31 agosto 2007

Gül e a sua definição de secularismo no seu primeiro discurso como presidente


O novo presidente da República, Abdullah Gül, descreveu o secularismo como a regra da harmonia social e um modelo que permite diferentes estilos de vida, no seu primeiro discurso como presidente da República.
Esta declaração de Gül foi recebida por muitos como uma nova definição de secularismo, provocando críticas de alguns secularistas.
“Foi um bom discurso. Foi bom porque protegeu abertamente a democracia, uma característica secular da República,” escreveu o colunista do jornal Milliyet, Hasan Cemal.
Com essa abordagem do secularismo, Gül alarga o entendimento oficial do princípio base que é a "separação entre Estado e religião." Embora não exista nenhuma descrição de secularismo na Constituição, o artigo 24 estabelece a liberdade religiosa mas ao mesmo tempo limita o abuso da religião com fins políticos.
“Sabemos que Gül vem de um movimento islamita e que é um homem religioso. Mas há dois pontos que ele não pode subestimar,” disse Ruşen Çakır, um analista político que tem seguido de perto o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) há vários anos. “Se ele se tornou presidente, não foi só graças à democracia, mas também graças ao secularismo, que permite que pessoas religiosas acedam ao mais alto posto do Estado. O secularismo, que significa que o Estado deve ser neutro relativamente a todas as religiões, é muito mais necessário às pessoas religiosas, do que àqueles que não são muçulmanos ou que não têm uma forte relação com o Islão,” acrescentou.
No passado, os esforços de conservadores para criarem a sua própria definição do secularismo provocaram tensões internas no país. O anterior presidente do Parlamento, Bülent Arınç, disse abertamente que havia a necessidade de redefinir o secularismo. Acentuou que o secularismo assegura a liberdade de todas as actividades religiosas, numa tentativa de fazer prevalecer a ideia de liberdade de religião. O anterior presidente, Ahmet Necdet Sezer, criticou os esforços de Arınç em descrever o secularismo à sua maneira.
“A protecção do secularismo deve ser uma prioridade para Gül se ele quiser transformar esta potencial crise numa oportunidade,” disse Çakır.
Atilla Kart, um deputado do Partido Republicano do Povo (CHP) e membro da Comissão Constitucional, diz ter a impressão que Gül descreveu o secularismo em linha com o seu real propósito. Contudo, Gül devia ter focado o ponto de que a religião se tornou um instrumento de ganhos políticos e que existem esforços para impôr regras religiosas nos assuntos do Estado. Estes foram os pontos que faltam ao seu discurso,” disse Kart.
O deputado do CHP também disse que Gül tem de clarificar como é que lidaria com tal ameaça durante a sua presidência. “Este é o ponto para o qual o presidente devia dar garantias. O presidente é imparcial mas tem de estar ao lado da protecção dos princípios fundamentais e do secularismo, não só através da retórica mas com acções concretas," disse.
Entretanto, o professor de direito e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Mümtaz Soysal, diz que a descrição de Gül está incompleta. Gül não referiu o facto de que o secularismo requer uma total separação do Estado e dos assuntos religiosos. Gül e circulos com a mesma mentalidade, consideram o secularismo só como liberdade religiosa. “Não é bom para ele começar com tal descrição. Isto é preocupante para o futuro,” disse Soysal.
“Em democracia, que é um sistema de direitos e liberdades, o secularismo, um dos princípios seculares da nossa República, é não só um modelo que permite a liberdade de diferentes estilos de vida, como é também uma regra de harmonia social. O compromisso com o princípio do secularismo é também a via mais expediente para se eliminarem conflitos e elementos de altercação que de tempos a tempos se manifestam em todas as sociedades. Quando pensarmos nas realidades e sensibilidades inerentes à nossa geografia, compreenderemos melhor o significado do princípio do secularismo, que também garante a liberdade de religião e de consciência.”

28 agosto 2007

Gul: Turquia precisa trabalhar arduamente para se juntar à UE


A Turquia precisa de trabalhar arduamente no sentido de realizar reformas, com o objectivo de se juntar à União Europeia, afirmou hoje o recém-eleito presidente do país, Abdullah Gül, durante a cerimónia de posse.
"É imperativo para o nosso país que realizemos as reformas políticas e económicas para caminharmos no sentido de sermos membros da UE», disse Gül, acrescentando que a Turquia pode tomar no futuro a sua própria decisão sobre ser membro do bloco.
Gül, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros e preparou a proposta turca para a UE, foi hoje eleito presidente, na terceira ronda de votação no Parlamento, pondo termo a meses de incerteza sobre quem seria o próximo presidente do país.

(Fonte: Diário Digital)

As grandes datas da Turquia


As datas-chave desde a proclamação da República na Turquia até hoje.

O Parlamento recebeu, nesta terça-feira, Abdullah Gül, ex-islamita, como líder máximo do Estado.

1923 - Proclamação da República turca por Mustafa Kemal, eleito presidente;
1924 - Abolição do califado e votação das primeiras leis laicas;
1938 - Morte de Mustafa Kemal, apelidado de Atatürk, o "pai dos turcos";
1945 - Turquia passa para o lado dos aliados, depois de ter se mantido neutra durante a guerra;
1946 - Instauração do pluripartidarismo;
1950 - Primeiras eleições livres, vitória do Partido Democrata;
1952 - Adesão da Turquia à Aliança Atlântica;
1960 - Golpe de Estado. O primeiro-ministro Adnan Menderes é condenado e executado;
1963 - Acordo de associação com a Comunidade Económica Européia (CEE);
1971 - Novo golpe de Estado provocando a queda de Suleyman Demirel.
1974 - As forças turcas intervêm em Chipre e ocupam o norte da ilha. Em 1983, proclamam a "República Turca de Chipre do Norte" (RTCN, reconhecida apenas por Ancara);
1980 - Golpe de Estado: o Parlamento é dissolvido e os partidos políticos têm suas atividades proibidas;
1984 - Início da insurreição do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que reivindica a independência do sudeste, maioritariamente Curdo. Nesta revolução, morreram mais de 37.000 pessoas.
1990-1991 - Durante a guerra do Golfo, a Turquia alia-a à coligação internacional que expulsou o Iraque do território do Kuwait;
1995 - Acordo de união aduaneira com a União Europeia;
1996 - O islamita Necmettin Erbakan torna-se primeiro-ministro mas deixa o poder um ano depois devido à pressão dos militares. O seu partido, o Refah, é dissolvido em 1998.
1999 - Prisão do líder do PKK, Abdullah Öcalan, por parte do comando russo no Quénia;
Terramoto em Izmit provoca 20.000 mortos;
2002 - Reformas democráticas, entre elas a abolição da pena de morte e a concessão de direitos culturais aos Curdos; vitória do AKP, oriundo do movimento islamita, nas eleições legislativas. Abdullah Gül é nomeado primeiro-ministro;
2003 - Recep Tayyip Erdoğan, líder do AKP, é nomeado primeiro-ministro; durante a ofensiva dos Estados Unidos no Iraque, Ancara não aceita o envio de tropas americanas para a Turquia, mas autoriza o sobrevoo no país; em Novembro ocorrem atentados contra sinagogas e alvos britânicos em Istambul reivindicados por uma célula da Al-Qaeda. Morreram 63 pessoas nos ataques.
2005 - Abertura das negociações de adesão à UE.
2006 - Visita do Papa Bento XVI.
2007 - Em Julho, o AKP sai vitorioso das legislativas antecipadas depois de uma crise política.

(Fonte: AFP)

Alguns secularistas estão a adoptar posições mais moderadas face à eleição de Gül


Com a eleição de Abdullah Gül para a presidência da Turquia, confirmada hoje mas dada como certa há algumas semanas, tem-se verificado que muitos opositores secularistas têm adoptado uma posião mais moderada na sua atitude contra Abdullah Gül e o partido do governo AKP.
Durante meses, os secularistas convictos têm adoptado a mesma linha de oposição do Partido Republicano do Povo (CHP) veiculada pelo seu líder, Deniz Baykal, condenando a candidatura de Gül por considerarem ser um plano secreto do AKP para minar o regime secular.
Apesar de Gül e do AKP negarem esssas acusações e jurarem lealdade aos valores republicanos, o país mergulhou numa crise, e milhões de pessoas saíram à rua para protestar contra a possibilidade de terem um "ex"-islamita como presidente e cuja mulher usa véu islâmico. A situação piorou quando o exército, guardião do secularismo do país, e responsável pelo derrube de quatro governos em quatro décadas, ameaçou intervir para proteger o sistema secular.
O CHP acabou por boicotar a votação presidencial durante a primeira candidatura de Gül à presidência, provocando a falta de quórum e levando à realização de eleições presidenciais antecipadas em 22 de Julho. O AKP teve uma vitória esmagadora nessas eleições fazendo com que a eleição presidencial, que culminou hoje com a vitória de Gül, tivesse sido uma mera formalidade.
Muitos secularistas estão agora mais zangados com a liderança de Baykal do que com o facto de terem um presidente da República islamita.
Ouvem-se opiniões como esta: "Baykal e os seus amigos escolheram transformar o CHP num partido nacionalista desprovido da sua ideologia tradicional de centro-esquerda", queixou-se Zülfü Livaneli, um proeminente músico e compositor e antigo deputado, que terminou o seu mandato como independente depois de se ter desvinculado do CHP.
"As pessoas viram-se forçadas a escolher entre o AKP e uma coligação entre o CHP e os nacionalistas", disse. "Sentiram que tal coligação significaria o fim para a Turquia. O facto de Gül se tornar presidente não é problema", acrescentou Zülfü Livaneli.
"A nossa campanha só se baseou nos valores republicanos e no secularismo", disse Didem Engin, um candidato do CHP por Istambul que não conseguiu ser eleito nas últimas eleições. "Isso é muito importante, claro, mas as pesoas deviam ter também ouvido as nossas propostas relativas ao desemprego e à agricultura. Devemos agora levar a cabo uma oposição construtiva em vez de tentar provocar crises atrás de crises, ou só esperar que o governo cometa erros", disse, acrescentando que estava descontente por o CHP ter uma vez mais boicotado a eleição presidencial.
Mais à esquerda, Ufuk Uras, um deputado independente que dirige o partido da Liberdade e Solidariedade (ODP), eliminou a hipótese do AKP tentar erradicar o secularismo. "O AKP é simplesmente um partido neo-liberal, neo-conservador, típico do processo de globalização. O importante agora é verificar em que sentido é que a Turquia vai evoluir: uma república militar, uma república de medo, ou uma república de valores democráticos e sociais", disse. Uras disse ainda que vê a intervenção militar na política como uma ameaça maior do que qualquer atitude que o AKP possa tomar.
O colunista do jornal diário "Cumhurriyet", Oral Çalışlar, diz o seguinte: "o AKP está a começar a mudar pouco a pouco... e uma nova classe média conservadora está a emergir, mais próxima do secularismo. Trata-se de um sector islamita da sociedade que estava num gueto e que o AKP deixou emergir. Mas, uma oposição secular é mais importante do que nunca, para prevenir que o AKP cometa erros anti-seculares ocasionais, que se espera que cometa".

Abdullah Gül é o novo presidente da República da Turquia


Foi eleito com 339 votos, quando 276 votos eram suficientes.
Nas ruas de Kayseri, a sua cidade natal, a população está a festejar nas ruas.
Às 18 horas será a tomada de posse.

27 agosto 2007

Sarkozy defende relançamento das negociações de adesão da Turquia à UE mas prefere associação


O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, evocou hoje a possibilidade do relançamento das negociações de adesão da Turquia à União Europeia, reafirmando a sua preferência por uma associação entre a UE e Ancara.
Num discurso dedicado à política externa francesa, Sarkozy condicionou a sua abertura ao lançamento de uma "reflexão essencial sobre o futuro da União" por um "comité de sábios". Se for esse o caso, "a França não se irá opor a que sejam abertos nos próximos meses e anos novos capítulos da negociação entre a União Europeia e a Turquia, sob a condição de que esses capítulos sejam compatíveis com as duas visões possíveis do futuro das suas relações: seja de adesão, seja de uma associação o mais estreita possível, sem chegar a uma adesão", acrescentou. Sarkozy recordou ainda que, durante a sua campanha eleitoral, preconizou a fórmula de uma associação e acrescentou não ter mudado de ideias desde então.

(Fonte: Público)

24 agosto 2007

Gül voltou a não ser eleito na segunda volta das eleições para a presidência


O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Abdullah Gül, falhou hoje pela segunda vez a eleição para a presidência do país, ao não conseguir o apoio de dois terços dos deputados, adiando a decisão para a próxima terça-feira.
Gül, oriundo dos movimentos islamitas turcos, conseguiu hoje 337 votos, menos quatro do que na primeira votação, realizada na segunda-feira, anunciou a presidência do Parlamento. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) aguarda agora pela votação prevista para a próxima terça-feira, já que à terceira votação basta a maioria absoluta dos deputados (276 em 550) para conseguir a eleição.Assim que for eleito, Gül deverá ser imediatamente empossado, sucedendo ao presidente cessante, Ahmet Necdet Sezer. Na votação desta tarde, os deputados do Partido Republicano do Povo (CHP), voltaram a ausentar-se do hemiciclo em protesto contra a candidatura de um islamita à mais alta magistratura da nação, cuja principal missão é garantir o respeito pela laicidade do Estado turco. As razões são as mesmas que levaram a oposição a boicotar a eleição, em Abril passado, e que viria a ser anulada por falta de quórum. O impasse levou o AKP a convocar legislativas antecipadas e a maioria absoluta obtida nas urnas deu aos islamitas a legitimidade necessária para insistir na candidatura de Gül. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros garante que o seu partido tem evoluído para posições mais moderadas e que, se for eleito, irá defender uma rígida separação entre Estado e religião.

(Fonte: Público)

23 agosto 2007

Presidente do Instituto de História da Turquia debaixo de fogo devido a declarações sobre a origem de Alevitas e Curdos


Membros da Federação Alevi Bektaşi protestaram em frente ao Instituto de História da Turquia (TTK) contra as declarações do seu presidente, Yusuf Halaçoğlu, relativas às origens dos Alevitas e dos Curdos da Turquia.
A federação alega que o presidente dessa instituição humilhou os Curdos, Alevitas e Arménios e violou os seus direitos políticos e culturais. Avisou que aqueles que desenvolvem estudos históricos devem basear as suas descobertas em dados científicos, e enfatizou que as declarações de Halaçoğlu, longe de serem científicas, correspondem a uma "avaliação ideológica".
“Esta aproximação que tenta diminuir o conhecimento comum, a memória social colectiva e identidades culturais várias, só leva à discriminação e racismo.”
Halaçoğlu revelou que muitos Curdos têm origem turca, enquanto que os Turcos alevitas têm origem arménia.
Levantou-se de imediato um vasto círculo de protestos, provenientes de associações alevitas até deputados do partido do governo (AKP), a pedirem a destituição de Halaçoğlu.
Halaçoğlu disse que as suas declarações foram mal entendidas e que não quis dizer que não existe uma comunidade curda na Turquia.
“Actualmente, algumas famílas que se auto-definem como Curdas são de facto membros de tribos túrquicas”, disse numa conferência de imprensa. Halaçoğlu acrescentou que descobriu, enquanto pesquisava nos arquivos otomanos, que alguns membros de tribos da Anatólia estavam registados não como Curdos mas como membros de tribos túrquicas.

A polémica do "risotto" com vinho


O prato italiano "risotto" tornou-se um dos pratos mais populares na Turquia depois do ministro turco do Interior, Osman Güneş, ter censurado o ex-governador de Muğla, Temel Koçaklar, por este lhe ter servido "risotto" durante um jantar. Güneş argumentou que o Islão proibe o uso do vinho, ingrediente que faz parte da confecção do "risotto".

Donos e gerentes de restaurantes italianos na Turquia defendem que nunca tinham conhecido um cliente que não tivesse gostado do molho de vinho do seu "risotto", e que, mesmo que sirvam "risotto" com outro molho, os clientes preferem o molho de vinho.
O gerente do restaurante italiano "Il Piccolo", Atacan Şimşek, diz que “Temos cinco variedades de risotto: com cogumelos, com frango, com marisco, com vegetais e com salmão. Adicionamos o molho de acordo com a vontade do cliente. Actualmente, o "risotto" mais popular é o de marisco com vinho branco. Contudo, o vinho é usado em muitos pratos de carne nos restaurantes italianos."

O debate sobre o "risotto" começou porque Güneş terá despromovido Koçaklar depois de ter comido "risotto". Depois de ter apreciado bastante o prato, Güneş terá perguntado pela receita e não gostou quando soube que o vinho fazia parte dos ingredientes do prato. O ministro do Interior recusa as críticas de que um "risotto com vinho" tenha influenciado a mudança de posto de Koçaklar.
Entretanto, os teólogos concordam que, como o vinho adicionado à comida sofre alterações químicas devido ao processo de cozedura e se torna vinagre, o Islão permite o consumo desse prato.

22 agosto 2007

Jorge Sampaio: "Fechar a porta à Turquia é um desastre"


Entrevista a Jorge Sampaio in Diário Económico

A Turquia é um dos países patrocinadores da Aliança das Civilizações e também um candidato à UE. Como interpreta as posições da União sobre a Turquia? Há sinais contraditórios.

A Turquia preocupa-me muito. Estive lá no início de Julho. As negociações de adesão têm de continuar porque é crucial para o desenvolvimento da Turquia. A capacidade reformista interna está associada à expectativa de entrada na UE.
Mas a Europa está dividida.

Quando regressei da Turquia, escrevi uma carta a todos os chefes de Estado e de Governo da UE. Pedi-lhes para não se fechar a porta, por razões estratégicas, e no fundo de “aliança de civilizações”, mas também por causa da nossa credibilidade. É um desastre se fecharem a porta! Temos de ser capazes de demonstrar que sabemos conviver com muçulmanos, tanto mais que vivem no nosso seio minorias significativas. Há um enorme esforço reformista na Turquia, somos parceiros na NATO e no Conselho da Europa, e não podemos defraudar as expectativas. Se os sinais contraditórios continuarem, os reformistas perdem força e os que estão a favor da UE (uma maioria vastíssima) começam a diminuir. A negociação, que levará sempre muito tempo, é a possibilidade de pôr de pé um islamismo moderado num país com tradições seculares.

Como vê a posição recente da França?

Vamos ver. O facto de se ter dado continuidade ao processo negocial de adesão da Turquia à União Europeia é como uma ponte que se manteve aberta. O perigo que existia era o de paragem do processo negocial, o que seria um desastre.

(Pode ler a totalidade da entrevista aqui)

Erdoğan convida jornalista a abandonar a Turquia


Os principais jornais da Turquia criticaram hoje duramente o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, por este ter convidado o colunista Bekir Coşkun a deixar o país.
Coşkun é uma figura proeminente do jornalismo turco cujas colunas satíricas são lidas por muitos leitores no jornal "Hürriyet". Tem criticado a candidatura à presidência da República de Abdullah Gül e no Domingo escreveu que não o reconheceria como presidente.
"Proposta fascista" (jornal "Cumhuriyet"), "Não é um primeiro-ministro, mas um agente turístico" ("Radikal"), "Bekir Coşkun enviado ao exílio" ("Milliyet"). Estas foram algumas das manchetes em alguns dos mais importantes jornais turcos.
"Há alguns que dizem que Abdullah Gül 'não pode ser meu presidente'. Infelizmente existem pessoas assim mal-educadas. Os que dizem isso deveriam abandonar primeiro a cidadania da República turca, ir para onde quiserem e eleger quem quiserem", afirmou Erdoğan sobre as críticas de Coşkun durante uma entrevista televisiva.
As declarações do primeiro-ministro provocaram reacções de diferentes sectores da sociedade.
Em resposta a Erdoğan, Coşkun escreveu hoje que ama apenas a Turquia e que não tem outro país para onde ir. "Ele trata assim todos os cidadãos? O que ele deveria fazer agora era mandar-me de camelo para a Arábia", disse o jornalista em entrevista a outra publicação.
Após a vitória do seu partido com 46,7% dos votos nas eleições gerais de Julho, Erdoğan prometeu em discurso à nação ser também o primeiro-ministro dos que não votaram nele e respeitar todos os sectores da sociedade.
O líder do principal partido de oposição, Deniz Baykal (do centro-esquerda CHP), ressaltou hoje que a declaração de Erdoğan revela a sua verdadeira face. "É por isso que somos contra a presidência de Gül", acrescentou.
O CHP tem alertado para o perigo de islamização do Estado caso Gül seja eleito.

(Fonte: EFE)

21 agosto 2007

O maior partido da oposição não manterá relações com a presidência da República se Gül for eleito


O Partido Republicano do Povo (CHP), o maior partido da oposição, disse ontem que vai boicotar qualquer evento no Palácio de Çankaya (Palácio presidencial) e que não manterá qualquer contacto com o presidente, se Abdullah Gül for eleito para o cargo.

“A nossa república secular está em perigo. Para não sermos cúmplices nesse processo, não vamos entrar no Parlamento”, referiu Deniz Baykal, o presidente do partido.

Hayrunisa Gül e a modernização do véu islâmico

Entretanto, correm rumores de que Hayrunisa Gül, a mulher de Abdullah Gül, está a receber aconselhamento de estilistas para uma utilização mais moderna do véu islâmico.

Especula-se que o novo visual poderá ser ao estilo de Sophia Loren.

Toda esta especulação foi gerada por um artigo publicado ontem no The Guardian.

Gül só deverá ser eleito na terceira volta da eleição presidencial


O candidato dos islamitas do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) à eleição presidencial da Turquia, o ministro dos Negócios Estrangeiros Abdullah Gul não conseguiu ontem, como já se esperava, ser eleito na primeira votação efectuada pelo novo Parlamento turco. Apesar de estar garantida a validade do escrutínio, com a presença de mais do que os 367 deputados requeridos pela Constituição, Gül obteve 341 votos, inviabilizando, assim, a sua eleição, uma vez que as duas primeiras rondas de votação exigem que o sucessor de Ahmet Necdet Sezer seja eleito por uma maioria de dois terços. Tal pressupõe que o candidato apoiado pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, que reforçou a sua maioria absoluta nas recentes legislativas, voltará a falhar a eleição na ronda prevista para sexta-feira. Nessa altura deverá concorrer igualmente o nacionalista Sabahattin Çakmakoğlu, que alcançou 70 votos, deixando pelo caminho o candidato da extrema-esquerda Hüseyin Tayfun İcli, que só contabilizou 13. Se este cenário se confirmar, Gül deverá ser eleito à terceira votação, marcada para dia 28, altura em que lhe bastará a maioria simples dos 550 deputados para se transformar no primeiro chefe de Estado islamita da Turquia. O facto de Gül ser casado com uma mulher que usa o véu islâmico, proibido em todos os edifícios públicos do país, aumenta o nervosismo e a inquietação dos sectores laicos da Turquia, incluindo as forças armadas, de que o presidente da República é comandante-chefe, e a quem o fundador do Estado moderno turco, Kemal Atatürk, encarregou de defender e manter a laicização do país.

(Fonte: Diário de Notícias)

20 agosto 2007

Os cortes de água em Ancara foram suspensos


O presidente da Câmara de Ancara, Melih Gökçek, que tem sido muito criticado nos últimos tempos por não ter adoptado medidas preventivas em face da falta de reservas de água para o abastecimento da capital, disse ontem que se as pessoas continuarem a poupar água não haverá necessidade de continuar com os cortes de água.

No dia 1 de Agosto, o presidente da Câmara de Ancara começou a cortar água na cidade de dois em dois dias, em virtude da escassez de reservas de água nos reservatórios da cidade. Durante a segunda semana de Agosto e por um peródo de cinco dias todas as torneiras da capital secaram devido ao rebentamento de algumas condutas de abastecimento de água. Gerou-se o caos, com as pessoas a tentarem obter água em furos artesianos, por exemplo. Temeu-se o risco de epidemias. Nos hospitais a situação tornou-se preocupante com o anúncio por parte de alguns hospitais de que não poderiam receber novos doentes. Durante essa altura, e respondendo a algumas críticas, Gökçek chegou a dizer: "Não tomem banho! Lavem as cabeças!"
Por fim, o problema foi resolvido e o presidente anunciou que a água não seria cortada novamente durante um período de 10 dias. Ou seja, hoje recomeçariam os cortes de água.
Durante a semana passada o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, criticou a situação vivida em Ancara.
Ontem, numa conferência de imprensa, Gökçek agradeceu aos habitantes de Ancara por estarem a poupar água: "Peço aos habitantes de Ancara que continuem. Se o consumo diário de água baixar para os 600,000 metros cúbicos, não haverá necessidade de cortes de água. Se tivéssemos racionado a água antes de algumas condutas terem explodido, não teria havido necessidade de cortes de água".
O problema da água em Ancara ainda se agravou mais com o rebentamento de algumas condutas de abastecimento de água, o que provocou grandes perdas de água. Especialistas disseram que o rebentamento ocorreu em grande parte devido à mudança de pressão da água num sistema composto por infraestruturas pobres.
“Peço desculpa aos habitantes de Ancara pelas explosões nas condutas. Nunca quis que tal acontecesse. Tentámos abastecer Ancara com a maior quantidade de água possível através das condutas de abastecimento”, disse.
Gökçek também agradeceu o facto da cidade estar a poupar água, o que ajudou bastante à melhoria da situação. Acrescentou que durante o dia de hoje iriam ser espalhados pela cidade cartazes de agradecimento e de consciencialização para uma maior poupança de água. “Vamos resolver este problema de mão em mão", disse.
A Câmara está a levar a cabo trabalhos para trazer água para a cidade através da barragem Kesikköprü. Gökçek disse que o projecto estará completo no dia 31 de Dezembro. Também desmentiu o facto dessa água não ser potável, dizendo: “o partido da oposição e algumas organizações civis estão constantemente a difundir propaganda contra a barragem Kesikköprü. As suas alegações não são verdadeiras. Eu bebi água destilada recentemente [da barragem de Kesikköprü] durante um programa de televisão. Ninguém deveria ter nenhuma dúvida àcerca disso. Vamos adoptar todas as medidas necessárias para tornar a água de Kesikköprü mais saudável. Não haverá mais nenhum problema em Ancara depois do projecto Kesikköprü estar completo”, disse Gökçek.
Desde que começaram os cortes de água em 1 de Agosto, Gökçek tem enfrentado pressões para deixar o poder, por alegadamente ter falhado em adoptar medidas para evitar a situação actual da falta de água. Algumas críticas dizem que ele gastou o dinheiro a embelezar a cidade, a construir parques, a criar uma equipa de futebol, sem investir nas infraestruturas da cidade. Gökçek nega as acusaçõs e culpa o aquecimento global.

19 agosto 2007

A Turquia lembrou as vítimas do violento terramoto de 1999


Na sexta-feira, dia 17, foi o 8º aniversário da pior catástrofe nacional do século XX, que matou 17.000 pessoas e desalojou centenas de milhar de pessoas.

Realizaram-se cerimónias para lembrar as vítimas e conferências sobre terramotos e medidas de prevenção contra terramotos, um pouco por todo o país.
As vítimas foram lembradas às 3.02 horas, o momento exacto do abalo que registou 7.9 na escala de Richter e que se fez sentir sobretudo no noroeste do país há oito anos.
Um grupo de pessoas juntou-se no Centro Cultural de Atatürk para um minuto de silêncio em memória das vítimas.
Também foi realizada outra cerimónia em memória das 420 tropas do Comando Naval que morreram no terramoto, junto ao monumento dos mártires do terramoto.