google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

11 agosto 2008

Dois jornalistas turcos feridos em ataque de independentistas da Ossétia do Sul

Dois jornalistas turcos ficaram levemente feridos depois de independentistas da Ossétia do Sul terem lançado fogo contra uma equipa de quatro repórteres que cobriam o conflito bélico entre a Geórgia e as regiões da Ossétia do Sul e a Abkházia, ontem (10).
Segundo o site da rede "Kanaltürk", à qual pertenciam os dois feridos, Levent Öztürk e Güray Erven cruzaram a fronteira entre a Geórgia e a Ossétia do Sul sem passarem por nenhum controle policial e dirigiam-se para a capital da região autónoma, Tskhinvali.
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, cujo país mantém fortes interesses no Cáucaso, ligou para as duas partes que se enfrentam e apelou ao fim das hostilidades, mas Vladimir Putin não respondeu ao apelo.

(Fonte: EFE)

Explosão de mina no leste da Turquia mata nove militares turcos

Nove soldados turcos morreram e outros dois ficaram feridos depois da explosão de uma mina terrestre no leste da Turquia. A explosão deu-se na passagem de um veículo que transportava militares. Até ao momento a acção não foi reivindicada. No entanto, é frequente que militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), organização separatista curda considerada como terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia, ataquem forças militares turcas colocando minas comandadas à distância. O PKK reivindicou na semana passada a responsabilidade de um atentado com explosivos que provocou um incêndio numa estação de bombagem do oleoduto Bakou-Tbilissi-Ceyhan (BTC) situado também na província de Erzincan.

(Fonte: Público)

Activista tentou atear fogo ao próprio corpo em frente à Embaixada da China na Turquia

Uma pessoa tentou atear fogo no próprio corpo, na passada sexta-feira, em frente à Embaixada da China na Turquia, enquanto um grupo de Chineses muçulmanos denunciava a repressão dos direitos naquele país, cuja capital é a anfitriã dos Jogos Olímpicos 2008.
Cerca de 300 pessoas, a maioria refugiada uigure da região muçulmana de Xinjiang (noroeste da China), reuniram-se, rodeadas por um forte dispositivo de segurança, em frente à Embaixada chinesa no centro de Ancara. Enquanto um porta-voz lia uma declaração à imprensa, um dos manifestantes ateou fogo no próprio corpo. O homem sofreu queimaduras no rosto e nas mãos, antes da polícia chegar para apagar as chamas. O homem, de cerca de 30 anos de idade, foi hospitalizado.
Os manifestantes carregavam cartazes com as frases "Não aos Jogos Olímpicos sem direitos humanos" e "China assassina".

(Fonte: AFP)

07 agosto 2008

Três explosões em Istambul

Três pessoas ficaram feridas na sequência de três explosões registadas em Istambul, na Turquia. Testemunhas garantiram ter visto homens não identificados a lançar explosivos na direcção de um edifício da Câmara, em Üsküdar, parte asiática de Istambul.
Uma das explosões registou-se num camião do lixo, no parque de estacionamento do edifício camarário, e as outras duas num cemitério próximo, disse Mehmet Çakır, edil de Üsküdar, à agência turca Anatólia.
"Três trabalhadores ficaram ligeiramente feridos", referiu, por sua vez, o chefe da polícia de Istambul, Celalettin Cerrah.
A 27 de Julho, duas bombas explodiram em Istambul no bairro popular de Güngören, matando 17 pessoas e ferindo 154. O atentado não foi reivindicado.

(Fonte: Jornal de Notícias)

PKK assume autoria de explosão em oleoduto na Turquia

O grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) reivindicou a responsabilidade pela explosão que afectou, na terça-feira passada, o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC), na província turca de Erzincan, e que provocou um incêndio que só foi controlado nesta quinta-feira (7).
Segundo a agência "Firat", próxima ao PKK, o grupo guerrilheiro assumiu a autoria da sabotagem da instalação, que causou uma explosão e um forte incêndio, o que originou a interrupção do bombeamento de petróleo no oleoduto, que, com 1.768 quilômetros de comprimento, é o segundo mais longo do mundo.
Após a explosão, as autoridades regionais turcas e a companhia petrolífera estatal BOTAS descartaram a possibilidade de um atentado e atribuíram o facto a uma falha no encanamento.
No entanto, o PKK reivindicou o ataque mas não referiu os motivos da acção, apesar de, anteriormente, já ter cometido atentados contra linhas de energia que ligam Turquia e Irão.
O BTC, que fornece petróleo do Mar Cáspio aos mercados europeus, demorará uma semana para ser colocado novamente em funcionamento, informaram hoje à imprensa turca fontes da companhia inglesa British Petroleum (BP), uma das acionistas da infra-estrutura.
No entanto, o fornecimento de petróleo continuou de forma ininterrupta graças às reservas existentes no porto de Ceyhan, onde termina o oleoduto.

(Fonte: Globo)

05 agosto 2008

Assad e Erdoğan discutem segurança no Oriente Médio

O presidente sírio, Bashar al-Assad, chegou hoje à Turquia em viagem de férias, durante a qual aproveitou para falar com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, sobre assuntos de segurança regional.
Segundo a rede "NTV", Assad e a primeira-dama síria, Asma Assad, aterraram hoje na cidade turística de Bodrum, no litoral sudoeste da Turquia, onde foram recebidos pelo chefe do Governo turco e pela sua mulher, Emine Erdoğan.
Embora, de acordo com o programa oficial e a informação da agência de notícias estatal "Anadolu", Assad e Erdoğan só tenham falado sobre o potencial turístico da zona, o jornal "Hürriyet" afirmou que o principal tema entre os dois líderes foram as negociações de paz entre Israel e Síria patrocinadas por Ancara.
O principal objectivo destas negociações é que Israel devolva à Síria as Colinas do Golã (ocupadas militarmente desde a Guerra dos Seis Dias) em troca de uma promessa de paz por parte de Damasco.
Outro tema vigente nas relações bilaterais turco-sírias é a disputa em relação ao programa nuclear do Irão em virtude da vontade de Teerão de enriquecer urânio com fins nucleares.

(Fonte: EFE)

Incêndio em Antália controlado

Um incêndio que arrasou 5.000 hectares de florestas nas proximidades de Antália, um dos principais destinos turísticos do sul da Turquia, e custou a vida de duas pessoas foi controlado ao fim de seis dias, anunciou nesta terça-feira o chefe da direcção florestal, Osman Kahveci.
Mais de 2.500 pessoas, entre elas muitos vizinhos e soldados, trabalharam dia e noite para apagar as chamas numa frente de 160 km, apoiados por 15 aviões-tanque e helicópteros, indicou Kahveci. O terreno queimado tinha sido reflorestado depois de um incêndio anterior.

(Fonte: AFP)

04 agosto 2008

Luís Amado refere "papel destacado" de Ancara para paz e estabilidade da região


O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, referiu hoje em Ancara o "papel destacado" que a Turquia tem vindo a assumir no plano político e diplomático para a paz e estabilidade de toda a região.
Amado, que se encontra em Ancara desde Domingo a convite do homólogo, Ali Babacan, considerou, em conferência de imprensa, em Ancara, após um encontro dos dois chefes de diplomacia, que "os parceiros europeus devem valorizar o papel diplomático que a Turquia passou a desenvolver na região".
Contactado por telefone pela Agência Lusa, a partir de Lisboa, Luís Amado afirmou que "a Turquia não tinha uma tradição de grande envolvimento diplomático na região", mas que "passou a desenvolvê-lo", assumindo um papel "muito importante também para a Europa".
Esse papel - considerou Amado - "tem de ser valorizado pelos seus parceiros europeus".
Amado referiu o facto de durante a última presidência portuguesa da União Europeia (segundo semestre de 2007) ter sido mantido "o processo de relacionamento da Turquia com a UE, salientando ainda a necessidade de se continuar a dar apoio a esse processo".
O ministro encontrou-se também hoje com o Presidente turco, Abdullah Gül, com o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, devendo reunir-se ainda com a Comissão Parlamentar de Harmonização com a União Europeia.
À Agência Lusa, Amado disse haver uma "excelente relação entre Portugal e a Turquia", estando Lisboa agora sobretudo concentrada no reforço das relações bilaterais.
"Temos boas relações no plano bilateral", disse, frisando contudo ser "possível fazer mais".
"Gostaríamos de reforçar as relações económicas e acertar uma agenda para desenvolver as nossas relações de forma a poder aproveitar melhor o potencial que existe nos dois países", disse.
"Mas, naturalmente, aproveitamos o facto de a Turquia estar a desenvolver uma acção muito positiva na estabilização de toda a região (...) para, através dos vários contactos, nos inteirarmos da situação na região, que é de vital importância", concluiu.


(Fonte: Lusa / Expresso)

Entre Islão e Laicismo Turquia elegerá Europa

Hoje o partido é da Justiça e Desenvolvimento, mas os islamitas turcos têm sido imaginativos a rebaptizar o seu projecto político: da Salvação Nacional, do Bem-Estar, da Virtude, da Felicidade. Tudo para contornarem os obstáculos criados pela elite laica que dita as regras nesse país muçulmano desde a proclamação da república em 1923. A última arremetida aconteceu há dias, com o supremo tribunal a abster-se - por um voto! - de dissolver um partido que conta com metade do eleitorado e tem como militantes o primeiro-ministro Recep Erdoğan e o Presidente Abdullah Gül. Tudo porque o AKP (Adalet ve Kalkınma Partisi) é suspeito de pôr em causa o laicismo decretado por Kemal Atatürk para lançar a moderna Turquia, nascida das ruínas do império otomano. A decisão do supremo foi a mais sensata. Através de um rude corte no financiamento público do AKP, advertiu Erdoğan para não desafiar o legado de Atatürk, o homem que entendia a Europa como modelo. Mas ao mesmo tempo não derrubou um partido com enorme popularidade, evitando um conflito entre as duas correntes dessa nação de 71 milhões de habitantes, considerada a mais democrática do mundo islâmico e candidata oficial à União Europeia desde 2005. Aliás, tanto Europeus como Americanos (a leal Turquia integra a NATO desde 1952) fizeram saber que uma ilegalização do AKP seria péssima para a imagem do país. Não se repetem assim os tempos em que os militares - guardiães máximos do 'atatürkismo' - faziam golpes quando a via política não lhes agradava (1960, 1971 e 1980) ou pressionavam a justiça para ilegalizar os islamitas (1997). Erdoğan, porém, terá de ter em mente o derrube de Necmettin Erbakan, a quem de nada valeu ser primeiro-ministro quando o seu Partido do Bem-Estar foi decretado antilaico. O véu que usa Emine Erdoğan, e também a senhora Gül, é tido como um ultraje pelos laicos. E ainda mais grave foi a intenção de abolir a lei que interdita o uso do lenço nas universidades. Mas essa polémica é - sem trocadilhos - a ponta do véu: o moderado AKP é elogiado por recuperar a economia e aprofundar o Estado de direito, mas ao mesmo não pode, invocando as liberdades individuais, desafiar os alicerces que tornaram a Turquia um caso de sucesso no mundo islâmico. E que lhe abriram as portas do Ocidente, seja através da NATO seja um dia graças à adesão à União Europeia. É que uma Europa unida das Ilhas Britânicas à Anatólia é o caminho a seguir. E nem tão surpreendente assim: acaba de chegar ao Museu Britânico, em Londres, um busto de meia tonelada de Adriano encontrado numas escavações na Turquia. Um imperador romano do século II que foi até à Inglaterra observar a construção da muralha a que dá nome, mas também à Anatólia controlar as fronteiras orientais do seu domínio.

O intervalo turco

In Expresso por Miguel Monjardino

Foi por muito pouco. Apenas um voto impediu o Tribunal Constitucional da Turquia de extinguir o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no Governo) e de banir o Presidente Abdullah Gül, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan e dezenas de outras pessoas do AKP de exercerem actividade política durante alguns anos. O partido e os seus líderes eram acusados de querer aumentar drasticamente a influência da religião no dia-a-dia da Turquia, uma acusação extremamente grave num país dominado há décadas por uma elite que sempre viu a subordinação da religião ao Estado como algo essencial. Em vez de ser extinto, como pretendia o procurador-geral Abdurrahman Yalçınkaya, o Tribunal Constitucional restringiu o acesso do AKP a fundos públicos. Dito de outra forma, o tribunal considerou parcialmente procedente a acusação. Abdullah Gül, Recep Tayyip Erdoğan e os seus colegas continuam a exercer os seus cargos políticos mas levaram um cartão amarelo.
O acórdão mostra que a Turquia está a passar por um momento extremamente delicado do ponto de vista político. A fragilidade da situação ficou bem expressa nas palavras do juiz-presidente, Haşım Kılıç: "Espero que este acórdão seja muito bem estudado e que o partido em questão receba a mensagem desejada. Hoje o tribunal não conseguiu o número de votos necessário para fechar um partido... mas este acórdão é um aviso ao partido. Um aviso sério". A maneira como este acórdão vai ser recebido e gerido pela liderança do AKP e pela oposição terá enorme influência no futuro da Turquia. Se olharmos para a geopolítica e para a economia do país, vemos que Ancara tem, pela primeira vez em muitas décadas, trunfos muito importantes nas mãos. Todavia, na ausência de um consenso político e social interno, estes trunfos valerão bastante menos no futuro.
A primeira coisa a fazer do ponto de vista geopolítico é relembrar que durante séculos o território da actual Turquia foi a sede de um império extremamente poderoso e influente no Mediterrâneo e Mar Negro do ponto de vista militar e comercial. Se tivermos isto presente, vemos que a Turquia a que nos habituámos nas últimas décadas é uma aberração histórica. Esta Turquia é o resultado do colapso do império Otomano e da Guerra Fria. Ambos os acontecimentos diminuíram drasticamente a ambição e a margem de manobra externa de Ancara. Nos últimos anos Ancara tem vindo a libertar-se desta herança e a regressar a áreas onde historicamente foi tida em conta - Ásia Central, Cáucaso, Médio-Oriente e Sudoeste da Europa. A anunciada intenção dos países europeus de diminuírem a sua dependência energética em relação à Rússia aumenta ainda mais a importância geopolítica da Turquia. Os partidários da entrada de Ancara na União Europeia (UE) sabem isto muito bem. As capacidades militares e o potencial geopolítico da Turquia tornariam a UE uma entidade substancialmente diferente da actual. O que é importante ter presente agora é que, ao contrário do que aconteceu entre 1923 e, digamos, 2001, a Turquia tem hoje muito mais opções.
Se olharmos para a economia, vemos o mesmo. Em 2001 a Turquia esteve à beira de um precipício económico. O sistema bancário entrou em colapso, a lira perdeu metade do seu valor e o país entrou em recessão. A primeira vitória do AKP em 2002 permitiu que fosse iniciado um importante processo de reformas económicas. Estas reformas ajudaram a economia turca a crescer desde então a um ritmo de 6% ao ano e têm vindo a atrair importantes investimentos estrangeiros. Nos últimos seis anos estes investimentos atingiram a casa dos 22 biliões de dólares. Os grupos económicos e as empresas turcas também não têm estado propriamente parados. Investiram 28 biliões de dólares na Rússia em 2006 e vão querer participar activamente nos enormes investimentos que Moscovo vai fazer nas suas dilapidadas infra-estruturas até 2020. No Iraque, especialmente no Curdistão, os investimentos turcos já ultrapassaram os 10 biliões de dólares. A Turquia é um país cada vez mais activo na economia internacional. A estrutura demográfica confirma o potencial do país como um mercado extremamente apetecível.
O potencial da Turquia é um resultado das transformações geopolíticas regionais e da sociedade e economia do país. Para grande parte da elite turca e muitos europeus, este processo de transformação deveria diminuir o papel da religião na sociedade turca. Em vez disso, e como é natural, a crescente prosperidade e integração na economia internacional está a tornar a religião mais importante para cada vez mais pessoas. O problema é que a maior importância e visibilidade da religião tem vindo a dividir profundamente o país nos últimos anos. Resolver este impasse através de um novo consenso político será vital para a concretização dos actuais trunfos turcos. O acórdão do Tribunal Constitucional mostra a dimensão do actual impasse constitucional em Ancara. Esta semana a Turquia foi para intervalo.