13 maio 2009

Maria Cavaco Silva assistiu a aula de Português na Universidade de Ancara

Maria Cavaco Silva assistiu a aula de Português na Universidade de Ancara

O Presidente da República parte hoje para Istambul, no segundo dia da visita de Estado à Turquia, com uma agenda cultural que termina com a inauguração de uma exposição sobre Lisboa e com o fado de Kátia Guerreiro.
Esta jornada cultural de Cavaco Silva já se adivinhava, sobretudo depois da passagem, ontem, de Maria Cavaco Silva pela Universidade de Ancara, onde uma turma aprende Português há três meses."É a maior alegria que eu posso ter: ver jovens na outra ponta da Europa a tentar aprender a minha língua, a língua de grandes poetas", afirmou Maria Cavaco Silva.
Na Universidade de Ancara, a mulher do chefe do Estado assistiu à assinatura de um protocolo entre este estabelecimento de ensino e o Instituto Camões com o objectivo de criar um curso de Minor em Estudos Portugueses e manter o Leitorado de Língua e Cultura Portuguesa na universidade turca. Em seguida, Maria Cavaco Silva assistiu a uma aula do Leitor Tiago Paixão que, desde Fevereiro, desenvolve com um grupo de 45 alunos um projecto com "novíssimos poetas portugueses". "O objectivo do projecto é fazer chegar às mãos dos leitores turcos aquilo que de mais recente se faz em poesia em Portugal", explicou um dos alunos, num Português lido mas compreensível. Todos os meses o Leitorado edita uma publicação que, em cada número, apresenta um novo poeta português. Dentro de dois ou três anos, será publicada uma antologia em livro, a primeira de poesia portuguesa na Turquia, com nomes como José Luís Peixoto, Paulo José Miranda, Catarina Nunes de Almeida, Rui Alberto, entre outros. "Sinto-me mais rica e emocionada e felicíssima por vos ouvir falar tão bem dos nossos poetas. O enriquecimento para todos vós é muito grande, porque aprender uma língua nova é entrar também num mundo novo que está aberto a todos", referiu. O pouco tempo de aulas ou a timidez dos alunos fez com que ainda não conseguissem responder ao apelo de boas vindas de Maria Cavaco Silva. Ou, pelo menos, em Português. Ainda assim, no final da aula, e questionados se entenderam as suas palavras, Maria Cavaco Silva ouviu um "sim" em coro, que disse enchê-la de orgulho. "Não como mulher do Presidente da República, isso é apenas um acidente de percurso, mas para a professora que eu fui a minha vida inteira", salientou.

(Fonte: Rádio Renascença)

12 maio 2009

Cavaco Silva: Apoio inequívoco à adesão da Turquia à UE

Um apoio inequívoco à adesão da Turquia à União Europeia. Foi esta a mensagem fundamental deixada por Cavaco Silva, esta terça-feira à tarde, no Parlamento de Ancara, na Turquia.
No primeiro dia da visita oficial, o Presidente da República Portuguesa falou aos deputados turcos, uma honra concedida até agora apenas a quatro chefes de Estado. O último foi o Presidente dos EUA, Barack Obama, no passado mês de Abril.
O Presidente português defendeu que a saída para a crise está na economia de mercado. Cavaco pediu também ao Governo e ao povo turcos que se empenhem no processo de reformas e de adaptação à legislação comunitária para uma futura adesão à União Europeia.
O chefe de Estado português fez votos para que as dificuldades que impedem um avanço nas negociações sejam rapidamente ultrapassadas.

(Fonte: IOL Diário)

"Com a adesão da Turquia a União Europeia ganha importância estratégica", sublinha Cavaco Silva

O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje na Turquia que "a ausência de esperança e a intolerância" alimentam os sentimentos de exclusão e criam o campo propício para o aparecimento das "forças de terror". O discurso de Cavaco Silva foi proferido perante a Grande Assembleia Nacional turca. No seu discurso de oito páginas perante o parlamento turco, Cavaco defendeu que, para vencer os grandes desafios do nosso tempo, "a Europa precisa da Turquia".


(Fonte: Antena 1)

Na Assembleia Nacional Turca Cavaco Silva defendeu a economia de mercado como solução para a crise

Cavaco Silva afirmou, esta terça-feira, na Assembleia Nacional da Turquia, em Ancara, que "a economia de mercado é a melhor via para somar a liberdade ao progresso económico e social".
No primeiro dia da visita àquele país de maioria muçulmana, e discursando num palco onde muito poucos chefes de Estado estiveram, o presidente da República apelou, ainda, à necessidade de que o "Estado e as instituições competentes assumam as suas responsabilidades em matéria de regulação e de supervisão e que os valores e os princípios éticos estejam bem presentes no funcionamento dos mercados financeiros".
É neste quadro, acrescentou Cavaco Silva, que devem combater-se as tentações proteccionistas: "O proteccionismo não é possível, quando os desafios são incontornavelmente globais", afiançou. "O proteccionismo apenas conduziria a uma crise maior, quando estamos perante o resultado da interdependência de estados".
Cavaco Silva dedicou uma boa parte da intervenção ao assunto que tem marcado esta visita: a adesão da Tuquia à União Europeia, em relação à qual tem demonstrado grande entusiasmo. "Com a adesão da Turquia [...] a União Europeia ganha uma acrescida importância estratégica", sobretudo em sectores como a energia e a política externa. "Se a União Europeia que desejamos precisa da Turquia, a Turquia precisa, também ela, da União Europeia", garantiu.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Cavaco Silva defende a economia de mercado na Assembleia Nacional Turca

Cavaco Silva defendeu hoje, na Assembleia Nacional Turca, que a economia de mercado é a melhor forma de “somar a liberdade ao progresso económico e social”.

"A economia de mercado é a melhor via para somar a liberdade ao progresso económico e social", disse Cavaco Silva durante o discurso na Assembleia Nacional Turca. "É essencial, para que tal se confirme, que o Estado e as Instituições competentes assumam as suas responsabilidades em matéria de regulação e de supervisão e que os valores e os princípios éticos estejam bem presentes no funcionamento dos mercados financeiros", acrescentou na mesma ocasião.
O Presidente da República sublinhou que "o proteccionismo apenas conduziria a uma crise maior, quando estamos perante o resultado da interdependência entre Estados".
"Falar da adesão da Turquia à União Europeia traz-me à memória a adesão do meu próprio País. A adesão de Portugal foi um processo longo e complexo, que enfrentou múltiplas resistências", terminou assim Cavaco Silva o discurso aos deputados da Assembleia Nacional Turca.
A visita oficial de Cavaco Silva à Turquia serve para cimentar as "excelentes" relações políticas entre os dois países. A acompanhar o Presidente está uma comitiva de 30 empresários. A visita termina no próximo dia 15 de Maio.

(Fonte: Económico-Sapo)

António Vitorino: Adesão da Turquia à UE a curto prazo é irrealista

O socialista António Vitorino considerou hoje "irrealista" a entrada da Turquia na União Europeia a curto prazo, adiantando que tal não deve ocorrer antes de dez a 15 anos. Sobre a visita que o Presidente da República, Cavaco Silva, está a efectuar à Turquia, Vitorino considerou-a importante, uma vez que Portugal "tem tido uma posição consistente no sentido de apoiar a adesão da Turquia".



(Fonte: Antena 1)

Discurso de Cavaco Silva na Assembleia Nacional Turca

in Presidência da República Portuguesa

Discurso do Presidente da República perante o Plenário da Grande Assembleia Nacional Turca
Ancara, 12 de Maio de 2009

Senhor Presidente da República,Senhor Presidente da Grande Assembleia Nacional Turca,Senhores Deputados,Ilustres Autoridades,Minhas Senhoras e meus Senhores,
As minhas primeiras palavras são de sentido agradecimento pelo honroso convite que me foi endereçado para ser o primeiro Chefe de Estado do meu país a dirigir-se a esta ilustre Assembleia. Vejo neste gesto um sinal de estima e consideração por Portugal e pelos portugueses, que muito me sensibiliza. É, assim, em meu nome, mas também em nome dos portugueses, que agradeço e saúdo esta Assembleia, emanação da vontade soberana da nação turca.
O povo turco está entre aqueles, poucos, cuja acção determinou, muitas vezes, o curso da História. Impressionam os múltiplos feitos que protagonizou, a imensa riqueza do seu legado, a notável dimensão de tantas das suas figuras. Mas a História do povo turco é mais do que a soma de tudo isto. É uma fonte de exemplos do carácter e da determinação sem os quais não se conquistam vitórias, nem se superam adversidades.
Este é o povo que se reergueu numa hora difícil e fez da Turquia moderna um actor central na cena internacional, ouvido, respeitado e, em vários domínios, exemplar. O povo de que se orgulhava Atatürk, que lembrava que nele residia a única fonte de toda a soberania, como reza a divisa desta Casa.
Senhores Deputados,
Aos grandes povos, às grandes nações cabem, também, grandes responsabilidades na construção do mundo que desejamos.
E que mundo é esse?
Um mundo em que prevaleça a paz, a estabilidade, a segurança e o respeito pela dignidade humana de que os povos necessitam para o seu progresso económico e social e de que cada individuo carece para a sua plena afirmação.
Alexandre Herculano foi uma figura grande da História portuguesa do século XIX, romancista, historiador, guerreiro e político. Dizia ele que “o desejo mede os obstáculos e a vontade vence-os”.
Não será preciso ir muito longe para identificar os obstáculos que se colocam à concretização do mundo que ambicionamos. Basta olhar à nossa volta, basta recordar os acontecimentos que marcaram a nossa História recente. As lições sobre os desafios que temos e teremos pela frente estão aí, evidentes, no que vemos e no que vivemos.
Os conflitos entre povos e nações, a violência terrorista, a insegurança, as crises alimentar, energética, a crise financeira e económica, as catástrofes relacionadas com a degradação ambiental e com as alterações climáticas, as doenças, que rapidamente se transformam em pandemias globais. De tudo isto somos chamados a retirar ensinamentos, se queremos um mundo melhor para nós e para os nossos filhos.
A cada um caberão as suas conclusões.
As minhas dizem-me que a fome, a pobreza, a injustiça, a impunidade perante comportamentos claramente reprováveis, a ausência de esperança e a intolerância alimentam os sentimentos de exclusão e de humilhação e favorecem a eclosão de conflitos. As forças do terror encontram aí o campo propício para espalhar a sua lógica inaceitável e inegociável de morte e de destruição.
Recordemos o preço que atingiram as energias fósseis e os alimentos, quando os primeiros alertas para uma crise financeira e económica pareciam, ainda, aos ouvidos de muitos, um discurso de cépticos incorrigíveis. Pensemos no que poderá suceder quando esta crise passar, se se confirmar que rareiam os recursos de que necessitamos para viver de acordo com os nossos parâmetros actuais. Somemos a esta realidade, já suficientemente preocupante, a mais que previsível crise da água, um recurso vital, que não é inesgotável, mas que vimos tratando como se fosse.
Diz-me, ainda, a leitura que faço dos acontecimentos recentes, que a economia de mercado é a melhor via para somar a liberdade ao progresso económico e social. Mas, também, que é essencial, para que tal se confirme, que o Estado e as Instituições competentes assumam as suas responsabilidades em matéria de regulação e de supervisão e que os valores e os princípios éticos estejam bem presentes no funcionamento dos mercados financeiros.
Diz-me, também, aquilo que me é dado testemunhar, que de nada valerão todos os esforços em favor desse mundo que desejamos se nada fizermos para combater os efeitos das alterações climáticas. A ideia de que possa haver quem saia beneficiado, caso se concretizem os cenários para que os cientistas nos vêm alertando, é perigosamente ilusória.
Finalmente, em tudo o que acabo de referir me parece implícita a mais importante das conclusões: a de que os principais desafios com que nos confrontamos, ou são globais pela sua própria natureza, ou passaram a sê-lo, fruto da interdependência entre os Estados. O proteccionismo não é possível, quando os desafios são incontornavelmente globais – de nada adianta encerrar as fronteiras às alterações climáticas, por exemplo. O proteccionismo apenas conduziria a uma crise maior, quando estamos perante o resultado da interdependência entre Estados. Nunca, como agora, foi mais evidente a necessidade de mecanismos de coordenação internacional.
Coordenação internacional que permita melhor prevenir conflitos entre nações e combater as suas causas e efeitos; que garanta uma defesa mais eficaz contra o terrorismo; que promova o desarmamento e impeça a proliferação das armas de destruição maciça; que torne mais fácil antecipar crises energéticas, de alimentos, financeiras e económicas e possibilite uma intervenção mais rápida e eficaz, quando ocorram.
A eficácia da coordenação internacional passa por uma representatividade nas estruturas e mecanismos de decisão que reflicta a realidade dos nossos dias, tornando mais fácil a aceitação universal das decisões. Que reconheça a diversidade geográfica, histórica e cultural que caracteriza os Estados e a multiplicidade de interesses que essa diversidade multifacetada implica. Que não ignore o papel de crescente importância que vêm assumindo as organizações regionais.
Por isso Portugal se candidatou a membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para o biénio 2011-2012, com o apoio da Turquia, que quero, mais uma vez, agradecer. Também por isso, Portugal entende que a composição do G-20 não pode ignorar as organizações regionais.
Uma coordenação internacional que, para ser credível, tem que assentar em princípios e valores. No caso do sistema das Nações Unidas, estes estão vertidos em documentos de valor universal. Há que aplicá-los. No que diz respeito à arquitectura financeira, é a meu ver essencial que resulte claro para as nossas opiniões públicas que as decisões se pautam por regras éticas. Que a afectação de recursos não ignora as necessidades dos mais fracos, dos países em vias de desenvolvimento.
Uma coordenação internacional, enfim, que valorize as estruturas que favorecem a criação de pontes entre Povos e culturas, como é o caso da Aliança das Civilizações, de cuja paternidade a Turquia foi um dos responsáveis.
Trata-se de tirar as devidas ilações da realidade a que Atatürk se referia, nas suas palavras visionárias, quando nos dizia que “a Humanidade é como um corpo único, de que cada nação é parte”, acrescentando que “não devemos dizer nunca: o que me interessa que parte do mundo sofra? Se existe esse sofrimento, devemos sentir-nos atingidos por ele, como se fosse nosso.”
Trata-se, em suma, de assumirmos as implicações políticas de uma cidadania global.
É neste quadro que sobressaem, com particular vigor, para nós, Europeus, as vantagens da União Europeia. De uma União Europeia forte, credível e afirmativa na cena internacional, capaz de falar, de forma coesa, em nome de todos os seus povos, e de garantir e projectar a paz, a segurança e o progresso social e económico.
A integração europeia, em particular através dos seus valores e do modelo económico e social que representa, deve influenciar e inspirar as respostas aos grandes desafios do nosso tempo, sejam eles a segurança, as alterações climáticas ou a crise económica e financeira. Para travar esses combates, a Europa precisa da Turquia.
Com a adesão da Turquia, para lá do enriquecimento que representa a integração de uma grande nação, que é exemplo de uma realidade cultural multifacetada, a União Europeia ganha uma acrescida importância estratégica, que lhe permitirá actuar com um peso muito superior em sectores fundamentais para o seu destino colectivo. Dois exemplos, apenas: a energia e a política externa.
A União Europeia precisa de uma política energética comum. Uma política que garanta, no exterior, a diversidade das fontes de abastecimento e dos circuitos de distribuição, e, no interior, a interligação de redes. A Turquia pode ter, neste domínio, um contributo decisivo.
Por outro lado, a Turquia garante à política externa da União Europeia uma projecção acrescida: pelos meios de defesa de que dispõe; pela influência de que goza na vizinhança imediata da União e em espaços com uma importância estratégica fundamental para a União; pelo contributo que a integração de uma grande nação muçulmana e democrática constitui para a defesa dos valores e princípios em que se funda o projecto europeu.
Mas permitam-me que sublinhe: se a União Europeia que desejamos precisa da Turquia, a Turquia precisa, também ela, da Europa.
Pela experiência do meu próprio País, posso dizer, com convicção, que a integração plena na União Europeia permitirá à Turquia consolidar o seu processo de desenvolvimento e modernização e garantir-lhe-á uma projecção internacional ainda maior. Sei bem que é muito diferente para os nossos interlocutores internacionais falarem connosco como Estados individualmente considerados, ou como membros de uma organização como a União Europeia, capazes de influenciar os seus processos de decisão.
Fruto de uma História que nos levou aos quatro cantos do mundo, Portugal mantém relações muito próximas com os países de língua oficial portuguesa. Com eles fundou, aliás, uma Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa, que se vem afirmando crescentemente a nível internacional. No entanto, não temos qualquer dúvida de que, mesmo no diálogo com esses países que nos estão tão próximos, o nosso peso é muito maior por pertencermos à União Europeia.
Senhores Deputados,
Falar da adesão da Turquia à União Europeia traz-me à memória a adesão do meu próprio País.
A adesão de Portugal foi um processo longo e complexo, que enfrentou múltiplas resistências. As vozes que se lhe opunham alertavam para os custos que representava o nosso diferencial de desenvolvimento, a ameaça que constituíam os fluxos migratórios com que confrontaríamos os Estados Membros mais ricos, a nossa própria idiossincrasia, que nos condenaria a colocar as nossas lealdades mais próximo dos interesses atlânticos e das relações com as nossas antigas colónias, do que da Europa. E por aí adiante.
Mas, voltando a Alexandre Herculano, “o desejo mede os obstáculos e a vontade vence-os”. Não nos faltava o desejo, nem nos faltou a vontade. Sabíamos que o nosso lugar era na Europa, que aí estava o nosso interesse nacional, que não podíamos ficar à margem do processo de integração europeia.
Tivemos de cumprir com critérios de adesão exigentes. Em nome deles, foi necessário adaptar estruturas, muitas vezes de forma radical, transpor um volume impressionante de legislação comunitária, introduzir reformas profundíssimas, que nos obrigaram a alterações constitucionais e legislativas de grande alcance. Tivemos de reequacionar a forma como víamos o nosso lugar no mundo.
Hoje, não tenho qualquer dúvida em dizer que valeu a pena.
Cada país é uma realidade. A Turquia não é Portugal e Portugal não é a Turquia.
Peço-vos, por isso, que tomem o que aqui digo sobre a nossa própria experiência não como lições que não teriam cabimento, mas como palavras de um amigo, que gostaria de vos ter à mesa das decisões europeias.
Senhores Deputados,
Esta minha Visita tem por objectivo central contribuir para o reforço das relações entre os nossos dois países, aliados, de há muito, na NATO, e parceiros, no Conselho da Europa.
São relações excelentes, a nível político, mas muito longe do seu potencial, noutros domínios. É tempo de alterar esse estado de coisas.
Trago comigo uma significativa delegação empresarial, representativa de alguns dos sectores mais dinâmicos da nossa economia. Uma economia que é, hoje, criadora e exportadora de alta tecnologia, que alcançou um patamar de relevo, a nível mundial, em domínios que tanto interessam à Turquia, como o das energias renováveis, a construção de infra-estruturas, o turismo, as telecomunicações. Que se internacionalizou e está, hoje, presente em mercados que conhece particularmente bem, como a África de expressão portuguesa e o Brasil. Que quer chegar a mercados onde a Turquia é uma presença de referência.
O programa desta Visita foi organizado de forma a fomentar os contactos entre estes empresários e os seus colegas turcos. Quero acreditar que saberão encontrar novas oportunidades de negócio e de parcerias.
Mas é importante que a cooperação entre nós se intensifique, também, a outros níveis. Nos sectores científico, cultural, académico, turístico. Espero que as várias vertentes do programa que estabeleci com o apoio inestimável das autoridades turcas, contribuam para o reforço dos contactos e da cooperação nestas áreas.
Em última instância, é preciso que os nossos Povos se conheçam melhor.
Nas minhas visitas à Turquia, incluindo as que fiz a título privado, fiquei frequentemente maravilhado com a riqueza do seu património histórico, impressionei-me com a determinação do seu povo e com as realizações da Turquia moderna.
Mas houve algo mais que sempre me tocou particularmente: as semelhanças que encontrei entre nós e que fazem com que, algumas vezes, me pergunte se saí realmente do meu País. Na Turquia, como europeu e como português, sinto-me em casa.
É o que acontece, hoje, aqui, perante vós, nesta ilustre Casa da democracia turca.
Muito obrigado.

Portugal e Turquia unidos contra França e Alemanha

O presidente da República, Cavaco Silva, e o seu homólogo turco, Abdullah Gül, convergiram na reacção às mais recentes afirmações proferidas pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo presidente francês, Nicholas Sarkozy, de oposição à entrada da Turquia na União Europeia (UE).
Se o chefe de Estado luso foi mais brando no discurso proferido no final de um encontro bilateral, em Ancara, já o seu congénere não poupou nas palavras. "O processo de adesão já dura há alguns anos. Os países que hoje contestam a nossa entrada estiveram representados no momento em que nos foi reconhecido o estatuto de candidato à adesão", aventou, para rematar. "Os políticos falam, mas os políticos passam. E os políticos, às vezes, dizem coisas diferentes do que defendem por falta de visão".
Recorde-se que, anteontem, Merkel e Sarkozy voltaram a manifestar-se contra a integração plena da Turquia na UE, defendendo um regime intermédio, que passasse pela constituição de uma associação privilegiada. Mas não é isso que a Turquia quer. Abdullah Gül lembrou que aquela nação de maioria muçulmana está sempre dependente de uma decisão jurídica do Conselho Europeu e da Comissão Europeia e garantiu: "Vamos continuar as nossas reformas, vamos continuar o nosso caminho. E até admitimos abrir alguns dossiês". Não disse foi quais.
Para poder juntar-se ao clube dos 27, a Turquia tem de cumprir os chamados critérios de Copenhaga, que prevêm uma série de alterações internas ao nível das reformas legislativas, constitucionais (é necessário alterar a Constituição) e na justiça.
Já Cavaco Silva lembrou que durante os sete anos que Portugal demorou a integrar a União Europeia também houve "algumas desconfianças" por parte de outros Estados e que, por isso, só resta aos Turcos serem persistentes. "Eu não tenho dúvidas de que a Turquia também tem argumentos [para convencer os países opositores]", disse. E lembrou sinais positivos que estão a ser dados: a Suécia, o próximo país a assumir a presidência da UE, já se pôs do mesmo lado dos Turcos e, se tudo correr de feição, a Irlanda aprovará, finalmente, o Tratado de Lisboa no final do ano, o que poderá forçar os 27 a tomar uma posição comum e definitiva. Abdullah Gül assinalou ainda que a data da adesão da Turquia "depende muito da performance" do país, mas sobretudo do "interesse" que os parceiros europeus tenham na sua real entrada para o clube.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Presidente turco garante que o seu país vai prosseguir com as reformas para adesão plena à UE

O Presidente da República turco, Abdullah Gül, respondeu hoje às objecções da França e Alemanha à adesão plena da Turquia à União Europeia, dizendo que "os políticos passam" e que o país vai prosseguir com as reformas. "Nós vamos fazer o nosso trabalho, vamos continuar as reformas na Turquia, vamos continuar este caminho", garantiu Gül na conferência de imprensa conjunta com o Presidente da República português, Cavaco Silva, depois do encontro entre os dois. Sobre a mesma matéria, o chefe de Estado português, que iniciou hoje uma visita de Estado de quatro dias à Turquia, lembrou a experiência portuguesa de adesão à UE.



(Fonte: Antena 1)

Maria Cavaco Silva participou em aula de Português na Universidade de Ancara


Tiago Paixão iniciara a aula de Português há escassos segundos quando Maria Cavaco Silva o interrompeu pela primeira vez: "Posso ir para junto de si? Nunca dei uma aula sentada". De seguida, levantou-se do lugar que lhe tinham destinado, perto da secretária do professor, despiu o casaco e não mais parou. Diante de si, cerca de 30 jovens turcos, estudantes de português desde o início do ano lectivo, seguiam-lhe os gestos e tentavam acompanhar-lhe as palavras.
Apesar de falar pausadamente, nem sempre a primeira-dama se fazia entender. Para agarrar a turma, socorria-se então de um Inglês perfeito. Com o decorrer da aula, deixou vir ao de cima toda a experiência ganha em cerca de 40 anos a leccionar. Paralelamente, não perdia uma oportunidade para gracejar: "Eu sou professora, mulher do Presidente só por acidente", disse após ser apresentado o seu currículo.
Durante a aula, aproximou-se dos alunos para melhor escutar a sua pronúncia, recitou "De Repente" do poeta turco Orhan Veli e solicitou a um aluno que lesse o mesmo poema em língua turca. Enquanto Cavaco Silva se desdobrava em contactos políticos em Ancara, a primeira-dama esbanjava simpatia na Faculdade de Línguas, História e Geografia da Universidade de Ancara, onde são leccionadas 30 línguas, incluindo o Português, desde há três anos.
Tiago Paixão, um lisboeta de 27 anos, licenciado em Línguas e Literaturas Modernas: Estudos Portugueses, é o responsável pelos leitorados do Instituto Camões nas cidades de Ancara e Izmir. Em declarações ao Expresso, explicou que os seus 45 alunos são estudantes das licenciaturas de Espanhol, Francês e Italiano, que têm no Português uma disciplina de opção. Por estarem a aprender línguas latinas, convencem-se de que é mais fácil aprender o Português. Mas, segundo Tiago Paixão, há um outro motivo de peso: "A língua é vista como um instrumento de trabalho. Eles sabem que toda a gente que fala Português na Turquia - e não estou a exagerar - tem emprego. E um bom emprego! Trabalham para multinacionais, por exemplo, e como tradutores para jogadores de futebol".
À margem da aula, o Instituto Camões e a Universidade de Ancara assinaram um Protocolo de Cooperação com o objectivo de criar um Minor em Estudos Portugueses e assegurar a manutenção de um Leitorado de Língua e Cultura Portuguesa. Tiago Paixão mostra-se confiante: "Neste momento, só estamos a ensinar Língua Portuguesa. No próximo ano, teremos Cultura e Literatura".

(Fonte: Expresso)

Maria Cavaco Silva satisfeita com alunos de Português na Turquia

Maria Cavaco Silva esteve esta terça-feira na Universidade de Ancara, na Turquia, onde assistiu à assinatura de um protocolo entre o estabelecimento de ensino e o Instituto Camões para criar um curso de Minor em Estudos Portugueses e manter o Leitorado de Língua e Cultura Portuguesa na Universidade turca. A mulher do Chefe de Estado esteve também numa aula com 45 alunos turcos que estão a aprender Português desde Fevereiro. A antiga professora afirmou-se satisfeita por ver jovens a estudar a sua língua materna na outra ponta da Europa, e chegou mesmo a declamar um poema turco.


(Fonte: Antena 1)

Adesão da Turquia à UE marca agenda política da viagem de Cavaco Silva


No primeiro dia da visita oficial à Turquia, Cavaco Silva pediu aos Turcos para não desanimarem nas negociações para a entrada na União Europeia. E até deu o exemplo de Portugal que levou sete anos a convencer Bruxelas. O presidente turco assegurou que o país vai prosseguir nas reformas que o levem a integrar a Europa unida.

(Fonte: RTP)

Adesão da Turquia à União Europeia debatida na Turquia com Cavaco Silva

Adesão da Turquia à União Europeia debatida na Turquia com Cavaco Silva (Foto: Lusa)
O Presidente da República iniciou hoje uma visita oficial à Turquia. Cavaco Silva encontrou-se com o homólogo turco e afirmou que o país "tem activos fortes para convencer as opiniões públicas europeias". Perante os obstáculos colocados pela França e Alemanha em relação à adesão da Turquia à UE, o presidente Abdullah Gül afirmou: "Os políticos passam".
Este Domingo, a chanceler alemã Ângela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy uniram posições ao afirmar que "uma Europa sem fronteiras seria uma Europa sem valores".
Merkel avançou com a possibilidade de uma associação privilegiada com a Turquia em alternativa a uma adesão plena do país à União Europeia.
A resposta do Presidente turco aconteceu hoje na conferência de imprensa após o encontro com Cavaco Silva. Abdullah Gül garantiu que a Turquia vai continuar as reformas. "Todos sabem que dependemos só da decisão jurídica da comissão e do conselho. Os políticos chegam, passam, falam, às vezes por falta de visão dizem coisas diferentes, não vamos depender disso", disse Abdullah Gül.

Cavaco Silva recorda obstáculos que Portugal teve de vencer

O Presidente da República afirmou que, apesar da posição francesa e alemã, nos últimos dias "surgiram notícias muito positivas" para a Turquia. "O país que vai assumir a próxima presidência da União Europeia, a Suécia, produziu uma declaração de apoio inequívoco à adesão plena da Turquia à União Europeia", disse Cavaco. Outro sinal positivo, acrescentou, chegou do Senado checo que aprovou recentemente o Tratado de Lisboa. "Todos nós sabemos que o Tratado de Lisboa cria condições mais favoráveis ao alargamento da EU", disse.

Agenda presidencial na Turquia

Cavaco Silva chegou segunda-feira a Ancara e logo ao final do dia encontrou-se com o primeiro-ministro Recep Erdoğan.
O programa oficial teve início apenas esta terça-feira com uma cerimónia no Mausoléu de Atatürk, fundador da Turquia moderna e primeiro chefe de Estado da Turquia.
Após a reunião com o presidente turco, Cavaco Silva profere à tarde um discurso em Português na Grande Assembleia Nacional. O dia termina com uma audiência com o líder do maior partido da Oposição (CHP ou Partido Republicano do Povo) e com um banquete oferecido pelo Presidente da República da Turquia.

Dezenas de empresários acompanham Cavaco Silva na Turquia

Para além das questões políticas, a visita do Presidente à Turquia reveste-se também de um forte carácter empresarial. Cavaco Silva leva na sua comitiva 30 empresários. Juntos pretendem aprofundar as relações económicas entre os dois países. "A Turquia está em grande desenvolvimento, está a sofrer agora com a crise mas é uma grande economia, é um grande país e não podíamos ficar indiferentes ao mercado turco", disse o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Basílio Horta.
"Há todo um conjunto de possibilidades que esta visita do Presidente da República vai potenciar quando decide acompanhar-se de um conjunto de empresários com a qualidade que estes têm", acrescentou Basílio Horta.

(Fonte: RTP)

Empresários portugueses apresentam o vinho do Porto na Turquia

Dos vários empresários que seguiram viagem com o presidente da República à Turquia, são muitos aqueles que se encontram ligados à indústria vitivinícola. O objectivo é claro: dar a conhecer o famoso vinho do Porto aos Turcos.


(Fonte: Antena 1)

EDP pode entrar na Turquia no próximo ano

A EDP Renováveis admite estar atenta ao mercado turco, onde poderá entrar já em 2010, desde que surjam oportunidades, revelou a presidente executiva da empresa à Agência Financeira.
"A Turquia pode ter características interessantes em termos de recursos e remuneração. Surgindo oportunidades, estaremos claramente interessados. Estamos atentos", disse Ana Maria Fernandes à AF.
A responsável sublinha, no entanto, que ainda não há regulação na Turquia e que pode decorrer mais de um ano para que este obstáculo seja ultrapassado.
"Este ano é difícil (entrarmos na Turquia), mas quem sabe em 2010", acrescentou a presidente executiva da EDPR à Agência Financeira, apontando a energia eólica como a mais forte aposta neste mercado.
De referir que, esta semana, o Presidente da República, Cavaco Silva, está na Turquia com o objectivo de promover as relações entre os dois países. Este país poderá vir a aderir à União Europeia. A esta viagem vão juntar-se várias empresas portuguesas de diversos sectores, nomeadamente a EDP.

(Fonte: Agência Financeira)

11 maio 2009

Cavaco Silva aconselha paciência à Turquia no seu caminho rumo à UE

Mensagem presidencial: a Turquia tem de usar da sedução junto dos resistentes à sua entrada na UE, e pode aproveitar o exemplo português como trunfo para convencer França, Alemanha e Áustria da bondade do seu desejo.
Cavaco Silva não tem dúvidas: só com paciência é que os turcos poderão algum dia fazer parte do Grupo dos 27. E para isso nada melhor do que olhar para os sete anos que durou o namoro português a Bruxelas para perceber os frutos que a perseverança ajudou a colher. Foi no avião que o levou a Ancara, capital turca, que o presidente da República explicou a fórmula. A única, de resto, que parece resultar junto de países (França, Alemanha e Áustria) que tudo têm feito para desincentivar os restantes parceiros europeus no apoio à aventura turca. Mas há alguns senãos, como também notou Cavaco Silva. E o mais espinhoso será, porventura, o facto de a Turquia não reconhecer o Chipre como país autónomo, e ao mesmo tempo querer entrar para uma união onde esse país está representado. Temas que não passaram ao lado do encontro de uma hora que o chefe de Estado manteve com o primeiro-ministro Tayyip Erdoğan. O assunto central foi sem dúvida a adesão da Turquia à UE, mas os dois líderes políticos abordaram outras matérias de relacionamento bilateral, tendo-se registado uma consonância de posições. O mesmo sucedendo nos dossiês internacionais, com destaque para o conflito no Médio Oriente, a situação no Paquistão e no Afeganistão e a realidade de África e da América Latina.
A visita de Estado de quatro dias àquela nação muçulmana simboliza, por um lado, o apoio político de Portugal à ambição turca e, por outro lado, um piscar de olho a um mercado económico cuja atractividade os cerca de 73 milhões de habitantes ajudam a explicar. Por isso seguiu viagem no mesmo avião da SATA uma comitiva de cerca de 30 empresários de áreas de actividade consideradas mais promissoras. Basílio Horta, presidente da Agência Portuguesa para o Investimento, mostra a paisagem desta janela de oportunidade: "Já há cerca de 500 empresas portuguesas na Turquia", admite, ao JN, garantindo que a tendência é para engordar a cifra. Apostas económicas de Portugal naquele mercado: o negócio dos moldes, as várias áreas ligadas à saúde (biotecnologia, gestão hospitalar) e o software informático.
Mas como é a mesa que muitos dos negócios se proporcionam, nada melhor do que um branco da Gaivosa, um Porto 10 anos e um tinto reserva Casa Burmester para promover o vinho nacional. De resto, não é por acaso que o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto levou para a Turquia 750 garrafas. Com a liberalização do álcool naquele país muçulmano, o mercado turco pode matar a sede a muitas empresas portuguesas. "Apostamos sobretudo no sector do turismo, uma vez que a Turquia é visitada por pessoas de todo o Mundo", explica Luciano Vilhena, presidente do Instituto. Embora o ano passado as exportações do Vinho do Porto tenham diminuído.

(Fonte: Jornal de Notícias)