O Irão felicitou o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) pela vitória nas eleições de Domingo, que considerou um "sinal do despertar islâmico no mundo todo".
O presidente do Parlamento iraniano, Gholamali Haddad Adel, afirmou que nestas eleições "os muçulmanos da Turquia deram um voto positivo a favor da cultura islâmica".
Adel ressaltou que "o que aconteceu na Turquia pode ocorrer em qualquer outro país livre", referindo-se à maioria obtida pelo AKP.
O ministro iraniano dos Negócios EStrangeiros, Manushehr Mottaki, já tinha felicitado o seu homólogo turco, Abdullah Gül, a quem expressou o desejo de Teerão de fortalecer as relações de cooperação política e económica bilateral.
(Fonte: EFE)
25 julho 2007
Irão considera a vitória do AKP na Turquia um "despertar islâmico"
24 julho 2007
23 julho 2007
Durão Barroso felicita Erdoğan
Numa mensagem hoje divulgada em Bruxelas, José Manuel Durão Barroso salienta que esta maioria absoluta de Erdoğan "ocorre num momento importante para o povo da Turquia, quando o país leva a cabo reformas políticas e económicas".
Lembrando o "compromisso pessoal" do primeiro-ministro turco relativamente a um "movimento sustentado rumo à União Europeia", Durão Barroso desejou a Recep Tayyip Erdoğan "todo o sucesso neste seu novo mandato".
De acordo com resultados ainda provisórios, quanto está praticamente concluída a contagem dos votos, o AKP, partido islâmico no poder na Turquia, obteve 46,3 por cento dos votos nas legislativas de Domingo.
Segundo as cadeias televisivas, o AKP de Erdoğan terá 339 deputados no Parlamento de 550 lugares, uma maioria absoluta que lhe permitirá formar o próximo governo.
Nas últimas legislativas, em 2002, o AKP tinha obtido 34 por cento dos votos.
(Fonte: Portugal Diário)
Washington congratula-se com a vitória de Erdoğan
A administração norte-americana considerou hoje que as eleições legislativas na Turquia foram "livres e justas" e excluiu a hipótese das Forças Armadas turcas contestarem os resultados.
"Trata-se de eleições livre e justas e a Turquia permanece um aliado importante dos Estados Unidos, pelo que a felicitamos", declarou o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow.
Questionado sobre se Washington teme uma possível reacção dos militares turcos, ligados à laicidade da Turquia, depois da vitória do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), saído do movimento islamita, Snow respondeu que nada faz antever uma reacção do Exército.
O AKP, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, venceu as eleições legislativas de Domingo com maioria absoluta, ao obter 46,4% dos votos, o que lhe permite controlar 340 dos 550 assentos do Parlamento.
Na sequência das eleições, Erdoğan apresentou hoje a demissão, uma formalidade para que o presidente lhe peça para formar um novo governo.
(Fonte: Diário Digital)
22 julho 2007
Vitória esmagadora de Erdoğan nas eleições legislativas
"Não iremos fazer qualquer concessão sobre os princípios base da República", afirmou Recep Tayyip Erdoğan na sua primeira intervenção pública após o fecho das urnas. Erdoğan prometeu ainda avançar com medidas económicas e reformas democráticas, de forma a aproximar a Turquia dos critérios da União Europeia, cujas negociações de adesão estão num impasse desde 2005.
Segundo resultados não oficiais anunciados pelas televisões CNN-Türk e NTV, o partido no poder na Turquia, com origem no movimento islamita, obteve uma vitória esmagadora nas legislativas de hoje face à oposição pró-laica. O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan (53 anos) estava com uma votação de 47,6 por cento quando estavam contados 80 por cento dos votos, obtendo maioria absoluta no Parlamento, segundo as mesmas fontes. Em segundo lugar aparecia o principal partido da oposição pró-laica, o Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata), com 20 por cento dos votos. O Partido do Movimento Nacionalista (MHP), que tem posições duras contra a União Europeia, entre outras, ficou em terceiro, com 14,4 por cento dos votos, o que lhe permitirá voltar ao Parlamento.
Turquia vai a votos
As eleições gerais que hoje decorrem na Turquia são vistas como um teste vital à secularidade do país. O sufrágio foi antecipado pelo primeiro-ministro, Recep Erdoğan, que tenta assim pôr fim à crise política iniciada em Maio passado quando o Parlamento falhou sucessivamente a nomeação de um candidato presidencial.
Na altura o Partido da Justiça e do Desenvolvimento, AKP, de raiz muçulmana moderada, visto pela oposição como um bastião do radicalismo islâmico num país secularista – acusações sempre negadas por Erdoğan –, tentou que o escolhido fosse Abdullah Gül, que tem a pasta dos Negócios Estrangeiros. A tentativa falhou e atirou o país laico para uma crise política, onde até as altas chefias do exército ameaçaram pegar em armas caso Gül fosse o eleito.
Agora a Turquia encontra-se novamente numa encruzilhada, com os especialistas a vaticinarem, que estas são as eleições mais importantes dos últimos 25 anos.
Uma vez que a Turquia é um eterno candidato a fazer parte da UE, Bruxelas que acompanha toda esta movimentação já disse que não vai tolerar a asfixia dos valores democráticos, nem tão pouco dar qualquer tipo de encobrimento às ameaças dos militares, que se encaram como a guarda pretoriana do laicismo turco.
Os 42 milhões de eleitores também sabem que há muito em jogo, alguns deles interromperam as férias para dar o seu contributo no que defendem ser “a protecção dos valores seculares”, segundo afirmou um repórter da BBC.
São 14 os partidos que lutam pelos 550 lugares no parlamento de Ancara, mas unicamente os laicos do Partido Republicano do Povo, CHP, e os extremistas de direita do Partido do Movimento Nacional, MHP, devem ultrapassar a fasquia dos 10 por cento. As previsões apontam ainda alguns lugares no parlamento que deverão ser garantidos por candidatos independentes pró-curdos. No fim deverá ganhar o AKP de Erdoğan, por quanto é que ainda não se sabe.
O partido, acusado de querer paulatinamente transformar o estado laico turco numa teocracia ao estilo iraniano, continua a gozar de um grande apoio popular. Foi debaixo do seu governo que a economia do país mais floresceu e que finalmente se iniciaram conversações para a entrada da Turquia na UE, algo que o país tentava há décadas sem grande sucesso.
Os partidos, especialmente os mais extremistas, valem-se do sentimento crescente de descontentamento em relação à UE, bem como dos enraizados valores nacionalistas contra os separatistas curdos e de uma cada vez mais eminente invasão do norte do Iraque.
(Fonte: Expresso)
Eleições na Turquia: O fantasma de Atatürk contra o fantasma do islamismo
Um jovem de T-shirt, um homem de camisa, uma mulher de calças, outra de saia comprida e véu islâmico. Em fila esperam para votar. O jovem aproxima-se da urna e esta foge-lhe repetidamente. Os outros vêm em seu auxílio e seguram a urna escorregadia tempo suficiente para que ele consiga votar. Da urna sai a lâmpada brilhante símbolo do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). O filme passa em ecrãs plasma que descem do tecto do Grande Bazar de Istambul.
As ruas cobertas do bazar quase escapam à loucura de uma campanha que no resto da cidade cega de cartazes e bandeiras e ensurdece pela música que sai dos altifalantes de centenas de carrinhas. É Domingo, 15 de Julho. O comício do AKP está marcado para as 17 horas em Kazlisçesme, nos arredores, junto à linha de comboio que corre ao longo das muralhas bizantinas. A máquina do AKP está bem oleada e os homens atrás das bancas de campanha nas estações do centro correm a garantir que ninguém perde os últimos comboios. Já não é preciso pagar bilhete. E no interior das carruagens não se respira. Centenas de milhares de pessoas de todas as idades, como no filme de campanha. Em proporção, mais mulheres com véu islâmico do que no filme. Um mar de bandeiras e balões e um ambiente de festa popular. Quando o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan se avista ao lado a mulher, Emine, é gritado e aplaudido o seu nome. "Vão votar pelas liberdades ou naqueles que as bloqueiam?", pergunta com voz rouca à multidão. Entre as respostas, uma sublinha que as tensões políticas na Turquia não acabam hoje à noite, quando forem anunciados os resultados das legislativas antecipadas. "Çankaya será nossa!" Çankaya é a freguesia de Ancara que alberga toda a burocracia do poder. Em Abril, quando se aproximava o fim do mandato do actual Presidente, o AKP, que desde 2002 governa com maioria, nomeou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gül, candidato a presidente da república. Foi o único candidato e viu a eleição sucessivamente boicotada pelos deputados da oposição, que alegaram a inexistência de quórum. Segundo a oposição, a presidência era a peça que faltava para o AKP deixar cair a máscara. Porque, garante, o verdadeiro programa do partido que conduziu a Turquia à abertura de negociações de adesão com a União Europeia é a sharia (lei islâmica).
Gül também está no comício. Ao contrário de Erdoğan, chegou sem a mulher, Hayrunisa. Ambas usam véu islâmico. Atrás, os candidatos por Istambul estão alinhados no palco. Há muitas mulheres mas nenhuma usa véu islâmco. Enquanto Gül tentava ser eleito, em Abril e Maio, mais de quatro milhões de turcos saíram à rua. Munidos de bandeiras da Turquia e de imagens de Mustafa Kemal Atatürk, o general que em 1923 fundou a República turca, gritaram que não queriam o véu de Hayrunisa no Palácio Presidencial. O Exército, que já fez cair governos, reafirmou o seu papel de "defensor do secularismo", avisando contra intrusões islamitas. Jovens, modernos e religiosos como o blogger e editor de um dos diários de língua inglesa de Istambul, Mustafa Akyol, garantem que não era do véu de Hayrunisa que os manifestantes tinham medo. Atrás das bandeiras de Atatürk, assegura, marchavam os receios de perda de privilégios de uma elite herdeira da revolução kemalista e habituada a governar. Uma elite com medo das fronteiras não europeias do país, medo dos empreendedores que formam a nova classe média e vêm do interior da Turquia.
No último dia de campanha, numa sede do Partido Republicano do Povo (CHP), funcionários e militantes falam como se o partido, ou o partido de Atatürk como alguns preferem, ainda pudesse ganhar. Como se disso dependesse o futuro da Turquia. "Estas eleições são muito, muito importantes. O laicismo é muito importante para a República turca", diz Muzaffer Gürboga, professor de Química reformado. Aponta para uma fotografia de mulheres de negro da cabeça aos pés, túnica e véu, apenas os olhos a descoberto. Legenda: "Nem Irão nem Paquistão. Isto é Istambul". Ao lado de Gürboga, Erkan, motorista dos serviços municipais de 28 anos, queixa-se das privatizações e diz que a saúde ficou mais cara. Asil Kaya, licenciado em História, exibe o cartão de militante e aponta para o braço onde tatuou a sua crença mais segura: o rosto de Atatürk. O CHP não vai ganhar as eleições. As sondagens indicam que ficará acima dos 20 por cento, enquanto que prevêem para o AKP entre 38 e 48 por cento. "Algumas pessoas têm uma mentalidade muito religiosa. Estão cegas. E há pessoas sem dinheiro a quem eles podem ter dado alguma coisa", justifica Muzaffer Gürboga.
Nas ruas de Istambul, um dos cartazes do Partido da Acção Nacionalista (MHP), o terceiro da Turquia, destaca-se do vermelho e branco dominantes. O vermelho mantém-se, mas escureceu, em redor há negro e no centro está a palavra "terror". É uma bandeira fácil de agitar: quase todos os dias morre um soldado no Sudeste do país em confrontos com os independentistas curdos do ilegalizado PKK. O Exército exige uma incursão em larga escala no Curdistão iraquiano, onde estarão 3000 combatentes. Apesar do aumento de votos que o AKP deverá conseguir, é previsível que mais partidos entrem no Parlamento, o que pode impedir uma maioria absoluta. Colocam-se todas as possibilidades: uma grande coligação AKP-CHP ou a união do CHP com a extrema-direita do MHP. Mas Cengiz Aktar, director do Centro de Estudos Europeus da Universidade de Bahçeşehir de Istambul, antecipa uma aliança entre o AKP e o Partido da Sociedade Democrática (DTP), quase todos curdos e a concorrerem como independentes. Mesmo nesse cenário - islamitas e curdos unidos para decidirem, por exemplo, o nome do próximo presidente -, não acredita num golpe de Estado: "O país cresceu demasiado, os militares não têm como controlá-lo. Mas podem destruir o equilíbrio na fronteira com o Iraque para imporem a sua presença na política."
(Fonte: Público com alterações)
Durão Barroso considera que a Turquia não está apta para aderir à UE
"Sejamos honestos. A Turquia não está pronta para ser membro da UE nem a UE está pronta para aceitar a Turquia como membro. Nem amanhã nem depois de amanhã", afirmou Durão Barroso ao jornal Kathimerini.
Apesar de considerar que a Turquia ainda não pode entrar na UE, o ex-primeiro-ministro português quer que os Estados-membros não fechem as portas à Turquia.
"Gostaria de pedir à França e todos os Estados-membros para que não mudem a decisão que tomámos e continuem as negociações", continuou Barroso, numa referência ao facto de o presidente francês, Nicolas Sarkozy, se opôr à entrada da Turquia na União.
As declarações surgem no dia em que os Turcos vão às urnas para participar nas legislativas antecipadas, um acto eleitoral em que o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), do primeiro-ministro Recep Erdoğan, é o favorito.
(Fonte: Diário Digital)
21 julho 2007
Turquia prepara as eleições
Ultimam-se os preparativos para o escrutínio na Turquia, que tanta tinta tem feito correr a propósito da manutenção ou não do Estado laico e da aproximação ou afastamento da Europa. Os Turcos no estrangeiro já começaram a votar. Na Turquia, a eleição decorre no Domingo. O Partido da Justiça e do Desenvolvimento, o AKP, no governo, está bem posicionado nas sondagens. Os seus apoiantes queixam-se por o país ser descrito como uma nação que caminha para um Estado islâmico apenas por algumas mulheres exigirem a liberdade de usar o véu islâmico. O Partido Republicano, CHP, de centro-esquerda, acusa o partido no poder de querer islamizar o país além de ter provocado a violência curda ao dar a abertura exigida por Bruxelas. A terceira força em jogo é nacionalista, o MHP, que precisa de 10 por cento para chegar ao Parlamento. Depois, então, pensará na possível aliança com o centro-esquerda para fazer frente ao AKP de Tayyip Erdoğan.
18 julho 2007
Erdoğan ou ganha ou sai da política
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, prometeu ontem que "sai da política" se o partido a que pertence (AKP) não obtiver os votos necessários para governar sozinho depois das legislativas de Domingo. "Se não pudermos governar sozinhos, vou retirar-me da política", declarou Erdoğan quando discursava para uma multidão de apoiantes do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) em Isparta.
Erdoğan também apelou aos líderes dos dois partidos da oposição, os seus maiores rivais nas eleições, para fazerem o mesmo se os respectivos partidos não conseguirem formar governos sem coligações. "Vá, façam a mesma coisa. Abram caminho aos que vos seguem. Sejam audazes", afirmou Erdoğan.
Os dois maiores partidos da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata) e o Partido da Acção Nacionalista (MHP, nacionalista), são liderados respectivamente por Deniz Baykal e Devlet Bahceli.
O AKP, liderado por Erdoğan e que sucede ao movimento islamita, é dado como favorito. Segundo as últimas sondagens, o AKP deverá obter 40% dos votos, mas não deverão traduzir-se numa maioria absoluta no Parlamento (550 lugares) devido ao sistema eleitoral turco. O CHP deverá obter entre 20 e 25% e o MHP, que ficou abaixo dos 10% dos votos necessários à escala nacional para se fazer representar na Assembleia nas últimas eleições, poderá obter entre 10 e 15%.
Nas últimas legislativas de 2002 apenas dois partidos ultrapassaram a barreira dos 10% dos votos, designadamente o AKP que obteve 34% e o CHP 10% dos votos.
