22 outubro 2007

Governo e Exército turco apelam à união nacional


Ontem à noite decorreu uma reunião de emergência, em Ancara, entre o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, o presidente da República, Abdullah Gül e o chefe do Estado-Maior general das Forças Armadas Yaşar Büyükanıt. Esta reunião foi convocada na sequência do ataque do PKK na fronteira entre a Turquia e o norte do Iraque, que provocou a morte de 12 soldados e ferimentos em 16.
Um comunicado apresentado após a reunião revelou que "é óbvio que o PKK está a tentar quebrar a unidade e a integridade da sociedade turca com ataques hediondos. Embora a Turquia respeite a integridade territorial do Iraque, não vai tolerar nenhum apoio ao terrorismo e pagará qualquer preço para proteger os seus direitos, leis, integridade e cidadãos. Contudo, acreditamos que a nossa nação, embora reaja, evitará atitudes e comportamentos que possam atentar contra sentimentos de amizade, manterá o seu bom senso sob quaisquer circunstâncias, agirá com unidade e dará uma resposta significativa ao terrorismo com uma unidade e integridade revigoradas.”

Bush condena o ataque do PKK


O presidente americano, George W. Bush, condenou "firmemente", no Domingo, o ataque realizado pelo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) contra o exército turco, que matou 12 militares na fronteira entre Turquia e Iraque.
O presidente Bush "condena o ataque na província de Hakkari e expressa pêsames às famílias que perderam entes queridos e a todo o povo da Turquia", afirmou Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca.
"Estes ataques são inaceitáveis e devem parar imediatamente. Os confrontos a partir do território iraquiano devem ser solucionados rapidamente pelo governo iraquiano e pelas autoridades regionais curdas", acrescentou Johndroe.
"Os Estados Unidos, a Turquia e o Iraque continuarão juntos para vencer os terroristas do PKK", disse o porta-voz.
"Estamos indignados com a violência terrorista que causou a morte de 12 pessoas", disse por sua vez o porta-voz do departamento de Estado Sean McCormack. "Condenamos categoricamente o PKK."
Doze militares e 32 rebeldes curdos morreram Domingo durante violentos combates que se seguiram à emboscada do PKK contra patrulha militar no sudeste da Turquia.


(Fonte: AFP)

A Turquia está de luto



As emendas à Constituição foram aprovadas com 69.1% dos votos

Já foram apurados na totalidade os resultados do referendo à revisão constitucional. O sim venceu com 69.1% e o não obteve 30.9% dos votos.
Em causa esteve o fim da votação do presidente da República pelo Parlamento para um único mandato de sete anos, que passa a ser escolhido por sufrágio universal, directo e secreto, para dois possíveis mandatos consecutivos de cinco anos cada.
O Presidente Abdullah Gül, com um mandato de sete anos conferido pelo Parlamento em Agosto, poderá ser reeleito para outro de mais cinco já por sufrágio universal.
As legislaturas do Parlamento, que eram de cinco anos, passam a ser de quatro. O quórum parlamentar baixou de dois terços para um terço, bastando que um candidato presidencial seja indicado por 20 deputados de qualquer partido com mais de 10 por cento de votos.
Dos mais de 42 milhões de recenseados, só exerceram o seu direito cívico 52 por cento nas assembleias de voto que estiveram abertas 10 horas.
O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no poder), o pró-curdo Partido da Sociedade Democrática (DTP) e o centro-direita do Partido da Mãe Pátria (ANAVATAN, sem representação no hemiciclo), pediram o "sim".
A principal força política da oposição, o laico Partido Republicano do Povo (CHP), apelou à abstenção, enquanto o Partido da Acção Nacionalista (MHP) e o de centro-esquerda Partido da Esquerda Democrática (DSP) apostaram no "não".

21 outubro 2007

Exército turco diz que matou 32 rebeldes do PKK em resposta a ataque


Terão morrido 32 militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), para além de 12 soldados turcos, desde a noite de Sábado, em combates que continuaram hoje perto da fronteira iraquiana, segundo fontes militares.
O Estado-Maior das Forças Armadas da Turquia anunciou em comunicado que os combates em curso fazem parte de uma ampla operação militar por terra e ar em resposta ao ataque cometido por separatistas curdos nas imediações de Yuksekova, povoado da província de Hakkari (sudeste), fronteiriça com o Iraque. O comunicado do Exército cifra os soldados turcos mortos em 12 e os feridos em 16. Os líderes militares turcos afirmaram que, na noite de ontem, um batalhão de Infantaria de Yuksekova foi atacado de três posições diferentes por cerca de 200 militantes do PKK armados com artilharia pesada e rifles automáticos. O Estado-Maior turco afirmou hoje que já tinha bombardeado até 63 alvos no norte do Iraque. Além disso, deu a entender que os combates com o PKK continuavam hoje no norte do país vizinho. A agência "Firat", que é pró-curda, também disse que o Exército turco começou ontem a atravessar a fronteira com o Iraque a partir da localidade de Oremar, também na província de Hakkari. Ao mesmo tempo, em Bagdad, foi anunciado que o Exército turco bombardeou hoje povoados curdos na província de Dahuk, no norte do Iraque. Segundo fontes iraquianas, que pediram para não serem identificadas, 85 projéteis da artilharia turca atingiram povoados nas regiões de Zakho e Emadiyah. Além disso, a explosão de uma mina durante a passagem de um pequeno autocarro na província turca de Hakkari feriu dez civis neste Domingo.

(Fonte: EFE)

Rebeldes curdos mataram 12 soldados turcos e feriram 16


Doze soldados turcos foram mortos por rebeldes curdos, durante a noite, junto à fronteira iraquiana. Dezasseis foram feridos e cerca de uma dezena estão desaparecidos.
Esta emboscada pode precipitar a iminente incursão militar da Turquia no Curdistão iraquiano, para eliminar bases rebeldes curdas. Bagdad já apelou à contenção e ao diálogo com Ancara. Washington teme também a desestabilização do norte do Iraque. Mas o sinal para avanço das tropas turcas pode ser dado a qualquer momento, uma vez que o primeiro-ministro turco esteve reunido hoje com as chefias militares durante duas horas e meia para discutir esta situação.
A emboscada levada a cabo durante a noite por rebeldes do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) contra soldados turcos, nas montanhas junto à fronteira com o Iraque, ameaça desencadear o que se temia: as tropas turcas que há poucos dias receberam autorização para penetrar em território do norte iraquiano podem ter agora a esperada ordem de marcha do primeiro-ministro turco.
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, convocou uma reunião de crise com o general das Forças Armadas, Yaşar Büyükanıt, e com o presidente da República, Abdullah Gül, que terminou há pouco tempo, para decidir quais os passos seguintes, numa altura em que é enorme a pressão da opinião pública interna com vista a uma vasta operação turca contra os rebeldes curdos no norte do Iraque.
No Sábado, o Parlamento iraquiano rejeitou a ameaça de incursão turca e pediu diálogo às autoridades de Ancara. O líder da região autónoma do Curdistão já fez saber que os curdos iraquianos estão preparados para se defender de um ataque turco e que não querem ser vítimas de uma guerra entre o PKK e a Turquia. O aviso foi feito depois de se ter reunido com o presidente iraquiano Jalal Talabani, também ele um Curdo, e um dia depois de milhares de Curdos terem saído à rua em protesto contra uma incursão da Turquia.

A Turquia decide hoje a eleição do presidente da República por voto universal


Três meses depois das eleições de 22 de Julho, que deram uma vitoria ao partido de orientação islâmica da Justiça e Desenvolvimento (AKP), a Turquia realiza hoje um referendo para a população decidir sobre as alterações controversas que o Governo pretende introduzir na Constituição, que incluem nomeadamente a eleição do presidente da República por voto universal.

As emendas à Constituição incluem a eleição do presidente da República por um mandato de cinco anos, com possibilidade de ser reeleito por mais cinco anos, o Parlamento passa a ter um mandato de quatro anos em vez dos actuais cinco, e o quórum do Parlamento passa de 367 para 184. Incluem ainda um artigo temporário que estipula que o 11º presidente será eleito por voto popular. No entanto, a 28 de Agosto o 11º presidente, Abdullah Gül, foi eleito pelo Parlamento. Apesar do AKP possuir larga maioria no Parlamento, não detém os dois terços necessários. Por diversas razões, outros partidos da oposição, como o nacionalista MHP, o nacionalista Curdo DTP e os Kemalistas nacionalistas do DSP, decidiram não se juntar ao CHP na sua tentativa de boiciotar mais uma vez o voto parlamentar e bloquear a eleição. Como resultado, o quórum exigido pelo Tribunal Constitucional foi atingido nessa altura.

O AKP esperava que o presidente Ahmet Necdet Sezer, que apoiou a campanha militar contra o AKP, levasse a proposta a referendo. Sezer enviou inicialmente a moção de volta para o Parlamento para nova votação, mas o AKP conseguiu que o pacote de emendas fosse aprovado com o apoio do Partido da Mãe Pátria (ANAVATAN) sem nenhumas alterações. O plano inicial do AKP era conduzir eleições nacionais e o referendo no mesmo dia. Para esse efeito, o AKP autorizou também uma lei que visava reduzir o período de tempo de realização do referendo, de 120 dias para 45 dias. Sezer, que declarou que a emenda constitucional é contra o sistema parlamentar turco e que podia causar instabilidade, usou todo o tempo legal para analisar a proposta e no final anunciou a realização de um referendo. De igual modo, também voltou a enviar a lei que consagrava a diminuição do período de tempo para realização de um referendo, de volta para o Parlamento, o que anulou a possibilidade de realização de um referendo antes das eleições de 22 de Julho. Mais de 150 deputados do AKP foram deixados de fora da lista eleitoral de Erdoğan, o que tornou impossível uma nova votação no Parlamento favorável ao AKP.

Na Turquia, o presidente nunca foi eleito por voto popular, mas escolhido pelo Parlamento, tal como o primeiro-ministro. O primeiro-ministro é tradicionalmente visto como o chefe do Governo eleito, enquanto que o presidente tem sido a "cabeça do Estado" e o "guardião da Constituição".
Desde a fundação da República em 1923 e até 1945, a Turquia foi o Estado de um só partido. Com o sistema multipartidário em 1946, o cargo do presidente passou a ser um cargo de representação civil. Depois do terceiro golpe militar, em 1980, os poderes do presidente aumentaram substancialmente. O presidente controlava nomeadamente juízes, procuradores públicos e reitores universitários. O general Kenan Evren, o líder do golpe militar de 1980, foi presidente até 1989. O seu sucessor, Turgut Özal, com um passado islâmico, foi ministro da Economia logo a seguir ao golpe militar e depois foi primeiro-ministro até 1989, altura em que substituiu o general Evren. Özal levou a cabo reformas de mercado ditadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e abriu a economia turca ao mercado mundial. A sua política estava em linha com os interreses militares da altura. Contudo, Özal mostrou-se relutante em apoiar totalmente a "guerra" do exército turco contra o PKK, em 1993, e preferiu alegadamente um compromisso com os Curdos nacionalistas. O exército não aceitou isso e Özal morreu nesse mesmo ano em circunstâncias desconhecidas.
Desde então e até aos nossos dias, o cargo do presidente tem estado firmemente nas mãos dos Kemalistas. A eleição directa do presidente iria aumentar grandemente o peso político civil, em deterimento do militar. O presidente poderia clamar legitimidade democrática e representar "toda a nação", em contraste com um Parlamento dominado por partidos políticos. Sem sombra de dúvida que um presidente eleito por sufrágio universal seria muito mais forte do que os seus antecessores, concentrando um poder considerável nas suas mãos.
A oposição kemalista ao Governo do AKP tem criticado a liderança do partido, e especialmente Erdoğan, por fazer alterações à Constituição, baseadas unicamente nas necessidades tácticas imediatas do AKP e com possíveis riscos futuros incalculáveis para o sistema como um todo.
Ver-se-ão quais as implicações políticas e legais deste referendo.

Dois hotéis turcos entre os dez melhores do mundo



Dois hotéis turcos estão entre os dez melhores do mundo, de acordo com uma sondagem realizada pela TUI, a maior operadora turística do mundo, junto dos seus clientes de todo o mundo.
Esses hotéis localizam-se em Antália, no sul da Turquia, e são: Delphin Deluxe Resort e Barut Hotel Lara Resort Spa & Suites.
Os clientes da TUI também escolheram o "hotel mais amigo do ambiente", e a escolha também recaiu num hotel localizado na Turquia: Iberotel Sarıgerme Park Hotel.
Também faz parte da lista dos dez melhores hotéis do mundo, um hotel português: Albergaria Dias, no Funchal (Madeira).
A Turquia tem ainda mais hotéis listados entre os 100 melhores do mundo: Barut Hotel & Apartments Cennet, Hotel Melas Resort, Hotel Sunrise Queen Amara Beach, Golden Coast, Cornelia Deluxe, Robinson Club Nobilis, Delphin Palace, Sheraton Voyager Antalya, Hillside Beach Club e İberotel Sarıgerme Park.

20 outubro 2007

Curdos do Iraque declaram-se determinados a lutar contra ataques turcos


As autoridades autónomas do Curdistão, no norte do Iraque, declararam-se nesta sexta-feira dispostas a responder a qualquer ataque contra o seu território se a Turquia lançar uma incursão militar para desalojar os rebeldes curdos da região.
"Anunciamos a todos os protagonistas que, se atacarem a região, sob qualquer pretexto, estamos totalmente determinados a defender a nossa experiência democrática, a dignidade do nosso povo e a integridade de nosso território", indicou o gabinete do presidente da região autónoma do Curdistão, Massud Barzani, em comunicado.
A advertência acontece depois do Parlamento turco ter autorizado, na quarta-feira, a realização de incursões militares no norte do Iraque para combater os insurgentes curdos, apesar da forte oposição dos Estados Unidos e de Bagdad, que pediu mais tempo para neutralizar os rebeldes.
A iniciativa do governo, que solicitou uma autorização de um ano para realizar uma ou mais incursões militares no norte do Iraque, foi aprovada com o apoio de 507 dos 550 deputados do Parlamento. Dezanove votaram contra a medida.
A moção deixa sob a responsabilidade do Governo a coordenação e o alcance da operação, assim como o número de soldados enviados.
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, afirmou que a autorização do Parlamento não implica uma acção imediata, e que a diplomacia ainda terá oportunidade de actuar na questão.
Bagdad e Washington tentaram dissuadir Ancara de realizar uma acção militar no norte do Iraque.
O primeiro-ministro iraquiano, Nuri Al-Maliki, declarou-se disposto a combater os separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que realizam ataques na Turquia a partir de bases mantidas no norte do Iraque.
Segundo Ancara, cerca de 3.500 combatentes do PKK estão refugiados nesta região e são apoiados pelos Curdos do Iraque.
A reacção da presidência curda, a primeira desde o início da crise, surgiu depois do secretário americano da Defesa, Robert Gates, ter dado a entender nesta quinta-feira que as forças americanas e iraquianas estariam dispostas a actuar contra os rebeldes do PKK.
Na quinta-feira, o governo do Curdistão pediu à Turquia para negociar directamente a questão do PKK, enquanto milhares de manifestantes protestavam em Erbil, a capital do Curdistão, contra os planos de intervenção de Ancara.
A Turquia afirma que a sua única opção é a acção militar contra o PKK porque nem Washington nem Bagdad estão a ajudar a combater os rebeldes.
Desde que foi colocado sob protecção dos Estados Unidos, em 1991, depois da guerra do Golfo, o Curdistão - que tem o seu próprio Governo e Parlamento - afastou-se do Governo central iraquiano. A sua segurança é garantida pelos combatentes curdos iraquianos, os peshmergas.
O ministro da Defesa turco, Vecdi Gönül, informou na véspera que se reunirá, no Domingo, com Gates para analisar as questões que estão a gerar um clima de tensão entre os seus países.
A reunião será realizada à margem de uma cimeira internacional em Kiev. Será abordada a intenção de Ancara de enviar tropas para o norte do Iraque para expulsar os rebeldes curdos entrincheirados nessa zona e também a possível votação no Congresso americano de uma resolução que reconhece a existência de genocídio arménio na Turquia.

(Fonte: AFP)

Manifestação contra o PKK em Ancara


Nesta sexta-feira, cerca de dez mil manifestantes desfilaram em Ancara gritando palavras de ordem contra o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), que fomenta a guerrilha separatista.
Dois dias depois do Parlamento ter autorizado o exército a intervir no Iraque em busca de rebeldes, o primeiro-ministro Recep Tayyp Erdoğan convidou o executivo de Bagdad a agir, nomeadamente a encerrar os campos de treino e de acantonamento no Curdistão iraquiano e de entregar à Turquia os dirigentes independentistas. Entretanto a guerrilha ameaçou rebentar com oleodutos, como forma de represália a ataques do exército turco.

18 outubro 2007

Ministro turco diz que Bush não pode criticar a Turquia


O ministro turco do Estado e vice-primeiro-ministro, Mehmet Ali Şahin, sugeriu hoje que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está a ser hipócrita ao exigir que o seu país não invada o Iraque para perseguir os terroristas curdos que usam bases no norte iraquiano para atacar alvos em território turco. "Aqueles que nos criticam pela moção parlamentar deveriam explicar o que estão a fazer no Afeganistão", disse Şahin. "É por isso que ninguém tem o direito de dizer nada." O Parlamento da Turquia autorizou ontem o governo a enviar tropas para o Iraque para destruir bases do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), grupo separatista considerado terrorista por Ancara, Washington e pela União Europeia.
Bush disse que os EUA têm deixado claro à Turquia para não lançar uma operação militar de larga escala na região curda no norte do Iraque, que tem no geral escapado da violência e da discórdia política comum no resto do país desde a invasão americana de Março de 2003. O ministro respondeu que a Turquia também tem o direito de combater os seus terroristas. "A Turquia está a implementar as mesmas regras internacionais que foram implementadas por aqueles que vincularam os ataques às torres gémeas a algumas organizações no Afeganistão e enviaram tropas ao Afeganistão baseados nesse direito", afirmou.

(Fonte: Agência Estado)

17 outubro 2007

Bush sobre o envio de tropas turcas para o Iraque e sobre a questão do alegado "genocídio" arménio

O presidente norte-americano George W. Bush exortou hoje a Turquia a não realizar incursões militares no Curdistão iraquiano, considerando que não é do interesse de Ancara enviar tropas para o Iraque.
"Dizemos de maneira muito clara à Turquia que não pensamos que seja do seu interesse enviar tropas para o Iraque", declarou Bush durante uma conferência de imprensa na Casa Branca.
"Um estacionamento maciço de tropas turcas no país não é a melhor maneira de enfrentar o problema", acrescentou o presidente norte-americano.
A Turquia ameaçou enviar tropas para o norte do Iraque para atacar os rebeldes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que se servem da zona como base para o lançamento de incursões na Turquia.
Entretanto, Bush considerou "contraproducente" a resolução apresentada ao Congresso norte-americano, visando reconhecer um genocídio arménio sob o Império otomano, no início do século XX.
"O Congresso não deveria procurar ocupar-se da história do Império otomano", afirmou. "O Congresso tem coisas melhores para fazer do que voltar as costas a uma democracia aliada no mundo muçulmano, em particular uma democracia que fornece um apoio vital ao nosso exército todos os dias", referiu.


(Fonte: Diário Digital)

Questão da Turquia pode ser dscutida na Cimeira de Lisboa


A presidência portuguesa da União Europeia transmitiu ontem ao governo da Turquia a sua "preocupação" com a escalada de tensão na região, disse à Lusa Luís Amado. "Transmiti a nossa preocupação pelos últimos acontecimentos e pela escalada de tensão que se verifica, agravando ainda mais a situação crítica que a região conhece", disse. O chefe da diplomacia portuguesa falou ontem ao telefone com o seu homólogo turco, Ali Babacan, de quem "ouviu detalhadamente as preocupações turcas na sequência também do debate parlamentar de hoje". O governo turco ultrapassou ontem uma nova etapa na sua ameaça de enviar tropas para o Iraque ao obter luz verde do Parlamento para atacar os rebeldes curdos instalados no norte deste país. "Ancara está a concentrar os seus esforços para diminuir a tensão na região através de uma forte mobilização do seu aparelho político-militar", afirmou Amado, realçando que "a Turquia tem a preocupação de não contribuir para o agravamento de uma situação já difícil para o governo do Iraque (...) Do ponto de vista turco a acção visa o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão)". Segundo Luís Amado, "é natural" que esta questão seja abordada quinta-feira em Lisboa, onde decorre a cimeira informal de chefes de Estado e de governo". "Dependendo da avaliação que for feita serão decididas eventuais medidas a tomar", precisou. Amado referiu a importância de um encontro em Istambul a 2 e 3 de Novembro com os países vizinhos da Turquia e do Iraque.

(Fonte: DN)

UE pede à Turquia para respeitar o território do Iraque


A Comissão Europeia reiterou nesta quarta-feira esperar que a Turquia respeite a integridade territorial iraquiana, após o Parlamento turco ter dado permissão às tropas do país para entrarem no norte do Iraque e combaterem os rebeldes curdos.
"É crucial que a Turquia continue a lidar com este problema através de cooperação entre autoridades relevantes", disse a porta-voz da comissão, Krisztina Nagy.
"A UE e a Turquia têm regularmente reiterado que permanecem comprometidas com a independência, soberania, unidade e integridade territorial do Iraque".

(Fonte: Reuters)

Governo turco dá luz verde à invasão do Iraque para atacar o PKK


O governo turco ultrapassou hoje uma nova etapa na sua ameaça de enviar tropas para o Iraque ao obter luz verde do Parlamento para atacar os rebeldes curdos instalados no norte deste país.

Enquanto o primeiro-ministro iraquiano, Nuri Al Maliki, afirmava pretender erradicar o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) do Iraque, uma moção autorizando por um ano o governo de Recep Tayyip Erdoğan a entrar, se necessário, no Iraque para atacar as bases rebeldes era aprovada por larga maioria.
Apenas 19 deputados do partido pró-curdo DTP (Partido para uma Sociedade Democrática) votaram contra a moção, enquanto os restantes 507 parlamentares presentes votavam a favor.
O vice-primeiro-ministro Cemil Çiçek, que defendeu o texto, insistiu que qualquer intervenção teria por único alvo o PKK, que luta desde 1984 contra o poder central turco num conflito que fez já mais de 37.000 mortes.
O texto precisa que a data e amplitude das operações serão determinadas pelo governo e que as incursões visarão apenas "a região do norte e as zonas adjacentes", onde se encontram cerca de 3.500 homens armados do PKK, segundo as autoridades.
Para tentar apaziguar a tensão entre Ancara e Bagdad, Maliki falou pelo telefone com o seu homólogo turco pouco antes da abertura da sessão do Parlamento.
Maliki declarou-se "absolutamente determinado a pôr fim às actividades e à existência do PKK em território iraquiano" e indicou ter dado "instruções precisas" a este respeito à administração da região autónoma curda do norte do Iraque.
A partir de Paris, onde se encontrava hoje, o presidente iraquiano Jalal Talabani, um Curdo, manifestou a esperança de que a Turquia não intervenha militarmente.
"Esperamos que a sabedoria do nosso amigo, o primeiro-ministro Erdoğan, seja suficientemente forte, que não haja intervenção militar", disse à imprensa.
Também as autoridades do Curdistão iraquiano advertiram hoje Ancara para os riscos de uma incursão militar, afirmando que poderia "destruir a estabilidade da região".
Os Turcos "sabem muito bem que uma incursão no território de um outro país é contrária às leis internacionais e constitui uma violação da soberania nacional que destruirá a estabilidade da região", disse um porta-voz do governo do Curdistão iraquiano.
Em Washington, o presidente norte-americano George W. Bush pressionou também a Turquia para não realizar incursões no Curdistão iraquiano.
"Dizemos de forma muito clara à Turquia que não pensamos que seja do seu interesse enviar tropas para o Iraque", disse Bush durante uma conferência de imprensa na Casa Branca.
Um estacionamento de tropas turcas no Iraque "não é a melhor maneira de fazer face ao problema", acrescentou Bush.
Ancara acusa os Curdos iraquianos de fornecerem ao PKK armas e explosivos e critica Bagdad e Washington por não agirem contra esta organização, considerada terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia.
Na terça-feira, Erdoğan advertiu Bagdad e as facções curdas do norte do Iraque, exortando-as a agir contra o PKK, ou a sofrer as consequências de uma ofensiva.
Os rebeldes curdos infiltram-se no sudeste da Turquia para aí realizarem ataques, que aumentaram desde o início do ano, levando o governo turco a considerar a opção militar.
Contudo, esta opção não deverá ser utilizada no imediato, para dar uma última possibilidade à diplomacia, segundo disse Erdoğan no início da semana.
Maliki pediu uma "nova oportunidade" para resolver a crise por vias diplomáticas e propôs negociações, segundo a Anatólia.
Erdoğan declarou-se pronto a reunir-se com uma delegação iraquiana, mas sublinhou que o seu país não podia tolerar "mais perdas de tempo".
O presidente sírio, Bachar Al-Assad, de visita a Ancara, manifestou, por seu turno, um precioso apoio à Turquia.
"Apoiamos as decisões que estão na ordem do dia do governo turco no que respeita à luta contra o terrorismo e as actividades terroristas", disse à imprensa.


(Fonte: Sol)

Ancara pede a Bagdad e aos Curdos para combaterem os rebeldes do PKK

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, exigiu que o governo iraquiano e os Curdos do Iraque actuem contra os membros do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a fim de evitar as consequências de uma incursão do exército turco.
"Eles devem assumir uma posição clara, isso é do interesse de todos", disse Erdoğan no Parlamento, pedindo aos Curdos do Iraque que "cooperem" com Ancara contra os rebeldes, refugiados no norte do Iraque.
"A direcção central iraquiana e a região autónoma do norte do Iraque devem erguer um muro bem alto entre elas e a organização terrorista", acrescentou, em referência ao PKK.
O Parlamento turco deve votar nesta quarta-feira uma moção para autorizar uma incursão militar no Iraque contra os rebeldes. Esta autorização parlamentar teria um ano de validade, o que os observadores consideram como uma "espada de Dâmocles" sobre o Iraque.
Ancara acusa os Curdos iraquianos de fornecerem armas e explosivos ao PKK, e reclama que Bagdad não faz o suficiente para combater esta organização, considerada terrorista pela União Europeia e Washington.

Família curda na Turquia

O governo iraquiano do primeiro-ministro Nuri Al Maliki parece ter captado a mensagem, e nesta terça-feira convocou uma reunião de emergência, anunciando no final o envio de uma delegação a Ancara em datas ainda não definidas.
O xiita Al Maliki insistiu "no compromisso do seu governo na luta contra as actividades terroristas do PKK contra a Turquia". Além disso, expressou o seu desejo de que as divergências se resolvam mediante negociações presididas pelos Estados Unidos, argumentando que "os governos iraquiano e turco devem cooperar para combater o terrorismo".
Também nesta terça-feira, o vice-presidente iraquiano, Tarek Al Hashemi, chegou à Turquia para se encontrar com Erdoğan e com o presidente Abdullah Gül.
Apesar destas questões, o governo de Ancara considera pouco provável que Bagdad esteja disposto a pressionar as autoridades autónomas curdas.
A Turquia e o Iraque assinaram recentemente um acordo anti-terrorista, cujo alcance, no entanto, não afecta os Curdos, primeiros aliados dos Americanos desde a sua ocupação do Iraque em 2003.
O vice-primeiro-ministro turco, Cemil Çiçek, disse nesta segunda-feira, à saída do Conselho de ministros, que uma possível incursão turca se dirige única e exclusivamente contra o PKK, sem afectar a integridade do Iraque, lugar utilizado pelos separatistas curdos para se infiltrarem no solo turco.
Actualmente, a Turquia estima em 3.500 o número de rebeldes refugiados nas montanhas do norte do Iraque, região que o regime de Sadam Hussein atacou diversas vezes.
Segundo a imprensa turca, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ali Babacan, começará na quarta-feira uma viagem pelo Médio Oriente, com visitas ao Egipto e ao Líbano, para tentar limitar a reacção dos países árabes a uma possível acção turca no Iraque.
Os Estados Unidos já se pronunciaram contra um eventual ataque. "Queremos que o Iraque seja estável e desejamos que o PKK preste contas à justiça, mas pedimos aos Turcos que continuem as conversações connosco e que os iraquianos se abstenham de realizar qualquer acção que possa ser desestabilizadora", disse o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe.
As relações entre a Turquia e os Estados Unidos, aliados na NATO, ficaram mais tensas nas últimas semanas devido ao texto que tem sido debatido nos EUA, na Câmara dos Representantes, sobre o massacre arménio entre 1915 e 1917 durante o Império otomano, podendo vir a defini-lo como "genocídio".
O exército americano, por sua vez, considera a possibilidade de adoptar uma solução alternativa para abastecer as suas tropas no Iraque, caso a Turquia o impeça de usar as suas bases, em reacção a uma eventual aprovação pelo Congresso americano do "genocídio" arménio.
"Estamos a elaborar planos. Trata-se de estudar as outras opções de que dispomos, já que haverá sérias consequências operacionais" se a Turquia bloquear a passagem do material militar americano pelo seu território, declarou um alto funcionário do Pentágono.

(Fonte: AFP)