google.com, pub-7650629177340525, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Notícias da Turquia

07 junho 2015

Erdoğan pede "uma nova conquista, se Deus quiser"

 
50 milhões de turcos podem votar e escolher o novo Parlamento. Em jogo está mais do que um programa de quatro anos: está o futuro da Turquia e o poder de um homem para o moldar.
 
As principais preocupações dos turcos são a economia e o desemprego. Após uma década de crescimento estável, muitos já sentem o aumento da inflação, a desvalorização da lira, o recuo do investimento externo. Há 11% no desemprego e 20% dos jovens não encontra trabalho. Apesar disto, mais do que sobre as propostas dos partidos, as eleições de domingo são um referendo ao ex-primeiro-ministro e actual Presidente, Recep Tayyip Erdoğan.
Estas são as eleições que vão definir o futuro de Erdoğan e da Turquia. O futuro do homem que polarizou o país depois de o pôr no "bom caminho", com reformas económicas e políticas sociais que diminuíram as desigualdades, leis que impediram o Exército de derrubar governos e uma tentativa de resolver a questão curda e pôr fim a um conflito que já fez 40 mil mortos. Medidas aplaudidas pela União Europeia, à qual a Turquia continua, no papel, a querer aderir.
Mas o Erdoğan de hoje é aquele que não se engasga ao tratar os opositores como “conspiradores”, ao chamar "terrorista" ao adolescente de 15 anos que morreu baleado pela polícia nos protestos de Gezi, em 2013, ao mandar fechar o Twitter numa vã tentativa de impedir a partilha de suspeitas de corrupção contra si.
Um político que, depois de fazer aprovar leis para promover a divisão de poderes, tenta agora controlar a justiça – só desde Agosto, quando foi eleito Presidente, 105 pessoas foram acusadas de “insulto ao chefe de Estado”, ao mesmo tempo que jornalistas independentes continuam a ser detidos, acusados de divulgar “segredos de Estado” ou atentar contra a segurança nacional.
 
“Merece ser rei”

Erdoğan quer mudar a Constituição para fazer da Turquia um regime presidencialista e só por isso se candidatou ao cargo. É acusado de querer o poder pelo poder, para nele se conseguir eternizar.
O Presidente não esconde ao que vem. Quer estar no cargo até 2023, centenário da República fundada por Mustafa Kemal Atatürk. Quer ser maior do que Atatürk, substitui-lo como o “pai” dos turcos. Muitos já o vêem assim. Chamam-lhe Tayyip e dizem, como Fatma Şahin, uma apoiante de 32 anos que o jornal The New York Times encontrou num comício, que “não merece só a presidência, merece ser rei”.
Mas por cada turco que ama Erdoğan, há outro turco que o teme. Erdoğan “transformou-se num verdadeiro déspota, participa de forma activa na campanha para defender o seu partido, o AKP, quando deveria estar acima das formações políticas tal como prevê a Constituição, ataca todos os dias a oposição, denuncia conspirações imaginárias, denigre os melhores artistas do país e ameaça a imprensa independente”, escreveu no Le Monde Nadim Gürsel, romancista e analista turco a viver em França.
São 50 milhões os turcos que podem votar para eleger a nova Grande Assembleia Nacional e os seus 550 deputados. O AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento) governa com maioria absoluta desde 2002. Sob a liderança de Erdoğan venceu sete eleições legislativas, municipais e presidenciais consecutivas, para além de dois referendos. Em 2011, obteve 49,8% dos votos e 363 lugares.
Com 276 deputados (metade mais um), um partido tem maioria para governar. Chegar aos 330 é ter uma vitória decisiva e legislar à vontade; é a maioria de três quintos, com a qual um partido pode mudar a Constituição, desde que a referende. Mas só os 367, a chamada super-maioria, permitem mudar a Constituição sem precisar de perguntar aos turcos se estão de acordo. As sondagens são pouco fiáveis, mas todas deixam o AKP entre os 276 e os 330 deputados, com 40 a 45% votos.
 
O partido mais pequeno

A oposição tradicional, os herdeiros de Atatürk e do seu CHP (Partido Republicano do Povo, nacionalistas sociais-democratas), tentaram uma renovação, fizeram primárias para escolher o novo líder, Kemal Kiliçlaroğlu, incluíram mais mulheres nas listas e têm propostas para resolver os problemas do país. Mas numa campanha dominada por Erdoğan – numa só semana de Maio teve 44 horas de directos nas televisões – foi difícil a Kiliçlaroglu fugir às polémicas com o chefe de Estado e explicar o seu programa.
Em 2011, o CHP teve 26% dos votos, quase o dobro dos 13% da formação de extrema-direita MHP (Partido do Movimento Nacionalista), que é contra o processo de paz e defende que os curdos têm de aceitar a autoridade do Estado turco. Por causa do MHP, e da sua capacidade de atrair votos entre o eleitorado mais nacionalista, Erdoğan e vários candidatos do AKP passaram a criticar o processo de paz que eles mesmos iniciaram.
Nem o CHP nem o MHP poderão impedir o AKP de alcançar a maioria de três quintos. Mas há um partido que o pode conseguir e é curdo. Chama-se HDP (Partido Democrático do Povo) e, tal como Erdoğan, joga tudo nestas eleições. Até agora, os seus membros concorriam como independentes para evitar o risco de não chegar aos 10%, o mínimo que a Constituição impõe a um partido para entrar na Assembleia. Elegeram 30 deputados em 2011.
Apresentar-se como partido dá ao HDP outro estatuto. Se alcançar os 10% terá 50 a 60 deputados e uma importante palavra a dizer no futuro da Turquia. Se falhar, num sistema eleitoral que o diário The Guardian descreve como “o mais injusto do mundo”, perde tudo e os seus votos são distribuídos pelos partidos mais votados em cada região, beneficiando assim o AKP.
Mas o HDP já não representa só os curdos, 20% da população – muitos dos quais, conservadores e religiosos, votam habitualmente no AKP. O único partido com dois líderes, um homem e uma mulher, o único com 50% de mulheres nas suas listas, atrai os turcos que temem o autoritarismo de Erdoğan. Minorias culturais e sexuais ou jovens que querem mudanças reais revêem-se na formação que é comparada ao Podemos espanhol ou ao Syriza grego.
“Somos o partido de todos, o partido dos oprimidos”, repetiu em campanha Selahattin Demirtaş, o advogado de 42 anos que é um dos líderes e o rosto mais conhecido do HDP. Aos 20 anos, tentou entrar na guerrilha curda mas foi recusado. Agora, quer mudar a Turquia a partir das instituições. “Se nos tornarmos no partido mais pequeno no Parlamento, podemos limitar o poder do maior partido”, disse numa entrevista. “O AKP está muito nervoso. Não esperava este desafio.”
 
Uma nova Turquia

Demirtaş tem razão. A candidatura do seu partido pôs os líderes do AKP a descrevê-lo como um “perigoso militante do PKK”. Por causa do HDP, Erdoğan levou um Corão em curdo para os comícios. É que o principal obstáculo do HDP para chegar aos 10% não são as acusações de laços aos terroristas, mas o seu apoio aos homossexuais e propostas como o fim do ensino obrigatório do islão nas escolas. A maioria do eleitorado curdo é muito religioso e o AKP joga nisso para combater Demirtaş.
Há uma semana, no comício onde o New York Times encontrou Fatma Şahin, a mulher que gostava que Erdoğan fosse rei, o Presidente só falou depois da banda de 600 músicos ter tocado e marchado, enquanto caças sobrevoavam o céu de Istambul e desenhavam com fumo colorido a bandeira da Turquia.
Depois de recitar o Corão, levando alguns apoiantes às lágrimas, Erdoğan lembrou que “transformar o destino doente desta nação em 12 anos foi uma conquista”. Também disse que “atravessar este ponto de viragem a caminho de uma nova Turquia é uma conquista”. Depois, apelou ao voto: “Se Deus quiser, 7 de Junho vai ser uma conquista.”
 
(Fonte: Público)

06 junho 2015

Explosão em comício do partido curdo HDP provoca dois mortos

Dois mortos e uma centena de feridos é o resultado de duas explosões num comício do partido curdo HDP, em DiyarBakır, no sul da Turquia. Segundo as autoridades, 24 pessoas precisaram de ser hospitalizadas. 
Após as explosões, alguns grupos de populares lançaram pedras sobre a polícia e, pelo menos, uma viatura policial foi incendiada. A polícia respondeu com granadas de gás lacrimogéneo e canhões de água. O atentado ocorreu a menos de 48 horas das legislativas de Domingo que, ao que tudo indica, voltarão a ser ganhas pelo AKP, o partido de Erdoğan. O presidente já considerou o ataque uma provocação contra a democracia e a estabilidade. 
 
(Fonte: TVI)
  

19 maio 2015

Frederico Silva afastado do Challenge de Eskişehir

Frederico Ferreira Silva foi afastado do Challenger de Eskişehir, na Turquia, logo na 1ª ronda, ao ser derrotado por Remi Bouttilier. O francês, 254 do ranking, venceu em dois sets, pelos parciais de 7-5 e 6-3.

O tenista português, 278 do mundo, fica pelo caminho em singulares, mas continua em competição na variante de pares. Frederico Silva faz dupla com o sérbio Nikola Milojevic e derrotaram na 1ª ronda os espanhóis Iñigo Cervantes e Oriol Roca Batallia, por 6-7, 6-3 e 10-7.
 
(Fonte: Rádio Renascença)



12 maio 2015

Turquia apela à NATO para agir contra "ameaça significativa" do Estado Islâmico

A Turquia apelou hoje a uma acção determinante dos Estados-membros da NATO contra a ameaça "significativa" que o grupo Estado Islâmico (EI) coloca às suas fronteiras.
O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Çavuşoğlu, referiu que esta questão será um ponto central da reunião dos chefes da diplomacia da NATO em Antalya (oeste da Turquia) na quarta e quinta-feira.
"A Turquia é o único Estado-membro da Aliança a possuir fronteiras com o Daesh" na Síria e no Iraque, sublinhou ao utilizar o termo árabe para designar o EI.
"Não é tolerável que o Daesh esteja nas nossas fronteiras. Isso representa para nós uma ameaça significativa", referiu o ministro turco em conferência de imprensa.
Çavusoglu congratulou-se com o projecto dos Estados Unidos em treinar e equipar a oposição síria, apesar de considerar "que não é suficiente".
"Devemos tomar outras medidas", declarou, antes de sustentar que os ataques aéreos também não podem resolver a situação no terreno.
"Para erradicar o terrorismo devemos atacar as bases do terrorismo", acrescentou sem adiantar pormenores.
O Presidente turco Recep Tayyip Erdoğan sempre insistiu que, na perspetiva de Ancara, a deposição do líder sírio Bachar al-Assad seria a chave para a paz na Síria.
No passado, a Turquia apelou à criação de uma zona de segurança em território sírio para proteger as suas fronteiras, mas a sugestão foi timidamente acolhida pelos aliados ocidentais.
 
(Fonte:dnotícias)

08 maio 2015

Três golfistas portugueses passaram o cut no Challenge da Turquia

Os golfistas portugueses Filipe Lima, Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo passaram o cut no Challenge da Turquia, que se está a disputar em Antalya, enquanto Gonçalo Pinto foi eliminado.

Filipe Lima foi o único português a melhorar na segunda volta ao campo do clube de golfe Gloria, com 70 pancadas (duas abaixo do par), apresentando um total de 144 (igual ao par).

Com o mesmo agregado e posicionado entre os classificados em 57.º lugar está Pedro Figueiredo, que fez hoje 76 pancadas (quatro acima do par), descendo 53 lugares.

Ricardo Melo Gouveia segue entre os 39os classificados, com 143 pancadas (uma abaixo do par), depois de ter entregado um cartão de 73 na segunda volta.

Com 13 pancadas acima do par na segunda volta, Gonçalo Pinto terminou a prova do Challenge Tour na 143.ª posição, com um total de 160 'shots' (+16).

Na liderança da prova continua o francês Edouard Dubois, com um agregado de 133 pancadas (11 abaixo do par), menos três do que o sueco Bjorn Akesson e quatro do que o inglês William Harrold.
 
(Fonte: O Jogo)

05 março 2015

Boas relações com a Turquia podem gerar mais negócios

AEP quer traduzir em resultados económicos a Cimeira Intergovernamental desta semana.
 
Para traduzir em negócios o bom momento por que passam as relações políticas e diplomáticas entre Portugal e a Turquia, como evidenciou a 1.ª Cimeira Intergovernamental entre os dois países que anteontem decorreu em Lisboa, a Associação Empresarial de Portugal (AEP) vai estar no próximo mês em Istambul, em duas frentes: com uma missão empresarial e na maior feira de construção da grande nação euro-asiática, cuja área de exposição chega aos 100 mil metros quadrados.

Com efeito, entre 21 e 25 de Abril, a AEP assegura a participação nacional na 38.ª edição da TurkeyBuild, que costuma atrair à maior cidade turca profissionais da fileira da construção oriundos de todo o país e dos Balcãs, Rússia, Norte de África e Médio Oriente. Paralelamente, terá no terreno uma missão multissectorial, para contactos institucionais e reuniões de negócios, tendo em vista o incremento das exportações portuguesas para aquele mercado, de mais de 74 milhões de consumidores.

Como o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoğlu, deixou claro na conferência de imprensa que se seguiu à Cimeira Intergovernamental desta semana, em Lisboa, há oportunidades a explorar nos sectores agro-alimentar, da construção e imobiliário, dos transportes, da energia (particularmente, renováveis e eficiência energética), da saúde, das indústrias de defesa e do turismo. Na avaliação da AEP, o mercado turco é também interessante para a oferta portuguesa nas áreas dos componentes para a indústria automóvel, tecnologias da informação e comunicação, inovação, serviços financeiros e têxtil.

Mas outras oportunidades há a explorar, tanto mais que, como reconheceu o primeiro-ministro da Turquia, o relacionamento económico com Portugal vai intensificar-se, seja pelo aumento das ligações áreas para Lisboa e Porto da companhia de aviação turca, seja pelos efeitos da cimeira empresarial agendada para Outubro, na qual os governos dos dois países depositam grandes expectativas. Ahmet Davutoğlu antecipou mesmo que o encontro entre empresários "terá seguramente impacto comercial". Por outro lado, na declaração final da cimeira os dois governos reconhecem que "o comércio bilateral de bens está muito aquém do seu potencial".

Segundo o chefe do Governo turco, a cooperação económica com Portugal movimenta actualmente cerca de 1,3 mil milhões de dólares por ano, que poderão chegar, a médio prazo, aos 5.000 milhões. Intencionalmente ou não, referiu que Portugal é o "parceiro europeu que melhor percebe" o seu país.

Passos Coelho, por seu lado, salientou o apoio que Portugal tem dado ao pedido de adesão da Turquia à União Europeia e o facto de estar em causa um "parceiro económico, político e diplomático", com uma "economia dinâmica e com excelentes perspectivas de crescimento".

Na verdade, a economia turca está a crescer acima dos 4% ao ano, segundo os indicadores internacionais mais recentes, e a tendência é para que assim continue. Abrem-se, assim, boas oportunidades às empresas portuguesas que queiram investir naquele mercado, para onde Portugal exporta, sobretudo, pastas celulósicas e papel, máquinas, combustíveis minerais, plásticos e borracha e químicos. Em sentido inverso, vêm, principalmente, materiais têxteis, metais comuns, veículos e material de transporte e maquinaria. Entre as empresas nacionais com operação na Turquia contam-se os grupos Sonae e Onyria, a tecnológica TIMWE, a Inapa e a Ascendum, ao passo que o investimento turco em Portugal é praticamente residual.

Com vultuosos investimentos públicos e privados em curso, uma população jovem (média de idades nos 28 anos) e um mercado que deverá atingir, em 2050, os 100 milhões de consumidores, a Turquia oferece, na avaliação a AEP, um manancial de oportunidades relevante para as empresas portuguesas. Construção, energia, agroa-alimentar e TICE são áreas em que Portugal apresenta algumas vantagens comparativas, que a associação quer tornar tangíveis com estas duas acções. Ambas fazem parte do programa associativo de internacionalização "Business on the way", apoiado pelo Compete, ao abrigo do QREN. As empresas interessadas em participar na missão têm, por isso, acesso a apoios financeiros que podem chegar a 45% dos custos de participação.
 
(Fonte: Económico)

Presidente da Turquia multado por insultar artista

Erdoğan não gostou das estátuas erguidas perto da fronteira com a Arménia e chamou-lhes uma "monstruosidade". A obra foi demolida pouco depois e o artista decidiu ir para tribunal. Ganhou.


O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, foi condenado a pagar uma multa de 10 mil liras turcas, cerca de 3500 euros, ao escultor Mehmet Aksoy, por ter insultado o seu trabalho artístico.
O caso remonta a 2011, quando Erdoğan era primeiro-ministro da Turquia e descreveu uma obra concebida por Aksoy como "uma monstruosidade", sugerindo que fosse retirada. O monumento - chamado "Estátua da Humanidade" - pretendia simbolizar a amizade entre a Turquia e a Arménia e era constituído por duas figuras humanas, com cerca de 30 metros de altura, esculpidas em pedra, colocadas numa montanha próxima da cidade turca de Kars, que fica na fronteira entre os dois países.

Presidente da Turquia multado por insultar artista
Fotografia © Ggia/Wikimedia Commons
 
Segundo a BBC, que cita o turco Hurriyet Daily News, o monumento acabou por nunca ser concluído e foi demolido poucos meses depois do comentário de Erdoğan, que viria a ser processado pelo autor da obra por comentários insultuosos. Um tribunal de Istambul decidiu agora dar razão ao artista, ainda que não tenha fixado a indemnização no valor pretendido de 100 mil liras turcas (cerca de 35 mil euros).
Para atenuar o valor da compensação terá contribuído o facto de a Associação de Língua Turca ter defendido, em 2014, que a palavra usada por Erdoğan - "ucube", que pode ser traduzida por "monstruosidade" - não era um insulto, remetendo na realidade para algo "muito estranho e muito feio". Já os advogados do actual presidente alegaram que a declaração de Erdoğan era uma crítica a uma obra de arte e não um insulto ao próprio artista.
 
(Fonte: DN)

03 março 2015

Turquia quer que Portugal seja seu porta-voz em Bruxelas

 
A Primeira Cimeira Intergovernamental entre Portugal e Turquia terminou hoje em Lisboa com a assinatura de quatro acordos bilaterais nas áreas de Educação, comércio, saúde alimentar e protecção mútua de informação classificada.
No final, os dois primeiros-ministros mostraram satisfação face à intensificação das relações comerciais dos dois países após a visita de Passos Coelho a Ancara, em 2012. O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoğlu, elogiou a “fantástica saída limpa do processo de ajustamento” por parte de Portugal e vê um “apetite da comunidade empresarial turca em investir em Portugal”. O governante turco anunciou que, a nível comercial, o objectivo da cooperação bilateral passa por aumentar o volume de negócios dos actuais 1,3 mil milhões de dólares anuais para os três mil milhões numa primeira fase e cinco mil milhões mais tarde.
No mesmo âmbito, Pedro Passos Coelho destacou a importância deste “parceiro económico, político e diplomático”, com uma “economia dinâmica com excelentes perspectivas de crescimento”.
O encontro, decorrido no Palácio das Necessidades, em Lisboa, serviu ainda para o Governo português reforçar o seu apoio à adesão da Turquia à União Europeia, um processo presentemente estagnado que Passos Coelho quer ver recuperado pois considera que a Turquia “pode ser importante para a paz na região e para a segurança internacional”.
No documento final da cimeira, o Governo português reforçou a sua condição de apoiante da adesão europeia da Turquia, comprometendo-se a "partilhar com a Turquia o seu conhecimento e experiência relativo a adequação das suas práticas e legislação interna ao acervo comunitário".
Por sua vez, Ahmet Davutoğlu considerou que “Portugal é o parceiro europeu que melhor percebe a Turquia” e como tal deseja ter no Governo de Lisboa um “porta-voz em Bruxelas”, que saiba defender a causa da adesão turca. O homem que em Agosto de 2014 sucedeu a Recep Tayip Erdoğan, actual Presidente da Turquia, diz que o seu país está prestes a concretizar as reformas exigidas por Bruxelas para que quando “se voltarem a abrir os capítulos de negociação possam ser de imediato encerrados”.
Os dois países mostraram ainda a intenção de promover uma solução diplomática para o conflito da Ucrânia, com base nos acordos de Minsk, e "acordaram em cooperar em assuntos ligados aos Direitos Humanos na Crimeia, em particular face à deterioração da situação do povo tártaro da Crimeia", segundo o documento distribuído pelo gabinete do primeiro-ministro.
A actual situação no Médio Oriente, em especial o caos provocado pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria, assim como o estatuto de observador da Turquia na CPLP e a sua aposta na diplomacia em África foram outros assuntos debatidos pelos Executivos de Ancara e Lisboa.
Portugal fez-se ainda representar na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros pelo vice primeiro-ministro e pelos ministros das Finanças, da Defesa, da Educação e Ciência, pelo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, para além do anfitrião Rui Machete. Do lado turco estiveram presentes, para além do chefe do Governo, o ministro dos Assuntos Europeus e Negociador Chefe, e os ministros dos Negócios Estrangeiros, das Finanças, da Educação Nacional e da Defesa.

(Fonte: Sol)

Davutoğlu: "Portugal é quem melhor entende a Turquia no processo de adesão à União Europeia"


O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoğlu, disse hoje que Portugal é o país que "melhor entende" a Turquia no longo processo de negociações de adesão à União Europeia (UE), definido como um "objectivo estratégico".
 
"Portugal tem surgido como um porta-voz da Turquia em Bruxelas, parece ser o país que melhor entende a Turquia", considerou Ahmet Davutoğlu durante a conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo português, Pedro Passos Coelho, no final da I Cimeira Intergovernamental Portugal-Turquia, que hoje decorreu em Lisboa.
O dirigente turco voltou a insistir no tema durante o período de perguntas e respostas, quando agradeceu a Passos Coelho a "solidariedade portuguesa" e vincou que a "decisão estratégica" da Turquia é pertencer à UE.
"Portugal sempre demonstrou vontade em que a Turquia faça parte da Europa", salientou. "Sabem da nossa capacidade para promover reformas, o futuro da Europa é o futuro da Turquia. Agradecemos aos amigos da Turquia", adiantou.
As relações próximas entre os dois países foi outro tema que dominou a intervenção do responsável turco, que lidera desde 2014 o Governo islamita-conservador do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002.
O responsável turco destacou a reunião "amistosa" de hoje, em que se fez acompanhar por seis ministros, disse que os dois países se "entendem bem", por partilharem "uma tradição comum do Estado, da política, dos laços culturais", e ainda por possuírem "um enorme alcance geográfico e também com uma relação face a geografias mais latas".
O bom momento das relações económicas luso-turcas, com uma reunião empresarial conjunta agendada para Outubro e "seguro impacto comercial", e o reforço das ligações aéreas da companhia aérea turca para Lisboa, e ainda para o Porto, também mereceram destaque na intervenção do chefe do governo turco.
Nesta linha, Davotoğlu aproveitou para felicitar Portugal pela "evolução impressionante da [sua] economia, tendo em consideração a saída do programa de ajustamento".
A celebração do Dia da Língua Portuguesa em Ancara, a crescente presença do seu país na África, Ásia, América Latina, "com 32 embaixadas turcas em África", e o estatuto de país-membro observador da CPLP, foram também recordados pelo primeiro-ministro turco, ex-chefe da diplomacia de Ancara e um dos homens de confiança do Presidente Recep Tayyip Erdoğan, o líder do AKP.
A situação no Iraque, na Síria, a xenofobia e o terrorismo, além da decisiva posição geoestratégica da Turquia, também foi focada, com Davutoğlu a sustentar a necessidade de "paz e estabilidade", quando se parece preparar uma ofensiva contra o grupo Estado Islâmico (EI), que há quase um ano controla a estratégica cidade de Mossul, no norte iraquiano e perto da fronteira do Curdistão turco.
Neste aspeto, referiu-se a uma "missão histórica", mas foi diplomaticamente cauteloso. E, por fim, ao recordar que Portugal e Turquia enfrentam eleições gerais no outono, desejou que se mantenham, e reforcem, as relações entre Lisboa e Ancara.
O primeiro-ministro turco efectuou hoje uma visita oficial a Lisboa para participar na 1ª Cimeira Portugal-Turquia, tendo sido recebido pelo Presidente Cavaco Silva antes de se reunir com o seu homólogo Pedro Passos Coelho no Palácio das Necessidades.
Davutoğlu e Pedro Passos Coelho encontraram-se no final da tarde, antes do início da sessão plenária entre as duas delegações, a nível ministerial, e participaram na assinatura de quatro acordos bilaterais.
 
Fonte: (Notícias ao Minuto)

Cimeira em Lisboa analisa adesão da Turquia à UE

O processo de adesão da Turquia à União Europeia, as situações de tensão na Ucrânia e Médio Oriente, Líbia e o Irão foram os assuntos nesta terça-feira em destaque na reunião bilateral entre os primeiros-ministros de Portugal e Turquia.
Na declaração final conjunta, na sequência da I Cimeira intergovernamental Portugal-Turquia que decorreu no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa, Passos Coelho e Ahmet Davutoğlu sublinharam os “desenvolvimentos positivos” nas relações Portugal-Turquia e trocaram impressões sobre os principais focos de tensão internacionais e regionais, para além de diversas decisões no âmbito da diplomacia económica, a cargo dos dois vice-primeiros-ministros.
Numa referência às negociações de adesão da Turquia à União Europeia (UE), iniciadas em 2005, as duas partes sublinharam a importância da união alfandegária para as duas economias, e a troca contínua de informações sobre o processo de adesão turco.
Na agenda internacional, foram analisadas, ainda, com particular atenção as situações de tensão na Ucrânia, Síria – país com o qual a Turquia tem fronteira - e Líbia, para além da questão do Irão, em particular as negociações em torno do dossier nuclear e diversos cenários no continente africano.
As duas partes reiteraram a “firme condenação do terrorismo em todas as suas formas”, comprometeram-se em prosseguir esforços para resolver a situação na Síria, um conflito muito delicado para Ancara, encorajar o diálogo entre as diversas facções na Líbia, e a aplicação das decisões internacionais no âmbito do processo de paz israelo-palestiniano. Uma concordância natural entre dois parceiros da Aliança Atlântica.
Nesta primeira cimeira intergovernamental foram assinados dois memorandos de entendimento. Um do AICEP e do seu congénere turco e outro no domínio da Educação. Foi igualmente firmado um acordo sobre protecção mútua de informação classificada e um protocolo entre as autoridades de segurança alimentar de ambos os países.
Durante as conversações bilaterais que envolveram os chefes de Governo, os vice-primeiro ministros, os titulares das Finanças, Negócios Estrangeiros, Educação e Defesa foram passados em revista temas da cooperação bilateral. No âmbito das relações económicas foram identificados como prioritários os sectores agro-alimentar, construção civil, transportes, energias, farmacêutico, saúde, indústrias de defesa, turismo e imobiliário.
A promoção da língua portuguesa foi também objecto de análise, em linha com o estatuto de Observador Associado da Turquia na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP. Do mesmo modo, foi acordado promover o ensino do turco como segunda língua estrangeira opcional nas escolas do ensino secundário portuguesas.
 
(Fonte: Público)