17 janeiro 2008

Primeiro-ministro turco e Orhan Pamuk na Aliança das Civilizações

O primeiro Fórum da Aliança das Civilizações, que promete ser um marco da discussão para fomentar o diálogo entre o mundo ocidental e o árabe-islâmico, começou na passada terça-feira em Madrid, com a presença de delegações de mais de 70 países.
O presidente espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, promotor da Aliança de Civilizações que a ONU assumiu em 2005, inaugurou o evento numa sessão com as participações do secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações, Jorge Sampaio, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, co-patrocinador da iniciativa.
O fórum conta com a participação de cerca de 400 pessoas, entre chefes de Estado e de Governo, ministros dos Negócios Estrangeiros, entre eles o Argentino Jorge Taiana e o Boliviano David Choquehuanca, líderes religiosos, políticos, empresários, jornalistas e representantes do mundo académico. Também marcaram presença os prémios Nobel de Literatura Wole Sovinka e Orhan Pamuk, o escritor Paulo Coelho, como Mensageiro da Paz da ONU, e o presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoe, entre outros.
Zapatero apresentou o Plano Nacional para a Aliança de Civilizações, aprovado pelo Conselho de Ministros na sexta-feira. O plano traduz os objectivos concretos perseguidos pela aliança e "cobre quatro sectores: a juventude, a educação, os meios de comunicação e as migrações". Além disso, inclui o estabelecimento do prémio anual da "capitalidade intercultural" e a criação de um corpo de voluntários da Aliança de Civilizações. O projecto foi desenvolvido pelos governos da Espanha e da Turquia em 2005, e recebeu o apoio formal das Nações Unidas através do então Secretário Geral, Kofi Annan.
(Fonte: ANSA)

Primeiro-ministro turco acredita que a entrada da Turquia na UE aproximará o Oriente e o Ocidente

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, afirmou que a integração do mundo islâmico na União Europeia (UE), através da adesão da Turquia, aproximará o Oriente e o Ocidente, e permitirá avançar na agenda multilateral para garantir a paz e a estabilidade nos países da região.
O primeiro-ministro turco pediu o fim dos preconceitos existentes quanto à incorporação da Turquia à UE. Erdoğan pediu a Bruxelas que lhe explique as razões "científicas" que impedem a adesão da Turquia ao bloco, já que, na sua opinião, há países, como o Chipre, que não cumprem os requisitos mínimos e já foram admitidos. Neste sentido, afirmou que em Maio se reunirá na Alemanha com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, com o objetivo de abordar as diferenças que mantêm em relação à entrada turca no bloco.
Em relação à possível integração da Turquia numa "união euro-mediterrânea", Erdoğan afirmou que este procjeto ainda "não tem bases", e que não é "justo" que essa possibilidade seja colocada como uma alternativa à adesão à UE.
(Fonte: EFE )

Erdoğan afirma que as operações contra o PKK podem demorar mais do que o previsto

O Governo turco poderá pedir uma extensão do mandato parlamentar que autoriza o ataque a posições dos rebeldes curdos do PKK no norte do Iraque, quando a actual permissão expirar, em Outubro, afirmou, na passada segunda-feira, o primeiro-ministro Tayyip Erdoğan.
As forças armadas turcas começaram a bombardear alvos do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), no norte do Iraque, depois do Parlamento de Ancara ter aprovado a resolução de 17 de Outubro que deu luz verde às operações durante um período de 12 meses. "Espero que a nossa luta contra o terrorismo acabe depressa, mas não posso dizer quando é que vai acabar", afirmou Erdoğan a diversos homens de negócios, em Madrid, onde participa no Fórum Aliança das Civilizações, que tem como objectivo fortalecer as ligações entre o Ocidente e o Islão. "Se não acabar, pediremos ao Parlamento que nos autorize a continuar", afirmou Erdoğan.
A Turquia advoga o seu direito, ao abrigo da lei internacional, de levar a cabo operações para lá da fronteira, e tem recebido relatórios dos serviços secretos dos EUA, aliado na NATO, que indicam onde estão os alvos do PKK. Os comandos turcos têm, até agora, lançado ataques localizados no interior do território iraquiano e os comandantes descartam a hipótese de um ataque em larga escala, apesar da presença de cerca de 100 000 homens ao longo da fronteira. Ancara acusa o PKK da morte de perto de 40 mil pessoas desde 1984, quando começou a sua luta pela independência no sudeste da Turquia.
Os Estados Unidos e a União Europeia classificam o PKK como uma organização terrorista.
(Fonte: Reuters / Público)

Presidente turco assegura que ofensiva contra o PKK continuará até à sua destruição


O presidente turco, Abdullah Gül, reiterou que as operações militares do seu país contra os rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte do Iraque, continuarão até à destruição desse grupo.
Em entrevista publicada na passada segunda-feira no jornal árabe internacional "Al-Hayat", Gül assegurou que as ofensivas turcas contra o PKK dentro do território iraquiano contam com o sinal verde dos Estados Unidos. "O nosso principal objectivo é a organização terrorista [PKK]. Não temos outros planos, porque nos interessa ver um Iraque estável e seguro", disse Gül na entrevista que concedeu em Washington na semana passada.
Gül chegou nesse mesmo dia ao Cairo em visita oficial, para se reunir no dia seguinte com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.
"Cruzamos a fronteira porque há uma organização terrorista que entra no nosso território para realizar massacres e acções brutais", acrescentou. "Não pretendemos invadir o Iraque, estamos a ajudar esse país. Se quiséssemos prejudicá-lo, teríamos imposto um boicote económico", disse o presidente turco.
Sobre o conflito entre Israelitas e Palestinianos, o presidente turco pediu ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que impulsione a criação de um Estado palestiniano que possa coexistir em paz com Israel, e apelou à comunidade internacional para que se some a esses esforços.
Gül também rejeitou a ideia de isolar a Síria, e argumentou que Damasco é o actor principal para se conseguir a paz na região.

(Fonte: EFE)

16 janeiro 2008

Artilharia turca voltou a bombardear bases do PKK no norte do Iraque

A artilharia turca bombardeou hoje várias áreas no norte do Iraque, no âmbito das operações militares contra o ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), noticiou a agência de notícias pró-curda Firat.
Segundo a mesma fonte, os bombardeamentos ocorreram de madrugada sobre a região de Nihele.
Após os disparos de artilharia, a agência curda, citando fontes da organização armada, afirmou que aviões turcos sobrevoaram a região.
A Turquia ainda não confirmou a operação militar ou informou sobre possíveis vítimas, embora a Firat tenha assegurado que várias povoações foram evacuadas.
Na terça-feira, 16 aviões de combate turcos bombardearam as bases do PKK em Hakurk, Avasin e Zap, também no norte iraquiano.
Ancara acusa as autoridades curdas iraquianas de não actuarem contra a presença do PKK no norte. O grupo rebelde tem as respectivas bases no montanhoso território iraquiano fronteiriço com a Turquia.
(Fonte: Diário Digital)

Cadeia de lojas Zara tem concorrência na aldeia de Zara


Zara é para a maior parte dos europeus o nome da cadeia de lojas de roupa do empresário espanhol Amancio Ortega, mas poucos sabem que é também nome de aldeia da província de Sivas, na Turquia. Uma coincidência que está a gerar grande polémica. É que a cadeia espanhola tem em marcha uma luta em defesa da sua marca naquele país, onde não faltam empresas e estabelecimentos com o nome Zara.
Segundo a edição on-line do El-Mundo, os advogados de Amancio Ortega já interpuseram vários processos administrativos "em defesa da marca" e estão dispostos a ir mais longe para defender a propriedade do nome perante o registo turco.
O presidente da Câmara de Comércio e Indústria da província de Sivas, Osman Yildirim, desdobra-se em argumentos para justificar o facto de ter chamado Zara à fábrica de lentes de contacto de que é sócio, quando a razão é tão simples: "Tanto o meu sócio como eu somos de Zara, por isso, quisemos chamar à empresa Zara Lens". Esse é também o motivo que justifica o nome de muitos outros estabelecimentos na Turquia, cujos proprietários são oriundos daquela localidade.
Face à imparável actividade dos advogados da cadeia espanhola de lojas Zara, a empresa do presidente da Câmara de Comérico e Indústria de Sivas já teve de mudar de nome duas vezes. "Mudamos o nome para ZarAccom e abriram-nos outro processo, que perdemos. Agora usamos o nome Zar&Accomm. Veremos o que se vai passar", afirma o sócio da primeira fábrica de lentes de contacto de Sivas.

(Fonte: DN)

14 janeiro 2008

A situação dos alevitas na Turquia


Os alevitas observam, desde o dia 10 de Janeiro, o primeiro dia do mês de Muharrem, o jejum de Muharrem, que se prolonga durante 12 dias até ao dia do Aşure (Aşure Günü).
O Muharrem é o jejum praticado pelos alevitas nos primeiros 12 dias do mês de Muharrem, ou 20 dias depois do Festival do Sacrifício (Kurban Bayramı). Durante esse período os alevitas praticam o jejum do nascer ao pôr do sol e também não bebem água e não consomem carne. Evitam também qualquer tipo de prazer ou conforto e não utilizam facas, a arma utilizada no massacre de Hüseyin. Este sacrifício destina-se a lembrar o martírio do filho de Ali (primo e genro de Maomé), o Imam Hüseyin, durante a Batalha de Kerbala.

Há mais de um mês que se fala da realização de um iftar de Muharrem (jantar de quebra de jejum) em honra do mês sagrado dos alevitas. Trata-se de uma iniciativa do Governo, a primeira do género na Turquia, com o objectivo de reunir o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, vários líderes espirituais alevitas, muitos deputados do Parlamento e diversos representantes dos alevitas, no dia 11 de Janeiro, à semelhança do que costuma ser feito no mês do Ramadão para os muçulmanos sunitas. No entanto, esta atitude tem merecido algumas críticas por parte dos principais representantes dos alevitas. O jantar acabou por acontecer conforme o previsto, com a presença de cerca de 900 pessoas num hotel de Ancara e com o primeiro-ministro Erdoğan a praticar todos os rituais alevitas durante o encontro. A ementa foi especial e obedeceu a todos os preceitos alevitas, nomeadamente a não ingestão de carne e de água e a não utilização de facas.


As críticas alevitas têm a ver com o facto de considerarem a atitude do Governo como uma manobra para captar mais simpatias e votos junto dos alevitas, e não uma vontade sincera de aproximação. Ouviram-se críticas do género: "O primeiro-ministro [Recep Tayyip Erdoğan] nem sequer sabe o que é o Alevismo [...] e nem sequer reconhece as nossas casas de culto [cemevi]. Temos primeiro de ver as reformas e só depois os espectáculos".
Dois deputados do partido de Erdoğan (AKP) de origem alevita, Reha Çamuroğlu e İbrahim Yiğit, entregaram a Erdoğan um pacote de reformas relacionado com o estatuto dos alevitas, cuja população é estimada em cerca de 12 a 20 milhões na Turquia, país onde têm a sua maior expressão. No entanto, a comunidade alevita não acredita que os deputados alevitas do AKP sejam representativos da comunidade alevita.
Embora os alevitas se dividam quanto à classificação da sua fé, uma vez que uns a consideram como parte do Islão e outros a consideram distinta, todos pensam que Çamuroğlu não representa os alevitas, que têm sido discriminados desde o Império Otomano e são conhecidos pelo seu posicionamento secularista desde a fundação da República.
"O facto da fé alevita ser ou não integrada no Islão é irrelevante para a discussão. Todas as organizações alevitas consideram que as cemevi são as casas de culto dos alevitas", disse Turan Eser, presidente da Federação Alevita-Bektaşi (ABF), com sede em Ancara e que representa 148 associações alevitas de todo o país.
Mesmo um líder alevita pró-AKP, Fermani Altun, presidente da Fundação Ahlul Bayt com sede em Istambul, e que é próximo da interpretação sunita do Islão, expressou descontentamento sobre a forma como a aproximação tem sido apresentada. "Çamuroğlu é um deputado de Istambul e nunca pôs um pé na nossa organização. Ele não tem os alevitas em consideração," referiu Altun. Também acrescenta que o Governo não anunciou qualquer plano e que esse facto foi confirmado na reunião que teve a 28 de Novembro com o vice-primeiro-ministro Cemil Çiçek, altura em que este lhe terá dito não saber de nenhum plano para solucionar os problemas dos alevitas. "Se o Governo tem um projecto para atender aos pedidos dos alevitas, apoia-lo-emos incondicionalmente, mas o Governo não tem respondido a nenhum dos nossos pedidos nos últimos cinco anos. Pedimos reuniões por várias vezes sem qualquer resultado," acrescentou.
Outro defensor do projecto de reformas, "se existe alguma," é o Professor İzzettin Doğan, presidente da Fundação Cem, com sede em Istambul, que defende um entendimento entre os alevitas e o Islão. Doğan diz que os alevitas foram "surpreendidos" porque não estavam à espera de tal aproximação por parte do Governo, que tem "recusado" trabalhar com as organizações alevitas não-governamentais até agora. Acrescenta que é compreensível que o Governo trabalhe com o seu deputado, Çamuroğlu, que é "um alevita, apesar de tudo." "Do meu ponto de vista, o Governo quer encontrar uma solução para este problema tão antigo. A intenção é positiva. Todos podem cometer erros. Se se arrependem dos seus erros, temos de dar-lhes uma oportunidade", disse.


No entender de Cemal Şener, um intelectual alevita e autor de muitos livros sobre a história dos alevitas e sobre o Alevismo, a relutância da comunidade alevita relativamente ao AKP é compreensível. "Eles [AKP] nunca fizeram nada de positivo em prol dos alevitas. A população alevita está muito preocupada com a posição do Governo relativamente ao secularismo. Estamos preocupados com o encerramento dos refeitórios nas instituições públicas durante o Ramadão. Queremos ter garantias relativamente à protecção da República secular", disse Şener. Também se referiu às recentes declarações do deputado do AKP Mustafa Özbayrak, que se opôs à proposta de distribuição de uma verba do orçamento do Directorado dos Asuntos Religiosos para os alevitas. No início de Novembro, no Parlamento, Özbayrak disse que os alevitas são um ramo dos xiitas, uma minoria do Islão, e perguntou o que aconteceria se outros grupos, como os satanistas, pedissem também uma verba. "Os alevitas estão cansados de preconceitos", disse Şener. "Temos de ver o que é que o Governo faz na prática. Não gostamos que a nossa fé seja utilizada como um jogo nas mãos de pessoas insensíveis. Veremos se eles são sinceros".
O vice-presidente da Fundação Gazi Cemevi, Munzur Ardoğan, lembrou as palavras de Tayyar Taş, presidente do Directorado dos Assuntos Religiosos, que ofendeu os alevitas quando disse em 2002 que as cemevis são cümbüşevi, um local de entretenimento, em vez de um local de culto.

Cemevi

O culto alevita consiste basicamente em reuniões (cem) de homens e mulheres, que têm lugar nas cemevi. Na Anatólia as reuniões realizam-se tradicionalmente à quinta-feira à noite e são conduzidas por um dede, o guia espiritual da comunidade, que tem uma ligação directa de sangue à família do profeta Maomé.

Os alevitas queixam-se do que têm de enfrentar na sua vida diária devido à percepção distorcida que a maior parte dos sunitas têm em relação a si. Existe a ideia de que durante as celebrações os alevitas desligam as luzes e praticam incesto e adultério.
Durante o Ramadão é feito o anúncio diário nas várias televisões turcas, nomeadamente públicas, da hora do iftar (refeição do quebrar do jejum), algo que não é feito para o jejum do Muharrem. Os alevitas reclamam também a pouca informação que é dada à população em geral sobre os alevitas e o Alevismo, o que contribui para a distorção da realidade e para a incompreensão da sua fé.

Um dos deputados alevitas pelo AKP, İbrahim Yiğit, refere que o jantar conjunto entre elementos do Governo e os representantes alevitas é só o começo de "um projecto social de paz com os alevitas", acrescentando que "os alevitas precisam de expressar a sua identidade livremente e sem relutância". Çamuroğlu mencionou um pacote de reformas a Erdoğan, que está "bastante receptivo" a uma aproximação, disse Yiğit, acrescentando que Erdoğan quer que Çamuroğlu seja o seu conselheiro sobre o assunto. "O primeiro-ministro prometeu reconhecer o estatuto legal das cemevi ", disse também Yiğit. "O pacote de reformas só tomará forma depois das discussões com os líderes das organizações alevitas e com intelectuais alevitas, incluindo Rıza Zelyut e Cemal Şener", disse, enfatizando que os alevitas serão consultados.
Mais do que um reconhecimento oficial das cemevis como casas de culto alevita, os alevitas pedem verbas proporcionais ao Governo.


Culto no interior de uma cemevi.
Segundo o Professor Doğan, presidente da Fundação Cem, existem cerca de 4,000 casos pendentes no Tribunal Europeu de Direitos Humanos relativamente a cidadãos alevitas turcos que pagam impostos mas não recebem serviços religiosos por parte do Governo. "Os casos estão prestes a ser encerrados e parece que a Turquia vai ser penalizada se não tiverem sido tomadas as medidas necessárias", disse.
Os alevitas também pedem a abolição do Directorado de Assuntos Religiosos por ser contrário à identidade secular do Estado. Em vez dessa instituição, dizem que os assuntos religiosos devem ser autónomos e devem receber a sua parte do orçamento geral. "A nossa proposta de receber uma parte do orçamento geral foi rejeitada em 21 de Novembro no Parlamento, mas vamos continuar a pressionar ", disse Turan Eser, presidente da Federação Alevita-Bektaşi.
Outra associação alevita com 48 filiais em toda a Turquia, a Associação Cultural Pir Sultan Abdal, apresentou uma petição ao primeiro-ministro em 2004 com 600,000 assinaturas. "Mesmo se o Directorado dos Assuntos Religiosos se mantiver, gostaríamos de ter uma parte do orçamento geral, mas o Governo deverá ser capaz de investigar para onde vai o dinheiro", disse Kazım Genç, presidente da associação. Referindo-se às notícias de que cerca de 3,000 líderes espirituais alevitas receberão salário do Governo, Genç disse que um dede não pode receber um salário pela sua identidade alevita. "As comunidades alevitas suportam os seus dede. Eles não são assalariados", disse Genç.
Outro pedido tem a ver com as aulas de religião nas escolas. Os pais dos estudantes alevitas e os próprios estudantes queixam-se de que o Alevismo ou é totalmente ignorado, ou é descrito como algo imoral e como uma religião não-muçulmana pelos professores. Os grupos alevitas querem a inclusão do Alevismo nas aulas de religião.
Recentemente, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos deu razão a um pai alevita turco e disse que a inclusão no currículo de compulsão religiosa viola a Convenção de Direitos Humanos.
Os preconceitos podem ser uma das razões para que um grande número de alevitas comece a publicitar a sua fé e cultura através de publicações, na televisão e na rádio e formando diversas organizações. Os alevitas possuem neste momento, nomeadamente, canais de televisão e de rádio específicos.
As gerações mais antigas parecem sentir a dor e as feridas dos massacres mais profundamente do que as gerações mais novas. No entanto, esses ressentimentos passam para as gerações mais novas e continuam bem presentes. "As feridas do evento de 1993 em Sivas e de 1995 em Gaziosmanpaşa ainda estão bem presentes", refere um cidadão alevita de 45 anos. Refere-se aos maiores incidentes que envolveream alevitas nos últimos anos. Em Sivas morreram 37 alevitas carbonizados dentro de um hotel. O fogo terá sido posto por fanáticos que não gostaram que uma associação alevita tivesse convidado o escritor Aziz Nesin para uma conferência no hotel. Os alevitas sentem que o Governo não agiu convenientemente na punição de todos os responsáveis. O outro incidente foi em Março de 1995, quando alguém disparou num café frequentado por alevitas, em Istambul. Dois homens morreram, incluindo um líder espiritual alevita. Muitos alevitas residentes nas imediações protestaram, porque sentiram que a polícia não foi totalmente séria na investigação. Sucederam-se mais manifestações em Istambul, e mais de 15 pessoas desarmadas, a maioria alevitas, perderam a vida.
"Temos de deixar para trás os massacres e olhar para o futuro. Hoje toda a gente pode dizer que é alevita", disse outro cidadão alevita de 27 anos. Assim como todos os outros alevitas cépticos, ele também enfatiza as acções mais do que as palavras. "As organizações alevitas precisam de mais jovens em todos os níveis", disse.
Fermani Altun, presidente da Fundação Ahlul Bayt, por outro lado, diz: "Os alevitas têm sido reprimidos há muitos anos. Precisam de uma mão amiga. Precisam de um abraço. O primeiro-ministro precisa de falar com cada organização alevita pelo menos durante 10 minutos".
Existem boatos de que o primeiro-ministro Erdoğan está a considerar visitar uma cemevi. De acordo com a crença alevita, uma pessoa que não esteja reconciliada com outra não pode participar numa reunião de culto. A acontecer, esse acto poderá ser de importância histórica para a paz entre os alevitas e o Estado turco.

Sobre o Alevismo, ao som de uma música alevita:




Sobre o massacre de 1993:

13 janeiro 2008

Erdoğan declarou que o seu objectivo principal é a adesão da Turquia à UE

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, revelou na passada quinta-feira um plano para que o seu Governo estabeleça como objectivo principal a transformação da Turquia num membro de pleno direito da União Europeia (UE).
O plano de acção de quatro anos proposto por Erdoğan prevê 145 objectivos dispostos em 10 epígrafes, o primeiro dos quais, "Democracia e o Estado de Direito", compreenderá a elaboração de uma nova Constituição. "Não é verdade que o processo de reformas tenha arrefecido. Completaremos todos os esforços de harmonização", disse o chefe do Governo. Erdoğan ressaltou que o novo presidente, Abdullah Gül, deu um sólido apoio aos esforços do Governo turco de se unir ao bloco, contrariamente à política de seu antecessor no cargo, Ahmet Necdet Sezer. Também afirmou desconhecer a data de um encontro previsto na Alemanha entre este país, França e Turquia para tratar das relações de Ancara com a UE.
(Fonte: EFE)

10 janeiro 2008

Turquia vai abrir representação diplomática em Angola

A República da Turquia vai abrir, ainda este ano, uma embaixada em Angola, revelou ontem, em Luanda, o vice-sub-secretário dos Negócios Estrangeiros do país, Raffet Akgünay, à saída de uma audiência que lhe foi concedida pelo primeiro-ministro, Fernando da Piedade Dias dos Santos. O diplomata disse que a decisão de abrir a embaixada havia sido já dada a conhecer às autoridades angolanas pelo primeiro-ministro turco aquando da cimeira euro-africana. “Esta decisão foi formalizada há uma semana, pelo que se passará para a sua execução”, disse. No encontro, de cerca de uma hora, além da questão da abertura da embaixada, foi também abordado o reforço das relações bilaterais entre os dois países. Quanto aos sectores em que se vai centralizar a cooperação, apontou o económico e o comercial, “que são muito importantes”. “As economias de Angola e da Turquia podem ser complementares. Nós podemos trabalhar em conjunto em muitos sectores, nomeadamente na construção civil e na agricultura, mas logicamente que a cooperação não se limitará a estas áreas”, disse. "A Turquia criou uma agência internacional de cooperação. Neste âmbito poderá cooperar nos sectores da saúde, educação e outros", referiu. Raffety Akgünay adiantou que o desenvolvimento destes sectores requer um quadro de cooperação, no qual os dois Estados estão já a trabalhar. Referindo que, nos últimos anos, o seu país tem estado bastante activo no continente africano, o diplomata sublinhou que Angola e a Turquia “são potencialmente muito fortes”. Além de cooperar com Angola, a Turquia será também um doador para o país, prometeu. “Nos últimos anos, a Turquia tornou-se num importante país doador. Nesta perspectiva, também estamos a analisar com Angola as possibilidades de participação da Turquia como doador”, declarou.
(Fonte: Jornal de Angola)

09 janeiro 2008

O polémico artigo do Código Penal turco que limita a liberdade de expressão poderá ser alterado

O Governo turco vai propor alterações ao artigo 301 do Código Penal turco que considera crime qualquer insulto à “identidade turca” e já foi usado para perseguir vários jornalistas e escritores, incluindo o Nobel da Literatura Orhan Pamuk.
Esta lei tem sido um dos maiores entraves nas negociações entre a União Europeia e a Turquia. “A alteração do artigo 301 vai ser apresentada ao Parlamento esta semana”, disse o ministro da Justiça Ali Şahin, em conferência de imprensa.
Ainda não há pormenores quanto às alterações específicas da lei, mas sabe-se que a revisão deste artigo tornará crime “insultar o povo turco”, substituindo o vago termo “identidade turca”. Além disso, passa a ser obrigatório que o ministro da Justiça autorize a invocação do artigo 301, de forma a prevenir que os procuradores do Ministério Público usem a lei como instrumento político.
Apesar do apoio do Governo e da maioria parlamentar, a alteração à lei tem sido atrasada por receio da reacção dos nacionalistas. Apesar da discussão que tem gerado, a lei é maioritariamente apoiada pela população. Os Turcos que apoiam a adesão à União Europeia esperam que a alteração ao artigo 301 ajude nas negociações.
(Fonte: Reuters)

08 janeiro 2008

Irão suspendeu o fornecimento de gás natural à Turquia

O Irão suspendeu completamente o fornecimento de gás natural à Turquia, mas as reservas acumuladas nos últimos meses permitem a continuidade da distribuição, comunicaram os dirigentes da companhia turca encarregue dos recursos energéticos.
O ministro da Energia e Recursos Naturais, Hilmi Güler, anunciou Domingo um corte no fornecimento do Irão e da Ucrânia nos últimos 10 dias.
A Turquia importa do Irão cerca de 29 milhões de metros cúbicos de gás por dia, mas nos últimos 10 dias reduziu esse contingente para 4 a 5 milhões de metros cúbicos por dia. O país também importa gás natural da Rússia, Ucrânia, Roménia e Bulgária.
No ano passado o Irão suspendeu em pleno Inverno o fornecimento de gás natural à Turquia, argumentando problemas técnicos relacionados com as baixas temperaturas. Ancara duvidou dessa justificação.
Fonte: ANSA

Advogados de Turco que tentou matar o Papa pedem a sua libertação


Os advogados de Mehmet Ali Ağca, que em 1981 tentou matar o papa João Paulo II, entraram com um pedido na segunda-feira para a sua libertação.
A petição requer a libertação de Ağca no dia 18 de Janeiro. Ağca cumpriu 19 anos de prisão em Itália, mas foi perdoado a pedido do papa João Paulo II em 2000. Foi então extraditado para a Turquia para cumprir pena pelo assassínio do jornalista Abdi İpekçi, em 1979, entre outras acusações.
Os advogados alegam que a pena de 40 anos de prisão se tratou de uma troca pela pena de morte, e que portanto já não é válida porque a Turquia aboliu a pena capital em 2002.
Ağca chegou a ser libertado por pouco tempo no início de 2006, o que provocou protestos na Turquia. O Supremo Tribunal determinou que voltasse a ser preso, e o Ministério Público calculou que só poderia ser libertado em 18 de Janeiro de 2010.
O motivo para Ağca ter atingido o Papa na Praça de São Pedro ainda é um mistério, mas há quem acredite que ele tenha sido contratado por serviços de segurança soviéticos alarmados com a oposição de João Paulo II ao Comunismo.

(Fonte: Reuters)

Número de mortos do atentado em Diyarbakır sobe para seis

O número de mortos no atentado de quinta-feira passada em Diyarbakır, no sudeste da Turquia, subiu ontem para seis, com a morte de um dos feridos.
Uma bomba explodiu na quinta-feira e atingiu um autocarro militar numa avenida da cidade de Diyarbakır, de população maioritariamente curda. Cinco pessoas morreram, entre elas quatro estudantes, e 68, incluindo 30 soldados, ficaram feridas.
O alvo do ataque foi o comboio militar, mas as maiores vítimas foram jovens estudantes que estavam a fazer um exame no interior de um edifício localizado nas imediações.
A pessoa que morreu ontem, Engin Taşkaya, era um estudante que estava na unidade de terapia intensiva do hospital universitário de Diyarbakır.
As autoridades turcas responsabilizaram o ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) pelo atentado.


(Fonte: EFE)

Parlamento turco aprovou a proibição do fumo de tabaco em bares e restaurantes


O Parlamento da Turquia aprovou na quinta-feira a proibição do fumo de tabaco em bares e restaurantes, mas, segundo analistas, implementar a medida será difícil.
A proibição deverá entrar em vigor 18 meses depois do presidente da Turquia, Abdullah Gül, sancionar a lei.
A medida, revolucionária para os padrões turcos, aparece pouco depois de proibições semelhantes terem sido adoptadas em França, na Alemanha e também em Portugal. Muitos outros membros da União Europeia (UE) também baniram o fumo dos locais públicos fechados.
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, defendeu a proibição, e o Parlamento aprovou a lei por 240 votos contra dois.
A medida abrange também os charutos, os cachimbos e os tradicionais narguilés, bastante procurados por turistas que visitam a Turquia e também pelos próprios Turcos.
Os fumadores de Ancara mostraram-se insatisfeitos com a medida antes mesmo da sua aprovação. "Essa proibição é revoltante. Isso contraria a liberdade individual", afirmou Mustafa Puskullu, um consultor de vendas, enquanto fumava um cigarro durante o almoço num centro comercial de Ancara. "Eu, com certeza, não vou obedecer a essa lei", acrescentou.
A Turquia, para além de ser um grande consumidor, é também um grande produtor de tabaco.
Num país com cerca de 70 milhões de habitantes, cerca de 20 milhões fumam, consumindo cerca de 115 bilhões de cigarros por ano, segundo as estatísticas.

(Fonte: Notícias da Turquia / Reuters)

05 janeiro 2008

Foram detidos quatro suspeitos do atentado em Diyarbakır

A polícia turca deteve quatro pessoas suspeitas de estarem ligadas ao atentado de quinta-feira que custou a vida a cinco pessoas e feriu 68 em Dıyarbakır.
Durdu Kavak, procurador da província turca de Diyarbakır, afirmou que os suspeitos estão a ser interrogados na sequência do atentado.
A explosão, que custou a vida a cinco pessoas, quatro dos quais estudantes, deu-se quando um autocarro que transportava militares passava junto a um hotel de cinco estrelas.
A detonação incendiou os carros que se encontravam na rua e estilhaçou os vidros das janelas dos prédios mais próximos, incluindo um onde estudantes se preparavam para uma prova de exames finais.
O ataque parece ser a resposta a três ataques aéreos turcos contra rebeldes curdos refugiados no norte do Iraque no mês passado.
O atentado não foi reivindicado mas as autoridades turcas responsabilizaram de imediato os separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que lutam pela autonomia no sudeste da Turquia, combate que já causou mais de 37.000 mortos desde 1984.


(Fonte: Diário Digital)

04 janeiro 2008

Explosão de bomba em Malatya faz seis feridos

Seis pessoas ficaram feridas, duas das quais em estado crítico, em resultado da explosão de uma bomba lançada contra uma empresa da cidade de Malatya, no sudeste da Turquia.
O atentado aconteceu hoje e ainda não foi reivindicado, mas a polícia está no encalço de dois suspeitos.
O atentado ocorreu um dia depois de um outro atentado que ocorreu na cidade de Diyarbakır, também no sudeste da Turquia, ter causado a morte de cinco pessoas e ferimentos em 68.