22 fevereiro 2008

Ban Ki-Moon apela ao respeito pela fronteira turco-iraquiana

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, pediu para que seja respeitada a fronteira turco-iraquiana, informou na sesta sexta-feira a sua assessoria de imprensa, depois do lançamento de uma vasta operação turca no norte do Iraque.
"O secretário-geral está preocupado com a escalada da tensão ao longo da fronteira turco-iraquiana. Apesar de estar consciente das preocupações da Turquia, reitera o seu apelo à moderação e respeito pela fronteira internacional entre a Turquia e Iraque", afirma um comunicado.
(Fonte: AFP)

Sobre o PKK


De raiz marxista-leninista, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) é criado em 1978. Lança a luta armada contra o poder central turco em 1984, sob a bandeira da criação de um Estado curdo independente no sudeste da Anatólia – tornando a questão curda no principal problema da Turquia. De acordo com um balanço oficial, a violência ligada ao conflito já fez mais de 37 mil mortos. Em 2006, com um cessar-fogo unilateral, o PKK intensifica as suas operações contra o Exército. As autoridades turcas responsabilizam o PKK por vários atentados à bomba em Istambul e em estâncias balneares do oeste turco, apesar da organização rejeitar a acusação, evocando a acção de uma ala radical que escapa ao seu controlo. Nos anos 90, a organização recua nas exigências de um Estado curdo independente, reivindicando antes mais autonomia para a população curda. O partido sofre um duro golpe em 1999, com a detenção do seu líder Abdullah Ocalan, no Quénia, e posterior condenação à morte (comutada por prisão perpétua). É então que o PKK renuncia à independência e declara unilateralmente um cessar-fogo que nunca é, todavia, reconhecido por Ancara. O movimento toma algumas medidas para mudar a sua imagem – entre elas várias tentativas de mudança de nome. É dissolvido em 2002, para tornar-se no Kadek (Congresso para a Democracia e Liberdade do Curdistão), posteriormente em Kongra-Gel mas, em 2005, decide regressar à designação original. Apela a Ancara que o envolva no processo político, que conceda mais direitos culturais aos cerca de 15 milhões de curdos no país e que liberte os membros do PKK detidos. É então que estalam algumas divisões no seio do partido. À semelhança dos Estados Unidos e da União Europeia, a Turquia classifica o PKK de organização terrorista, recusando-se por isso a qualquer negociação e dando apenas amnistia a alguns dos seus membros. Em 2004, o PKK retoma a campanha de violência, reavivada nos últimos tempos apesar de várias tentativas de cessar-fogo. O braço militar do PKK está instalado no Curdistão iraquiano, enquanto que a ala política é representada por políticos curdos no exílio em países da Europa Ocidental, particularmente a Bélgica. O principal comandante militar é, actualmente, Murat Karayilan, que encarna a ala dura do PKK, também ela no norte do Iraque. A Turquia acredita que o PKK tem, actualmente, milhares de guerrilheiros nas montanhas Kandil, no norte do Iraque, uma área que partilha com a Pejak – organização “irmã” do PKK.

(Fonte: Sic)

Tropas turcas entraram no norte do Iraque

Tropas turcas entraram quinta-feira no norte do Iraque para capturar rebeldes curdos separatistas que ali estão entrincheirados, anunciou hoje o Exército turco num comunicado.
A operação terrestre foi precedida de ataques aéreos e de artilharia do Exército turco contra campos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) em território iraquiano próximo da fronteira com a Turquia, que ocorreram na quinta-feira entre as 10h00 locais e as 18h00 locais (8h00 e 16h00 em Lisboa).
"Depois desta ofensiva com sucesso, uma operação terrestre do outro lado da fronteira, apoiada por forças aéreas, foi lançada quinta-feira às 19h00 locais (17h00 em Lisboa)", indica o comunicado.
(Fonte: Lusa / Sic)

19 fevereiro 2008

Líder cipriota-turco saúda independência do Kosovo


O líder cipriota-turco saudou a independência do Kosovo e apelou à União Europeia (UE) para não repetir o erro cometido em Chipre em 2004, causa do "sofrimento" da sua comunidade, que se encontra sob bloqueio internacional.
Numa intervenção em Lefkosha, Mehmet Talat sublinhou a "influência positiva" da independência da província meridional sérvia para a "segurança e cooperação nos Balcãs", considerada "da maior importância para a estabilidade mundial".
"Nenhum povo pode ser forçado a viver sob as leis de outro", frisou, numa alusão clara à independência unilateral proclamada pela República Turca de Chipre do Norte (RTCN) em 1983, na sequência da invasão militar turca da ilha, em 1974, para impedir a sua anexação à Grécia, como pretendiam golpistas cipriotas-gregos.
"A vontade dos albano-kosovares tem de ser respeitada e o novo estado ajudado", sublinhou.
Neste sentido, adiantou que "a UE não deverá repetir o erro cometido em Chipre" quando, em 2004, e na sequência do "chumbo" cipriota-grego à reunificação insular, aprovada pela esmagadores maioria dos cipriotas-turcos (Plano Annan-5), só permitiu a adesão da República de Chipre, deixando de fora a RTCN.
"Seria muito adequado que a UE usasse a política do alargamento como um instrumento para resolver este problema", afirmou, insinuando o reconhecimento, finalmente, da plena soberania da RTCN e a sua adesão, como novo país, à comunidade.
Talat saudou os líderes albano-kosovares e as suas políticas, que "ganharam a consideração e o apoio mundial, no processo conducente ao respeito e à independência".
"Também os cipriotas-turcos preservam a sua identidade, apesar de passarem por grande sofrimento para viverem em liberdade", mesmo sob bloqueio internacional, recordou.
Talat concluiu que os cipriotas-turcos "continuarão a lutar pela sua causa justa".
(Fonte: Lusa / RTP)

Turquia reconhece independência do Kosovo

A Turquia reconheceu ontem oficialmente a independência do Kosovo, de acordo com um comunicado do ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Ali Babacan.
"A República da Turquia, tendo em conta o anúncio de independência do Kosovo e aceitando o seu conteúdo e os seus elementos com satisfação, tomou a decisão de reconhecer a República do Kosovo", indica a nota. A Turquia, acrescenta o comunicado, "continuará a ajudar e a contribuir para o desenvolvimento do Kosovo, pois acredita que a história e os laços culturais e humanos que unem a Turquia e o Kosovo poderão, assim, fortalecer-se". Ressaltou também a sua expectativa de que as autoridades do Kosovo coloquem, acima de tudo, "a democracia e o respeito pelos direitos humanos universais", e que nas suas relações na zona deverá sobressair a segurança, a fim de garantir a paz e a estabilidade nos Balcãs.
Foi igualmente ressalvada a importância que a Turquia atribui ao papel da Sérvia na região, país que continuará a apoiar e com o qual tentará reforçar relações.
(Fonte: EFE)

Primeiro-ministro turco apela à paz e estabilidade nos Balcãs

O chefe do Governo turco, Recep Tayyip Erdoğan, telefonou para o primeiro-ministro kosovar, Hashem Thaçi, após a declaração de independência do Kosovo e ressaltou a importância da paz e da estabilidade nos Balcãs.
A rede "CNN-Türk" informou que Thaçi ficou satisfeito com o telefonema de Erdoğan, que desejou o melhor ao Kosovo. Além disso, Erdoğan anunciou ao primeiro-ministro kosovar que, como país que contribui para a paz e a estabilidade nos Balcãs, a Turquia acompanhará de perto o desenvolvimento dos eventos na região. Na sua mensagem a Thaçi, Erdoğan ressaltou que a Turquia acredita que o futuro do Kosovo será fortalecido com a unidade de todos os grupos étnicos, incluindo Turcos e Albaneses. A Turquia já tinha deixado claro antes que reconhecerá a independência do Kosovo, mas a imprensa turca informou ontem que as reuniões de avaliação sobre o tema continuam no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Segundo fontes diplomáticas, a Turquia, que se esperava que fosse um dos primeiros Estados a reconhecer o Kosovo, "não se apressará". Em declarações ao jornal turco "Aksam", alguns altos funcionários da diplomacia turca criticaram o Governo por não reconhecer a independência do Kosovo de forma imediata, mas tudo indica que Ancara esperará as decisões dos Estados Unidos e da União Europeia.
(Fonte: EFE)

16 fevereiro 2008

Universidade de Coimbra recebeu estudantes turcos


O primeiro momento da iniciativa Welcome Day II decorreu dia 14, junto à Porta Férrea, pelas 11H45, com um encontro de cerca de 100 estudantes, oriundos de países como Brasil, Polónia, Inglaterra, França, Turquia, Alemanha, Dinamarca, entre outros.
A iniciativa surge com a finalidade de facilitar a integração dos alunos estrangeiros na universidade.
Na quinta-feira chegaram os primeiros 100, mas são esperados cerca de mais 200 novos alunos neste segundo semestre do ano lectivo 2007/2008, ao abrigo de programas de mobilidade como o Sócrates e Erasmus.
Ufuk, uma jovem estudante de 21 anos natural da Turquia, explicou que o "facto de ter estado no Brasil um ano facilitou a sua opção por Coimbra", visto que, "aprendeu a falar Português". Para esta jovem turca, "Coimbra é uma cidade pequena, mas tem muita história", por isso, durante os seus primeiros 15 dias, já aproveitou para "ir a festas, visitar as igrejas e passear junto ao rio".
Os jovens estudantes foram recebidos na reitoria por Cristina Robalo Cordeiro. A vice-reitora para as Relações Internacionais da UC deu as boas vindas aos novos estudantes e sublinhou que "estes são ilustres continuadores de uma enorme tradição, pois qualquer que seja a razão para se escolher a universidade, ela é boa, porque que se trata de uma das mais antigas da Europa".
Na cerimónia de recepção participaram também Filomena Marques de Carvalho, chefe da divisão de Relações Internacionais da UC, e Miguel Rio, presidente da Associação Socrates/Erasmus da UC.

Portugal vence Turquia em encontro do XII Torneio Internacional da Madeira de sub-20

Portugal venceu ontem a Turquia, por 2-0, em encontro da terceira e última jornada do XII Torneio Internacional da Madeira em sub-20, realizado no Centro Desportivo da Madeira, na Ribeira Brava.
A selecção nacional, que entrou para esta derradeira jornada já com a conquista do troféu garantida, iniciou da melhor forma o jogo, inaugurando o marcador logo ao primeiro minuto, através de Orlando Sá, que, na área, beneficiou de um escorregão de Emre Balak para rematar rasteiro e colocado. O mesmo Orlando Sá, aos 27 minutos, quase tornava a marcar, mas os Turcos, na resposta, estiveram perto do empate, aos 29, quando Tevfik Kose, na pequena área e solto, cabeceou por cima da barra após livre da esquerda. Na etapa complementar, Portugal ampliou o marcador aos 79 minutos, quando Yazalde, que havia entrado oito minutos antes, de cabeça na pequena área, fez o segundo golo, a cruzamento da direita de João Aurélio.
(Fonte: Lusa)

14 fevereiro 2008

Manifestação contra o véu islâmico


Tradução: "A Turquia é Laica e Vai Continuar Laica"


Ver mais imagens aqui.

Ancara, 9 de Fevereiro de 2008 - Momentos do dispersar da manifestação contra o fim da proibição do véu islâmico nas universidades da Turquia. Nesta manifestação, foram detectadas e desactivadas duas bombas.

10 fevereiro 2008

Nova votação parlamentar voltou a aprovar o véu islâmico nas universidades mas a contestação continua



O Parlamento turco aprovou ontem por 411 votos a favor e 103 contra uma alteração à Constituição que põe fim à interdição do véu islâmico nas universidades do país. A decisão assinala uma mudança relevante no plano político e social na Turquia e surge num momento em que questões semelhantes se colocam em vários países europeus.

Ontem, em Ancara, votaram a favor o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), partido islamita no poder, e o Partido de Acção Nacionalista (MHP), conservador. A principal formação a votar contra foi o Partido Republicano do Povo (CHP), criado por Kemal Atatürk, o fundador da Turquia moderna. A votação no Parlamento de Ancara permite a revogação de legislação restritiva adoptada no início dos anos 90, mas que não era rigorosamente aplicada nos anos mais recentes. Um dos argumentos para a mudança foi a de que o carácter da lei afastava as crentes femininas do ensino superior. Mas, várias sondagens têm indicado que, por um lado, se dois terços dos turcos são favoráveis ao fim da interdição, por outro, a principal causa que barra o acesso feminino ao ensino superior são as provas de admissão e não o uso do véu. A decisão do Parlamento tem agora de ser ratificada pelo Presidente Abdullah Gül, um muçulmano conservador cuja mulher é também uma muçulmana devota que se apresenta sempre de véu em público. Sendo Gül um membro do AKP, não há dúvidas sobre o caminho que irá seguir. Em sentido contrário, o CHP já anunciou que vai pedir a anulação ao Tribunal Constitucional, com o argumento de que está em causa a natureza laica da República e de que este é apenas um primeiro passo para a instauração de um regime islâmico. Também o poder judicial pode desencadear mecanismos que bloqueiem esta mudança, tendo os tribunais capacidade para suscitar acções contra os partidos políticos, instrumento que poderão utilizar contra as formações que a votaram favoravelmente, consideravam ontem os analistas. Quinta-feira, o novo presidente do Supremo Tribunal, Hasan Gerçeker, no discurso da sua tomada de posse, avisou que "as reformas legais e constitucionais" não devem ser usadas "para debilitar a laicidade". Para este jurista, o que está em causa "não é o simples problema do véu", é a possibilidade de "um retorno a um sistema marcado pela superstição".

Enquanto o Parlamento votava, depois de na véspera ter discutido a questão durante mais de 12 horas, numa praça próxima manifestavam-se contra a reforma perto de cem mil pessoas, segundo estimativa da polícia. No passado fim-de-semana, outra manifestação junto ao mausoléu de Atatürk criticara a mudança.

As forças armadas turcas, que se assumem declaradamente como garante da natureza laica do regime, não se envolveram neste processo depois de, em Abril de 2007, o chefe de estado-maior general Yasar Büyükanıt ter divulgado uma nota em que lembrava aquela faceta. A dimensão política determinante da nota do general Büyükanıt é que a sua divulgação se verificou após o candidato presidencial do AKP, Abdullah Gül, falhar a eleição para o cargo numa primeira votação no Parlamento. Na época, a candidatura de Gül à Presidência, quando o AKP já detinha o Governo, era classificada nos sectores seculares como um passo na estratégia dos círculos islamitas de transformação da natureza do Estado. Gül acabaria por ser eleito depois da dissolução do Parlamento e de eleições em que o AKP emergiu como claro vencedor.


(Fonte: Diário de Notícias)

08 fevereiro 2008

Erdoğan visitou o local do incêndio que vitimou nove Turcos na Alemanha


O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, apelou ontem para a manutenção da amizade entre a Turquia e a Alemanha, durante uma visita às ruinas do prédio onde, Domingo, morreram nove cidadãos turcos, num incêndio, em Ludwigshafen. "Espero que a dor provocada pelos mortos e feridos sirva para um recomeço em paz", disse o chefe do Governo turco, apelando também aos meios de comunicação do seu país para que tenham ponderação, antes de falarem em fogo posto. Erdoğan lembrou que os quatro especialistas que estão na Alemanha a investigar também as causas do incêndio "cooperam estreitamente" com as autoridades germânicas, que concordaram com a sua vinda. O primeiro-ministro turco sublinhou ainda que o seu país "tem responsabilidades pelos cidadãos que vivem no estrangeiro e, por isso, está a acompanhar atentamente" o que se passou em Ludwigshafen. Ainda na Turquia, Erdoğan tinha afirmado, no princípio da semana, que o seu país "não quer que haja um novo Solingen", em alusão ao fogo posto por quatro neonazis num prédio daquela cidade renana, em 1993, em que morreram cinco cidadãos turcos, duas mulheres e três meninas. Os investigadores alemães prosseguiram as pesquisas no prédio em ruínas da Danziger Platz, em Ludwigshafen, para apurar o que atiçou o fogo que causou a morte de nove pessoas e feriu mais 60, das quais oito ainda estavam hospitalizadas com lesões graves. Entretanto, o bebé que foi atirado pela janela durante o incêndio, teve ontem alta e, segundo a família, está bem. A criança foi lançada do terceiro andar por um tio porque, explicou Kamil Kaplan, era a única hipóptese de sobreviver. Apesar da queda, o tio teve razão. A criança salvou-se.


(Fonte: Jornal de Notícias)

O véu islâmico foi aprovado mas o debate está longe do fim


A primeira sessão parlamentar que discutiu e aprovou a suspensão da proibição do véu nas universidades reacendeu o debate na Turquia entre apoiantes e opositores da medida. O debate parlamentar, que terminou na madrugada desta quinta-feira, 7, foi tenso e esteve cercado de manifestações do lado de fora da assembleia.
A proposta, que consiste em emendar dois artigos da Constituição e um da Lei de Educação Superior, foi aprovada por 404 votos a favor, 92 contra, dois em branco e 1 inválido, embora o resultado seja provisório até à votação definitiva em segunda instância, que ocorrerá no Sábado.
Os favoráveis à modificação constitucional, o Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP, no governo) e o Partido da Acção Nacionalista (MHP), juntamente com o pró-curdo Partido da Sociedade Democrática (DTP), votaram a favor da proposta. Já os laicos Partido Republicano do Povo (CHP) e Partido da Esquerda Democrática (DSP) posicionaram-se contra a medida.
A oposição dos laicos foi tão forte que o presidente da assembleia foi obrigado a interromper a sessão num dado momento porque um deputado do DSP se negava a passar a palavra aos parlamentares rivais.
Ufuk Uras, deputado independente, votou em branco, dizendo que defende "o direito à educação das meninas com véu e dos jovens com camisas de Che Guevara ou com piercings". Advertiu relativamente aos riscos da aliança "turco-islâmica" entre islamitas moderados do AKP e ultranacionalistas do MHP.
Uma pesquisa divulgada na terça-feira por vários jornais indicou que 64,9% dos turcos aprovam a suspensão da proibição do véu e só 27,6% se opõem. A maioria (57%) acredita que se trata de uma questão de "democracia, liberdade de consciência e liberdade religiosa" e, por outro lado, 26,3% consideram a medida um "ataque contra o laicismo e o regime republicano".

(Fonte: Efe / Estadão)

07 fevereiro 2008

Parlamento turco aprovou o uso do véu islâmico nas universidades

O parlamento turco aprovou na noite de quarta para quinta-feira, numa votação final, uma polémica revisão constitucional que legaliza o uso do véu nas universidades, anunciou o vice-presidente da Assembleia, Nevzat Pakdil.
Na votação final, realizada por voto secreto, 404 votaram "Sim" e 92 "Não", o que supera os dois terços necessários (367 sobre 550) para uma modificação da Constituição, disse.
A emenda chave do projecto de revisão constitucional declara que "ninguém pode ser privado do seu direito à educação superior", numa referência às jovens turcas que usam o véu islâmico.
No total, o longo e conturbado debate em torno de um tema que suscitou fortes tensões políticas no país, durou mais de 13 horas.
Uma segunda votação está prevista para Sábado, para concluir a revisão proposta pelo Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, de raízes islâmicas, no Governo) e pelo partido da oposição nacionalista MHP.
O projecto provocou um forte movimento de resistência nos meios laicos turcos, bem como da oposição social-democrata, que afirmam que tal medida corrói os princípios laicos da Constituição da Turquia, país maioritariamente muçulmano, e que pode levar as mulheres com véu a exercer funções públicas e frequentar escolas, o que actualmente é estritamente proibido.
(Fonte: Diário Digital)

05 fevereiro 2008

Turquia confirma novos ataques ao PKK

As Forças Armadas turcas anunciaram que a sua aviação bombardeou ontem bases de rebeldes separatistas curdos do PKK situadas no norte do Iraque. "Os aviões turcos bombardearam maciçamente a partir das 3.00 horas (menos duas em Portugal) cerca de 70 alvos (...) antes de voltarem às 15.15 horas às suas bases", indicou um comunicado divulgado no sítio na internet das Forças Armadas. Precisou que os alvos se encontravam distribuidos pelas zonas de Avasin-Basyan e de Qhakurk.
Desde meados de Dezembro que as Forças Armadas turcas têm realizado uma série de ataques aéreos contra posições do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte do Iraque, assim como operações terrestres limitadas no território iraquiano. A Turquia garante que o seu único objectivo é eliminar rebeldes do PKK, cujo número é calculado em cerca de 4.000 nas zonas montanhosas do norte do Iraque.
A última incursão dos aviões turcos no Curdistão iraquiano tinha sido a 18 de Janeiro.
(Fonte: Jornal de Notícias)

04 fevereiro 2008

Nove turcos morrem em incêndio na Alemanha




Pelo menos nove pessoas morreram, entre elas cinco crianças, num incêndio registado no Domingo num prédio residencial no centro da localidade alemã de Ludwigshafen, ao sudoeste do país. Todas as vítimas mortais eram de nacionalidade turca.
Os bombeiros resgataram oito corpos do edifício, que ficou completamente destruído, enquanto que uma nona pessoa morreu em resultado de ferimentos pouco depois de ser levada a um hospital.
O fogo e o fumo causaram ferimentos de diversas intensidades em outras 60 pessoas, das quais vinte estão internadas em diferentes centros médicos.
As causas do incêndio, que começou no Domingo à tarde, ainda são desconhecidas. As chamas alastraram com rapidez pelas escadas do edifício, uma construção de madeira que favoreceu a propagação do fogo.
Os bombeiros disseram que várias pessoas se atiraram das janelas de suas casas e caíram nos colchões de salvamento que tinham sido colocados pelas forças de resgate.
Duas crianças pequenas foram atiradas pelos seus pais e puderam ser salvas ao serem acolhidas por agentes da polícia.
Os dois primeiros corpos, de uma mulher e uma criança que ainda não foram identificados, foram recuperados no começo da noite no andar superior, enquanto que os restantes foram retirados na madrugada de hoje dos escombros do edifício.
Entre os feridos estão um bebé, vários polícias que ajudaram nos trabalhos de resgate e um bombeiro.
A polícia informou que nas casas incendiadas moravam oficialmente 52 pessoas e que os dois prédios adjacentes foram evacuados.

(Fonte: EFE / G1)

02 fevereiro 2008

Grande manifestação em Ancara contra o véu islâmico nas universidades


Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Ancara contra um projecto de levantamento da proibição do véu islâmico nas universidades, apresentado pelo Governo turco como uma reforma necessária no caminho para a adesão à União Europeia.
Entoando palavras de ordem "A Turquia é laica e continuará", "Demissão do governo" e "Somos todos soldados de Atatürk" e com bandeiras turcas, os manifestantes concentraram-se no mausoléu do fundador da República turca laica, Mustafa Kemal Atatürk.
Respondendo ao apelo de 35 associações, muitas das quais feministas, cerca de 100.000 pessoas criticaram o projecto apresentado sexta-feira no Parlamento pelo Governo de inspiração islamita.
O texto, que deverá ser votado na próxima semana, prevê o fim da proibição de uso do lenço islâmico nas universidades da Turquia, país com um regime rigorosamente laico.
"Estou muito irritada, não contra as mulheres com véu, mas contra os que querem tapar com um véu os valores da República", comentou a romancista Sevgi Özel, que se encontrava entre os manifestantes.
O projecto é criticado nos meios secularistas, particularmente numerosos nas forças armadas, magistratura e administração das universidades.
O chefe da diplomacia turca, Ali Babacan, justificou hoje o projecto como uma reforma necessária na via de adesão à UE e considerou que a polémica à sua volta prejudica a Turquia. "As polémicas nos últimos dias na Turquia infelizmente prejudicam a imagem da Turquia no estrangeiro", declarou o ministro à imprensa. "A Turquia é um país que deve avançar no domínio dos direitos e das liberdades. A Turquia é um país que tem a obrigação de fazer reformas políticas para chegar a uma adesão plena à União Europeia", adiantou.
O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, no poder), considera que a proibição do véu islâmico na universidade viola a liberdade de consciência e o direito à educação das jovens afastadas das universidades por o usarem.
O AKP e o Partido de Acção Nacionalista (MHP), que apoia a reforma, dispõem no Parlamento da maioria de dois terços necessária à aprovação do texto.
Centenas de milhar de pessoas participaram na última Primavera em manifestações nas principais cidades da Turquia contra o Governo e a favor do laicismo.

(Fonte: Notícias da Turquia / Diário Digital)


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