06 setembro 2007

Atentado na Sinagoga Neve Şalom foi há 21 anos


No dia 6 de Setembro de 1986, uma sinagoga de Istambul, na Turquia, foi invadida por três homens armadas que lançaram granadas e metralharam pessoas que rezavam. Morreram 22 pessoas.
O grupo xiita “Resistência Islâmica” afirmou que o atentado foi uma resposta a ataques israelitas no Líbano.

(Fonte: Globo)

05 setembro 2007

MNE britânico defende adesão da Turquia como "objectivo claro" dos 27


O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Miliband, escreve num artigo hoje publicado que a União Europeia tem de definir a adesão da Turquia como "objectivo claro".
Para "aproximar a Europa da Ásia, mostrar que os traços comuns da humanidade esbatem as diferenças religiosas, não há melhor país do que a Turquia", afirma Miliband num artigo publicado no "Daily Telegraph".
Por isso, sustenta, a União Europeia (UE) "precisa, como objectivo claro, da integração da Turquia como membro de pleno direito".
O ministro britânico encontra-se actualmente em viagem por cinco países europeus (Roménia, Turquia, Itália, Espanha e Portugal).
Na Turquia, David Miliband vai encontrar-se com o seu homólogo, Ali Babacan, responsável pelas negociações com a União Europeia, com o primeiro-ministro Recep Erdoğan e com o recém-eleito Presidente Abdullah Gül.
"A Turquia e o resto da Europa estão ligados pelas mesmas convicções democráticas e pelos mesmos interesses", acrescentou Miliband no artigo no "Daily Telegraph".
A adesão da Turquia à UE "iria ajudar a aprofundar esses interesses e valores partilhados e a apagar as diferenças".
Mas o governo turco, referiu, terá, "pelo seu comportamento (....) ajudar a desarmar os seus críticos", considerando crucial que as autoridades turcas resolvam os problemas relacionados com a liberdade de expressão e evoluir na questão de Chipre.
A Turquia encetou em Outubro de 2005 negociações para a adesão à UE, o que tem provocado divisões entre os 27 países membros sobre a adesão do país muçulmano.

(Fonte: Público)

02 setembro 2007

Adesão à UE: povo turco deve ser chamado a decidir

No forum de ideias Socialismo 2007, o historiador François Georgeon fez uma comunicação dirigida à compreensão das características da laicidade imposta por Atatürk, ideólogo e construtor do actual Estado turco em 1923. Sublinhou a ideia de que esta laicidade, inspirada por ideias da revolução francesa, teve características próprias tendo-se tornado uma das marcas da própria identidade nacional. Miguel Portas abordou o projecto europeu, lembrando algumas etapas na evolução da CEE para a UE actual. Frisou que o actual projecto europeu de esquerda passa pela defesa duma união política culturalmente inclusiva e não apenas económica. Por isso a decisão final sobre a adesão deve caber ao povo turco.
François Georgeon começou por afirmar que uma perspectiva histórica é necessária para desconstruir os reflexos duma série de ideias feitas sobre a cultura turca, fruto de visões essencialistas e eurocêntricas sobre a Turquia. A esta visão simplista e redutora contrapôs uma visão histórica rica e profundamente informada que facilita uma abordagem à contemporaneidade deste Estado pouco conhecido dos Portugueses.
A Turquia é um estado jovem (as fronteiras actuais datam do armistício de 1939, na sequência portanto da segunda guerra mundial) com uma antiquíssima história e uma grande diversidade cultural e pluralidade nacional: os primeiros vestígios de escritos turcomanos datam dos séc. VII a VIII e foram encontrados nas margens do lago Baikal no sul da Sibéria.
Com o império otomano era o poder político que controlava a hierarquia religiosa, o islamismo era a religião seguida pela maior parte da população. O laicismo de Mustafa Kemal Atatürk (1888-1938), conhecido como "o pai dos Turcos" e criador da República turca, foi certamente influenciado pelo ideário revolucionário francês. Mas o kemalismo prolonga sim essa forma de controle não estabelecendo separação entre poderes, assumindo portanto características diferentes do laicismo francês, e contribuindo para o reforço desse novo poder central.
Nesta linha ideológica, a religião deveria passar a ficar confinada à esfera privada, tendo certas formas de religiosidade tradicional passado a ser encaradas como retrógradas e associadas a uma "Idade Média". Velhos tempos se queriam deixar para trás em nome do progresso e duma ocidentalização reclamada como valor intrínseco à própria cultura turca e sustentada por uma longa vizinhança na Europa.
Disto resulta que, na análise de Georgeon, a europeização não é uma realidade recente estando pelo contrário associada à própria ideia da formação do Estado turco.
Miguel Portas, deputado europeu pelo Bloco, referiu o processo da evolução da CEE para a União Europeia. Começou por abordar os critérios de Copenhaga para o alargamento (estabilidade das instituições e garantia da democracia e do Estado de direito; respeito pelos direitos humanos incluindo os das minorias; existência duma economia de mercado). Fez notar que se os mesmos critérios usados para tentar impedir a adesão da Turquia tivessem sido aplicados aos actuais membros, alguns deles certamente não teriam sido aceites. E que a decisão final e fundamental passa pela expressão da própria vontade livremente expressa pelo povo turco.
Referiu o enorme apetite por este novo mercado, tal como noutras adesões, e a necessidade de amortecer financeiramente os custos sociais de tal integração. Que as condições políticas e económicas são muito diferentes das dos estados membros, com uma tutela militar e sem verdadeira democracia, tendo o estado um forte controle sobre a economia que passa pelas máfias económicas. Acrescentou que as esquerdas curdas estão persuadidas que a adesão poderá dar um contibuto para a abertura política do regime e para a luta por uma verdadeira democracia e pelos direitos dentro do país. O mesmo se poderá dizer sobre a questão cipriota.

François Georgeon é historiador e especialista em estudos otomanos e turcos do CNRS (instituição nacional de investigação françesa).

(Fonte: Bloco de Esquerda)

01 setembro 2007

Erdoğan promete mais democracia


O novo Governo turco saído das legislativas de 22 de Julho comprometeu-se ontem a consolidar a democracia e a estabilidade económica, a acelerar a integração na União Europeia e a elaborar uma Constituição mais liberal.
Os objectivos do Executivo para os próximos cinco anos, aprovados pelo novo presidente Abdullah Gül, foram anunciados no Parlamento pelo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, que leu perante os deputados o programa do segundo Governo do seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP). "A Turquia tem direito a uma Constituição civil e democrática, que será fruto de um amplo compromisso", afirmou Erdoğan, sublinhando que o novo texto alargará o campo das liberdades individuais na Turquia, país que encetou em 2005 difíceis negociações de adesão à UE. Sublinhou que o seu Governo trabalhará para um respeito "total" pelos critérios políticos e democráticos de Copenhaga, que qualquer país candidato à UE deve acatar. "Independentemente de serem oficialmente abertos ou não capítulos (de negociação), as reformas em vários domínios prosseguirão", declarou Erdoğan.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Miguel Portas: "Adesão da Turquia à UE deve ser económica e política"

O eurodeputado do Bloco de Esquerda Miguel Portas defendeu hoje que a adesão da Turquia à União Europeia, a acontecer, deve ser não só económica mas também política.
"O processo de negociação deve ser levado até ao fim, com seriedade, na base dos critérios que a União Europeia definiu. Se as negociações chegarem a bom termo, então compete aos Turcos decidirem se querem ou não", defendeu Miguel Portas.
"O que não pode acontecer, porque isso seria ter dois pesos e duas medidas, é a União Europeia querer o mercado da Turquia, sem dar a possibilidade aos Turcos de estarem representados nas instituições europeias", frisou o eurodeputado e dirigente do BE.
Miguel Portas falava num debate no Fórum Socialismo, no segundo dia da Universidade de Verão do Bloco de Esquerda, que encerrará Domingo com uma intervenção do coordenador da comissão política, Francisco Louçã.
O eurodeputado criticou ainda os "líderes conservadores que bloqueiam o processo porque querem apenas o mercado que a Turquia representa" e não uma adesão que tenha consequências políticas.
"Nicolas Sarkozy quer a Turquia, quer a Anatólia inteira, e se a puder ter como mercado sem os votos, tanto melhor", criticou o dirigente bloquista.

(Fonte: Diário Digital)

Pentágono avalia se armas fornecidas ao Iraque passaram pela Turquia


Um alto funcionário do Pentágono irá ao Iraque na próxima semana para investigar se armas americanas fornecidas às forças de segurança iraquianas foram encontradas na Turquia.
O porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, afirmou na quarta-feira que não havia, até o momento, provas de que as armas fornecidas pelos americanos tenham sido utilizadas por rebeldes iraquianos contra as forças americanas ou pelos insurgentes do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) contra o exército turco.
E acrescentou: "se as armas vindas dos Estados Unidos chegaram às mãos de criminosos ou de terroristas na Turquia, isso não seria resultado de uma política deste departamento ou do governo americano".
Jim Haynes, conselheiro do Pentágono, foi à Turquia no mês passado para discutir estas questões depois das inquietações demonstradas pelo governo turco em Washington no mês de Maio.
De acordo com Ancara, os rebeldes do PKK utilizam o norte do Iraque como base das operações lançadas contra o exército turco, e a Turquia não exclui uma incursão militar no Iraque.
Numa análise aos números de série, as autoridades americanas confirmaram que algumas armas foram encontradas pela polícia turca depois de crimes violentos.
É possível que este armamento tenha sido perdido ou roubado em combate contra insurgentes iraquianos e depois contrabandeado pela Turquia, afirmou o jornal New York Times citando autoridades americanas.

(Fonte: AFP)

31 agosto 2007

Gül e a sua definição de secularismo no seu primeiro discurso como presidente


O novo presidente da República, Abdullah Gül, descreveu o secularismo como a regra da harmonia social e um modelo que permite diferentes estilos de vida, no seu primeiro discurso como presidente da República.
Esta declaração de Gül foi recebida por muitos como uma nova definição de secularismo, provocando críticas de alguns secularistas.
“Foi um bom discurso. Foi bom porque protegeu abertamente a democracia, uma característica secular da República,” escreveu o colunista do jornal Milliyet, Hasan Cemal.
Com essa abordagem do secularismo, Gül alarga o entendimento oficial do princípio base que é a "separação entre Estado e religião." Embora não exista nenhuma descrição de secularismo na Constituição, o artigo 24 estabelece a liberdade religiosa mas ao mesmo tempo limita o abuso da religião com fins políticos.
“Sabemos que Gül vem de um movimento islamita e que é um homem religioso. Mas há dois pontos que ele não pode subestimar,” disse Ruşen Çakır, um analista político que tem seguido de perto o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) há vários anos. “Se ele se tornou presidente, não foi só graças à democracia, mas também graças ao secularismo, que permite que pessoas religiosas acedam ao mais alto posto do Estado. O secularismo, que significa que o Estado deve ser neutro relativamente a todas as religiões, é muito mais necessário às pessoas religiosas, do que àqueles que não são muçulmanos ou que não têm uma forte relação com o Islão,” acrescentou.
No passado, os esforços de conservadores para criarem a sua própria definição do secularismo provocaram tensões internas no país. O anterior presidente do Parlamento, Bülent Arınç, disse abertamente que havia a necessidade de redefinir o secularismo. Acentuou que o secularismo assegura a liberdade de todas as actividades religiosas, numa tentativa de fazer prevalecer a ideia de liberdade de religião. O anterior presidente, Ahmet Necdet Sezer, criticou os esforços de Arınç em descrever o secularismo à sua maneira.
“A protecção do secularismo deve ser uma prioridade para Gül se ele quiser transformar esta potencial crise numa oportunidade,” disse Çakır.
Atilla Kart, um deputado do Partido Republicano do Povo (CHP) e membro da Comissão Constitucional, diz ter a impressão que Gül descreveu o secularismo em linha com o seu real propósito. Contudo, Gül devia ter focado o ponto de que a religião se tornou um instrumento de ganhos políticos e que existem esforços para impôr regras religiosas nos assuntos do Estado. Estes foram os pontos que faltam ao seu discurso,” disse Kart.
O deputado do CHP também disse que Gül tem de clarificar como é que lidaria com tal ameaça durante a sua presidência. “Este é o ponto para o qual o presidente devia dar garantias. O presidente é imparcial mas tem de estar ao lado da protecção dos princípios fundamentais e do secularismo, não só através da retórica mas com acções concretas," disse.
Entretanto, o professor de direito e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Mümtaz Soysal, diz que a descrição de Gül está incompleta. Gül não referiu o facto de que o secularismo requer uma total separação do Estado e dos assuntos religiosos. Gül e circulos com a mesma mentalidade, consideram o secularismo só como liberdade religiosa. “Não é bom para ele começar com tal descrição. Isto é preocupante para o futuro,” disse Soysal.
“Em democracia, que é um sistema de direitos e liberdades, o secularismo, um dos princípios seculares da nossa República, é não só um modelo que permite a liberdade de diferentes estilos de vida, como é também uma regra de harmonia social. O compromisso com o princípio do secularismo é também a via mais expediente para se eliminarem conflitos e elementos de altercação que de tempos a tempos se manifestam em todas as sociedades. Quando pensarmos nas realidades e sensibilidades inerentes à nossa geografia, compreenderemos melhor o significado do princípio do secularismo, que também garante a liberdade de religião e de consciência.”

28 agosto 2007

Gul: Turquia precisa trabalhar arduamente para se juntar à UE


A Turquia precisa de trabalhar arduamente no sentido de realizar reformas, com o objectivo de se juntar à União Europeia, afirmou hoje o recém-eleito presidente do país, Abdullah Gül, durante a cerimónia de posse.
"É imperativo para o nosso país que realizemos as reformas políticas e económicas para caminharmos no sentido de sermos membros da UE», disse Gül, acrescentando que a Turquia pode tomar no futuro a sua própria decisão sobre ser membro do bloco.
Gül, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros e preparou a proposta turca para a UE, foi hoje eleito presidente, na terceira ronda de votação no Parlamento, pondo termo a meses de incerteza sobre quem seria o próximo presidente do país.

(Fonte: Diário Digital)

As grandes datas da Turquia


As datas-chave desde a proclamação da República na Turquia até hoje.

O Parlamento recebeu, nesta terça-feira, Abdullah Gül, ex-islamita, como líder máximo do Estado.

1923 - Proclamação da República turca por Mustafa Kemal, eleito presidente;
1924 - Abolição do califado e votação das primeiras leis laicas;
1938 - Morte de Mustafa Kemal, apelidado de Atatürk, o "pai dos turcos";
1945 - Turquia passa para o lado dos aliados, depois de ter se mantido neutra durante a guerra;
1946 - Instauração do pluripartidarismo;
1950 - Primeiras eleições livres, vitória do Partido Democrata;
1952 - Adesão da Turquia à Aliança Atlântica;
1960 - Golpe de Estado. O primeiro-ministro Adnan Menderes é condenado e executado;
1963 - Acordo de associação com a Comunidade Económica Européia (CEE);
1971 - Novo golpe de Estado provocando a queda de Suleyman Demirel.
1974 - As forças turcas intervêm em Chipre e ocupam o norte da ilha. Em 1983, proclamam a "República Turca de Chipre do Norte" (RTCN, reconhecida apenas por Ancara);
1980 - Golpe de Estado: o Parlamento é dissolvido e os partidos políticos têm suas atividades proibidas;
1984 - Início da insurreição do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que reivindica a independência do sudeste, maioritariamente Curdo. Nesta revolução, morreram mais de 37.000 pessoas.
1990-1991 - Durante a guerra do Golfo, a Turquia alia-a à coligação internacional que expulsou o Iraque do território do Kuwait;
1995 - Acordo de união aduaneira com a União Europeia;
1996 - O islamita Necmettin Erbakan torna-se primeiro-ministro mas deixa o poder um ano depois devido à pressão dos militares. O seu partido, o Refah, é dissolvido em 1998.
1999 - Prisão do líder do PKK, Abdullah Öcalan, por parte do comando russo no Quénia;
Terramoto em Izmit provoca 20.000 mortos;
2002 - Reformas democráticas, entre elas a abolição da pena de morte e a concessão de direitos culturais aos Curdos; vitória do AKP, oriundo do movimento islamita, nas eleições legislativas. Abdullah Gül é nomeado primeiro-ministro;
2003 - Recep Tayyip Erdoğan, líder do AKP, é nomeado primeiro-ministro; durante a ofensiva dos Estados Unidos no Iraque, Ancara não aceita o envio de tropas americanas para a Turquia, mas autoriza o sobrevoo no país; em Novembro ocorrem atentados contra sinagogas e alvos britânicos em Istambul reivindicados por uma célula da Al-Qaeda. Morreram 63 pessoas nos ataques.
2005 - Abertura das negociações de adesão à UE.
2006 - Visita do Papa Bento XVI.
2007 - Em Julho, o AKP sai vitorioso das legislativas antecipadas depois de uma crise política.

(Fonte: AFP)

Alguns secularistas estão a adoptar posições mais moderadas face à eleição de Gül


Com a eleição de Abdullah Gül para a presidência da Turquia, confirmada hoje mas dada como certa há algumas semanas, tem-se verificado que muitos opositores secularistas têm adoptado uma posião mais moderada na sua atitude contra Abdullah Gül e o partido do governo AKP.
Durante meses, os secularistas convictos têm adoptado a mesma linha de oposição do Partido Republicano do Povo (CHP) veiculada pelo seu líder, Deniz Baykal, condenando a candidatura de Gül por considerarem ser um plano secreto do AKP para minar o regime secular.
Apesar de Gül e do AKP negarem esssas acusações e jurarem lealdade aos valores republicanos, o país mergulhou numa crise, e milhões de pessoas saíram à rua para protestar contra a possibilidade de terem um "ex"-islamita como presidente e cuja mulher usa véu islâmico. A situação piorou quando o exército, guardião do secularismo do país, e responsável pelo derrube de quatro governos em quatro décadas, ameaçou intervir para proteger o sistema secular.
O CHP acabou por boicotar a votação presidencial durante a primeira candidatura de Gül à presidência, provocando a falta de quórum e levando à realização de eleições presidenciais antecipadas em 22 de Julho. O AKP teve uma vitória esmagadora nessas eleições fazendo com que a eleição presidencial, que culminou hoje com a vitória de Gül, tivesse sido uma mera formalidade.
Muitos secularistas estão agora mais zangados com a liderança de Baykal do que com o facto de terem um presidente da República islamita.
Ouvem-se opiniões como esta: "Baykal e os seus amigos escolheram transformar o CHP num partido nacionalista desprovido da sua ideologia tradicional de centro-esquerda", queixou-se Zülfü Livaneli, um proeminente músico e compositor e antigo deputado, que terminou o seu mandato como independente depois de se ter desvinculado do CHP.
"As pessoas viram-se forçadas a escolher entre o AKP e uma coligação entre o CHP e os nacionalistas", disse. "Sentiram que tal coligação significaria o fim para a Turquia. O facto de Gül se tornar presidente não é problema", acrescentou Zülfü Livaneli.
"A nossa campanha só se baseou nos valores republicanos e no secularismo", disse Didem Engin, um candidato do CHP por Istambul que não conseguiu ser eleito nas últimas eleições. "Isso é muito importante, claro, mas as pesoas deviam ter também ouvido as nossas propostas relativas ao desemprego e à agricultura. Devemos agora levar a cabo uma oposição construtiva em vez de tentar provocar crises atrás de crises, ou só esperar que o governo cometa erros", disse, acrescentando que estava descontente por o CHP ter uma vez mais boicotado a eleição presidencial.
Mais à esquerda, Ufuk Uras, um deputado independente que dirige o partido da Liberdade e Solidariedade (ODP), eliminou a hipótese do AKP tentar erradicar o secularismo. "O AKP é simplesmente um partido neo-liberal, neo-conservador, típico do processo de globalização. O importante agora é verificar em que sentido é que a Turquia vai evoluir: uma república militar, uma república de medo, ou uma república de valores democráticos e sociais", disse. Uras disse ainda que vê a intervenção militar na política como uma ameaça maior do que qualquer atitude que o AKP possa tomar.
O colunista do jornal diário "Cumhurriyet", Oral Çalışlar, diz o seguinte: "o AKP está a começar a mudar pouco a pouco... e uma nova classe média conservadora está a emergir, mais próxima do secularismo. Trata-se de um sector islamita da sociedade que estava num gueto e que o AKP deixou emergir. Mas, uma oposição secular é mais importante do que nunca, para prevenir que o AKP cometa erros anti-seculares ocasionais, que se espera que cometa".

Abdullah Gül é o novo presidente da República da Turquia


Foi eleito com 339 votos, quando 276 votos eram suficientes.
Nas ruas de Kayseri, a sua cidade natal, a população está a festejar nas ruas.
Às 18 horas será a tomada de posse.

27 agosto 2007

Sarkozy defende relançamento das negociações de adesão da Turquia à UE mas prefere associação


O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, evocou hoje a possibilidade do relançamento das negociações de adesão da Turquia à União Europeia, reafirmando a sua preferência por uma associação entre a UE e Ancara.
Num discurso dedicado à política externa francesa, Sarkozy condicionou a sua abertura ao lançamento de uma "reflexão essencial sobre o futuro da União" por um "comité de sábios". Se for esse o caso, "a França não se irá opor a que sejam abertos nos próximos meses e anos novos capítulos da negociação entre a União Europeia e a Turquia, sob a condição de que esses capítulos sejam compatíveis com as duas visões possíveis do futuro das suas relações: seja de adesão, seja de uma associação o mais estreita possível, sem chegar a uma adesão", acrescentou. Sarkozy recordou ainda que, durante a sua campanha eleitoral, preconizou a fórmula de uma associação e acrescentou não ter mudado de ideias desde então.

(Fonte: Público)

24 agosto 2007

Gül voltou a não ser eleito na segunda volta das eleições para a presidência


O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Abdullah Gül, falhou hoje pela segunda vez a eleição para a presidência do país, ao não conseguir o apoio de dois terços dos deputados, adiando a decisão para a próxima terça-feira.
Gül, oriundo dos movimentos islamitas turcos, conseguiu hoje 337 votos, menos quatro do que na primeira votação, realizada na segunda-feira, anunciou a presidência do Parlamento. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) aguarda agora pela votação prevista para a próxima terça-feira, já que à terceira votação basta a maioria absoluta dos deputados (276 em 550) para conseguir a eleição.Assim que for eleito, Gül deverá ser imediatamente empossado, sucedendo ao presidente cessante, Ahmet Necdet Sezer. Na votação desta tarde, os deputados do Partido Republicano do Povo (CHP), voltaram a ausentar-se do hemiciclo em protesto contra a candidatura de um islamita à mais alta magistratura da nação, cuja principal missão é garantir o respeito pela laicidade do Estado turco. As razões são as mesmas que levaram a oposição a boicotar a eleição, em Abril passado, e que viria a ser anulada por falta de quórum. O impasse levou o AKP a convocar legislativas antecipadas e a maioria absoluta obtida nas urnas deu aos islamitas a legitimidade necessária para insistir na candidatura de Gül. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros garante que o seu partido tem evoluído para posições mais moderadas e que, se for eleito, irá defender uma rígida separação entre Estado e religião.

(Fonte: Público)

23 agosto 2007

Presidente do Instituto de História da Turquia debaixo de fogo devido a declarações sobre a origem de Alevitas e Curdos


Membros da Federação Alevi Bektaşi protestaram em frente ao Instituto de História da Turquia (TTK) contra as declarações do seu presidente, Yusuf Halaçoğlu, relativas às origens dos Alevitas e dos Curdos da Turquia.
A federação alega que o presidente dessa instituição humilhou os Curdos, Alevitas e Arménios e violou os seus direitos políticos e culturais. Avisou que aqueles que desenvolvem estudos históricos devem basear as suas descobertas em dados científicos, e enfatizou que as declarações de Halaçoğlu, longe de serem científicas, correspondem a uma "avaliação ideológica".
“Esta aproximação que tenta diminuir o conhecimento comum, a memória social colectiva e identidades culturais várias, só leva à discriminação e racismo.”
Halaçoğlu revelou que muitos Curdos têm origem turca, enquanto que os Turcos alevitas têm origem arménia.
Levantou-se de imediato um vasto círculo de protestos, provenientes de associações alevitas até deputados do partido do governo (AKP), a pedirem a destituição de Halaçoğlu.
Halaçoğlu disse que as suas declarações foram mal entendidas e que não quis dizer que não existe uma comunidade curda na Turquia.
“Actualmente, algumas famílas que se auto-definem como Curdas são de facto membros de tribos túrquicas”, disse numa conferência de imprensa. Halaçoğlu acrescentou que descobriu, enquanto pesquisava nos arquivos otomanos, que alguns membros de tribos da Anatólia estavam registados não como Curdos mas como membros de tribos túrquicas.

A polémica do "risotto" com vinho


O prato italiano "risotto" tornou-se um dos pratos mais populares na Turquia depois do ministro turco do Interior, Osman Güneş, ter censurado o ex-governador de Muğla, Temel Koçaklar, por este lhe ter servido "risotto" durante um jantar. Güneş argumentou que o Islão proibe o uso do vinho, ingrediente que faz parte da confecção do "risotto".

Donos e gerentes de restaurantes italianos na Turquia defendem que nunca tinham conhecido um cliente que não tivesse gostado do molho de vinho do seu "risotto", e que, mesmo que sirvam "risotto" com outro molho, os clientes preferem o molho de vinho.
O gerente do restaurante italiano "Il Piccolo", Atacan Şimşek, diz que “Temos cinco variedades de risotto: com cogumelos, com frango, com marisco, com vegetais e com salmão. Adicionamos o molho de acordo com a vontade do cliente. Actualmente, o "risotto" mais popular é o de marisco com vinho branco. Contudo, o vinho é usado em muitos pratos de carne nos restaurantes italianos."

O debate sobre o "risotto" começou porque Güneş terá despromovido Koçaklar depois de ter comido "risotto". Depois de ter apreciado bastante o prato, Güneş terá perguntado pela receita e não gostou quando soube que o vinho fazia parte dos ingredientes do prato. O ministro do Interior recusa as críticas de que um "risotto com vinho" tenha influenciado a mudança de posto de Koçaklar.
Entretanto, os teólogos concordam que, como o vinho adicionado à comida sofre alterações químicas devido ao processo de cozedura e se torna vinagre, o Islão permite o consumo desse prato.

22 agosto 2007

Jorge Sampaio: "Fechar a porta à Turquia é um desastre"


Entrevista a Jorge Sampaio in Diário Económico

A Turquia é um dos países patrocinadores da Aliança das Civilizações e também um candidato à UE. Como interpreta as posições da União sobre a Turquia? Há sinais contraditórios.

A Turquia preocupa-me muito. Estive lá no início de Julho. As negociações de adesão têm de continuar porque é crucial para o desenvolvimento da Turquia. A capacidade reformista interna está associada à expectativa de entrada na UE.
Mas a Europa está dividida.

Quando regressei da Turquia, escrevi uma carta a todos os chefes de Estado e de Governo da UE. Pedi-lhes para não se fechar a porta, por razões estratégicas, e no fundo de “aliança de civilizações”, mas também por causa da nossa credibilidade. É um desastre se fecharem a porta! Temos de ser capazes de demonstrar que sabemos conviver com muçulmanos, tanto mais que vivem no nosso seio minorias significativas. Há um enorme esforço reformista na Turquia, somos parceiros na NATO e no Conselho da Europa, e não podemos defraudar as expectativas. Se os sinais contraditórios continuarem, os reformistas perdem força e os que estão a favor da UE (uma maioria vastíssima) começam a diminuir. A negociação, que levará sempre muito tempo, é a possibilidade de pôr de pé um islamismo moderado num país com tradições seculares.

Como vê a posição recente da França?

Vamos ver. O facto de se ter dado continuidade ao processo negocial de adesão da Turquia à União Europeia é como uma ponte que se manteve aberta. O perigo que existia era o de paragem do processo negocial, o que seria um desastre.

(Pode ler a totalidade da entrevista aqui)