30 junho 2015

Primeiro-ministro turco propõe assistência à Grécia

O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoğlu, ofereceu hoje a assistência do seu país à Grécia, que está à beira de entrar em incumprimento, afirmando-se pronto a considerar "qualquer proposta de cooperação" com a nação vizinha.

"Queremos uma Grécia forte (...), estamos prontos para ajudar a Grécia a superar esta crise através da cooperação nos setores do turismo, energia e comércio", disse Davutoğlu, num discurso perante os membros do seu partido.
"Vamos contactar a Grécia para organizar uma reunião de alto nível, logo que seja possível, e considerar uma acção conjunta para resolver a crise financeira que atingiu o país", acrescentou.
O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, confirmou hoje que a Grécia não vai pagar até ao final do dia a parcela de 1,6 mil milhões de euros de empréstimo ao Fundo Monetário Internacional, e marcou um referendo para domingo, crucial para a manutenção do país na zona euro.
Os dois copresidentes do principal partido curdo na Turquia, próximos do Syriza, partido do poder na Grécia, reafirmaram terça a sua "solidariedade com o povo grego e o seu governo".
"Acreditamos que, em vez das políticas de austeridade, existem soluções mais razoáveis e aceitáveis", disse Selahattin Demirtaş e Figen Yüksekdağ, do Partido Democrático do Povo.
As relações entre a Turquia e a Grécia continuam difíceis, em particular devido ao conflito no Chipre, dividido desde a intervenção militar turca de Julho e Agosto de 1974, justificada por uma tentativa de golpe de Estado organizado pela junta militar no poder em Atenas, e que pretendia a união com a Grécia.
Apesar das conversações de paz recentes, sob os auspícios das Nações Unidas, ainda não foi encontrada uma resolução.

(Fonte: Notícias ao Minuto)

11 junho 2015

PM turco aberto a coligações mesmo sem gostar delas

Os resultados eleitorais inconclusivos na Turquia deixaram o país num impasse político. Para resolvê-lo, o primeiro-ministro, Ahmet Davutoğlu, diz agora estar disposto a entendimentos com outras forças partidárias, apesar de avisar que as coligações não têm tido finais felizes na história do país. 

“Temos usado as eras de coligação das décadas de 1970 e 1990 como exemplo de que as coligações não servem para Turquia e continuamos a defender isso”, disse Davutoğlu numa reunião com responsáveis locais do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). 

Mas sem os votos necessários para continuar no poder sozinho, o AKP não tem grandes alternativas e o primeiro-ministro admite, por isso, estar “aberto a qualquer cenário”. 
“No entanto, no cenário político actual, o único partido que pode apresentar soluções realistas é o AKP”, defendeu.

Esta visão não é partilhada por todas as formações, especialmente pelos pró-curdos do HDP, que conseguiram pela primeira vez ultrapassar a barreira dos dez por cento de votos necessários para garantir um lugar no parlamento. O partido também está aberto a todas as opções para formar uma coligação de governo na Turquia, menos aliar-se ao partido ainda no poder. 

Além de terminarem sem que AKP conseguisse um resultado que lhe permitisse formar governo sozinho, as eleições fizeram também cair por terra o objetivo do partido alcançar dois terços dos lugares no parlamento, necessários para alterar a constituição e dar mais poderes ao presidente.  
Esta última meta era um desígnio do ex-primeiro-ministro e agora chefe de Estado, Recep Tayyip Erdoğan, que depois de ter esgotado o limite de três mandatos à frente do governo pretendia transformar a Turquia num regime presidencialista. 
Para o HDP essa é uma aspiração inaceitável e defendeu que Erdoğan se deve sujeitar aos limites constitucionais, que ditam a neutralidade política do chefe de Estado. Um recado a um presidente que foi uma das presenças mais assíduas publicamente durante a campanha. 
Na lista de prioridades do HDP está também o problema curdo. Selahattin Demirtaş, um dos líderes partidários, defendeu que o processo de paz deve ser acelerado e que o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, que se encontra preso, está disposto a fazer um apelo ao desarmamento.

(Fonte: TVI24)    

07 junho 2015

Partido pró-curdo tira maioria ao AKP















O partido do Presidente e ex-primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan deverá governar sem maioria pela primeira vez desde 2002, caso não consiga formar uma difícil coligação. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) obteve 41% dos votos e 258 deputados, falhando assim o mínimo de 276 assentos necessários para uma maioria.
Os resultados do AKP ultrapassam o Governo e estendem-se a Erdoğan e ao seu projecto político. O Presidente queria alterar a Constituição e concentrar mais poderes no seu cargo. Para isso, o Presidente turco precisava que o AKP atingisse uma maioria confortável no Parlamento. 
A pálida vitória do partido de Erdoğan provocou uma queda da cotação da lira turca e das acções na bolsa de valores, indicando a apreensão dos mercados financeiros, sempre receosos do que consideram ser uma situação política instável.
Na manhã desta segunda-feira, a bolsa de Istambul deu um trambolhão de 8% e a lira viu a sua cotação face ao dólar cair para mínimos históricos. Em resposta, o banco central anunciou um corte nas taxas de juro dos depósitos estrangeiros, para tentar erguer a cotação da moeda turca.
O insucesso do AKP é o sucesso do recém-criado HDP, o partido secularista pró-curdo que apostou tudo nestas eleições e que acaba por ser decisivo. O HDP (Partido Democrático do Povo) assegurou a fasquia mínima de 10% dos votos exigida pela Constituição turca para que um partido entre na Assembleia. As últimas contagens colocam o HDP nos 13%, com entre 75 e 80 deputados. Caso falhasse a margem mínima, os votos e assentos do HDP seriam distribuídos pelos partidos mais votados, o que beneficiaria o AKP.
"Esta é uma vitória dos que querem uma Constituição pluralista e uma solução pacífica para a questão curda", disse na noite de domingo Selahattin Demirtaş, um dos dois líderes do HDP, quando se tornou evidente que o seu partido iria entrar no Parlamento. "O debate sobre o sistema presidencial acabou hoje", sentenciou ainda, referindo-se à intensão de Erdoğan de mudar a Constituição.
Sem maioria, a questão que agora se impõe é se o AKP tentará fazer uma coligação com a terceira força mais votada, o Partido Movimento Nacionalista, que surge com 16,4% dos votos e 82 deputados. Este é o parceiro mais provável para o AKP, já que, para além do HDP, resta apenas no Parlamento o Partido Republicano do Povo (CHP), o tradicional partido da oposição e o segundo classificado destas eleições. O CHP ficou em linha com o resultado de 2011: 25% dos votos e 132 deputados, segundo os últimos resultados.  
Erdoğan não foi a votos, mas muito do que ficará decidido nas eleições deste domingo centra-se na sua figura e herança política. De tal maneira que se tornou na principal figura destas eleições. Mostrou-o o discurso semi-vitorioso de Haluk Koç (CHP): "A Turquia ganhou. Erdoğan perdeu."
Para além do projecto político de concentração de poder na figura do Presidente, Erdoğan jogava nestas eleições a representação parlamentar de uma sociedade turca polarizada. Durante a campanha eleitoral, o HDP denunciou cerca de 70 ataques a várias das suas sedes de campanha. Na sexta-feira morreram três apoiantes do HDP e centenas de outros ficaram feridos na explosão de uma bomba num comício do partido.
Antecipando a importância do HDP, Erdoğan ignorou a imparcialidade exigida ao Presidente e entrou numa ostensiva campanha pelo AKP.Erdoğan associou Demirtaş, do HDP, ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a organização armada que luta desde a década de 1980 pela criação de um Estado curdo. Erdoğan tentou capitalizar ainda o voto religioso junto da população curda, tentando assim roubar votos ao HDP, que se apresenta como o defensor das minorias sexuais e religiosas da Turquia e é contra o ensino obrigatório do islão nas escolas.
 
(Fonte: Público)

Erdoğan pede "uma nova conquista, se Deus quiser"

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

50 milhões de turcos podem votar e escolher o novo Parlamento. Em jogo está mais do que um programa de quatro anos: está o futuro da Turquia e o poder de um homem para o moldar.
 
As principais preocupações dos turcos são a economia e o desemprego. Após uma década de crescimento estável, muitos já sentem o aumento da inflação, a desvalorização da lira, o recuo do investimento externo. Há 11% no desemprego e 20% dos jovens não encontra trabalho. Apesar disto, mais do que sobre as propostas dos partidos, as eleições de domingo são um referendo ao ex-primeiro-ministro e actual Presidente, Recep Tayyip Erdoğan.
Estas são as eleições que vão definir o futuro de Erdoğan e da Turquia. O futuro do homem que polarizou o país depois de o pôr no "bom caminho", com reformas económicas e políticas sociais que diminuíram as desigualdades, leis que impediram o Exército de derrubar governos e uma tentativa de resolver a questão curda e pôr fim a um conflito que já fez 40 mil mortos. Medidas aplaudidas pela União Europeia, à qual a Turquia continua, no papel, a querer aderir.
Mas o Erdoğan de hoje é aquele que não se engasga ao tratar os opositores como “conspiradores”, ao chamar "terrorista" ao adolescente de 15 anos que morreu baleado pela polícia nos protestos de Gezi, em 2013, ao mandar fechar o Twitter numa vã tentativa de impedir a partilha de suspeitas de corrupção contra si.
Um político que, depois de fazer aprovar leis para promover a divisão de poderes, tenta agora controlar a justiça – só desde Agosto, quando foi eleito Presidente, 105 pessoas foram acusadas de “insulto ao chefe de Estado”, ao mesmo tempo que jornalistas independentes continuam a ser detidos, acusados de divulgar “segredos de Estado” ou atentar contra a segurança nacional.
 
“Merece ser rei”

Erdoğan quer mudar a Constituição para fazer da Turquia um regime presidencialista e só por isso se candidatou ao cargo. É acusado de querer o poder pelo poder, para nele se conseguir eternizar.
O Presidente não esconde ao que vem. Quer estar no cargo até 2023, centenário da República fundada por Mustafa Kemal Atatürk. Quer ser maior do que Atatürk, substitui-lo como o “pai” dos turcos. Muitos já o vêem assim. Chamam-lhe Tayyip e dizem, como Fatma Şahin, uma apoiante de 32 anos que o jornal The New York Times encontrou num comício, que “não merece só a presidência, merece ser rei”.
Mas por cada turco que ama Erdoğan, há outro turco que o teme. Erdoğan “transformou-se num verdadeiro déspota, participa de forma activa na campanha para defender o seu partido, o AKP, quando deveria estar acima das formações políticas tal como prevê a Constituição, ataca todos os dias a oposição, denuncia conspirações imaginárias, denigre os melhores artistas do país e ameaça a imprensa independente”, escreveu no Le Monde Nadim Gürsel, romancista e analista turco a viver em França.
São 50 milhões os turcos que podem votar para eleger a nova Grande Assembleia Nacional e os seus 550 deputados. O AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento) governa com maioria absoluta desde 2002. Sob a liderança de Erdoğan venceu sete eleições legislativas, municipais e presidenciais consecutivas, para além de dois referendos. Em 2011, obteve 49,8% dos votos e 363 lugares.
Com 276 deputados (metade mais um), um partido tem maioria para governar. Chegar aos 330 é ter uma vitória decisiva e legislar à vontade; é a maioria de três quintos, com a qual um partido pode mudar a Constituição, desde que a referende. Mas só os 367, a chamada super-maioria, permitem mudar a Constituição sem precisar de perguntar aos turcos se estão de acordo. As sondagens são pouco fiáveis, mas todas deixam o AKP entre os 276 e os 330 deputados, com 40 a 45% votos.
 
O partido mais pequeno

A oposição tradicional, os herdeiros de Atatürk e do seu CHP (Partido Republicano do Povo, nacionalistas sociais-democratas), tentaram uma renovação, fizeram primárias para escolher o novo líder, Kemal Kiliçlaroğlu, incluíram mais mulheres nas listas e têm propostas para resolver os problemas do país. Mas numa campanha dominada por Erdoğan – numa só semana de Maio teve 44 horas de directos nas televisões – foi difícil a Kiliçlaroglu fugir às polémicas com o chefe de Estado e explicar o seu programa.
Em 2011, o CHP teve 26% dos votos, quase o dobro dos 13% da formação de extrema-direita MHP (Partido do Movimento Nacionalista), que é contra o processo de paz e defende que os curdos têm de aceitar a autoridade do Estado turco. Por causa do MHP, e da sua capacidade de atrair votos entre o eleitorado mais nacionalista, Erdoğan e vários candidatos do AKP passaram a criticar o processo de paz que eles mesmos iniciaram.
Nem o CHP nem o MHP poderão impedir o AKP de alcançar a maioria de três quintos. Mas há um partido que o pode conseguir e é curdo. Chama-se HDP (Partido Democrático do Povo) e, tal como Erdoğan, joga tudo nestas eleições. Até agora, os seus membros concorriam como independentes para evitar o risco de não chegar aos 10%, o mínimo que a Constituição impõe a um partido para entrar na Assembleia. Elegeram 30 deputados em 2011.
Apresentar-se como partido dá ao HDP outro estatuto. Se alcançar os 10% terá 50 a 60 deputados e uma importante palavra a dizer no futuro da Turquia. Se falhar, num sistema eleitoral que o diário The Guardian descreve como “o mais injusto do mundo”, perde tudo e os seus votos são distribuídos pelos partidos mais votados em cada região, beneficiando assim o AKP.
Mas o HDP já não representa só os curdos, 20% da população – muitos dos quais, conservadores e religiosos, votam habitualmente no AKP. O único partido com dois líderes, um homem e uma mulher, o único com 50% de mulheres nas suas listas, atrai os turcos que temem o autoritarismo de Erdoğan. Minorias culturais e sexuais ou jovens que querem mudanças reais revêem-se na formação que é comparada ao Podemos espanhol ou ao Syriza grego.
“Somos o partido de todos, o partido dos oprimidos”, repetiu em campanha Selahattin Demirtaş, o advogado de 42 anos que é um dos líderes e o rosto mais conhecido do HDP. Aos 20 anos, tentou entrar na guerrilha curda mas foi recusado. Agora, quer mudar a Turquia a partir das instituições. “Se nos tornarmos no partido mais pequeno no Parlamento, podemos limitar o poder do maior partido”, disse numa entrevista. “O AKP está muito nervoso. Não esperava este desafio.”
 
Uma nova Turquia

Demirtaş tem razão. A candidatura do seu partido pôs os líderes do AKP a descrevê-lo como um “perigoso militante do PKK”. Por causa do HDP, Erdoğan levou um Corão em curdo para os comícios. É que o principal obstáculo do HDP para chegar aos 10% não são as acusações de laços aos terroristas, mas o seu apoio aos homossexuais e propostas como o fim do ensino obrigatório do islão nas escolas. A maioria do eleitorado curdo é muito religioso e o AKP joga nisso para combater Demirtaş.
Há uma semana, no comício onde o New York Times encontrou Fatma Şahin, a mulher que gostava que Erdoğan fosse rei, o Presidente só falou depois da banda de 600 músicos ter tocado e marchado, enquanto caças sobrevoavam o céu de Istambul e desenhavam com fumo colorido a bandeira da Turquia.
Depois de recitar o Corão, levando alguns apoiantes às lágrimas, Erdoğan lembrou que “transformar o destino doente desta nação em 12 anos foi uma conquista”. Também disse que “atravessar este ponto de viragem a caminho de uma nova Turquia é uma conquista”. Depois, apelou ao voto: “Se Deus quiser, 7 de Junho vai ser uma conquista.”
 
(Fonte: Público)

06 junho 2015

Explosão em comício do partido curdo HDP provoca dois mortos

Dois mortos e uma centena de feridos é o resultado de duas explosões num comício do partido curdo HDP, em DiyarBakır, no sul da Turquia. Segundo as autoridades, 24 pessoas precisaram de ser hospitalizadas. 
Após as explosões, alguns grupos de populares lançaram pedras sobre a polícia e, pelo menos, uma viatura policial foi incendiada. A polícia respondeu com granadas de gás lacrimogéneo e canhões de água. O atentado ocorreu a menos de 48 horas das legislativas de Domingo que, ao que tudo indica, voltarão a ser ganhas pelo AKP, o partido de Erdoğan. O presidente já considerou o ataque uma provocação contra a democracia e a estabilidade. 
 
(Fonte: TVI)