17 maio 2009

As duas caras da moderna Turquia

No avião que segue de Istambul para Ancara viajam duas mulheres que simbolizam a Turquia actual: uma oculta o corpo enquanto amamenta um bebé recém-nascido; outra exibe os seios sem pudor numa blusa desabotoada.
O futuro do Estado, explica Can Paker, presidente da Turkish Economic and Social Studies Foundation "dependerá muito da capacidade de conciliar dois principais blocos: o secular e o de orientação islâmica". A Turquia, que Cavaco Silva visitou esta semana, "está numa encruzilhada há mais de 100 anos, mas uma coisa é certa, não se vai desviar do caminho para o Ocidente, porque este faz parte do seu ADN", acrescenta Paker, presidente e director-geral da Henkel Turkey e administrador da poderosa Sabanci Holding. Foi uma aula de política o que Paker deu a um grupo de jornalistas convidados pela Delegação da Comissão Europeia na Turquia para discutir, em Istambul e em Ancara, o processo de adesão da Sublime Porta à UE. "Este país foi estabelecido por uma burocracia civil-militar", explica. "O núcleo era uma elite e o resto camponeses. A população rural tornou-se uma classe média que se foi desenvolvendo ao mesmo tempo que a classe média da elite. O que se assiste actualmente é a uma luta de classes, não de género marxista, mas entre duas classes médias apostadas em beneficiar da prosperidade económica. "O duelo islamismo versus secularismo é, sobretudo, uma fachada", comenta Paker. Com o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, pró-islamita) a dominar o Parlamento, o Governo e a Presidência da República, o poder dos militares (a velha classe média) está a diminuir, porque aumentaram as pressões da sociedade civil e da União Europeia. O AKP, a nova classe média, "sabe que não se pode desviar da Europa" porque isso significará "o regresso da velha elite" que, neste momento, se encontra "em muito mau estado", frisa Paker. O Partido Republicano do Povo (CHP), de Deniz Baykal, "deixou de ter qualidades para deter o poder - não tem uma política económica, não tem perspectivas de política externa, só existe como protector do secularismo - é o seu argumento exclusivo. A única oposição que a Turquia enfrenta é a da União Europeia e das ONG. O AKP não enfrentará adversários enquanto satisfizer a nova classe média", que não tem vergonha nem medo de assumir religião e tradições.
Hakan Altinay, director da Open Society Foundation, admitiu que "há uma guerra cultural entre seculares e religiosos", mas, para a Europa, "os secularistas são agora o lado mau, enquanto o AKP está no campo dos bons". Apesar de todos os cidadãos "ainda não terem direitos iguais, de haver suspeitas de favorecimentos ilícitos e de outras falhas", Altinay salienta que algumas das reformas adoptadas por pressão da UE nunca pensou vê-las concretizadas no seu tempo de vida. Exemplos: a abolição da pena de morte e prisão perpétua para crimes de honra; uma televisão e uma rádio, escolas e universidades em língua curda; um chefe de Estado (Abdullah Gül) eleito apesar de um ultimato dos militares; uma mulher com veú islâmico no palácio presidencial (a primeira-dama); a exigência de estudos superiores para ingressar na polícia e no exército. Conclusão de Altinay: "A Turquia torna-se uma sociedade melhor à medida que se aproxima mais dos valores da União Europeia".

Moderna e europeia

Hugh Pope, analista do Think Tank International Crisis Group, realça que "a Turquia já é uma sociedade modernizada mas aspira a mais: quer ser europeia". Não lhe interessa ser um Estado árabe. "E não se pode voltar ao faz-de-conta: a Turquia fazer de conta que entra; a UE fazer de conta que aceita". Este ano é decisivo. Dilek Kurban, professora de Direito na Universidade de Boğaziçi, constata que "a UE está a discutir a sua identidade através do processo de adesão da Turquia. O que é ser europeu? Interessante, porque os muçulmanos já lá estão e não vão desaparecer". Embora critique o AKP por não ter ainda eliminado a discriminação de que continuam a ser alvo as minorias, incluindo os muçulmanos alevitas, como ela, Kurban reconhece que já foi percorrido algum caminho. A televisão curda, por exemplo, "foi uma boa ideia, apesar de ter chegado com dez anos de atraso", o que permitiu aos separatistas do PKK fazer a sua propaganda através de emissoras no exterior.

Que civilização?

Paker, Altinay, Pope e Kurban depositam agora grandes esperanças na revisão da Constituição, que garantirá mais direitos e liberdades, e no desfecho do processo Ergenekon - nome de uma organização clandestina, que incluiria generais, juízes, políticos e jornalistas, alegadamente envolvida numa conspiração para derrubar o Governo. "Nos anos 90, estas pessoas, ligadas ao Exército, matavam nacionalistas curdos e agora estão na cadeia", diz Hugh. "Eu acredito que será investigado o que se passou no Sudeste da Anatólia, que valas comuns serão abertas e que os responsáveis serão castigados", confia Kurban. Na sede do CHP, o partido criado por Mustafa Kemal Atatürk, a decepção é visível no rosto envelhecido de Onur Öymen, o vice-presidente, de voz e mãos trémulas. "Não podemos defender os nossos valores desde que o AKP governa sozinho [foi um terramoto político a primeira vitória eleitoral que dispensou uma coligação], por isso pedimos ajuda aos nossos amigos europeus para travar as ameaças ao secularismo. A Turquia não pode entrar na UE se não for uma república secular." Sobre o caso Ergenekon, denuncia escutas ilegais e detenções sem culpa formada. "Este é o mais grave processo em curso na Turquia", queixa-se. "Ninguém sabe quando e como vai acabar." Öymen não parece ver nada de positivo nas políticas do AKP: acusa-o de limitar a liberdade de imprensa, critica a aproximação à Arménia (porque "hostilizou o aliado Azerbaijão") e condena as boas relações com o Irão, o Sudão e o Hamas. Opõe-se também à participação da Turquia na Aliança das Civilizações. "Que civilização?", interroga. "Não fazemos parte da mesma, ou deixámos de ser europeus para ser islâmicos?"

(Fonte: Público)

16 maio 2009

Turismo de Estado na Turquia

Cavaco Silva terminou esta sexta-feira visita à Turquia. Último dia foi dedicado à ímpar paisagem da Capadócia

A primeira-dama ficava angustiada de cada vez que, nas várias conversas em família sobre a Turquia, alguém mencionava a palavra Capadócia. Sempre teve o desejo de conhecer aquele templo de uma civilização milenar, onde abundam vales pontuados por torres de pedras.
O marido e Presidente da República, Cavaco Silva, fez-lhe a vontade e, seis anos volvidos da primeira visita do casal àquele país, levou Maria a conhecer as ímpares formações rochosas da antiga província romana, em Nevşehir.
O sol não deu tréguas. Antes de entrar numa das centenas de "cavernas" formadas no séc. IV por um povo que se protegia assim dos ataques do inimigo, o chefe de Estado luso tirou a gravata vermelha, que fazia "pendant" com o casaco da mulher. Acto contínuo: os engravatados da comitiva sentiram-se autorizados a imitá-lo. Do outro lado da rua, Peter, louro polaco de visita à Turquia com os pais, perguntava: "Quem é que está aí?". Informámo-lo. Não conhecia. "De Portugal só conheço os clubes de futebol (pena o F.C. Porto não ter ganho aquele jogo contra o Manchester...), o vinho e o clima, ameno". A partir de ontem ficou a conhecer também o Presidente da República.
Já sem o casaco, o casal Cavaco Silva iniciou a subida até à Dark Church, trocando em Francês as dúvidas sobre aquela paisagem lunar que serviu de cenário ao filme "Guerra das Estrelas". A segurança distraiu-se e um rebanho de turistas espanhóis furou o perímetro. "Somos Espanhóis! Espanha!", atirou uma cidadã de sangue quente. "Portugal!", ripostou, pronta, a primeira-dama. Mas o grupo de turistas não ficou satisfeito com este Portugal-Espanha em vocábulos e um dos homens cometeu a ousadia de tentar beijar Maria Cavaco Silva. Que demonstrou ter grandes reflexos: ergueu o braço e afastou o "invasor". "Cuidado...", alertou, dirigindo-se ao segurança pessoal.
"Eles cozinhavam nestas casas? Havia chaminés?", pergunta depois ao guia a primeira-dama. "Não havia chaminés, uma vez que os odores eram absorvidos pela pedra". Começa, então, a procissão do "cuidado com a cabeça", a comitiva agacha-se para caber nos reentrâncias que não terão mais de um metro de altura, e desagua mesmo em frente a três simpáticos londrinos, derretidos com o calor e com o espectáculo. "Estamos com muita sorte. Há três dias, cruzámo-nos com o governador da Anatólia, hoje [ontem] com o Presidente português. Se ficarmos mais uns dias ainda cumprimentamos o Obama", gracejou Margaret, antiga jornalista na reforma.
Passo lesto até à Dark Church, o mesmo (e baixo) problema de acesso ao local-símbolo desta região formada por meia dúzia de cidadelas e vilas, que dista 700 quilómetros de Istambul. Há muitos anos, foram "erguidas" na pedra quatro igrejas, que funcionavam como "escolas da fé", explicou, depois, aos jornalistas, o Presidente da República. "Senti-me a fazer uma viagem no tempo", confessou ainda.
O mesmo não poderá dizer a esmagadora maioria dos Portugueses, sem orçamento para poder sentir o ar abafado das cavernas onde viviam os cristãos em fuga e tirar fotografias com vista para as chamadas "chaminés de fada", formações rochosas que se assemelham a cogumelos. "Não está ao alcance de todos os Portugueses, mas há muitos Portugueses que visitam a Turquia", assegurou o chefe de Estado, torneando, desta forma, uma pergunta directa sobre os mais recentes números negros do PIB e do desemprego. "Tenho-os na minha algibeira, mas na algibeira do casaco". O casaco tinha ficado na camioneta.
Tempo ainda para ficarmos a saber que a primeira-dama não conseguiu levar um "souvenir" para os dois netos e que só comprou uma lembrança para a neta de 13 anos, prestes a celebrar mais um aniversário. "Faço um balanço positivo desta visita", afirmou Maria Cavaco Silva. E o que lhe pareceu o facto de a sua congénere turca usar um véu a tapar a cabeça? "Isso é um problema da primeira-dama, não meu. Eles discutem muito isso, mas eu como visitante e mulher do Presidente não vou comentar".
Enquanto isso, Cavaco esperava, braços cruzados, que os holofotes mediáticos se virassem de novo para ele. Os jornalistas turcos já estavam com os microfones em riste.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Gripe A H1N1: Turquia confirma os primeiros casos

A Turquia seguiu-se hoje à Índia, confirmando os primeiros casos de Gripe A H1N1, todos envolvendo passageiros que chegaram ao país vindos dos Estados Unidos.
São agora 38 os países com casos confirmados desta nova estirpe de gripe. Segundo a Organização Mundial de Saúde, há 8451 casos em todo o mundo, e 72 mortes, a maioria no México.

Os dois primeiros casos identificados na Turquia são de um casal: um homem norte-americano e a sua mulher iraquiana. Estavam de regresso dos EUA e viajavam para o Iraque, mas pararam em Istambul, e foi aí que se detectou que o jovem de 26 anos tinha febre alta. A mulher, perceberam depois as autoridades, também está infectada. O casal foi colocado em quarentena e quase todas as pessoas que viajaram no mesmo voo estão a ser seguidas.

(Fonte: Público)

Turquia confirmou o primeiro caso de Gripe A H1N1

A Turquia confirmou o primeiro caso de gripe A H1N1 no país num Norte-americano que chegou ao aeroporto internacional de Istambul vindo dos Estados Unidos e pretendia viajar para o Iraque, anunciou hoje o Governo de Ancara.
O homem infectado entrou quinta-feira passada na Turquia através do aeroporto de Istambul procedente dos Estados Unidos e após uma escala em Amesterdão, Holanda, indicou o Ministério turco da Saúde. Foi sujeito a análises clínicas depois de "câmaras térmicas" lhe terem detectado uma febre alta.
"O doente foi hospitalizado [em Istambul] e mantido em quarentena juntamente com a sua família, composta por seis pessoas. O seu estado é satisfatório", afirmou o ministro turco da Saúde. Os passageiros do avião em que o homem viajou e outras pessoas com quem esteve "em contacto" estão a ser seguidas por médicos do ministério da Saúde, acrescentou .
A Turquia instalou 27 câmaras térmicas nas suas fronteiras e aeroportos para detectar viajantes com eventuais sintomas de gripe A H1N1.
O novo vírus da gripe já contaminou mais de 7500 pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.

(Fonte: Expresso/Lusa)

15 maio 2009

Anibal e Maria Cavaco Silva admiram maravilhas da região da Capadócia


O Presidente da República terminou a deslocação oficial à Turquia com um passeio pela região da Capadócia. Cavaco Silva cumpriu assim no final da visita de Estado o sonho da sua mulher de conhecer um dos principais destinos turísticos turcos.
A região da Capadócia é uma região lendária e uma das principais atracções turísticas da Turquia, pelo que há muito despertava o interesse do casal presidencial.
"Vim uma vez à Turquia e lembro-me que andávamos por aqui e às vezes punha o nariz em baixo e dizia: ‘Eu queria era estar na Capadócia. Eu queria era ir à Capadócia'. Dessa vez não foi possível mas o meu marido fixou que eu tinha essa fixação na Capadócia. A minha filha já dizia: ‘Ó mãe, cala-te com a Capadócia'", confidenciou aos jornalistas Maria Cavaco Silva.
"Visitar a Capadócia era desde há muito tempo um sonho da minha mulher. E depois de ler alguns livros sobre a Capadócia, eu próprio comecei a sentir-me atraído por esta parte da Turquia", concedeu Cavaco Silva, considerando que "é de facto extraordinária".
A Capadócia é património da Humanidade. Trata-se de uma região onde se cruzam séculos de história, com uma paisagem que mistura a beleza natural com a obra do homem, onde despontam capelas escavadas pelos primeiros cristãos nas rochas.
"Mas o que espanta mais é como homens e mulheres do século IV construíram aldeias e vilas escavando estas rochas para salvar a sua vida perante os ataques dos inimigos mas também para defender a religião", sublinhou o Presidente da República, que teve ainda tempo de apreciar frescos pintados há centenas de anos.
No final da visita, o casal presidencial dava a experiência como gratificante, tendo Maria Cavaco Silva admitido que foi excedida a "expectativa, porque lia os livros, via as fotografias, mas não é a mesma coisa".
Com a visita a rematar a deslocação de Estado à Turquia, o Presidente Cavaco Silva e a primeira dama tornam a Portugal deixando a promessa de um regresso ao país.

(Fonte: RTP)

Cavaco Silva 'despede-se' da Turquia cumprindo o sonho da mulher: visitar a Capadócia

Cavaco Silva 'despede-se' da Turquia cumprindo o sonho da mulher: visitar a Capadócia Foto: Presidência

O Presidente da República terminou hoje a sua visita de Estado à Turquia com uma breve deslocação à região da Capadócia, um dos principais destinos turísticos do país, cumprindo assim um sonho da mulher, Maria Cavaco Silva.
"Visitar a Capadócia era desde há muito tempo um sonho da minha mulher e, depois de ler alguns livros sobre a Capadócia, eu próprio comecei a sentir-me atraído por uma visita a esta parte da Turquia", afirmou, depois de visitar o museu ao ar livre e a Igreja Tokali.
Elogiando a paisagem da região - constituída por rochas de origem vulcânica formadas há mais de dois milhões de anos -, o chefe de Estado chamou a atenção para as casas que foram construídas nestas rochas durante vários séculos como forma de defesa dos cristãos contra os ataques romanos e árabes.
"O que espanta mais é como homens e mulheres no século IV construíram aldeias, vilas, escavando estas rochas para salvar a sua vida perante os ataques dos inimigos mas também para defender a religião", salientou.
No final desta sua visita de quatro dias à Turquia, Cavaco Silva voltou a deixar um desafio para uma maior cooperação económica entre os dois países, nomeadamente no sector do turismo.
"Tenho a informação que muitos Portugueses visitam a Capadócia (...) Gostaria que mais Turcos visitassem Portugal", apelou, lembrando que a Turquia recebe mais de 20 milhões de turistas por ano e Portugal metade desse valor.
Depois de almoçar com o Governador da província de Nevşehir, o Presidente da República termina a visita com um passeio pelos vales Zelve Pasabag, Red Valley e Pigeon Valley, regressando a meio da tarde a Lisboa.

(Fonte: Expresso/Lusa)

Turco que tentou matar Papa não pode ser Português

Não há qualquer possibilidade de o Turco Ali Ağca, que tentou matar o Papa João Paulo II no Vaticano, em 1981, obter a nacionalidade portuguesa.
"Um estrangeiro que não resida legalmente em Portugal e que não conheça a língua portuguesa só pode ter acesso à nacionalidade portuguesa em situações muito excepcionais, quando tenha prestado serviços muito relevantes ao Estado português ou à comunidade nacional. Manifestamente não é o caso", justificou, citado pela Lusa, o titular da pasta da Presidência, no final da reunião do Conselho de Ministros. Pedro Silva Pereira advertiu, ainda, que, até ao momento, "Ali Ağca não apresentou formalmente um pedido de acesso à nacionalidade portuguesa", embora tenha "manifestado interesse nesse sentido". O Turco fez, porém, várias diligências, "quer por si próprio, escrevendo às autoridades portuguesas, quer através de um seu advogado", que se reuniu com o embaixador português em Ancara. Porém, horas antes, o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros tinha dito, em Istambul, na Turquia, que não tinha qualquer conhecimento oficial da situação. "Tudo é possível, hoje em dia nada me surpreende, tudo é possível", reconheceu Luís Amado.
Ali Ağca, que tentou assassinar o Papa João Paulo II na Praça de São Pedro, no Vaticano, a 13 de Maio de 1981 - e que se encontra preso na Turquia - tinha pedido, no ano passado, a nacionalidade polaca, justificando que queria passar o resto da vida no país de origem do anterior Papa.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Todos os gasodutos vão dar à Turquia

Todos os gasodutos vão dar à Turquia(Foto: Presidência)

A menos de 24 horas de terminar a sua visita oficial à Turquia , o Presidente da República antecipou o balanço final, numa conferência de imprensa realizada, na tarde de quinta-feira, em Istambul.
O Expresso quis saber se Cavaco Silva tinha recebido garantias das autoridades turcas em como o Projecto Nabuco não será usado como arma política se o processo negocial com a União Europeia não evoluir favoravelmente para os Turcos.
"Encontrei aqui um espírito muito mais positivo do que aquele que eu trazia. Não posso dizer que me foi dada uma segurança muito forte de que se avançará rapidamente numa decisão que permita a construção desse gasoduto", disse o Presidente. "Mas isto é a demonstração de que a Turquia tem uma mais valia que a Europa não pode ignorar".
O Nabuco é um "pipeline" que visa o transporte de gás natural desde o Cáucaso até à Europa Central. O projecto, ainda em fase de negociação, visa acabar com a dependência da Europa em relação ao gás natural proveniente da Rússia. "Parece que tudo converge para um gasoduto central, aqui na Turquia", disse o Presidente.
No encontro com os jornalistas portugueses, o Presidente fez um balanço da sua deslocação à Turquia. "Esta visita excedeu claramente as minhas expectativas. Fomos recebidos verdadeiramente como amigos". Para Cavaco Silva, houve gestos por parte das autoridades turcas "que Portugal deve saber capitalizar".
Em primeiro lugar, o Presidente destacou o convite que lhe foi feito para discursar na Grande Assembleia Nacional - uma honraria que nos últimos 20 anos só foi concedida a quatro chefes de Estado.
Em segundo, a condecoração com que foi agraciado - Devlet Nişanı - e que é a mais alta do Estado turco. E, por último, o facto do Presidente da Turquia, Abdullah Gül , ter viajado propositadamente desde Ancara até Istambul para estar presente na inauguração de uma exposição de pintura portuguesa.
No seu último dia de visita, o Presidente da República desloca-se à Capadócia. A chegada a Lisboa está prevista para cerca das 18 horas de sexta-feira.

(Fonte: Expresso)

Cavaco Silva afirma que a visita excedeu as suas expectativas

A visita de Cavaco Silva não podia acabar de melhor maneira com o anúncio de que o BCP deverá manter a sua operação na Turquia e de que está disposto, com a ajuda do Governo, a investir 600 milhões de euros na sua rede bancária. Um negócio num mercado de 70 milhões de habitantes, em que a média de idades é de 28 anos, e uma ponte para o mercado turcófono, constituído por sete países vizinhos, com 200 milhões de habitantes. A visita de Cavaco Silva, que acaba hoje, foi marcada por uma enorme sedução de parte a parte.
O apoio inequívoco de Lisboa à adesão da Turquia, numa altura em que tanto Sarkozy quanto a senhora Merkel vetam a sua entrada, foi o mel que permitiu a Cavaco Silva ser recebido como um amigo, com manifestações políticas raramente vistas na diplomacia de Ancara, e que poderão ter como moeda de troca uma abertura do mercado turco a produtos e empresas portugueses. No campo dos negócios, a situação não ficou apenas no domínio das intenções. Além de o BCP ficar na Turquia, mais contratos ficaram praticamente apalavrados no domínio dos medicamentos – com o grupo Bial, de Luís Portela, à cabeça – e das energias renováveis.
Cavaco Silva responde assim ao facto de a Turquia ter sido esquecida nos últimos dez, 15 anos. Algo que não aceita nem compreende. E compara com o exemplo da Rússia, que mereceu uma atenção intensa nos últimos anos e que não reúne, nem de perto, na opinião do Presidente, as condições da Turquia.

"OLHEM PARA DURÃO BARROSO"

O presidente da República Cavaco Silva foi ontem à Universidade do Bósforo falar a dezenas de alunos e professores da experiência portuguesa de adesão à União Europeia.
No ar, obviamente, pairava uma certa desilusão com as recentes posições francesas e alemãs, que recusam a entrada da Turquia.
Isso mesmo referiu ao Presidente português um professor de Economia, que respondeu à boa maneira de Cavaco Silva: "Isso é retórica. Até às eleições europeias de 7 de Junho não liguem à retórica dos políticos." Em resposta, Cavaco Silva aconselhou os Turcos a olharem, isso sim, com muita atenção, "para o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, que foi meu ministro dez anos".
No final, Cavaco Silva considerou que a visita "excedeu as expectativas".

PORMENORES

GRANDE BAZAR

Cavaco Silva e a mulher foram ver o Grande Bazar de Istambul. Tomaram chá, e o Presidente deu alguns euros a Maria Cavaco Silva para as compras.

INSTALADO NUM PALÁCIO

Cavaco Silva e a comitiva estão distribuídos por três hotéis de Istambul. O do Presidente, Hotel Cirağan, mesmo junto ao rio Bósforo, é uma grande maravilha. Já foi um palácio e está tudo dito.

FÉRIAS NA CAPADÓCIA

Antes de partir para Lisboa, Cavaco Silva passa umas horas, poucas, na Capadócia. Uma ‘exigência’ dos Turcos, que não queriam deixar o Presidente português partir sem visitar uma das suas melhores regiões turísticas.

120 PESSOAS

A comitiva presidencial tem cerca de 120 pessoas. Conselheiros, convidados, empresários, seguranças, bagageiros e jornalistas.

(Fonte: Correio da Manhã)

14 maio 2009

MNE desconhece qualquer pedido do Turco Ali Ağca

O Governo português não conhece o suposto pedido de Ali Ağca para adquirir nacionalidade portuguesa. O homem que tentou assassinar João Paulo II, o Turco Ali Ağca, fez saber, através do advogado, em entrevista ao jornal "La Repubblica" que quer obter nacionalidade portuguesa. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, presente na Turquia, diz desconhecer a intenção do Turco.



(Fonte: Antena 1)

Cavaco Silva pede mais investimento português na Turquia

O Presidente da República considerou esta tarde que Portugal não tem prestado a devida atenção à Turquia como destino de exportações, e que é preciso mais investimento português no país. Cavaco Silva não quis comentar as negociações do Governo com a COSEC com vista à compra da empresa especializada em seguros à exportação, mas admitiu a intervenção do Estado na Economia. O Chefe de Estado esteve esta quinta-feira com alunos universitários turcos, aos quais apresentou o sucesso da experiência de Portugal na União Europeia ao longo dos primeiros dez anos depois da adesão.




(Fonte: Antena 1)

Decisão do BCP sobre Turquia permanece em aberto

O Millennium BCP mantém em aberto a questão da possível venda da operação na Turquia, segundo informação dada ao mercado pela instituição financeira e declarações feitas esta segunda-feira pelo presidente.
Depois de o presidente da AICEP, Basílio Horta, ter dito hoje que a agência está disponível para ajudar o BCP caso decida manter os balcões que tem na Turquia, o banco, sem comentar as declarações, remete para a informação dada recentemente, de que o processo está em aberto, em fase de cedência de informação a potenciais interessados.
O presidente do Millennium BCP reiterou segunda-feira, numa conferência de imprensa, que o banco só vai vender os activos que detém na Turquia "quando isso for bom para os accionistas", sublinhando que não tem pressa.
O BCP anunciou em final de Janeiro, em comunicado ao mercado, que estuda a eventual venda do Millennium bank da Turquia, tendo iniciado, "com o apoio de consultores externos, um processo de aferição de diferentes opções, incluindo a de eventual alienação da participação".
Já posteriormente Carlos Santos Ferreira disse que o processo estava "na fase de due deligence", ou seja, de cedência de informação a interessados.
Explicando as razões pelas quais o banco está a analisar a eventual venda deste activo, disse que, sendo "uma boa operação, embora pequena", para não perder valor, exige "investimentos". Coisa que, segundo o presidente do Millennium BCP, "não parece prudente fazer neste momento".
Basílio Horta disse hoje ter "ouvido dizer que o BCP estaria a repensar a sua decisão de sair da Turquia" e que "se isso se vier a confirmar, é uma excelente notícia para Portugal", tendo tido "ocasião de dizer ao administrador do banco que pode contar inteiramente" com o AICEP.


(Fonte: Diário Digital/Lusa)

Basílio Horta optimista quanto a novos negócios entre Portugal e a Turquia

Portugal pode crescer mais nas exportações para a Turquia e no investimento também, diz Basílio Horta, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo (AICEP).

Basílio Horta acredita que ainda há muito espaço para trocas comerciais entre os dois países, apesar da instabilidade política na Turquia.
Esta manhã, em Istambul, os empresários portugueses que acompanham o Presidente da República nesta visita, participaram no seminário económico.
Portugal contabiliza 220 milhões de euros de exportações e o número pode aumentar, acredita o presidente da AICEP. “Temos que ter a consciência de que a Turquia é um grande mercado, mas difícil, que temos de trabalhar intensamente. Até agora, temos vindo a subir as exportações, mas a um ritmo ainda modesto e a verdade é que a Turquia não tem investido nada em Portugal”, diz Basílio Horta.
O apelo ao investimento em Portugal já tinha sido deixado por Cavaco Silva, que garantiu que o nosso país é estável.

(Fonte: Rádio Renascença)

AICEP disponível para ajudar BCP na Turquia

O presidente da AICEP, Basílio Horta, afirmou hoje que a agência está disponível para ajudar o BCP caso o banco decida manter os balcões que tem na Turquia, uma hipótese que considera viável.
"Ouvi também dizer que o BCP estaria a repensar a sua decisão de sair da Turquia. Se isso se vier a confirmar, que o BCP se mantém na Turquia, é uma excelente notícia para Portugal", afirmou Basílio Horta, questionado pelos jornalistas.
O presidente da AICEP reconheceu que numa altura em que Portugal está a alargar o mercado com a Turquia "não seria o melhor momento" para que o único banco português com balcões abertos na Turquia saísse do país.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Cavaco Silva classifica objecções da França e Alemanha à adesão turca à UE como "retórica" eleitoral

O Presidente da República português pediu hoje às autoridades turcas para que desvalorizem as recentes objecções dos líderes da França e Alemanha à adesão do país à União Europeia, lembrando que foram proferidas em vésperas de eleições europeias.
"Por favor não olhem muito para o que está a ser dito agora na véspera das eleições europeias. Nestes momentos, há sempre uma retórica, muita retórica por vezes", afirmou, numa conferência na Universidade do Bósforo sobre a experiência portuguesa de adesão à UE.
No Domingo, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, uniram vozes contra a ideia de uma Europa sem fronteiras e contra a adesão da Turquia à União Europeia.
Na 'aula' na Universidade do Bósforo, o Presidente fez um balanço dos primeiros 15 anos da integração europeia, deixando de fora a última década.
"Pensei que devia trazer aos Turcos aquilo que foram os anos de claro sucesso da integração europeia e não valia a pena trazer os problemas que resultaram de uma união monetária", justificou mais tarde aos jornalistas.
Na mesma conferência, e questionado por um professor da audiência se a religião maioritariamente muçulmana na Turquia poderia ser um obstáculo à adesão, Cavaco Silva respondeu negativamente, posição que reiterou em conversa com os jornalistas.
"Os critérios do alargamento são os critérios de Copenhaga, a identidade cultural dos povos, a religião que maioritariamente professam não faz parte desses critérios", sublinhou.
"Não me recordo que algum líder europeu tenha afirmado que a religião é um obstáculo à adesão da Turquia à União", disse.
Por outro lado, o Presidente apontou como obstáculo à adesão turca o impasse no protocolo de Ancara - segundo o qual a Turquia deveria estender a união aduaneira a Chipre até ao final do ano - apelando a que a Turquia prossiga o esforço das reformas.
"Esperemos que o espírito reformista não esmoreça", afirmou.
Num balanço desta visita de Estado à Turquia, que termina sexta-feira, o Presidente da República considerou que esta "excedeu claramente" as suas expectativas.
"Fomos recebidos verdadeiramente como amigos e há alguns gestos que Portugal deve saber capitalizar", disse, referindo-se ao facto de lhe ter sido atribuída a mais alta condecoração da República da Turquia e de ter sido um dos poucos líderes políticos estrangeiros a discursar na Assembleia Nacional.
Questionado se retribuiu o convite ao Presidente turco para visitar Portugal, Cavaco Silva disse que já transmitiu a Abdullah Gül que "esperava poder recebê-lo" no nosso país, uma matéria que irá ser tratada agora por via diplomática.

(Fonte: Lusa/Expreesso)

Cavaco Silva em Istambul, entre um chá, compras no bazar e um seminário económico

Cavaco Silva em Istambul, entre um chá, compras no bazar e um seminário económico Foto: Presidência

Uma manhã em Istambul dividida entre um passeio, sem compras, no Grande Bazar, e um discurso aos empresários com um apelo a investimentos comuns de empresários portugueses e turcos.
O Presidente Cavaco Silva e a mulher começaram o dia por uma visita ao Grande Bazar, com mais de 4000 lojas. Momento para um chá, acompanhado pela comitiva, interrompendo o bulício das compras de milhares de turistas. Depois do chá, Maria Cavaco Silva foi às compras e o Presidente foi “para o trabalho” – o seminário económico, com centenas de empresários, portugueses e turcos, num hotel junto ao Bósforo. Sorridente, Cavaco disse que não ia fazer compras, mas que a mulher, Maria Cavaco Silva, tinha ficado no bazar “com o pensamento” nos filhos e nos netos e que não sairia dali sem algumas compras para eles. “Disse-me ‘vai para o teu trabalho, para o seminário económico, que eu vou às compras’”. Cavaco que confessa não ter jeito para as compras não foi no “grupo das compras”, mas deu euros à mulher: “Deixei-lhe, não o cartão de crédito, mas euros. Acho que aqui aceitam euros, Istambul vai ser Capital Europeia da Cultura em 2010”. Do outro lado do rio estavam já à espera do Presidente os empresários portugueses e turcos, para encerrar o seminário sobre oportunidades de negócio entre os dois países. Sem nenhum negócio concluído ou anunciado, Cavaco Silva apelou a um maior investimento dos dois países. A um nível comparável “às boas relações políticas” entre os dois países. “Desafio e encorajo as empresas turcas a trabalhar com as suas congéneres portuguesas no desenvolvimento de projectos comuns”, como na área do turismo. E deu o exemplo da CIMPOR, que fez “um dos maiores investimentos de raiz não financeira jamais executado na Turquia”, de cerca de 710 milhões de euros. Além disso, Portugal tem a vantagem para a Turquia de poder ser uma “ponte” para outros mercados, como África e Brasil.

(Fonte: Público)