14 maio 2007

Mais uma gigantesca manifestação secularista


Depois das manifestações em Ancara, Istambul e em outras cidades do Oeste da Turquia, aconteceu ontem em Izmir mais uma gigantesca manifestação de apoio ao Estado secular, que reuniu cerca de 1 milhão de pessoas.
A explosão de uma bomba numa feira, no Sábado de manhã, no bairro Bornova em Izmir, que causou a morte a uma pessoa e feriu outras 16, não impediu a afluência das pessoas, que chegaram também de outras cidades da Turquia, para enviarem uma mensagem clara ao partido do governo, o partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) de tendência islamita.
As pessoas começaram a chegar depois das 9:30 horas locais com bandeiras da Turquia e fotografias de Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da República, proferindo frases contra o partido do governo. Ocuparam toda a Avenida Kordon (Kordon Caddesi), desde a Praça da República (Cumhuriyet Meydanı) até ao porto de Izmir. Os seus cartazes diziam: “A Turquia é secular e vai continuar secular” e “Unam-se”, uma mensagem directa aos partidos de centro-esquerda para unirem as suas forças contra o AKP na eleição que se avizinha.
Esta manifestação foi organizada por mais de 60 organizações não-governamentais, e teve um significado especial para a população de Izmir, a terceira maior cidade da Turquia. Os habitantes de Izmir não gostaram de uma frase proferida pelo primeiro-ministro, que apelidou a cidade de “Gavur [infiel] Izmir”, no ano passado.
Os protestantes também enviaram uma mensagem através dos cartazes: “Não vá de férias antes de 22 de Julho, vote contra o AKP”, reflectindo as preocupações relativas à data das eleições, em pleno Verão e período de férias.
Os edifícios que ladeiam a Avenida Kordon, estavam decorados com bandeiras turcas gigantescas.
O protesto foi organizado no Dia da Mãe, celebrado ontem na Turquia, e os manifestantes gritavam “Viemos com a nossa mãe, onde estás [primeiro-ministro Erdoğan]?”. O primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, durante uma visita a Mersin, uma cidade do Sul da Turquia, disse a um agricultor: “Leve a sua mãe e saia daqui”, quando este se queixava das precárias condições de vida.

Mensagem de coligação para os partidos políticos
Deniz Baykal, líder do Partido Republicano do Povo (CHP), Zeki Sezer, líder do Partido da Esquerda Democrática (DSP), Murat Karayalçın, líder do Partido Social Democrata Popular (SHP) e Doğu Perinçek, o líder do Partido Trabalhista (İP) também participaram na manifestação de ontem. Quando os líderes destes partidos entraram na área da manifstação, a multidão começou a gritar “unam-se!”
Esperava-se que o líder do CHP e o líder do DSP anunciassem uma coligação. Contudo, Baykal, que chegou de barco à manifestação, partiu pouco depois.
O Partido do Movimento Nacionalista (MHP) não compareceu ao encontro. Quando recebeu a informação de que o DSP e o CHP iriam anunciar a sua coligação em Izmir, anunciou que não iria estar presente por a manifestação ser politizada.
Fortes medidas de segurança

A polícia de Izmir esteve de alerta total, especialmente depois da explosão do passado Sábado. De acordo com os organizadores da manifestação, a explosão no Sábado tentou desencorajar a presença das pessoas. Nenhuma organização reivindicou o atentado.
Durante a manifestação, a polícia adoptou fortes medidas de segurança. Fechou o espaço aéreo na área da baía de Izmir. Os manifestantes entraram na área da manifestação por nove pontos de verificação localizados em diferentes partes da cidade e cada pessoa foi revistada pela polícia. Mais de 3 000 polícias estiveram na manifestação.

Apoio dos empresários e industriais

As associações de negócios, que normalmente não estão presentes neste tipo de demonstrações, anularam essa regra em Izmir.
A Associação de Industriais e Empresários do Egeu (ESIAD) também esteve presente na manifestação. O presidente da ESİAD, Mehmet Ali Kasalı, anunciou na semana passada que iriam estar prsentes na manifestação e pediu o a poio de todas as pessoas.

2 comentários:

maria disse...

Acompanho notícias sobre a Turquia, especialmente agora, com manifestações intensas. Entendo que há um temor de que governantes deixem um Estado laico para implantação de um governo com fortes imposições regiliosas. Sei também sobre a histórica atuação de Attaturk. No entanto, não entendo bem a expressão "Estado secular". Poderia me esclarecer?
Obrigada

Lídia Lopes disse...

Estado secular é um Estado laico, não religioso, separado e independente da religião.