12 maio 2009

EDP pode entrar na Turquia no próximo ano

A EDP Renováveis admite estar atenta ao mercado turco, onde poderá entrar já em 2010, desde que surjam oportunidades, revelou a presidente executiva da empresa à Agência Financeira.
"A Turquia pode ter características interessantes em termos de recursos e remuneração. Surgindo oportunidades, estaremos claramente interessados. Estamos atentos", disse Ana Maria Fernandes à AF.
A responsável sublinha, no entanto, que ainda não há regulação na Turquia e que pode decorrer mais de um ano para que este obstáculo seja ultrapassado.
"Este ano é difícil (entrarmos na Turquia), mas quem sabe em 2010", acrescentou a presidente executiva da EDPR à Agência Financeira, apontando a energia eólica como a mais forte aposta neste mercado.
De referir que, esta semana, o Presidente da República, Cavaco Silva, está na Turquia com o objectivo de promover as relações entre os dois países. Este país poderá vir a aderir à União Europeia. A esta viagem vão juntar-se várias empresas portuguesas de diversos sectores, nomeadamente a EDP.

(Fonte: Agência Financeira)

11 maio 2009

Cavaco Silva aconselha paciência à Turquia no seu caminho rumo à UE

Mensagem presidencial: a Turquia tem de usar da sedução junto dos resistentes à sua entrada na UE, e pode aproveitar o exemplo português como trunfo para convencer França, Alemanha e Áustria da bondade do seu desejo.
Cavaco Silva não tem dúvidas: só com paciência é que os turcos poderão algum dia fazer parte do Grupo dos 27. E para isso nada melhor do que olhar para os sete anos que durou o namoro português a Bruxelas para perceber os frutos que a perseverança ajudou a colher. Foi no avião que o levou a Ancara, capital turca, que o presidente da República explicou a fórmula. A única, de resto, que parece resultar junto de países (França, Alemanha e Áustria) que tudo têm feito para desincentivar os restantes parceiros europeus no apoio à aventura turca. Mas há alguns senãos, como também notou Cavaco Silva. E o mais espinhoso será, porventura, o facto de a Turquia não reconhecer o Chipre como país autónomo, e ao mesmo tempo querer entrar para uma união onde esse país está representado. Temas que não passaram ao lado do encontro de uma hora que o chefe de Estado manteve com o primeiro-ministro Tayyip Erdoğan. O assunto central foi sem dúvida a adesão da Turquia à UE, mas os dois líderes políticos abordaram outras matérias de relacionamento bilateral, tendo-se registado uma consonância de posições. O mesmo sucedendo nos dossiês internacionais, com destaque para o conflito no Médio Oriente, a situação no Paquistão e no Afeganistão e a realidade de África e da América Latina.
A visita de Estado de quatro dias àquela nação muçulmana simboliza, por um lado, o apoio político de Portugal à ambição turca e, por outro lado, um piscar de olho a um mercado económico cuja atractividade os cerca de 73 milhões de habitantes ajudam a explicar. Por isso seguiu viagem no mesmo avião da SATA uma comitiva de cerca de 30 empresários de áreas de actividade consideradas mais promissoras. Basílio Horta, presidente da Agência Portuguesa para o Investimento, mostra a paisagem desta janela de oportunidade: "Já há cerca de 500 empresas portuguesas na Turquia", admite, ao JN, garantindo que a tendência é para engordar a cifra. Apostas económicas de Portugal naquele mercado: o negócio dos moldes, as várias áreas ligadas à saúde (biotecnologia, gestão hospitalar) e o software informático.
Mas como é a mesa que muitos dos negócios se proporcionam, nada melhor do que um branco da Gaivosa, um Porto 10 anos e um tinto reserva Casa Burmester para promover o vinho nacional. De resto, não é por acaso que o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto levou para a Turquia 750 garrafas. Com a liberalização do álcool naquele país muçulmano, o mercado turco pode matar a sede a muitas empresas portuguesas. "Apostamos sobretudo no sector do turismo, uma vez que a Turquia é visitada por pessoas de todo o Mundo", explica Luciano Vilhena, presidente do Instituto. Embora o ano passado as exportações do Vinho do Porto tenham diminuído.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Cavaco Silva leva 30 empresários à Turquia

Exportações portuguesas para a Turquia


No mercado externo, a Turquia é o vigésimo segundo cliente de Portugal. Mas a Turquia não escapa à crise mundial com previsões de retracção na ordem dos três e meio por cento para este ano. Ainda assim há empresas portuguesas para quem a Turquia é cada vez mais um excelente cliente.

(Fonte: RTP)

Cavaco Silva chega hoje à Turquia

O Presidente da República chega hoje à Turquia para uma visita oficial que se prolonga até sexta-feira, com o objectivo de cimentar as relações políticas entre os dois países e aprofundar as relações económicas. Um dos temas centrais da visita é a futura adesão da Turquia à União Europeia.


(Fonte: RTP)

Entrevista a Cavaco Silva publicada no jornal turco Zaman

Entrevista a Cavaco Silva publicada no jornal turco Zaman

“A Europa necessita da Turquia e do seu entusiasmo”

A Europa que pretende ter uma palavra mais enérgica sobre política internacional necessita de uma Turquia como o seu entusiasmo, diz Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa.
Em conversa com o Today’s Zaman de hoje, na véspera da sua Visita Oficial de quatro dias à Turquia, Cavaco Silva declarou que o seu País pretende que todos os obstáculos colocados perante a abertura de novos capítulos nas negociações para a adesão da Turquia deverão ser desobstruídos e que nenhum dos capítulos poderá ficar congelado. Cavaco Silva ainda referiu que a União Europeia terá uma atitude mais firme quanto à paz, segurança e estabilidade caso a Turquia seja um Estado membro, e a Turquia poderá ter uma maior influência na política internacional que de outra forma não teria. "Mesmo um Estado membro de menor dimensão tem a possibilidade de projectar a sua própria imagem na política mundial através da UE", disse Cavaco Silva. Recordando os tempos difíceis que o seu País sofreu durante os sete anos de negociações para adesão à União Europeia, o Presidente português disse que tanto as autoridades turcas e o povo turco deveriam estar ao corrente das dificuldades, e que uma decisão final necessitará que 27 Estados membros, cada um com os seus interesses específicos, assumam um compromisso. Sendo ele o último político em actividade entre as individualidades que assinaram o Tratado de Maastricht em 1992, que criou a União Monetária Europeia e o Euro como moeda comum, o Presidente Cavaco Silva declarou ao Today’s Zaman que, sem o Euro, a actual crise financeira teria atingido muitos países mais fortemente do que foi o caso. “Espero bem que um dia o povo turco também decida que em vez da Lira Turca deverá conviver com o Euro” disse Cavaco Silva.
O Presidente da República Portuguesa chega hoje à Turquia para uma Visita Oficial de quatro dias. Terá encontros com o Presidente Abdullah Gül, com o Primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan e com o líder do principal partido da oposição. Cavaco Silva fará também uma intervenção perante a Grande Assembleia Nacional Turca. Será o primeiro presidente estrangeiro a discursar perante a Assembleia após o Presidente americano Barack Obama. Cavaco Silva será acompanhado por um grupo de empresários portugueses que irão debater com os seus congéneres turcos a penetração em conjunto dos mercados Latino-Americano, Africano, do Cáucaso e da Ásia Central. Cavaco Silva inaugurará uma exposição de quadros de artistas portugueses em Istambul e oferecerá um jantar oficial em honra do Presidente Gül que se seguirá a um concerto de fado da cantora portuguesa Kátia Guerreiro.
O Today’s Zaman entrevistou o Presidente Cavaco Silva, que foi anteriormente professor catedrático de política fiscal e Primeiro-ministro do seu país durante dez anos após 1985, sobre a actual crise financeira, sobre o endurecimento das relações diplomáticas entre a Rússia e a NATO, a opinião de Portugal sobre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e, claro, sobre o fado e o bacalhau. Segue-se um excerto dessa entrevista.
Tem alguma esperança sobre a adesão da Turquia à UE?
A posição assumida por Portugal tem sido sempre consistente quanto à adesão da Turquia. Se pretendemos uma Europa com maior firmeza no palco internacional, que tenha uma opinião influente quanto à paz, segurança e estabilidade, então a Europa precisa da Turquia. Pretendemos que todos os obstáculos colocados quanto à abertura de novos capítulos sejam retirados. Pretendemos que não haja capítulos congelados. É contudo evidente que tal necessita da boa vontade de ambas as partes. As negociações de acesso são sempre difíceis e tanto as autoridades turcas como a opinião pública deveriam estar ao corrente. Trata-se de um compromisso de 27 estados membros; cada um com o seu interesse específico. Espero que o Governo turco continue com as reformas estruturais. Penso que até agora a Turquia não terá muitas razões de queixa, tendo em atenção que muitas outras negociações de adesão foram extremamente difíceis. Portugal, por exemplo, teve que esperar que as negociações com a Espanha fossem finalizadas.
Vai fazer uma conferência na Universidade Turca do Bósforo sobre o processo de adesão de Portugal à União Europeia e sobre o que a Turquia poderá aprender a partir desse processo. Quais são as questões principais que irá abordar?
Talvez o termo “aprender” não seja aqui o mais adequado. Seria melhor o termo partilhar uma experiência. A adesão de Portugal teve lugar quando eu fui Primeiro-ministro. Assumi este cargo no princípio de Novembro de 1985 e a adesão de Portugal teve lugar a 1 de Janeiro de 1986. Fui Primeiro-ministro de Portugal durante os primeiros dez anos em que Portugal foi um Estado membro. Foi uma época de enormes desafios e de grande entusiasmo.
Julgo que Portugal beneficiou muito como Estado membro, mas a UE também beneficiou bastante, devidos às nossas relações especiais com África, com a América Latina e com países e povos do Extremo Oriente. Devemos também destacar as relações muito especiais de Portugal com o Brasil. Este é o maior país de língua portuguesa no mundo e é hoje uma potência económica e política emergente. Tem bastantes semelhanças com a Turquia. Ambos os países são membros do G-20.
Não mencionou a Turquia como sendo um país com relações especiais com Portugal...
De facto nós estamos situados no extremo ocidental da Europa e a Turquia no extremo oriental. Mas somos ambos membros da NATO, somos ambos membros do Conselho da Europa, e Portugal espera que em breve sejamos também parceiros na UE. Eu julgo que existe uma verdadeira amizade entre os povos português e turco.
Sabe qual é a origem desta amizade?
Penso que Portugal, tal como a Turquia, é um ponto de encontro de culturas diferentes, de civilizações diferentes e de religiões diferentes. Portugal é, tal como a Turquia, uma ponte entre culturas e civilizações. Somos uma ponte para o Atlântico, para a América do Sul, para a América do Norte. A Turquia é uma ponte para a Ásia e para África. Está localizada numa posição muito estratégica. De facto não somos assim tão diferentes um do outro. Senti isto na primeira vez que visitei a Turquia como turista. A passear nas ruas de Istambul, a visitar o Grande Bazar, a olhar para as caras das pessoas... Nasci no sul de Portugal. Aí, os muçulmanos estavam do outro lado do estreito. Mas devo destacar que embora as nossas relações políticas sejam excelentes, noutras áreas como a economia e a cultura a nossa cooperação e o nosso diálogo estão ainda longe do que poderiam ser.
Haverá alguma explicação para esta circunstância?
Há uma. Nos nossos 25 anos como membros da UE, os empresários portugueses concentraram as suas actividades económicas na área da UE. Era um mercado interno muito grande e eram vastos os potenciais abertos aos empresários portugueses. Agora, todavia, os nossos empresários estão a olhar para além destes, digamos, mercados tradicionais. Esta é uma das razões pelas quais trouxe à Turquia uma importante delegação comercial. É um grupo de cerca de quarenta empresários. Participarei num seminário económico, onde empresários turcos e portugueses se encontrarão e tenho conhecimento que muitos outros contactos estão sendo planeados. Não estamos pensando apenas no mercado interno da Turquia, mas também noutros mercados. Julgo que os empresários de ambos os países podem reflectir sobre a América Latina. Temos aí vantagens. Conhecemos o mercado e os povos da América Latina. Quanto a África, julgo saber que é intenção das autoridades turcas abrirem novas embaixadas em África. Temos relações excelentes com as nossas ex-colónias em África. Angola é uma potência económica emergente em África. O mesmo se passa em Moçambique. Os empresários portugueses poderão aprender com os seus congéneres turcos como fazer negócios no Cáucaso e nas regiões da Ásia Central sobre as quais sabemos ter a Turquia importantes conhecimentos. Julgo assim que este contacto entre empresários de ambos os países poderia ser um primeiro passo muito importante no incremento das nossas relações comerciais. Também gostaria de mencionar o turismo. Portugal e a Turquia são ambos países turísticos. Há muitos Portugueses que vêm à Turquia e que trazem lembranças maravilhosas. Temos hoje muito importantes operadores turísticos mundiais. Estão actualmente representados em dezenas de países. Não tenho a certeza se já estarão ou não na Turquia, mas poderão estar interessados em ali se instalarem. Estamos agora a ser muito inovadores na criação de novos produtos turísticos. Somos apenas um país com dez milhões de habitantes, mas recebemos anualmente 14 milhões de turistas. Esta é uma importantíssima área de cooperação.
Há matérias que poderemos debater quanto a investimento directo estrangeiro. Um dos maiores investimentos na Turquia num sector não-financeiro é uma empresa portuguesa. Esta empresa investiu cerca de um bilião de dólares americanos na Turquia. E há outras áreas em que nos desenvolvemos muito rapidamente nos últimos anos. Uma destas áreas que pode ser ainda mais desenvolvida é a das energias alternativas. Portugal é um dos países que estão a investir fortemente em energias renováveis, especialmente em energia eólica. Temos excelentes parcerias com empresas alemãs e estamos actualmente a produzir em Portugal aquelas torres gigantes bem como os geradores. Para além das energias renováveis podemos cooperar em aplicações de software, na indústria farmacêutica, na indústria electrónica e, muito importante, nas infra-estruturas. Durante o processo de adesão Portugal beneficiou de fundos estruturais. Construímos auto-estradas até ao ponto em que eu próprio por vezes digo que temos auto-estradas a mais. Graças àquele processo de adesão desenvolvemos empresas especializadas em infra-estruturas que hoje estão a executar trabalhos na Polónia, na Hungria e em África. Uma empresa portuguesa está a construir o metropolitano de Telavive. Estamos em todo o mundo. Esta é mais uma área de cooperação.
Referiu apenas a economia, mas também já citou cooperação cultural.
Com certeza. Já existe cooperação entre um instituto português e a Universidade de Ancara. Espero que seja possível reforçar tal cooperação. Espero também que possamos criar uma comissão conjunta de autoridades portuguesas e turcas para debater o que mais se poderá empreender na área cultural. Já é possível aprender a língua portuguesa na Universidade de Ancara, mas devemos também pensar em Istambul. A música é outra área cultural sobre a qual podemos trabalhar. Vou levar comigo uma das mais famosas cantoras de Fado. Esta é a nossa música tradicional e a Kátia Guerreiro fez parte da minha campanha eleitoral. Foi a minha interlocutora com a juventude. Conheço-a muito bem e estou certo que o povo turco vai adorar a sua voz. Também levo uma exposição de pintura portuguesa para Istambul. São pinturas dos séculos XIX e XX. O nome da exposição será “Lisboa: Memórias de outra cidade”. Houve aqui, em 2007, uma exposição de pinturas turcas. Julgamos que seria uma boa ideia demonstrar as semelhanças entre as paisagens de Istambul e as de Lisboa. Assim, a exposição está organizada de tal forma que, embora estejamos tão afastados em termos geográficos, estamos de facto muito próximos em muito outros aspectos, incluindo as paisagens das nossas principais cidades.
Verifiquei que Portugal é famoso pela produção de azulejos. Sempre pensei que tal fosse uma arte unicamente turca.
Bem, temos um museu de lindos azulejos de Lisboa. Poderia de facto ser uma influência otomana. Mas parece-me ser mais uma influência do mar. Temos apenas um país vizinho, a Espanha, e um enorme mar aberto à nossa frente. As nossas fronteiras com a Espanha não se alteraram nos últimos 700 anos. Por isso tivemos que contar com o mar. Foi por esta razão que os nossos famosos navegadores descobriram o caminho marítimo para a Índia e chegaram até ao Japão. No Japão existe uma famosa ilha, que se chama Nagashima. Os Portugueses introduziram as armas de fogo no Japão a alteraram a forma como as guerras entre os senhores das terras eram combatidas. Há uma festividade nesta ilha, que celebra unicamente a introdução das armas de fogo pelos Portugueses no Japão. A influência do mar não é apenas a do Oceano Atlântico, mas também do Mar Mediterrâneo. A temperatura não é tão agradável como a das águas turcas mas aqui é muito acolhedor e sossegado.
O mar é também a origem do Fado. Conheço o Fado como uma música triste e melancólica. Mas o povo português gosta de sorrir. O Senhor tem um dos sorrisos mais simpáticos de todos os líderes europeus. Não acha isso curioso?
O Fado é um pouco melancólico. Mas temos dois tipos de Fado: o Fado de Lisboa e o Fado de Coimbra. O Fado de Coimbra está ligado à Universidade. Os estudantes cantam o Fado mais por amor. É uma forma de Fado muito diferente. Em Lisboa, como disse, é mais melancólico. É triste. No passado era a música das tabernas onde o povo bebia vinho e esta música triste incitava a que se bebesse mais. Mas hoje é cantado por caras jovens e bonitas. Quanto ao ser curioso... Na nossa cultura há outras coisas curiosas. Somos uma nação feliz com uma canção triste, mas ainda há outras. Por exemplo, o nosso peixe tradicional: o bacalhau. É impossível encontrar bacalhau na nossa costa. Tem de se ir à Noruega, ao Canadá, à Islândia e por aí adiante para encontrar o bacalhau. Então porque é que o nosso peixe tradicional é o bacalhau? Todo o nosso bacalhau é importado e é salgado. Os nossos navios iam aos mares daqueles países para o pescar e trazer, e como a viagem era muito longa tinham de o salgar. Mas também se diz que há 1001 maneiras de cozinhar bacalhau. Há uma ligação entre a melancolia do Fado e os pescadores saírem para a pesca do bacalhau. A melancolia do Fado está relacionada com aquele sentimento de partida: partida para a Índia, partida para a Madeira, mais tarde a partida dos emigrantes. É o sentimento da partida de alguém que amamos muito e que não temos a certeza que vai regressar. A este sentimento chamamos saudade.
O senhor também teve essa experiência. Foi para Moçambique em muito novo para servir nas forças armadas.
Fui para Moçambique e também fui para a Grã-Bretanha. Fui para a Grã-Bretanha já licenciado para me doutorar e para trabalhar como professor numa Universidade durante algum tempo. Fui para Moçambique para servir nas forças armadas. Parti de Lisboa num navio apenas dez dias após me ter casado. Primeiro não me deixaram levar a minha mulher, mas no fim consegui convencê-los. Viajou comigo no mesmo navio a viveu lá dois anos. Há uma razão pela qual tenho uma relação muito especial com Moçambique. Mas mesmo antes de ir para lá eu tinha muito bons amigos moçambicanos na Universidade. Voltaram para lá e hoje são ministros e gente muito importante no seu país. No ano passado resolvi levar toda a minha família a Moçambique, os meus filhos e os filhos destes. Quis mostrar-lhes onde tinha passado a minha lua-de-mel.
Talvez esta seja uma boa altura para falarmos sobre os Países de Língua Portuguesa e sobre o papel de Portugal na mobilização desses países para a política internacional. Qual é a sua percepção pessoal quanto a esta comunidade?
Oito países em todos os continentes e 250 milhões de pessoas que falam Português... Portugal assumiu agora a presidência dessa comunidade. No próximo ano será Angola que presidirá. Estamos a trabalhar em conjunto, os oito Estados membros, para reforçar aquela comunidade a nível internacional. Queremos que o português seja uma das línguas oficiais da ONU. Mas para além disto, nós, como Portugal, queremos continuar a ter um papel importante na UE. A UE é uma prioridade da nossa política externa. O papel de Portugal na UE foi muito claro durante a presidência portuguesa no segundo semestre de 2007. Conseguimos organizar uma Cimeira UE-África. Devo dizer que isto não é uma questão de orgulho irrealista. Nenhum outro país conseguiria juntar todos os países africanos com todos os 27 Estados membros da UE. Esta cimeira foi a primeira em que foi possível chegar a um acordo para uma estratégia conjunta. Foi também durante a presidência portuguesa que se estabeleceu uma parceria entre a UE e o Brasil. Portugal também conseguiu juntar a UE com a MERCOSUL, a organização latino-americana de integração regional. Temos de falar também sobre a Estratégia de Lisboa e sobre o Tratado de Lisboa. Embora sejamos um país pequeno, Lisboa já é uma palavra temática no dicionário europeu. A Estratégia de Lisboa foi configurada para melhorar a competitividade europeia. Até agora 26 países já aprovaram o Tratado de Lisboa. Espero que o Tratado de Lisboa possa ser implementado antes do final do ano corrente. É muito importante para o funcionamento da UE com 27 Estados membros. Aumentará a eficiência das instituições, Aumentará a transparência a fará da UE um protagonista global com maior relevo. Muito mais importante, contudo, será a possibilidade de criar condições para um futuro alargamento da União, incluindo a adesão da Turquia.
Todas as suas referências biográficas apontam para um conceito denominado “estabilidade dinâmica”. Este conceito aplica-se em ciências naturais. A que se refere quando se trata de política?
A estabilidade não é um fim em si próprio. Pretendemos a estabilidade para alcançar alguns objectivos que estão ligados ao bem-estar do povo. Assim, quando refiro dinâmica, quero dizer que não pretendemos deixar tudo na mesma situação. Mas temos também que evitar dificuldades: temos que atrasar o que é difícil, embora tal possa ser necessário. Sou a favor da estabilidade política porque estou convencido que é importante ser-se dinâmico nas acções. E quando o mundo se está a alterar de forma tão rápida, os agentes políticos também devem estar preparados para fazer alterações. Se assim não for outros virão e no futuro ficaremos arrependidos por não termos tido a sabedoria e coragem precisas para fazer o que teria sido necessário.
Como ex-professor de economia fiscal acha que o mundo estará a fazer o suficiente para lidar convenientemente com esta crise financeira? Muitos pensam que os EUA estão a tentar salvar os bancos e não o povo.
No passado houve muitas outras crises. No Japão, na Indonésia, no México, na Rússia, na Argentina e na Tailândia. Porque será esta diferente das antecedentes? Porque o núcleo da crise é a maior economia do mundo: os Estados Unidos. Foram praticados erros medonhos na avaliação do comportamento de risco dos bancos. Os valores e os princípios éticos foram violados pelos agentes bancários e no final receberam estes prémios. Os prémios são normalmente concedidos para compensar a boa gestão, mas desta vez foram-no por incumprimento. Então que fazer? Julgo que o primeiro passo a dar será o de estabilizar os mercados financeiros. É impossível que o crescimento económico continue sem um sistema financeiro. Julgo que as decisões tomadas em Londres, no G-20, apontavam na direcção correcta. Como sabe, a Turquia estava ali representada. O G-20 foi importante na medida em que constituiu o reconhecimento que esta foi uma crise que não pode ser resolvida apenas com diálogo entre os EUA e alguns países europeus. As economias emergentes têm um papel essencial na solução desta crise. E tal vai influenciar a futura geo-estratégia no mundo. Ficou bem claro com esta crise que os EUA não tinham a possibilidade de repor unilateralmente a estabilidade económica. E Obama assim reconheceu quando veio e disse “Eu estou aqui para aprender convosco”. Portanto a palavra-chave agora é cooperação. Uma crise global pode ser resolvida com cooperação global entre muitos países do mundo. A China tem um papel a cumprir, porque é um enorme credor dos EUA. Diz-se que possui mais de um trilião de dólares americanos em obrigações. Mas julgo que 2010 ainda vai ser um ano difícil.
Devemos começar a reler A Capital de Marx?
O modelo da economia de mercado é o único que pode reconciliar a liberdade e o respeito pelos direitos humanos com a economia e o progresso social. Poderá haver hoje uma retórica sobre o fim do capitalismo, mas no final verá que a economia de mercado sobrevive. Para recreio intelectual poderemos querer reler A Capital de Marx. Li-o quando era estudante. Para mim chegou.
Parece que a NATO está ter dificuldades no relacionamento com a Rússia. Estará a Rússia a voltar a ser o que era e estaremos a entrar novamente numa época de Guerra-fria?
Não, não acredito nessas premissas. A Rússia é um parceiro estratégico da União Europeia e também da NATO. O diálogo tem que ser mantido. Tal não quererá dizer que a UE não deveria ter condenado o que sucedeu na Geórgia. Mas a NATO e a UE não podem ignorar a Rússia e a contribuição da Rússia para a paz e estabilidade. O aumento dos preços do petróleo e do gás podem ter proporcionado a alguns líderes russos a sensação do Poderio do Petróleo e do Poderio do Gás. Mas os preços já não têm a dimensão que tinham em anos recentes. A Rússia necessita da UE em termos de diálogo político e económico e poderemos dizer o mesmo quanto à UE.
O Senhor é o único líder político da Europa que assinou o Tratado de Maastricht de 1992 e que ainda se encontra em actividade. Olhando o passado como avalia a União Monetária Europeia que ficou estabelecida naquele tratado?
Considero o Euro um grande sucesso. Basta pensar no que seria a situação hoje do mercado cambial se não fora o Euro. Repare na situação da Islândia. Repare no que seria a situação da Irlanda sem o Euro. Entendo que o Banco Central Europeu tem realizado na generalidade um bom trabalho. Como economista penso que conduziram melhor a política monetária europeia que o FED conduziu nos EUA. Começamos com 11 países e agora somos 16 e muitos outros gostariam de aderir no futuro. É evidente que existem os critérios de convergência. Não foi fácil para Portugal cumprir com esses critérios. Mas felizmente éramos um dos países fundadores da União Monetária Europeia. No decorrer das negociações, Margaret Thatcher estava sentada ao meu lado e dizia “Nunca me encontrarão aqui!”. Pode assim verificar que mesmo um grande país não foi capaz de dar aquele passo importante, digamos, de avanço político na integração. Moeda, bandeira e equipas de futebol são símbolos de soberania. Para muitos países tais como a Alemanha, por exemplo, aceitar a desistência do Marco Alemão não foi tarefa fácil. Devemos louvar o Chanceler Kohl por essa razão. Sem o Chanceler Kohl teria sido impossível a criação da UME. Espero bem que um dia o povo turco também decida que em vez da Lira Turca deverá conviver com o Euro. Para países como Portugal, a eliminação dos custos das transacções, a eliminação de incertezas e a possibilidade de obter empréstimos e reembolsá-los na sua própria moeda é muito importante. Hoje a banca portuguesa pode ir à Alemanha obter empréstimos em Euros e reembolsá-los em Euros. Foi esse o problema da Islândia. Tiveram problemas em efectuar reembolsos em Euros. Se examinarmos os 50 anos da integração europeia, embora tenham surgido pequenos problemas de vez em quando, podemos afirmar que foi um caso de grande sucesso. Cinquenta anos de paz e prosperidade, e uma Europa com uma voz muito mais firme no palco internacional. Se a Turquia se juntar à UE passará a ter uma influência que isolada nunca poderá ter na política internacional. Mesmo um Estado membro de menor dimensão tem a possibilidade de projectar a sua própria imagem na política mundial através da UE. Mas a escolha pertence ao povo turco.

(Fonte: Presidência da República)

Vinhos do Douro e Porto na Turquia com o Presidente da República

Os vinhos do Douro e do Porto vão integrar a comitiva do Presidente da República na sua visita oficial à Turquia. Do dia 12 ao dia 15 de Maio, estes vinhos vão estar à prova neste país, que está entre os 20 principais destinos do investimento externo nacional.
A promoção feita pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) é uma das apostas a nível económico desta visita, que tem como objectivo o fortalecimento das relações comerciais entre os dois países. Neste sentido, estão previstas várias provas de vinhos destinadas a sectores específicos, como hotelaria e restauração. Apesar de ser um país com forte cariz muçulmano, a Turquia não proíbe o consumo do álcool e, além disso, a importação de Vinhos foi recentemente facilitada, abrindo assim portas a um potencial mercado. O IVDP faz parte da comitiva que vai acompanhar o Presidente da República, constituída por líderes de mais de 30 empresas cujos negócios são considerados os mais promissores para o desenvolvimento de relações económicas entre os dois países.

(Fonte: Notícias de Vila Real)

Abertura de delegação da AICEP em Istambul

O instituto governamental liderado por Basílio Horta aproveitará a viagem presidencial para abrir uma delegação na capital comercial da Turquia.
Não é por acaso que, em Istambul, Cavaco Silva participará num seminário com representantes de empresas dos dois países. E não é por acaso que a Agência para o Investimento e Comércio Externo (AICEP) vai abrir uma delegação, também em Istambul, durante esta visita do Presidente.
É forte a aposta nas relações comerciais. Numa altura em que o Governo turco se vira para África, onde abriu 21 embaixadas, o Chefe do Estado vai mostrar que Portugal pode ser um bom parceiro nesse continente. A ajudar estão o conhecimento e a experiência nas ex-colónias.
É variado o leque de empresários que acompanha o Presidente da República nesta viagem. Do turismo (Amorim, Grupo Pestana), à construção civil (Cimpor, Mota Engil, Martifer) e às novas tecnologias (Critical Software, Compta, PT Inovação), a comitiva empresarial integra também a banca (BCP).
O Millennium tem, nesta altura, 16 balcões na Turquia, mas, de acordo com a Lusa, que cita fonte do banco, "está a avaliar uma eventual alienação da sua participação, que deverá ser decidida ainda este ano". Também a Cimpor conhece bem este mercado, onde tem investidos 720 milhões de euros.
A propósito de uma viagem com tão grande cariz económico, vale a pena conhecer outros números: o saldo comercial entre Portugal e a Turquia é desfavorável para Lisboa em 146 milhões de euros. Citando dados do INE, a Lusa refere que as importações portuguesas com origem na Turquia sofreram um decréscimo de 76 milhões de euros, entre 2007 e 2008, passando dos 443 para os 367 milhões de euros.
No mesmo período, o valor das exportações para o mercado turco também teve uma quebra, ainda que mais ligeira, de 1,8%, cifrando-se em 221 milhões de euros.
De acordo com o AICEP, há 416 empresas nacionais a exportar para a Turquia, mas o peso das exportações para aquele mercado representa apenas 2,2% do total do comércio extracomunitário (liderado por Angola e os EUA).

(Fonte: DN)

Cavaco Silva: "A Europa precisa da Turquia"

O Presidente da República, Cavaco Silva, defende que a União Europeia precisa da Turquia para ser mais forte no cenário internacional, mas sublinha que o povo turco tem uma palavra a dizer no processo de adesão.
No dia em que o chefe de Estado português parte para a Turquia, o jornal "Zaman" publica uma entrevista a Cavaco Silva, realizada na semana passada em Lisboa e disponível na sua versão integral no site do jornal.
"A posição de Portugal tem sido muito consistente sobre a adesão da Turquia. Se queremos uma Europa mais forte no cenário internacional, que tenha uma palavra mais importante a dizer sobre paz, segurança e estabilidade, então a Europa precisa da Turquia", afirma Cavaco Silva.
Cavaco Silva diz mesmo que Portugal quer que todos os obstáculos à abertura de novos capítulos do processo de adesão da Turquia "sejam removidos", mas alerta que terá de haver boa vontade de ambos os lados.
"Se se tornar membro da União, [a Turquia] terá uma influência que sozinha não pode ter na cena internacional. Até um pequeno Estado-membro tem a oportunidade de projectar a sua imagem na política mundial através da União Europeia", sublinha. "Mas a escolha é do povo turco", alertou Cavaco Silva.
O chefe de Estado português recordou que a capital portuguesa conseguiu ter o seu nome na história europeia através do Tratado de Lisboa. "Espero que o Tratado possa ser implementado até ao final deste ano, é muito importante para o funcionamento da UE com 27 membros (...) Mais importante, criará condições para alargamentos futuros, incluindo a adesão da Turquia", considerou.
O Presidente da República salientou que as negociações de adesão "são sempre difíceis" e recordou a experiência portuguesa. "Penso que Portugal beneficiou muito com a adesão, mas a UE também beneficiou muito, devido à nossa relação especial com África, com a América Latina", referiu.
Realçando as semelhanças entre os dois países - ambos podem ser "pontes" entre continentes - Cavaco Silva sublinhou a importância de um aprofundamento das relações económicas entre Portugal e a Turquia. "Não estamos a pensar apenas no mercado turco, mas em outros mercados (...) Os empresários portugueses podiam aprender com os seus parceiros turcos como fazer negócios no Cáucaso e na região da Ásia Central", exemplificou.
Por outro lado, explicou, Portugal tem vantagens em mercados como o africano e latino-americano.
Cavaco Silva aterra hoje em Ancara para uma visita de Estado que se prolonga até sexta-feira e na qual se deslocará também a Istambul e Capadócia.

(Fonte: Lusa/Fim/Expresso)

Cavaco Silva parte hoje para a Turquia com três dezenas de empresários

Três dezenas de empresários portugueses integram a comitiva presidencial da viagem oficial à Turquia na expectativa de trazerem um novo carimbo no passaporte internacional dos seus negócios. A comitiva empresarial integra diferentes sectores de actividade: a saúde com a Bial e a Crioestaminal, as novas tecnologias representadas pela Critical Software, a PT Inovação e a Compta, a construção pela Mota Engil e pela sua subsidiária, a Martifer, o turismo com a Amorim Turismo e o grupo Pestana, as energias renováveis, através da EDP Renováveis, e a banca, representada pelo Banco Comercial Português (BCP). Para alguns empresários e gestores, esta viagem é o primeiro contacto com o país a meio caminho entre a Europa e o Médio Oriente, enquanto outros conhecem bem as particularidades do mercado turco, para onde, de acordo com o AICEP, exportam mais de 400 empresas portuguesas. O BCP, o representante da banca nacional, está na Turquia com 16 balcões Millenium Bank, tendo como públicos-alvo as classes média e alta. De acordo com fonte do banco, "o BCP tem uma posição interessante, mas neste momento está a avaliar uma eventual alienação da sua participação que deverá ser decidida ainda este ano". Em declarações à Lusa, a mesma fonte explicou que "está a ser avaliada a estratégia a seguir. Se decidirmos ficar, vai ser preciso fazer um grande investimento para crescer na Turquia". A cimenteira Cimpor é outra empresa para quem o mercado turco não esconde segredos, onde tem investimentos no valor de 720 milhões de euros, o que, de acordo com fonte da Presidência da República, é "o maior investimento estrangeiro industrial alguma vez realizado na Turquia". O presidente do conselho de administração da Crioestaminal, Raul Santos, parte com a missão de estudar dois contactos de empresas locais para a criação de parcerias na Turquia. "A expectativa é grande, porque já tivemos dois contactos que queremos aprofundar", contou o fundador da Crioestaminal. "A Turquia é um mercado com grande potencial, porque tem uma cultura muito próxima da ocidental e com uma população sete vezes superior à portuguesa", justificou. É a aproximação da cultura turca aos hábitos ocidentais que leva Armindo Monteiro, presidente da Compta, a acreditar que a Turquia pode ser um bom mercado. "Estamos na Qatar e a experiência é que os países muçulmanos recebem muito bem os Portugueses", acrescentou o empresário. Na comitiva vão também viajar o vinho português mais famoso: o Vinho do Porto. De acordo com Vilhena Pereira, "estão previstas várias provas de vinhos destinadas a sectores específicos, como a hotelaria e restauração". O presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) realçou que "apesar de ser um país muçulmano, a Turquia não proíbe o consumo de álcool e a importação foi recentemente facilitada". O programa da visita presidencial inclui um encontro empresarial, em Ancara, e um seminário económico, em Istambul, promovidos pelo AICEP, que abriu recentemente representação em Istambul, e pela União das Câmaras Empresariais Turca. Os empresários que vão acompanhar o chefe de Estado, nesta visita oficial de quatro dias, vão também ter oportunidade de manterem contactos com empresários turcos com vista ao reforço das relações comerciais e de investimento entre os dois países.

(Fonte: Público)

09 maio 2009

Mira Amaral alerta para uma maior dependência da Turquia devido à nova conduta de gás

Mira Amaral admite que a criação da nova conduta de gás a sul vai permitir à Europa libertar-se da dependência russa, mas alerta para a subordinação que vai ser criada em relação à Turquia. Defende que a Alemanha e outros países europeus situados junto ao mar deveriam criar terminais para receber gás proveniente de outros países do mundo.



(Fonte: Antena 1)

07 maio 2009

Presidente Cavaco Silva recebeu alunos Turcos do Programa ERASMUS

No âmbito da próxima Visita de Estado à República da Turquia, o Presidente da República recebeu, no Palácio de Belém, um grupo de estudantes Turcos que se encontram em Portugal a frequentar o Programa ERASMUS.

(Fonte: Presidência)

05 maio 2009

Ataque armado a casamento em aldeia curda do sudeste da Turquia causa 44 mortos

Ataque armado a casamento em aldeia curda do sudeste da Turquia causa 44 mortos (Foto: AFP)
Quarenta e quatro mortos é o balanço final de um violento ataque a uma festa de casamento, ocorrido ontem à noite, em Bilge, uma aldeia remota do sudeste da Turquia, na província de Mardin, junto à fronteira com a Síria. Entre os mortos estão os noivos, bem como seis crianças e 16 mulheres, e o imã, que oficiava a cerimónia.
O massacre ocorreu quando seis homens armados e encapuzados irromperam no salão onde se estava a festejar o casamento, e dispararam sobre os convidados, que na altura rezavam. No local estavam cerca de 200 convivas.
Apesar do ataque ter ocorrido na área onde o PKK, movimento separatista curdo, trava uma guerra sem quartel com o exército turco, todos os indícios apontam para que este massacre tenha sido devido a um mero ajuste de contas, sem qualquer motivação política. A maior parte das vítimas eram Curdas, e algumas pertenciam aos "guardas das aldeias", uma milícia promovida e armada pelo exército turco para ajudar a combater o PKK.

Clãs e tribos
No Sudeste da Turquia, onde a maioria da população é Curda, a sociedade ainda está organizada segundo padrões tradicionais, quase feudais, com o território dividido por clãs, liderados por um aga, que defendem ferozmente a sua tribo. Nesta região rural são frequentes crimes de sangue para repor a honra, reclamar direitos ou vingar alguma afronta, mas é raro sucederem ataques tão violentos e indiscriminados como o de ontem à noite.

A noiva era filha do antigo muhtar, ou chefe da aldeia, um posto administrativo eleito democraticamente, semelhante ao de presidente de Junta de Freguesia, mas nessa região geralmente ocupado por um chefe tribal local. Segundo declarações de habitantes da aldeia aos média turcos, uma rivalidade dividia algumas famílias locais, e uma delas estava contra o casamento, o que terá originado o ajuste de contas.

Testemunhas e feridos deram conta, ontem à noite, no hospital de Mardin, de uma "carnificina indescritível", um "banho de sangue". Duas crianças contaram a repórteres como escaparam da morte ao esconder-se debaixo de parentes que tinham sido atingidos.

As autoridades turcas cercaram logo a aldeia, e cortaram todas as estradas na região, impedindo o acesso de jornalistas ao local. O ministro do Interior turco anunciou esta manhã que "oito suspeitos foram já detidos. Tudo indica que o ataque tenha sido causado por uma rivalidade local, e nada faz suspeitar de um ataque terrorista".

Vários ministros turcos, entre os quais Atalay, e os ministros da Justiça, Sadullah Ergin, e da Agricultura Mehdi Eker, visitarão a aldeia hoje, onde desde manhã cedo uma máquina escavadora começara a abrir campas no cemitério local para enterrar as varias dezenas de cadáveres.

(Fonte: Expresso)




Nota: o balanço final de vítimas mortais neste massacre foi de 44 mortos e não 46 conforme noticiou a RTP.

03 maio 2009

Duas jovens representam Portugal nas Olimpíadas da Língua Turca



Portugal está representado pelo segundo ano consecutivo num concurso que envolve 715 participantes. As provas decorrem entre 27 de Maio e 10 de Junho, em Istambul e Ancara.
No ano passado os Portugueses levaram para Portugal medalhas e menções honrosas.

(Fonte: RTP)

01 maio 2009

Distúrbios em Istambul no 1º de Maio

As celebrações do dia 1º de Maio na cidade turca de Istambul começaram hoje com confrontos entre a Polícia e manifestantes de esquerda.
Representantes dos principais sindicatos dirigiram-se para a praça Taksim, um local emblemático da história recente do país.
Tal como em anos anteriores, a praça foi alvo de fortes medidas de segurança e viveram-se momentos bastantes tensos, apesar de mais calmos que em anos anteriores.
A Polícia estabeleceu barreiras, além de cortar o trânsito e suspender o transporte público para evitar que outros grupos de esquerda se unissem aos sindicatos.
As forças de segurança utilizaram gás lacrimogéneo e jactos de água para dispersar os manifestantes. Alguns deles ficaram levemente feridos e outros foram detidos.
Nas ruas que cercam a conhecida praça, manifestantes mascarados atiraram pedras à polícia e atacaram caixas e instituições bancárias.
No dia 1° de Maio de 1977, 34 pessoas foram assassinadas quando atiradores não identificados abriram fogo contra as 750 mil pessoas que se reuniram na praça Taksim.
A partir do golpe de Estado de 1980 foram proibidas as manifestações nesse local para evitar que se repetissem os incidentes de 1977.
Durante as duas últimas manifestações do 1º de maio, a repressão policial foi muito violenta e culminou com centenas de detidos e uma pessoa morta por causa do elevado nível de gás lacrimogéneo inalado.
Este ano, pela primeira vez, o Governo declarou o 1º de Maio como feriado nacional sob a designação de "Dia do Trabalho e da Solidariedade" e o Governo Civil de Istambul permitiu a presença de "um número razoável" de representantes dos sindicatos em Taksim, mas sem especificar nada mais.

(Fonte: EFE)

29 abril 2009

Três mortos e oito feridos em tiroteio em Istambul

Moradores de um bairro de classe média-alta de Istambul foram acordados na madrugada de segunda-feira com um tiroteio entre as forças de segurança e o dirigente de um grupo de extrema-esquerda.
Três mortos, oito feridos e um valente susto para os residentes de Bostanci - bairro de classe média-alta de Istambul - pouco habituados a tiroteio em plena madrugada. O confronto ocorreu quando a polícia se preparava para prender um dos líderes do grupo de extrema-esquerda Comando Revolucionário e foi recebida a tiro.
Helicópteros, carros blindados e centenas de polícias acabaram por ser envolvidos no tiroteio - que terá durado cinco horas - de que resultou a morte de um agente, a do activista e a de um transeunte, este atingido na cabeça. Entre os feridos estão sete polícias e um civil, um repórter de imagem de uma televisão turca, também ele surpreendido pela operação.
A operação no bairro Bostanci, situado no lado asiático da cidade turca, foi uma das 60 que a polícia realizou durante a noite de Domingo para segunda, revelou uma fonte governamental. De acordo com esta mesma fonte, as operações policiais decorreram sem incidentes e saldaram-se pela detenção de 40 suspeitos, 12 dos quais com ligações ao Comando Revolucionário, um grupo com ligações ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, separatista).
Em Istambul, porém, a situação foi bem menos pacífica. A polícia lançou granadas de gás lacrimogéneo para o interior do edifício de apartamentos, esperando que todos os moradores abandonassem o prédio, incluindo um líder extremista que seria detido de imediato. Fortemente armado, o activista optou por responder às forças de segurança, lançando contra estas engenhos explosivos que feriram vários agentes. E o tiroteio, que prosseguiu até à eliminação do radical, acabaria por vitimar um transeunte e um polícia.
"Sou um combatente e lutarei até ao fim", afirmou o activista, em conversa com a polícia via rádio. E acrescentou: "Provavelmente irei ser morto mas a nossa luta contra o fascismo e o terrorismo irá continuar tal como no passado".
Besir Atalay, ministro do Interior turco, num encontro com a imprensa horas mais tarde, identificou o activista como sendo Orhan Yilmazkaya, um dos três líderes do grupo Comando Revolucionário. O ministro revelou ainda que este grupo atacou alvos militares e a sede, em Istambul, do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no Governo). Por seu lado, o governador de Istambul, Muammer Güler, explicava que o grupo estava a preparar "para breve, um ataque espectacular. Apreendemos imensas armas, bombas e granadas".
"Fiquei em estado de choque, nem percebi o que estava a acontecer", disse Ilhan Kandaz, repórter de imagem da televisão turca NTV, apanhado no meio do tiroteio e ferido levemente numa orelha.
As operações policiais destinavam-se a prevenir um qualquer ataque no próximo dia 1 de Maio, que o Governo turco - sob pressão dos sindicatos - declarou, na semana passada, ser feriado nacional este ano.

(Fonte: Diário de Notícias)