22 dezembro 2006

Novo embaixador de Portugal na Turquia apresentou credenciais


O novo embaixador de Portugal na Turquia, José Manuel de Carvalho Lameiras, apresentou ontem as suas credenciais ao presidente da República turca, Ahmet Necdet Sezer, no Palácio Presidencial de Çankaya, em Ancara. O novo embaixador apresentou o secretariado da embaixada ao presidente durante o encontro.

17 dezembro 2006

Behiç Aşçı em greve de fome contra o isolamento nas prisões turcas


Para protestar contra as condições de isolamento nas prisões turcas, Behiç Aşçı, um advogado que representa os prisioneiros políticos, está prestes a entrar no nono mês de uma greve de fome.
Durante 257 dias só ingeriu água com sal e açúcar para publicitar a sua oposição às denominadas prisões tipo F, introduzidas na Turquia no ano 2000 para albergarem prisioneiros ao abrigo das leis turcas anti-terrorismo.
Na Turquia, é ilegal uma ou mais pessoas pertencerem a uma organização com o objectivo de modificarem as características da República tal como estão especificadas na Constituição.

Uma jornalista do jornal diário "Turkish Daily News" entrevistou Behiç Aşçı na sua casa.

"Quando estava prestes a entrar no elevador que me levaria ao seu apartamento nos arredores de Istambul, em Şisli, a ideia de voltar para trás passou-me pela cabeça. No entanto, deparei comigo numa espaçosa sala de estar, sentada num sofá com um gato letárgico, a olhar para um placar coberto com notícias de jornal sobre a sua greve de fome. Agarrada a um urso de peluche sujo, uma criança de quatro anos com um vestido cor de rosa, corria de uma ponta à outra da sala, ao mesmo tempo que cantava. Estava a acompanhar a mãe numa visita a Aşçı. Ao mesmo tempo que esta pequena vida irradiava força pela sala, eu lia cartas dos seus apoiantes a encorajarem-no a continuar com a sua caminhada para a morte [...] e olhava para os 122 rostos afixados na parede, retratos daqueles que já se renderam na luta para alterar o "sistema F" na Turquia. Quando entrei no quarto, perguntou-me como é que eu estava. Como é que eu podia responder a uma pergunta daquelas? Seria possível sorrir e perguntar, 'como está?' Ele disse que há sete meses que não saía daquele quarto. 'A única diferença entre mim e os meus colegas, é que eu não estou no tribunal. Eu estou na cama a fazer o meu trabalho,' disse. Junto à sua cama estava uma fotografia de Fatma Koyupınar, a última oponente ao isolamento nas prisões tipo F a morrer de fome. Koyupınar era sua cliente e amiga e morreu na mesma casa após um ano de greve de fome. Behiç disse que sofria de insónias durante a noite, perda de visão no olho esquerdo, fadiga, batimento cardíaco irregular, queimamento nas mãos e baixa pressão arterial. Pesava 86 quilos antes da greve de fome. Quando entrei no seu quarto pesava 50 quilos".

O secretário-geral da Câmara dos Médicos de Istambul, Hüseyin Demirdizen, disse à revista "Tempo", que mesmo que Aşçı termine a greve de fome, já provocou danos irreversíveis no seu sistema nervoso, cérebro, músculos, ritmo cardíaco, coração e rins. Explicou que não era fácil uma tomada de posição neste confronto e que "foi um longo processo de decisão que começou em 2000". Destacou que ele estava a fazer o seu trabalho defendendo os direitos dos seus clientes, a maior parte culpados ao abrigo de leis anti-terroristas.

Na entrevista que concedeu, Aşçı pede mais condições humanitárias nas prisões de tipo F, em que as celas são para um a três prisioneiros. Disse que "o problema é os prisoneiros não terem oportunidade de interagirem com outras pessoas na prisão. A socialização é um direito humano básico." Ele também esteve numa prisão de tipo F durante 25 dias. Disse ainda que "uma pessoa sofre psicologicamente, porque a única coisa que se pode fazer é pensar. Não se tem livros, ar fresco, jornais, só o sentimento de vazio".

Os protestos com greve de fome começaram a 20 de Outubro de 2000, depois do início do plano de Estado para a transferência dos prisioneiros de grandes salas para as celas tipo F, à semelhança do que acontece nos Estados Unidos, com um ou três ocupantes. A 19 de Dezembro desse ano, para terminar com as greves de fome de centenas de prisioneiros, soldados turcos entraram nas 48 prisões de toda a Turquia. Durante essa operação, denominada pelo Governo de "Regresso à Vida”, pelo menos 31 presos e dois soldados morreram, e 426 presos ficaram feridos. Desde o ano 2000, 1005 prisioneiros foram transferidos para celas tipo F, 122 pessoas morreram em resultado de greves de fome e centenas permanecem incapacitadas em resultado das greves de fome.
O Partido/Frente Revolucionária de Libertação Popular (DHKP/C) considera a greve de fome como uma forma de activismo. De acordo com afirmações de alguns meios de comunicação social, polícia e fontes do Governo, o DHKP/C foi acusado de administrar várias das prisões tipo dormitório onde os seus "militantes” estavam alojados, tendo sido classificado como grupo terrorista pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Os defensores dos direitos humanos, os partidos de esquerda, a Associação Médica Turca (TTB), o Sindicato dos Advogados Turcos (TBB) e a Associação dos Engenheiros e Arquitectos (TMMOB), manifestaram-se contra o desenho cruel das prisões tipo F. Um relatório conjunto do TTB, TBB e TMMOB, concluiu que as prisões tipo F foram criadas para derrubar psicologicamente os prisioneiros através do isolamento.
Este sistema foi criado um ano depois da Turquia se ter tornado oficialmente um país candidato à adesão à União Europeia. Numa atitude que pareceu estar de acordo com o caminho para a adesão à União Europeia, a Turquia começou a implementar o desenho das prisões de tipo F, de acordo com os modelos da União Europeia e dos Estados Unidos. Convenientemente, talvez, a separação dos prisioneiros ajudou a resolver o desagrado do Governo relativamente a uma situação que descreviam como “prisioneiros a governarem a prisão”. Muitos alegam que se foi mais além da utilização do isolamento como um estilo ocidental de “confinamento solitário” ou instrumento de punição, tornando-se em vez disso o modelo de procedimento para os prisioneiros políticos.
Na situação actual, os prisioneiros não se opõem ao sistema tipo F, mas à ênfase dada ao isolamento. Apesar do sistema turco se basear nas prisões dos Estados Unidos e Europa, os prisioneiros das prisões tipo F turcas dizem que contrariamente à maior parte dessas prisões, não têm espaço ou tempo para se socializarem. É o grau e a qualidade da interacção que muitos dizem ser incompatível com o sistema europeu e americano.
Algumas associações de direitos humanos e alguns políticos, têm relacionado os pedidos dos prisioneiros com a fórmula “três portas, três fechaduras”. Na arquitectura turca das prisões tipo F, existem celas para três pessoas em cada corredor. Os prisioneiros e os seus apoiantes, pedem para que as portas de cada corredor permaneçam abertas durante o dia. Aşçı disse que a concordância com esta fórmula, ou qualquer outra acordada entre o Governo e os prisioneiros, acabaria com a sua greve de fome.
O jornalista do diário "Hürriyet", Ahmet Hakan, também visitou Aşçı no início da passada semana. Escreveu uma carta aberta a Aşçı na passada quinta-feira pedindo-lhe para terminar a sua greve de fome. Escreveu: “Meu amigo Behiç, tens de acabar com isso porque triunfaste.” Hakan diz que mesmo que o Governo não faça nada, Aşçı renovou uma consciência pública que tinha sido perdida. De acordo com Hakan, o facto das organizações não governamentais e de grupos de defesa dos direitos humanos se estarem a manifestar publicamente sobre este assunto, faz com que Aşçı tenha atingido o seu objectivo.
Organizações não governamentais, artistas e cidadãos anónimos, participaram numa conferência sobre as prisões tipo F, a 4 de Dezembro em Istambul. Se por um lado a consciência pública aumentou significativamente, o Ministério da Justiça e o Directorado Geral das Prisões permanece em silêncio sobre o assunto. Ece Temelkuran, jornalista e autora do livro "O Que Mais Posso Dizer", sobre as greves de fome na Turquia como forma de protesto contra as prisões tipo F, diz que não aprova as greves de fome como forma de activismo, mas acredita que as condições que levam as pessoas a usar este método são importantes. "Ignorar 122 mortes e um advogado que está a morrer é mais terrível do que as próprias greves de fome," disse. Referiu ainda que "se não fosse este tipo de activismo radical, o isolamento nunca teria feito parte da agenda".
A jornalista que entrevistou Behiç só esteve com ele durante 13 minutos porque, "senti a necesidade de limitar a nossa conversa às suas necessidades mais imediatas. Não quis gastar a sua energia, que estava visivelmente limitada." Diz que pretende juntar a sua voz à de Ahmet Hakan, felicitando-o pela sua vitória e pedindo-lhe que termine a sua greve de fome: "O sistema judicial não vai ser salvo com a sua morte, mas com a sua vida. Tem clientes para defender no tribunal."

15 dezembro 2006

Cimpor negoceia na Turquia maior aquisição dos últimos sete anos

A Cimpor está a preparar a maior aquisição dos últimos sete anos, a compra da quinta cimenteira turca. A empresa portuguesa confirmou ontem, num comunicado lacónico, que se encontra em "fase avançada de negociações com os respectivos accionistas" para a compra da cimenteira Yibitaş Lafarge Orta Anadolu Çimento Sanayi ve Ticaret (YOLAC). De acordo com o jornal turco "Huürriyet", o negócio ascende a 535 milhões de euros e poderá concretizar-se nos próximos dias. A confirmar-se este valor, a cimenteira turca será a maior transacção da Cimpor no mercado internacional dos últimos sete anos. Comparável em valor foi a compra, em 1999, da Brasileira Brennand, um investimento, à data, de 594 milhões de dólares.
A cimenteira turca tem uma capacidade de produção de dois milhões de toneladas por ano e representa cerca de sete por cento da produção do país. A Yitibaş é controlada pelo grupo francês Lafarge, um dos principais accionistas da Cimpor, com cerca de 12 por cento. Esta será, pelo menos, a terceira grande aquisição da empresa portuguesa ao parceiro estratégico francês, a quem já comprou a Portland, na África do Sul, e activos vários no mercado espanhol.
A administração da Cimpor já tinha revelado a possibilidade de realizar uma grande aquisição ainda este ano. O administrador Manuel Faria Blanc adiantou, em Setembro, que a empresa tinha como objectivo investir em média 150 milhões de euros por ano em novas aquisições, mas adiantava que a capacidade financeira da Cimpor era muito superior e podia suportar operações de maior dimensão.
Apesar de qualificaram esta operação de "estrategicamente positiva", por reforçar a presença num dos principais mercados do Mediterrâneo, analistas do BPI consideram o preço avançado pela imprensa turca muito elevado - 266 euros por tonelada -, um valor muito acima da média dos negócios concretizados naquela região.
Os mercados alvo para novas aquisições são a China, a Índia, América Latina, bacia do Mediterrâneo e Estados Unidos, uma estratégia que procura também contrariar o quinto ano consecutivo de quebra no consumo de cimento em Portugal. Em Outubro, a Cimpor anunciou a entrada na China, com a compra de uma unidade na província de Shangdong, que está a ser alvo de uma duplicação da capacidade de produção.
O ano fica também marcado por desinvestimentos por imposição: a alienação de 49 por cento da Cimangola por 74 milhões de dólares (56 milhões de euros, no quadro de um acordo para resolver um conflito com o Governo de Luanda e a venda de 26 por cento da Sul-Africana Portland, por imposição legal, negócio a realizar, em parte, até ao final do ano, com um encaixe esperado de 80,5 milhões de euros.

(Fonte: DN)

Embaixadora da Turquia em Portugal faz balanço da sua missão

A embaixadora da Turquia em Portugal considera "muito promissora" a criação de empresas mistas luso-turcas para a exploração de mercados tradicionais e preferenciais dos dois países em diferentes continentes.
Numa entrevista de balanço de quase cinco anos de missão, agora a terminar, centrada nas relações bilaterais Portugal-Turquia, a embaixadora Zergün Korutürk declarou que, se o seu país "puder beneficiar da experiência portuguesa acumulada no Brasil e em África, através de empresas mistas, estará aberto um caminho muito promissor para o reforço das relações económicas bilaterais." Simultaneamente, afirmou a embaixadora, "a Turquia tem um grande peso em mercados não só europeus, mas também no Cáucaso, Rússia e Ásia Central," o que também é do interesse dos investidores de Portugal. "É preciso que as partes se conheçam melhor e ganhem confiança," aconselhou a diplomata, lembrando que um dos êxitos da sua missão foi a criação de um conselho para iniciativas empresariais conjuntas, cujo saldo de funcionamento "é positivo". "Tem estado a funcionar bem, reunindo-se alternadamente, cada seis meses, em Istambul e em Lisboa," sublinhou.
Além do desconhecimento e natural reserva mútua, outro óbice a um melhor relacionamento empresarial é "a distância entre os dois países". Na opinião de Zergün Korutürk, o turismo seria um bom investimento, até porque, em 2005, indicou, "cerca de 20 000 portugueses visitaram a Turquia, um país com 70 milhões de habitantes que também gostam de viajar." Em 2005 foi criada uma parceria entre as companhias aéreas turca (Turkish Airlines) e portuguesa (TAP) para voos directos entre os dois países, três vezes por semana.
A diplomata reconheceu que a "situação nas relações económicas bilaterais está melhor, embora não reflicta o potencial da Turquia, um mercado imenso e muito dinâmico".
Desde 2001, o crescimento sustentado acumulado da Turquia é de 35 por cento e, nos últimos três anos, de 7,8 por cento.
Zergün Korutürk condenou "a tendência para avaliar tudo pela bitola das relações Turquia-União Europeia (UE)". "As relações económicas Portugal-Turquia não têm de passar obrigatoriamente pela esfera da UE," frisou.
Em números do ICEP-Portugal, o saldo da balança comercial portuguesa com a Turquia é amplamente deficitário, sendo as exportações para aquele país menos de metade das importações anuais, que rondam os 250 milhões de euros. As principais exportações portuguesas para a Turquia são veículos automóveis para transporte de mercadorias, hidrocarbonetos, papel, resinas e aparelhos de precisão. As importações mais significativas são ferro, cimento, algodão e televisores.
No sector do ensino, foi criado um curso de Língua e Cultura Turca na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, como cadeira optativa e com duração de quatro anos, ministrada por um professor turco enviado pelo Ministério da Educação de Ancara. Em contrapartida, a Língua e Cultura Portuguesa é ensinada por um professor destacado pelo Instituto Camões na Universidade de Ancara. Bolsas de estudo para os alunos mais distinguidos são concedidas pelos dois países para que os jovens aprofundem conhecimentos na Turquia, ou em Portugal. "O Português, língua de mais de 200 milhões de pessoas no mundo, e o Turco de outras tantas, estão a par no universo de falantes que englobam," valorizou a embaixadora.
A embaixada promoveu ainda exposições, nomeadamente de livros, em Turco e Inglês, alguns dos quais textos científicos.
Uma palavra final foi deixada por Zergün Korutürk para expressar "tristeza" ao deixar Portugal e "tantos amigos", que sempre lhe dispensaram um "caloroso acolhimento".
"Portugal é um firme defensor da adesão da Turquia à UE," congratulou-se, não deixando passar em claro que, durante a sua missão, visitaram Lisboa dois presidentes, dois chefes de Governo e vários ministros turcos.

(Fonte: RTP)

14 dezembro 2006

Presidente Sezer pediu ao Governo a realização de eleições antecipadas


O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan rejeitou ontem um pedido feito pelo presidente da República para a realização de eleições antecipadas, e insistiu que tanto as eleições presidenciais como as eleições gerais devem ser realizadas nas datas previstas. “O Parlamento actual irá eleger o presidente,” disse Erdoğan, numa reunião do seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).
As declarações de Erdoğan, surgiram depois do presidente Ahmet Necdet Sezer ter juntado a sua voz aos pedidos de eleições antecipadas que têm surgido no âmbito da tensão política crescente sobre quem irá suceder Erdoğan em Maio.
Referindo-se àqueles que pedem eleições antecipadas, mas sem mencionar nomes, Erdoğan disse: “Dizem que este Parlamento não deve ou não pode eleger o presidente. Deviam ser leais ao Parlamento e à Constituição. O que é que vos aconteceu? O nosso povo vai fazer esta pergunta. Não vamos deixar que a estabilidade seja perturbada.”
Erdoğan reiterou que as duas eleições, presidenciais e gerais, devem ser realizadas nas datas previstas.
Os partidos da oposição também pediram eleições antecipadas, alegando que o Parlamento precisa de um mandato renovado para eleger o próximo líder do Estado. O líder de um dos partidos da oposição, Mehmet Ağar do Partido do Caminho Verdadeiro (DYP), argumentou que Abril é demasiado tarde para a realização de eleições gerais.

Embaixadora da Turquia em Portugal: "Bruxelas é um instrumento nas mãos de Nicósia"


A embaixadora da Turquia em Portugal classificou de "injusta" a decisão da União Europeia (UE) de suspender parcialmente as negociações para a adesão do seu país, e afirmou que Bruxelas "é um instrumento nas mãos de Nicósia".
Zergün Korutürk, de origem cipriota grega, falava à agência Lusa no rescaldo do Conselho de Ministros da UE da passada segunda-feira, que sufragou uma proposta da Comissão Europeia de suspender oito de 35 capítulos a negociar para a adesão da Turquia. Na base dessa decisão está o incumprimento da extensão do Acordo de Livre Comércio à República de Chipre, com a qual Ancara está de relações cortadas há mais de três décadas.
"A UE está a ser muito injusta com a Turquia," declarou a diplomata, frisando que a resolução do contencioso cipriota nunca fez parte dos critérios exigidos por Bruxelas a Ancara. "Quando a candidatura turca à UE foi oficialmente aceite, na Cimeira de Helsínquia de 1999, Ancara recebeu garantias de que o contencioso cipriota não seria um critério exigido nas negociações para a adesão," realçou. Todavia, ao subscrever (Julho de 2005) a extensão do acordo aduaneiro à dezena de novos membros comunitários desde Maio de 2004, Ancara ficou obrigada a abrir os seus portos e aeroportos à República de Chipre, o que não fez desde o início das negociações oficiais para a adesão (Outubro de 2005). Como medida sancionatória, a UE decidiu suspender oito dos 35 capítulos a negociar para a adesão turca, motivo pelo qual a representante diplomática de Ancara em Portugal acusou Bruxelas de ser "um instrumento nas mãos de Nicósia".
"A República de Chipre está escudada na UE para nunca resolver o contencioso da ilha," denunciou, aludindo à divisão insular que persiste desde 1974, entre a comunidade cipriota grega, a sul, e a cipriota turca radicada na República Turca de Chipre do Norte (RTCN).
A RTCN, só reconhecida por Ancara, foi auto-proclamada independente em 1983 e está sob bloqueio internacional desde 1994.
"Mesmo que uma maioria de países comunitários esteja contra a posição do Conselho de Ministros da passada segunda-feira, nunca afectará a decisão final da UE," lamentou Zergün Korutürk. A diplomata insurgiu-se por Bruxelas só ouvir "um lado da história, na versão da República de Chipre", incumprindo a promessa de levantamento do bloqueio à RTCN feita a 26 de Abril de 2004, dois dias depois do referendo ao Plano (Kofi) Annan (secretário-geral das Nações Unidas) para a reunificação insular e adesão como um todo à UE, "chumbado" pelos Cipriotas gregos, mas aprovado pelos Cipriotas turcos.
"A promessa da UE durou cinco dias exactamente, até 1 de Maio de 2004, quando aderiu a República de Chipre, apesar do não ao Plano Annan, ficando de fora a RTCN," ironizou.
Zergün Korutürk confessou estar "céptica" em relação à causa dos Cipriotas turcos, que foram as vítimas das hostilidades dos Cipriotas gregos a partir de 1963, até à invasão militar turca da ilha em 1974, para impedir a sua anexação à Grécia e a "limpeza étnica" da população muçulmana local.. A propósito, a embaixadora perguntou quem na UE, entre políticos e opinião pública, conhece estes antecedentes para se pronunciar com razão e admitiu que "o bloqueio à RTCN persistirá se Bruxelas não se impuser para Nicósia arrepiar caminho".
"A Turquia nunca abandonará a RTCN," vincou, justificando que o seu país "não pode abdicar da política de defesa intransigente dos direitos dos cipriotas turcos".
Para a diplomata, porque "até os países pouco favoráveis à adesão turca concordam ser do interesse comunitário não deixar descarrilar o processo", a Turquia não deverá abandonar as negociações.
"O processo não passa só pelo contencioso cipriota, e a UE jamais permitiria que Ancara se retirasse," assegurou, lançando um repto: "Bruxelas deverá decidir quais são os benefícios, ou desvantagens, em ter a Turquia dentro, ou fora."
Zergün Korutürk concluiu: "No seu tratado de adesão, a República de Chipre comprometeu-se a alcançar uma solução global para o contencioso insular no quadro da ONU e a evitar qualquer atitude passível de infligir danos à economia cipriota turca. Nunca cumpriu."

(Fonte: RTP/Lusa)

13 dezembro 2006

Única revista "gay" da Turquia acusada de crime de obscenidade


O editor da revista "Kaos GL", a única revista "gay" da Turquia, foi acusado de promover a pornografia e corre o risco de ser preso.
O Artigo 226 do Código Penal turco prevê uma pena de prisão de seis meses a três anos por publicação de "imagens obscenas".
A revista tem tentado defender-se do processo desde 2005, altura em que a edição do número 28 foi confiscada. Alega que os termos da acusação não são claros e que não caracterizam exactamente em que é que consiste o crime praticado pela revista.
A revista diz que se o recurso da sentença não for atendido, vai apelar ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

10 dezembro 2006

Jornalista condenado a pagar cerca de 2500 euros por ter "insultado" o primeiro-ministro

O jornalista do jornal diário "Birgün", Erbil Tuşalp, foi considerado culpado ontem por ter "insultado" o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan. Tuşalp foi considerado culpado pelos comentários que escreveu num artigo, onde perguntava se Erdoğan teria tido febre alta em criança e usou o termo “agressivo psicótico” para o descrever. O advogado de Tuşalp argumentou que os comentários não foram insultos mas sim críticas, não tendo convencido o tribunal. Erdoğan tinha pedido uma indemnização de 10 000 YTL (cerca de 6000 euros).

09 dezembro 2006

Orhan Pamuk discursou em Estocolmo

Orhan Pamuk, o autor turco vencedor do Prémio Nobel da Literatura deste ano, num discurso proferido na quinta-feira em Estocolmo, revelou como se tornou escritor, o que sente quando escreve, e como se sentiu ao viajar com uma mala que lhe foi entregue pelo seu pai, que morreu em 2002.
O discurso, que Orhan Pamuk intitulou "A Mala do Meu Pai", incluiu as palavras que o seu pai, Gündüz Pamuk, lhe disse antes de morrer: um dia Orhan Pamuk receberia o prémio Nobel. Pamuk concluiu o seu discurso dizendo: "Gostaria tanto que o meu pai estivesse aqui entre nós neste dia."

07 dezembro 2006

As mulheres turcas conquistaram o direito de voto há 72 anos


Há 72 anos, a 5 de Dezembro de 1934, as mulheres turcas conquistaram o direito de voto e o direito de serem eleitas para cargos políticos. Na passada terça-feira, mulheres de todo o país, juntaram-se para comemorar o aniversário deste importante evento na história da Turquia.

A Assembleia do Conselho de Mulheres da cidade de Antália, iniciou as celebrações com a colocação de flores no monumento de Atatürk, na Praça da República dessa cidade. Os deputados de Antália pelo Partido Republicano do Povo (CHP), Tuncay Ercen e Hüseyin Emekçioğlu também estiveram presentes na cerimónia.
A porta-voz da Assembleia das Mulheres, disse que apesar dos previlégios que lhes foram concedidos, a representação das mulheres turcas no poder local e no Parlamento é ainda insignificante. Estas mulheres pediram a introdução de uma quota de pelo menos 30 por cento na Lei dos Partidos Políticos, para facilitar a participação activa das mulheres (cerca de 51 por cenmto da população turca) na política.
Numa declaração, a deputada do CHP por Adana, Nevin Gaye Erbatur, disse: “Hoje estamos a combater uma mentalidade que tenta puxar as mulheres para casa, em vez de as integrar na sociedade.” A sua declaração destacou a representação das mulheres no Parlamento de 4,6 por cento em 1935, e de unicamente 4,4 por cento actualmente. Disse também que, apesar de 36 por cento dos professores universitários, 31 por cento dos arquitectos e mais de 50 por cento dos dentistas serem mulheres, elas parecem incapazes de aceder a posições administrativas. "Apesar de terem passado 72 anos, as mulheres ainda não têm uma posição satisfatória no Parlamento," disse Erbatur, acrescentando que a principal razão, é o facto da política ainda ser considerada como uma arena dominada por homens. Erbatur disse ainda que queria ver mulheres no CHP, não como convidadas, mas como parte do "staff" político.
Em Aydın, o reitor da Universidade Adnan Menderes, Şükrü Boylu, elogiou os direitos atribuídos às mulheres em 1934, como uma conquista fundamental contra uma mentalidade regressiva e tradicionalista.
O líder do Partido da Terra Natal (ANAVATAN), Erkan Mumcu, numa reunião do seu partido na passada terça-feira, também congratulou o 72.º aniversário do sufrágio das mulheres, sublinhando que as mulheres, que correspondem a 51 por cento da população, estão escassamente representadas no Parlamento turco. Mumcu disse que representar as mulheres só com 24 deputados é injusto: “Excluir as mulheres da vida social é uma grande injustiça e também improdutivo.” Destacou também que uma discriminação deste tipo tem de terminar o mais rápido possível.
O ministro do Interior, Abdülkadir Aksu, disse que o assunto dos direitos das mulheres é “uma luta que está a decorrer em paralelo com a aceitação da democracia como um estilo de vida.” O ministro disse: “Todos os nossos esforços estão relacionados com trazer a mulher para o lugar que merece na nossa sociedade.” Estas declarações foram proferidas numa reunião organizada pelo Fundo das Nações Unidas para as Populações (UNFPA), pela Fundação Sabancı para a Educação (VAKSA) e pela Associação para a Educação e Apoio de Candidatos Femininos (KA-DER), para avaliar os resultados de um projecto das Nações Unidas para melhorar e proteger os direitos das mulheres e raparigas. No seu discurso, Aksu disse ainda: “Assegurar igualdade entre homens e mulheres é geralmente aceite como justiça social. O nosso Governo, que está consciente disso, estabeleceu como objectivo fundamental, colocar as mulheres numa posição em que possam ter responsabilidades iguais às dos homens em todas as áreas.” Sublinhou igualmente que o Governo tem introduzido um grande número de regras para melhorar o estatuto social das mulheres.

Numa manifestação em Adana, para celebrar o aniversário do sufrágio e do direito de serem eleitas para cargos políticos, algumas mulheres reagiram adversamente quando o líder distrital do Partido do Movimento Nacionalista (MHP), Hasan Yaman, se juntou às comemorações, dizendo: “Este não é um lugar para políticos. É errado um político do sexo masculino participar numa actividade de mulheres.”
Um grupo de mulheres da Assembleia do Conselho de Mulheres da cidade de Adana e do KA-DER, reuniram-se na Praça Uğur Mumcu e marcharam até ao Parque Atatürk, acompanhadas pela Banda Municipal Metropolitana.
Yaman abandonou o local depois de ter observado as comemorações do aniversário durante algum tempo.
A responsável pela filial do KA-DER em Adana, Lütfiye Görgün, disse que as mulheres não podiam celebrar com satisfação o aniversário, porque o direito de voto e de serem eleitas não estava a ser usado efectivamente, com as mulheres muito longe do objectivo estabelecido por Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da nação. Görgün disse que "só 24 parlamentares, de um total de 550, são mulheres, o que mostra que de facto as mulheres não têm lugar na política. Temos uma grande população, mas não fazemos parte da administração do país. As mulheres que trabalham activamente nos partidos políticos não se tornam uma janela para o partido, tornam-se o seu cérebro! Nós queremos que pelo menos sete dos 14 deputados de Adana, sejam mulheres no próximo ano," disse.

04 dezembro 2006

Bento XVI: "Deixo parte do meu coração em Istambul"


O Papa Bento XVI terminou a sua visita à Turquia na passada sexta-feira, depois de ter estendido a mão aos muçulmanos e aos cristãos ortodoxos, mas mantendo no entanto uma posição firme relativamente à autoridade papal e às raízes cristãs da Europa.

Na sexta-feira de manhã, celebrou uma missa na Catedral do Espírito Santo em Istambul, onde também esteve presente o líder dos cristãos ortodoxos Bartolomeu I. Na quinta-feira, ambos tinham feito uma declaração conjunta, assumindo o compromisso de continuarem a trabalhar para unirem as suas igrejas, separadas desde o Grande Cisma de 1054.
O Papa usou também esta visita para diminuir o descontentamento dos muçulmanos, causado pelo discurso que proferiu em Setembro e que incendiou o mundo islâmico. Por essa razão, foi accionado o maior dispositivo de segurança de sempre na Turquia, mas os protestos foram escassos durante a sua visita.
O Papa pediu mais liberdade religiosa na Turquia e disse que o secularismo enfraqueceu as tradições cristãs.
Considerado pelos peritos católicos como mais conservador nos assuntos teológicos e menos interessado em criar laços com o Islão do que o seu antecessor, alguns sectores da igreja esperavam que ele adoptasse uma posição mais forte relativamente a esses assuntos.
Um dia depois de ter cumprimentado o Papa, o presidente turco, Ahmet Necdet Sezer, vetou parcialmente a Lei das Fundações, que se esperava que viesse aumentar os direitos de propriedade das minorias não muçulmanas que vivem na Turquia. Sezer vetou vários artigos da lei, vista como uma das mais significativas reformas da União Europeia.
O acontecimento mais importante da visita do Papa à Turquia, acabou por ser a sua deslocação à Mesquita de Sultanahmet (Mesquita Azul) e a sua atitude de reverência. O popular jornal diário turco "Hürriyet" escreveu: “Na Mesquita de Sultanahmet, voltou-se para Meca e rezou como um muçulmano.” Já o jornal diário "Akşam" publicou na primeira página: “A temida visita do Papa terminou com uma surpresa maravilhosa.” Os oficiais do Vaticano também caracterizaram a visita à mesquita como um gesto de reconciliação. O Papa tirou os sapatos, tal como é costume numa mesquita, e meditou silenciosamente, enquanto o mufti de Istambul rezava alto. Quando o mufti deu por terminada a oração, Bento XVI deteve-se por segundos, ainda voltado para Meca. O Papa Bento XVI tornou-se no segundo Papa da história a entrar numa mesquita, depois de João Paulo II também o ter feito numa mesquita de Damasco, em 2001. O porta-voz do Vaticano, Cardeal Roger Etchegaray, comparou a visita do Papa à mesquita, à visita de João Paulo II ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, em 2000. “Ontem, Bento XVI fez com os muçulmanos, aquilo que João Paulo II fez com os judeus.”
Minutos antes de entrar num avião especial das linhas aéreas turcas no fim da sua primeira visita a um país muçulmano, o Papa disse ao governador de Istambul, Muammer Güler: “Deixo parte do meu coração em Istambul.” Disse também, antes da sua partida, que esperava que a sua visita pudesse contribuir para um "melhor entendimento" entre religiões.

02 dezembro 2006

Embaixadora da Turquia em Portugal comenta a viagem do Papa ao seu país

A embaixadora da Turquia em Lisboa vê a visita do Papa ao seu país como um sinal de apoio à entrada da Turquia na União Europeia.
Zergün Korutürk faz uma leitura essencialmente política da viagem do Papa, avaliando também a deslocação de Bento XVI como um reconhecimento do papel do seu país no diálogo entre civilizações. A diplomata lembra que o Papa destacou a importância da Turquia como ponte entre duas civilizações e deu, também, um contributo para essa ponte.

(Fonte: Rádio Renascença)

01 dezembro 2006

O Papa Bento XVI rezou na Mesquita Azul

O Papa Bento XVI pôs termo ontem, em Istambul, a semanas de especulação na imprensa turca sobre se iria ou não rezar no Museu de Santa Sofia. Em vez de ter parado para rezar na antiga igreja bizantina, o Papa escolheu rezar na Mesquita Azul, olhando para Meca.

Após uma visita ao Museu de Santa Sofia, o Papa foi recebido na Mesquita Azul pelo mufti de Istambul, Mustafa Çagrıcı, e pelo mufti de Eminönü, Muharrem Bilgiç. Deixou os sapatos à porta, e foi acompanhado pelo mufti Mustafa Çagrıcı na sua visita ao interior da mesquita.
O mufti explicou-lhe os rituais da religião islâmica, nomeadamente as funções do mihrab (nicho das orações) e do minber (púlpito), explicou-lhe os motivos decorativos dos tectos da mesquita, e depois convidou-o a juntar-se a ele num "momento de paz", olhando para o kible que está orientado para Meca. O Papa juntou-se a Çagrıcı imitando os seus gestos, e rezou.
Esta foi uma visita histórica, cheia de significado, e a segunda visita de um Papa a uma mesquita. A ida do Papa Bento XVI à Mesquita Azul, que inicialmente não fazia parte do programa da sua visita, está a ser entendida como um gesto de reconciliação com o Islão e como um acto de respeito para com o povo muçulmano.

O Papa parece ter recuado num eventual apoio à adesão da Turquia à União Europeia

O Papa Bento XVI salientou as “raízes cristãs” da Europa e olhou para as liberdades religiosas e direitos das minorias, arrefecendo um pouco as esperanças da Turquia relativamente a um eventual apoio do Vaticano à sua adesão à União Europeia. “Na Europa, ao mesmo tempo que existe uma abertura a novas religiões e aos seus contributos culturais, devemos unir os nossos esforços para preservar as raízes cristãs e as suas tradições e valores,” disse Bento XVI numa declaração conjunta com o patriarca dos Gregos ortodoxos Bartolomeu I, no terceiro dia da sua visita histórica à Turquia.
De manhã cedo, o Papa, secundado por Bartolomeu I, depois de uma missa na Catedral de São Jorge, disse num discurso, que “o processo de secularização tem enfraquecido a manutenção da tradição cristã na Europa. Face a esta realidade, somos chamados, juntamente com todas as comunidades cristãs, a renovar a consciência da Europa relativamente às suas raízes, tradições e valores cristãos, dando-lhes nova vitalidade.”
Com a ênfase dada às raízes cristãs da Europa, o Papa parece querer enviar sinais à Turquia muçulmana, candidata à entrada na União Europeia. No entanto, o Papa conquistou os corações dos Turcos com uma série de atitudes que adoptou desde a sua chegada, principalmente com o seu apoio à entrada da Turquia na União Europeia, segundo declarações do primeiro-ministro turco. “Nós não somos políticos, mas desejamos que a Turquia entre na União Europeia,” disse Erdoğan, citando o Papa numa conferência de imprensa após o encontro de ambos em Ancara.
O apoio de Bento XVI à entrada da Turquia na União Europeia foi aplaudido na Turquia, porque o apoio do Vaticano pode ajudar a melhorar significativamente a opinião pública relativamente à aceitação da Turquia na União Europeia. No entanto, discute-se agora na imprensa turca, nomeadamente no jornal diário "Cumhüriyet", se Erdoğan terá distorcido as palavras do Papa. O mesmo jornal acrescenta que o Vaticano não gostou das palavras de Erdoğan.
Na sua declaração conjunta com Bartolomeu I, o Papa disse que o respeito pela liberdade religiosa deve ser um critério para a adesão da Turquia à União Europeia, que deve assegurar que os seus membros respeitem os direitos das suas minorias religiosas. Esta declaração veio no seguimento das queixas do Patriarcado relativamente às restrições impostas pela Turquia, nomeadamente o encerramento de um seminário teológico, e a confiscação de várias propriedades às fundações cristãs. “Nós vimos de forma positiva o processo que levou à formação da União Europeia. Aqueles que estão envolvidos neste grandioso projecto não deveriam falhar no que diz respeito a levar em consideração todos os aspectos que afectam os direitos inalienáveis da pessoa humana, especialmente a liberdade religiosa. Em todos os passos relativos à unificação, as minorias devem ser protegidas, juntamente com as suas tradições culturais e com a distinção das características da sua religião,” acrescentou.
A União Europeia quer que a Turquia assegure total liberdade religiosa às suas minorias não muçulmanas. Isso significa dar-lhes um estatuto legal, incluindo os direitos de propriedade, para assim poderem operar livremente como instituições, e permitindo que tenham as suas próprias escolas.

O Papa Bento XVI na casa da Virgem Maria e no Patriarcado Grego Ortodoxo

Depois de ter passado o primeiro dia da sua visita em Ancara, o Papa Bento XVI seguiu para a vila de Selçuk, na província de Izmir, onde celebrou uma missa na casa da Virgem Maria, para um audiência de cerca de 550 pessoas, incluindo convidados do Sri Lanka, Ilhas Virgens, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Itália e Turquia. Depois das orações conjuntas com os crentes, o Papa fez um discurso que durou cerca de uma hora e meia, onde mencionou os seus dois antecessores que também visitaram o mesmo local: o Papa João Paulo VI e o Papa João Paulo II. Também referiu João Paulo XXIII, que antes de ser Papa, foi delegado apostólico na Turquia entre Janeiro de 1935 e Dezembro de 1944. Lembrando as boas relações do Papa João XXIII com os Turcos e a Turquia, o Papa Bento XVI citou palavras de João XXIII: "Eu amo os Turcos e admiro as suas qualidades." Também falou da importância da Turquia no mundo, como ponte entre culturas: "Constituindo uma ponte entre continentes, é vital que a paz e o bem-estar vivam em harmonia no seu solo." As úlltimas palavras do seu discurso foram em Turco: "Aziz Meryem, bizim için dua et (Virgem Maria, reza por nós)."

Depois o Papa Bento XVI rumou a Istambul para a Igreja do Patriarcado Grego Ortodoxo, a Igreja Aya Yorgi, onde participou numa celebração em sua honra. Aí, dirigindo-se a uma vasta audiência, disse: "Gostaria de dizer que gostei muito desta recepção tão fraterna por parte do Patriarcado Ecuménico, e que ficará sempre no meu coração. Agradeço a Deus termos sido abençoados com este encontro, que tem tanto significado e está cheio de boas intenções." O Papa mencionou também as relações entre a Igreja Católica e Ortodoxa e disse estar muito agradecido por estar neste momento em Istambul: "Estou muito agradecido por estar neste solo, que está tão ligado ao Cristianismo, e que foi a casa de tantas igrejas em tempos antigos."