28 outubro 2008
Trabalhadores turcos são os menos faltosos em oposição aos portugueses
Blogger "regressou" à Turquia
25 outubro 2008
Acesso ao Blogger bloqueado na Turquia
Desde sexta-feira, 24 de Outubro, que um Tribunal turco do sudeste da Turquia bloqueou o acesso ao Blogger (Blogger.com e Blogspot.com propriedade da Google), a mais popular plataforma de hospedagem de blogues. Não foi dada ainda qualquer justificação para a acção. Os utilizadores da internet na Turquia vêem esta mensagem quando tentar visitar Blogger.com e todos os blogues hospedados em blogspot.com: “O acesso a este website foi suspenso de acordo com a decisão no. 2008/2761 do Primeiro Tribunal de Paz de Diyarbakır.”
Esta é a segunda vez que um serviço de hospedagem de blogues é bloqueado na Turquia. Em Agosto de 2007 outro Tribunal turco também vedou o acesso à plataforma wordpress.com.
Um cidadão turco foi o responsável pelo bloqueio do wordpress.com e também conseguiu que vários websites fossem banidos. Apresentou igualmente queixa contra a Google Groups, o que resultou no seu bloqueio.
O Youtube costuma ser bloqueado temporariamente, mas já se encontra bloqueado há vários meses ininterruptamente. O mesmo se passou com o Dailymotion. Ambas as situações estão alegadamente relacionadas com a exibição de vídeos que supostamente insultavam Kemal Atatürk, o fundador da Turquia. O acesso ao site Slide também esteve suspenso durante algum tempo por exibir fotografias e artigos considerados um insulto a Kemal Atatürk.
24 outubro 2008
Presidente turco acredita que a Turquia pode entrar na UE daqui a sete anos
Em relação à crise financeira, o presidente advertiu de que este "será, sem dúvida, um dos principais problemas económicos deste século", porque "é a primeira crise do mundo globalizado". Gül defendeu uma segunda conferência de Bretton Woods para "criar uma nova ordem económica mundial", e afirmou que a crise pode afectar o comércio mundial, que se desaceleraria, e também pode causar o retorno das práticas proteccionistas.
Antália foi o grande palco do cinema

23 outubro 2008
Terim será seleccionador turco até 2012
"A selecção turca tem como objectivo a qualificação para as fases finais do Mundial e do Europeu. Confiamos que Fatih Terim é a pessoa indicada para nos ajudar a garantir estas presenças honrosas", disse o presidente Mahmut Özgener.
21 outubro 2008
Ataque a Embaixada da Turquia na Finlândia
O ataque em Helsínquia, no início da manhã, ocorreu horas após um protesto pacífico contra a Turquia, realizado por algumas dezenas de Curdos. O fogo foi rapidamente controlado e um funcionário foi atendido por inalação de fumo.
Nos últimos dias houve vários protestos de Curdos contra a Turquia, que reclamam que o seu líder rebelde Abdullah Ocalan está a ser torturado na prisão. Ocalan é um dos fundadores do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Há relatos de que pelo menos um manifestante curdo foi morto nos protestos, no leste da Turquia.
20 outubro 2008
Caso Ergenekon começou a ser julgado
Entre os acusados há juízes, advogados, o líder de um pequeno partido nacionalista e outros políticos, mafiosos, jornalistas e dois generais na reserva. Quarenta e seis estão detidos e serão os primeiros a prestar declarações. Vão responder a cerca de 30 acusações incluindo a tentativa de derrubar o Governo turco. O grupo é considerado pela acusação como responsável por um atentado no Conselho de Estado, em que morreu um juíz, vários ataques com granadas a um jornal pró-laico, planos para assassinar o primeiro-ministro e outras personalidades como o Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk.
Num processo de 2.500 páginas, o Ministério Público acusa o movimento de querer semear o caos no país através de inúmeras manifestações ilegais, assassinatos e ataques contra as forças da ordem. Segundo a imprensa turca a estratégia do Ergenekon passava por levar o Exército a executar um golpe militar para derrubar o Governo do AKP.
A oposição laica da Turquia afirma que o actual processo se trata de uma vingança depois de uma acção judicial que tentou interditar o Governo, acusado de querer implantar um Estado islâmico no país.
17 outubro 2008
Escritoras turcas são tema na Feira de Frankfurt
O bairro Cihangir, em Istambul, é conhecido pelos seus cafés e galerias e pelo grande número de artistas e intelectuais que ali vivem. E nele também mora a escritora Şebnem İşigüzel, de 35 anos, vencedora do mais importante prémio literário do país.
"Escrever para mim significa colocar a cabeça para fora, ou seja, da minha escrivaninha, observar o mundo. E não acredita o quanto isso pode ser difícil. A Turquia tem uma história reprimida, politicamente sempre instável. Acordar nesse país todas as manhãs e escrever livros é, apesar de tudo, um acto de bravura", diz İşigüzel.
Essa dificuldade dá-se principalmente porque a autora costuma, nos seus livros, dissecar a realidade turca, seja ao expor as contradições entre o secular e o religioso ou o abismo entre as províncias distantes e as grandes cidades. De uma forma ou de outra, a linguagem provocadora de İşigüzel já lhe rendeu até mesmo um processo judicial.
Desigualdade e discriminação
Um dos seus livros, que acaba de ser traduzido para o Alemão, é uma "espiada pelo buraco da fechadura" que mostra a vida das mulheres turcas. Essas mulheres, segundo a escritora, aparentemente "têm tudo", mas estão cansadas de expectativas frustradas e de uma vida definida de antemão. Acabam cortando vínculos e tornam-se outsiders.
"Desigualdade de direitos e discriminação existem obviamente em qualquer lugar do mundo, mas na Turquia, um país onde a democracia se instala lentamente, as mulheres são mais afectadas de forma imediata. O meu país é muito impregnado de uma mentalidade patriarcal. Aqui, até hoje, muitas meninas não são mandadas para a escola só pelo fato de serem mulheres. Mas, apesar de todas essas tradições, nós, mulheres turcas, temos uma força enorme e não perdemos as nossas esperanças", completa a autora.
Autonomia e véu?
Essa autoconfiança marca também a obra de Fatma Barbarosoğlu, de 46 anos. A autora, doutorada em Filosofia, usa o véu islâmico. Com os seus livros, enfoca uma geração de mulheres turcas autoconfiantes e religiosas.
"É claro que sou constantemente confrontada com clichês. Uma escritora com o véu? Isso é possível? As pessoas partem geralmente do princípio de que sou oprimida e burra. Até mesmo do meio religioso recebo olhares tortos", conta Barbarosoğlu. Talvez porque a escritora, nos seus livros, ressalte o lado vital e sensual do Islão, referindo-se ao Império Otomano como um terreno propício à tolerância religiosa e à inspiração artística.
"Desde o 11 de Setembro paira sobre o Islão uma suspeita geral de violência. Ele está a ser instrumentalizado pela política, tanto pelo Oriente como pelo Ocidente. Trata-se de gerar medo mutuamente, a fim de alcançar objectivos políticos, sendo que o mais importante seria reflectir sobre porque tememos tanto o outro, o desconhecido", questiona a escritora.
Altos custos e pirataria
Tanto Fatma Barbarosoğlu como Şebnem İşigüzel são consideradas, na Turquia, autoras de sucesso. Mesmo assim, nenhuma das duas consegue viver somente da literatura, tendo de trabalhar paralelamente como jornalistas. Os seus livros têm tiragens de aproximadamente 10 mil exemplares – números fabulosos para o mercado editorial turco, comenta Ilknur Özdemir, da Turkuaz Kitap, uma editora conceituada de Istambul.
Özdemir foi responsável pela tradução da obra dos escritores alemães Günter Grass e Martin Walser para o idioma turco. "Na Turquia lê-se muito pouco. Comparados com os salários da população, os livros são muito caros no país. Além do facto de que temos problemas muito sérios com cópias pirateadas. Quando um livro vende bem, dois dias depois existem cópias ilegais vendidas a metade do preço nas ruas. Isso faz com que muitas editoras não tenham muito leque de acção, resumindo-se à publicação de best-sellers. Tiragens iniciais de até 50 mil exemplares, como na Alemanha, seriam aqui quase um milagre", contabiliza Özdemir.

