04 agosto 2008

O intervalo turco

In Expresso por Miguel Monjardino

Foi por muito pouco. Apenas um voto impediu o Tribunal Constitucional da Turquia de extinguir o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no Governo) e de banir o Presidente Abdullah Gül, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan e dezenas de outras pessoas do AKP de exercerem actividade política durante alguns anos. O partido e os seus líderes eram acusados de querer aumentar drasticamente a influência da religião no dia-a-dia da Turquia, uma acusação extremamente grave num país dominado há décadas por uma elite que sempre viu a subordinação da religião ao Estado como algo essencial. Em vez de ser extinto, como pretendia o procurador-geral Abdurrahman Yalçınkaya, o Tribunal Constitucional restringiu o acesso do AKP a fundos públicos. Dito de outra forma, o tribunal considerou parcialmente procedente a acusação. Abdullah Gül, Recep Tayyip Erdoğan e os seus colegas continuam a exercer os seus cargos políticos mas levaram um cartão amarelo.
O acórdão mostra que a Turquia está a passar por um momento extremamente delicado do ponto de vista político. A fragilidade da situação ficou bem expressa nas palavras do juiz-presidente, Haşım Kılıç: "Espero que este acórdão seja muito bem estudado e que o partido em questão receba a mensagem desejada. Hoje o tribunal não conseguiu o número de votos necessário para fechar um partido... mas este acórdão é um aviso ao partido. Um aviso sério". A maneira como este acórdão vai ser recebido e gerido pela liderança do AKP e pela oposição terá enorme influência no futuro da Turquia. Se olharmos para a geopolítica e para a economia do país, vemos que Ancara tem, pela primeira vez em muitas décadas, trunfos muito importantes nas mãos. Todavia, na ausência de um consenso político e social interno, estes trunfos valerão bastante menos no futuro.
A primeira coisa a fazer do ponto de vista geopolítico é relembrar que durante séculos o território da actual Turquia foi a sede de um império extremamente poderoso e influente no Mediterrâneo e Mar Negro do ponto de vista militar e comercial. Se tivermos isto presente, vemos que a Turquia a que nos habituámos nas últimas décadas é uma aberração histórica. Esta Turquia é o resultado do colapso do império Otomano e da Guerra Fria. Ambos os acontecimentos diminuíram drasticamente a ambição e a margem de manobra externa de Ancara. Nos últimos anos Ancara tem vindo a libertar-se desta herança e a regressar a áreas onde historicamente foi tida em conta - Ásia Central, Cáucaso, Médio-Oriente e Sudoeste da Europa. A anunciada intenção dos países europeus de diminuírem a sua dependência energética em relação à Rússia aumenta ainda mais a importância geopolítica da Turquia. Os partidários da entrada de Ancara na União Europeia (UE) sabem isto muito bem. As capacidades militares e o potencial geopolítico da Turquia tornariam a UE uma entidade substancialmente diferente da actual. O que é importante ter presente agora é que, ao contrário do que aconteceu entre 1923 e, digamos, 2001, a Turquia tem hoje muito mais opções.
Se olharmos para a economia, vemos o mesmo. Em 2001 a Turquia esteve à beira de um precipício económico. O sistema bancário entrou em colapso, a lira perdeu metade do seu valor e o país entrou em recessão. A primeira vitória do AKP em 2002 permitiu que fosse iniciado um importante processo de reformas económicas. Estas reformas ajudaram a economia turca a crescer desde então a um ritmo de 6% ao ano e têm vindo a atrair importantes investimentos estrangeiros. Nos últimos seis anos estes investimentos atingiram a casa dos 22 biliões de dólares. Os grupos económicos e as empresas turcas também não têm estado propriamente parados. Investiram 28 biliões de dólares na Rússia em 2006 e vão querer participar activamente nos enormes investimentos que Moscovo vai fazer nas suas dilapidadas infra-estruturas até 2020. No Iraque, especialmente no Curdistão, os investimentos turcos já ultrapassaram os 10 biliões de dólares. A Turquia é um país cada vez mais activo na economia internacional. A estrutura demográfica confirma o potencial do país como um mercado extremamente apetecível.
O potencial da Turquia é um resultado das transformações geopolíticas regionais e da sociedade e economia do país. Para grande parte da elite turca e muitos europeus, este processo de transformação deveria diminuir o papel da religião na sociedade turca. Em vez disso, e como é natural, a crescente prosperidade e integração na economia internacional está a tornar a religião mais importante para cada vez mais pessoas. O problema é que a maior importância e visibilidade da religião tem vindo a dividir profundamente o país nos últimos anos. Resolver este impasse através de um novo consenso político será vital para a concretização dos actuais trunfos turcos. O acórdão do Tribunal Constitucional mostra a dimensão do actual impasse constitucional em Ancara. Esta semana a Turquia foi para intervalo.

03 agosto 2008

Exército turco mata oito rebeldes curdos no sudeste da Turquia

Oito rebeldes curdos foram mortos em confrontos com as forças de segurança no sudeste da Turquia, anunciou o Exército turco neste Domingo.
Estes membros do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) foram mortos na manhã de Sábado numa região montanhosa da província de Şırnak, perto da fronteira com o Iraque, destacou o Exército em comunicado.
Os combates começaram depois do assassinato de cinco curdos, membros de uma milícia pro-governamental, na noite passada na mesma província.
Os serviços de segurança também encontraram Sábado uma bomba composta por 15 quilos de produtos químicos e diesel numa área montanhosa da província de Bingöl (leste), segundo o comunicado do Exército.

(Fonte: AFP)

Vinte e sete recém-nascidos morrem em 15 dias em hospital público na Turquia

Vinte e sete recém-nascidos morreram nos 15 últimos dias num hospital público de Ancara, anunciou a chefe da equipa médica deste estabelecimento, citada pela agência de notícias Anatólia.
Enquanto os médicos atribuíram as mortes a diversas causas, um sindicato denunciou as péssimas condições de higiene no estabelecimento.
A direcção do hospital, que tinha anunciado que um terço das mortes tinha sido provocada por doenças infecciosas, anunciou em entrevista colectiva que os resultados dos testes efectuados não mostraram sinais de infecção. Os recém-nascidos, todos prematuros, morreram por outras causas, como hipertensão, insuficiência cardíaca ou complicações pós-parto, afirmou o chefe da maternidade, citado pela agência Anatólia. "Os testes não indicaram qualquer anomalia", declarou Uğur Dilmen, destacando que 47 dos 504 bebés tratados no hospital em Julho morreram. Ele descartou que a negligência dos médicos possa ter sido uma das causas das mortes. O hospital é um dos mais frequentados de Ancara e trata vários casos complicados, recebendo recém-nascidos procedentes de todo o país, ressaltou Dilmen. O sindicato dos trabalhadores das profissões médicas SES, que disse ter sido informado por alguns de seus membros funcionários do hospital, confirmou as 27 mortes, mas afirmou que todas elas foram registadas em apenas três dias desta semana, entre quinta-feira e Sábado. Para a secção do SES em Ancara, a propagação das doenças deve-se às péssimas condições de higiene dentro do hospital, onde obras estão em andamento e onde o número de pacientes é muito superior à capacidade do estabelecimento. "A sala de parto foi deslocada para um edifício que não satisfaz as condições de higiene, o que favorece as contaminações", explicou à AFP Ibrahim Kara, um representante do SES. O sindicato também criticou a superlotação do estabelecimento. "Houve casos de duas ou três mulheres à espera na mesma maca antes de dar à luz, e de três recém-nascidos colocados na mesma incubadora", afirmou Kara.

(Fonte: AFP)

02 agosto 2008

Separatistas curdos ligados a duplo atentado em Istambul foram detidos

Os dois atentados à bomba que causaram 17 mortos no passado Domingo, dia 27 de Julho, em Istambul, foram realizados por extremistas separatistas curdos, declarou hoje o ministro do Interior turco, Beşir Atalay, anunciando que alguns dos autores já foram detidos. "Foi um acto desumano da sangrenta organização separatista terrorista", declarou aos jornalistas Atalay, utilizando a designação habitual das autoridades turcas para o Partidos dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
Dez suspeitos foram interrogados e entregues às autoridades judiciais antes de expirar o prazo legal de quatro dias de prisão sob custódia, afirmou o ministro. Aqueles suspeitos constituem a maioria dos que estiveram implicados nos atentados de Domingo passado, entre os quais os "que participaram pessoalmente", disse. Segundo Atalay, a polícia turca considera o caso resolvido e as descobertas feitas "não deixam lugar à dúvida" sobre a identidade dos autores dos atentados.
Duas bombas colocadas em contentores de lixo explodiram a 27 de Julho com dez minutos de intervalo numa rua de peões muito frequentada do bairro de Güngören, na parte europeia de Istambul. Dezassete pessoas morreram, incluindo cinco crianças e uma mulher grávida. Dos 154 feridos nos atentados, 27 continuavam hoje hospitalizados, mas nenhum corria risco de vida, declarou o ministro do Interior turco.
Durante o inquérito, a polícia descobriu que a explosão de uma bomba que feriu dez pessoas em Junho numa outra zona de Istambul era obra das mesmas pessoas que realizaram os atentados de 27 de Julho, afirmou Atalay.

Crise política

No dia do atentado o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, tinha acusado implicitamente os rebeldes curdos de serem os responsáveis pelo atentado. Erdoğan recusou-se a pronunciar o nome do PKK, por considerar que isso seria “propaganda” para os rebeldes, mas durante a visita a Güngören, bairro residencial de classe média na margem europeia da cidade, os populares gritaram insistentemente: “Abaixo o PKK”.

O atentado surge num momento de tensão no país, numa altura em que o Tribunal Constitucional começa a analisar um pedido para dissolução do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002, acusado de actividades anti-laicas.

A eventual dissolução criaria uma grave crise política no país, podendo forçar a realização de eleições antecipadas às quais Erdoğan poderá não ser autorizado a concorrer se a instância judicial der também provimento ao pedido para suspender os dirigentes da formação conservadora, nascida nos meandros do movimento islamista turco. Contudo, Erdoğan sublinha que o atentado em Istambul veio minimizar a crise política. “O nosso problema não é se o AKP é ou não fechado. O nosso problema actual é garantir a unidade para que o nosso país avance numa direcção diferente”, afirmou.

Os rebeldes curdos lutam, desde 1984, pela instauração de um estado curdo no sudeste do país, onde são maioritários, e no seu historial contam com vários ataques armados e atentados, além das ofensivas contra o Exército turco. Ilegalizado na Turquia, o PKK é considerado uma organização terrorista pela União Europeia e Estados Unidos. Contudo, um dos ataques mais sangrentos registados no país foi atribuído à células da Al-Qaeda na região. Em Novembro de 2003, as explosões visaram duas sinagogas, o consulado britânico e a delegação do banco britânico HSBC de Istambul, a grande metrópole da Turquia, matando 63 pessoas.

(Fonte: Público)

31 julho 2008

Partido no poder escapa com aviso

Ao fim de três dias de deliberações, o Tribunal Constitucional turco decidiu ontem não dar provimento à queixa contra o partido no poder (Justiça e Desenvolvimento, AKP), acusado de "actividades anti-seculares". Com a decisão, os juízes evitam a dissolução do partido conservador islâmico. A eventual interdição da força política teria agravado a crise no país, com cenários imprevisíveis e, no mínimo, eleições antecipadas.
Na realidade, o AKP escapou por um triz da interdição. Dos 11 juízes do Tribunal Constitucional, seis votaram a favor da encerramento, menos um voto do que era necessário (maioria qualificada, sete).
Mesmo os cinco votos favoráveis consideraram que o partido tem "actividades anti-seculares", embora não em extensão que justifique abolir a formação. "Espero que o partido avalie o resultado e receba a mensagem que precisa de ouvir", ameaçou o presidente do Tribunal, Haşim Kılıç, que foi um dos que votaram a favor da penalização monetária.
Apesar do puxão de orelhas e da redução para metade dos financiamentos estatais, o AKP reagiu ontem com evidente alívio. O presidente do Parlamento, Köksal Toptan, membro do AKP, afirmou que a decisão teria impacto muito favorável na redução das tensões políticas. Segundo a CNNTürk, quando a decisão foi anunciada, houve aplausos na sede do AKP, na capital, Ancara.
A queixa não abrangia apenas o partido, mas também 71 políticos ligados ao movimento islâmico, incluindo o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan e o presidente Abdullah Gül, além de cinco ministros e 30 deputados. Todos arriscavam uma interdição de cinco anos de actividade política. Seria o equivalente à decapitação da elite no poder.
O AKP governa desde 2002 e define-se como conservador, embora tenha origens no movimento islâmico. No contexto da república secular fundada por Kemal Atatürk, em 1923, este partido é olhado com grande desconfiança pelos chamados kemalistas, que dominam a magistratura, o exército e os media. Uma iniciativa do Governo contra a lei que proíbe o uso de véu islâmico nos edifícios públicos foi a gota de água que esgotou a paciência dos republicanos. Os militares já estavam descontentes com as hesitações do Governo em permitir invadir o Iraque para perseguir separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
A tentativa de dissolver o partido no poder ocorreu numa altura de crise. No Domingo, explodiram duas bombas em Istambul, a maior cidade do país, matando 17 pessoas. O atentado foi atribuído ao PKK. E, nas últimas semanas, a Turquia foi abalada pelo escândalo Ergenekon, baptizado com o nome da rede ultranacionalista que visava desestabilizar o país para forçar os militares a fazerem um golpe de Estado.
Os dirigentes do AKP esperavam a decisão de dissolução e, no Domingo, os líderes encontraram-se num apartamento, em Ancara. Esta reunião juntou o primeiro-ministro e o presidente e produziu intensa especulação na imprensa turca.
Fontes do AKP têm tentado passar a ideia de que foi discutido o atentado de Istambul, mas a reunião começou antes das explosões. Erdoğan e Gül falaram de cenários da dissolução do partido, escreve o influente Hürriyet. Cenários que por enquanto não será necessário concretizar.

(Fonte: DN)

Igreja na Turquia pede democracia

“Não há alternativas à democracia.” Foi o que declarou D. Luigi Padovese, vigário apostólico de Anatólia e presidente da Conferência Episcopal Turca, no dia seguinte ao massacre (17 mortos) que aconteceu no Domingo passado em Istambul, após a explosão de duas bombas.
Em declarações publicadas por "L'Osservatore Romano", o bispo fala de “sentimentos de apreensão” e recorda que o Tribunal Constitucional turco reuniu-se para decidir sobre a proibição ao partido do governo, AKP, acusado de querer introduzir a lei islâmica no pais laico de maioria muçulmana.
“Estamos à espera da sentença do Tribunal Constitucional", afirmou o prelado. "Estas bombas têm um carácter muito evidente, o de desestabilizar uma situação que já é bastante inquieta. Está claro que um dia antes da sentença, isso se interpreta assim. O apelo que podemos lançar vale menos que nada. Inclusive porque não somos uma realidade tão representativa. O apelo é para o prevalecimento da democracia dentro deste país”, reconhece.
Segundo D. Padovese, os problemas que há “estão ligados a posições de poder. Existe a necessidade de salvaguardar a laicidade e ao mesmo tempo o direito a dar a essa laicidade uma expressão democrática. Uma democracia representa sempre riscos, mas não há alternativas à democracia. Até agora, a situação da Turquia permaneceu nesta imobilidade precisamente pelas forças de poder que se opõem”, concluiu.
A decisão do Tribunal Constitucional da Turquia, tornada pública na passada quarta-feira, foi a de não ilegalizar o partido do Governo, apesar de o ter penalizado com a retirada de ajudas públicas.

(Fonte: Zenit)

29 julho 2008

Turquia enterra as 17 vítimas dos atentados de Istambul


Autoridades e parentes das vítimas dos atentados ocorridos no Domingo em Istambul, participaram no funeral colectivo das vítimas na segunda-feira.
Dezassete pessoas morreram e 150 ficaram feridas nos ataques. Os atentados foram atribuídos aos rebeldes curdos que negaram a autoria.

(Fonte: Globo)

28 julho 2008

Dezassete mortos e mais de 150 feridos em duplo atentado em Istambul

A explosão de duas bombas matou no Domingo 17 pessoas e feriu mais de 150 no bairro periférico de Güngören, em Istambul
O número de mortos foi confirmado pelo governador civil de Istambul que afirmou tratar-se de um atentado terrorista.
O primeiro engenho, de acordo com a cadeia televisiva turca NTV, deflagrou numa cabina telefónica situada numa movimentada artéria daquele bairro.
Dez minutos depois, o segundo provocou uma forte onda de choque nas imediações e causou mais vítimas devido à aproximação das pessoas que se começavam a juntar para ver o que se tinha passado.
Um grande número de viaturas de bombeiros e ambulâncias juntou-se no local, fechado por um cordão policial.
O atentado não foi reivindicado, mas as autoridades não têm dificuldades em atribuir a culpa ao grupo separatista PKK, que integra a lista de organizações terroristas da Europa e dos Estados Unidos.
O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) tem estado sob a mira do Exército turco no norte do Iraque e este duplo atentado é visto como uma retaliação, já que a organização anunciou uma campanha de terror nas principais cidades turcas.

(Fonte: Visão Online)

24 julho 2008

Duas crianças morreram vítimas de explosão de mina no sudeste da Turquia

Duas crianças morreram e outras duas ficaram gravemente feridas devido à explosão de uma mina na província de Diyarbakır, no sudeste da Turquia, informou nesta quinta-feira (24) a agência "Doğan".
O governador de Lice, Ömer Kalaylı, disse que as crianças que morreram, de 10 e 12 anos, accionaram o mecanismo detonador da mina nas cercanias da aldeia onde viviam.
O estado das duas crianças feridas no mesmo incidente é crítico, segundo a mesma fonte.
O ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) utiliza frequentemente as minas na região contra as forças de segurança turcas.

(Fonte: Globo)

23 julho 2008

Chipre: negociações para a reunificação da ilha retomadas em Setembro


Os líderes grego e turco da ilha dividida de Chipre vão começar as conversações de paz em Setembro, adiantou hoje em entrevista à CNN Turquia o chefe cipriota turco Mehmet Ali Talat. As negociações têm como objectivo pôr fim a um conflito que se arrasta há décadas e que impede a parte turca da ilha dividida de se juntar à União Europeia. No início deste mês, o Presidente cipriota grego, Demetris Christofias, tinha já indicado que os líderes cipriotas turco e grego iriam decidir no dia 25 de Julho reatar as negociações directas de reunificação. “Elas [as negociações] vão começar em Setembro”, afirmou Talat quando questionado acerca da data e da eventualidade das negociações. A ilha do Mediterrâneo ficou dividida depois da invasão turca de 1974 em resposta a um breve golpe de Estado de inspiração grega. O sul da ilha, controlado pela parte grega, está integrado na União Europeia, ao passo que a parte norte está de fora do grupo dos 27. As negociações de paz pela reunificação da ilha estão empatadas há quatro anos e desde a sua eleição, em Fevereiro, que Christofias já manteve vários encontros com Talat a fim de retomar as conversações. Christofias é encarado como mais conciliador que o seu predecessor Tassos Papadopoulos. Quer os Gregos quer os Turcos concordam com uma federação comunal de duas zonas mas diferem na maneira de o fazer.

(Fonte: Público / Reuters)

Fernando Meira assina pelo Galatasaray


O futebolista internacional português Fernando Meira, que esta semana deixou os Alemães do Estugarda, vai "virar uma nova página" na carreira e representar o Galatasaray, anunciou hoje o clube turco no seu site. "Virei uma nova página na minha carreira ao assinar por este prestigiado clube", afirmou Fernando Meira, de 30 anos, que aceitou um contrato para representar os Turcos por três épocas, mais uma de opção. Meira, que vai auferir cerca de 1,2 milhões de euros anuais, afirmou conhecer bem as aspirações do Galatasaray, "não só a nível interno como a nível europeu", onde os Turcos vão disputar a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. "O meu objectivo antes de me mudar para o Galatasaray era assinar um contrato de longa duração com um clube de alto nível", referiu o jogador, que deverá formar dupla com Servet Çetin no centro da defesa do clube de Istambul. Fernando Meira traçou ainda como objectivos "vencer o campeonato turco e representar Portugal no Campeonato do Mundo de 2010". O central português, que também pode alinhar no meio-campo, iniciou a sua carreira no Vitória de Guimarães em 1995/96, tendo sido depois transferido para o Benfica em 2000, chegando a envergar a braçadeira de "capitão". Em Janeiro de 2002, transferiu-se para o Estugarda, por 7,5 milhões de euros, tendo conquistado a Bundesliga em 2006/07 e somado dois golos nos 176 jogos realizados no campeonato alemão. Haldun Ustunel, administrador do Galatasaray, afirmou que o clube continua a estudar a aquisição de mais reforços, mas descartou o interesse na contratação do Francês Sjibril Cisse e no Argentino Hernan Crespo. "Estamos a trabalhar no sentido de contratar jogadores que trabalhem para os objectivos da equipa", referiu Haldun Ustunel, acrescentando que "o Galatasary acordou com todas as exigências de Meira". O presidente do clube turco, Adnan Polat, obrigado a encurtar as suas férias devido à contratação do Português, considerou que Fernando Meira "é um jogador importante, que irá representar o Galatasaray por muitos anos".

(Fonte: Público)

21 julho 2008

Engenheiros turcos sequestrados no Afeganistão são libertados

Os dois engenheiros turcos sequestrados em 14 de Julho no Afeganistão foram libertados e chegaram hoje ao seu país natal, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Turquia.
Segundo a agência de notícias estatal "Anadolu", os engenheiros Gökhan Gül e Erhan Gündüz voaram hoje para a cidade de Trebisonda (norte), e de lá para Ancara, após terem permanecido uma semana em cativeiro.
Os dois homens, funcionários de uma empresa de construção da zona ocidental do Afeganistão, foram sequestrados na semana passada quando viajavam de carro para a aldeia de Islam Kuala, próxima à fronteira com o Irão, e numa área não controlada pelos talibãs.
O automóvel foi encontrado mais tarde com os passaportes de ambos no seu interior.
Ainda não se sabe se a libertação dos sequestrados aconteceu mediante o pagamento de resgate ou através de uma negociação.
No entanto, a Polícia afegã, citada pela cadeia turca "NTV", assegurou que a construtora para a qual trabalhavam os engenheiros sequestrados, Gülsen Insaat, terá custeado o resgate, embora não tenham sido revelados detalhes sobre a quantia paga.
Nos últimos meses, o sequestro de Afegãos com alto poder de compra e de estrangeiros transformou-se num grande negócio para os grupos armados do país.
A Turquia tem no Afeganistão cerca de 1.300 soldados que não participam em combates contra os insurgentes.

(Fonte: EFE)

Teerão e Grupo 5+1 pedem ajuda à Turquia

O Irão e as seis potências envolvidas nas negociações do programa nuclear iraniano solicitaram ajuda à Turquia, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Ali Babacan.
A Turquia não tem missão formal de mediação mas assumirá um papel “de consolidação e de facilitação” das negociações, indicou Babacan depois de se ter encontrado Domingo em Istambul com o negociador iraniano, Said Jalili, quando regressava de uma ronda de negociações em Genebra com os representantes dos seis. O Alto representante para a Política Externa da União Europeia, Javier Solana, que participou na reunião de Genebra, e Jalili “disseram que teriam outro contacto daqui a várias semanas”, declarou Babacan. “Daqui até lá, os nossos contactos com as duas partes vão continuar”, declarou, adiantando que é um “requisito que vem das duas partes”. Membro da NATO e candidato à adesão à UE, a Turquia, que mantém boas relações com o vizinho iraniano, “tem meios para dialogar facilmente com as partes”, defendeu Babacan. Além de Solana, Jalili encontrou-se Sábado em Genebra com os representantes do grupo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) e da Alemanha para tentar encontrar uma solução para a crise. Apesar da presença inédita de um alto responsável norte-americano, o sub-secretário de Estado, William Burns, as negociações não se traduziram em quaisquer avanços reais. Os seis, que apresentaram propostas de cooperação a Teerão para solucionar a crise nuclear em troca da suspensão do enriquecimento de urânio, suspeitam que o Irão quer utilizar o programa nuclear civil para fabricar a bomba atómica.

(Fonte: Lusa / Açoriano Oriental)

15 julho 2008

Unilever vende negócio de azeite na Turquia

A Unilever anunciou recentemente a assinatura de um acordo definitivo para a venda da Komili, a marca líder de azeite na Turquia, à Ana Gida, pertencente ao Anadolu Group, por um valor não divulgado.
A transacção que terá de conhecer a aprovação das entidades competentes, deverá estar concluída até ao final de 2008, avançando o comunicado da Unilever que a Komili gerou, em 2007, um 'turnover' de aproximadamente 26 milhões de euros.
Esta venda faz parte da estratégica de desinvestimento anunciada pela Unilever, tendo a multi-nacional anunciado que pretende desfazer-se das marcas que considera não-estratégicas e que geram vendas na ordem dos 2 mil milhões de euros.

(Fonte: Hipersuper)

27 junho 2008

Terim orgulhoso e de saída


Fatih Terim confirmou que deve voltar a trabalhar num clube, isto depois de uma extraordinária campanha da Turquia no EURO 2008 ter terminado numa enorme desilusão frente à Alemanha.

Rumo ao estrangeiro
Terim termina, assim, a sua segunda campanha à frente da Turquia em grandes torneios. A estreia no EURO '96 acabou com três derrotas e sem golos marcados, mas a campanha na Suíça e na Áustria encheu de orgulho o povo turco. Recuperações fantásticas contra a Suíça, a República Checa e a Croácia ficarão para sempre na memória dos adeptos do futebol, bem como a presença inédita nas meias-finais, onde os jogadores turcos só cederam depois do golo de Philip Lahm a quatro minutos do fim. Terim, que foi nomeado para o cargo pela segunda vez em 2005, depois de ter treinado emblemas como o Galatasaray AS, a ACF Fiorentina e o AC Milan, adiantou sobre o seu futuro: "Depois de falar com o presidente [da Federação Turca de Futebol] e com os jogadores, muito provavelmente vou dizer: o meu trabalho está feito e espero que quem vier a seguir consiga fazer desta equipa campeã. Já disse que não vou continuar a trabalhar na Turquia e, como mantenho sempre as minhas promessas, o mais certo é ir trabalhar para o estrangeiro. De qualquer forma, não queria entrar em declarações mais específicas antes de falar com o presidente nos próximos dias".

Muito orgulhoso
O que é certo é que, como Terim referiu na véspera do jogo, "ninguém irá esquecer" o que a Turquia atingiu neste Europeu. "Conseguimos algo que a Turquia não conseguia há 70 ou 80 anos. Os jogadores não se devem sentir mal, porque se é verdade que perdemos e fomos eliminados, este é o nosso 47º dia de trabalho consecutivo enquanto muitos outros estão de férias há muito tempo. Estiveram aqui a servir o país e disse-lhes que estava muito orgulhoso pelo que fizeram. Além disso, desejei-lhes toda a sorte do Mundo para o futuro", afirmou Terim.

Esperança
Acautelar o futuro é, de facto, importante, já que da última vez que a Turquia chegou às meias-finais de uma grande competição - Campeonato do Mundo de 2002 - falhou a presença na fase final do Europeu seguinte. No entanto, Terim acredita que desta vez vai ser diferente: "Acredito que vai ser diferente, tem de ser diferente. O futebol é muito importante na Turquia, tal como em todo o Mundo, mas o nosso país tem 70 milhões de habitantes e todos os seus corações estavam com estes jogadores dentro de campo e sentir isso é muito importante. É por isso que acho que a Turquia tem sempre de estar presente nas fases finais. Pode ser-se primeiro ou último, mas o importante é estar lá. Espero que, no futuro, a Turquia esteja em mais Campeonatos do Mundo e da Europa".

(Fonte: UEFA)

Selecção turca orgulhosa da sua caminhada no Euro


A Turquia mostrou-se orgulhosa, apesar da derrota por 3-2 frente à Alemanha ter terminado com o sonho de chegar à final do EURO 2008. "Perdemos, mas fomos a melhor equipa", confessou Uğur Boral.

"Sinto-me orgulhoso"
Não obstante ter estado muito afectada por lesões e castigos, a equipa de Fatih Terim assumiu o controlo do jogo frente à Alemanha, mas não resistiu ao golo de Philipp Lahm, no último minuto, em Basileia. O extremo do Fenerbahçe SK, Uğur, que inaugurou o marcador para a Turquia, foi o porta-voz da equipa: "Perdemos, mas fomos a melhor equipa em campo", acrescentando: "Sinto-me muito orgulhoso por ter feito parte de uma selecção tão bem-sucedida. O povo turco deve aplaudir estes jogadores pelo que fizeram".

Despedida
Rüştü Reçber não podia estar mais de acordo. "Tenho orgulho em cada um dos meus colegas de equipa", disse. "Toda a gente na Turquia os deve apoiar porque esta equipa pode atingir resultados ainda melhores no futuro". A presença na meia-final significou para o guarda-redes a sua 118ª internacionalização, mas também a última com a camisola da Turquia. Apesar de o seu falhanço ter permitido a Miroslav Klose cabecear para o segundo golo germânico, Rüştü terminou a carreira internacional sem arrependimentos. "Acabo a minha carreira ao serviço da selecção turca, a qual servi com orgulho, glória e honra durante 14 anos", disse. "Gostaria de agradecer a todos os que me ajudaram".

"Aventura fantástica"
O colega de equipa de Rüştü no Beşiktaş JK, Gökhan Zan, estava igualmente desgostoso e desiludido após o apito final. "Jogámos de forma muito apaixonada, fomos bravos e corajosos", disse. "Criou-se um espírito de equipa muito forte entre os jogadores que alinharam e os que estiveram ausentes. Qualquer pessoa se pode alegrar por ter amigos como estes e com tamanho espírito de equipa. Vivemos uma aventura fantástica nos últimos 45, 50 dias. Nunca nos aborrecemos. Queríamos dar mais um passo na nossa caminhada, mas infelizmente não foi possível. Mas acredito que toda a gente na Turquia e também na Europa está orgulhosa de nós".

Exibições discutidas
"Não merecíamos perder", acrescentou. "Se olharmos para as estatísticas, constatamos que tivemos mais posse de bola e mais remates à baliza, mas isso não nos serviu de muito. Estou seguro de que as pessoas na Europa vão falar das nossas exibições durante algum tempo. Fomos uma equipa fantástica e jogámos muito bem. Agora, resta-nos concentrar no futuro. Por um lado estamos felizes, por outro, tristes; felizes porque alcançámos uma meia-final de um Euro pela primeira vez, tristes porque perdemos um desafio em que jogámos tão bem".

Nada inferiores
O médio Ayhan Akman, do Galatasaray AS, realizou o seu primeiro jogo no EURO 2008 frente à Alemanha, tornando-se no 22º dos 23 jogadores convocados por Terim a jogar neste torneio e estava orgulhoso por a Turquia ter deixado tão impressionante cartão de visita antes da fase de qulificação para o Mundial 2010. "Esta noite, provámos que não nos devemos sentir inferiores a outras selecções que estiveram presentes nesta prova", afirmou. "Queríamos chegar à final e vencer, mas apesar de termos sido a melhor equipa, não conseguimos atingir esse objectivo".

(Fonte: UEFA)