google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

19 maio 2014

Sensores da mina turca alertaram dias antes para alta concentração de gás tóxico

Os sensores da mina de carvão turca onde morreram 301 mineiros na semana passada alertaram, dois dias antes do acidente, para uma concentração pouco habitual de monóxido de carbono, informou, esta segunda-feira, o diário "Hürriyet".
O registo dos sensores, ao qual foi possível aceder através dos computadores apreendidos pela investigação ao acidente da semana passada, mostra um nível muito alto de monóxido de carbono dois dias antes da tragédia causada por uma explosão e pelo incêndio que se seguiu.
No entanto, a direcção da mina não tomou qualquer medida, segundo vários meios turcos.
A polícia turca deteve até agora 25 pessoas, entre as quais altos responsáveis da Soma Holding, a empresa gestora da mina de carvão de Soma, na zona ocidental do país.
Os detidos são suspeitos de homicídio "por negligência e descuidado" no mais grave acidente mineiro da história da Turquia.
Após serem interrogados, 15 dos detidos foram deixados em liberdade enquanto aguardam os próximos passos do processo, sendo possível que, esta segunda-feira, haja mais detenções, informou a imprensa local.
Entre os detidos há alguns altos dirigentes da empresa, nomeadamente o diretor geral, Ramazan Doğru, ou o director de operações, Akın Çelik.
Doğru e Çelik realizaram na semana passada uma polémica conferência de imprensa, juntamente com Alp Gürkan, o proprietário do grupo, na qual rejeitaram qualquer responsabilidade pelo acidente.
Can Gürkan, filho do proprietário da exploração também estará detido, segundo os media.
"Eu não sou responsável, os responsáveis são os especialistas em segurança laboral. Sinto-me muito mal pelo que aconteceu. Foram tomadas todas as medidas", disse Çelik, na sua primeira declaração judicial, segundo o diário Hürriyet.
O procurador responsável pelo caso, Bekir Sahiner, declarou à imprensa na noite de domingo que a tragédia ocorreu devido à queima de carvão dentro da exploração, devido ao incêndio inicial, o que libertou o monóxido de carbono que acabou com a vida dos trabalhadores.
Segundo o Hürriyet, há outros indícios de que a administração da mina ignorou repetidos avisos sobre as precárias condições de segurança, informa o diário.
Um sobrevivente do desastre afirma que duas semanas antes da tragédia ouviu um electricista advertir de forma insistente um dos supervisores sobre o mau estado de uns cabos elétricos, cujas faíscas poderiam provocar "um desastre".
 

Muhammed Çetin: "Erdoğan faz mal à Turquia"

Seguidor de Fethullah Gülen, Muhammed Çetin é autor de várias obras sobre o movimento Gülen, também chamado Hizmet (Serviço). Em 2011, aceitou ser candidato a deputado nas listas do AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento) e precisou de ser eleito para concluir que o primeiro-ministro é um “egoísta e um autoritário” que só “se move pela ambição pessoal”. Em ruptura com Recep Tayyip Erdogan, o Hizmet é um movimento com milhões de seguidores e uma rede de escolas e universidades em 160 países, às quais junta um império mediático, uma federação empresarial e associações empresariais. Os críticos falam em “sociedade secreta” e os nacionalistas turcos chegaram a acusar Gülen (que vive nos Estados Unidos desde 1998) de ser “agente da CIA”.
Os gulenistas defendem a modernização do islão e a separação entre política e religião. Gülen começou com campos de férias e a acabou por criar uma poderosa rede global. “A educação é o direito mais básico dado por Deus e garantido pela Constituição”, diz Çetin, que esteve em Portugal a convite da Associação de Amizade Luso-Turca, três meses depois de ter abandonado a bancada do AKP na sequência de um escândalo de corrupção que envolve o partido e pode chegar ao primeiro-ministro. Mantendo-se como deputado independente, diz que fará o que puder para mudar a Turquia através “do diálogo pacífico e do respeito mútuo”.
Quando é que descobriu Gülen?
Foi por volta de 1978 ouvi falar nele, mas só em 1980 é que me envolvi. Era o tempo do terrorismo e dos golpes de Estado na Turquia e eu era um activista político. As pessoas estavam a matar-se umas às outras e havia bombas a explodir, eu pensava que a violência não podia ser a solução para a Turquia. Voltei a ouvir uma série de conferências de Gülen e ele era completamente contra a violência. Dizia que se queríamos contribuir para o nosso país teríamos de o fazer através da educação, do diálogo, do entendimento e do respeito mútuos, e eu fiquei atónito. Pensei que era exactamente o que queria fazer. A educação fazia sentido e foi assim que me envolvi completamente com o movimento.
Mas trabalhou muito fora da Turquia.
Sim, estive cinco anos na Turquia mas completei a minha educação no Reino Unido e depois fui ensinar para os Estados Unidos. E foi quando lá estava que o primeiro-ministro me telefonou a perguntar se eu não queria candidatar-me a deputado por Istambul, mesmo não sendo eu membro do partido. Fui eleito, estive no Comité da NATO e fui vice-presidente do Comité dos Assuntos Externos. Pensámos que eles podiam beneficiar da nossa experiência. Na altura, a Turquia não estava com muito boas relações com os EUA e nós somos muito activos no diálogo intercultural e inter-religioso e na academia, pensámos que podíamos contribuir para diminuir a tensão.
Houve uma aliança entre o AKP e Gülen, mas isso foi algo discutido formalmente, planeado?
Não, nunca houve uma discussão formal sobre uma aliança, nós decidimos apoiar Erdogan e o seu partido porque ele disse que haveria uma nova Constituição, uma Constituição civil, disse que ia ser rápido no processo de adesão à União Europeia; que não haveria controlo sobre a sociedade civil; que as liberdades civis seriam alargadas; que não haveria mais nenhum conflito armado com os curdos… Era tudo o que nós queríamos e já defendíamos. A paz com os curdos é muito importante, faz-se através da educação e da melhoria das condições de vida. Nós acreditávamos em tudo o que ele dizia defender. Mas depois ele abandonou tudo isso, voltou atrás, envolveu-se na corrupção e lançou-se numa retórica dura e imparável e nós retirámos-lhe o apoio.
É verdade que o movimento se infiltrou nas forças polícias e na justiça, colocando membros em cargos importantes de várias áreas da função pública?
Eu chamo a atenção para uma série de acontecimentos e a irracionalidade da acusação de que nós estamos por trás das denúncias de corrupção ficará evidente. Primeiro, disse que o embaixador norte-americano estava por trás de tudo; depois, disse que os autores da conspiração eram a Alemanha, Angela Merkel e a Lufthansa, porque a Turquia ia construir o terceiro maior aeroporto da Europa e eles não queriam isso. Quando os alemães responderam com dureza, ele acusou lobbys – interrogado sobre a natureza desses lobbys, respondeu ‘Israel e a diáspora judaica’. Quando todas estas pessoas rejeitaram estas acusações ridículas, ele disse que os EUA e a Europa eram os autores das escutas [a membros do partido e ao próprio Erdogan] e que as tinham passado ao movimento Gülen para que nós as divulgássemos às suas ordens…
Mas se num determinado momento Erdogan e o movimento estiveram juntos é natural que várias pessoas tenham acedido a cargos importantes.
Nessa altura, 80% do AKP apoiava o nosso movimento, os filhos deles iam às nossas escolas, os filhos dos deputados também, acediam às bolsas do movimento. As pessoas estavam juntas. Quando tudo se tornou terrível, com este discurso de polarização, percebemos que a Turquia estava a perder e tivemos que desistir.
 
(Fonte: Público)

17 maio 2014

Balanço definitivo: Explosão na mina turca de Soma fez 301 mortos

As equipas de socorristas retiraram hoje os corpos de mais dois mineiros da mina de Soma e foi dada por encerrada a operação com um balanço definitivo de 301 mortos, anunciou o ministro da Energia da Turquia, Taner Yıldız.
"A missão de resgate chegou ao fim. Já não há nenhum mineiro no fundo da mina", disse Yıldız aos jornalistas, quatro dias após a explosão que devastou o local, na zona oeste da Turquia.
O acidente motivou uma nova onda de protestos contra o Governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, acusado de ter negligenciado a segurança dos mineiros e de ser indiferente à sua sorte.
 
(Fonte: Destak)

15 maio 2014

Tragédia em mina turca atinge o primeiro-ministro

Milhares de turcos protestaram quarta-feira nas ruas exigindo a demissão do primeiro-ministro, na sequência da explosão da mina de carvão em Soma, que vitimou pelo menos 282 mineiros, segundo o último balanço oficial. Cerca de 150 trabalhadores continuam soterrados no interior da mina, afirmou o ministro da Energia Taner Yıldız.
O Governo de Recep Tayyip Erdoğan é acusado de negligência por não salvaguardar a segurança dos trabalhadores do sector mineiro, que são alvo de frequentes acidentes no país. 
"Infelizmente estes acidentes são normais", declarou o primeiro-ministro turco, numa conferência de imprensa em Soma, citado pela BBC, enumerando várias tragédias que ocorreram no passado a nível mundial, incluindo acidentes mineiros na Grã-Bretanha durante o século XIX. E garantiu "todos os esforços" na operação de resgate e na investigação das causas do acidente. 
Chefe do Governo travado por manifestantes
A saída do local, o carro oficial de Recep Tayyip Erdoğan foi travado por manifestantes, obrigando o chefe do Governo turco a refugiar-se num supermercado até à chegada de reforço policial, refere o jornal turco "Today's Zaman". Oito pessoas foram detidas.
Também em Ancara cerca de 800 manifestantes tentaram marchar da zona universitária até ao Ministério da Indústria, em jeito de protesto, mas foram depois impedidos pela polícia, que usou gás lacrimogéneo e canhões de água.
Em Istambul, as autoridades recorreram também a canhões de água para dispersarem os manifestantes na Avenida de Istiklal, principal zona de comércio. O lema era comum: "Não foi um acidente, foi um assassinato", gritavam os manifestantes. 
Falta de segurança na mina 
Entretanto, um grupo de engenheiros, que está a investigar o caso, garante que a explosão não foi causada por uma falha elétrica, como foi inicialmente avançado. "A primeira inspecção revela que os sistemas de ar e de expulsão de gases na mina eram velhos e insuficientes", acusam os especialistas.  
Também a Confederação de Sindicatos Operários Revolucionários (DISK) denuncia a falta de segurança nas minas que são privatizadas, apelando para que a população saia para as ruas em protesto.
O deputado do Partido Popular Republicano (CHP), Özgür Özel, revelou também que 20 dias antes da tragédia o Parlamento tinha chumbado uma moção apresentada por todos os grupos parlamentares da oposição para se inspecionar a mina de Soma, o que aumenta as suspeitas sobre a falta de segurança no local.
A Turquia é o terceiro país da Europa no ranking da sinistralidade laboral. A tragédia na mina de Soma transformou-se na mais mortífera da história do país, depois da explosão da mina de Zonguldak, em 1992, que causou a morte a 263 mineiros

(Fonte: Expresso)

14 maio 2014

O Governo português expressou as suas condolências à Turquia pelo acidente «terrível» que ocorreu na terça-feira numa mina de carvão, causando pelo menos 238 mortos, anunciou esta quarta-feira fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Em declarações à Lusa, a mesma fonte referiu que o ministro Rui Machete enviou uma carta de condolências ao seu homólogo turco, Ahmet Davutoğlu.
Na carta, o governante exprimiu «grande tristeza» pelo «acidente terrível que ocorreu na mina de carvão».
«Neste momento de pesar, o Governo português deseja expressar as suas mais sentidas condolências às autoridades turcas pela perda trágica de vidas humanas», transmitindo ainda às famílias das vítimas e ao povo turco a sua mais profunda solidariedade.
O balanço da explosão na mina de carvão eleva-se a 238 mortos, anunciou hoje o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, que referiu ainda que cerca de 120 mineiros permanecem presos.
Mais de 360 mineiros foram retirados com vida da mina, onde ocorreu uma explosão que provocou um incêndio.
«As nossas esperanças [de encontrar sobreviventes] diminuem cada vez mais», disse.
O Governo turco decretou três dias de luto nacional, a partir de terça-feira, dia do acidente, um dos piores desastres industriais no país.
As explosões em minas são frequentes na Turquia, em particular nas do sector privado, onde as medidas de segurança não são frequentemente aplicadas.
O acidente mais grave ocorreu em 1992, quando 263 mineiros morreram numa explosão de gás na mina de Zonguldak (norte), zona da maior bacia mineira de carvão na Turquia.
 
(Fonte: TVI24)

13 maio 2014

Turquia condenada a pagar 90 milhões de euros ao Chipre

A Turquia foi condenada pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a pagar 90 milhões de euros ao Chipre pelos danos causados durante a invasão militar, em 1974.
A alta instância decidiu que 60 milhões deverão reverter para os Cipriotas gregos que ainda residem em Carpas, península no norte administrada pela Turquia.
Os restantes 30 milhões, e os devidos impostos, como explicou o juiz destinam-se a compensar os danos morais das famílias dos desaparecidos.
A Turquia já anunciou que não acatará a sentença. O governo do Chipre mostrou-se satisfeito.
Há 40 anos o exército turco ocupou a parte norte da ilha cipriota. Respondia a um golpe de Estado, dos cipriotas gregos, que pretendia unificar a ilha com a Grécia. Em 1983 a região norte autoproclamou-se República Turca do Norte do Chipre, situação reconhecida apenas pela Turquia.
A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos acontece no momento em que se retomam as conversações sobre a unificação da ilha cipriota, mediadas pelas Nações Unidas.
 
(Fonte: Euronews)

20 abril 2014

Município de Braga estreita relações internacionais na Turquia

A Câmara Municipal de Braga marcou presença na EU-Turkey Town Twinning Conference, realizada em Ancara, capital da Turquia, representada entre os dias 13 e 16 de Abril pela vereadora Sameiro Araújo e por António Barroso, do Gabinete da Presidência.
 
Esta iniciativa inseriu-se num programa com vista à inclusão e aproximação da Turquia à União Europeia, sendo que esta presença deriva de um convite endereçado, em Dezembro último, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Turquia ao Município de Braga.
A visita desenvolveu-se no âmbito do programa VabPro e reuniu 35 cidades Europeias como Budapeste, Atenas, Riga, Tallin e Granada e 20 Províncias/regiões da Turquia entre elas Istambul, Antalya, Hatay e Trabzon com a finalidade de auxiliar a dotação das cidades turcas de alguns recursos em falta, relativamente a outras cidades europeias. Tal acção garantiu à cidade de Braga a possibilidade de identificar as oportunidades que o vastíssimo mercado turco lhe poderá trazer. Braga e Lisboa foram as únicas cidades portuguesas representadas.
Este evento foi mais um passo na afirmação internacional de Braga, totalmente financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Turquia.
Para Sameiro Araújo, “esta foi mais uma oportunidade para o fortalecimento de relações internacionais entre Braga e outras regiões da Europa e da Turquia, para cooperarmos e trabalharmos em programas europeus de intercâmbio e colaboração, mas também para a divulgação do nosso concelho e da nossa região lá fora”, referiu.
Segundo António Barroso, “Braga não podia deixar de marcar presença num evento com esta importância. Esta iniciativa é a concretização da aposta clara na busca de novas parcerias e novos investimentos em diversas áreas. Houve a oportunidade de estreitar relações com responsáveis de cidades europeias e vamos trabalhar numa futura cooperação entre Braga e Hatay – região do sul da Turquia, com fortes raízes cristãs, onde se situa a primeira igreja cristã do mundo, que visa, entre outros objectivos, dinamizar o intercâmbio na temática do turismo e também as oportunidades de negócio que o mercado turco apresenta. Continuaremos a desenvolver a nossa actividade para cumprir o desiderato de afirmar continuamente Braga no roteiro Internacional”.
 
(Fonte: Local.pt)

17 abril 2014

Serviços secretos turcos com poderes alargados

O Parlamento turco aprovou esta quinta-feira um projeto-lei que aumenta consideravelmente os poderes da agência nacional de informação. O texto, controverso, foi aprovado, após um intenso debate, pelos votos da maioria absoluta do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) do primeiro-ministro Tayyip Erdoğan.

A proposta do Governo turco confere aos serviços secretos direitos acrescidos em matéria de recolha de informações e prevê penas de prisão para a divulgação de documentos confidenciais.
Erdoğan tem procurado controlar a publicação nas redes sociais YouTube, Facebook  e Twitter de gravações comprometedoras para o Governo e para si próprio. Ordens para bloquear o tráfego das redes Facebook e Twitter criaram um crise política entre o Governo e o Presidente da Turquia e acabaram por ser revertidas por ordem judicial.
Tayyip Erdoğan conseguiu já reforçar o controlo do poder judiciário, tendo sido aprovada no final de Fevereiro nova legislação que faz depender do Executivo a nomeação de juízes e de procuradores.

(Fonte: RTP)

30 março 2014

Domingos Paciência: "Foi um erro ter ido para a Turquia"

O treinador português já deixou o Kayserispor depois de uma experiência para esquecer e que durou apenas sete jogos. 
Domingos Paciência reconhece que cometeu uma "precipitação" quando aceitou o convite para treinar o Kayserispor, clube turco que orientou durante dois meses e que deixou no passado dia 17. Presente esta noite no Portugal Fashion, na Alfândega do Porto, o treinador português não guarda boas recordações da sua última experiência profissional e assegura que vai "ponderar muito bem" antes de aceitar qualquer nova proposta profissional. Sobre a experiência na Turquia, resume: "Há que reconhecer, foi um erro ter ido para lá. O dinheiro por vezes leva a que as pessoas queiram exercer o poder e eu não sei trabalhar com interferências. Não havia forma de continuar."
(Fonte: O Jogo)

Como despertará a Turquia amanhã?

Deveriam ser meras eleições locais. Mas não são. “Porque estes não são tempos normais. Vamos despertar na segunda-feira com uma nova Turquia”, escreve o colunista Semih Idiz no diário Hürriyet. Que Turquia? Não sabemos.
Tayyip Erdoğan transformou estas eleições numa questão de “vida ou morte” e na luta contra uma “aliança do mal” que o quereria destruir. Pede que o eleitorado lave o seu nome das acusações de corrupção. “Mas a luta real, sejam quais forem os resultados de domingo, serão as eleições presidenciais deste ano e as legislativas previstas para o próximo ano”, conclui Idiz. A oposição aceitou a batalha de “nacionalizar” as eleições locais. Está em jogo, dizem os seus dirigentes, a escolha entre democracia e um regime autoritário.
O rastilho do confronto remonta a 17 de Dezembro, com a eclosão daquilo a que se chamou uma “guerra civil islâmica”, entre Erdoğan e a comunidade religiosa e educativa Hizmet (Serviço), de Fethullah Gülen, um pensador sufi que reside nos Estados Unidos desde 1998 e acusa o regime de ser “crescentemente autocrático”.
Um procurador de Istambul — suspeito de estar ligado a Gülen — ordenou dezenas de detenções por corrupção, atingindo personalidades próximas do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, no Governo), provocando a demissão de três ministros. A seguir, foi a vez de Erdoğan e os filhos serem postos em causa. O primeiro-ministro acusa Gülen de liderar um “golpe de estado” e de controlar um “estado paralelo”, na magistratura e na polícia.
A Justiça foi colocada sob tutela governamental. Foi cerceada a liberdade de informação. Foram “saneados” milhares de polícias e magistrados. Está em curso “uma caça às bruxas”, escreve o analista liberal Mustafa Akyol.
Erdoğan tem uma concepção “maioritária” da democracia: quem vence as eleições não deve ser limitado nem pelos direitos da minoria nem pela liberdade de imprensa, nem sequer pela separação dos poderes. Desvaloriza a legitimidade da Justiça face ao veredicto eleitoral: “Na Turquia é o povo quem decide.” Figuras do AKP, como o Presidente Abdullah Gül ou os vice-primeiros-ministros, Bülent Arinç e Ali Babacan, afirmam que a democracia é algo mais do que eleições. Divergem de Erdoğan mas temem dividir o partido. Erdoğan está em declínio, ferido na sua legitimidade, mas é quem está no comando. E é esse comando que se joga nas eleições de hoje.
Cenários
As sondagens realizadas a partir de Dezembro são confusas: o AKP obteria entre 38 e 50% dos votos. Huseyin Çelik, vice-presidente do AKP, colocou a fasquia da vitória nos 38,8% dos votos obtidos nas eleições locais de 2009. Os analistas da oposição consideram que o AKP sofrerá uma derrota se ficar abaixo dos 47% obtidos nas legislativas de 2007, para não falar nos quase 50% de 2011. As duas grandes batalhas travam-se em Ancara e, sobretudo, em Istambul.
A perda de Istambul — que é improvável — significaria o fim de Erdoğan, porque é “o seu berço e o seu trono”. Também uma votação abaixo dos 40% seria “o princípio do fim do AKP”, escreve Semih Idiz. Os dirigentes do AKP seriam forçados a pensar na mudança de líder para evitar um desastre nas legislativas.
Um estudo da Brookings Institution, realizado pelo politólogo Ali Çarkoglu (Turkey goes to the Ballot Box), constata que o apoio ao AKP desceu oito pontos nas intenções de voto desde o princípio de Dezembro: passou de cerca de 50% para 42. Um resultado de 42% permitiria a Erdoğan proclamar vitória. Esta percepção seria reforçada pela larga vantagem do AKP em relação aos partidos da oposição, estagnados e sem iniciativa. Mas não seria a vitória esmagadora que ele quer e os “gulenistas” temem.
O Hizmet de Gülen, que ousou afrontar Erdoğan e promete continuar a batalha, não é nem quer ser um partido político. Uma sondagem indica que 70% dos turcos crêem na corrupção do Governo mas não abandonam o AKP por não encontrarem alternativa credível e temerem os efeitos económicos da sua queda.
Há outro factor que cria imprevisibilidade. Os “gulenistas” apelam ao “voto útil” nos candidatos mais bem colocados para derrotar o AKP. Como reagirão os eleitores ao voto em inimigos históricos como os kemalistas do Partido Republicano do Povo? Por sua vez, em “guerra contra Gülen”, Erdoğan procurou o apoio dos militares — de má memória para as suas bases.
 
(Fonte: Público)