15 agosto 2008

De visita à Turquia, Ahmadinejad critica EUA e Israel e apoia a entrada da Turquia na UE

O presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, atacou hoje os Estados Unidos e Israel, qualificando o primeiro de "agressor" e o segundo de "Estado construído com base em mentiras". No segundo dia da sua visita à Turquia e durante uma entrevista colectiva em Istambul, depois de se reunir com empresários turcos, Ahmadinejad acusou também as grandes potências ocidentais de impedirem que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), com sede em Viena, cumpra os seus reais objectivos. Ahmadinejad lembrou que a AIEA foi fundada com dois propósitos: prevenir a proliferação de bombas atómicas e contribuir para que todas as nações possam beneficiar do uso pacífico da energia nuclear. No entanto, "os grandes países não permitem isso. Enquanto eles desenvolvem todo tipo de armas nucleares, não deixam outros países usarem a energia nuclear", disse o presidente iraniano, em indirecta alusão às tensões com as potências ocidentais, devido ao polémico programa nuclear de Teerão. Estados Unidos, Israel e União Européia (UE) são contra que o Irão enriqueça urânio, porque temem que seja usado para fabricar uma bomba atómica, enquanto Teerão defende que tem direito de usar essa tecnologia com fins pacíficos. O líder iraniano disse que o seu país estava "muito feliz" com o embargo comercial imposto a Teerão por Washington há 15 anos, e negou que o mesmo tenha causado prejuízos à sua economia. "Agora somos um país nuclear. Estamos entre as primeiras cinco nações em matéria de biotecnologia e entre as dez primeiras em nanotecnologia. Dentro de pouco tempo enviaremos ao espaço um satélite 100% iraniano. Tudo isso foi conseguido sob o embargo americano", disse. Durante a sua longa entrevista colectiva, Ahmadinejad criticou os Estados Unidos, que definiu como um Estado "agressor" que deve sair do Iraque, e previu que as tropas enviadas por Washington serão obrigadas a partir, por se ter "erosionado" o poder da principal potência mundial no Oriente Médio." Após a retirada dos EUA, haverá um vazio de segurança no Iraque. Nós propomos que os países da região preencham esse vazio e ofereçam segurança. Não há necessidade de uma intervenção externa. Nós, como países da região, temos de garantir a segurança, estabilidade e integridade territorial do Iraque", disse. Sobre Israel, o líder iraniano definiu-o como um "Estado de guerra, terror e agressão construído com base em mentiras" há 60 anos para defender os interesses dos grandes poderes na região, e disse que os problemas do Oriente Médio não serão resolvidos sem a solução do "problema do regime sionista". Após afirmar que o "regime sionista" se voltou demais para "os grandes poderes" e prever que o final de Israel se está a aproximar, o líder iraniano considerou que o problema dos Palestinianos poderia ser resolvido com um plebiscito livre. No entanto, esta "proposta muito democrática do Irão" não é aceite pelos "chamados Estados democráticos do mundo". Afirmou também que as conversações de paz entre Síria e Israel não chegarão a nenhuma solução, porque, disse, o "problema real é o próprio regime sionista". Além disso, expressou o seu apoio à pretensão da Turquia de entrar na União Europeia (UE) como membro de pleno direito, mas advertiu que, nessa comunidade, "os grandes países que não querem o desenvolvimento da Turquia estão a colocar muitas condições para a sua entrada". "A Turquia é uma ponte segura para a região. Através da pertinência da Turquia, podem construir-se relações com os países desta região. A entrada da Turquia é de interesse para a UE", disse o presidente do Irão.

(Fonte: EFE)

Angola e Turquia reforçam cooperação económica

Angola e a Turquia vão reforçar o intercâmbio económico com a assinatura de um acordo de cooperação comercial, económico e técnico-cientifico, na base dos princípios da igualdade e reciprocidade de vantagens. O memorando, que será rubricado no dia 22, em Ancara, será antecedido pela “Cimeira de Cooperação Turquia-África”, convocada pelo presidente turco, Abdullah Gül. “A decorrer de 18 a 21 do mês em curso em Istambul, capital económica turca, a reunião tem como objectivo principal o aprofundamento das relações comerciais entre a República da Turquia e o continente africano”, lê-se no documento. A delegação angolana será constituída pelo ministro das Finanças, José Pedro de Morais, e pelos vice ministros do Comércio, Manuel da Cruz Neto, e da Hotelaria e Turismo, Paulino Baptista.

(Fonte: África 21)

Jogos Olimpicos de Pequim: Medalha de prata para a Turquia

A Etíope Tirunesh Dibaba, tripla campeã mundial, confirmou em pleno o seu favoritismo nos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos de Pequim, vencendo a corrida com a marca de 29.54,66 minutos, novo recorde olímpico e de África.
Numa das mais rápidas corridas da história, a segunda, a Turca Elvan Abeylegesse bateu o recorde da Europa (que era da Inglesa Paula Radcliffe) para 29.56,34 e a terceira, a Norte-americana Shalane Flanagan o das Américas, para 30.22,22. Em quarto, a Queniana Linet Chepkwemoi Masai, com 30.26,50, passa a ser a nova recordista mundial de juniores. Dibaba e Abeylegasse passaram a ser as segunda e terceira mais rápidas de sempre, mas ainda sem se aproximarem dos 29.31,78 de recorde do Mundo da Chinesa Junxia Wang. Ao contrário de confrontos recentes ao mais alto nível, nomeadamente em Campeonatos do Mundo, a Etiópia não dominou os acontecimentos, já que Mestawet Tufa (que era terceira do ano) desistiu e Ejegayehu Dibaba foi apenas 14ª.

(Fonte: Lusa)

14 agosto 2008

Turquia propõe nova Aliança Regional à Geórgia

O primeiro-ministro turco viajou para Tbilissi para discutir a crise com o presidente da Geórgia. Saakasahvili agradeceu a ajuda humanitária turca e pediu a ajuda da Turquia para a reconstrução de Gori e de outros pontos do país. Em discussão esteve ainda a criação de um acordo de segurança e cooperação.
Membro da NATO e aliada de Washington, a Turquia oferece agora à vizinha Geórgia uma garantia contra futuras incursões militares sob o escudo indirecto da Aliança Atlântica e dos amigos americanos.
Hoje mesmo, o parlamento da Geórgia aprovou por unanimidade a saída da Comunidade de Estados Independentes, organização das ex-repúblicas soviéticas, liderada pela Rússia. Uma decisão que corta os laços políticos militares e económicos com Moscovo.
Entretanto, o presidente Dmitry Medvedev recebeu no Kremlin os líderes da Abkázia e da Ossétia do Sul, as duas regiões separatistas da Geórgia. Foi assinado o acordo de cessar-fogo proposto pela UE e voltaram a afirmar a sua determinação em obter a independência.
A Rússia garantiu que vai manter a sua posição de sempre face às duas províncias separatistas: apoia e garantirá as decisões da Ossétia do Sul e da Abkázia, num eventual referendo a realizar de acordo com a carta das Nações Unidas.

(Fonte: TVI)

13 agosto 2008

Torneio de Istambul: Frederico Gil nos quartos-de-final


O tenista português Frederico Gil, terceiro cabeça-de-série, derrotou hoje o Austríaco Alexander Peya e garantiu a presença nos quartos-de-final do Torneio de Istambul, que distribui 100.000 dólares em prémios monetários. Num encontro muito equilibrado, Frederico Gil, número um português e 98º do ranking mundial, precisou de dois “tie-breaks” para vencer Peya, por 7-6 (9/7) e 7-6 (9/7). Com este triunfo, Frederico Gil arrecadou mais 19 pontos para o ranking e 2.920 dólares (cerca de 1.955 euros), que soma aos 129.995 (cerca de 87.045) que já ganhou esta temporada. Na próxima ronda do torneio de piso rápido, o tenista luso vai defrontar o Luxemburguês Gilles Muller, sétimo pré-designado e actual 132º do Mundo. Muller venceu o primeiro encontro entre ambos, em 2006, na primeira ronda da Taça Davis, enquanto, em 2007, Gil venceu os oitavos-de-final de Casablanca, Marrocos.

(Fonte: O Jogo)

Erdoğan desloca-se à Rússia e Geórgia

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, partiu hoje para Moscovo para se reunir com o presidente russo, Dmitri Medvedev, e falar sobre a guerra na Geórgia. Segundo a cadeia turca "NTV", após a visita à capital russa, Erdoğan viajará também para Tbilisi para se reunir com os dirigentes georgianos. A princípio, Erdoğan, que durante o mês de Agosto estaria formalmente no seu período de férias, deveria encontrar-se com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que chegará amanhã a Istambul numa visita de trabalho de três dias. Segundo a "NTV", a viagem de Erdoğan à Rússia e Geórgia durará apenas um dia e amanhã à noite o primeiro-ministro turco voltará a Istambul, para manter um encontro com o líder iraniano.

(Fonte: EFE)

ONG africanas e turcas estudam plataforma comum de cooperação

O Instituto África do Centro Asiático Turco para Estudos Estratégicos (TASAM) vai organizar nesta quinta-feira (14), em Istambul, um fórum entre Organizações não Governamentais turcas e africanas para estabelecer uma plataforma comum de cooperação entre as duas partes, informou a Panapress de fonte associativa. "O projecto do Fórum das Organizações não Governamentais da Turquia e de África destina-se a determinar as oportunidades que vão assegurar os interesses recíprocos e pode contribuir para o desenvolvimento duma visão coerente comum e aplicável para o futuro", declarou Süleyman Sensoy, presidente do TASAM. Os promotores do fórum pretendem fazer abrir institutos e centros de pesquisa sobre África nas universidades da Turquia, e promover geminações entre cidades africanas e turcas. Além disso, eles encaram organizar "semanas da Turquia e de África", dar informações sobre África às empresas turcas que procuram investir no continente e "encontrar soluções comuns aos problemas de comunicação". O encontro, que decorre desta quinta-feira (14) a Sábado (16) sob o lema "Cooperação e Desenvolvimento" propõe-se instaurar uma base de dados nos domínios da economia, do desenvolvimento, da educação, da saúde, da comunicação, do ambiente, da cultura, do turismo, da mulher e da criança. As ONG vão anunciar uma declaração comum que será submetida à "Cimeira da Cooperação da Turquia e de África" que contará com a participação de altos dirigentes africanos, de 18 a 21 de Agosto, sob a égide do Ministério turco dos Negócios Estrangeiros.

(Fonte: Panapress)

11 agosto 2008

Dois jornalistas turcos feridos em ataque de independentistas da Ossétia do Sul

Dois jornalistas turcos ficaram levemente feridos depois de independentistas da Ossétia do Sul terem lançado fogo contra uma equipa de quatro repórteres que cobriam o conflito bélico entre a Geórgia e as regiões da Ossétia do Sul e a Abkházia, ontem (10).
Segundo o site da rede "Kanaltürk", à qual pertenciam os dois feridos, Levent Öztürk e Güray Erven cruzaram a fronteira entre a Geórgia e a Ossétia do Sul sem passarem por nenhum controle policial e dirigiam-se para a capital da região autónoma, Tskhinvali.
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, cujo país mantém fortes interesses no Cáucaso, ligou para as duas partes que se enfrentam e apelou ao fim das hostilidades, mas Vladimir Putin não respondeu ao apelo.

(Fonte: EFE)

Explosão de mina no leste da Turquia mata nove militares turcos

Nove soldados turcos morreram e outros dois ficaram feridos depois da explosão de uma mina terrestre no leste da Turquia. A explosão deu-se na passagem de um veículo que transportava militares. Até ao momento a acção não foi reivindicada. No entanto, é frequente que militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), organização separatista curda considerada como terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia, ataquem forças militares turcas colocando minas comandadas à distância. O PKK reivindicou na semana passada a responsabilidade de um atentado com explosivos que provocou um incêndio numa estação de bombagem do oleoduto Bakou-Tbilissi-Ceyhan (BTC) situado também na província de Erzincan.

(Fonte: Público)

Activista tentou atear fogo ao próprio corpo em frente à Embaixada da China na Turquia

Uma pessoa tentou atear fogo no próprio corpo, na passada sexta-feira, em frente à Embaixada da China na Turquia, enquanto um grupo de Chineses muçulmanos denunciava a repressão dos direitos naquele país, cuja capital é a anfitriã dos Jogos Olímpicos 2008.
Cerca de 300 pessoas, a maioria refugiada uigure da região muçulmana de Xinjiang (noroeste da China), reuniram-se, rodeadas por um forte dispositivo de segurança, em frente à Embaixada chinesa no centro de Ancara. Enquanto um porta-voz lia uma declaração à imprensa, um dos manifestantes ateou fogo no próprio corpo. O homem sofreu queimaduras no rosto e nas mãos, antes da polícia chegar para apagar as chamas. O homem, de cerca de 30 anos de idade, foi hospitalizado.
Os manifestantes carregavam cartazes com as frases "Não aos Jogos Olímpicos sem direitos humanos" e "China assassina".

(Fonte: AFP)

07 agosto 2008

Três explosões em Istambul

Três pessoas ficaram feridas na sequência de três explosões registadas em Istambul, na Turquia. Testemunhas garantiram ter visto homens não identificados a lançar explosivos na direcção de um edifício da Câmara, em Üsküdar, parte asiática de Istambul.
Uma das explosões registou-se num camião do lixo, no parque de estacionamento do edifício camarário, e as outras duas num cemitério próximo, disse Mehmet Çakır, edil de Üsküdar, à agência turca Anatólia.
"Três trabalhadores ficaram ligeiramente feridos", referiu, por sua vez, o chefe da polícia de Istambul, Celalettin Cerrah.
A 27 de Julho, duas bombas explodiram em Istambul no bairro popular de Güngören, matando 17 pessoas e ferindo 154. O atentado não foi reivindicado.

(Fonte: Jornal de Notícias)

PKK assume autoria de explosão em oleoduto na Turquia

O grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) reivindicou a responsabilidade pela explosão que afectou, na terça-feira passada, o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC), na província turca de Erzincan, e que provocou um incêndio que só foi controlado nesta quinta-feira (7).
Segundo a agência "Firat", próxima ao PKK, o grupo guerrilheiro assumiu a autoria da sabotagem da instalação, que causou uma explosão e um forte incêndio, o que originou a interrupção do bombeamento de petróleo no oleoduto, que, com 1.768 quilômetros de comprimento, é o segundo mais longo do mundo.
Após a explosão, as autoridades regionais turcas e a companhia petrolífera estatal BOTAS descartaram a possibilidade de um atentado e atribuíram o facto a uma falha no encanamento.
No entanto, o PKK reivindicou o ataque mas não referiu os motivos da acção, apesar de, anteriormente, já ter cometido atentados contra linhas de energia que ligam Turquia e Irão.
O BTC, que fornece petróleo do Mar Cáspio aos mercados europeus, demorará uma semana para ser colocado novamente em funcionamento, informaram hoje à imprensa turca fontes da companhia inglesa British Petroleum (BP), uma das acionistas da infra-estrutura.
No entanto, o fornecimento de petróleo continuou de forma ininterrupta graças às reservas existentes no porto de Ceyhan, onde termina o oleoduto.

(Fonte: Globo)

05 agosto 2008

Assad e Erdoğan discutem segurança no Oriente Médio

O presidente sírio, Bashar al-Assad, chegou hoje à Turquia em viagem de férias, durante a qual aproveitou para falar com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, sobre assuntos de segurança regional.
Segundo a rede "NTV", Assad e a primeira-dama síria, Asma Assad, aterraram hoje na cidade turística de Bodrum, no litoral sudoeste da Turquia, onde foram recebidos pelo chefe do Governo turco e pela sua mulher, Emine Erdoğan.
Embora, de acordo com o programa oficial e a informação da agência de notícias estatal "Anadolu", Assad e Erdoğan só tenham falado sobre o potencial turístico da zona, o jornal "Hürriyet" afirmou que o principal tema entre os dois líderes foram as negociações de paz entre Israel e Síria patrocinadas por Ancara.
O principal objectivo destas negociações é que Israel devolva à Síria as Colinas do Golã (ocupadas militarmente desde a Guerra dos Seis Dias) em troca de uma promessa de paz por parte de Damasco.
Outro tema vigente nas relações bilaterais turco-sírias é a disputa em relação ao programa nuclear do Irão em virtude da vontade de Teerão de enriquecer urânio com fins nucleares.

(Fonte: EFE)

Incêndio em Antália controlado

Um incêndio que arrasou 5.000 hectares de florestas nas proximidades de Antália, um dos principais destinos turísticos do sul da Turquia, e custou a vida de duas pessoas foi controlado ao fim de seis dias, anunciou nesta terça-feira o chefe da direcção florestal, Osman Kahveci.
Mais de 2.500 pessoas, entre elas muitos vizinhos e soldados, trabalharam dia e noite para apagar as chamas numa frente de 160 km, apoiados por 15 aviões-tanque e helicópteros, indicou Kahveci. O terreno queimado tinha sido reflorestado depois de um incêndio anterior.

(Fonte: AFP)

04 agosto 2008

Luís Amado refere "papel destacado" de Ancara para paz e estabilidade da região


O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, referiu hoje em Ancara o "papel destacado" que a Turquia tem vindo a assumir no plano político e diplomático para a paz e estabilidade de toda a região.
Amado, que se encontra em Ancara desde Domingo a convite do homólogo, Ali Babacan, considerou, em conferência de imprensa, em Ancara, após um encontro dos dois chefes de diplomacia, que "os parceiros europeus devem valorizar o papel diplomático que a Turquia passou a desenvolver na região".
Contactado por telefone pela Agência Lusa, a partir de Lisboa, Luís Amado afirmou que "a Turquia não tinha uma tradição de grande envolvimento diplomático na região", mas que "passou a desenvolvê-lo", assumindo um papel "muito importante também para a Europa".
Esse papel - considerou Amado - "tem de ser valorizado pelos seus parceiros europeus".
Amado referiu o facto de durante a última presidência portuguesa da União Europeia (segundo semestre de 2007) ter sido mantido "o processo de relacionamento da Turquia com a UE, salientando ainda a necessidade de se continuar a dar apoio a esse processo".
O ministro encontrou-se também hoje com o Presidente turco, Abdullah Gül, com o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, devendo reunir-se ainda com a Comissão Parlamentar de Harmonização com a União Europeia.
À Agência Lusa, Amado disse haver uma "excelente relação entre Portugal e a Turquia", estando Lisboa agora sobretudo concentrada no reforço das relações bilaterais.
"Temos boas relações no plano bilateral", disse, frisando contudo ser "possível fazer mais".
"Gostaríamos de reforçar as relações económicas e acertar uma agenda para desenvolver as nossas relações de forma a poder aproveitar melhor o potencial que existe nos dois países", disse.
"Mas, naturalmente, aproveitamos o facto de a Turquia estar a desenvolver uma acção muito positiva na estabilização de toda a região (...) para, através dos vários contactos, nos inteirarmos da situação na região, que é de vital importância", concluiu.


(Fonte: Lusa / Expresso)

Entre Islão e Laicismo Turquia elegerá Europa

Hoje o partido é da Justiça e Desenvolvimento, mas os islamitas turcos têm sido imaginativos a rebaptizar o seu projecto político: da Salvação Nacional, do Bem-Estar, da Virtude, da Felicidade. Tudo para contornarem os obstáculos criados pela elite laica que dita as regras nesse país muçulmano desde a proclamação da república em 1923. A última arremetida aconteceu há dias, com o supremo tribunal a abster-se - por um voto! - de dissolver um partido que conta com metade do eleitorado e tem como militantes o primeiro-ministro Recep Erdoğan e o Presidente Abdullah Gül. Tudo porque o AKP (Adalet ve Kalkınma Partisi) é suspeito de pôr em causa o laicismo decretado por Kemal Atatürk para lançar a moderna Turquia, nascida das ruínas do império otomano. A decisão do supremo foi a mais sensata. Através de um rude corte no financiamento público do AKP, advertiu Erdoğan para não desafiar o legado de Atatürk, o homem que entendia a Europa como modelo. Mas ao mesmo tempo não derrubou um partido com enorme popularidade, evitando um conflito entre as duas correntes dessa nação de 71 milhões de habitantes, considerada a mais democrática do mundo islâmico e candidata oficial à União Europeia desde 2005. Aliás, tanto Europeus como Americanos (a leal Turquia integra a NATO desde 1952) fizeram saber que uma ilegalização do AKP seria péssima para a imagem do país. Não se repetem assim os tempos em que os militares - guardiães máximos do 'atatürkismo' - faziam golpes quando a via política não lhes agradava (1960, 1971 e 1980) ou pressionavam a justiça para ilegalizar os islamitas (1997). Erdoğan, porém, terá de ter em mente o derrube de Necmettin Erbakan, a quem de nada valeu ser primeiro-ministro quando o seu Partido do Bem-Estar foi decretado antilaico. O véu que usa Emine Erdoğan, e também a senhora Gül, é tido como um ultraje pelos laicos. E ainda mais grave foi a intenção de abolir a lei que interdita o uso do lenço nas universidades. Mas essa polémica é - sem trocadilhos - a ponta do véu: o moderado AKP é elogiado por recuperar a economia e aprofundar o Estado de direito, mas ao mesmo não pode, invocando as liberdades individuais, desafiar os alicerces que tornaram a Turquia um caso de sucesso no mundo islâmico. E que lhe abriram as portas do Ocidente, seja através da NATO seja um dia graças à adesão à União Europeia. É que uma Europa unida das Ilhas Britânicas à Anatólia é o caminho a seguir. E nem tão surpreendente assim: acaba de chegar ao Museu Britânico, em Londres, um busto de meia tonelada de Adriano encontrado numas escavações na Turquia. Um imperador romano do século II que foi até à Inglaterra observar a construção da muralha a que dá nome, mas também à Anatólia controlar as fronteiras orientais do seu domínio.