13 agosto 2008

ONG africanas e turcas estudam plataforma comum de cooperação

O Instituto África do Centro Asiático Turco para Estudos Estratégicos (TASAM) vai organizar nesta quinta-feira (14), em Istambul, um fórum entre Organizações não Governamentais turcas e africanas para estabelecer uma plataforma comum de cooperação entre as duas partes, informou a Panapress de fonte associativa. "O projecto do Fórum das Organizações não Governamentais da Turquia e de África destina-se a determinar as oportunidades que vão assegurar os interesses recíprocos e pode contribuir para o desenvolvimento duma visão coerente comum e aplicável para o futuro", declarou Süleyman Sensoy, presidente do TASAM. Os promotores do fórum pretendem fazer abrir institutos e centros de pesquisa sobre África nas universidades da Turquia, e promover geminações entre cidades africanas e turcas. Além disso, eles encaram organizar "semanas da Turquia e de África", dar informações sobre África às empresas turcas que procuram investir no continente e "encontrar soluções comuns aos problemas de comunicação". O encontro, que decorre desta quinta-feira (14) a Sábado (16) sob o lema "Cooperação e Desenvolvimento" propõe-se instaurar uma base de dados nos domínios da economia, do desenvolvimento, da educação, da saúde, da comunicação, do ambiente, da cultura, do turismo, da mulher e da criança. As ONG vão anunciar uma declaração comum que será submetida à "Cimeira da Cooperação da Turquia e de África" que contará com a participação de altos dirigentes africanos, de 18 a 21 de Agosto, sob a égide do Ministério turco dos Negócios Estrangeiros.

(Fonte: Panapress)

11 agosto 2008

Dois jornalistas turcos feridos em ataque de independentistas da Ossétia do Sul

Dois jornalistas turcos ficaram levemente feridos depois de independentistas da Ossétia do Sul terem lançado fogo contra uma equipa de quatro repórteres que cobriam o conflito bélico entre a Geórgia e as regiões da Ossétia do Sul e a Abkházia, ontem (10).
Segundo o site da rede "Kanaltürk", à qual pertenciam os dois feridos, Levent Öztürk e Güray Erven cruzaram a fronteira entre a Geórgia e a Ossétia do Sul sem passarem por nenhum controle policial e dirigiam-se para a capital da região autónoma, Tskhinvali.
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, cujo país mantém fortes interesses no Cáucaso, ligou para as duas partes que se enfrentam e apelou ao fim das hostilidades, mas Vladimir Putin não respondeu ao apelo.

(Fonte: EFE)

Explosão de mina no leste da Turquia mata nove militares turcos

Nove soldados turcos morreram e outros dois ficaram feridos depois da explosão de uma mina terrestre no leste da Turquia. A explosão deu-se na passagem de um veículo que transportava militares. Até ao momento a acção não foi reivindicada. No entanto, é frequente que militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), organização separatista curda considerada como terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia, ataquem forças militares turcas colocando minas comandadas à distância. O PKK reivindicou na semana passada a responsabilidade de um atentado com explosivos que provocou um incêndio numa estação de bombagem do oleoduto Bakou-Tbilissi-Ceyhan (BTC) situado também na província de Erzincan.

(Fonte: Público)

Activista tentou atear fogo ao próprio corpo em frente à Embaixada da China na Turquia

Uma pessoa tentou atear fogo no próprio corpo, na passada sexta-feira, em frente à Embaixada da China na Turquia, enquanto um grupo de Chineses muçulmanos denunciava a repressão dos direitos naquele país, cuja capital é a anfitriã dos Jogos Olímpicos 2008.
Cerca de 300 pessoas, a maioria refugiada uigure da região muçulmana de Xinjiang (noroeste da China), reuniram-se, rodeadas por um forte dispositivo de segurança, em frente à Embaixada chinesa no centro de Ancara. Enquanto um porta-voz lia uma declaração à imprensa, um dos manifestantes ateou fogo no próprio corpo. O homem sofreu queimaduras no rosto e nas mãos, antes da polícia chegar para apagar as chamas. O homem, de cerca de 30 anos de idade, foi hospitalizado.
Os manifestantes carregavam cartazes com as frases "Não aos Jogos Olímpicos sem direitos humanos" e "China assassina".

(Fonte: AFP)

07 agosto 2008

Três explosões em Istambul

Três pessoas ficaram feridas na sequência de três explosões registadas em Istambul, na Turquia. Testemunhas garantiram ter visto homens não identificados a lançar explosivos na direcção de um edifício da Câmara, em Üsküdar, parte asiática de Istambul.
Uma das explosões registou-se num camião do lixo, no parque de estacionamento do edifício camarário, e as outras duas num cemitério próximo, disse Mehmet Çakır, edil de Üsküdar, à agência turca Anatólia.
"Três trabalhadores ficaram ligeiramente feridos", referiu, por sua vez, o chefe da polícia de Istambul, Celalettin Cerrah.
A 27 de Julho, duas bombas explodiram em Istambul no bairro popular de Güngören, matando 17 pessoas e ferindo 154. O atentado não foi reivindicado.

(Fonte: Jornal de Notícias)

PKK assume autoria de explosão em oleoduto na Turquia

O grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) reivindicou a responsabilidade pela explosão que afectou, na terça-feira passada, o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC), na província turca de Erzincan, e que provocou um incêndio que só foi controlado nesta quinta-feira (7).
Segundo a agência "Firat", próxima ao PKK, o grupo guerrilheiro assumiu a autoria da sabotagem da instalação, que causou uma explosão e um forte incêndio, o que originou a interrupção do bombeamento de petróleo no oleoduto, que, com 1.768 quilômetros de comprimento, é o segundo mais longo do mundo.
Após a explosão, as autoridades regionais turcas e a companhia petrolífera estatal BOTAS descartaram a possibilidade de um atentado e atribuíram o facto a uma falha no encanamento.
No entanto, o PKK reivindicou o ataque mas não referiu os motivos da acção, apesar de, anteriormente, já ter cometido atentados contra linhas de energia que ligam Turquia e Irão.
O BTC, que fornece petróleo do Mar Cáspio aos mercados europeus, demorará uma semana para ser colocado novamente em funcionamento, informaram hoje à imprensa turca fontes da companhia inglesa British Petroleum (BP), uma das acionistas da infra-estrutura.
No entanto, o fornecimento de petróleo continuou de forma ininterrupta graças às reservas existentes no porto de Ceyhan, onde termina o oleoduto.

(Fonte: Globo)

05 agosto 2008

Assad e Erdoğan discutem segurança no Oriente Médio

O presidente sírio, Bashar al-Assad, chegou hoje à Turquia em viagem de férias, durante a qual aproveitou para falar com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, sobre assuntos de segurança regional.
Segundo a rede "NTV", Assad e a primeira-dama síria, Asma Assad, aterraram hoje na cidade turística de Bodrum, no litoral sudoeste da Turquia, onde foram recebidos pelo chefe do Governo turco e pela sua mulher, Emine Erdoğan.
Embora, de acordo com o programa oficial e a informação da agência de notícias estatal "Anadolu", Assad e Erdoğan só tenham falado sobre o potencial turístico da zona, o jornal "Hürriyet" afirmou que o principal tema entre os dois líderes foram as negociações de paz entre Israel e Síria patrocinadas por Ancara.
O principal objectivo destas negociações é que Israel devolva à Síria as Colinas do Golã (ocupadas militarmente desde a Guerra dos Seis Dias) em troca de uma promessa de paz por parte de Damasco.
Outro tema vigente nas relações bilaterais turco-sírias é a disputa em relação ao programa nuclear do Irão em virtude da vontade de Teerão de enriquecer urânio com fins nucleares.

(Fonte: EFE)

Incêndio em Antália controlado

Um incêndio que arrasou 5.000 hectares de florestas nas proximidades de Antália, um dos principais destinos turísticos do sul da Turquia, e custou a vida de duas pessoas foi controlado ao fim de seis dias, anunciou nesta terça-feira o chefe da direcção florestal, Osman Kahveci.
Mais de 2.500 pessoas, entre elas muitos vizinhos e soldados, trabalharam dia e noite para apagar as chamas numa frente de 160 km, apoiados por 15 aviões-tanque e helicópteros, indicou Kahveci. O terreno queimado tinha sido reflorestado depois de um incêndio anterior.

(Fonte: AFP)

04 agosto 2008

Luís Amado refere "papel destacado" de Ancara para paz e estabilidade da região


O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, referiu hoje em Ancara o "papel destacado" que a Turquia tem vindo a assumir no plano político e diplomático para a paz e estabilidade de toda a região.
Amado, que se encontra em Ancara desde Domingo a convite do homólogo, Ali Babacan, considerou, em conferência de imprensa, em Ancara, após um encontro dos dois chefes de diplomacia, que "os parceiros europeus devem valorizar o papel diplomático que a Turquia passou a desenvolver na região".
Contactado por telefone pela Agência Lusa, a partir de Lisboa, Luís Amado afirmou que "a Turquia não tinha uma tradição de grande envolvimento diplomático na região", mas que "passou a desenvolvê-lo", assumindo um papel "muito importante também para a Europa".
Esse papel - considerou Amado - "tem de ser valorizado pelos seus parceiros europeus".
Amado referiu o facto de durante a última presidência portuguesa da União Europeia (segundo semestre de 2007) ter sido mantido "o processo de relacionamento da Turquia com a UE, salientando ainda a necessidade de se continuar a dar apoio a esse processo".
O ministro encontrou-se também hoje com o Presidente turco, Abdullah Gül, com o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, devendo reunir-se ainda com a Comissão Parlamentar de Harmonização com a União Europeia.
À Agência Lusa, Amado disse haver uma "excelente relação entre Portugal e a Turquia", estando Lisboa agora sobretudo concentrada no reforço das relações bilaterais.
"Temos boas relações no plano bilateral", disse, frisando contudo ser "possível fazer mais".
"Gostaríamos de reforçar as relações económicas e acertar uma agenda para desenvolver as nossas relações de forma a poder aproveitar melhor o potencial que existe nos dois países", disse.
"Mas, naturalmente, aproveitamos o facto de a Turquia estar a desenvolver uma acção muito positiva na estabilização de toda a região (...) para, através dos vários contactos, nos inteirarmos da situação na região, que é de vital importância", concluiu.


(Fonte: Lusa / Expresso)

Entre Islão e Laicismo Turquia elegerá Europa

Hoje o partido é da Justiça e Desenvolvimento, mas os islamitas turcos têm sido imaginativos a rebaptizar o seu projecto político: da Salvação Nacional, do Bem-Estar, da Virtude, da Felicidade. Tudo para contornarem os obstáculos criados pela elite laica que dita as regras nesse país muçulmano desde a proclamação da república em 1923. A última arremetida aconteceu há dias, com o supremo tribunal a abster-se - por um voto! - de dissolver um partido que conta com metade do eleitorado e tem como militantes o primeiro-ministro Recep Erdoğan e o Presidente Abdullah Gül. Tudo porque o AKP (Adalet ve Kalkınma Partisi) é suspeito de pôr em causa o laicismo decretado por Kemal Atatürk para lançar a moderna Turquia, nascida das ruínas do império otomano. A decisão do supremo foi a mais sensata. Através de um rude corte no financiamento público do AKP, advertiu Erdoğan para não desafiar o legado de Atatürk, o homem que entendia a Europa como modelo. Mas ao mesmo tempo não derrubou um partido com enorme popularidade, evitando um conflito entre as duas correntes dessa nação de 71 milhões de habitantes, considerada a mais democrática do mundo islâmico e candidata oficial à União Europeia desde 2005. Aliás, tanto Europeus como Americanos (a leal Turquia integra a NATO desde 1952) fizeram saber que uma ilegalização do AKP seria péssima para a imagem do país. Não se repetem assim os tempos em que os militares - guardiães máximos do 'atatürkismo' - faziam golpes quando a via política não lhes agradava (1960, 1971 e 1980) ou pressionavam a justiça para ilegalizar os islamitas (1997). Erdoğan, porém, terá de ter em mente o derrube de Necmettin Erbakan, a quem de nada valeu ser primeiro-ministro quando o seu Partido do Bem-Estar foi decretado antilaico. O véu que usa Emine Erdoğan, e também a senhora Gül, é tido como um ultraje pelos laicos. E ainda mais grave foi a intenção de abolir a lei que interdita o uso do lenço nas universidades. Mas essa polémica é - sem trocadilhos - a ponta do véu: o moderado AKP é elogiado por recuperar a economia e aprofundar o Estado de direito, mas ao mesmo não pode, invocando as liberdades individuais, desafiar os alicerces que tornaram a Turquia um caso de sucesso no mundo islâmico. E que lhe abriram as portas do Ocidente, seja através da NATO seja um dia graças à adesão à União Europeia. É que uma Europa unida das Ilhas Britânicas à Anatólia é o caminho a seguir. E nem tão surpreendente assim: acaba de chegar ao Museu Britânico, em Londres, um busto de meia tonelada de Adriano encontrado numas escavações na Turquia. Um imperador romano do século II que foi até à Inglaterra observar a construção da muralha a que dá nome, mas também à Anatólia controlar as fronteiras orientais do seu domínio.

O intervalo turco

In Expresso por Miguel Monjardino

Foi por muito pouco. Apenas um voto impediu o Tribunal Constitucional da Turquia de extinguir o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no Governo) e de banir o Presidente Abdullah Gül, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan e dezenas de outras pessoas do AKP de exercerem actividade política durante alguns anos. O partido e os seus líderes eram acusados de querer aumentar drasticamente a influência da religião no dia-a-dia da Turquia, uma acusação extremamente grave num país dominado há décadas por uma elite que sempre viu a subordinação da religião ao Estado como algo essencial. Em vez de ser extinto, como pretendia o procurador-geral Abdurrahman Yalçınkaya, o Tribunal Constitucional restringiu o acesso do AKP a fundos públicos. Dito de outra forma, o tribunal considerou parcialmente procedente a acusação. Abdullah Gül, Recep Tayyip Erdoğan e os seus colegas continuam a exercer os seus cargos políticos mas levaram um cartão amarelo.
O acórdão mostra que a Turquia está a passar por um momento extremamente delicado do ponto de vista político. A fragilidade da situação ficou bem expressa nas palavras do juiz-presidente, Haşım Kılıç: "Espero que este acórdão seja muito bem estudado e que o partido em questão receba a mensagem desejada. Hoje o tribunal não conseguiu o número de votos necessário para fechar um partido... mas este acórdão é um aviso ao partido. Um aviso sério". A maneira como este acórdão vai ser recebido e gerido pela liderança do AKP e pela oposição terá enorme influência no futuro da Turquia. Se olharmos para a geopolítica e para a economia do país, vemos que Ancara tem, pela primeira vez em muitas décadas, trunfos muito importantes nas mãos. Todavia, na ausência de um consenso político e social interno, estes trunfos valerão bastante menos no futuro.
A primeira coisa a fazer do ponto de vista geopolítico é relembrar que durante séculos o território da actual Turquia foi a sede de um império extremamente poderoso e influente no Mediterrâneo e Mar Negro do ponto de vista militar e comercial. Se tivermos isto presente, vemos que a Turquia a que nos habituámos nas últimas décadas é uma aberração histórica. Esta Turquia é o resultado do colapso do império Otomano e da Guerra Fria. Ambos os acontecimentos diminuíram drasticamente a ambição e a margem de manobra externa de Ancara. Nos últimos anos Ancara tem vindo a libertar-se desta herança e a regressar a áreas onde historicamente foi tida em conta - Ásia Central, Cáucaso, Médio-Oriente e Sudoeste da Europa. A anunciada intenção dos países europeus de diminuírem a sua dependência energética em relação à Rússia aumenta ainda mais a importância geopolítica da Turquia. Os partidários da entrada de Ancara na União Europeia (UE) sabem isto muito bem. As capacidades militares e o potencial geopolítico da Turquia tornariam a UE uma entidade substancialmente diferente da actual. O que é importante ter presente agora é que, ao contrário do que aconteceu entre 1923 e, digamos, 2001, a Turquia tem hoje muito mais opções.
Se olharmos para a economia, vemos o mesmo. Em 2001 a Turquia esteve à beira de um precipício económico. O sistema bancário entrou em colapso, a lira perdeu metade do seu valor e o país entrou em recessão. A primeira vitória do AKP em 2002 permitiu que fosse iniciado um importante processo de reformas económicas. Estas reformas ajudaram a economia turca a crescer desde então a um ritmo de 6% ao ano e têm vindo a atrair importantes investimentos estrangeiros. Nos últimos seis anos estes investimentos atingiram a casa dos 22 biliões de dólares. Os grupos económicos e as empresas turcas também não têm estado propriamente parados. Investiram 28 biliões de dólares na Rússia em 2006 e vão querer participar activamente nos enormes investimentos que Moscovo vai fazer nas suas dilapidadas infra-estruturas até 2020. No Iraque, especialmente no Curdistão, os investimentos turcos já ultrapassaram os 10 biliões de dólares. A Turquia é um país cada vez mais activo na economia internacional. A estrutura demográfica confirma o potencial do país como um mercado extremamente apetecível.
O potencial da Turquia é um resultado das transformações geopolíticas regionais e da sociedade e economia do país. Para grande parte da elite turca e muitos europeus, este processo de transformação deveria diminuir o papel da religião na sociedade turca. Em vez disso, e como é natural, a crescente prosperidade e integração na economia internacional está a tornar a religião mais importante para cada vez mais pessoas. O problema é que a maior importância e visibilidade da religião tem vindo a dividir profundamente o país nos últimos anos. Resolver este impasse através de um novo consenso político será vital para a concretização dos actuais trunfos turcos. O acórdão do Tribunal Constitucional mostra a dimensão do actual impasse constitucional em Ancara. Esta semana a Turquia foi para intervalo.

03 agosto 2008

Exército turco mata oito rebeldes curdos no sudeste da Turquia

Oito rebeldes curdos foram mortos em confrontos com as forças de segurança no sudeste da Turquia, anunciou o Exército turco neste Domingo.
Estes membros do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) foram mortos na manhã de Sábado numa região montanhosa da província de Şırnak, perto da fronteira com o Iraque, destacou o Exército em comunicado.
Os combates começaram depois do assassinato de cinco curdos, membros de uma milícia pro-governamental, na noite passada na mesma província.
Os serviços de segurança também encontraram Sábado uma bomba composta por 15 quilos de produtos químicos e diesel numa área montanhosa da província de Bingöl (leste), segundo o comunicado do Exército.

(Fonte: AFP)

Vinte e sete recém-nascidos morrem em 15 dias em hospital público na Turquia

Vinte e sete recém-nascidos morreram nos 15 últimos dias num hospital público de Ancara, anunciou a chefe da equipa médica deste estabelecimento, citada pela agência de notícias Anatólia.
Enquanto os médicos atribuíram as mortes a diversas causas, um sindicato denunciou as péssimas condições de higiene no estabelecimento.
A direcção do hospital, que tinha anunciado que um terço das mortes tinha sido provocada por doenças infecciosas, anunciou em entrevista colectiva que os resultados dos testes efectuados não mostraram sinais de infecção. Os recém-nascidos, todos prematuros, morreram por outras causas, como hipertensão, insuficiência cardíaca ou complicações pós-parto, afirmou o chefe da maternidade, citado pela agência Anatólia. "Os testes não indicaram qualquer anomalia", declarou Uğur Dilmen, destacando que 47 dos 504 bebés tratados no hospital em Julho morreram. Ele descartou que a negligência dos médicos possa ter sido uma das causas das mortes. O hospital é um dos mais frequentados de Ancara e trata vários casos complicados, recebendo recém-nascidos procedentes de todo o país, ressaltou Dilmen. O sindicato dos trabalhadores das profissões médicas SES, que disse ter sido informado por alguns de seus membros funcionários do hospital, confirmou as 27 mortes, mas afirmou que todas elas foram registadas em apenas três dias desta semana, entre quinta-feira e Sábado. Para a secção do SES em Ancara, a propagação das doenças deve-se às péssimas condições de higiene dentro do hospital, onde obras estão em andamento e onde o número de pacientes é muito superior à capacidade do estabelecimento. "A sala de parto foi deslocada para um edifício que não satisfaz as condições de higiene, o que favorece as contaminações", explicou à AFP Ibrahim Kara, um representante do SES. O sindicato também criticou a superlotação do estabelecimento. "Houve casos de duas ou três mulheres à espera na mesma maca antes de dar à luz, e de três recém-nascidos colocados na mesma incubadora", afirmou Kara.

(Fonte: AFP)

02 agosto 2008

Separatistas curdos ligados a duplo atentado em Istambul foram detidos

Os dois atentados à bomba que causaram 17 mortos no passado Domingo, dia 27 de Julho, em Istambul, foram realizados por extremistas separatistas curdos, declarou hoje o ministro do Interior turco, Beşir Atalay, anunciando que alguns dos autores já foram detidos. "Foi um acto desumano da sangrenta organização separatista terrorista", declarou aos jornalistas Atalay, utilizando a designação habitual das autoridades turcas para o Partidos dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
Dez suspeitos foram interrogados e entregues às autoridades judiciais antes de expirar o prazo legal de quatro dias de prisão sob custódia, afirmou o ministro. Aqueles suspeitos constituem a maioria dos que estiveram implicados nos atentados de Domingo passado, entre os quais os "que participaram pessoalmente", disse. Segundo Atalay, a polícia turca considera o caso resolvido e as descobertas feitas "não deixam lugar à dúvida" sobre a identidade dos autores dos atentados.
Duas bombas colocadas em contentores de lixo explodiram a 27 de Julho com dez minutos de intervalo numa rua de peões muito frequentada do bairro de Güngören, na parte europeia de Istambul. Dezassete pessoas morreram, incluindo cinco crianças e uma mulher grávida. Dos 154 feridos nos atentados, 27 continuavam hoje hospitalizados, mas nenhum corria risco de vida, declarou o ministro do Interior turco.
Durante o inquérito, a polícia descobriu que a explosão de uma bomba que feriu dez pessoas em Junho numa outra zona de Istambul era obra das mesmas pessoas que realizaram os atentados de 27 de Julho, afirmou Atalay.

Crise política

No dia do atentado o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, tinha acusado implicitamente os rebeldes curdos de serem os responsáveis pelo atentado. Erdoğan recusou-se a pronunciar o nome do PKK, por considerar que isso seria “propaganda” para os rebeldes, mas durante a visita a Güngören, bairro residencial de classe média na margem europeia da cidade, os populares gritaram insistentemente: “Abaixo o PKK”.

O atentado surge num momento de tensão no país, numa altura em que o Tribunal Constitucional começa a analisar um pedido para dissolução do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002, acusado de actividades anti-laicas.

A eventual dissolução criaria uma grave crise política no país, podendo forçar a realização de eleições antecipadas às quais Erdoğan poderá não ser autorizado a concorrer se a instância judicial der também provimento ao pedido para suspender os dirigentes da formação conservadora, nascida nos meandros do movimento islamista turco. Contudo, Erdoğan sublinha que o atentado em Istambul veio minimizar a crise política. “O nosso problema não é se o AKP é ou não fechado. O nosso problema actual é garantir a unidade para que o nosso país avance numa direcção diferente”, afirmou.

Os rebeldes curdos lutam, desde 1984, pela instauração de um estado curdo no sudeste do país, onde são maioritários, e no seu historial contam com vários ataques armados e atentados, além das ofensivas contra o Exército turco. Ilegalizado na Turquia, o PKK é considerado uma organização terrorista pela União Europeia e Estados Unidos. Contudo, um dos ataques mais sangrentos registados no país foi atribuído à células da Al-Qaeda na região. Em Novembro de 2003, as explosões visaram duas sinagogas, o consulado britânico e a delegação do banco britânico HSBC de Istambul, a grande metrópole da Turquia, matando 63 pessoas.

(Fonte: Público)

31 julho 2008

Partido no poder escapa com aviso

Ao fim de três dias de deliberações, o Tribunal Constitucional turco decidiu ontem não dar provimento à queixa contra o partido no poder (Justiça e Desenvolvimento, AKP), acusado de "actividades anti-seculares". Com a decisão, os juízes evitam a dissolução do partido conservador islâmico. A eventual interdição da força política teria agravado a crise no país, com cenários imprevisíveis e, no mínimo, eleições antecipadas.
Na realidade, o AKP escapou por um triz da interdição. Dos 11 juízes do Tribunal Constitucional, seis votaram a favor da encerramento, menos um voto do que era necessário (maioria qualificada, sete).
Mesmo os cinco votos favoráveis consideraram que o partido tem "actividades anti-seculares", embora não em extensão que justifique abolir a formação. "Espero que o partido avalie o resultado e receba a mensagem que precisa de ouvir", ameaçou o presidente do Tribunal, Haşim Kılıç, que foi um dos que votaram a favor da penalização monetária.
Apesar do puxão de orelhas e da redução para metade dos financiamentos estatais, o AKP reagiu ontem com evidente alívio. O presidente do Parlamento, Köksal Toptan, membro do AKP, afirmou que a decisão teria impacto muito favorável na redução das tensões políticas. Segundo a CNNTürk, quando a decisão foi anunciada, houve aplausos na sede do AKP, na capital, Ancara.
A queixa não abrangia apenas o partido, mas também 71 políticos ligados ao movimento islâmico, incluindo o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan e o presidente Abdullah Gül, além de cinco ministros e 30 deputados. Todos arriscavam uma interdição de cinco anos de actividade política. Seria o equivalente à decapitação da elite no poder.
O AKP governa desde 2002 e define-se como conservador, embora tenha origens no movimento islâmico. No contexto da república secular fundada por Kemal Atatürk, em 1923, este partido é olhado com grande desconfiança pelos chamados kemalistas, que dominam a magistratura, o exército e os media. Uma iniciativa do Governo contra a lei que proíbe o uso de véu islâmico nos edifícios públicos foi a gota de água que esgotou a paciência dos republicanos. Os militares já estavam descontentes com as hesitações do Governo em permitir invadir o Iraque para perseguir separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
A tentativa de dissolver o partido no poder ocorreu numa altura de crise. No Domingo, explodiram duas bombas em Istambul, a maior cidade do país, matando 17 pessoas. O atentado foi atribuído ao PKK. E, nas últimas semanas, a Turquia foi abalada pelo escândalo Ergenekon, baptizado com o nome da rede ultranacionalista que visava desestabilizar o país para forçar os militares a fazerem um golpe de Estado.
Os dirigentes do AKP esperavam a decisão de dissolução e, no Domingo, os líderes encontraram-se num apartamento, em Ancara. Esta reunião juntou o primeiro-ministro e o presidente e produziu intensa especulação na imprensa turca.
Fontes do AKP têm tentado passar a ideia de que foi discutido o atentado de Istambul, mas a reunião começou antes das explosões. Erdoğan e Gül falaram de cenários da dissolução do partido, escreve o influente Hürriyet. Cenários que por enquanto não será necessário concretizar.

(Fonte: DN)

Igreja na Turquia pede democracia

“Não há alternativas à democracia.” Foi o que declarou D. Luigi Padovese, vigário apostólico de Anatólia e presidente da Conferência Episcopal Turca, no dia seguinte ao massacre (17 mortos) que aconteceu no Domingo passado em Istambul, após a explosão de duas bombas.
Em declarações publicadas por "L'Osservatore Romano", o bispo fala de “sentimentos de apreensão” e recorda que o Tribunal Constitucional turco reuniu-se para decidir sobre a proibição ao partido do governo, AKP, acusado de querer introduzir a lei islâmica no pais laico de maioria muçulmana.
“Estamos à espera da sentença do Tribunal Constitucional", afirmou o prelado. "Estas bombas têm um carácter muito evidente, o de desestabilizar uma situação que já é bastante inquieta. Está claro que um dia antes da sentença, isso se interpreta assim. O apelo que podemos lançar vale menos que nada. Inclusive porque não somos uma realidade tão representativa. O apelo é para o prevalecimento da democracia dentro deste país”, reconhece.
Segundo D. Padovese, os problemas que há “estão ligados a posições de poder. Existe a necessidade de salvaguardar a laicidade e ao mesmo tempo o direito a dar a essa laicidade uma expressão democrática. Uma democracia representa sempre riscos, mas não há alternativas à democracia. Até agora, a situação da Turquia permaneceu nesta imobilidade precisamente pelas forças de poder que se opõem”, concluiu.
A decisão do Tribunal Constitucional da Turquia, tornada pública na passada quarta-feira, foi a de não ilegalizar o partido do Governo, apesar de o ter penalizado com a retirada de ajudas públicas.

(Fonte: Zenit)