18 setembro 2007

A ascenção do islamismo moderado e o futuro da República turca


A ascensão de Abdullah Gül, um conservador islâmico de 56 anos, à Presidência da Turquia pode ter repercussões em todos os países muçulmanos. A escolha tem potencial para modificar a política interna da potência regional, mas terá também implicações para a Europa, a prazo, pois reforça as ambições turcas de integração na União Europeia. A Turquia é um dos principais membros da NATO e a 17.ª economia do mundo, a maior entre os países de maioria muçulmana. A eleição presidencial, por escolha parlamentar, foi difícil e durou quatro meses, devido à oposição dos partidos republicanos. O dramático acto final, a 28 de Agosto, só foi possível após eleições antecipadas, a vitória esmagadora dos conservadores islâmicos nas urnas e, mesmo assim, com alguns avisos militares. Gül conseguiu 399 votos, em 550, mas a sua mulher, que usa véu islâmico, não assistiu à tomada de posse. O mandato do novo Presidente terá a vigilância dos generais, sobretudo do chefe de Estado-Maior, Yaşar Büyükanıt. Gül tem origem no movimento político islâmico, que é visto pela élite secular turca com enorme desconfiança. Na Turquia, o sistema laico domina a justiça, os media e o exército, que derrubou (ou ajudou a derrubar) quatro governos eleitos nos últimos 50 anos. O motivo invocado foi sempre o mesmo: defender a república secular fundada por Mustafa Kemal Atatürk, em 1923. O Partido da Beneficência, a que pertencia Gül no final dos anos 90, foi vítima de uma dessas intervenções. Quando ajudou a fundar um novo partido de raiz islâmica, em 2001, o Justiça e Desenvolvimento (cuja sigla AK significa puro, em turco), o actual Presidente não podia adivinhar o êxito que teria a estratégia moderada: na altura, não tinha acesso aos media, era execrado pelos poderosos militares e ostracizado pelos partidos republicanos. O líder do partido, e actual primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, então presidente da Câmara de Istambul, enfrentava a justiça, por ter lido um poema islamita num comício. Apenas seis anos depois, o poder do AKP não tem paralelo na história da República turca. O partido de Gül e Erdoğan venceu as eleições de 2002 e, após prometer respeitar as instituições laicas, governou durante quatro anos, produzindo uma verdadeira revolução. Gül foi primeiro-ministro durante alguns meses (enquanto Erdoğan esteve impedido) e assumiu a difícil pasta dos Negócios Estrangeiros, que incluía as negociações com a UE. Mas a ascensão ao poder do AKP por ser tão completa, inclui desafios difíceis. Em primeiro lugar, os conservadores islâmicos terão de cumprir a sua promessa de respeitarem o carácter secular da República. A questão do véu será decisiva. Há também o problema dos separatistas curdos, que o AKP tratou de forma inovadora, nos últimos quatro anos. E a questão da relação com a UE. Com um sistema democrático que cumpre os critérios de adesão, não haverá argumentos para excluir a Turquia da adesão. A economia cresce a 7% ao ano e, a manter-se o ritmo, em 2020 a Turquia terá a sexta economia da UE e a maior população.

(Fonte: DN)

Abdullah Gül desloca-se à Repúlica Turca do Norte do Chipre


O presidente da Turquia, Abdullah Gül, viajou hoje para República Turca do Norte do Chipre (RTNC, reconhecida apenas pelo Governo turco), na sua primeira viagem oficial desde que foi eleito para o cargo.
Na RTNC, vai reunir-se com o presidente turco-cipriota, Mehmet Ali Talat, e com o ex-presidente Rauf Denktash.
A ilha de Chipre está dividida em dois Estados desde a invasão turca da parte norte da ilha, em 1974. Ancara justificou então a ocupação como medida contra as tentativas da maioria grega da ilha de se unir à Grécia. Em 1983 foi proclamada a RTNC, que só foi reconhecida internacionalmente pela Turquia. A República do Chipre, que entrou em 2004 para a União Européia (UE), só controla dois terços da ilha. A Turquia mantém 40 mil soldados na RTNC e financia o Governo turco-cipriota. Em 2004, o plebiscito para a reunificação do Chipre foi rejeitado pela maioria da população greco-cipriota, mas ganhou o apoio dos turco-cipriotas.

(Fonte: EFE)

17 setembro 2007

Abdullah Gül quebrou o jejum do Ramadão


Foi só um copo de água, mas foi o suficiente para deixar mácula no primeiro dia do Ramadão de Abdullah Gül, após ter sido eleito Presidente da Turquia.
Num momento de distracção, durante a primeira visita pelo país como novo chefe de Estado, e numa reunião que estava a ser gravada pelas televisões, Gül bebeu um copo de água, algo que, tal como comer, fumar e ter sexo, é absolutamente proibido na fé islâmica desde o nascer ao pôr-do-sol do mês do Ramadão.
Convém referir que nem todos os Turcos cumprem o jejum do Ramadão. No entanto, uma larga maioria da população cumpre esse preceito da fé islâmica. Gül, como islamita que é, certamente que cumpre esse rito islâmico.

15 setembro 2007

Orhan Pamuk: "Os islamitas respeitam mais a democracia do que os secularistas"


Em entrevista à rádio BBC na passada quarta-feira, o nobel da literatura, Orhan Pamuk, disse que a Turquia tem assistido nos últimos 10 anos a uma luta entre os islamitas moderados e os secularistas. “Durante 10 anos, a Turquia tem assistido a uma discussão entre os políticos islamitas, que fazem esforços para a adesão da Turquia à União Europeia, e os devotos do secularismo que têm como objectivo ganhar o apoio das Forças Armadas Turcas (TSK).”
Pamuk tentou fugir às questões políticas frisando que não era nem militante nem político e acrescentou: “Os políticos islamitas na Turquia respeitam mais a democracia do que os secularistas.” Ressalvando ser ele próprio também um secularista, disse: “Os secularistas não dão a devida importância à democracia e tentam atrair o apoio das Forças Armadas, enquanto que os políticos islamitas moderados provam que são mais democráticos através dos esforços que desenvolvem para a adesão da Turquia à União Europeia.”
Relativamente a reacções anteriores que teve contra os islamitas, Pamuk disse: “Os homens da literatura são obrigados a reflectir sobre as realidades diárias. O mais importante é a forma como as reflectem. Eu posso ter perturbado alguns círculos por ter mostrado realidades.”

Pamuk também comentou sobre Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da República turca moderna, dizendo que ele também era um secularista.

11 setembro 2007

Polícia turca desactivou bomba no centro de Ancara


A polícia turca desactivou hoje uma bomba de grande potência no centro de Ancara, no dia em que são assinalados os atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos.
Após quase três horas de trabalho, a brigada da polícia de Ancara conseguiu neutralizar o engenho colocado num autocarro estacionado num parque do centro da capital turca.
"O trabalho meticuloso das forças policiais impediu uma eventual catástrofe [...]. Nem quero pensar no que poderia ter acontecido se o atentado se tivesse concretizado", declarou, no local, aos jornalistas o governador da capital, Kemal Önal, que referiu "uma grande quantidade de explosivos".
As cadeias de informação NTV e CNN-Türk falaram na existência de 300 quilogramas de explosivos, mas esta informação não foi confirmada por qualquer fonte oficial.
O parque de estacionamento, com vários níveis, situa-se no bairro de Kurtuluş, uma zona residencial muito povoada e frequentada, no centro de Ancara, com vários estabelecimentos comerciais.
O governador explicou que cães detectaram explosivos no interior do veículo, aparentemente roubado, que as forças de segurança procuravam desde segunda-feira à noite.
Önal indicou que, até ao momento, o atentado não tinha sido reivindicado, sem precisar de que organização suspeitavam as autoridades.
Segundo a estação de televisão NTV, o tipo de explosivo descoberto no veículo apresenta semelhanças com os utilizados nos mortíferos atentados de Novembro de 2003 em Istambul, que visaram nomeadamente interesses britânicos e que foram atribuídos a uma célula turca da rede terrorista da Al-Qaeda.
Önal limitou-se a dizer que os explosivos se encontravam num veículo com matrícula falsa.
A polícia estabeleceu um perímetro de segurança em redor do parque de estacionamento, impedindo o acesso enquanto se procedia à operação de desactivação da bomba.
Em seguida, o explosivo foi levado para a academia de polícia, para ser examinado por peritos.
Equipas de bombeiros e ambulâncias foram enviadas para a zona, onde se situam também hospitais e instalações militares. Alguns edifícios públicos e residenciais foram temporariamente evacuados.

10 setembro 2007

Homem matou oito familiares devido a um conflito territorial

Um homem matou a tiro oito membros da sua família, numa aldeia do sudoeste da Turquia, fugindo em seguida.
O crime ocorreu ontem na aldeia de Karaadilli, na província de Afyon, a cerca de 300 km a oeste de Ancara.
O assassino matou primeiro o irmão de 45 anos e a sua família, com a qual mantinha um conflito antigo sobre a utilização das terras cultiváveis que pertenciam à família. Matou o irmão, a mulher deste e os dois filhos do casal, com 8 e 19 anos. Matou em seguida mais quatro membros da família, entre eles uma jovem de 15 anos.
O assassino fugiu para a província vizinha de Isparta. Foi activada uma vasta operação policial para capturar o homem.
Os conflitos territoriais que terminam em homicídios são relativamente frequentes nas zonas rurais turcas.

(Fonte: AFP)

Foram presas nove pessoas por chamarem "mártires" aos rebeldes curdos


As autoridades turcas prenderam nove membros de um partido político pró-curdo, por se terem referido aos rebeldes separatistas curdos como "mártires".
Tratam-se de membros do Partido da Sociedade Democrática (DTP), que luta por mais direitos políticos e culturais para a minoria curda.
O DTP conquistou 20 lugares no Parlamento nas eleições legislativas de Julho.
De acordo com o Código Penal Turco, podem ser punidos com vários anos de prisão, por apoio e incentivo ao terrorismo.

(Fonte: Reuters)

Ali Babacan: "A Turquia está determinada a ser um país verdadeiramente democrático"


Ali Babacan, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, esteve presente no encontro informal de ministros europeus dos Negócios Estrangeiros que decorreu em Portugal, na cidade de Viana do Castelo, nos dias 6 e 7 de Setembro.
Em declarações aos jornalistas, no Sábado, disse que a Turquia está determinada a tornar-se num "país verdadeiramente democrático". "Temos uma intenção muito clara de mudar as coisas na Turquia, de tornar a democracia turca uma democracia de primeira classe, de transformar a Turquia num país verdadeiramente democrático onde as leis funcionam, onde as pessoas exercem os seus direitos, e onde os direitos fundamentais são respeitados", disse Babacan na sua primeira aparição na cena europeia como ministro dos Negócios Estrangeiros.
Babacan insistiu no facto de que o seu país não vai operar reformas "só para produzir um relatório excelente". "O que nós fazemos é para o nosso país e para o nosso povo", disse.


(Fonte: AFP)

06 setembro 2007

Atentado na Sinagoga Neve Şalom foi há 21 anos


No dia 6 de Setembro de 1986, uma sinagoga de Istambul, na Turquia, foi invadida por três homens armadas que lançaram granadas e metralharam pessoas que rezavam. Morreram 22 pessoas.
O grupo xiita “Resistência Islâmica” afirmou que o atentado foi uma resposta a ataques israelitas no Líbano.

(Fonte: Globo)

05 setembro 2007

MNE britânico defende adesão da Turquia como "objectivo claro" dos 27


O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Miliband, escreve num artigo hoje publicado que a União Europeia tem de definir a adesão da Turquia como "objectivo claro".
Para "aproximar a Europa da Ásia, mostrar que os traços comuns da humanidade esbatem as diferenças religiosas, não há melhor país do que a Turquia", afirma Miliband num artigo publicado no "Daily Telegraph".
Por isso, sustenta, a União Europeia (UE) "precisa, como objectivo claro, da integração da Turquia como membro de pleno direito".
O ministro britânico encontra-se actualmente em viagem por cinco países europeus (Roménia, Turquia, Itália, Espanha e Portugal).
Na Turquia, David Miliband vai encontrar-se com o seu homólogo, Ali Babacan, responsável pelas negociações com a União Europeia, com o primeiro-ministro Recep Erdoğan e com o recém-eleito Presidente Abdullah Gül.
"A Turquia e o resto da Europa estão ligados pelas mesmas convicções democráticas e pelos mesmos interesses", acrescentou Miliband no artigo no "Daily Telegraph".
A adesão da Turquia à UE "iria ajudar a aprofundar esses interesses e valores partilhados e a apagar as diferenças".
Mas o governo turco, referiu, terá, "pelo seu comportamento (....) ajudar a desarmar os seus críticos", considerando crucial que as autoridades turcas resolvam os problemas relacionados com a liberdade de expressão e evoluir na questão de Chipre.
A Turquia encetou em Outubro de 2005 negociações para a adesão à UE, o que tem provocado divisões entre os 27 países membros sobre a adesão do país muçulmano.

(Fonte: Público)

02 setembro 2007

Adesão à UE: povo turco deve ser chamado a decidir

No forum de ideias Socialismo 2007, o historiador François Georgeon fez uma comunicação dirigida à compreensão das características da laicidade imposta por Atatürk, ideólogo e construtor do actual Estado turco em 1923. Sublinhou a ideia de que esta laicidade, inspirada por ideias da revolução francesa, teve características próprias tendo-se tornado uma das marcas da própria identidade nacional. Miguel Portas abordou o projecto europeu, lembrando algumas etapas na evolução da CEE para a UE actual. Frisou que o actual projecto europeu de esquerda passa pela defesa duma união política culturalmente inclusiva e não apenas económica. Por isso a decisão final sobre a adesão deve caber ao povo turco.
François Georgeon começou por afirmar que uma perspectiva histórica é necessária para desconstruir os reflexos duma série de ideias feitas sobre a cultura turca, fruto de visões essencialistas e eurocêntricas sobre a Turquia. A esta visão simplista e redutora contrapôs uma visão histórica rica e profundamente informada que facilita uma abordagem à contemporaneidade deste Estado pouco conhecido dos Portugueses.
A Turquia é um estado jovem (as fronteiras actuais datam do armistício de 1939, na sequência portanto da segunda guerra mundial) com uma antiquíssima história e uma grande diversidade cultural e pluralidade nacional: os primeiros vestígios de escritos turcomanos datam dos séc. VII a VIII e foram encontrados nas margens do lago Baikal no sul da Sibéria.
Com o império otomano era o poder político que controlava a hierarquia religiosa, o islamismo era a religião seguida pela maior parte da população. O laicismo de Mustafa Kemal Atatürk (1888-1938), conhecido como "o pai dos Turcos" e criador da República turca, foi certamente influenciado pelo ideário revolucionário francês. Mas o kemalismo prolonga sim essa forma de controle não estabelecendo separação entre poderes, assumindo portanto características diferentes do laicismo francês, e contribuindo para o reforço desse novo poder central.
Nesta linha ideológica, a religião deveria passar a ficar confinada à esfera privada, tendo certas formas de religiosidade tradicional passado a ser encaradas como retrógradas e associadas a uma "Idade Média". Velhos tempos se queriam deixar para trás em nome do progresso e duma ocidentalização reclamada como valor intrínseco à própria cultura turca e sustentada por uma longa vizinhança na Europa.
Disto resulta que, na análise de Georgeon, a europeização não é uma realidade recente estando pelo contrário associada à própria ideia da formação do Estado turco.
Miguel Portas, deputado europeu pelo Bloco, referiu o processo da evolução da CEE para a União Europeia. Começou por abordar os critérios de Copenhaga para o alargamento (estabilidade das instituições e garantia da democracia e do Estado de direito; respeito pelos direitos humanos incluindo os das minorias; existência duma economia de mercado). Fez notar que se os mesmos critérios usados para tentar impedir a adesão da Turquia tivessem sido aplicados aos actuais membros, alguns deles certamente não teriam sido aceites. E que a decisão final e fundamental passa pela expressão da própria vontade livremente expressa pelo povo turco.
Referiu o enorme apetite por este novo mercado, tal como noutras adesões, e a necessidade de amortecer financeiramente os custos sociais de tal integração. Que as condições políticas e económicas são muito diferentes das dos estados membros, com uma tutela militar e sem verdadeira democracia, tendo o estado um forte controle sobre a economia que passa pelas máfias económicas. Acrescentou que as esquerdas curdas estão persuadidas que a adesão poderá dar um contibuto para a abertura política do regime e para a luta por uma verdadeira democracia e pelos direitos dentro do país. O mesmo se poderá dizer sobre a questão cipriota.

François Georgeon é historiador e especialista em estudos otomanos e turcos do CNRS (instituição nacional de investigação françesa).

(Fonte: Bloco de Esquerda)

01 setembro 2007

Erdoğan promete mais democracia


O novo Governo turco saído das legislativas de 22 de Julho comprometeu-se ontem a consolidar a democracia e a estabilidade económica, a acelerar a integração na União Europeia e a elaborar uma Constituição mais liberal.
Os objectivos do Executivo para os próximos cinco anos, aprovados pelo novo presidente Abdullah Gül, foram anunciados no Parlamento pelo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, que leu perante os deputados o programa do segundo Governo do seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP). "A Turquia tem direito a uma Constituição civil e democrática, que será fruto de um amplo compromisso", afirmou Erdoğan, sublinhando que o novo texto alargará o campo das liberdades individuais na Turquia, país que encetou em 2005 difíceis negociações de adesão à UE. Sublinhou que o seu Governo trabalhará para um respeito "total" pelos critérios políticos e democráticos de Copenhaga, que qualquer país candidato à UE deve acatar. "Independentemente de serem oficialmente abertos ou não capítulos (de negociação), as reformas em vários domínios prosseguirão", declarou Erdoğan.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Miguel Portas: "Adesão da Turquia à UE deve ser económica e política"

O eurodeputado do Bloco de Esquerda Miguel Portas defendeu hoje que a adesão da Turquia à União Europeia, a acontecer, deve ser não só económica mas também política.
"O processo de negociação deve ser levado até ao fim, com seriedade, na base dos critérios que a União Europeia definiu. Se as negociações chegarem a bom termo, então compete aos Turcos decidirem se querem ou não", defendeu Miguel Portas.
"O que não pode acontecer, porque isso seria ter dois pesos e duas medidas, é a União Europeia querer o mercado da Turquia, sem dar a possibilidade aos Turcos de estarem representados nas instituições europeias", frisou o eurodeputado e dirigente do BE.
Miguel Portas falava num debate no Fórum Socialismo, no segundo dia da Universidade de Verão do Bloco de Esquerda, que encerrará Domingo com uma intervenção do coordenador da comissão política, Francisco Louçã.
O eurodeputado criticou ainda os "líderes conservadores que bloqueiam o processo porque querem apenas o mercado que a Turquia representa" e não uma adesão que tenha consequências políticas.
"Nicolas Sarkozy quer a Turquia, quer a Anatólia inteira, e se a puder ter como mercado sem os votos, tanto melhor", criticou o dirigente bloquista.

(Fonte: Diário Digital)

Pentágono avalia se armas fornecidas ao Iraque passaram pela Turquia


Um alto funcionário do Pentágono irá ao Iraque na próxima semana para investigar se armas americanas fornecidas às forças de segurança iraquianas foram encontradas na Turquia.
O porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, afirmou na quarta-feira que não havia, até o momento, provas de que as armas fornecidas pelos americanos tenham sido utilizadas por rebeldes iraquianos contra as forças americanas ou pelos insurgentes do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) contra o exército turco.
E acrescentou: "se as armas vindas dos Estados Unidos chegaram às mãos de criminosos ou de terroristas na Turquia, isso não seria resultado de uma política deste departamento ou do governo americano".
Jim Haynes, conselheiro do Pentágono, foi à Turquia no mês passado para discutir estas questões depois das inquietações demonstradas pelo governo turco em Washington no mês de Maio.
De acordo com Ancara, os rebeldes do PKK utilizam o norte do Iraque como base das operações lançadas contra o exército turco, e a Turquia não exclui uma incursão militar no Iraque.
Numa análise aos números de série, as autoridades americanas confirmaram que algumas armas foram encontradas pela polícia turca depois de crimes violentos.
É possível que este armamento tenha sido perdido ou roubado em combate contra insurgentes iraquianos e depois contrabandeado pela Turquia, afirmou o jornal New York Times citando autoridades americanas.

(Fonte: AFP)

31 agosto 2007

Gül e a sua definição de secularismo no seu primeiro discurso como presidente


O novo presidente da República, Abdullah Gül, descreveu o secularismo como a regra da harmonia social e um modelo que permite diferentes estilos de vida, no seu primeiro discurso como presidente da República.
Esta declaração de Gül foi recebida por muitos como uma nova definição de secularismo, provocando críticas de alguns secularistas.
“Foi um bom discurso. Foi bom porque protegeu abertamente a democracia, uma característica secular da República,” escreveu o colunista do jornal Milliyet, Hasan Cemal.
Com essa abordagem do secularismo, Gül alarga o entendimento oficial do princípio base que é a "separação entre Estado e religião." Embora não exista nenhuma descrição de secularismo na Constituição, o artigo 24 estabelece a liberdade religiosa mas ao mesmo tempo limita o abuso da religião com fins políticos.
“Sabemos que Gül vem de um movimento islamita e que é um homem religioso. Mas há dois pontos que ele não pode subestimar,” disse Ruşen Çakır, um analista político que tem seguido de perto o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) há vários anos. “Se ele se tornou presidente, não foi só graças à democracia, mas também graças ao secularismo, que permite que pessoas religiosas acedam ao mais alto posto do Estado. O secularismo, que significa que o Estado deve ser neutro relativamente a todas as religiões, é muito mais necessário às pessoas religiosas, do que àqueles que não são muçulmanos ou que não têm uma forte relação com o Islão,” acrescentou.
No passado, os esforços de conservadores para criarem a sua própria definição do secularismo provocaram tensões internas no país. O anterior presidente do Parlamento, Bülent Arınç, disse abertamente que havia a necessidade de redefinir o secularismo. Acentuou que o secularismo assegura a liberdade de todas as actividades religiosas, numa tentativa de fazer prevalecer a ideia de liberdade de religião. O anterior presidente, Ahmet Necdet Sezer, criticou os esforços de Arınç em descrever o secularismo à sua maneira.
“A protecção do secularismo deve ser uma prioridade para Gül se ele quiser transformar esta potencial crise numa oportunidade,” disse Çakır.
Atilla Kart, um deputado do Partido Republicano do Povo (CHP) e membro da Comissão Constitucional, diz ter a impressão que Gül descreveu o secularismo em linha com o seu real propósito. Contudo, Gül devia ter focado o ponto de que a religião se tornou um instrumento de ganhos políticos e que existem esforços para impôr regras religiosas nos assuntos do Estado. Estes foram os pontos que faltam ao seu discurso,” disse Kart.
O deputado do CHP também disse que Gül tem de clarificar como é que lidaria com tal ameaça durante a sua presidência. “Este é o ponto para o qual o presidente devia dar garantias. O presidente é imparcial mas tem de estar ao lado da protecção dos princípios fundamentais e do secularismo, não só através da retórica mas com acções concretas," disse.
Entretanto, o professor de direito e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Mümtaz Soysal, diz que a descrição de Gül está incompleta. Gül não referiu o facto de que o secularismo requer uma total separação do Estado e dos assuntos religiosos. Gül e circulos com a mesma mentalidade, consideram o secularismo só como liberdade religiosa. “Não é bom para ele começar com tal descrição. Isto é preocupante para o futuro,” disse Soysal.
“Em democracia, que é um sistema de direitos e liberdades, o secularismo, um dos princípios seculares da nossa República, é não só um modelo que permite a liberdade de diferentes estilos de vida, como é também uma regra de harmonia social. O compromisso com o princípio do secularismo é também a via mais expediente para se eliminarem conflitos e elementos de altercação que de tempos a tempos se manifestam em todas as sociedades. Quando pensarmos nas realidades e sensibilidades inerentes à nossa geografia, compreenderemos melhor o significado do princípio do secularismo, que também garante a liberdade de religião e de consciência.”

28 agosto 2007

Gul: Turquia precisa trabalhar arduamente para se juntar à UE


A Turquia precisa de trabalhar arduamente no sentido de realizar reformas, com o objectivo de se juntar à União Europeia, afirmou hoje o recém-eleito presidente do país, Abdullah Gül, durante a cerimónia de posse.
"É imperativo para o nosso país que realizemos as reformas políticas e económicas para caminharmos no sentido de sermos membros da UE», disse Gül, acrescentando que a Turquia pode tomar no futuro a sua própria decisão sobre ser membro do bloco.
Gül, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros e preparou a proposta turca para a UE, foi hoje eleito presidente, na terceira ronda de votação no Parlamento, pondo termo a meses de incerteza sobre quem seria o próximo presidente do país.

(Fonte: Diário Digital)