google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

04 junho 2013

Algo está a acontecer na Turquia

Na Turquia, milhares de pessoas estão nas ruas a protestar contra o Governo e contra o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan. Liberais, secularistas, islamitas, esquerdistas e nacionalistas, entre outros, todos convergem para um mesmo centro gravítico de protesto. Independentemente das filiações ou simpatias políticas, religiosas ou ideológicas, todos os que discordam das políticas de intolerância do Governo cantam nas ruas "lado a lado, contra o fascismo" ou "Governo para a rua!". Erdoğan designa-os de pequeno grupo de marginais. Contudo, para além de serem aos milhares, esta multidão inclui cidadãos comuns que querem exprimir o seu descontentamento com o Governo. Os manifestantes têm tido como resposta a violência policial desmesurada e a desconsideração dos meios de comunicação turcos. Porém, devido à partilha nas redes sociais das fotos e dos vídeos da reação violenta do Governo, mais e mais pessoas saem das suas casas para se juntarem à multidão. Apesar dos protestos terem começado em Taksim, indicado nos guias turísticos como o coração de Istambul, rapidamente se alastraram a muitas outras zonas de Istambul e da Turquia.
Os protestos em larga escala foram desencadeados pelo uso desproporcionado da força policial contra um pequeno grupo de pacifistas que se manifestavam pela preservação do parque Gezi. O parque Gezi está situado na praça de Taksim e é uma das únicas áreas verdes do centro de Istambul. Os protestos começaram na segunda-feira de 27 de Maio com um assentamento pacífico, uma tentativa para impedir um projecto imobiliário que visa substituir o parque por um centro comercial. Durante vários dias e várias noites, cerca de 50 pessoas levaram a cabo um protesto que envolvia piqueniques, música e leituras. Quando a polícia usou canhões de água e puxou fogo às tendas para dispersar os manifestantes, mais pessoas se juntaram ao protesto. E quanto maior o número de manifestantes, maior o nível de violência policial. Na sexta à noite (1 de Junho), milhares de pessoas (muitas delas nunca participaram numa manifestação) saíram de casa e encheram Taksim. E foram para Taksim mesmo sabendo que teriam que enfrentar o gás lacrimogéneo, usado de forma regular pela polícia turca nas manifestações do último mês. Como previsto, tiveram de aguentar com o gás. Enquanto a polícia cercava a zona de Taksim, e usava gás lacrimogéneo em todas as ruas daquela zona da cidade, as multidões cantavam: "venha o gás, venha o gás! Tirem os capacetes e larguem o bastão para ver quem é mais duro". Entretanto, mais pessoas começaram a encher as praças de outras cidades turcas. Nas áreas residenciais gente de todas as idades saiu para a rua a bater em tachos e panelas. No momento em que estas palavras estão a ser escritas, as manifestações, a violência policial e a negação do caráter maciço deste protesto por parte de Erdoğan continuam.
Protestos desta dimensão nunca poderiam ter como causa única a questão do parque Gezi. O descontentamento na sociedade turca tem vindo a crescer com a intensificação dos ataques a todo o tipo de oposição ao partido do governo (AKP - Partido da Justiça e do Desenvolvimento). O AKP, fundado em 2001 por membros dos partidos islamitas anteriormente ilegalizados, definiu-se como um partido conservador democrata e assegurou que seria o pioneiro da democracia e da tolerância. Em 2002 venceram as eleições com 34% dos votos e formaram um Governo de partido único. Em 2007 aumentaram a base de apoio para 43% dos votos. E em 2011 chegaram aos 50%. Este sucesso traduziu-se em grandes níveis de confiança nos membros do Governo. O líder do partido, e primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, referiu várias vezes "o meu povo votou em mim, eu tenho a autoridade popular. Não preciso de pedir autorização a ninguém para levar a cabo as minhas políticas". O sucesso eleitoral do AKP foi acompanhado por um período de estabilidade e progresso económico. Durante os seus mandatos a economia recuperou da crise turca de 2001, a Turquia tornou-se na 16.ª economia mundial e conseguiu recuperar dos efeitos da crise financeira mundial. No entanto, os resultados económicos tiveram como contrapartida o aumento da intolerância à crítica política. As prisões e as detenções generalizadas de jornalistas e estudantes que criticam o Governo foram um dos maiores exemplos de intolerância à oposição. Actualmente, existem mais de 100 jornalistas detidos/presos/condenados devido às suas opiniões, publicações e, nalguns casos, pré-publicações. Como referido num artigo dos Jornalistas sem Fronteiras, " A Turquia é neste momento a maior prisão do mundo para jornalistas, um triste paradoxo para um país que se apresenta como um modelo regional de democracia".
As restrições oficiais à celebração dos feriados nacionais na Turquia têm sido um motivo de preocupação para os secularistas republicanos. Em Outubro de 2012, a proibição governamental da caminhada, levada a cabo por cidadãos e altos-cargos oficias, ao Mausóleu de Kemal Atatürk, fundador da Republica Turca, no Dia da Republica Turca, gerou uma grande sublevação nacional. As pessoas que ainda assim decidiram visitar o túmulo de Ataturk com bandeiras da Turquia na mão, depararam-se com o bloqueio policial e com gás lacrimogéneo. O líder do maior partido da oposição o CHP (Partido Popular Republicano, conhecido como o partido de Atatürk por ter sido fundado por este) também estava entre a multidão.
O 1.º de Maio, o Dia do Trabalhador, também sofreu restrições. O governador de Istambul proibiu todo tipo de celebração ou manifestação na praça de Taksim, vista desde há muito como um local símbolo da resistência e da liberdade. Para impedir o acesso a Taksim, os transportes públicos foram suspensos e o acesso a uma ponte pedonal foi bloqueado.
Outro aspecto que alimenta a crescente revolta contra o possível desaparecimento do parque Gezi está relacionada com a política governamental continuada de destruição de monumentos históricos e culturais em Istambul. Recentemente, os históricos cinema Emek e a pastelaria Inci, reconhecidos como património de Taksim, foram demolidos apesar do desagrado da população. A polícia usou gás lacrimogéneo num pequeno grupo de manifestantes pacíficos pela salvaguarda do cinema Emek, um grupo de artistas que incluía actores e actrizes nacionais famosos. De facto, o uso excessivo de gás lacrimogéneo, canhões de água e bastões em manifestantes tem vindo a tornar-se tão usual que, ainda antes dos protestos do parque Gezi se terem iniciado, um cidadão dos EUA residente na Turquia queixou-se de ter sido sujeito a gás lacrimogéneo por três vezes numa semana enquanto se dirigia a pé para o local de trabalho em Taksim.
Outro factor de agravamento da insatisfação popular tem sido a percepção de crescente intromissão governamental no estilo de vida da população. Esta tomada de consciência foi agravada no início da semana passada quando o Parlamento turco aprovou leis para restringir o consumo de bebidas alcoólicas. Na mesma altura houve um "protesto de beijos" em Ancara contra as advertências dadas pelos maquinistas do metro para que os passageiros "agissem de acordo com as leis morais".
Por último, o silêncio dos meios de comunicação social turcos relativamente aos protestos do parque Gezi tem contribuído de forma significativa para a intensificação do mal-estar da população. No fim de semana não houve cobertura jornalística dos milhares de manifestantes atingidos em várias cidades turcas com gás lacrimogéneo, balas de borracha e jactos dos canhões de água. As redes sociais foram (e, em grande medida, continuam a ser) a única via de comunicação para os manifestantes. Quem não tem acesso à internet muitas vezes ignora o que está a ocorrer nas suas próprias cidades. Um jovem escreveu no facebook: "Eu vivo em Taksim, nos últimos dois dias a minha casa tem estado cheia de gás lacrimogéneo, e os meus pais não me ligaram uma única vez porque não fazem ideia do que se está a passar."
A mobilização de pessoas através das redes sociais não foi bem acolhida pelo primeiro-ministro. Erdoğan declarou inclusive que "as redes sociais são uma fonte de problemas", e que aqueles que estavam a protestar não passavam de um grupo de delinquentes, marginais com ideias terroristas. Chegou ainda a ameaçar os manifestantes com a pena de morte, abolida na Turquia em 2002. Afirmou também que "para cada 100 000 manifestantes, trarei para as ruas 1 000 000 do meu partido." Erdoğan assegurou que não irá recuar e que mandará até construir uma mesquita junto ao centro comercial da praça Taksim.
Apesar de tudo, os manifestantes turcos parecem contentes. Parecem acreditar numa Turquia melhor, tolerante e democrática. Parecem apreciar o crescente sentimento de tolerância. Os adeptos de clubes de futebol rivais (quem conhece a sociedade turca sabe bem a intensidade desta rivalidade), os religiosos, os liberais, os esquerdistas, os nacionalistas, os gays, as prostitutas, os curdos, os alevis, protestam lado a lado e ajudam-se mutuamente. Os cartazes erguidos pelos manifestantes com o mote"uma árvore morre, uma nação acorda" é reveladora dos sentimentos das pessoas que inundam as ruas turcas nos dias que correm.


(Fonte: Selin Turkes/Expresso)

03 junho 2013

Protestos contra o Governo alastram

O primeiro-ministro turco, Recep Tayip Erdoğan, acusou o Partido Republicano do Povo, na oposição, de estar a manipular os manifestantes que ocuparam a principal praça de Istambul. A contestação alastra e o governante disse que não há "Primavera turca".
 
Os confrontos entre manifestantes e polícia prosseguiam esta segunda-feira, cuja madrugada foi muito violenta. A insurreição turca fez, entretanto, a primeira vítima. O sindicado dos médicos turcos anunciou a morte de uma pessoa por atropelamento, numa auto-estrada perto de Istambul por onde caminhavam manifestantes. A Reuters diz que o condutor do automóvel se lançou contra os manifestantes, o El País conta que se tratou de um despiste de um taxista devido à presença de gente naquela via de circulação rápida.
Em comunicado, citado pela AFP, o sindicato atribuiu a morte do manifestante - um jovem membro de uma associação de esquerda - à "intransigência" do primeiro-ministro e à brutalidade que as forças da ordem estão a pôr na repressão dos protestos.
À medida que os protestos alastram, a repressão é maior. Em Ancara, onde também já se realizam manifestações contra Erdoğan, a polícia lançou esta tarde gás lacrimogéneo contra a população nas ruas.
Os protestos na Turquia começaram há sete dias - entram pois na segunda-semana - e a violência eclodiu há quatro. O motivo imediato desta onda de indignação popular foi o anúncio de que o parque Gezi, junto à praça central de Taksim, em Istambul, seria destruído para ser reconstruída uma caserna militar otomana com um centro comercial no interior. Isso foi apenas o gatilho que fez disparar a fúria contra as políticas conservadoras e islamizantes do Governo e o ímpeto de lançamento de projectos faraónicos em Istambul.
Erdoğan, classificando os manifestantes de "franja extremista", atacou a oposição. "O maior partido da oposição, que todos os dias apela a que se faça resistência nas ruas, está a provocar estes protestos", disse o primeiro-ministro que, no domingo, numa intervenção que passou na televisão turca, considerou as redes sociais um perigo.
Disse ainda haver suspeitas de que há "estrangeiros por detrás das manifestações, e que os serviços secretos turcos vão investigar se há "interferências de potências estrangeiras" nos protestos. "Não é possível revelar os seus nomes, mas vamos encontrar-nos com os líderes", assegurou Erdoğan, citado pelo site em Inglês do jornal turco Hurriyet.
As redes sociais estão também a ser visadas pelos dirigentes turcos: "Agora há uma ameaça chamada Twitter. E os melhores exemplos das mentiras [da oposição] estão ali. Para mim, as redes sociais são a maior ameaça à sociedade", tinha dito o primeiro-ministro no domingo à noite.
 
Claques unidas
Para acolher os que ficaram feridos durante a madrugada e já no período da manhã, mesquitas, lojas e a universidade foram, segundo a Reuters, transformadas em hospitais improvisados. O número de feridos não é exacto, mas uma associação médica disse que entre sexta-feira e a madrugada de segunda foram assistidos 484 manifestantes em hospitais de Istambul. A BBC diz que alguns hotéis também abriram as portas a estes feridos e nota que os protestos estão a criar uma unanimidade pouco habitual, com os adeptos dos clubes rivais — em Istambul não há rivalidade clubística, há ódio — a marcharem juntos.
Na origem deste descontentamento está a política de Erdoğan e algumas regras que o Governo aprovou nas últimas semanas e que, segundo os observadores, têm como finalidade islamizar a sociedade turca.
Recep Erdoğan, líder do Partido da Justiça e Desenvolvimento, é um conservador. O partido é de inspiração islâmica e está no poder há dez anos. Tem imposto uma visão moralista da sociedade que, apesar de maioritariamente muçulmana, é laica.
Recentemente, foi limitada a venda de álcool, assim como a publicidade a este produto. E numa estação de metro de Ancara foi transmitido um aviso sonoro dizendo a um grupo de adolescentes que lá se encontrava que os beijos em público são proibidos. As hospedeiras da Turkish Airlines foram proibidas de usar saias demasiado curtas e justas e baton vermelho. A revista Foreign Policy fala de uma vaga de neo-otomanismo na Turquia, de que faz parte um plano de construção de edifícios de grande envergadura, e o centro comercial da Praça Taksim fará parte desse plano.
Fontes oficiais citadas pela BBC indicam que os protestos de Istambul alastram ao resto do país. Nos últimos dias houve manifestações contra o governo em 67 cidades. Foram detidas 1700 pessoas, que na sua maior parte já foram libertadas. Imagens de televisão mostraram parte do edifício do AKP em chamas, em Izmir, mas a agência Doğan noticiou que os bombeiros dominaram o incêndio.
"Erdoğan não ouve ninguém", disse ao jornal britânico, The Guardian, Koray Calişkan, analista político de Istambul e professor na Universidade do Bósforo. "Nem sequer ouve os membros do seu partido. Mas depois destes protestos terá que aceitar que é o primeiro-ministro de um país democrático e que não pode governar sozinho".
 
Apelo da União Europeia
O risco de a violência subir de tom e de a Turquia se tornar um país em insurreição — e trata-se de um vizinho da Síria, país que está há mais de dois anos em guerra civil — levou os representantes da União Europeia e dos Estados Unidos a apelarem a Erdoğan para manter a calma e evitar a presença da polícia nas manifestações.
"Deve ser aberto um diálogo para se chegar a uma solução pacífica para o problema", disse a comissária europeia dos Negócios Estrangeiros, Catherine Ashton, citada pela Reuters. Uma porta-voz do Governo americano, Laura Lucas, fez apelo idêntico e pediu "um exercício de contenção" ao Governo turco.
Os protestos vão continuar, estando marcadas novas concentrações para esta segunda-feira. Erdoğan, por enquanto, mantém a sua agenda e nos próximos dias visitará países do Magrebe.
 
(Fonte: Público)


02 junho 2013

Erdoğan responde aos protestos com sarcasmo

No meio da maior vaga de protestos de uma década de Governo, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, respondeu este domingo aos principais partidos da oposição que o acusam de se comportar como um ditador.
“Eles arrancaram as pedras da calçada e destuiram as montras das lojas. É isso a democracia? Dizem que Tayyip Erdoğan é um ditador. Eu não tenho nada a dizer quando se chama ditador a uma pessoa que se comprometeu a servir o seu país."
As palavras do chefe do Governo foram proferidas na capital, Ancara, uma das cidades onde milhares de pessoas sairam à rua e afrontarama polícia.
As manifestações continuam este domingo sem a mesma tensão dos dois últimos dias.
Na sexta-feira e no sábado cerca de mil pessoas foram detidas em 90 manifestações por todo o país. O número de feridos ronda os dois mil.
 
(Fonte: Euronews)

01 junho 2013

Presidente turco manda a polícia retirar-se da Praça Taksim

O Presidente turco, Abdullah Gül, interveio para que a polícia se retire da praça Taksim, onde se registam violentos confrontos, com recurso a canhões de água e gás lacrimogéneo contra os manifestantes que ocupavam o parque Gezi. Os manifestantes não querem que o parque seja demolido para dar lugar à reconstrução de uma caserna dos tempos do Império Otomano e à construção de um centro comercial – um projecto caro ao primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, que prometeu que não recuaria nas suas intenções e, em vez de mandar a polícia retirar-se, ordenou à multidão que "parasse imediatamente com os protestos". Erdoğan acusou os manifestantes de terem motivações "ideológicas e não ambientais", ao concentrarem-se no parque. O chefe do Governo do Partido da Justiça e Desenvolvimento – uma formação política conservadora de inspiração islâmica, no poder há dez anos – garantia que não desistiria do projecto de renovação da praça Taksim. Mas o chefe de Estado, que era do partido de Erdoğan até se candidatar à presidência, divulgou uma declaração escrita em que afirma que as forças de segurança deveriam agir de forma mais cautelosa do que o habitual, deveriam ser sensatos ao lidar com os manifestantes, e não deveriam permitir que acontecessem "cenas tristes", lê-se no site em inglês do jornal turco Hürriyet. A tensão tem vindo a crescer nos últimos cinco dias – desde que começou o movimento "Occupy Gezi", ao estilo dos que desde 2011 têm surgido um pouco por todo o mundo. Os manifestantes tomaram o parque em protesto contra a sua destruição, mas na sexta-feira a polícia desalojou-os à força, o que chamou ao local políticos da oposição, artistas e intelectuais, que se solidarizaram com o movimento, num protesto contra o Governo de Erdoğan, que tem imposto cada vez mais a sua moral conservadora e uma repressão cada vez intensa a uma sociedade que, embora sendo de maioria muçulmana, é laica. Após confrontos ao princípio da noite em Istambul e noutras cidades, como Ancara, o sábado amanheceu com novos confrontos com a polícia, que tentou dispersar a manifestação com gás lacrimogéneo e canhões de água. Os confrontos espalharam-se pelas várias ruas que saem da praça. A fúria é dirigida contra Erdoğan e o seu partido, que tem aprovado medidas vistas pelos sectores mais moderados como atentados à liberdade. Na semana passada foi aprovada uma lei que torna muito difícil o consumo de bebidas alcoólicas na via pública: a lei proíbe a venda de álcool depois das 22 horas e interdita a sua venda nos arredores de escolas e mesquitas. Foi aprovada em nome da saúde dos cidadãos, segundo o Governo, mas a oposição vê-a como tendo motivos religiosos. Houve também polémica sobre uma estação de metro de Ancara, onde um casal de namorados foi impedido de se beijar. Para este fim-de-semana estão programados também "protestos de beijos" em Istambul e Ancara. A oposição viu nestes gestos um possível sinal de que o Governo e a maioria no Parlamento estão dispostos a "islamizar" a sociedade turca e acusou o partido no poder de violar as liberdades individuais. Os manifestantes usam máscaras e lenços a tapar a cara e entoam cânticos como "Unidos contra o fascismo". Pedem a demissão do Governo de Recep Tayyip Erdoğan, descreve a agência Reuters, num dos movimentos de protesto mais expressivos contra o poder desde a tomada de posse, em 2002. Também as cidades de Ancara e Esmirna foram palco de manifestações na sexta-feira contra o Governo.
 
(Fonte: Público)

Primeiro-ministro turco diz que polícia vai continuar a manter a ordem em Istambul

O primeiro-ministro turco declarou hoje que a polícia vai permanecer na praça Taksim, no centro de Istambul, para manter a ordem, no segundo dia de manifestações violentas contra o seu Governo, que se estenderam a outras cidades.
"A polícia estava lá ontem, está lá hoje e estará ainda amanhã porque a praça Taksim não pode ser um local onde os extremistas fazem o que querem", disse Recep Tayyip Erdogan, durante um discurso em Istambul, no qual pediu aos manifestantes para pararem "imediatamente" com o protesto "para evitar mais danos aos visitantes e aos comerciantes".
O governante assegurou que não vai por em causa o projeto de renovação urbana da praça Taksim, na origem das violentas manifestações pelo segundo dia consecutivo.
 
(Fonte: Destak)

Jovens turcos manifestaram-se hoje em Lisboa

Cerca de 20 jovens turcos concentraram-se hoje na Alameda Afonso Henriques, em Lisboa, para expressar solidariedade aos compatriotas que estão em protesto no seu país, acabando por integrar a manifestação europeia contra a 'troika'.
Os jovens turcos, residentes em Lisboa, foram acolhidos na manifestação do movimento "Que se lixe a 'troika'" pelas 18:30, quando o protesto chegou àquela alameda.
Feyda, uma cidadã turca a morar em Lisboa, disse à agência Lusa que estavam concentrados neste local para manifestar "apoio ao seu povo que está a lutar contra a polícia em Istambul".
A jovem, que se manifestou preocupada com a situação vivida em Istambul, considerou que o líder do país "é um corrupto" e "precisa de sair do poder".
O grupo, a maioria estudantes ao abrigo do programa Erasmus, exibia uma bandeira do país e outra portuguesa, além de vários cartazes onde se liam mensagens de apoio aos seus conterrâneos.
Milhares de pessoas ocuparam o Parque Gezi, um dos 'pulmões' de Istambul, em protesto contra um projeto urbanístico, até que na sexta-feira a polícia recorreu ao uso de gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, que responderam com pedras.
A repressão da manifestação pela força anti-motim da polícia causou pelo menos 20 feridos, 12 em estado grave.
Dezenas de cidades portuguesas, incluindo Lisboa, aderiram ao protesto europeu do movimento "Povos Unidos contra a 'troika'" convocado para hoje.
Realizada em 102 cidades europeias de 18 países, a manifestação visa contestar as políticas que se têm desenvolvido nos países onde a 'troika' do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional tem intervenção.
 
(Fonte: Dinheiro Vivo)

Estudantes turcos juntam-se na Covilhã para apoiar manifestantes em Istambul

Um grupo de 15 alunos turcos da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, juntou-se hoje no jardim público da cidade para apoiar com cartazes e palavras os manifestantes que protestam contra o Governo, na Turquia.
Milhares de pessoas ocuparam o Parque Gezi, um dos ‘pulmões' de Istambul, em protesto contra um projecto urbanístico, até que na sexta-feira a polícia recorreu ao uso de gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, que responderam com pedras.
A repressão da manifestação pela força anti-motim da polícia causou pelo menos 20 feridos, 12 em estado grave.
Alguns alunos turcos com idades entre os 19 e 25 anos que estão a estudar na Covilhã até ao final do semestre têm acompanhado a situação através das redes sociais na Internet, explicou à agência Lusa uma das organizadoras da acção, Sinem Taş, 25 anos.
Depois de tomarem conhecimento dos confrontos e do envolvimento de amigos, decidiram na sexta-feira "fazer alguma coisa para os apoiar", referiu.
Assim, um grupo de 15 estudantes da Turquia reuniu-se durante a tarde de hoje numa zona do jardim público, acompanhado por amigos de outras nacionalidades, com uma bandeira turca de mão em mão, sempre à vista.
Ao mesmo tempo, ergueram cartolinas com várias mensagens em inglês, à vista de quem por ali passava, e trocaram impressões sobre a situação, como constatou a agência Lusa no local.
"Não estás sozinha Istambul" era uma das frases nos cartazes, a par de outras como "em todo o lado há resistência".
Sinem Taş receia que a repressão "seja maior" e esteja "a causar mais vítimas" do que o noticiado: "queremos mostrar-lhes [aos manifestantes] o nosso apoio, a partir de Portugal".
A aluna considera que "a polícia devia parar de atacar quem protesta, devia deixar de interferir nas manifestações", concluiu.
 
(Fonte: Lusa/SOL)

Primeiro-ministro ordena fim dos protestos na Turquia

Os manifestantes que na sexta-feira tomaram a Praça Taksim em Istambul num protesto contra o Governo de Erdoğan e o seu partido conservador de inspiração islâmica não desistiram e passaram a noite na rua desafiando a polícia anti-motim. Neste sábado, o dia amanheceu com novos confrontos com a polícia que tentou dispersar a manifestação com gás lacrimogéneo e canhões de água. O primeiro-ministro ordenou aos manifestantes que dispersassem "imediatamente". "Exijo aos manifestantes que parem imediamente com os protestos para evitar problemas aos visitantes, aos peões e aos comerciantes", declarou o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, numa postura ameaçadora. Classificou os protestos em defesa do parque Gezi e contra o abate de árvores em Istambul como "ideológicos em vez de ambientais", segundo o site em língua inglesa do jornal Hurriyet.
O motivo do protesto começou por ser a oposição ao projecto de demolição do parque Gezi, junto à Praça Taksim, para reconstruir uma antiga caserna militar otomana, e instalar ali mais um centro comercial - um plano no qual se empenhou pessoalmente Erdogğan, ex-presidente da Câmara de Istambul e que, na verdade, continua a controlar a maior cidade do país como se ainda fosse o seu autarca. A manifestação começou por ser em protesto contra o plano de remodelação do Parque Gezi na própria Praça Taksim, e assumiu nova dimensão e significado depois de ser reprimida pela polícia. O que começou por ser um "occupy Gezi", no início da semana, transformou-se num protesto mais amplo, contra o carácter cada vez mais autoritário e moralista que tem tomado a governação do Partido da Justiça e Desenvolvimento, que está há dez anos no poder. A fúria é dirigida contra Erdoğan e o seu partido, que tem aprovado medidas vistas pelos sectores mais moderados como atentados à liberdade. Na semana passada, houve a aprovação de uma lei que torna muito difícil o consumo de bebidas alcoólicas na via pública: a lei proíbe a venda de álcool durante a noite depois das 22 horas e interdita a sua venda nos arredores de escolas e mesquitas. Foi aprovada em nome da saúde dos cidadãos, segundo o Governo. Mas a oposição vê-a como sendo motivada por motivos religiosos. Houve também polémica numa estação de Metro de Ancara, onde jovens namorados foram impedidos de se beijar. Em reacção a isto, houve uma manifestação de pessoas a beijarem-se. Para este fim-de-semana estão programados também "protestos de beijos" em Istambul e Ancara.
A Turquia é um país de maioria islâmica mas laico. A oposição viu neste gesto um possível sinal de que o Governo e a maioria no Parlamento estão dispostos a "islamizar" a sociedade turca e acusou o partido no poder de violar as liberdades individuais. Os manifestantes usam máscaras e lenços a tapar a cara, e entoam cânticos como “unidos contra o fascismo”. Pedem a demissão do Governo de Recep Tayyip Erdoğan, descreve a Reuters. A AFP diz que este é um dos movimentos de protesto mais expressivos contra o poder islâmico desde a tomada de posse em 2002. Também as cidades de Ancara e Esmirna foram palco de manifestações na sexta-feira contra o Governo.
 
(Fonte: Público)

31 maio 2013

Confrontos na Turquia podem marcar o "Verão do descontentamento"


As três maiores cidades turcas foram nesta sexta-feira palco de manifestações contra o Governo de Recep Tayyip Erdoğan, depois de a polícia anti-motim ter dispersado milhares de pessoas que protestavam em Istambul contra os planos de remodelação do Parque Gezi, na emblemática Praça Taksim.
A causa directa do dia de confrontos violentos entre a polícia e manifestantes em Istambul, Ancara e İzmir foi o protesto na Praça Taksim, mas o alvo é o Governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento.
"Isto já não é só por causa de árvores, é sobre a pressão exercida por este Governo. Estamos fartos, não gostamos da direcção que este país está a tomar", disse à Reuters Mert Burge, um estudante de 18 anos. "Vamos ficar aqui durante a noite, mesmo que tenhamos de dormir no chão", garantiu. A remodelação da Praça Taksim, projectada pelo Governo, implica, de acordo com a oposição, a destruição de um dos poucos espaços verdes da cidade.
Koray Çalişkan, cientista político na Universidade do Bósforo, fala mesmo no "início de um Verão do descontentamento". "Não temos um Governo, temos [o primeiro-ministro] Tayyip Erdoğan. Até mesmo os apoiantes do AKP [Partido da Justiça e do Desenvolvimento, no poder] dizem que eles perderam a cabeça, que não estão a ouvir-nos", queixou-se.
A fúria é dirigida contra Erdoğan e o seu partido islâmico, que tem aprovado medidas vistas pelos sectores mais moderados como verdadeiros atentados à liberdade.
Na sexta-feira passada, a oposição turca acusou o partido no poder de violar as liberdades individuais ao aprovar, no Parlamento, uma lei que limita o consumo de álcool, a sua venda e a publicidade a bebida alcoólicas. O documento foi votado na noite de quinta-feira da semana passada, depois de um debate aceso mas muito rápido. A lei foi aprovada em nome da saúde dos cidadãos, mas a oposição argumentou que os motivos são religiosos. A lei determina que a venda de álcool é proibida entre as 22 horas e as 6 horas e proíbe a venda nos arredores de escolas e mesquitas.
A Turquia é um país de maioria islâmica mas considerado moderado. Esta lei sobre o álcool é vista pela oposição como um sinal de que essa moderação pode começar a esbater-se e que o Governo e a maioria no Parlamento estão dispostos a "islamizar" a sociedade turca.
Para este fim-de-semana estão programados também "protestos de beijos" em Istambul e Ancara, depois de a polícia ter repreendido um casal que se beijava em público, há uma semana.

"Uso excessivo da força"

Nesta sexta-feira, o que começou por ser um protesto contra a remodelação na Praça Taksim, em Istambul, degenerou em violência e pedidos de demissão do Governo quando a polícia carregou sobre os manifestantes, que acampavam no espaço desde terça-feira.
Também em Ancara, milhares de pessoas pediram a demissão de Erdoğan e do seu partido, depois de a polícia ter dispersado um grupo de opositores que tentavam entrar na sede do Partido da Justiça e do Desenvolvimento.
Uma mulher de nacionalidade turca, mas de origem palestiniana, ficou ferida com gravidade e foi operada devido a uma hemorragia cerebral. Ao todo, 12 pessoas ficaram feridas, entre as quais um deputado pró-curdo e um fotógrafo da agência Reuters.
A Amnistia Internacional mostrou-se preocupada com o que considera ser o "uso excessivo da força" pela polícia, em resposta a um "protesto que começou por ser pacífico". O ministro do Interior, Muammer Güler, prometeu investigar a actuação da polícia.
Nos dez anos que leva no poder, Recep Tayyip Erdoğan conseguiu fomentar o desenvolvimento económico, o que ainda lhe vale o estatuto de político mais popular na Turquia. Mas nos últimos anos, centenas de oficiais militares têm sido detidos sob a acusação de estarem a preparar um golpe de Estado, tal como muitos académicos, jornalistas e políticos.

(Fonte: Público)

17 maio 2013

Moody’s sobe nota soberana da Turquia

A Moody’s subiu a nota soberana da Turquia para a categoria de investimento. A agência de notação subiu a nota um escalão para “Baa3”, com perspetiva estável. Para Ancara trata-se de um sinal de confiança após uma década de reformas económicas.
Em reacção, as taxas da dívida caíram para mínimos históricos. Para isso contribuiu também o corte nas taxas de juro anunciado pouco antes pelo Banco Central do país.
A Moody’s justifica a decisão com a forte queda da dívida nos últimos anos e a perspectiva de melhoria no futuro, numa altura em que a economia turca é uma das mais dinâmicas na Europa.
A Fitch Ratings já tinha subido a nota turca em Novembro. A Standar&Poors mantém o país na categoria especulativa.
 
(Fonte: Euronews)