google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

14 dezembro 2006

Embaixadora da Turquia em Portugal: "Bruxelas é um instrumento nas mãos de Nicósia"


A embaixadora da Turquia em Portugal classificou de "injusta" a decisão da União Europeia (UE) de suspender parcialmente as negociações para a adesão do seu país, e afirmou que Bruxelas "é um instrumento nas mãos de Nicósia".
Zergün Korutürk, de origem cipriota grega, falava à agência Lusa no rescaldo do Conselho de Ministros da UE da passada segunda-feira, que sufragou uma proposta da Comissão Europeia de suspender oito de 35 capítulos a negociar para a adesão da Turquia. Na base dessa decisão está o incumprimento da extensão do Acordo de Livre Comércio à República de Chipre, com a qual Ancara está de relações cortadas há mais de três décadas.
"A UE está a ser muito injusta com a Turquia," declarou a diplomata, frisando que a resolução do contencioso cipriota nunca fez parte dos critérios exigidos por Bruxelas a Ancara. "Quando a candidatura turca à UE foi oficialmente aceite, na Cimeira de Helsínquia de 1999, Ancara recebeu garantias de que o contencioso cipriota não seria um critério exigido nas negociações para a adesão," realçou. Todavia, ao subscrever (Julho de 2005) a extensão do acordo aduaneiro à dezena de novos membros comunitários desde Maio de 2004, Ancara ficou obrigada a abrir os seus portos e aeroportos à República de Chipre, o que não fez desde o início das negociações oficiais para a adesão (Outubro de 2005). Como medida sancionatória, a UE decidiu suspender oito dos 35 capítulos a negociar para a adesão turca, motivo pelo qual a representante diplomática de Ancara em Portugal acusou Bruxelas de ser "um instrumento nas mãos de Nicósia".
"A República de Chipre está escudada na UE para nunca resolver o contencioso da ilha," denunciou, aludindo à divisão insular que persiste desde 1974, entre a comunidade cipriota grega, a sul, e a cipriota turca radicada na República Turca de Chipre do Norte (RTCN).
A RTCN, só reconhecida por Ancara, foi auto-proclamada independente em 1983 e está sob bloqueio internacional desde 1994.
"Mesmo que uma maioria de países comunitários esteja contra a posição do Conselho de Ministros da passada segunda-feira, nunca afectará a decisão final da UE," lamentou Zergün Korutürk. A diplomata insurgiu-se por Bruxelas só ouvir "um lado da história, na versão da República de Chipre", incumprindo a promessa de levantamento do bloqueio à RTCN feita a 26 de Abril de 2004, dois dias depois do referendo ao Plano (Kofi) Annan (secretário-geral das Nações Unidas) para a reunificação insular e adesão como um todo à UE, "chumbado" pelos Cipriotas gregos, mas aprovado pelos Cipriotas turcos.
"A promessa da UE durou cinco dias exactamente, até 1 de Maio de 2004, quando aderiu a República de Chipre, apesar do não ao Plano Annan, ficando de fora a RTCN," ironizou.
Zergün Korutürk confessou estar "céptica" em relação à causa dos Cipriotas turcos, que foram as vítimas das hostilidades dos Cipriotas gregos a partir de 1963, até à invasão militar turca da ilha em 1974, para impedir a sua anexação à Grécia e a "limpeza étnica" da população muçulmana local.. A propósito, a embaixadora perguntou quem na UE, entre políticos e opinião pública, conhece estes antecedentes para se pronunciar com razão e admitiu que "o bloqueio à RTCN persistirá se Bruxelas não se impuser para Nicósia arrepiar caminho".
"A Turquia nunca abandonará a RTCN," vincou, justificando que o seu país "não pode abdicar da política de defesa intransigente dos direitos dos cipriotas turcos".
Para a diplomata, porque "até os países pouco favoráveis à adesão turca concordam ser do interesse comunitário não deixar descarrilar o processo", a Turquia não deverá abandonar as negociações.
"O processo não passa só pelo contencioso cipriota, e a UE jamais permitiria que Ancara se retirasse," assegurou, lançando um repto: "Bruxelas deverá decidir quais são os benefícios, ou desvantagens, em ter a Turquia dentro, ou fora."
Zergün Korutürk concluiu: "No seu tratado de adesão, a República de Chipre comprometeu-se a alcançar uma solução global para o contencioso insular no quadro da ONU e a evitar qualquer atitude passível de infligir danos à economia cipriota turca. Nunca cumpriu."

(Fonte: RTP/Lusa)

13 dezembro 2006

Única revista "gay" da Turquia acusada de crime de obscenidade


O editor da revista "Kaos GL", a única revista "gay" da Turquia, foi acusado de promover a pornografia e corre o risco de ser preso.
O Artigo 226 do Código Penal turco prevê uma pena de prisão de seis meses a três anos por publicação de "imagens obscenas".
A revista tem tentado defender-se do processo desde 2005, altura em que a edição do número 28 foi confiscada. Alega que os termos da acusação não são claros e que não caracterizam exactamente em que é que consiste o crime praticado pela revista.
A revista diz que se o recurso da sentença não for atendido, vai apelar ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

10 dezembro 2006

Jornalista condenado a pagar cerca de 2500 euros por ter "insultado" o primeiro-ministro

O jornalista do jornal diário "Birgün", Erbil Tuşalp, foi considerado culpado ontem por ter "insultado" o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan. Tuşalp foi considerado culpado pelos comentários que escreveu num artigo, onde perguntava se Erdoğan teria tido febre alta em criança e usou o termo “agressivo psicótico” para o descrever. O advogado de Tuşalp argumentou que os comentários não foram insultos mas sim críticas, não tendo convencido o tribunal. Erdoğan tinha pedido uma indemnização de 10 000 YTL (cerca de 6000 euros).

09 dezembro 2006

Orhan Pamuk discursou em Estocolmo

Orhan Pamuk, o autor turco vencedor do Prémio Nobel da Literatura deste ano, num discurso proferido na quinta-feira em Estocolmo, revelou como se tornou escritor, o que sente quando escreve, e como se sentiu ao viajar com uma mala que lhe foi entregue pelo seu pai, que morreu em 2002.
O discurso, que Orhan Pamuk intitulou "A Mala do Meu Pai", incluiu as palavras que o seu pai, Gündüz Pamuk, lhe disse antes de morrer: um dia Orhan Pamuk receberia o prémio Nobel. Pamuk concluiu o seu discurso dizendo: "Gostaria tanto que o meu pai estivesse aqui entre nós neste dia."

07 dezembro 2006

As mulheres turcas conquistaram o direito de voto há 72 anos

Há 72 anos, a 5 de Dezembro de 1934, as mulheres turcas conquistaram o direito de voto e o direito de serem eleitas para cargos políticos. Na passada terça-feira, mulheres de todo o país, juntaram-se para comemorar o aniversário deste importante evento na história da Turquia.
A Assembleia do Conselho de Mulheres da cidade de Antália, iniciou as celebrações com a colocação de flores no monumento de Atatürk, na Praça da República dessa cidade. Os deputados de Antália pelo Partido Republicano do Povo (CHP), Tuncay Ercen e Hüseyin Emekçioğlu também estiveram presentes na cerimónia. A porta-voz da Assembleia das Mulheres, disse que apesar dos previlégios que lhes foram concedidos, a representação das mulheres turcas no poder local e no Parlamento é ainda insignificante. Estas mulheres pediram a introdução de uma quota de pelo menos 30 por cento na Lei dos Partidos Políticos, para facilitar a participação activa das mulheres (cerca de 51 por cenmto da população turca) na política.
Numa declaração, a deputada do CHP por Adana, Nevin Gaye Erbatur, disse: “Hoje estamos a combater uma mentalidade que tenta puxar as mulheres para casa, em vez de as integrar na sociedade.” A sua declaração destacou a representação das mulheres no Parlamento de 4,6 por cento em 1935, e de unicamente 4,4 por cento actualmente. Disse também que, apesar de 36 por cento dos professores universitários, 31 por cento dos arquitectos e mais de 50 por cento dos dentistas serem mulheres, elas parecem incapazes de aceder a posições administrativas. "Apesar de terem passado 72 anos, as mulheres ainda não têm uma posição satisfatória no Parlamento," disse Erbatur, acrescentando que a principal razão, é o facto da política ainda ser considerada como uma arena dominada por homens. Erbatur disse ainda que queria ver mulheres no CHP, não como convidadas, mas como parte do "staff" político. Em Aydın, o reitor da Universidade Adnan Menderes, Şükrü Boylu, elogiou os direitos atribuídos às mulheres em 1934, como uma conquista fundamental contra uma mentalidade regressiva e tradicionalista.
O líder do Partido da Terra Natal (ANAVATAN), Erkan Mumcu, numa reunião do seu partido na passada terça-feira, também congratulou o 72.º aniversário do sufrágio das mulheres, sublinhando que as mulheres, que correspondem a 51 por cento da população, estão escassamente representadas no Parlamento turco. Mumcu disse que representar as mulheres só com 24 deputados é injusto: “Excluir as mulheres da vida social é uma grande injustiça e também improdutivo.” Destacou também que uma discriminação deste tipo tem de terminar o mais rápido possível.
O ministro do Interior, Abdülkadir Aksu, disse que o assunto dos direitos das mulheres é “uma luta que está a decorrer em paralelo com a aceitação da democracia como um estilo de vida.” O ministro disse: “Todos os nossos esforços estão relacionados com trazer a mulher para o lugar que merece na nossa sociedade.” Estas declarações foram proferidas numa reunião organizada pelo Fundo das Nações Unidas para as Populações (UNFPA), pela Fundação Sabancı para a Educação (VAKSA) e pela Associação para a Educação e Apoio de Candidatos Femininos (KA-DER), para avaliar os resultados de um projecto das Nações Unidas para melhorar e proteger os direitos das mulheres e raparigas. No seu discurso, Aksu disse ainda: “Assegurar igualdade entre homens e mulheres é geralmente aceite como justiça social. O nosso Governo, que está consciente disso, estabeleceu como objectivo fundamental, colocar as mulheres numa posição em que possam ter responsabilidades iguais às dos homens em todas as áreas.” Sublinhou igualmente que o Governo tem introduzido um grande número de regras para melhorar o estatuto social das mulheres. Numa manifestação em Adana, para celebrar o aniversário do sufrágio e do direito de serem eleitas para cargos políticos, algumas mulheres reagiram adversamente quando o líder distrital do Partido do Movimento Nacionalista (MHP), Hasan Yaman, se juntou às comemorações, dizendo: “Este não é um lugar para políticos. É errado um político do sexo masculino participar numa actividade de mulheres.” Um grupo de mulheres da Assembleia do Conselho de Mulheres da cidade de Adana e do KA-DER, reuniram-se na Praça Uğur Mumcu e marcharam até ao Parque Atatürk, acompanhadas pela Banda Municipal Metropolitana. Yaman abandonou o local depois de ter observado as comemorações do aniversário durante algum tempo. A responsável pela filial do KA-DER em Adana, Lütfiye Görgün, disse que as mulheres não podiam celebrar com satisfação o aniversário, porque o direito de voto e de serem eleitas não estava a ser usado efectivamente, com as mulheres muito longe do objectivo estabelecido por Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da nação. Görgün disse que "só 24 parlamentares, de um total de 550, são mulheres, o que mostra que de facto as mulheres não têm lugar na política. Temos uma grande população, mas não fazemos parte da administração do país. As mulheres que trabalham activamente nos partidos políticos não se tornam uma janela para o partido, tornam-se o seu cérebro! Nós queremos que pelo menos sete dos 14 deputados de Adana, sejam mulheres no próximo ano," disse.

04 dezembro 2006

Bento XVI: "Deixo parte do meu coração em Istambul"


O Papa Bento XVI terminou a sua visita à Turquia na passada sexta-feira, depois de ter estendido a mão aos muçulmanos e aos cristãos ortodoxos, mas mantendo no entanto uma posição firme relativamente à autoridade papal e às raízes cristãs da Europa.

Na sexta-feira de manhã, celebrou uma missa na Catedral do Espírito Santo em Istambul, onde também esteve presente o líder dos cristãos ortodoxos Bartolomeu I. Na quinta-feira, ambos tinham feito uma declaração conjunta, assumindo o compromisso de continuarem a trabalhar para unirem as suas igrejas, separadas desde o Grande Cisma de 1054.
O Papa usou também esta visita para diminuir o descontentamento dos muçulmanos, causado pelo discurso que proferiu em Setembro e que incendiou o mundo islâmico. Por essa razão, foi accionado o maior dispositivo de segurança de sempre na Turquia, mas os protestos foram escassos durante a sua visita.
O Papa pediu mais liberdade religiosa na Turquia e disse que o secularismo enfraqueceu as tradições cristãs.
Considerado pelos peritos católicos como mais conservador nos assuntos teológicos e menos interessado em criar laços com o Islão do que o seu antecessor, alguns sectores da igreja esperavam que ele adoptasse uma posição mais forte relativamente a esses assuntos.
Um dia depois de ter cumprimentado o Papa, o presidente turco, Ahmet Necdet Sezer, vetou parcialmente a Lei das Fundações, que se esperava que viesse aumentar os direitos de propriedade das minorias não muçulmanas que vivem na Turquia. Sezer vetou vários artigos da lei, vista como uma das mais significativas reformas da União Europeia.
O acontecimento mais importante da visita do Papa à Turquia, acabou por ser a sua deslocação à Mesquita de Sultanahmet (Mesquita Azul) e a sua atitude de reverência. O popular jornal diário turco "Hürriyet" escreveu: “Na Mesquita de Sultanahmet, voltou-se para Meca e rezou como um muçulmano.” Já o jornal diário "Akşam" publicou na primeira página: “A temida visita do Papa terminou com uma surpresa maravilhosa.” Os oficiais do Vaticano também caracterizaram a visita à mesquita como um gesto de reconciliação. O Papa tirou os sapatos, tal como é costume numa mesquita, e meditou silenciosamente, enquanto o mufti de Istambul rezava alto. Quando o mufti deu por terminada a oração, Bento XVI deteve-se por segundos, ainda voltado para Meca. O Papa Bento XVI tornou-se no segundo Papa da história a entrar numa mesquita, depois de João Paulo II também o ter feito numa mesquita de Damasco, em 2001. O porta-voz do Vaticano, Cardeal Roger Etchegaray, comparou a visita do Papa à mesquita, à visita de João Paulo II ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, em 2000. “Ontem, Bento XVI fez com os muçulmanos, aquilo que João Paulo II fez com os judeus.”
Minutos antes de entrar num avião especial das linhas aéreas turcas no fim da sua primeira visita a um país muçulmano, o Papa disse ao governador de Istambul, Muammer Güler: “Deixo parte do meu coração em Istambul.” Disse também, antes da sua partida, que esperava que a sua visita pudesse contribuir para um "melhor entendimento" entre religiões.

02 dezembro 2006

Embaixadora da Turquia em Portugal comenta a viagem do Papa ao seu país

A embaixadora da Turquia em Lisboa vê a visita do Papa ao seu país como um sinal de apoio à entrada da Turquia na União Europeia.
Zergün Korutürk faz uma leitura essencialmente política da viagem do Papa, avaliando também a deslocação de Bento XVI como um reconhecimento do papel do seu país no diálogo entre civilizações. A diplomata lembra que o Papa destacou a importância da Turquia como ponte entre duas civilizações e deu, também, um contributo para essa ponte.

(Fonte: Rádio Renascença)

01 dezembro 2006

O Papa Bento XVI rezou na Mesquita Azul

O Papa Bento XVI pôs termo ontem, em Istambul, a semanas de especulação na imprensa turca sobre se iria ou não rezar no Museu de Santa Sofia. Em vez de ter parado para rezar na antiga igreja bizantina, o Papa escolheu rezar na Mesquita Azul, olhando para Meca.

Após uma visita ao Museu de Santa Sofia, o Papa foi recebido na Mesquita Azul pelo mufti de Istambul, Mustafa Çagrıcı, e pelo mufti de Eminönü, Muharrem Bilgiç. Deixou os sapatos à porta, e foi acompanhado pelo mufti Mustafa Çagrıcı na sua visita ao interior da mesquita.
O mufti explicou-lhe os rituais da religião islâmica, nomeadamente as funções do mihrab (nicho das orações) e do minber (púlpito), explicou-lhe os motivos decorativos dos tectos da mesquita, e depois convidou-o a juntar-se a ele num "momento de paz", olhando para o kible que está orientado para Meca. O Papa juntou-se a Çagrıcı imitando os seus gestos, e rezou.
Esta foi uma visita histórica, cheia de significado, e a segunda visita de um Papa a uma mesquita. A ida do Papa Bento XVI à Mesquita Azul, que inicialmente não fazia parte do programa da sua visita, está a ser entendida como um gesto de reconciliação com o Islão e como um acto de respeito para com o povo muçulmano.

O Papa parece ter recuado num eventual apoio à adesão da Turquia à União Europeia

O Papa Bento XVI salientou as “raízes cristãs” da Europa e olhou para as liberdades religiosas e direitos das minorias, arrefecendo um pouco as esperanças da Turquia relativamente a um eventual apoio do Vaticano à sua adesão à União Europeia. “Na Europa, ao mesmo tempo que existe uma abertura a novas religiões e aos seus contributos culturais, devemos unir os nossos esforços para preservar as raízes cristãs e as suas tradições e valores,” disse Bento XVI numa declaração conjunta com o patriarca dos Gregos ortodoxos Bartolomeu I, no terceiro dia da sua visita histórica à Turquia.
De manhã cedo, o Papa, secundado por Bartolomeu I, depois de uma missa na Catedral de São Jorge, disse num discurso, que “o processo de secularização tem enfraquecido a manutenção da tradição cristã na Europa. Face a esta realidade, somos chamados, juntamente com todas as comunidades cristãs, a renovar a consciência da Europa relativamente às suas raízes, tradições e valores cristãos, dando-lhes nova vitalidade.”
Com a ênfase dada às raízes cristãs da Europa, o Papa parece querer enviar sinais à Turquia muçulmana, candidata à entrada na União Europeia. No entanto, o Papa conquistou os corações dos Turcos com uma série de atitudes que adoptou desde a sua chegada, principalmente com o seu apoio à entrada da Turquia na União Europeia, segundo declarações do primeiro-ministro turco. “Nós não somos políticos, mas desejamos que a Turquia entre na União Europeia,” disse Erdoğan, citando o Papa numa conferência de imprensa após o encontro de ambos em Ancara.
O apoio de Bento XVI à entrada da Turquia na União Europeia foi aplaudido na Turquia, porque o apoio do Vaticano pode ajudar a melhorar significativamente a opinião pública relativamente à aceitação da Turquia na União Europeia. No entanto, discute-se agora na imprensa turca, nomeadamente no jornal diário "Cumhüriyet", se Erdoğan terá distorcido as palavras do Papa. O mesmo jornal acrescenta que o Vaticano não gostou das palavras de Erdoğan.
Na sua declaração conjunta com Bartolomeu I, o Papa disse que o respeito pela liberdade religiosa deve ser um critério para a adesão da Turquia à União Europeia, que deve assegurar que os seus membros respeitem os direitos das suas minorias religiosas. Esta declaração veio no seguimento das queixas do Patriarcado relativamente às restrições impostas pela Turquia, nomeadamente o encerramento de um seminário teológico, e a confiscação de várias propriedades às fundações cristãs. “Nós vimos de forma positiva o processo que levou à formação da União Europeia. Aqueles que estão envolvidos neste grandioso projecto não deveriam falhar no que diz respeito a levar em consideração todos os aspectos que afectam os direitos inalienáveis da pessoa humana, especialmente a liberdade religiosa. Em todos os passos relativos à unificação, as minorias devem ser protegidas, juntamente com as suas tradições culturais e com a distinção das características da sua religião,” acrescentou.
A União Europeia quer que a Turquia assegure total liberdade religiosa às suas minorias não muçulmanas. Isso significa dar-lhes um estatuto legal, incluindo os direitos de propriedade, para assim poderem operar livremente como instituições, e permitindo que tenham as suas próprias escolas.

O Papa Bento XVI na casa da Virgem Maria e no Patriarcado Grego Ortodoxo

Depois de ter passado o primeiro dia da sua visita em Ancara, o Papa Bento XVI seguiu para a vila de Selçuk, na província de Izmir, onde celebrou uma missa na casa da Virgem Maria, para um audiência de cerca de 550 pessoas, incluindo convidados do Sri Lanka, Ilhas Virgens, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Itália e Turquia. Depois das orações conjuntas com os crentes, o Papa fez um discurso que durou cerca de uma hora e meia, onde mencionou os seus dois antecessores que também visitaram o mesmo local: o Papa João Paulo VI e o Papa João Paulo II. Também referiu João Paulo XXIII, que antes de ser Papa, foi delegado apostólico na Turquia entre Janeiro de 1935 e Dezembro de 1944. Lembrando as boas relações do Papa João XXIII com os Turcos e a Turquia, o Papa Bento XVI citou palavras de João XXIII: "Eu amo os Turcos e admiro as suas qualidades." Também falou da importância da Turquia no mundo, como ponte entre culturas: "Constituindo uma ponte entre continentes, é vital que a paz e o bem-estar vivam em harmonia no seu solo." As úlltimas palavras do seu discurso foram em Turco: "Aziz Meryem, bizim için dua et (Virgem Maria, reza por nós)."

Depois o Papa Bento XVI rumou a Istambul para a Igreja do Patriarcado Grego Ortodoxo, a Igreja Aya Yorgi, onde participou numa celebração em sua honra. Aí, dirigindo-se a uma vasta audiência, disse: "Gostaria de dizer que gostei muito desta recepção tão fraterna por parte do Patriarcado Ecuménico, e que ficará sempre no meu coração. Agradeço a Deus termos sido abençoados com este encontro, que tem tanto significado e está cheio de boas intenções." O Papa mencionou também as relações entre a Igreja Católica e Ortodoxa e disse estar muito agradecido por estar neste momento em Istambul: "Estou muito agradecido por estar neste solo, que está tão ligado ao Cristianismo, e que foi a casa de tantas igrejas em tempos antigos."