google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

28 agosto 2007

Abdullah Gül é o novo presidente da República da Turquia


Foi eleito com 339 votos, quando 276 votos eram suficientes.
Nas ruas de Kayseri, a sua cidade natal, a população está a festejar nas ruas.
Às 18 horas será a tomada de posse.

27 agosto 2007

Sarkozy defende relançamento das negociações de adesão da Turquia à UE mas prefere associação


O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, evocou hoje a possibilidade do relançamento das negociações de adesão da Turquia à União Europeia, reafirmando a sua preferência por uma associação entre a UE e Ancara.
Num discurso dedicado à política externa francesa, Sarkozy condicionou a sua abertura ao lançamento de uma "reflexão essencial sobre o futuro da União" por um "comité de sábios". Se for esse o caso, "a França não se irá opor a que sejam abertos nos próximos meses e anos novos capítulos da negociação entre a União Europeia e a Turquia, sob a condição de que esses capítulos sejam compatíveis com as duas visões possíveis do futuro das suas relações: seja de adesão, seja de uma associação o mais estreita possível, sem chegar a uma adesão", acrescentou. Sarkozy recordou ainda que, durante a sua campanha eleitoral, preconizou a fórmula de uma associação e acrescentou não ter mudado de ideias desde então.

(Fonte: Público)

24 agosto 2007

Gül voltou a não ser eleito na segunda volta das eleições para a presidência


O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Abdullah Gül, falhou hoje pela segunda vez a eleição para a presidência do país, ao não conseguir o apoio de dois terços dos deputados, adiando a decisão para a próxima terça-feira.
Gül, oriundo dos movimentos islamitas turcos, conseguiu hoje 337 votos, menos quatro do que na primeira votação, realizada na segunda-feira, anunciou a presidência do Parlamento. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) aguarda agora pela votação prevista para a próxima terça-feira, já que à terceira votação basta a maioria absoluta dos deputados (276 em 550) para conseguir a eleição.Assim que for eleito, Gül deverá ser imediatamente empossado, sucedendo ao presidente cessante, Ahmet Necdet Sezer. Na votação desta tarde, os deputados do Partido Republicano do Povo (CHP), voltaram a ausentar-se do hemiciclo em protesto contra a candidatura de um islamita à mais alta magistratura da nação, cuja principal missão é garantir o respeito pela laicidade do Estado turco. As razões são as mesmas que levaram a oposição a boicotar a eleição, em Abril passado, e que viria a ser anulada por falta de quórum. O impasse levou o AKP a convocar legislativas antecipadas e a maioria absoluta obtida nas urnas deu aos islamitas a legitimidade necessária para insistir na candidatura de Gül. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros garante que o seu partido tem evoluído para posições mais moderadas e que, se for eleito, irá defender uma rígida separação entre Estado e religião.

(Fonte: Público)

23 agosto 2007

Presidente do Instituto de História da Turquia debaixo de fogo devido a declarações sobre a origem de Alevitas e Curdos

Membros da Federação Alevi Bektaşi protestaram em frente ao Instituto de História da Turquia (TTK) contra as declarações do seu presidente, Yusuf Halaçoğlu, relativas às origens dos Alevitas e dos Curdos da Turquia.

A federação alega que o presidente dessa instituição humilhou os Curdos, Alevitas e Arménios e violou os seus direitos políticos e culturais. Avisou que aqueles que desenvolvem estudos históricos devem basear as suas descobertas em dados científicos, e enfatizou que as declarações de Halaçoğlu, longe de serem científicas, correspondem a uma "avaliação ideológica".

“Esta aproximação que tenta diminuir o conhecimento comum, a memória social colectiva e identidades culturais várias, só leva à discriminação e racismo.”

Halaçoğlu revelou que muitos Curdos têm origem turca, enquanto que os Turcos alevitas têm origem arménia.

Levantou-se de imediato um vasto círculo de protestos, provenientes de associações alevitas até deputados do partido do governo (AKP), a pedirem a destituição de Halaçoğlu.

Halaçoğlu disse que as suas declarações foram mal entendidas e que não quis dizer que não existe uma comunidade curda na Turquia.

“Actualmente, algumas famílas que se auto-definem como Curdas são de facto membros de tribos túrquicas”, disse numa conferência de imprensa. Halaçoğlu acrescentou que descobriu, enquanto pesquisava nos arquivos otomanos, que alguns membros de tribos da Anatólia estavam registados não como Curdos mas como membros de tribos túrquicas.

A polémica do "risotto" com vinho


O prato italiano "risotto" tornou-se um dos pratos mais populares na Turquia depois do ministro turco do Interior, Osman Güneş, ter censurado o ex-governador de Muğla, Temel Koçaklar, por este lhe ter servido "risotto" durante um jantar. Güneş argumentou que o Islão proibe o uso do vinho, ingrediente que faz parte da confecção do "risotto".

Donos e gerentes de restaurantes italianos na Turquia defendem que nunca tinham conhecido um cliente que não tivesse gostado do molho de vinho do seu "risotto", e que, mesmo que sirvam "risotto" com outro molho, os clientes preferem o molho de vinho.
O gerente do restaurante italiano "Il Piccolo", Atacan Şimşek, diz que “Temos cinco variedades de risotto: com cogumelos, com frango, com marisco, com vegetais e com salmão. Adicionamos o molho de acordo com a vontade do cliente. Actualmente, o "risotto" mais popular é o de marisco com vinho branco. Contudo, o vinho é usado em muitos pratos de carne nos restaurantes italianos."

O debate sobre o "risotto" começou porque Güneş terá despromovido Koçaklar depois de ter comido "risotto". Depois de ter apreciado bastante o prato, Güneş terá perguntado pela receita e não gostou quando soube que o vinho fazia parte dos ingredientes do prato. O ministro do Interior recusa as críticas de que um "risotto com vinho" tenha influenciado a mudança de posto de Koçaklar.
Entretanto, os teólogos concordam que, como o vinho adicionado à comida sofre alterações químicas devido ao processo de cozedura e se torna vinagre, o Islão permite o consumo desse prato.

22 agosto 2007

Jorge Sampaio: "Fechar a porta à Turquia é um desastre"


Entrevista a Jorge Sampaio in Diário Económico

A Turquia é um dos países patrocinadores da Aliança das Civilizações e também um candidato à UE. Como interpreta as posições da União sobre a Turquia? Há sinais contraditórios.

A Turquia preocupa-me muito. Estive lá no início de Julho. As negociações de adesão têm de continuar porque é crucial para o desenvolvimento da Turquia. A capacidade reformista interna está associada à expectativa de entrada na UE.
Mas a Europa está dividida.

Quando regressei da Turquia, escrevi uma carta a todos os chefes de Estado e de Governo da UE. Pedi-lhes para não se fechar a porta, por razões estratégicas, e no fundo de “aliança de civilizações”, mas também por causa da nossa credibilidade. É um desastre se fecharem a porta! Temos de ser capazes de demonstrar que sabemos conviver com muçulmanos, tanto mais que vivem no nosso seio minorias significativas. Há um enorme esforço reformista na Turquia, somos parceiros na NATO e no Conselho da Europa, e não podemos defraudar as expectativas. Se os sinais contraditórios continuarem, os reformistas perdem força e os que estão a favor da UE (uma maioria vastíssima) começam a diminuir. A negociação, que levará sempre muito tempo, é a possibilidade de pôr de pé um islamismo moderado num país com tradições seculares.

Como vê a posição recente da França?

Vamos ver. O facto de se ter dado continuidade ao processo negocial de adesão da Turquia à União Europeia é como uma ponte que se manteve aberta. O perigo que existia era o de paragem do processo negocial, o que seria um desastre.

(Pode ler a totalidade da entrevista aqui)

Erdoğan convida jornalista a abandonar a Turquia


Os principais jornais da Turquia criticaram hoje duramente o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, por este ter convidado o colunista Bekir Coşkun a deixar o país.
Coşkun é uma figura proeminente do jornalismo turco cujas colunas satíricas são lidas por muitos leitores no jornal "Hürriyet". Tem criticado a candidatura à presidência da República de Abdullah Gül e no Domingo escreveu que não o reconheceria como presidente.
"Proposta fascista" (jornal "Cumhuriyet"), "Não é um primeiro-ministro, mas um agente turístico" ("Radikal"), "Bekir Coşkun enviado ao exílio" ("Milliyet"). Estas foram algumas das manchetes em alguns dos mais importantes jornais turcos.
"Há alguns que dizem que Abdullah Gül 'não pode ser meu presidente'. Infelizmente existem pessoas assim mal-educadas. Os que dizem isso deveriam abandonar primeiro a cidadania da República turca, ir para onde quiserem e eleger quem quiserem", afirmou Erdoğan sobre as críticas de Coşkun durante uma entrevista televisiva.
As declarações do primeiro-ministro provocaram reacções de diferentes sectores da sociedade.
Em resposta a Erdoğan, Coşkun escreveu hoje que ama apenas a Turquia e que não tem outro país para onde ir. "Ele trata assim todos os cidadãos? O que ele deveria fazer agora era mandar-me de camelo para a Arábia", disse o jornalista em entrevista a outra publicação.
Após a vitória do seu partido com 46,7% dos votos nas eleições gerais de Julho, Erdoğan prometeu em discurso à nação ser também o primeiro-ministro dos que não votaram nele e respeitar todos os sectores da sociedade.
O líder do principal partido de oposição, Deniz Baykal (do centro-esquerda CHP), ressaltou hoje que a declaração de Erdoğan revela a sua verdadeira face. "É por isso que somos contra a presidência de Gül", acrescentou.
O CHP tem alertado para o perigo de islamização do Estado caso Gül seja eleito.

(Fonte: EFE)

21 agosto 2007

O maior partido da oposição não manterá relações com a presidência da República se Gül for eleito


O Partido Republicano do Povo (CHP), o maior partido da oposição, disse ontem que vai boicotar qualquer evento no Palácio de Çankaya (Palácio presidencial) e que não manterá qualquer contacto com o presidente, se Abdullah Gül for eleito para o cargo.

“A nossa república secular está em perigo. Para não sermos cúmplices nesse processo, não vamos entrar no Parlamento”, referiu Deniz Baykal, o presidente do partido.

Hayrunisa Gül e a modernização do véu islâmico

Entretanto, correm rumores de que Hayrunisa Gül, a mulher de Abdullah Gül, está a receber aconselhamento de estilistas para uma utilização mais moderna do véu islâmico.

Especula-se que o novo visual poderá ser ao estilo de Sophia Loren.

Toda esta especulação foi gerada por um artigo publicado ontem no The Guardian.

Gül só deverá ser eleito na terceira volta da eleição presidencial


O candidato dos islamitas do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) à eleição presidencial da Turquia, o ministro dos Negócios Estrangeiros Abdullah Gul não conseguiu ontem, como já se esperava, ser eleito na primeira votação efectuada pelo novo Parlamento turco. Apesar de estar garantida a validade do escrutínio, com a presença de mais do que os 367 deputados requeridos pela Constituição, Gül obteve 341 votos, inviabilizando, assim, a sua eleição, uma vez que as duas primeiras rondas de votação exigem que o sucessor de Ahmet Necdet Sezer seja eleito por uma maioria de dois terços. Tal pressupõe que o candidato apoiado pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, que reforçou a sua maioria absoluta nas recentes legislativas, voltará a falhar a eleição na ronda prevista para sexta-feira. Nessa altura deverá concorrer igualmente o nacionalista Sabahattin Çakmakoğlu, que alcançou 70 votos, deixando pelo caminho o candidato da extrema-esquerda Hüseyin Tayfun İcli, que só contabilizou 13. Se este cenário se confirmar, Gül deverá ser eleito à terceira votação, marcada para dia 28, altura em que lhe bastará a maioria simples dos 550 deputados para se transformar no primeiro chefe de Estado islamita da Turquia. O facto de Gül ser casado com uma mulher que usa o véu islâmico, proibido em todos os edifícios públicos do país, aumenta o nervosismo e a inquietação dos sectores laicos da Turquia, incluindo as forças armadas, de que o presidente da República é comandante-chefe, e a quem o fundador do Estado moderno turco, Kemal Atatürk, encarregou de defender e manter a laicização do país.

(Fonte: Diário de Notícias)