google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

14 fevereiro 2021

Turquia volta a colocar adesão à U.E. no topo da agenda

O presidente turco, Recep Erdogan, e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Çavusoglu, usaram as suas mais recentes intervenções públicas para sinalizar que a entrada da Turquia na União Europeia regressou à agenda das prioridades do regime. 
Depois de anos em que a União Europeia andou a ‘marcar passo’ com o assunto, a Turquia acabou por desinteressar-se da matéria e disse oficialmente que desistia de aderir. Mas a Turquia está apostada em resolver vários diferendos e em apostar no desenvolvimento da sua economia. Estes dois fatores parecem ter feito redespertar o interesse da Turquia em entrar no agregado dos 27. Em primeiro lugar porque a pandemia aproximou as economias europeias de si próprias – através da necessidade de diminuição das extensões das cadeias de fornecimento – e a Turquia ganhar muito com isso. Desde logo nos setores industriais tradicionais – o que iria colocar mais pressão sobre os têxteis, o calçado e os componentes automóveis portugueses.

(Fonte: Jornal Económico)

13 fevereiro 2021

Gaziantep de Sá Pinto volta a perder


O Gaziantep, treinado pelo português Ricardo Sá Pinto, perdeu este sábado por 1-0 no estádio do Trabzonspor, em jogo da 25.ª jornada do campeonato turco, e ficou mais longe dos lugares de acesso às competições europeias. Um golo marcado aos 67 minutos por Anastasios Bakasetas foi suficiente para assegurar o triunfo do Trabzonspor, que terminou com 10 jogadores, devido à expulsão de Anthony Nwakaeme, aos 90+6, mas reforçou o quarto lugar, o último europeu, com 45 pontos, mais sete do que o Gaziantep (38). 

A equipa de Sá Pinto, que conquistou apenas uma vitória – e sofreu três derrotas – em cinco jogos no comando técnico dos turcos, manteve-se na sétima posição, mas pode ser ultrapassada pelo Karagumruk, oitavo, com menos um ponto, que recebe o Fenerbahçe, terceiro colocado.

(Fonte: Mais Futebol)

01 outubro 2020

A pandemia na Turquia pode ser bem mais grave do que se sabe

O Governo turco está a ser acusado de esconder a verdadeira extensão da epidemia do novo coronavírus, após o ministro da Saúde ter revelado que os números diários divulgados refletem os doentes com sintomas e não todos os infetados. 

O ministro Fahrettin Koca reconheceu numa conferência de imprensa na noite de quarta-feira que desde 29 de julho a Turquia tem relatado o número de doentes com covid-19 atendidos nos hospitais ou tratados em casa. A contagem não inclui os casos positivos assintomáticos, disse, ignorando uma pergunta sobre o número diário de novos casos positivos de coronavírus, indicador-chave sobre a evolução da epidemia em qualquer país. "Estamos a falar de pessoas com sintomas. Estamos a divulgar isto como o número diário de doentes", disse Koca aos jornalistas. 
A revelação gerou protestos nas redes sociais e pedidos ao Governo para que revele a verdadeira extensão do novo coronavírus entre a população de 83 milhões de habitantes. A admissão do ministro ocorreu depois de um deputado da oposição, Murat Emir, ter afirmado que o número real de novas infeções diárias na Turquia é 19 vezes maior do que o divulgado pelo Governo. Emir pediu hoje a Koca para deixar de divulgar os dados diários da epidemia. "Ninguém acredita nisso. Não tem valor científico", disse. "O governo está a lutar contra os números em vez de combater a epidemia", adiantou. 

A Associação Médica Turca pediu transparência, depois de ter vindo a questionar os dados diários sobre o coronavírus desde que a 29 de julho o Governo deixou de se referir a "casos" e passou a indicar "doentes". A organização considerou que o Governo "escondeu a verdade" e "falhou em evitar a propagação" do vírus. "Temos direito à verdade", escreveu na rede social Twitter Sebnem Korur Fincanci, presidente da associação. 

O governo turco divulgou na quarta-feira 65 mortos e 1.391 novos "doentes" com covid-19, assumindo um total de 318.000 infetados, incluindo 8.195 mortos, desde o início da pandemia. Segundo especialistas, os dados divulgados em todos os países subestimam os números reais da pandemia, devido a testagem limitada, a casos falhados e à falsificação de dados por alguns governos, entre outros fatores.

05 março 2020

Portugal condena Turquia por "utilização abusiva" de refugiados

O Governo português condenou a "utilização abusiva" de refugiados por parte da Turquia na intenção de abrir fronteiras para pressionar a União Europeia, mas afastou uma intervenção militar comunitária como forma de resposta.

Neste momento, há uma utilização abusiva, por parte da Turquia, da presença no seu território de vários milhões de migrantes e, claramente, o presidente turco a dizer que abria as fronteiras para a Grécia, estava a utilizar a presença desses refugiados na Turquia como arma de arremesso e isso é completamente inaceitável", declarou, esta quinta-feira, o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho

Falando à margem da reunião informal dos ministros da Defesa, que decorre na capital croata, em Zagreb, o ministro da Defesa vincou que a pressão turca "não surtirá qualquer tipo de efeito positivo". "Há que ter em conta esta realidade, de a Turquia ter quase quatro milhões de refugiados no seu território, e isso, evidentemente, merece uma atenção especial da UE, uma atenção reforçada em relação ao que tem sido o caso no passado", sustentou João Gomes Cravinho. Questionado sobre uma possível intervenção militar nas fronteiras externas da UE como forma de responder à Turquia, o responsável português rejeitou esta opção, privilegiando antes a via diplomática. "O meu colega grego [ministro da Defesa da Grécia, Nikos Panagiotopoulos], com quem tive ampla oportunidade de falar à margem nos corredores, não pede nenhum apoio militar, pede apoio político", disse João Gomes Cravinho.

Nos últimos dias, a tensão entre Ancara e Bruxelas tem vindo a intensificar-se após a Turquia ter anunciado a abertura de fronteiras para deixar passar migrantes e refugiados para a UE, ameaçando assim falhar os compromissos assumidos com o bloco comunitário. Com a medida, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pretende garantir mais apoio ocidental na questão síria, mas a intenção já foi veemente criticada por líderes de topo da UE, inclusive pela presidente do executivo comunitário.

Apesar de a Bulgária e o Chipre também serem pressionados, é sobretudo a Grécia que enfrenta esta pressão migratória nas suas fronteiras externas com a Turquia, o que levou o país a pedir, no passado domingo, que a agência europeia da guarda costeira, a Frontex, lançasse uma intervenção rápida nas fronteiras externas da Grécia no Mar Egeu. A Bulgária também solicitou apoio europeu para lidar com a chegada de migrantes e refugiados à sua fronteira.

A UE e a Turquia celebraram em 2016 um acordo no âmbito do qual Ancara se comprometia a combater a passagem clandestina de migrantes para território europeu em troca de ajuda financeira. Porém, a Turquia, que acolhe no seu território cerca de quatro milhões de refugiados, na maioria sírios, anunciou ter aberto as fronteiras com a Europa, ameaçando deixar passar migrantes e refugiados numa aparente tentativa de pressionar a Europa a assegurar-lhe um apoio ativo no conflito que a opõe à Rússia e à Síria.

João Gomes Cravinho observou, ainda, que "neste momento há um ambiente de grande tensão e alguma ambiguidade no relacionamento da Turquia com outros membros da NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte]", pelo que defendeu "mecanismos para superar" esta situação, desde logo por Ancara ser "um aliado valioso".

TSF

15 julho 2019

Yilport investe 122 milhões de euros e fica em Lisboa até 2038


Memorando de entendimento assinado com Ministério do Mar prevê que os equipamentos sejam a principal fatia do investimento que vai ser integralmente privado. Nos próximos dois anos serão aplicados 44,1 milhões de euros no Terminal de Contentores de Alcântara.

O acordo alcançado entre o Ministério do Mar e concessionário do terminal de contentores de Alcântara com vista à sua ampliação foi convertido num memorando de entendimento, assinado esta tarde pela ministra do mar, Ana Paula Vitorino, e pelo presidente do grupo turco, Robert Yildirim, pondo fim ao longo vazio contratual em que mergulhou aquela concessão depois de terem falhado os acordos negociados em 2008. O memorando prevê um investimento de 122 milhões de euros e prolonga o período de concessão.

(Fonte: Público)

30 janeiro 2019

Investimento turco em Portugal

Atraídos pela segurança do País e pelas condições mais competitivas dos Vistos Gold – que triplicaram num ano –, os empresários turcos estão a tomar posição no litoral e no interior do país, em setores que vão desde o cimento aos frutos secos, passando pelo luxo. 

Há um ano, os investidores turcos nem surgiam nas cinco primeiras posições na lista de Vistos Gold, emitidos em Portugal. No final de outubro, já estavam próximos de entrar no top 3, com 264 autorizações de residência para investimento emitidas, o triplo de há um ano (quando eram 88) e a apenas duas de superar a África do Sul. Segundo os dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), até agosto, o investimento da Turquia atraído através destes instrumentos quase triplicou em termos homólogos, para um total de €144,1 milhões.

Vêm em família, movidos pelo passa-palavra de outros investidores que já têm o visto dourado. Convence-os a segurança do país, a imagem de recuperação económica dos últimos anos, o clima social tranquilo, a hospitalidade e algumas semelhanças culturais, além do domínio fácil do inglês e do francês. Procuram investimentos em setores tão distintos como a indústria, o mar, a agricultura e os serviços, da restauração ao turismo, passando pelo comércio de luxo. São cada vez mais mas sempre discretos.

“Têm uma forma mais low-profile de fazer as coisas, tendem a aconselhar-se com três ou quatro fontes, no máximo, e são mais assertivos. Atrai-os um país europeu muito moderno, as pessoas, a comida, o clima de investimento favorável”, resume João Pestana Dias, presidente da Associação Portuguesa de Cooperação com a Turquia – The Trade Connection Portuguese Turkish Network, que surgiu em 2015, para dinamizar os negócios entre os dois países. “Portugal está na moda”, classifica.

Um dos investimentos mais recentes chegou com a bonança dos últimos anos na hotelaria. Em Lisboa, perto do Panteão, em pleno largo da Feira da Ladra, uma casa setecentista recuperada deu lugar ao Casa dell’Arte Club Lisbon. Depois de anos a gerir três pequenas unidades de alojamento de charme, na localidade costeira turca de Torba, a família Büyükkuşoğlu investiu €2 milhões numa club house com três suites e um restaurante (Ninu), onde expõe peças da sua coleção de arte.

As marcas e o capital turco aterraram também numa das zonas mais caras da capital, quando, em 2015, a Terzihan abriu a sua joalharia no cimo da Avenida da Liberdade. No mesmo ano, a CoVii – Computer Vision Interaction, de Vila Nova de Gaia, foi parcialmente comprada pelo grupo Koç/Arçelik, ligado à eletrónica de consumo. Hoje desenvolve software para produtos inovadores, exclusivamente para as subsidiárias do grupo, que detêm marcas como a Grundig.

Além dos euros, o investimento e os negócios trazem cada vez mais pessoas. Em cinco anos, de acordo com as estatísticas do SEF, a população turca residente no país cresceu quase 40%. No final do ano passado, residiam em Portugal 743 turcos, quando, em 2012, eram 537. João Pestana Dias diz que é este o caso de quase todos os portadores de Vistos Gold que conhece. Embora o estatuto só os obrigue a passar parte do tempo no País, eles ficaram a viver e têm os filhos a estudar cá.

Centenário de grandes obras

Com mandato renovado, o regime estabeleceu para 2023, quando se comemoram os 100 anos da República da Turquia, metas ambiciosas em áreas como a energia, saúde, transporte e turismo, algumas das quais implicam obras de grande envergadura. Além do recém-inaugurado aeroporto de Istambul – um dos maiores do mundo, capaz de processar mais de 90 milhões de passageiros por ano e avaliado em 12 mil milhões de dólares –, projeta-se a construção de um novo canal paralelo ao estreito de Bósforo, com 45 quilómetros de extensão, ligando o mar Negro ao de Mármara, avaliado em 16 mil milhões de dólares. Istambul está a ser redesenhada para norte, e está previsto muito investimento em energias renováveis, autoestradas e no setor agrícola, em particular no vinho.

Sustentado no consumo e no gasto público nos últimos anos, o crescimento da economia turca dá, porém, sinais de desaceleração. As preocupações com o nível da inflação e a deterioração da relação diplomática com os EUA empurraram a lira para fortes depreciações, que chegaram a superar os 30% desde o início do ano.

No segundo trimestre, a economia avançou 5,2% em termos homólogos, abaixo dos 7,3% verificados do trimestre anterior, e a agência de notação financeira Moody’s teme que possa contrair durante o próximo ano. A inflação homóloga disparou e ficou em 25,2% em outubro.

Do cimento aos frutos secos

Nos últimos anos, conta-se quase uma mão-cheia de grandes investimentos ou de aquisições turcas em solo nacional. A operação mais recente foi a compra das unidades da Cimpor, em Portugal e Cabo Verde, à brasileira InterCement, conhecida no final de outubro. Por €700 milhões, três fábricas de cimento e duas unidades de moagem devem passar para as mãos da OYAK Cement, detida pelo fundo de pensões das Forças Armadas turcas. Com uma compra abrem-se as portas de dois mercados, o europeu e o africano.

Antes desta operação, tinha sido o setor portuário o alvo preferido do investimento turco. Em 2014, a Global Ports Holding, maioritariamente detida pela turca Global Investment Holdings, ganhou em consórcio a construção e a operação do novo terminal de cruzeiros de Lisboa, em Santa Apolónia, avaliado em €22 milhões, perspetivando agora novos investimentos em hotelaria e turismo. No ano seguinte, a Yilport comprou os sete terminais portuários da Tertir por mais de €335 milhões. Mas há outras empresas, como a Arkas, especialista em transporte naval, com uma ligação mais longa, de mais de 20 anos, ou a farmacêutica Abdi Farma, desde 2010.

Outros empresários têm literalmente os pés mais assentes na terra, em particular no setor agroalimentar do interior do País. A imprensa regional do Alentejo e do Centro dá conta de vários casos de interesse de empresários que procuram ou que compraram terrenos para cultivo de frutos secos, como o pistacho ou a castanha. Em Vila Velha de Ródão, a câmara municipal anunciou, em 2016, a intenção de um “importante grupo empresarial turco” fazer um investimento de €5 milhões, para a “maior produção de frutos secos do País”. Em maio desse ano, é criada a Companhia do Lucriz, em Perais, Ródão, para a cultura, o descasque e a transformação de frutos secos, ligada a Ayse Kececi, de origem turca.

Já em Campo Maior, depois de a Fruits of Life ter comprado a Herdade dos Sanguinos, três empresários turcos (Murat Badem e Zeynep e Omer Erguder) apresentaram, em julho deste ano, a vontade de plantar, processar e vender frutos secos. A fábrica, para processar mil toneladas de nozes por temporada, prevê um investimento de 650 mil euros naquele concelho alentejano.

Balança desequilibrada

Se muita desta produção vier a efetivar-se e sair do país a caminho do mercado turco, ela pode dar uma ajuda no equilíbrio da balança de trocas comerciais, que continua deficitária para Portugal. Nos últimos cinco anos, as exportações de bens têm rondado os €300 milhões a €400 milhões por ano, fixando-se, segundo o INE, em €385,5 milhões no ano passado. Nos últimos três anos, a balança de bens foi desfavorável a Portugal, que importou €663,7 milhões em 2017. E esta trajetória assim deverá continuar em 2018: nos primeiros nove meses do ano, as vendas portuguesas estavam a crescer 10,2% em relação a 2017, mas as importações subiam a um ritmo mais de duas vezes superior, 27%.

Dois terços das exportações portuguesas para a Turquia têm origem nos setores das pastas celulósicas e papel, das máquinas e aparelhos e dos plásticos e borracha (entre os principais vendedores estão a Bosch, a Celbi e a Navigator, a Galp e a Continental). E Portugal importa, em particular, veículos e outro material de transporte, matérias têxteis e metais comuns. No ano passado, depois de quatro anos a crescer, o número de exportadores para a Turquia desceu para 784, segundo a AICEP. Nos serviços, as receitas deixadas por turistas turcos em Portugal triplicaram, em quatro anos, para €21,6 milhões, em 2017, e em dois anos as dormidas subiram 25%, para as 100 mil.

O setor mineiro é outro dos visados pelas companhias turcas. Em fevereiro de 2016, a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM) e a Esanmet, filial da ESAN, empresa turca de exploração mineira com mais de 20 minas, assinaram um contrato para a prospeção e pesquisa de minérios na Faixa Piritosa Ibérica, no Alentejo, um investimento estimado em €7,6 milhões, em três anos. Também oriunda do setor mineiro, a Ozdogu, que fabrica ferro-níquel na Turquia, pediu uma licença de prospeção e pesquisa de cobre, chumbo, zinco, prata e ouro no Baixo Alentejo.

No imobiliário, o grupo KREA recuperou três prédios na Baixa Pombalina e o METEM Group comprou, para recuperar e vender, o prédio onde nasceu Raphael Bordallo Pinheiro, próximo da Avenida da Liberdade. Mais investimento estaria no terreno, sobretudo na área da construção, não fosse a burocracia excessiva, garantem várias fontes. Os potenciais investidores lamentam o tempo que demoram a obter licenças e dizem que esperar um ou dois anos para começarem a construir uma obra, por exemplo, não é praticável. Na Turquia, asseguram, é mais fácil passar do papel para o terreno.

“Queixam-se de alguma burocracia, de lentidão nas decisões dos processos”, confirma João Pestana Dias, que intermediou direta ou indiretamente duas dezenas de negócios nos últimos anos, envolvendo investimentos de €40 milhões. Além do imobiliário, também há interesse em explorações agropecuárias ou, no setor dos serviços, no franchising de lojas – como é o caso da empresa de gelados de Esmirna, que quer abrir uma rede de geladarias em Portugal.

O responsável quer também estender pontes de cá para lá e pôr os empresários portugueses em contacto com um mercado de 80 milhões de consumidores. Há menos de um mês, intermediou o contacto entre duas construtoras portuguesas com dois grandes grupos turcos, a Enka, maior construtora do mercado, e a Yildirim, dona da Yilport, que procuravam o know-how das firmas portuguesas, em África e na América do Sul, para expandir as suas operações. O mesmo responsável está ainda a preparar uma missão à Turquia, em fevereiro, para juntar empresários e líderes portugueses com os turcos, numa viagem cultural e de negócios.

O abrandamento da economia parece não assustá-lo: “A Turquia está com preços altamente competitivos, sobretudo na hotelaria. Tem escala e uma força de trabalho qualificada, além de um clima de investimento muito liberal e reformista.”

(Fonte: Visão/Exame)

27 fevereiro 2018

Mais de 2100 sefarditas adquiriram nacionalidade portuguesa

Um total de 2 160 sefarditas, judeus originários da Península Ibérica expulsos de Portugal no século XVI, adquiriram a nacionalidade portuguesa desde 2016, de acordo com dados do Instituto dos Registos e do Notariado.

Desde finais de março de 2015, altura em que entrou em vigor o decreto-lei que permite a concessão de nacionalidade portuguesa a descendentes de sefarditas, que 12 610 membros apresentaram pedidos, 466 nesse ano, 5 100 em 2016 e 7044 no ano passado. Em 2015, não foi atribuída a nacionalidade portuguesa a qualquer dos 466 de geração sefardita que realizaram o pedido.

Nos dois últimos anos, não só aumentou o número de entradas de pedidos de descendentes de sefarditas como o registo de casos em que foi concedida a nacionalidade portuguesa teve um acréscimo considerável.

Em 2016, foram deferidos 431 pedidos de entre os 5 100, enquanto dos 1 730 processos tendentes à atribuição de nacionalidade no ano passado de requerentes daquela comunidade judaica apenas um foi indeferido.

Na repartição por mês do número de requerimentos em 2017, o Instituto dos Registos e Notariado recebeu um máximo de 1 507 em outubro (252 nacionalidades concedidas), 754 em novembro (214), 738 em setembro (377), 640 em março (126) e 620 em janeiro (104). O registo mais baixo reporta-se aos meses de fevereiro e junho, com 332 formulários apresentados.

Os descendentes de sefarditas com naturalização israelita e turca foram a maioria dos que receberam a nacionalidade portuguesa. Em 2016, foi atribuída a nacionalidade portuguesa a 81 naturais de Israel e a 271 da Turquia, enquanto no ano passado os números ficaram em 457 e 968, respetivamente. Significa que, até ao final do ano passado, 538 descendentes de sefarditas naturais de Israel têm a nacionalidade portuguesa e 1 239 são provenientes da Turquia.

A iniciativa legislativa visou reforçar os laços de Portugal com a comunidade judaica e reconhecer a sua herança.

Em Espanha, o Governo legislou igualmente sobre a matéria, igualmente em 2015, e concedeu a nacionalidade espanhola a mais de 5 000 descendentes de sefarditas.

Com a perseguição movida pela Inquisição espanhola aos sefarditas (também conhecidos na época por "marranos"), que começou em 1492, Portugal acolheu-os, mas, a partir de 1459 expulsou os que não se sujeitassem ao batismo católico. A expulsão obrigou a um êxodo para Holanda, Reino Unido, Turquia e norte de África, mais tarde para o Brasil, Argentina, México e Estados Unidos.

(Fonte: Diário de Notícias)

26 fevereiro 2018

Meral Akşener: "A Turquia está limitada em Afrin"

Meral Akşener, antiga ministra do interior e atual líder do "Bom Partido" da Turquia, falou com a Euronews sobre a operação militar turca em Afrin e sobre a política do presidente Erdogan para a Síria.


“Infelizmente, a Turquia transformou-se num país que não discute a sua política externa, nem no parlamento, nem em público. A política externa é construída a partir das declarações do Sr. Erdoğan. Como resultado desta realidade, todos os dias enfrentamos uma consequência diferente. Sobre o Exército Livre da Síria, gostaria de dizer o seguinte: Lançámos uma operação tardia em Afrin com o objetivo de garantir a segurança para a Turquia, de acordo com o direito internacional. Não se trata de uma guerra. Lançámos uma operação. Portanto, este é um processo legítimo para o país. E o Senhor Erdogan declarou que será feito o que é preciso na região e só depois a operação pode terminar. Neste contexto, o Exército Livre da Síria surge como um amigo tanto em termos do direito internacional, como em termos da política externa. Os Estados Unidos de um lado, e a Rússia e o Irão do outro, uma política moldada apenas pelo líder do partido AKP, e com um ministério dos negócios estrangeiros desativado... Não temos os meios para dizer sim ou não”.

No final de outubro, Meral Akşener formou um partido político de centro-direita para concorrer às presidenciais de 2019.

Fonte: Euronews

24 fevereiro 2018

Pelo menos 130 civis mortos na ofensiva em Afrin

Pelo menos 130 civis morreram na sequência da ofensiva que a Turquia iniciou em meados de janeiro contra o enclave curdo de Afrine, no noroeste da Síria, informou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Entre estas baixas civis, constam 25 crianças e 19 mulheres, precisou aquela organização não-governamental (ONG) com sede em Londres.

O Observatório especificou que um menor morreu hoje e outros cinco civis ficaram feridos em ataques aéreos conduzidos pelas forças turcas nas aldeias de Yindiris (sudoeste de Afrine) e Shara (nordeste).

A par das vítimas mortais, a ONG indicou que centenas de pessoas ficaram feridas na sequência dos raides aéreos e dos ataques de artilharia realizados pelas forças de Ancara desde meados de janeiro.

Desde dia 20 de janeiro, a Turquia e fações opositoras sírias pró-Ancara levam a cabo uma ofensiva terrestre e aérea em Afrine (província síria de Alepo), zona controlada pela principal milícia curda na Síria, as Unidades de Proteção Popular (YPG).

Ancara acusa o YPG de ser o ramo sírio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que é considerado uma organização terrorista pela Turquia, e deseja expulsar a milícia curda desta região.

Segundo as agências internacionais, violentos confrontos foram registados, este sábado, nas zonas rurais do noroeste de Afrine e em Yindiris, combates que envolveram as forças turcas, fações armadas sírias e a milícia YPG.

As forças da ofensiva liderada pela Turquia, denominada "Ramo de Oliveira", já assumiram o controlo de um total de 63 localidades, incluindo Balbala, que representa cerca de 18% da população de Afrine.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos 'jihadistas', e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 350 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

(Fonte: Jornal de Notícias)

05 fevereiro 2018

De Portugal à Turquia a pé durante 500 dias

De Portugal até à Turquia a pé. Um plano de 500 dias. Dez mil quilómetros através de 17 países e mais de 120 parques naturais. Marie, 29 anos, e Nil, 31, são dois jovens franceses com um projecto: Deux Pas Vers l’Autre.

Começou segunda-feira, 5 de Fevereiro, em Sagres, esta ultracaminhada pelo Sul da Europa. "Depois de termos viajado por todo o mundo, a nossa ideia passa por descobrir o nosso continente, em particular os países e as regiões desconhecidos", explicam os protagonistas, apregoando a "sustentabilidade social, cultural e ambiental", destacando-se à partida o programa "um quilo pelo planeta", em que o casal se propõe recolher lixo pelo caminho (aliviando esse peso sempre que possível e repetindo essa acção as vezes que forem necessárias).

Marie e Nil, que trabalhavam, respectivamente, nas áreas de recursos humanos e fotografia de moda e vídeo, assumem que irão evitar "grandes cidades". "Enquanto alguns óptimos trilhos de caminhada às vezes ditam o nosso caminho, muitas vezes escolhemos desviarmo-nos deles. A Europa que sonhamos descobrir é sobretudo rural, não reconhecida, até mesmo esquecida. Mito ou realidade, também imaginamos que podemos fazer contactos mais facilmente em pequenas localidades", escrevem no blogue onde explicam como preparar uma viagem deste género.

Essa descentralização será parte essencial do plano. "Atravessar essas aldeias também nos proporcionará uma oportunidade para obter água e comida. Mesmo se planearmos passar vários dias em autonomia, organizar pontos de reabastecimento frequentes é essencial. Certificamo-nos que encontraremos aldeias regularmente na nossa rota."

Conscientes de que "não existe um encaixe perfeito entre itinerário, meteorologia e riscos" ("não existe um itinerário infalível"), o plano de viagem cruza-se com a questão da sobrevivência ("porque cada oportunidade é boa para obter água, referenciámos as fontes e os rios") e com o clima ("ajustámos nosso cronograma, evitando os riscos do calor e os picos de calor nas montanhas suíças"). "O ideal é reduzir a dificuldade, e até situações perigosas, ao mínimo sem comprometer as etapas importantes da jornada", que percorrerá Portugal, Espanha, França, Itália, Suíça, Eslovénia, Croácia, Bósnia, Montenegro, Kosovo, Macedónia, Albânia, Grécia, Bulgária, Sérvia, Roménia e Turquia.

(Fonte: Público)