Com as eleições gerais previstas para 22 de Julho, o ministro do Interior Abdülkadir Aksu, o ministro da Justiça Cemil Çiçek e o ministro dos Transportes Binalı Yıldırım, tiveram de abandonar o governo de acordo com o artigo 114 da Constituição Turca.
O novo ministro do Interior é Osman Güneş, antigo governador de Kayseri, o ministro da Justiça é Fahri Kasırga e o ministro dos Transportes é İsmet Yılmaz.
Pode ler-se no artigo 114: “antes das eleições legislativas, os ministros do Justiça, Interior e Transportes têm de deixar o governo".
Até hoje, 108 ministros tiveram de dizer adeus às posições que ocupavam no governo antes do respectivo mandato ter terminado. Esta medida pretende evitar que o governo adopte leis que possam favorecer o seu partido durante as eleições.
08 maio 2007
Ministros do Interior, Transportes e da Justiça forçados a abandonar os respectivos cargos
Orhan Pamuk vai receber título de doutor "honoris causa"
AKP tenta viabilizar pacote de reformas
A ser viabilizado, o pacote de reformas permitirá ao povo eleger o presidente, reduzir o intervalo das eleições legislativas para quatro anos e quórum de 184 em vez dos actuais 367. Contudo, a implementação das reformas requer a aprovação do presidente Ahmet Necdet Sezer, cuja intenção parece ser a de veto. O AKP pode insistir nas reformas e pode voltar a requerer a aprovação do presidente, arriscando levar o pacote a referendo.
De acordo com a lei, o resultado de um referendo só pode ser posto em prática após quatro meses, o que significaria um falhanço nas esperanças do AKP em realizar eleições gerais a 22 de Julho. "Adivinha-se difícil a realização de duas eleições em simultâneo”, disse o líder parlamentar do AKP, Salih Kapusuz. “Se Sezer vetar, reenviaremos o pacote e depois veremos o resultado”.
O mandato de Sezer termina a 16 de Maio, mas irá manter-se em funções até que o novo presidente seja eleito.
AKP aguarda resposta da Comissão Eleitoral (YSK):
Na segunda-feira o AKP suspendeu as discussões da emenda constitucional que abre caminho a que cidadãos com 25 anos possam ser eleitos nas eleições gerais de 22 de Julho.
O AKP solicitou a opinião da Comissão Eleitoral (YSK) sobre se esta mudança poderá violar o princípio de igualdade da Constituição. O AKP decidiu esperar pela opinião do YSK antes de debater o assunto no Parlamento.
Entretanto, os orgãos executivos do AKP continuaram a reunir-se ontem para se organizarem para futuras eleições gerais.
07 maio 2007
Descendentes de Arménios atingidos pelo "genocídio" serão indemnizados
Um grupo de advogados americanos apelou hoje aos herdeiros franceses de Arménios para que reclamem as devidas indemnizações, dois anos depois de terem conseguido 12.5 milhões de euros da seguradora francesa Axa para descendentes de vítimas do "genocídio".
Em conferência de imprensa relatada pela AFP, os advogados californianos de origem arménia Mark Geragos, Vartkes Yeghian e Brian S. Kabateck, lembraram que obtiveram esta decisão em 2005, após uma mediação realizada na Califórnia entre a seguradora e os descendentes das vítimas do "genocídio" perpetrado pelos Turcos, que haviam interposto uma acção judicial civil em nome colectivo.
Nos termos do acordo, a Axa deverá doar 3 milhões de dólares (cerca de 2.2 milhões de euros) a organizações arménias de caridade situadas em França, e 11 milhões de dólares (cerca de 8 milhões de euros) a um fundo de indemnizações destinado aos herdeiros das vítimas que subscreveram uma apólice de seguros.
Segundo o grupo de advogados, os nomes dos Arménios que subscreveram uma apólice de seguro de vida antes do genocídio de 1915 está publicada na íntegra na Internet desde Abril (www.armenianinsurancesettlement.com).
Os descendentes dos Arménios afectados pelo genocídio, têm até 1 de Outubro para reclamar a sua indemnização, cujo valor poderá variar consoante a apólice original.
O grupo de advogados obteve em 2000 um acordo similar com a seguradora americana New York Life, no valor de 20 milhões de dólares (14.7 milhões de euros), e viaja terça-feira para Berlim com o objectivo de encetar um procedimento semelhante com o Deutsche Bank.
O "genocídio" dos Arménios ocorreu entre 1915 e 1917, nos anos finais do império otomano, ao qual sucedeu a Turquia em 1923 e, segundo os Arménios, fez mais de 1.5 milhões de mortos.
A Turquia contesta a existência de "genocídio".
(Fonte: RTP)
Governo greco-cipriota ao lado dos islamitas
Em Chipre, ponto da discórdia nas negociações para a adesão turca à União Europeia, devido ao corte de relações Ancara-Nicósia, o presidente do Parlamento manifestou "preocupação" com as eventuais repercussões da crise. "Estamos confrontados com a necessidade de apoiar os islamitas porque, caso contrário, prevalecerão os militares, o que é pior para o bom desenvolvimento do processo cipriota, neste momento num impasse", afirmou hoje o comunista Dimitris Christofias em Atenas.
Christofias esteve reunido com o primeiro-ministro grego, Costas Caramanlis, e com a sua chefe da diplomacia, Dora Bokoyani. "Será preciso preparar reacções do quadro da UE e das Nações Unidas se surgir uma plataforma entre os pró-laicos e os militares turcos contrária aos interesses cipriotas", concluiu Christofias.
Parlamento debate presidenciais por sufrágio universal
Incapazes de eleger no Parlamento o presidente da República, devido à clivagem entre islamitas pró-governamentais e a oposição pró-laica, os deputados turcos iniciaram hoje um debate para adopção do sufrágio universal através da reforma constitucional.
Esta medida foi proposta pelo partido governamental da Justiça e Desenvolvimento (AKP, 351 deputados), com o apoio de uma pequena força da oposição pró-laica, o Partido Terra Mãe(ANAVATAN, 20 deputados). Juntas, as duas formações ficam em maioria no hemiciclo, com um total de 550 assentos.
Além da eleição presidencial por sufrágio universal directo e secreto em duas voltas, em causa estão também dois mandatos consecutivos de cinco anos, em vez do actual mandato único de sete anos, bem como legislativas com intervalo de quatro anos em vez dos actuais cinco.
Sendo aprovada na generalidade, a proposta AKP-ANAVATAN deverá ser discutida quarta ou quinta-feira, segundo fontes parlamentares. A seguir, será submetida, para aprovação, ao actual presidente da República, Mehmet Necdet Sezer, cujo mandato termina no dia 16 de Maio.
Abdullah Gül, ministro dos Negócios Estrangeiros indigitado pelo AKP para a chefia do Estado, foi "chumbado" pelo Parlamento a 27 de Abril e, na repetição dessa primeira volta no Domingo, voltou a não ser eleito.
Gül é visto pelo sector laico como um islamita militante disfarçado de democrata conservador, e as poderosas forças armadas já ameaçaram intervir caso o secularismo de Estado consagrado na Constituição seja posto em causa.
No Sábado, em declarações ao jornal norte-americano Financial Times, Gül, que tinha ameaçado retirar a candidatura face a um segundo "chumbo", reiterou no entanto a vontade de a manter para as eleições por sufrágio universal directo e secreto.
Neste cenário de crise, o AKP pediu ainda a antecipação das legislativas para 22 de Julho, data já confirmada pela autoridade eleitoral, mas que a oposição quer a 24 de Junho.
Entrada da Turquia na UE deve ter apoio unânime, diz Comissão
As negociações com a Turquia para a adesão do país à União Europeia devem ser conduzidas pela Comissão Europeia com "um mandado dos estados-membros decidido por unanimidade", declarou hoje o porta-voz da Comissão, Johannes Laitenberger.
A frase foi dita em resposta a uma pergunta de jornalistas sobre a posição defendida por Nicolas Sarkozy, presidente eleito da França desde ontem, contra o ingresso da Turquia na União Européia. "Se os estados-membros querem mudar a sua posição, deverão fazê-lo com uma modificação que se reporte ao Conselho da UE", explicou o porta-voz. A Comissão sustenta ainda, segundo Laitenberger, que "a decisão deve ser tomada à luz dos resultados das negociações".
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, advertiu ontem que "se um estado-membro quer colocar em discussão ou mudar a decisão já tomada pela Comissão, deve assumir a iniciativa e as consequências". "A Comissão quer prosseguir com essas negociações e recomendar aos estados-membros que tomem uma decisão definitiva sobre a adesão da Turquia, apenas com base nos resultados", acrescentou.
(Fonte: ANSA)
Avançam os esforços para uma coligação de centro-esquerda
A centro-esquerda turca segue o exemplo dos dois partidos de centro-direita, o Partido da Terra Mãe (ANAVATAN) e o Partido da Justa Via (DYP), que anunciaram no Sábado uma candidatura conjunta.
O líder do CHP, Deniz Baykal, disse hoje à imprensa que as negociações com o DSP progrediram sem problemas e foram concluídas com um acordo positivo.
Os dois partidos vão apresentar-se nas eleições com a sigla do CHP e com a inclusão de candidatos do DSP nas listas.
O DYP e o ANAVATAN anunciaram no Sábado a sua unificação sob o nome de Partido Democrático, com o que esperam superar os 10% dos votos, o mínimo necessário para entrar no Parlamento.
Erdoğan espera que a eleição de Sarkozy não prejudique a Turquia
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, espera que a vitória de Nicolas Sarkozy em França, não prejudique o processo de aproximação da Turquia à União Europeia ou as relações bilaterais com esse país.
Na sua mensagem de felicitação a Sarkozy, Erdoğan expressou também a sua esperança de que a decisão do povo francês seja "positiva para todos". Disse igualmente esperar que as declarações feitas pelo presidente eleito da França durante a campanha eleitoral não tenham um impacto negativo nas relações mútuas.
Sarkozy manifestou reiteradas vezes durante a campanha que se opunha à entrada da Turquia na UE e propunha, por outro lado, uma união mediterrânea na qual a Turquia pudesse desempenhar um papel importante.
(Fonte: EFE)
Arménia não quer observadores turcos nas eleições legislativas do próximo Sábado
As autoridades arménias recusaram a presença no país de observadores turcos independentes que trabalham com o Grupo Europeu de Cooperação e Segurança (AGIT).
Um grupo de observadores turcos, integrado na AGIT, uma organização internacional envolvida regularmente na observação de procedimentos eleitorais, dirigia-se para Yerevan para verificar o processo eleitoral arménio agendado para o próximo Sábado. Entretanto, quando já estavam no aeroporto de Istambul, prontos para seguirem para Yerevan, foi-lhes transmitido o veto à sua presença.
