google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

03 junho 2013

Protestos contra o Governo alastram

O primeiro-ministro turco, Recep Tayip Erdoğan, acusou o Partido Republicano do Povo, na oposição, de estar a manipular os manifestantes que ocuparam a principal praça de Istambul. A contestação alastra e o governante disse que não há "Primavera turca".
 
Os confrontos entre manifestantes e polícia prosseguiam esta segunda-feira, cuja madrugada foi muito violenta. A insurreição turca fez, entretanto, a primeira vítima. O sindicado dos médicos turcos anunciou a morte de uma pessoa por atropelamento, numa auto-estrada perto de Istambul por onde caminhavam manifestantes. A Reuters diz que o condutor do automóvel se lançou contra os manifestantes, o El País conta que se tratou de um despiste de um taxista devido à presença de gente naquela via de circulação rápida.
Em comunicado, citado pela AFP, o sindicato atribuiu a morte do manifestante - um jovem membro de uma associação de esquerda - à "intransigência" do primeiro-ministro e à brutalidade que as forças da ordem estão a pôr na repressão dos protestos.
À medida que os protestos alastram, a repressão é maior. Em Ancara, onde também já se realizam manifestações contra Erdoğan, a polícia lançou esta tarde gás lacrimogéneo contra a população nas ruas.
Os protestos na Turquia começaram há sete dias - entram pois na segunda-semana - e a violência eclodiu há quatro. O motivo imediato desta onda de indignação popular foi o anúncio de que o parque Gezi, junto à praça central de Taksim, em Istambul, seria destruído para ser reconstruída uma caserna militar otomana com um centro comercial no interior. Isso foi apenas o gatilho que fez disparar a fúria contra as políticas conservadoras e islamizantes do Governo e o ímpeto de lançamento de projectos faraónicos em Istambul.
Erdoğan, classificando os manifestantes de "franja extremista", atacou a oposição. "O maior partido da oposição, que todos os dias apela a que se faça resistência nas ruas, está a provocar estes protestos", disse o primeiro-ministro que, no domingo, numa intervenção que passou na televisão turca, considerou as redes sociais um perigo.
Disse ainda haver suspeitas de que há "estrangeiros por detrás das manifestações, e que os serviços secretos turcos vão investigar se há "interferências de potências estrangeiras" nos protestos. "Não é possível revelar os seus nomes, mas vamos encontrar-nos com os líderes", assegurou Erdoğan, citado pelo site em Inglês do jornal turco Hurriyet.
As redes sociais estão também a ser visadas pelos dirigentes turcos: "Agora há uma ameaça chamada Twitter. E os melhores exemplos das mentiras [da oposição] estão ali. Para mim, as redes sociais são a maior ameaça à sociedade", tinha dito o primeiro-ministro no domingo à noite.
 
Claques unidas
Para acolher os que ficaram feridos durante a madrugada e já no período da manhã, mesquitas, lojas e a universidade foram, segundo a Reuters, transformadas em hospitais improvisados. O número de feridos não é exacto, mas uma associação médica disse que entre sexta-feira e a madrugada de segunda foram assistidos 484 manifestantes em hospitais de Istambul. A BBC diz que alguns hotéis também abriram as portas a estes feridos e nota que os protestos estão a criar uma unanimidade pouco habitual, com os adeptos dos clubes rivais — em Istambul não há rivalidade clubística, há ódio — a marcharem juntos.
Na origem deste descontentamento está a política de Erdoğan e algumas regras que o Governo aprovou nas últimas semanas e que, segundo os observadores, têm como finalidade islamizar a sociedade turca.
Recep Erdoğan, líder do Partido da Justiça e Desenvolvimento, é um conservador. O partido é de inspiração islâmica e está no poder há dez anos. Tem imposto uma visão moralista da sociedade que, apesar de maioritariamente muçulmana, é laica.
Recentemente, foi limitada a venda de álcool, assim como a publicidade a este produto. E numa estação de metro de Ancara foi transmitido um aviso sonoro dizendo a um grupo de adolescentes que lá se encontrava que os beijos em público são proibidos. As hospedeiras da Turkish Airlines foram proibidas de usar saias demasiado curtas e justas e baton vermelho. A revista Foreign Policy fala de uma vaga de neo-otomanismo na Turquia, de que faz parte um plano de construção de edifícios de grande envergadura, e o centro comercial da Praça Taksim fará parte desse plano.
Fontes oficiais citadas pela BBC indicam que os protestos de Istambul alastram ao resto do país. Nos últimos dias houve manifestações contra o governo em 67 cidades. Foram detidas 1700 pessoas, que na sua maior parte já foram libertadas. Imagens de televisão mostraram parte do edifício do AKP em chamas, em Izmir, mas a agência Doğan noticiou que os bombeiros dominaram o incêndio.
"Erdoğan não ouve ninguém", disse ao jornal britânico, The Guardian, Koray Calişkan, analista político de Istambul e professor na Universidade do Bósforo. "Nem sequer ouve os membros do seu partido. Mas depois destes protestos terá que aceitar que é o primeiro-ministro de um país democrático e que não pode governar sozinho".
 
Apelo da União Europeia
O risco de a violência subir de tom e de a Turquia se tornar um país em insurreição — e trata-se de um vizinho da Síria, país que está há mais de dois anos em guerra civil — levou os representantes da União Europeia e dos Estados Unidos a apelarem a Erdoğan para manter a calma e evitar a presença da polícia nas manifestações.
"Deve ser aberto um diálogo para se chegar a uma solução pacífica para o problema", disse a comissária europeia dos Negócios Estrangeiros, Catherine Ashton, citada pela Reuters. Uma porta-voz do Governo americano, Laura Lucas, fez apelo idêntico e pediu "um exercício de contenção" ao Governo turco.
Os protestos vão continuar, estando marcadas novas concentrações para esta segunda-feira. Erdoğan, por enquanto, mantém a sua agenda e nos próximos dias visitará países do Magrebe.
 
(Fonte: Público)


02 junho 2013

Erdoğan responde aos protestos com sarcasmo

No meio da maior vaga de protestos de uma década de Governo, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, respondeu este domingo aos principais partidos da oposição que o acusam de se comportar como um ditador.
“Eles arrancaram as pedras da calçada e destuiram as montras das lojas. É isso a democracia? Dizem que Tayyip Erdoğan é um ditador. Eu não tenho nada a dizer quando se chama ditador a uma pessoa que se comprometeu a servir o seu país."
As palavras do chefe do Governo foram proferidas na capital, Ancara, uma das cidades onde milhares de pessoas sairam à rua e afrontarama polícia.
As manifestações continuam este domingo sem a mesma tensão dos dois últimos dias.
Na sexta-feira e no sábado cerca de mil pessoas foram detidas em 90 manifestações por todo o país. O número de feridos ronda os dois mil.
 
(Fonte: Euronews)

01 junho 2013

Presidente turco manda a polícia retirar-se da Praça Taksim

O Presidente turco, Abdullah Gül, interveio para que a polícia se retire da praça Taksim, onde se registam violentos confrontos, com recurso a canhões de água e gás lacrimogéneo contra os manifestantes que ocupavam o parque Gezi. Os manifestantes não querem que o parque seja demolido para dar lugar à reconstrução de uma caserna dos tempos do Império Otomano e à construção de um centro comercial – um projecto caro ao primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, que prometeu que não recuaria nas suas intenções e, em vez de mandar a polícia retirar-se, ordenou à multidão que "parasse imediatamente com os protestos". Erdoğan acusou os manifestantes de terem motivações "ideológicas e não ambientais", ao concentrarem-se no parque. O chefe do Governo do Partido da Justiça e Desenvolvimento – uma formação política conservadora de inspiração islâmica, no poder há dez anos – garantia que não desistiria do projecto de renovação da praça Taksim. Mas o chefe de Estado, que era do partido de Erdoğan até se candidatar à presidência, divulgou uma declaração escrita em que afirma que as forças de segurança deveriam agir de forma mais cautelosa do que o habitual, deveriam ser sensatos ao lidar com os manifestantes, e não deveriam permitir que acontecessem "cenas tristes", lê-se no site em inglês do jornal turco Hürriyet. A tensão tem vindo a crescer nos últimos cinco dias – desde que começou o movimento "Occupy Gezi", ao estilo dos que desde 2011 têm surgido um pouco por todo o mundo. Os manifestantes tomaram o parque em protesto contra a sua destruição, mas na sexta-feira a polícia desalojou-os à força, o que chamou ao local políticos da oposição, artistas e intelectuais, que se solidarizaram com o movimento, num protesto contra o Governo de Erdoğan, que tem imposto cada vez mais a sua moral conservadora e uma repressão cada vez intensa a uma sociedade que, embora sendo de maioria muçulmana, é laica. Após confrontos ao princípio da noite em Istambul e noutras cidades, como Ancara, o sábado amanheceu com novos confrontos com a polícia, que tentou dispersar a manifestação com gás lacrimogéneo e canhões de água. Os confrontos espalharam-se pelas várias ruas que saem da praça. A fúria é dirigida contra Erdoğan e o seu partido, que tem aprovado medidas vistas pelos sectores mais moderados como atentados à liberdade. Na semana passada foi aprovada uma lei que torna muito difícil o consumo de bebidas alcoólicas na via pública: a lei proíbe a venda de álcool depois das 22 horas e interdita a sua venda nos arredores de escolas e mesquitas. Foi aprovada em nome da saúde dos cidadãos, segundo o Governo, mas a oposição vê-a como tendo motivos religiosos. Houve também polémica sobre uma estação de metro de Ancara, onde um casal de namorados foi impedido de se beijar. Para este fim-de-semana estão programados também "protestos de beijos" em Istambul e Ancara. A oposição viu nestes gestos um possível sinal de que o Governo e a maioria no Parlamento estão dispostos a "islamizar" a sociedade turca e acusou o partido no poder de violar as liberdades individuais. Os manifestantes usam máscaras e lenços a tapar a cara e entoam cânticos como "Unidos contra o fascismo". Pedem a demissão do Governo de Recep Tayyip Erdoğan, descreve a agência Reuters, num dos movimentos de protesto mais expressivos contra o poder desde a tomada de posse, em 2002. Também as cidades de Ancara e Esmirna foram palco de manifestações na sexta-feira contra o Governo.
 
(Fonte: Público)

Primeiro-ministro turco diz que polícia vai continuar a manter a ordem em Istambul

O primeiro-ministro turco declarou hoje que a polícia vai permanecer na praça Taksim, no centro de Istambul, para manter a ordem, no segundo dia de manifestações violentas contra o seu Governo, que se estenderam a outras cidades.
"A polícia estava lá ontem, está lá hoje e estará ainda amanhã porque a praça Taksim não pode ser um local onde os extremistas fazem o que querem", disse Recep Tayyip Erdogan, durante um discurso em Istambul, no qual pediu aos manifestantes para pararem "imediatamente" com o protesto "para evitar mais danos aos visitantes e aos comerciantes".
O governante assegurou que não vai por em causa o projeto de renovação urbana da praça Taksim, na origem das violentas manifestações pelo segundo dia consecutivo.
 
(Fonte: Destak)

Jovens turcos manifestaram-se hoje em Lisboa

Cerca de 20 jovens turcos concentraram-se hoje na Alameda Afonso Henriques, em Lisboa, para expressar solidariedade aos compatriotas que estão em protesto no seu país, acabando por integrar a manifestação europeia contra a 'troika'.
Os jovens turcos, residentes em Lisboa, foram acolhidos na manifestação do movimento "Que se lixe a 'troika'" pelas 18:30, quando o protesto chegou àquela alameda.
Feyda, uma cidadã turca a morar em Lisboa, disse à agência Lusa que estavam concentrados neste local para manifestar "apoio ao seu povo que está a lutar contra a polícia em Istambul".
A jovem, que se manifestou preocupada com a situação vivida em Istambul, considerou que o líder do país "é um corrupto" e "precisa de sair do poder".
O grupo, a maioria estudantes ao abrigo do programa Erasmus, exibia uma bandeira do país e outra portuguesa, além de vários cartazes onde se liam mensagens de apoio aos seus conterrâneos.
Milhares de pessoas ocuparam o Parque Gezi, um dos 'pulmões' de Istambul, em protesto contra um projeto urbanístico, até que na sexta-feira a polícia recorreu ao uso de gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, que responderam com pedras.
A repressão da manifestação pela força anti-motim da polícia causou pelo menos 20 feridos, 12 em estado grave.
Dezenas de cidades portuguesas, incluindo Lisboa, aderiram ao protesto europeu do movimento "Povos Unidos contra a 'troika'" convocado para hoje.
Realizada em 102 cidades europeias de 18 países, a manifestação visa contestar as políticas que se têm desenvolvido nos países onde a 'troika' do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional tem intervenção.
 
(Fonte: Dinheiro Vivo)

Estudantes turcos juntam-se na Covilhã para apoiar manifestantes em Istambul

Um grupo de 15 alunos turcos da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, juntou-se hoje no jardim público da cidade para apoiar com cartazes e palavras os manifestantes que protestam contra o Governo, na Turquia.
Milhares de pessoas ocuparam o Parque Gezi, um dos ‘pulmões' de Istambul, em protesto contra um projecto urbanístico, até que na sexta-feira a polícia recorreu ao uso de gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, que responderam com pedras.
A repressão da manifestação pela força anti-motim da polícia causou pelo menos 20 feridos, 12 em estado grave.
Alguns alunos turcos com idades entre os 19 e 25 anos que estão a estudar na Covilhã até ao final do semestre têm acompanhado a situação através das redes sociais na Internet, explicou à agência Lusa uma das organizadoras da acção, Sinem Taş, 25 anos.
Depois de tomarem conhecimento dos confrontos e do envolvimento de amigos, decidiram na sexta-feira "fazer alguma coisa para os apoiar", referiu.
Assim, um grupo de 15 estudantes da Turquia reuniu-se durante a tarde de hoje numa zona do jardim público, acompanhado por amigos de outras nacionalidades, com uma bandeira turca de mão em mão, sempre à vista.
Ao mesmo tempo, ergueram cartolinas com várias mensagens em inglês, à vista de quem por ali passava, e trocaram impressões sobre a situação, como constatou a agência Lusa no local.
"Não estás sozinha Istambul" era uma das frases nos cartazes, a par de outras como "em todo o lado há resistência".
Sinem Taş receia que a repressão "seja maior" e esteja "a causar mais vítimas" do que o noticiado: "queremos mostrar-lhes [aos manifestantes] o nosso apoio, a partir de Portugal".
A aluna considera que "a polícia devia parar de atacar quem protesta, devia deixar de interferir nas manifestações", concluiu.
 
(Fonte: Lusa/SOL)

Primeiro-ministro ordena fim dos protestos na Turquia

Os manifestantes que na sexta-feira tomaram a Praça Taksim em Istambul num protesto contra o Governo de Erdoğan e o seu partido conservador de inspiração islâmica não desistiram e passaram a noite na rua desafiando a polícia anti-motim. Neste sábado, o dia amanheceu com novos confrontos com a polícia que tentou dispersar a manifestação com gás lacrimogéneo e canhões de água. O primeiro-ministro ordenou aos manifestantes que dispersassem "imediatamente". "Exijo aos manifestantes que parem imediamente com os protestos para evitar problemas aos visitantes, aos peões e aos comerciantes", declarou o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, numa postura ameaçadora. Classificou os protestos em defesa do parque Gezi e contra o abate de árvores em Istambul como "ideológicos em vez de ambientais", segundo o site em língua inglesa do jornal Hurriyet.
O motivo do protesto começou por ser a oposição ao projecto de demolição do parque Gezi, junto à Praça Taksim, para reconstruir uma antiga caserna militar otomana, e instalar ali mais um centro comercial - um plano no qual se empenhou pessoalmente Erdogğan, ex-presidente da Câmara de Istambul e que, na verdade, continua a controlar a maior cidade do país como se ainda fosse o seu autarca. A manifestação começou por ser em protesto contra o plano de remodelação do Parque Gezi na própria Praça Taksim, e assumiu nova dimensão e significado depois de ser reprimida pela polícia. O que começou por ser um "occupy Gezi", no início da semana, transformou-se num protesto mais amplo, contra o carácter cada vez mais autoritário e moralista que tem tomado a governação do Partido da Justiça e Desenvolvimento, que está há dez anos no poder. A fúria é dirigida contra Erdoğan e o seu partido, que tem aprovado medidas vistas pelos sectores mais moderados como atentados à liberdade. Na semana passada, houve a aprovação de uma lei que torna muito difícil o consumo de bebidas alcoólicas na via pública: a lei proíbe a venda de álcool durante a noite depois das 22 horas e interdita a sua venda nos arredores de escolas e mesquitas. Foi aprovada em nome da saúde dos cidadãos, segundo o Governo. Mas a oposição vê-a como sendo motivada por motivos religiosos. Houve também polémica numa estação de Metro de Ancara, onde jovens namorados foram impedidos de se beijar. Em reacção a isto, houve uma manifestação de pessoas a beijarem-se. Para este fim-de-semana estão programados também "protestos de beijos" em Istambul e Ancara.
A Turquia é um país de maioria islâmica mas laico. A oposição viu neste gesto um possível sinal de que o Governo e a maioria no Parlamento estão dispostos a "islamizar" a sociedade turca e acusou o partido no poder de violar as liberdades individuais. Os manifestantes usam máscaras e lenços a tapar a cara, e entoam cânticos como “unidos contra o fascismo”. Pedem a demissão do Governo de Recep Tayyip Erdoğan, descreve a Reuters. A AFP diz que este é um dos movimentos de protesto mais expressivos contra o poder islâmico desde a tomada de posse em 2002. Também as cidades de Ancara e Esmirna foram palco de manifestações na sexta-feira contra o Governo.
 
(Fonte: Público)

31 maio 2013

Confrontos na Turquia podem marcar o "Verão do descontentamento"


As três maiores cidades turcas foram nesta sexta-feira palco de manifestações contra o Governo de Recep Tayyip Erdoğan, depois de a polícia anti-motim ter dispersado milhares de pessoas que protestavam em Istambul contra os planos de remodelação do Parque Gezi, na emblemática Praça Taksim.
A causa directa do dia de confrontos violentos entre a polícia e manifestantes em Istambul, Ancara e İzmir foi o protesto na Praça Taksim, mas o alvo é o Governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento.
"Isto já não é só por causa de árvores, é sobre a pressão exercida por este Governo. Estamos fartos, não gostamos da direcção que este país está a tomar", disse à Reuters Mert Burge, um estudante de 18 anos. "Vamos ficar aqui durante a noite, mesmo que tenhamos de dormir no chão", garantiu. A remodelação da Praça Taksim, projectada pelo Governo, implica, de acordo com a oposição, a destruição de um dos poucos espaços verdes da cidade.
Koray Çalişkan, cientista político na Universidade do Bósforo, fala mesmo no "início de um Verão do descontentamento". "Não temos um Governo, temos [o primeiro-ministro] Tayyip Erdoğan. Até mesmo os apoiantes do AKP [Partido da Justiça e do Desenvolvimento, no poder] dizem que eles perderam a cabeça, que não estão a ouvir-nos", queixou-se.
A fúria é dirigida contra Erdoğan e o seu partido islâmico, que tem aprovado medidas vistas pelos sectores mais moderados como verdadeiros atentados à liberdade.
Na sexta-feira passada, a oposição turca acusou o partido no poder de violar as liberdades individuais ao aprovar, no Parlamento, uma lei que limita o consumo de álcool, a sua venda e a publicidade a bebida alcoólicas. O documento foi votado na noite de quinta-feira da semana passada, depois de um debate aceso mas muito rápido. A lei foi aprovada em nome da saúde dos cidadãos, mas a oposição argumentou que os motivos são religiosos. A lei determina que a venda de álcool é proibida entre as 22 horas e as 6 horas e proíbe a venda nos arredores de escolas e mesquitas.
A Turquia é um país de maioria islâmica mas considerado moderado. Esta lei sobre o álcool é vista pela oposição como um sinal de que essa moderação pode começar a esbater-se e que o Governo e a maioria no Parlamento estão dispostos a "islamizar" a sociedade turca.
Para este fim-de-semana estão programados também "protestos de beijos" em Istambul e Ancara, depois de a polícia ter repreendido um casal que se beijava em público, há uma semana.

"Uso excessivo da força"

Nesta sexta-feira, o que começou por ser um protesto contra a remodelação na Praça Taksim, em Istambul, degenerou em violência e pedidos de demissão do Governo quando a polícia carregou sobre os manifestantes, que acampavam no espaço desde terça-feira.
Também em Ancara, milhares de pessoas pediram a demissão de Erdoğan e do seu partido, depois de a polícia ter dispersado um grupo de opositores que tentavam entrar na sede do Partido da Justiça e do Desenvolvimento.
Uma mulher de nacionalidade turca, mas de origem palestiniana, ficou ferida com gravidade e foi operada devido a uma hemorragia cerebral. Ao todo, 12 pessoas ficaram feridas, entre as quais um deputado pró-curdo e um fotógrafo da agência Reuters.
A Amnistia Internacional mostrou-se preocupada com o que considera ser o "uso excessivo da força" pela polícia, em resposta a um "protesto que começou por ser pacífico". O ministro do Interior, Muammer Güler, prometeu investigar a actuação da polícia.
Nos dez anos que leva no poder, Recep Tayyip Erdoğan conseguiu fomentar o desenvolvimento económico, o que ainda lhe vale o estatuto de político mais popular na Turquia. Mas nos últimos anos, centenas de oficiais militares têm sido detidos sob a acusação de estarem a preparar um golpe de Estado, tal como muitos académicos, jornalistas e políticos.

(Fonte: Público)

17 maio 2013

Moody’s sobe nota soberana da Turquia

A Moody’s subiu a nota soberana da Turquia para a categoria de investimento. A agência de notação subiu a nota um escalão para “Baa3”, com perspetiva estável. Para Ancara trata-se de um sinal de confiança após uma década de reformas económicas.
Em reacção, as taxas da dívida caíram para mínimos históricos. Para isso contribuiu também o corte nas taxas de juro anunciado pouco antes pelo Banco Central do país.
A Moody’s justifica a decisão com a forte queda da dívida nos últimos anos e a perspectiva de melhoria no futuro, numa altura em que a economia turca é uma das mais dinâmicas na Europa.
A Fitch Ratings já tinha subido a nota turca em Novembro. A Standar&Poors mantém o país na categoria especulativa.
 
(Fonte: Euronews)

16 maio 2013

Turquia pede aos EUA e à Europa que recebam refugiados sírios

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdoğan, admitiu pela primeira vez que não consegue suportar os gastos com os 400 mil refugiados sírios que estão no seu país. No encontro desta quarta-feira com o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai pedir ajuda económica e também que a América e a Europa recebam parte da avalanche humana que foge à guerra civil — oito mil pessoas por dia, segundo dados das Nações Unidas.
Os dois líderes reúnem-se em Washington no âmbito da ronda de encontros que estão a anteceder a conferência sobre a Síria que os EUA e a Rússia marcaram para o início de Junho em Genebra, na Suíça. A movimentação diplomática tem sido intensa — com Obama a receber o primeiro-ministro britânico, David Cameron, na terça-feira, dia em que o chefe do Governo israelita esteve em Moscovo — e tem como objectivo chegar a Genebra com a posição concertada de que só as negociações porão fim à guerra síria, que entra no seu terceiro ano, e levar as duas partes em conflito a declararem o cessar-fogo e a aceitarem o diálogo.
A guerra civil síria eclodiu pouco depois das manifestações pró-democracia de Março de 2011. O regime do Presidente Bashar al-Assad reprimiu os protestos e a violência instalou-se, travando-se uma guerra civil que já matou pelo menos 80 mil pessoas. O número foi actualizado na terça-feira pela ONU. Em Janeiro o número estava em 60 mil. Os combates e a escalada da ferocidade desta guerra provocaram o êxodo de 1,3 milhão de pessoas, e o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, dirigido por António Guterres, estima que a meio do ano se chegue ao 1,5 milhões de refugiados. Alguns, poucos, optaram por abandonar o Médio Oriente — o Brasil registou a entrada de 137 sírios que fugiram à guerra. A maioria está instalada em campos de refugiados na Jordânia, no Líbano e na Turquia, estando neste país 400 mil pessoas. Prevê-se, porém, que, se a guerra prosseguir, antes do fim do ano a Turquia tenha um milhão de sírios dentro das suas fronteiras. "Temos uma tarefa maior do que imaginávamos. Infelizmente, os nossos programas ainda estão subfinanciados", disse Guterres em Abril numa cerimónia em que recebeu uma inédita contribuição de 110 milhões de dólares do Kuwait para os refugiados sírios. "Com esta contribuição podemos respirar e mudar substancialmente a situação", disse Guterres. "A comunidade internacional não deve apenas ajudar a pagar a conta, os países devem abrir as portas a estes refugiados", disse Levent Gumrukcu, um dos porta-vozes do Ministério dos Negócios Estrangeiros turco. "Neste sentido, falharam na resposta efectiva [a esta crise humanitária]."
Washington já entregou ajuda no valor de 44 milhões de dólares (34 milhões de euros) a organizações humanitárias que auxiliam os refugiados sírios só na Turquia. A sua contribuição total para os refugiados nos diversos países foi de 150 milhões de dólares (116 milhões de euros). Uma fonte do Departamento de Estado (equivalente a um ministério dos negócios estrangeiros) disse ao jornal The Washington Post que não houve, até agora, um pedido formal da Turquia ou das Nações Unidas para os EUA receberem refugiados sírios. Se esse pedido surgir, disse a mesma fonte, o país estará "pronto para o ter em conta", mas a posição de momento é a de que a maior parte dos refugiados esperam a possibilidade de regressar a casa, preferindo essa opção a viajar para um país distante.
 
(Fonte: Público)