a eleição, há dois meses, do novo presidente cipriota, Demetris Christofias, que se reuniu com o líder cipriota-turco Mehmet Talat a 21 de Março, anunciando o reatar das negociações para Junho.

(Fonte: RTP)

Chipre: Aberta passagem simbólica em Nicósia

Um novo ponto de passagem encerrado há 45 anos foi ontem aberto no centro de Nicósia, a última capital dividida do mundo, assinalando uma etapa simbólica nos esforços de reunificação de Chipre.
Representantes das edilidades cipriota grega e turca assistiram à cerimónia de abertura do novo ponto de passagem na zona tampão de Nicósia, administrada pela ONU, que separa o norte e o sul da capital.
A vedação metálica que impedia o acesso à terra de ninguém do lado cipriota-grego de Nicósia foi retirada antes do amanhecer.
Em Março de 2007, as autoridades cipriotas-gregas demoliram o muro que separava os dois sectores norte e sul para o substituir por uma simples vedação em chapa metálica, dois anos depois do derrube do muro no sector turco.
Foi esta vedação, bem como um posto de guarda anexo, que foram desmantelados por uma dezena de soldados na rua Ledra, uma popular rua pedonal de comércio e cafés na parte antiga da dividida capital.
As barreiras desta rua foram a primeiras a ser erguidas em Nicósia na sequência das violências entre as duas comunidades cipriotas em 1963.
Estes incidentes levaram no ano seguinte à intervenção da ONU, que desde então mantém forças estacionadas na ilha.
Chipre está dividida desde 1974, após uma invasão da Turquia em resposta a um golpe de Estado de apoiantes da junção de Chipre com a Grécia.

(Fonte: RTP)

01 abril 2008

Primeiro-ministro turco diz que o seu partido se defenderá das acusações

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, disse hoje que os seus correligionários defenderão de forma tranquila e responsável o governante Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) no processo aberto pelo Tribunal Constitucional para julgar a sua legalidade.
"Convocamos a nossa gente a não dar nenhuma oportunidade às provocações dos mercadores do medo. Desejamos e esperamos que a justiça, a democracia e a Turquia triunfem no final do processo", disse Erdogan ao grupo parlamentar do AKP.
"O nosso sistema democrático e judicial sairá fortalecido deste teste", afirmou o chefe do Governo. "Não pode haver uma diferença entre o Estado e a população. Trabalhamos para o bem do povo. O processo do Tribunal (Constitucional) foi iniciado. Não é um assunto pessoal. É um assunto da Turquia, um assunto do futuro do nosso povo", disse Erdoğan.
O Tribunal Constitucional da Turquia decidiu ontem realizar uma audiência sobre o processo de ilegalização do governante AKP, após solicitação, em 14 de Março, do Procurador Geral do Estado Abdurrahman Yalçınkaya.
O Procurador pede a ilegalização do AKP e a inabilitação política de 70 dos seus membros, incluindo o primeiro-ministro Erdoğan, com base no argumento de que o partido se transformou num núcleo de atividades contra o laicismo.

(Fonte: EFE)

Turkish Airlines pode utilizar este Verão um A330 em resultado do aumento de passageiros

A Turkish Airlines pode vir a utilizar um avião A330 em alguns voos entre Lisboa e Istambul neste Verão, em virtude da grande procura que se tem registado, e que já esgotou algumas partidas, disse Metine Kalyoncu, o director da companhia em Portugal.
"Em Julho, Agosto e Setembro há já voos que estão completos", afirmou o executivo, à margem da Caravana dos Líderes, que arrancou ontem em Lisboa.
No Verão, a Turkish vai substituir o B-737-800 com que opera actualmente, pelo A321, aumentando a capacidade de 167 para 181 lugares.
Até Junho as reservas já estão em 70% e o número de passageiros aumentou 18,2%, referiu o executivo, demonstrando alguma esperança em que este valor se mantenha.
Um dos planos da companhia é manter três voos no Inverno. "Poderá ser uma possibilidade, mas ainda não está definido”, refere Metine Kalyoncu.
Em 2007, a Turkish Airlines transportou 30 mil passageiros de Lisboa para Istambul, e 10 mil passageiros de Istambul para Lisboa, com um load factor de 59%.
“Do total de bilehtes nesta rota, 27% são emitidos na Turquia, o resto é em Portugal”, acrescenta ainda o executivo.

(Fonte: Presstur)