google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia: Rui Tavares acompanha julgamento de líder da oposição turca na véspera da cimeira da NATO na Turquia

06 julho 2026

Rui Tavares acompanha julgamento de líder da oposição turca na véspera da cimeira da NATO na Turquia

Antes de começar a cimeira da NATO na Turquia, o principal rosto da oposição e ex-autarca de Istambul atualmente detido, Ekrem Imamoğlu, começou a ser julgado esta segunda-feira no complexo estatal prisional de Marmara, distrito de Silivri, na província de Istambul.

Em representação dos verdes europeus, o co-porta-voz e deputado do Livre, Rui Tavares, assistiu ao inicio dos julgamentosi Imamoğlu é acusado de ter forjado uma licenciatura, entre outros crimes: "Hoje, na prisão de Mármara, que é em Silivri, perto de Istambul, no continente europeu, teve lugar um julgamento e mais outro julgamento e mais outro julgamento do antigo autarca de Istambul, Ekrem Imamoğlu, que foi afastado por acusações completamente espúrias, entre as quais uma anulação do diploma universitário, que ocorreu não por qualquer coisa que tivesse a ver com alguma culpa dele, mas, no máximo, eventualmente, da sua primeira universidade, antes de pedir uma transferência." Algo que tem importância porque, na Turquia, não se pode candidatar à Presidência da República alguém que não tenha um diploma universitário. 

Mas, para o deputado português, as acusações sobre Imamoğlu são espúrias, e as motivações para estes julgamentos são políticas e eleitorais: "a verdadeira razão da prisão e dos julgamentos de Imamoğlu, que duram já há vários meses, é que nas sondagens ele aparece à frente do presidente Erdoğan e, portanto, Erdoğan tem medo que ele pudesse um dia ganhar a Presidência da Turquia, e, por isso, tenta invalidar por todos os meios a sua candidatura. Ao mesmo tempo em que, através dos tribunais, conseguiu mudar a liderança do maior partido da oposição (CHP, Partido Popular Republicano), que tinha ganhado nas últimas eleições autárquicas por agregado de votos ao partido de Erdoğan (AKP, Partido da Justiça e Desenvolvimento), e que agora também pende sobre esse partido a ameaça do seu antigo líder, agora afastado, vir a ser preso também".

Rui Tavares considera que aquilo a que assistiu em Silivri "foi a um verdadeiro escândalo. As datas dos três julgamentos de entre os 18 casos que correm em tribunal contra Imamoğlu foram antecipadas para o mesmo dia. Ele teve de se defender em três casos diferentes. Eu assisti a um, ao do diploma, Imamoğlu fez uma defesa absolutamente heroica durante uma hora, no fundo, centrando o caso naquilo que ele é, o direito à justiça para todos os turcos e o direito à democracia turca de funcionar".

O caso ocorre no mesmo dia em que os líderes internacionais começam a chegar à capital, Ancara, para a cimeira da NATO que amanhã começa, a centenas de quilómetros do local do julgamento, "e levaram consigo toda a atenção mediática. Portanto, foi proposital esta marcação dos três julgamentos para o mesmo dia. Isso ficou ainda mais claro quando, no fim, a decisão do juiz foi de adiar o julgamento para janeiro do próximo ano. Afinal, havia tanta pressa e agora, de repente, o julgamento é adiado para janeiro, precisamente a tempo de Imamoğlu não conseguir participar numas eleições, se Erdogan decidir antecipá-las".

E agora, o que pode acontecer? O fundador e atual co-porta-voz do Livre, antigo eurodeputado que, nessas funções, alborou o primeiro relatório sobre o deriva iliberal da Hungria de Viktor Orbán, "é muito importante que a Europa e todos os nossos países estejam muito atentos ao que se passa na Turquia. É um regime autoritário que está em vias de endurecimento, mas é também um país que tem uma sociedade civil que é muito dinâmica, que é muito pró-europeia e que vê em Imamoğlu e nas movimentações que a oposição democrática vai fazer, provavelmente através da criação de um novo partido, uma vez que até o maior partido da oposição foi cooptado por Erdogan, conseguirem fazer aqui na Turquia o mesmo que aconteceu na Hungria". Ou seja, juntar a oposição numa nova candidatura "que consiga afastar Erdoğan do poder e recuperar um caminho de Estado de Direito, de democracia e de direitos fundamentais para a Turquia, também na esperança de reabrir negociações com a União Europeia e de aproximar o caminho da Turquia do caminho do resto da Europa".

(Fonte TSF)

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