[Público] Portugal e a Itália sempre apoiaram a entrada da Turquia na UE. Vê nesta grave crise que a Turquia está a viver alguma responsabilidade europeia?
[Prodi] Claro que não. Nós mantivemos as portas da negociação abertas.
[Público] Mas a UE tem enviado alguns sinais negativos à Turquia.
[Prodi] A Turquia sabia desde sempre que estas negociações seriam muito longas. Trata-se de uma crise interna que, de facto, pode ter consequências negativas. Espero que não, mas estou muito preocupado, porque nós precisamos de um caminho muito claro por parte da Turquia, sem obstáculos. E esta crise é um obstáculo.
(Excertos da entrevista de Romano Prodi ao Público. Pode lê-la aqui na íntegra.)
03 maio 2007
Ainda Prodi sobre a Turquia
A Turquia na campanha eleitoral francesa
O candidato conservador à presidência francesa, Nicolas Sarkozy, rejeita a possibilidade da Turquia poder entrar algum dia na União Europeia, enquanto a socialista Ségoléne Royal se mostra partidária de prosseguir o diálogo com Ancara.
No debate televisivo realizado ontem à noite e seguido por milhões de espectadores, ambos se pronunciaram sobre o processo de adesão da Turquia à União Europeia. Sarkozy afastou a hipótese de adesão, negando ser por se tratar de um país de maioria muçulmana, mas sim por "estar na Ásia Menor" e não ser Europeu. "Sou pela Europa política”, na qual a Turquia terá um estatuto de Estado associado mas a sua integração como membro da União Europeia será “perigoso para o equilíbrio do mundo”, continuou Sarkozy. Por seu lado, Ségolène Royal revelou que a eventual entrada da Turquia na UE é uma questão a que o povo francês deverá responder numa consulta. Perante o "não" de Sarkozy, Royal pediu-lhe que não fosse tão "brutal" com o povo turco, que "aspira" a ser Europeu, e recordou que a Europa e a França já se comprometeram com um "processo de discussão" com Ancara.
Eleições antecipadas a 22 de Julho MAS repetição das eleições presidenciais a 6 de Maio
Foi o governo quem propôs a realização de eleições antecipadas, logo a seguir à notícia do veredicto do Tribunal Constitucional que anulou a primeira volta das eleições presidenciais. Também o governo, entregou novo calendário ao Parlamento para a repetição das eleições presidenciais, com a primeira volta agendada para Domingo, dia 6 de Maio. Se a primeira volta não tivesse sido invalidada pelo tribunal, a segunda volta ter-se-ia realizado no dia 2 de Maio. Entretanto, após a decisão do tribunal, o governo avançou com a data de 3 de Maio. Neste momento a data prevista é 6 de Maio. O único candidato mantém-se, Abdullah Gül, candidato do partido do governo, o Partido da Justiça de Desenvolvimento (AKP).
Especula-se na imprensa turca que o maior partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), irá recorrer novamente ao Tribunal Constitucional alegando ilegalidade na repetição das eleições.
Erdoğan já fez saber que quer reformar o sistema eleitoral, e entregou hoje uma proposta no Parlamento. De acordo com o que revelou, logo após a decisão do tribunal, essas reformas incluem a eleição do Presidente da República por sufrágio universal, mandato presidencial de cinco anos renovável, no máximo de dois mandatos seguidos, em substituição do actual mandato único de sete anos e realização de eleições legislativas com quatro anos de intervalo e não cinco, como acontece actualmente. A serem aprovadas estas reformas, no dia 22 de Julho poderão realizar-se eleições presidenciais e legislativas. O maior partido da oposição (CHP) não é favorável a estas reformas.
Neste momento, a ambiguidade reside no facto de, por um lado, estarem programadas eleições antecipadas para 22 de Julho e, por outro, a repetição da primeira volta das presidenciais para o próximo Domingo.
No dia 16 de Maio termina o mandato do actual presidente da República, Ahmet Necdet Sezer, que já afirmou que irá manter-se em funções até que o novo presidente seja escolhido.
02 maio 2007
Prodi defende prudência na entrada da Turquia na UE
A entrada da Turquia na União Europeia será “um facto histórico”, mas para isso é preciso que a opinião pública europeia e turca estejam em sintonia, declarou hoje o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, durante um discurso no Parlamento português sobre o futuro da Europa.
"Eu fui a favor da entrada da Turquia", disse o primeiro-ministro italiano, referindo-se ao seu mandato como presidente da Comissão Europeia, "mas disse aos governantes turcos que, se fossem apressados, a solução seria mais difícil, especialmente depois do referendo francês que recusou a Constituição Europeia". "Acredito que será um facto histórico", prosseguiu Prodi, "que será realizado quando a opinião pública turca e a opinião pública europeia estiverem prontas para este grande passo em frente. Os factos actuais também parecem dar razão a esta perspectiva de prudência e seriedade".
(Fonte: ANSA)
Erdoğan nega ter criticado a decisão do Tribunal Constitucional
Erdoğan critica a decisão do Tribunal Constitucional
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, classificou hoje, durante uma reunião com os elementos do seu partido, a anulação da primeira volta das eleições presidenciais por parte do Tribunal Constitucional como "um tiro contra a democracia".
Na mesma reunião, Erdoğan revelou que o seu partido (AKP) vai propor a realização de eleições presidenciais e legislativas antecipadas por sufrágio universal a 24 de Junho. "Queremos eleições a 24 de Junho. Se o Presidente não pode ser eleito no Parlamento, desejamos apresentar ambas as urnas à população para que elejam também directamente o Presidente", afirmou Erdoğan.
Entretanto, Bulent Arınç, o presidente do Parlamento, comunicou que lhe foi entregue hoje uma proposta de lei para a antecipação da data da realização das eleições legislativas para 24 de Junho próximo, inicialmente previstas para 4 de Novembro.
Nos meios de comunicação social turcos, sucedem-se as reações do governo e dos partidos da oposição à decisão do Tribunal Constitucional e as reações dos partidos da oposição às reações do governo. Se por um lado Erdoğan defende a realização de eleições antecipadas, por outro lado diz que quer nova ronda de eleições no Parlamento. Hoje, 2 de Maio, era o dia inicialmente previsto para a segunda volta das eleições, se a primeira não tivesse sido anulada ontem pelo Tribunal. Entretanto, foi apontado o dia 3 de Maio para o início da primeira de quatro rondas de votações, data que já foi alterada para 6 de Maio.
O partido de Recep Tayyip Erdoğan (AKP), detém uma maioria absoluta no parlamento, com 353 assentos, e com a eleição presidencial do seu candidato, Abdullah Gül, passaria a controlar os três postos mais importantes da República. Esperava-se que a 16 de Maio, um dia depois da quarta volta das presidenciais, o novo Presidente da República assumisse a chefia do Estado.
Uma maioria de dois terços do parlamento, que se traduz em pelo menos 367 votos, é necessária para as duas primeiras voltas, enquanto uma maioria simples, de pelo menos 276 votos, é suficiente para as seguintes.
Candidato presidencial defende sufrágio universal
"A decisão do Tribunal não é uma surpresa para mim, eu respeito-a. Para mim, a surpresa foi a declaração do exército", afirmou, aludindo ao aviso dos militares de que defenderão até às últimas consequências a laicidade do Estado.
"Uma sombra abateu-se sobre a Turquia e não devemos deixar que se agrave. Devemos chegar imediatamente a um acordo para que a população eleja directamente o presidente", defendeu Gül.
Governo anuncia intenção de reformar o sistema eleitoral
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, anunciou ontem a intenção de reformar o sistema eleitoral para que o Presidente da República seja escolhido por sufrágio universal, após a crise provocada pela anulação da primeira volta das presidenciais.
"Ir ao encontro da nação é a melhor solução", declarou Erdoğan no âmbito de uma reunião de dirigentes do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que ocorreu após a revelação do veredicto do Tribunal Constitucional.
Erdoğan declarou aos jornalistas que espera apresentar a proposta de reforma do sistema eleitoral para a presidência na actual sessão do parlamento, antes das eleições legislativas antecipadas que poderão realizar-se nos dias 24 de Junho ou 1 de Julho.
O primeiro-ministro turco propôs ainda um mandato presidencial de cinco anos renovável, no máximo de dois mandatos seguidos, em substituição do actual mandato único de sete anos.
A proposta defende ainda a realização de eleições legislativas com quatro anos de intervalo e não cinco, como acontece actualmente.
01 maio 2007
Tribunal Constitucional anulou a primeira volta das eleições presidenciais
Recordo que esse recurso foi apresentado em virtude de, de acordo com a Constituição Turca, serem necessários os votos de 367 deputados para validarem a candidatura de Abdullah Gül, o candidato do partido do governo. Nessa altura, na passada sexta-feira, foram contabilizados 368 votos que incluíram sete deputados do CHP que estavam no parlamento unicamente para verificarem o andamento do processo. Por essa razão foi apresentado o recurso ao tribunal. Agora, o Tribunal Constitucional vem dizer que são necessários os votos de 367 deputados para a eleição ser válida. Assim sendo, a primeira volta das presidenciais foi cancelada pelo Tribunal. Cabe agora ao governo decidir se vai reiniciar as votações ou se vai convocar eleições antecipadas. A hipótese de eleições antecipadas é apontada por vários analistas e pelos media turcos como a hipótese mais provável.
O porta-voz do governo acabou de ler um comunicado ao país onde consta que a hipótese de eleições antecipadas está na mesa e que irá ser discutida com os partidos da oposição.
Confrontos em Istambul em manifestação do Dia do Trabalhador

De acordo com as autoridades policiais turcas, foram detidas 580 pessoas em Istambul, durante confrontos com a polícia, no âmbito das celebrações do Dia do Trabalhador.
O local mais emblemático do dia 1 de Maio é a Praça Taksim em Istambul, local onde há 30 anos foram mortas 34 pessoas. Em virtude da celebração do 30.º aniversário dessa data simbólica, e devido ao impasse político que se vive na Turquia há alguns dias, o governador de Istambul proibiu este ano qualquer manifestação nesse local por questões de segurança. Ontem, o mesmo governador mandou encerrar 41 escolas durante o dia de hoje nas imediações dessa praça, como medida de precaução. Foi também cedido outro local para a manifestação. Apesar da proibição, os sindicatos e manifestantes dirigiram-se para a Praça Taksim e encontraram uma barreira policial com 7000 polícias que os receberam com gás lacrimogénio e jactos de água. Como resultado, até ao momento, foram detidas 580 pessoas, não havendo notícia de feridos graves. Estão a decorrer também manifestações noutro local de Istambul, em Ancara e em Izmir, as três maiores cidades da Turquia, não se tendo verificado incidentes nesses locais até ao momento.