google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

05 fevereiro 2016

Turquia fecha fronteira e acusa Rússia de criar novo êxodo de refugiados sírios

A Turquia fechou esta sexta-feira a sua fronteira a sul da cidade turca de Kilis, para onde afluíram milhares de pessoas que fugiam de Aleppo, a maior síria cidade controlada maioritariamente pelos rebeldes sírios, que nos últimos dias tem estado a ser alvo de fortes ataques das forças do regime de Bashar al-Assad e da aviação russa. 

O primeiro-ministro turco Ahmet Davutoğlu acusa a Rússia de estar com os seus bombardeamentos a provocar o êxodo de dezenas de milhares de sírios. 

Os turcos antecipam uma nova crise de refugiados, numa altura em que a Europa ainda tenta resolver o problema daqueles que já abandonaram anteriormente o país. “Atualmente, há 10 mil novos refugiados à espera à porta de Kilis por causa dos bombardeamentos aéreos e dos ataques contra Aleppo. 

Entre 60 mil e 70 mil pessoas estão a deslocar-se a partir dos acampamentos do norte de Aleppo em direção à Turquia”, afirmou o primeiro-ministro turco, em declarações proferidas em Londres. 

A Turquia já acolhe atualmente cerca de 2,5 milhões de sírios no seu território. 

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos também indicou que 40 mil civis deixaram Aleppo desde segunda-feira, que está a ser alvo dos mais intensos bombardeamentos desde o início do conflito. 

As forças governamentais conseguiram cortar a principal linha de fornecimento entre a fronteira da Turquia e Aleppo e os rebeldes podem estar prestes a perder o seu último grande bastião e a guerra com Assad. 

 (Fonte: Expresso)

22 janeiro 2016

Joe Biden acusa Turquia de limitar liberdade de expressão

O vice-presidente dos EUA começou uma curta visita de dois dias à Turquia com um puxão de orelhas ao Governo de Ahmet Davutoglu, dizendo que o país "não está a dar o exemplo que devia dar" à região, ao "intimidar" jornalistas e ao "cercear" a liberdade na Internet. 

"Quanto mais bem-sucedida for a Turquia, mais forte será a mensagem enviada a todo o Médio Oriente e a áreas do mundo que só agora começam a lidar com a noção de liberdade", disse Joe Biden, perante personalidades da sociedade civil da Turquia e deputados. 

O vice-presidente dos EUA chegou à Turquia na noite de quinta-feira, para uma visita que se estende até sábado, depois de ter participado no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça. Para sábado estão marcadas conversas com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e com o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu. 

Esta sexta-feira, Joe Biden reuniu-se com representantes de organizações não-governamentais, académicos e deputados de três dos quatro partidos com representação parlamentar – o Partido da Justiça e Desenvolvimento (islamita e conservador, no poder), o Partido Democrático do Povo (esquerda e pró-curdo) e o Partido Popular Republicano (centro-esquerda). O Partido Movimento Nacionalista, da extrema-direita, recusou-se a estar presente. 

Apesar de reafirmar o apoio ao Governo turco na luta contra os ataques do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o vice-presidente dos EUA condenou medidas como a imposição do recolher obrigatório no Sudeste do país, onde os episódios de violência são mais acentuados. "Quando os jornalistas são intimidados ou detidos por fazerem um trabalho crítico, quando a liberdade na Internet é cerceada e as redes sociais como o YouTube ou o Twitter são encerradas, e mais de mil académicos são acusados de traição apenas por terem assinado uma petição, não se está a dar o exemplo que se deveria dar", afirmou o vice-presidente dos EUA. 

Num dia em que também visitou a mulher e o filho do director do jornal Cumhuriyet, Can Dundar,  que foi detido em Novembro do ano passado, Joe Biden insistiu no puxão de orelhas: "Quando não temos capacidade para expressar a nossa opinião, para criticar as políticas, para propor ideias opostas sem medo de sermos intimidados ou punidos, estamos a tirar uma oportunidade ao nosso país."

(Fonte: Público)

15 janeiro 2016

Erdoğan declara guerra aos signatários de uma petição pela paz

O Governo turco lançou esta sexta-feira uma caça aos signatários de uma petição que pede o fim das operações controversas do Exército contra a rebelião curda, o que suscitou a ira do Presidente, Recep Tayyip Erdoğan, reavivando as críticas sobre a sua deriva autoritária. 

Por ordem da Justiça, a polícia turca deteve em Kocaeli (nordeste) 14 universitários que colocaram o seu nome por baixo deste “apelo pela paz”. Em Bolu (norte), as forças de ordem revistaram os domicílios de três outros signatários da petição. Em todo o país foram abertos inquéritos judiciais por “propaganda terrorista”, “insulto às instituições e à República turca” e “incitamento a violar a lei” contra os signatários da petição, que arriscam entre um a cinco anos de prisão. 

Segunda-feira, perto de 1200 pessoas já tinham assinado “uma iniciativa universitária pela paz”, que reclamava o fim da intervenção das forças de segurança turca contra os apoiantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), no Sudeste do país de maioria curda. O texto denuncia “um massacre deliberado e planificado em total violação das leis turcas e dos tratados internacionais assinados pela Turquia”. 

Apoiados por tanques, o exército e a polícia turca avançaram há um mês sobre as cidades de Cizre e Silopi que estão a cumprir um cessar-fogo, bem como o distrito sul de Diyarbakir, para desalojar apoiantes armados do PKK que se tinham entrincheirado em alguns bairros. Os combates provocaram a morte de inúmeros civis e o êxodo de uma parte dos habitantes. 

Esta petição, que também é assinada por intelectuais estrangeiros como o linguista americano Noam Chomsky, provocou a fúria dos dirigentes turcos. Pela terceira vez esta semana, Erdoğan acusou os signatários de serem cúmplices dos “terroristas” do PKK e justificou as acções judiciais contra eles. “Aqueles que se juntam ao campo dos cruéis são eles próprios cruéis e aqueles que apoiam os autores de massacres são cúmplices dos seus crimes”, disse o Presidente turco. 

Nas páginas do jornal Yeni Safak, um dos porta-vozes favoritos do poder, o editorialista Ibrahim Karagül apelou aos estudantes para “boicotarem as aulas daqueles que apoiam o terrorismo e se escondem por detrás da palavra paz”. Várias universidades abriram inquéritos disciplinares contra professores signatários da petição, registando-se já um caso de um professor que foi despedido em Düzce (noroeste). E nas redes sociais são muitos os estudantes que insultam os seus colegas signatários com frases como: “Traidores como tu não têm lugar no glorioso solo turco.” 

Estas operações policiais são “muito perigosas e inaceitáveis”, denunciou o Partido Republicano do Povo (oposição social-democrata). Elas “mergulham a Turquia nas trevas”, reagiu o Partido Democrático dos Povos (pró-curdo). A representante da Human Rights Watch na Turquia, Emma Sinclair Webb, escreveu no Twitter que estas detenções de universitários são “escandalosas”. “Exprimir a sua preocupação com a violência não significa apoiar o terrorismo. Criticar o Governo não é traição”, explicou o embaixador dos Estados Unidos em Ancara, John Bass. 

Depois de mais de dois anos de cessar-fogo, os combates entre as forças turcas e o PKK foram retomados no Verão passado, estilhaçando as negociações abertas no final de 2012 para tentar pôr fim a um conflito que já provocou mais de 40 mil mortos desde 1984. 

 (Fonte: Público)

13 janeiro 2016

Turquia já esperava atentados

Os serviços secretos turcos já esperavam um atentado do grupo Estado Islâmico contra turistas em Istambul e Ancara, antes do ataque suicida de terça-feira em que morreram dez alemães.

De acordo com o que é avançado esta quarta-feira pelo diário em língua inglesa Hürriyet, a polícia turca foi alertada em duas ocasiões para a possibilidade de 19 suspeitos militantes do Estado Islâmico terem entrado recentemente no país com intenções de atacar edifícios ligados a países da NATO, zonas de grande circulação e locais turísticos. O aviso mais recente foi transmitido há uma semana, no dia 4 de Janeiro, e chegou às representações da Alemanha, França e Holanda. O mais antigo data de 17 de Dezembro. Ambos designavam Ancara e Istambul como os dois locais para atentados. A polícia turca já conhecia os 19 suspeitos jihadistas nos alertas – dez homens e nove mulheres –, mas o saudita que se acredita ter executado atentado de terça-feira não se encontrava entre eles. O Governo não o confirmou ainda, mas a imprensa turca dá como certo que o bombista é Nabil Fadli, militante de 27 anos de ascendência síria. O seu nome foi registado pelos serviços de imigração turcos nos primeiros dias de Janeiro, mas não constava das listas de suspeitos jihadistas. “A avaliação de que as suas impressões digitais foram recolhidas e que existe um registo dele está certa”, confirmou o ministro turco do Interior em conferência de Imprensa, nesta quarta-feira. “Mas não fazia parte da lista de indivíduos procurados. Nem sequer nas listas de alvos que nos foram enviadas por outros países”, concluiu Efkan Ala, ao lado do seu homólogo alemão, Thomas de Maiziere. 

A polícia turca avançou sobre redes conhecidas de extremistas horas depois do atentado em Istambul e fez dezenas de detenções. Esta quarta-feira anunciou que dessas operações resultou a captura de um homem que acreditam ser cúmplice do bombista. Foram também capturados três cidadãos russos, em Antalya, no Sudoeste do país. As autoridades afirmam que o material encontrado na casa destes indivíduos indica que pertenciam a uma célula de apoio a combatentes do Estado Islâmico. 

O ministro turco do Interior assegura que “a investigação continua de forma intensiva”. O Governo tenta combater as críticas de que os recursos que dedica a grandes operações policiais e militares no Sudeste do país, em zonas de maioria curda e em combate a militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK, esgotam a sua capacidade de controlar a ameaça terrorista do Estado Islâmico. Daí que Efkan Ala tenha defendido os esforços do seu Governo contra a ameaça do Estado Islâmico. Segundo ele, a polícia deteve 200 suspeitos jihadistas há apenas uma semana – as autoridades anunciaram no final de 2015 terem impedido um duplo atentado suicida para o dia de Ano Novo, em Ancara. O ministro adianta que, no total, a polícia turca fez já 3318 detenções de pessoas suspeitas de ligação ao Estado Islâmico. Destas resultaram 847 prisões, a maior parte cidadãos estrangeiros. A seu lado, Thomas de Maiziere tentava travar o receio na Alemanha de que a Turquia deixou de ser um local de turismo seguro – Berlim é a principal interessada na revitalizada aliança da União Europeia com a Turquia para diminuir o número de refugiados que atravessam o Mediterrâneo. O ministro alemão assegurou que não existem provas de que o ataque tenha atingido deliberadamente alemães – para além dos dez mortos (a informação de que havia um peruano entre os mortos foi corrigida), há nove turistas alemães feridos, dois deles nos cuidados intensivos. “Se os terroristas tentavam perturbar, destruir ou prejudicar a cooperação entre parceiros, conseguiram o oposto: Alemanha e Turquia ficaram ainda mais próximos”, prometeu.

(Fonte: Público)

18 dezembro 2015

Portugal vence a Turquia em Santiago do Cacém

Santiago do Cacém viveu ontem, 17 de dezembro, um dia diferente no setor desportivo. O Campo Municipal Miróbriga recebeu o jogo Portugal vs. Turquia, onde a Equipa das Quinas venceu a partida por (1-0). Mickael Almeida, aos 42 minutos, marcou o golo da vitória da Seleção.
Esta foi a segunda partida da semana diante da Turquia, depois de ter empatado (1-1), na terça-feira, em Sines.
Estes encontros visam a preparação da Equipa Lusa que disputará a Ronda de Elite, a segunda e última fase de qualificação para o Campeonato da Europa Azerbaijão 2016, que será disputada entre os dias 16 e 21 de março na Croácia.
No mês de fevereiro, a formação orientada por Hélio Sousa terá ainda oportunidade de disputar mais três partidas no Torneio Internacional do Algarve.
A Câmara Municipal esteve representada neste encontro pelo Presidente da Câmara Municipal, Álvaro Beijinha, onde se destacou também a presença de um dos maiores goleadores de sempre da Seleção Portuguesa, o ex-internacional português, Pauleta, que neste momento exerce funções diretivas na Federação Portuguesa de Futebol.

(Fonte: Distrito Online)

17 dezembro 2015

Sete portistas vencem a Turquia

Diogo Costa, Diogo Bessa, Diogo Dalot, Diogo Leite, Diogo Queirós, Lamba e Lameira, jogadores das camadas jovens do FC Porto, participaram na tarde desta quinta-feira na vitória da seleção portuguesa de Sub-17 sobre a congénere da Turquia (1-0), em jogo particular disputado no Campo Miróbriga, em Santiago do Cacém.

Mickael Almeida foi o autor do único golo do desafio, que serviu de preparação para a Ronda de Elite, a segunda e última fase de qualificação para o Campeonato da Europa de 2016, que será disputada entre os dias 16 e 21 de Março, na Croácia.

O FC Porto foi o clube com mais representantes na equipa portuguesa (sete), que já na terça-feira tinha defrontado o mesmo adversário, tendo encontro terminado empatado (1-1).

A formação orientada por Hélio Sousa alinhou da seguinte forma: Diogo Costa; Diogo Dalot (João Oliveira, 41m), Thierry Correia (Diogo Bessa, 64m), Diogo Leite e Diogo Queirós (cap.); Florentino, Lameira e Filipe Soares (Gedson Fernandes, 41m); Nuno Santos (Leandro Tipote, 64m), Mickael Almeida (Lamba, 64m) e Trincão (Jorge Teixeira, 41m). 

(Fonte: FC Porto)

16 dezembro 2015

Portugal ajuda Turquia com 24 milhões de euros

O primeiro-ministro anunciou que Portugal vai contribuir com 24 milhões de euros para ajudar a Turquia no acolhimento aos refugidos, disponibilizar equipas técnicas que possam dar apoio no terreno e está disponível para receber mais refugiados.

"Esse apoio deve ser financeiro, que se estima em 24 milhões de euros, mas deve ser também um apoio mais ativo, quer disponibilizando equipas técnicas no apoio ao acolhimento, avaliação e rastreio das pessoas que pedem auxílio, como também na disponibilidade acrescida de acolher refugiados que agora se encontram na Turquia", afirmou António Costa.

O debate de preparação do Conselho Europeu expôs as divergências entre o PS e os partidos que apoiam no parlamento o Governo de António Costa, particularmente patente nas questões relacionadas com a França, a Síria e a questão turca, com o primeiro-ministro a defender o papel daquele país na crise dos refugiados e a porta-voz do BE a considerar que a Turquia "é parte do problema" do autoproclamado Estado Islâmico. "A Turquia não só ataca o exército curdo, linha de defesa contra o Daesh [acrónimo árabe do grupo Estado Islâmico], como é pela Turquia que circula o petróleo que alimenta o exército do terror. O Daesh ganha 1 a 2 milhões de euros por dia com a venda petróleo que, parte dele, passa pela Turquia", afirmou Catarina Martins, que salientou a importância de asfixiar as fontes de financiamento do autodesignado Estado Islâmico.
A porta-voz do BE argumentou ainda não poder "ignorar a venda de armas europeias, de Estados da União Europeia, ao Daesh, feita em grande medida através da Arábia Saudita", defendendo que "a Europa está a alimentar o terror que diz que quer combater" e manifestando-se contra bombardeamentos na Síria.
António Costa admitiu que existem duplicidades na questão do combate ao terrorismo, do Estado Islâmico e outros, nomeadamente os "offshore" que se mantêm no espaço europeu", mas não só concordou com a aliança com a Turquia como assumiu que a França tem legitimidade para se defender, reconhecendo implicitamente que os bombardeamentos na Síria foram um ato em legítima defesa pelos ataques terroristas em Paris.
"Fazemos parte da coligação internacional que responde ao Daesh e temos de assumir todas as obrigações que daí decorrem e desde logo reconhecemos à França a legitimidade para a invocação das cláusulas do artigo 42 do Tratado de Lisboa", afirmou.
Contudo, o primeiro-ministro sublinhou a necessidade de, neste processo de combate ao terrorismo, serem respeitados os "princípios da liberdade", nomeadamente quanto ao registo de passageiros, muito criticado pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
"O registo de passageiros não pode ser feito de uma forma que viole garantias consagradas na carta dos direitos fundamentais", disse António Costa.
Jerónimo de Sousa referiu-se a uma deriva securitária e questionou a posição do Governo sobre a "diretiva do registo de identificação indiscriminada de passageiros que sujeita todos os cidadãos ao mesmo nível de controlo e vigilância, retendo-se a informação durante 5 anos, em que é posta à disposição dos serviços de informação".
O líder do PCP referiu-se também à discussão no Conselho do referendo à permanência da Grã-Bretanha na União Europeia, argumentando que será uma "grande operação de condicionamento do povo britânico" e que pode adotar medidas como a "institucionalização da discriminação dos emigrantes".
Na resposta, o primeiro-ministro opôs-se à europeização das questões internas dos países e apesar de sublinhar que Portugal mantém com a Grã-Bretanha a mais antiga aliança diplomática do mundo nunca poderá concordar com medidas que colidam com "liberdades fundamentais da União Europeia, como é a liberdade de circulação e o princípio de não discriminação".
Pelo partido ecologista "Os Verdes", Heloísa Apolónia defendeu que não se pode "cair na hipocrisia" de esquecer as causas da crise migratória e do terrorismo, que é alimentado pelo negócio das armas.
"E quando o terrorismo é combatido com bombardeamentos que massacram e afugentam povos, isso tem de ser discutido quando se discute com justiça a matéria dos refugiados", declarou.
O PS dividiu as suas perguntas em duas intervenções, com Eurico Brilhante Dias a questionar o Governo sobre fundos comunitários e Vitalino Canas a pronunciar-se sobre matérias como o terrorismo e a crise migratória, mas também o referendo na Grã-Bretanha.
Sobre esta matéria, Vitalino Canas disse que todos os Estados-membros devem contribuir para a permanência do país na União e que há propostas positivas que vão nesse sentido, como o aprofundamento do papel dos parlamentos nacionais e da participação dos Estados que não estão na moeda única.

(Fonte: Jornal de Notícias)

09 novembro 2015

Mais de 400 mil crianças sírias não vão à escola na Turquia

Mais de dois terços das 708 mil crianças sírias que estão na Turquia, como refugiadas, não vão à escola, apesar de a lei turca lhes dar esse direito e de estarem em idade da escolaridade obrigatória, conclui a organização humanitária Human Rights Watch, num estudo publicado nesta segunda-feira. 

É um número que representa cerca de 415 mil crianças e jovens sírios, entre os sete e os 17 anos, refugiadas na Turquia pela guerra e fora do sistema de ensino. Há várias barreiras para a entrada de crianças sírias nas escolas turcas. São sobretudo entraves de ordem social, económica, ou de inclusão social e educativa. O problema atinge predominantemente os sírios que estão fora dos campos de refugiados, 85% dos mais de dois milhões de cidadãos sírios fugidos da guerra no país vizinho – 90% dos jovens em campos na fronteira da Turquia com a Síria vão a escolas especiais com currículos sírios em língua árabe, mas apenas 25% dos que estão nas zonas urbanas o fazem. 

"Horrores indescritíveis" estão a ser feitos às crianças da Síria.Na Síria do pré-guerra, 99% das crianças cumpriam a escola primária e 82% matriculava-se nos primeiros anos do ensino secundário. Na Turquia, o país em que vivem mais refugiados sírios, há quatro anos de escolaridade obrigatória de ensino primário, outros quatro de ensino intermédio e mais quatro de ensino secundário. Ao não haver garantia de ensino para as crianças e jovens sírias deslocadas pela guerra, os países de acolhimento arriscam-se a criar uma população alienada, que corre para a radicalização ou para a morte, como diz Shaza, mulher síria à frente de um centro de educação em Istambul. O seu filho, Omar, regressou à Síria e juntou-se a um grupo rebelde depois de não ter conseguido entrar numa escola na Turquia, para onde fugiu da guerra. Morreu com 16 anos a lutar contra o exército do Presidente Bashar al-Assad. “Se uma criança não for à escola, terá grandes problemas no futuro. Acabará nas ruas, ou regressará à Síria para morrer em combate, ou será radicalizada por extremistas, ou morrerá no oceano a tentar chegar à Europa”, diz Shaza à Human Rights Watch. 

Conflitos impedem 13 milhões de crianças de ir à escola este ano Conflitos impedem 13 milhões de crianças de ir à escola este ano Em teoria, Ancara deu um salto qualitativo nas suas leis de proteção de refugiados sírios em 2014, com alterações para permitir o acesso ao sistema universal de educação. Isto apesar de não os reconhecer formalmente como tal – a Turquia é o único país-membro da convenção internacional de refugiados de 1951 que mantém o seu texto original e que, por isso, pode apenas considerar cidadãos europeus como refugiados. Em Abril, alterou a sua lei de imigração de forma a conceder autorizações formais de residência aos cidadãos sírios em seu território e assim permitir-lhes viver fora dos seus 25 campos de refugiados. Mais tarde, o Executivo turco reconheceu oficialmente o direito a cuidados de saúde, acomodação, educação e outros serviços e apoios do Estado a todos os estrangeiros sob a proteção do país. As reformas na lei de imigração e de residência de estrangeiros na Turquia permitiram que as crianças e jovens sírios pudessem entrar no sistema de ensino público turco com um cartão de “identificação de estrangeiro”, um documento acessível a todos os sírios no país. Estavam criadas as condições para que todas as crianças e jovens sírios na Turquia pudessem entrar no sistema de ensino. Na prática, porém, escreve a Human Rights Watch, há uma série de entraves à ida de crianças sírias à escola. Em primeiro lugar, há várias escolas públicas em que continuam a não ser admitidos cartões de identificação de estrangeiros como documento válido, sobretudo em zonas mais rurais. Para além disto, o sistema de ensino turco tem apenas aulas em turco e não em árabe, a língua oficial e predominantemente falada na Síria. Algumas das 50 famílias sírias entrevistadas pela organização humanitária disseram que os estabelecimentos não conseguiram integrar as crianças ou simplesmente que não sabiam que era permitido enviá-las à escola. 

Mas há um problema de fundo mais grave. A incapacidade económica é um dos entraves mais comuns à ida das crianças sírias na Turquia à escola. Os cidadãos sírios não têm autorização para trabalhar no país – Ancara teme que as centenas de milhares de sírios façam aumentar o desemprego, embora também não seja ilegal terem um emprego. Num limbo legal, o trabalho na Turquia para muitos refugiados é frequentemente mal remunerado. As crianças trabalham para compensar esta falta de dinheiro. Nisreen é uma síria de 28 anos na Turquia, viúva e mãe de quatro crianças. “Não temos dinheiro, por isso os meus três filhos mais novos não estão na escola”, disse à Human Rights Watch. “O centro [temporário de educação] mais próximo é demasiado caro: cada criança paga 22 dólares por mês pelo autocarro. Não temos dinheiro para isso. O meu filho mais velho trabalha como mecânico, mas a nosso rendimento é de 81 dólares por semana.” 

Os centros temporários de educação são os únicos na Turquia com um currículo em árabe especialmente concebido para as crianças sírias. Existem dentro e fora dos campos de refugiados e têm um programa preparado em parceria com o Governo de Ancara e o governo Interino da Síria, a organização-mãe do grupo de oposição a Assad exilado na Turquia e apoiado pelo Ocidente (Coligação Nacional da Síria). É em muito semelhante ao que é ministrado ainda em Damasco, embora lhes sejam retiradas as referências à família Assad e ao Governo sírio. Mas estes centros existem em apenas 19 das 81 províncias turcas e os refugiados estão espalhados por todo o país. Para além do mais, alguns destes centros são geridos por organizações privadas que cobram taxas de transporte e de ensino que podem atingir as dezenas de dólares mensais.

(Fonte: Público)

01 outubro 2015

Sporting empatou em Istambul


Os “leões” criaram várias oportunidades para vencerem o Besiktas confortavelmente, mas acabaram por sair de Istambul com um empate a uma bola e o primeiro ponto na fase de grupos da Liga Europa.

Não foi por falta de oportunidades que o Sporting não saiu esta quinta-feira de Istambul com um triunfo histórico, na segunda jornada da fase de grupos da Liga Europa. Frente ao Besiktas, os lisboetas dominaram grande parte do encontro, marcaram um golo cedo, falharam muitos outros, alguns de forma escandalosa, e acabaram por sofrer o empate já na segunda parte, no primeiro (e praticamente único) lance de perigo do adversário. 

Os “leões” perderam a oportunidade de alcançar o primeiro triunfo em solo turco e acumulam 18 partidas consecutivas sem vencer fora de Alvalade nas competições europeias, distribuídas pelos últimos quatro anos.

Já se sabe que Jorge Jesus tem como prioridade absoluta o campeonato nacional e, como tal, a cabeça do treinador está sintonizada na recepção ao Vitória de Guimarães, no próximo domingo. Neste contexto, não se estranhou tanto as sete alterações que o técnico promoveu na equipa titular que subiu ao relvado do Estádio Ataturk, fazendo alinhar algumas das segundas linhas, com menor ritmo nesta fase da temporada. Mesmo assim, houve espaço para surpresas. A principal, foi a estreia do jovem Matheus Pereira, de 19 anos, mais um produto das escolas “leoninas” e presença habitual, esta temporada, na equipa B dos “leões”.

Apesar das novidades, os lisboetas não acusaram as mexidas em todos os sectores da equipa e conseguiram pôr em sentido um Besiktas que, pelo contrário, aposta forte nesta Liga Europa e não poupou os seus protagonistas. Entre eles, estava Ricardo Quaresma, que defrontou, pela primeira vez, a equipa que o formou numa competição europeia. Mas, tal como a maioria dos seus companheiros, exceptuando o guarda-redes Tolga Zengin, o internacional português não esteve em noite particularmente inspirada.

(Fonte: Público)

30 setembro 2015

Turcos da Yildirim pagam mais de 330 milhões para controlar Tertir

Mota-Engil vendeu a posição por 275 milhões de euros. Novo Banco exerceu ‘tag along’ pelos restantes 36,875%.

Os turcos do grupo Yildirim vão pagar à Mota-Engil e ao Novo Banco mais de 330 milhões de euros para controlar 100% da Tertir, gestora de terminais portuários em Portugal, Espanha e no Peru. Em comunicado ontem distribuído, o grupo construtor revelou que a posição de 63,125% no capital da Tertir foi alienada por 275 milhões de euros. Por seu turno, o banco liderado por Stock da Cunha não especificou o valor da sua transacção, exercendo o direito de ‘tag along', mas o Diário Económico sabe que o encaixe para o Novo Banco foi acima do ‘book value', isto é, acima dos 55 milhões de euros a que a participação está registada nas contas desta instituição bancária. Tudo somado, dá mais de 330 milhões de euros, no mínimo, que os turcos da Yildirim irão pagar pelo controlo da Tertir. 

Além das concessões em quatro terminais de contentores, com capacidade para movimentação anual de 1,650 milhões de TEU (medida-padrão equivalente a contentores com 20 pés de comprimento), a Tertir gere ainda dois terminais de carga geral e um terminal de granéis alimentares, num total de quatro quilómetros de cais concessionados em Portugal, nos portos de Lisboa, Leixões, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz. A Mota-Engil aproveitou ainda para vender a Transitex, uma empresa de serviços de suporte de logística.

"A transacção efectuada resultou na sequência de várias demonstrações de interesse que foram surgindo ao longo dos últimos anos por parte de diversos operadores internacionais", sublinha Gonçalo Moura Martins, presidente executivo da Mota-Engil, no referido comunicado. "A aceitação da proposta efectuada pela Yildirim permitiu concretizar este acordo que assegura que o novo accionista dará continuidade ao investimento que vinha sendo realizado no sector portuário para conferir o nível de competitividade que se exige ao sector portuário nacional, sendo para esta entidade uma oportunidade de reforçar a consolidação do sector em linha com o que se verifica a nível mundial", acrescentou o CEO da Mota-Engil.

Robert Yuksel Yildirim, presidente da Yilport, que só irá assumir a gestão dos terminais da Tertir após o parecer favorável da Autoridade da Concorrência, destacou que "como resultado dos investimentos que tem vindo a realizar na Turquia e no estrangeiro durante os últimos anos, a Yilport tornou-se a empresa mais importante no negócio de operações de gestão portuária na Turquia e a única empresa turca a constar da lista dos 20 maiores operadores de terminais de contentores a nível mundial".

Este investimento na aquisição da Tertir foi o maior de sempre de um grupo turco em Portugal, seguindo-se a um outro recente, de uma empresa do mesmo país, também no sector marítimo, a Global Liman Isletmeleri, que liderou o consórcio vencedor para concessão do terminal de cruzeiros do porto de Lisboa. Mas será apenas o início do investimento da Yilport na Tertir e em Portugal, estando previsto o reforço do investimento nos terminais portuários nacionais, "de forma a poder aumentar a sua competitividade, sobretudo através do aumento de movimentação de contentores e do fluxo de negócios nesses terminais. 

"A seguir a esta compra da Tertir, está previsto um investimento massivo do grupo Yildirim no sector portuário em Portugal, com modernização e equipamentos renovados, tornando os portos nacionais dos mais competitivos da Europa e trazendo mais investimento para Portugal", assegurou Gonçalo Vaz Botelho, vice-presidente da comissão executiva do Banco Finantia, em declarações ao Diário Económico. O Finantia foi um dos intermediários desta operação de venda da Tertir. 

(Fonte: Económico)