24 junho 2007

As mentiras do Expresso da Meia-Noite


Em 1978, estreou nos cinemas O Expresso da Meia-Noite, do realizador britânico Alan Parker, que se transformou numa das sensações desse ano.
Baseado no livro do americano Billy Hayes, o filme contava a "história verdadeira" do calvário deste numa prisão turca, por ter sido apanhado no aeroporto de Istambul com dois quilos de haxixe. Condenado a 30 anos de cadeia, Hayes foi metido num cárcere onde o sadismo dos guardas e as violações eram o pão nosso de cada dia, tendo depois conseguido evadir-se ao fim de cinco anos e fugir para a Grécia. Parker rodou o filme em Malta, após as autoridades turcas terem recusado receber a produção, por razões óbvias.
Atacado de imediato por dar uma imagem negativa e chocante da Turquia, cujo Governo se apressou a desmentir os factos nele narrados, O Expresso da Meia-Noite foi sucesso de bilheteira e ganhou dois Óscares, um deles para o argumento de Stone.
Já então, muita gente chamou a atenção para as liberdades excessivas tomadas pelo filme em relação ao livro, nomeadamente nas cenas de violência física e sexual inexistentes naquele, bem como para a deturpação do final. No filme, Hayes mata sem querer o chefe dos guardas que o ia violar, veste a farda dele e foge pelo portão principal. Na realidade, Hayes foi transferido para outra cadeia, de onde se escapou.
No passado dia 15, Billy Hayes, agora com 60 anos, foi à Turquia dizer aquilo que já havia afirmado nos EUA em 2004: O Expresso da Meia-Noite é um filme mentiroso, "um bluff", em que quase tudo é inventado, em especial a violência, as torturas e as violações no cárcere.
Convidado pela polícia turca para participar numa conferência sobre segurança em Istambul, Hayes, agora argumentista e produtor, pediu desculpa aos turcos pelos problemas que o filme lhes causou, frisando que "muitas das coisas vistas nele não aconteceram na realidade". Entre elas está a famosa sequência onde Brad Davis, que interpreta Hayes, arranca à dentada a língua de outro preso, informador dos guardas.
Reforçando as suas afirmações à imprensa americana em 2004, quando lamentou que o filme mostrasse "todos os turcos como monstros", e que a mensagem deste devia ter sido "não sejam idiotas como eu fui e não façam contrabando de droga", em vez de "não vão à Turquia", Billy Hayes disse: "Sobretudo, não é justo que em todo o filme não haja um Turco bom, pois até na cadeia onde estive preso os encontrei."
Agora, cinco anos depois de ter expirado o mandato para a sua captura pedido pela Turquia à Interpol, Hayes quer reparar todo o mal que O Expresso da Meia-Noite fez ao país, e vai rodar um filme para o promover internacionalmente.

in DN Online

1 comentário:

Aziz disse...

Afinal era mentira!

Esperamos para ver o que diz o Marco Weiss sobre as prisões turcas.
Germany demands release of boy held in Turkish jail for two months