06 novembro 2009

Possível visita de Bashir à Turquia gera conflito diplomático entre Ancara e a UE

O presidente turco, Abdullah Gül, informou hoje à União Europeia (UE) nada ter a dizer sobre uma possível visita à Turquia do seu homólogo sudanês, Omar Hassan al-Bashir, procurado pela justiça internacional.
A provável viagem de Bashir a Istambul, durante a próxima semana, para participar na Cúpula da Organização da Conferência Islâmica (OCI) gerou preocupação na Turquia, por se tratar da sua primeira visita a um país estrangeiro desde que uma ordem internacional de detenção foi emitida contra ele.
O Tribunal Penal Internacional (TPI), que emitiu tal ordem de detenção, pediu à comunidade internacional para cooperar na sua captura, mas, tecnicamente, o único obrigado a cumprir essa sentença é o próprio Estado sudanês.
No entanto, hoje, a UE enviou a Ancara uma nota na qual critica a provável e polémica visita, ao mesmo tempo que lembra que a Turquia prometeu actuar de acordo com a linha da União Europeia enquanto durar o processo de negociação para uma eventual adesão deste país ao bloco.
Neste contexto, a UE pede a Ancara que reconsidere a visita de Bashir, acusado de crimes de guerra e de lesa-humanidade em Darfur.
O presidente turco destacou que o seu homólogo sudanês deve viajar no âmbito da conferência da OCI, na qual participam todos os membros dessa organização, a principal instituição muçulmana mundial, e declarou: "todo o mundo deve ver e entender assim".
Se participar da cúpula como se espera, na próxima segunda-feira, esta será a terceira viagem de Bashir à Turquia, após ter sido hóspede de Gül no ano passado e de uma visita não oficial para participar na Cúpula de Países Africanos.

(Fonte: EFE)

05 novembro 2009

Primeiro-ministro e ministro da Saúde confundem Turcos sobre importância da vacina contra a gripe A

A necessidade da população se vacinar contra a gripe A está a gerar polémica na Turquia, dada a diferença de postura entre o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e o seu ministro da Saúde, Recep Akdağ.
Enquanto Akdağ se vacinou em frente às câmaras de televisão para convencer a população a se imunizar contra a doença, Erdoğan, também na televisão, disse que não vai tomar a dose da vacina.
O comportamento destoante dos dois foi capa de vários jornais, que perguntam o que o cidadão comum deve fazer e se o primeiro-ministro e o seu ministro não são capazes de chegar a um acordo sobre a questão.
Até ao momento, a gripe A matou 11 pessoas na Turquia, onde já foram registados cerca de 1500 casos da doença.
Para evitar o alastramento do vírus A H1N1, o ministério da Saúde lançou uma campanha de vacinação destinada aos profissionais da área de saúde e também aos fiéis que nesta época do ano viajam a Meca.
Akdağ também pediu para que "os políticos que apertam mãos 1000 vezes por dia sejam cuidadosos com o contágio do vírus", motivo pelo qual recomendou ao primeiro-ministro e ao presidente da república que se vacinassem.
Ontem, durante um discurso aos deputados do seu partido, Erdoğan contradisse o ministro de forma taxativa: "Não compartilho da opinião do meu ministro a respeito da vacinação. Eu não penso vacinar-me. Ele disse que o presidente e eu nos vamos vacinar [...]. Corrija isto imediatamente", disse Erdoğan, dirigindo-se a Akdağ.
As diferenças entre os dois membros do governo deixaram os Turcos desconcertados, e os partidos da oposição criticaram o primeiro-ministro. "Se a vacina é perigosa, o primeiro-ministro tem de dizer isso à população. Se ele não se vai vacinar, por que é que o governo manda o povo vacinar-se?", questionou Deniz Baykal, líder da oposição.

(Fonte: EFE)

Alunos da Escola Profissional de Setúbal visitaram a Turquia

A reunião do Projecto Comenius “Apanhados na Rede”, que conta com a participação de oito alunos e dois professores da Fundação Escola Profissional de Setúbal decorreu de 23 a 31 de Outubro, em Gaziantep, na Turquia.
Este projecto que visa descobrir a forma mais eficaz de utilizar a internet como ferramenta de aprendizagem, conta também com a participação de alunos da Polónia e República Checa.
Segundo a Escola Profissional de Setúbal existe “uma longa tradição de participação em projectos europeus, proporcionando regularmente aos seus alunos e professores o contacto com outros países, culturas e realidades, o que faz parte da sua formação e de uma educação de abertura ao mundo”.
Contudo, “apesar da vasta rede de parcerias em toda a Europa, é a primeira vez que alunos e professores desta escola participam numa reunião na Turquia, uma experiência enriquecedora, que deu aos alunos a possibilidade de contactarem com outra cultura e com realidades escolares, sociais e geográficas diferentes” acrescentou o estabelecimento de ensino profissional.

(Fonte: O Setubalense)

03 novembro 2009

Gripe A já matou nove pessoas na Turquia

A Turquia registou 1870 casos de Gripe A desde Maio e anunciou ontem três novas vítimas mortais. Aliás, cinco do total de nove mortes aconteceram entre Domingo e ontem.
As autoridades declararam a intenção de vacinar gratuitamente 28 milhões de pessoas. O ministério da Saúde começará a campanha de vacinação por aqueles que trabalham nos serviços de saúde.
Após a confirmação oficial da primeira morte em Ancara, todas as escolas da capital foram encerradas durante uma semana para desinfecção.

(Fonte: Notícias da Turquia/Diário de Notícias)

30 outubro 2009

Comitiva da Turquia visita escola da Madeira

A Escola da torre, em Câmara de Lobos, foi ontem visitada por representantes de vários países, no âmbito do programa “EUPARS – Escola Europeia para Pais”. Na comitiva, estavam representantes de países como a Turquia, Roménia, Reino Unido e França.
O professor responsável pelo programa explicou que o objectivo é o de envolver os encarregados de educação na vida escolar dos seus educandos e colaborar na formação dos próprios pais. Xavier Dias salientou que o projecto tem permitido a realização de diversas iniciativas não só para os pais e alunos, como também para a população em geral, com cursos ou workshops. A procura tem sido positiva, porque, como sublinhou, "nunca é tarde para aprender".
Este é o segundo projecto europeu em que aquele estabelecimento de ensino participa. Actualmente, tem a funcionar dois cursos para pais e jovens do concelho que abandonaram os estudos e que, num período de dois anos, vão concluir o 6.º ou o 9.º ano de escolaridade.
Segundo Xavier Dias, a escola da Torre é a única da região que faz parte do EUPARS, mas no futuro, outros estabelecimentos de ensino
poderão aderir a este tipo de parcerias.

(Fonte: Jornal da Madeira)

28 outubro 2009

Equipas de José Couceiro, Makukula e Neca eliminadas da Taça da Turquia

O Gaziantepspor de José Couceiro foi eliminado da Taça da Turquia depois de ter sido derrotado pelo Denizlispor por 4-1 já depois do tempo regulamentar.
O Kayserispor, onde milita Makukula, também teve a mesma "sorte", sendo vencida por 4-2 pelo Manisaspor já nas grandes penalidades.
O internacional português Neca viu também o seu Ankaraspor ser eliminado. O Português ainda marcou dois golos, mas não conseguiu evitar a derrota por 3-2, frente ao Tokatspor.

(Fonte: O Jogo)

25 outubro 2009

Couceiro perde no terreno do último

O Gaziantepspor, orientado pelo Português José Couceiro, foi este Domingo derrotado por 0-3 no terreno do Sivasspor, que antes desta jornada ocupava o último posto do campeonato turco.
O resultado deixa a equipa de José Couceiro no 12.º posto da classificação, com 12 pontos em 10 jogos, enquanto o Sivasspor deixou o posto de "lanterna vermelha".
O jogo grande deste Domingo foi, no entanto, o "derby" entre Fenerbahçe – Galatasaray, com vitória dos "canários" por 3-1, "bis" do Brasileiro Alex e um do Espanhol Daniel Guiza. O Fenerbahçe fica, por isso, com a liderança reforçada.

Resultados completos da 10.ª jornada:
Kasımpaşa - Denizlispor 3 - 1
Diyarbakırspor - Gençlerbirliği 1 - 0
Sivasspor - Gaziantepspor 3 - 0
Manisaspor - Antalyaspor 1 - 2
Fenerbahçe - Galatasaray 3 - 1
Trabzonspor - Kayserispor 2 - 1 (sexta-feira)
Bursaspor - Istanbul B.B. 6 - 0 (Sábado)
Eskişehirspor - Beşiktaş 0 - 1 (Sábado)

Classificação:
1. Fenerbahçe 27 pts
2. Bursaspor 22
3. Galatasaray 22
4. Kayserispor 18
5. Beşiktaş 18
6. Gençlerbirliği 16
7. Eskişehirspor 16
8. Trabzonspor 15
9. Antalyaspor 15
10. Istanbul B.B. 15
11. Ankaragücü 12
12. Gaziantepspor 12
13. Diyarbakırspor 12
14. Manisaspor 10
15. Kasımpaşaspor 7
16. Sivasspor 7
17. Denizlispor 6

(Fonte: A Bola)

Gripe H1N1: Primeira vítima mortal na Turquia

O ministério turco da Saúde anunciou neste Sábado o primeiro caso mortal de gripe H1N1 na Turquia.
A vítima, um homem de 29 anos, estava hospitalizada em Ancara com suspeita de pneumonia. Acabou por falecer devido a insuficiência respiratória, destacou o ministério.
Análises confirmaram que a vítima era portadora do vírus H1N1. "Trata-se da primeira morte ligada à pandemia de gripe H1N1 no nosso país", informou.

(Fonte: AFP)

Fugirá a Turquia?

Por José Cutileiro

No Domingo passado, o comissário europeu alemão, Günter Verheugen, falando à rádio no seu país disse que a União Europeia precisa mais da Turquia do que a Turquia precisa da União Europeia. "A Turquia é de importância estratégica primordial. Falo da segurança de toda a região. Imagine-se o que aconteceria se a Turquia decidisse tomar caminho diferente do de uma ancoragem firme na comunidade dos estados ocidentais. Seria um muito, muito grande risco para nós que é melhor não correr". Acrescentou que uma adesão turca à União Europeia "teria enorme vantagem para nós, ajudar-nos-ia a regularizar sem conflito as relações entre as democracias ocidentais e o mundo muçulmano do século XXI". Palavras assim, vindas de um responsável da União, são hoje raras. É de esperar que não venham tarde de mais - e que outras figuras europeias de peso digam coisas parecidas.
Porque a crise encurtou as vistas de muitos dirigentes políticos europeus e dos seus eleitores. No mesmo espírito em que se advogam medidas proteccionistas no comércio externo - o que é caminho certo para penúria geral - quer-se proibir a Turquia de entrar na União, com alguns a oferecerem-lhe em vez disso uma 'relação especial' impossível de configurar na prática - juntando assim o insulto à injúria. Sem coragem de serem politicamente incorrectos e admitirem que não querem os Turcos por estes, na sua esmagadora maioria, não serem cristãos mas muçulmanos, preferem declarar que é porque os Turcos não são europeus. Helmut Kohl dizia sempre que no mapa que tinha quando andava na escola a Anatólia era na Ásia. Esquecera entretanto a História: desde meados do século XIX até à sua extinção em 1923, muita gente, a começar pelo czar Nicolau I, chamara ao Império Otomano "o doente da Europa" - e não "o doente da Ásia".
Em Ancara e Istambul esta má vontade de chefes políticos europeus é aproveitada não só por extremistas religiosos mas também por nacionalistas laicos - interessados nas vantagens económicas de uma associação sem as obrigações morais e políticas da adesão - para reforçarem a propaganda antieuropeia no país e faz parecer a entrada da Turquia na União cada vez mais remota. Entretanto, o leque diplomático da 17.ª potência económica do mundo alarga-se para lá da pertença à NATO e da ambição europeia. As relações com a Rússia, seu principal fornecedor de energia, reforçam-se com o acordo recente com a Arménia; a solidariedade islâmica reafirma-se (cancelamento de exercícios militares com Israel por causa de Gaza; acusação de "genocídio" dos iugures por Pequim); a ambição de mediador no Médio Oriente (com a Síria, o Irão, até Israel) mantém-se.
A Turquia levará tempo a satisfazer requisitos cívicos e políticos de adesão. Mas o verdadeiro problema seria se xenofobia europeia e orgulho ferido otomano não deixassem fechar o negócio. Nesse dia Ancara continuaria a ter muito para onde se virar mas a Europa ficaria com um flanco perigosamente aberto.

(Fonte: Expresso)

23 outubro 2009

Sudanês tentou desviar avião que fazia a ligação Istambul-Cairo

Um Sudanês "embriagado" tentou desviar um avião da Egyptair que efectuava a ligação Istambul-Cairo com o objectivo "de libertar Jerusalém"
O homem foi detido por agentes dos serviços de segurança egípcios a bordo do aparelho, segundo um responsável da segurança.
Segundo os primeiros elementos do inquérito, este Sudanês de 26 anos, armado com uma faca que lhe foi entregue na sua refeição em primeira classe, ameaçou a hospedeira sentada ao seu lado meia hora após a descolagem da Turquia.
O homem exigiu que o avião se dirigisse para Jerusalém com o objectivo de "libertar" a cidade, indicou o responsável da segurança no aeroporto do Cairo.

(Fonte: Visão/Lusa)

Maria João Koehler eliminada na Turquia

Maria João Koehler, 543.ª colocada na lista WTA, foi eliminada pela Ucraniana Oksana Pavlova nos quartos-de-final do ITF de Antália-Belek (Turquia), um evento com um prémio de dez mil dólares, ao perder em três sets, com os parciais de 4-6, 6-4 e 3-6.
A Russa, actual 818.ª no ranking mundial, também já tinha sido responsável pela eliminação de Rita Vilaça.
A jovem portuguesa regressa agora a Portugal para disputar, no decorrer da próxima semana, o prémio de 10 mil dólares de Vila Real de Santo António.

(Fonte: Record)

22 outubro 2009

Scolari: "Turquia seria interessante"

Luiz Felipe Scolari considerou "interessante" o cargo de selecionador da Turquia quando confrontado com essa possibilidade.
O interesse em Scolari para o comando da selecção turca, após a saída de Fatih Terin, tem sido falado na Turquia.
O treinador brasileiro acabou de se sagrar campeão no Uzbequistão com o Bunyodkor e tem contrato até Junho de 2010. A Turquia seria para assumir na fase de apuramento para o campeonato da Europa de 2012, que começa em Setembro de 2010.
"Seria interessante, é o tipo de notícia que deixa um treinador mais alegre, honrado. Consideraria analisar a proposta se a recebesse", afirmou Scolari.

(Fonte: Record)

21 outubro 2009

Futures Antalya: Maria João Koehler nos quartos-de-final

Maria João Koehler já está nos quartos-de-final do Futures de Antalya, na Turquia, sendo a única representante lusa na prova. Depois de Rita Vilaça ter sido eliminada pela Ucraniana Oksana Pavlova, pelos parciais de 6-2 e 6-0, Koehler seguiu em frente ao derrotar Inna Sokolova, que havia eliminado a Portuguesa Margarida Mourão.
Apesar de perder no 1.º set por 6-1, a tenista do Porto deu a volta, triunfando nos sets seguintes por 6-4 e 7-5, apurando-se para os quartos-de-final, onde agora espera pela vencedora do encontro entre a Russa Elena Kulikova e a Ucraniana Oksana Pavlova.

(Fonte: Scn)

20 outubro 2009

José Couceiro retirou invencibilidade ao líder Fenerbahçe

José Couceiro viveu uma grande jornada na liga turca. O treinador português, de 47 anos, comandou o Gaziantepspor a um triunfo saboroso sobre o líder Fenerbahçe (2-1), que somava vitórias em todos os jogos disputados. Após um início de época condicionado pelas mudanças no plantel, Couceiro já brilha.
"Foi um triunfo importantíssimo para a equipa. Só fechámos o plantel no final de Agosto devido a saídas inesperadas de três jogadores e a lesão de outro, por isso, vivemos uma fase complicada. Entretanto, reconstruímos o plantel, veio o Jorginho e o Linz e nos últimos dois jogos já mostrámos o nosso valor", explicou o técnico, esclarecendo que, apesar de ter ganho nos últimos minutos, "a vitória é justa".
"Arriscámos sempre muito mais que o adversário e tivemos várias oportunidades para marcar antes deles. Corremos o risco e conseguimos vencer. A equipa está mais confiante depois dos últimos dois jogos", admitiu.

Mais ambição

Para uma equipa que perdeu elementos influentes poucos dias antes do início da liga, a reação está dentro dos parâmetros exigidos e Couceiro tem um objetivo daqui em diante: "Com a chegada do Jorginho e do Linz, atingimos o limite de estrangeiros e só podemos contratar Turcos. Mas agora há plantel. Somos uma formação média mas temos capacidade para jogar de igual para igual com equipas da primeira metade da tabela classificativa."

(Fonte: Record)

19 outubro 2009

Trinta e quatro elementos do PKK entregaram-se às autoridades turcas


Cerca de 30 membros do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), oriundos do norte do Iraque, entregaram-se hoje voluntariamente às autoridades turcas.
Os 34 curdos, entre eles quatro menores, serão agora interrogados pela Promotoria num processo com a participação de 45 advogados de diferentes regiões.
Segundo a Promotoria, os membros do PKK não deverão ser presos e acredita que estes "grupos da paz" sejam transferidos para Ancara para entregarem as suas reivindicações no sentido de contribuirem para uma solução do conflito e se reunirem com parlamentares turcos.
Em função do tratamento dado, mais elementos do ilegalizado PKK podem chegar à Turquia, inclusive do exílio a partir de países europeus.
Os militantes do PKK foram recebidos na fronteira por milhares de Curdos, um acto organizado pelo Partido da Sociedade Democrática (DTP, pró-curdo). De acordo com o presidente do DTP, Ahmet Türk, os milicianos que se entregaram nesta segunda-feira atenderam ao pedido do fundador do PKK, Abdullah Öcalan, para relançar o processo de paz e conseguir uma solução para o conflito. "Seria um erro considerar o facto como uma rendição. Render-se ou ser obrigado a fazê-lo não resolverá o problema curdo", assegurou Türk. "A chegada dos grupos é uma demonstração do que pode ocorrer se Öcalan for chamado a participar nas conversações de paz. Se o Estado dá um passo, o PKK dará dez", assegurou o dirigente curdo.
Vários analistas turcos assinalaram que o facto de hoje fez parte do plano de Ancara, supostamente negociado com Öcalan, para conseguir o desarmamento do PKK, um grupo classificado como terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia.
Por sua vez, o vice-primeiro-ministro turco, Cemil Çiçek, considerou que o episódio desta segunda-feira pode significar o primeiro passo para os rebeldes turcos abandonarem a luta. Apesar do optimismo, Çiçek assegurou: "temos de ser cuidadosos, apesar da rendição destes grupos, continuam a haver milhares de militantes do PKK". O também porta-voz governamental destacou que, "tanto o Governo como o Estado, trabalharam muito para chegar a este ponto".
De notar que o Governo turco está a desenvolver esforços no sentido de uma abertura democrática à etnia curda. A rendição e possível perdão de elementos do PKK é possivel ao abrigo do perdão que Ancara concede aos militantes do PKK que se entregarem de livre vontade e se não for provado que cometeram crimes.

(Fonte: EFE/Notícias da Turquia)

18 outubro 2009

O preço da autonomia estratégica


Os últimos meses mostram que algo de muito interessante se está a passar na concepção e execução da política externa turca.
No início do ano, Recep Tayyip Erdoğan, o primeiro-ministro da Turquia, envolveu-se numa acesa discussão com Shimon Peres, o Presidente de Israel, no Fórum Económico Mundial. Na altura, Erdoğan criticou em termos contundentes a operação militar israelita em Gaza. A discussão acabou com o primeiro-ministro turco a abandonar a sala furioso com Peres e com David Ignatius, o moderador do painel. No regresso a Ancara, Erdoğan foi recebido no aeroporto como um herói por cinco mil pessoas com bandeiras turcas e palestinianas. Seis meses depois, o líder turco voltou à carga. Na altura, o seu alvo foi Pequim e a repressão contra a população uigur na província de Xinjiang. Depois de ter acusado o governo chinês de "selvajaria", Erdoğan deu um passo em frente e acusou Pequim de estar a levar a cabo um "genocídio".
As críticas de Ancara a Telavive e a Pequim mostram a ambição do governo turco de conquistar autonomia estratégica na região que vai da Bulgária até à Ásia Central. O problema é que o uso dos direitos humanos como arma retórica e política põe a nu um incómodo paradoxo.
A Turquia que no início do ano acusou Israel de matar deliberadamente palestinianos é o país que se recusa a aceitar que, entre 1915 e 1918, as tropas otomanas levaram a cabo um genocídio contra a população arménia que terá vitimado pelo menos um milhão de pessoas. A Turquia que criticou a acção das forças policiais e militares chinesas em Urumqi é um país onde não é possível ter uma discussão franca sobre os terríveis acontecimentos que em Setembro de 1922 levaram à destruição da cosmopolita cidade de Esmirna. A Turquia que defende e recebe o Hamas é o país que tem levado a cabo nas últimas décadas uma campanha militar, cultural e política contra a sua população curda e que se recusa a reconhecer e a negociar com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão.
Em 415 a.C, em plena Guerra do Peloponeso, a peça de Eurípides "As Troianas" foi à cena em Atenas. Esta comovente tragédia é um ataque frontal ao horror da guerra e à acção das forças de Atenas na ilha de Melos poucos meses antes. Aquilo que os Atenienses de há dois mil e quinhentos anos foram capazes de fazer em breves meses é um crime na Turquia dos nossos dias. Escrever ou falar publicamente de uma forma franca, céptica ou crítica sobre as questões arménia e curda é o caminho mais rápido para arranjar sérios problemas com a polícia, os militares e os tribunais turcos. Para uma capital tão ambiciosa como Ancara, isto é um problema.
O fosso entre a retórica externa turca e a realidade doméstica chegou ao ponto de ruptura. Se Ancara quer mesmo ter uma política externa credível, caracterizada por um novo tipo de relacionamento com os seus vizinhos regionais, então as coisas têm de começar a mudar na maneira como a sociedade turca olha para a sua história e discute as questões curda e arménia. Duas iniciativas políticas recentes do Governo de ErdoĞan mostram vontade de acabar com o paradoxo turco.
A primeira, anunciada em Julho, envolve a concessão de mais direitos políticos e culturais à população curda. A segunda gira à volta da normalização das relações com a Arménia. Esta normalização é do interesse de Ancara e mudará muita coisa no Cáucaso. A abertura da fronteira com a Arménia diminuirá o papel da Geórgia no trânsito da energia do mar Cáspio em direcção à Europa. A negociação entre a Arménia e o Azerbaijão de uma solução para o problema de Nagorno-Karabakh poderá aumentar a influência de Moscovo em Baku.
O problema de Erdoğan e do seu governo é que estas duas iniciativas serão extremamente polémicas em termos domésticos. A autonomia estratégica e a influência externa têm o seu preço.

(Fonte: Expresso)