23 agosto 2007

A polémica do "risotto" com vinho


O prato italiano "risotto" tornou-se um dos pratos mais populares na Turquia depois do ministro turco do Interior, Osman Güneş, ter censurado o ex-governador de Muğla, Temel Koçaklar, por este lhe ter servido "risotto" durante um jantar. Güneş argumentou que o Islão proibe o uso do vinho, ingrediente que faz parte da confecção do "risotto".

Donos e gerentes de restaurantes italianos na Turquia defendem que nunca tinham conhecido um cliente que não tivesse gostado do molho de vinho do seu "risotto", e que, mesmo que sirvam "risotto" com outro molho, os clientes preferem o molho de vinho.
O gerente do restaurante italiano "Il Piccolo", Atacan Şimşek, diz que “Temos cinco variedades de risotto: com cogumelos, com frango, com marisco, com vegetais e com salmão. Adicionamos o molho de acordo com a vontade do cliente. Actualmente, o "risotto" mais popular é o de marisco com vinho branco. Contudo, o vinho é usado em muitos pratos de carne nos restaurantes italianos."

O debate sobre o "risotto" começou porque Güneş terá despromovido Koçaklar depois de ter comido "risotto". Depois de ter apreciado bastante o prato, Güneş terá perguntado pela receita e não gostou quando soube que o vinho fazia parte dos ingredientes do prato. O ministro do Interior recusa as críticas de que um "risotto com vinho" tenha influenciado a mudança de posto de Koçaklar.
Entretanto, os teólogos concordam que, como o vinho adicionado à comida sofre alterações químicas devido ao processo de cozedura e se torna vinagre, o Islão permite o consumo desse prato.

22 agosto 2007

Jorge Sampaio: "Fechar a porta à Turquia é um desastre"


Entrevista a Jorge Sampaio in Diário Económico

A Turquia é um dos países patrocinadores da Aliança das Civilizações e também um candidato à UE. Como interpreta as posições da União sobre a Turquia? Há sinais contraditórios.

A Turquia preocupa-me muito. Estive lá no início de Julho. As negociações de adesão têm de continuar porque é crucial para o desenvolvimento da Turquia. A capacidade reformista interna está associada à expectativa de entrada na UE.
Mas a Europa está dividida.

Quando regressei da Turquia, escrevi uma carta a todos os chefes de Estado e de Governo da UE. Pedi-lhes para não se fechar a porta, por razões estratégicas, e no fundo de “aliança de civilizações”, mas também por causa da nossa credibilidade. É um desastre se fecharem a porta! Temos de ser capazes de demonstrar que sabemos conviver com muçulmanos, tanto mais que vivem no nosso seio minorias significativas. Há um enorme esforço reformista na Turquia, somos parceiros na NATO e no Conselho da Europa, e não podemos defraudar as expectativas. Se os sinais contraditórios continuarem, os reformistas perdem força e os que estão a favor da UE (uma maioria vastíssima) começam a diminuir. A negociação, que levará sempre muito tempo, é a possibilidade de pôr de pé um islamismo moderado num país com tradições seculares.

Como vê a posição recente da França?

Vamos ver. O facto de se ter dado continuidade ao processo negocial de adesão da Turquia à União Europeia é como uma ponte que se manteve aberta. O perigo que existia era o de paragem do processo negocial, o que seria um desastre.

(Pode ler a totalidade da entrevista aqui)

Erdoğan convida jornalista a abandonar a Turquia


Os principais jornais da Turquia criticaram hoje duramente o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, por este ter convidado o colunista Bekir Coşkun a deixar o país.
Coşkun é uma figura proeminente do jornalismo turco cujas colunas satíricas são lidas por muitos leitores no jornal "Hürriyet". Tem criticado a candidatura à presidência da República de Abdullah Gül e no Domingo escreveu que não o reconheceria como presidente.
"Proposta fascista" (jornal "Cumhuriyet"), "Não é um primeiro-ministro, mas um agente turístico" ("Radikal"), "Bekir Coşkun enviado ao exílio" ("Milliyet"). Estas foram algumas das manchetes em alguns dos mais importantes jornais turcos.
"Há alguns que dizem que Abdullah Gül 'não pode ser meu presidente'. Infelizmente existem pessoas assim mal-educadas. Os que dizem isso deveriam abandonar primeiro a cidadania da República turca, ir para onde quiserem e eleger quem quiserem", afirmou Erdoğan sobre as críticas de Coşkun durante uma entrevista televisiva.
As declarações do primeiro-ministro provocaram reacções de diferentes sectores da sociedade.
Em resposta a Erdoğan, Coşkun escreveu hoje que ama apenas a Turquia e que não tem outro país para onde ir. "Ele trata assim todos os cidadãos? O que ele deveria fazer agora era mandar-me de camelo para a Arábia", disse o jornalista em entrevista a outra publicação.
Após a vitória do seu partido com 46,7% dos votos nas eleições gerais de Julho, Erdoğan prometeu em discurso à nação ser também o primeiro-ministro dos que não votaram nele e respeitar todos os sectores da sociedade.
O líder do principal partido de oposição, Deniz Baykal (do centro-esquerda CHP), ressaltou hoje que a declaração de Erdoğan revela a sua verdadeira face. "É por isso que somos contra a presidência de Gül", acrescentou.
O CHP tem alertado para o perigo de islamização do Estado caso Gül seja eleito.

(Fonte: EFE)

21 agosto 2007

O maior partido da oposição não manterá relações com a presidência da República se Gül for eleito


O Partido Republicano do Povo (CHP), o maior partido da oposição, disse ontem que vai boicotar qualquer evento no Palácio de Çankaya (Palácio presidencial) e que não manterá qualquer contacto com o presidente, se Abdullah Gül for eleito para o cargo.

“A nossa república secular está em perigo. Para não sermos cúmplices nesse processo, não vamos entrar no Parlamento”, referiu Deniz Baykal, o presidente do partido.

Hayrunisa Gül e a modernização do véu islâmico

Entretanto, correm rumores de que Hayrunisa Gül, a mulher de Abdullah Gül, está a receber aconselhamento de estilistas para uma utilização mais moderna do véu islâmico.

Especula-se que o novo visual poderá ser ao estilo de Sophia Loren.

Toda esta especulação foi gerada por um artigo publicado ontem no The Guardian.

Gül só deverá ser eleito na terceira volta da eleição presidencial


O candidato dos islamitas do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) à eleição presidencial da Turquia, o ministro dos Negócios Estrangeiros Abdullah Gul não conseguiu ontem, como já se esperava, ser eleito na primeira votação efectuada pelo novo Parlamento turco. Apesar de estar garantida a validade do escrutínio, com a presença de mais do que os 367 deputados requeridos pela Constituição, Gül obteve 341 votos, inviabilizando, assim, a sua eleição, uma vez que as duas primeiras rondas de votação exigem que o sucessor de Ahmet Necdet Sezer seja eleito por uma maioria de dois terços. Tal pressupõe que o candidato apoiado pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, que reforçou a sua maioria absoluta nas recentes legislativas, voltará a falhar a eleição na ronda prevista para sexta-feira. Nessa altura deverá concorrer igualmente o nacionalista Sabahattin Çakmakoğlu, que alcançou 70 votos, deixando pelo caminho o candidato da extrema-esquerda Hüseyin Tayfun İcli, que só contabilizou 13. Se este cenário se confirmar, Gül deverá ser eleito à terceira votação, marcada para dia 28, altura em que lhe bastará a maioria simples dos 550 deputados para se transformar no primeiro chefe de Estado islamita da Turquia. O facto de Gül ser casado com uma mulher que usa o véu islâmico, proibido em todos os edifícios públicos do país, aumenta o nervosismo e a inquietação dos sectores laicos da Turquia, incluindo as forças armadas, de que o presidente da República é comandante-chefe, e a quem o fundador do Estado moderno turco, Kemal Atatürk, encarregou de defender e manter a laicização do país.

(Fonte: Diário de Notícias)

20 agosto 2007

Os cortes de água em Ancara foram suspensos


O presidente da Câmara de Ancara, Melih Gökçek, que tem sido muito criticado nos últimos tempos por não ter adoptado medidas preventivas em face da falta de reservas de água para o abastecimento da capital, disse ontem que se as pessoas continuarem a poupar água não haverá necessidade de continuar com os cortes de água.

No dia 1 de Agosto, o presidente da Câmara de Ancara começou a cortar água na cidade de dois em dois dias, em virtude da escassez de reservas de água nos reservatórios da cidade. Durante a segunda semana de Agosto e por um peródo de cinco dias todas as torneiras da capital secaram devido ao rebentamento de algumas condutas de abastecimento de água. Gerou-se o caos, com as pessoas a tentarem obter água em furos artesianos, por exemplo. Temeu-se o risco de epidemias. Nos hospitais a situação tornou-se preocupante com o anúncio por parte de alguns hospitais de que não poderiam receber novos doentes. Durante essa altura, e respondendo a algumas críticas, Gökçek chegou a dizer: "Não tomem banho! Lavem as cabeças!"
Por fim, o problema foi resolvido e o presidente anunciou que a água não seria cortada novamente durante um período de 10 dias. Ou seja, hoje recomeçariam os cortes de água.
Durante a semana passada o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, criticou a situação vivida em Ancara.
Ontem, numa conferência de imprensa, Gökçek agradeceu aos habitantes de Ancara por estarem a poupar água: "Peço aos habitantes de Ancara que continuem. Se o consumo diário de água baixar para os 600,000 metros cúbicos, não haverá necessidade de cortes de água. Se tivéssemos racionado a água antes de algumas condutas terem explodido, não teria havido necessidade de cortes de água".
O problema da água em Ancara ainda se agravou mais com o rebentamento de algumas condutas de abastecimento de água, o que provocou grandes perdas de água. Especialistas disseram que o rebentamento ocorreu em grande parte devido à mudança de pressão da água num sistema composto por infraestruturas pobres.
“Peço desculpa aos habitantes de Ancara pelas explosões nas condutas. Nunca quis que tal acontecesse. Tentámos abastecer Ancara com a maior quantidade de água possível através das condutas de abastecimento”, disse.
Gökçek também agradeceu o facto da cidade estar a poupar água, o que ajudou bastante à melhoria da situação. Acrescentou que durante o dia de hoje iriam ser espalhados pela cidade cartazes de agradecimento e de consciencialização para uma maior poupança de água. “Vamos resolver este problema de mão em mão", disse.
A Câmara está a levar a cabo trabalhos para trazer água para a cidade através da barragem Kesikköprü. Gökçek disse que o projecto estará completo no dia 31 de Dezembro. Também desmentiu o facto dessa água não ser potável, dizendo: “o partido da oposição e algumas organizações civis estão constantemente a difundir propaganda contra a barragem Kesikköprü. As suas alegações não são verdadeiras. Eu bebi água destilada recentemente [da barragem de Kesikköprü] durante um programa de televisão. Ninguém deveria ter nenhuma dúvida àcerca disso. Vamos adoptar todas as medidas necessárias para tornar a água de Kesikköprü mais saudável. Não haverá mais nenhum problema em Ancara depois do projecto Kesikköprü estar completo”, disse Gökçek.
Desde que começaram os cortes de água em 1 de Agosto, Gökçek tem enfrentado pressões para deixar o poder, por alegadamente ter falhado em adoptar medidas para evitar a situação actual da falta de água. Algumas críticas dizem que ele gastou o dinheiro a embelezar a cidade, a construir parques, a criar uma equipa de futebol, sem investir nas infraestruturas da cidade. Gökçek nega as acusaçõs e culpa o aquecimento global.

19 agosto 2007

A Turquia lembrou as vítimas do violento terramoto de 1999


Na sexta-feira, dia 17, foi o 8º aniversário da pior catástrofe nacional do século XX, que matou 17.000 pessoas e desalojou centenas de milhar de pessoas.

Realizaram-se cerimónias para lembrar as vítimas e conferências sobre terramotos e medidas de prevenção contra terramotos, um pouco por todo o país.
As vítimas foram lembradas às 3.02 horas, o momento exacto do abalo que registou 7.9 na escala de Richter e que se fez sentir sobretudo no noroeste do país há oito anos.
Um grupo de pessoas juntou-se no Centro Cultural de Atatürk para um minuto de silêncio em memória das vítimas.
Também foi realizada outra cerimónia em memória das 420 tropas do Comando Naval que morreram no terramoto, junto ao monumento dos mártires do terramoto.

Bloqueado o acesso à plataforma WordPress.com na Turquia

Quem tentar aceder a qualquer blogue hospedado na plataforma WordPress.com a partir da Turquia, encontra a seguinte mensagem: “O acesso a este site foi bloqueado de acordo com a decisão no: 2007/195 do T.C. Fatih 2.Tribunal Civil de Primeira Instância.”

A razão deste bloqueio tem a ver com alegadas "difamações" de um criacionista islâmico turco, cujo nome não vou escrever sob pena de também poder ser alvo de bloqueio.
O tribunal deu razão à acusação dos seus advogados, e a plataforma wordpress.com foi totalmente bloqueada na Turquia.
Esta situação já dura desde 17 de Agosto e, a meu ver, deveria estar a causar muito mais polémica. Aqui na Turquia quase não se ouvem nos meios de comunicação social referências a este caso.

A eleição presidencial e a mulher de Gül

In Diário de Notícias

Imaginem um país em que um jornal oferece um poster de Kemal Atatürk, o fundador do regime republicano-laico sobre o qual assenta a Turquia moderna. Dá para perceber a veneração que os turcos sentem por esse político excêntrico, mulherengo e alcoólico que era Atatürk, que morreu em 1938 com 53 anos. Atatürk foi o inspirador de um avançado projecto de secularização e ocidentalização que impôs uma revolução de costumes na sociedade turca. Pôs os turcos a vestirem-se à ocidental - botas, calças e chapéu -, baniu o véu islâmico e lutou por uma Turquia livre do espírito do Islão. As mulheres que adquiriram sob o regime de Atatürk uma relativa igualdade de direitos, sabem o que lhe devem.Não admira que no centro desta eleição presidencial não estejam só Abdulah Gül e Recep Erdoğan mas também a mulher do primeiro, Hayrunisa Gül, de 42 anos, que não irá prescindir do véu se o marido se tornar presidente. No passado ela chegou a apelar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem para poder usar o véu numa universidade turca. A oposição secularista não aceita que esta activista do véu se torne na primeira mulher de um presidente turco. O presidente em funções, Ahmet Sezer, já disse que não a tenciona convidar para a tomada de posse. E, quando Gül ainda não tinha sido confirmado pelo AKP, quer o CHP quer a oposição esquerdista do DSP anunciaram que apoiariam a candidatura do ministro do Trabalho, Murat Başesgioğlu, cuja mulher não usa véu. Hayrusina Gül parece querer modernizar o véu, com a ajuda de estilistas de moda. Mas o símbolo do véu tem servido de mote para condenar a candidatura do marido. Não por acaso, Erdoğan veio citar o exemplo da mulher do próprio Atatürk, Latife Hamas, que num período da sua vida também envergou o véu. O CHP repudiou a comparação e alguns historiadores desmentiram o primeiro-ministro: a mulher de Ataturk nunca usou o véu durante o tempo em que esteve casada, nem depois de se divorciar. Mas Erdogğn estuda cada sua intervenção com minúcia: a sua base social de apoio compõe-se de grandes proprietários islâmicos da Anatólia, mas também das classes urbanas que parecem dispostas a aceitar Gül, desde que isso não ponha em causa o secularismo do Estado turco. Um inquérito realizado há uns anos colocou a questão do véu no oitavo lugar das preocupações centrais dos turcos. Como diziam alguns comentadores, os turcos querem sobretudo estabilidade, reformas e crescimento. Para outros, Gül na presidência da Turquia até pode ser o sonho cumprido de Atatürk. Quando Gül promete manter-se fiel à Constituição e à herança secular, adopta o discurso conciliador que as circunstâncias exigem. Também aqui há a Turquia dos jornais e a Turquia das ruas.

18 agosto 2007

Sequestro de avião turco acabou com a rendição dos dois sequestradores


Dois homens que desviaram hoje de manhã um avião turco com 142 pessoas a bordo acabaram por se render às autoridades no aeroporto de Antália, na Turquia.
Segundo as autoridades turcas, a intenção dos dois sequestradores — um Turco e um Sírio — era desviar o aparelho para o Irão ou para a Síria. Os dois homens ameaçaram fazer rebentar uma bomba no aparelho da companhia aérea privada turca Atlas Jet, que fazia a ligação entre o norte de Chipre e Istambul, na Turquia.
Pouco tempo depois do avião ter aterrado no aeroporto de Antália, a maioria dos passageiros conseguiu escapar pela parte de trás do avião. "Os piratas não puderam fazer nada porque estavam na parte da frente do aparelho. Eles disseram que pertenciam à Al-Qaeda", relatou um dos passageiros ao canal NTV. As autoridades negociaram depois a libertação de um pequeno grupo de passageiros e da tripulação.
Segundo a CNN Türk, os piratas do ar exigiam que o piloto os levasse para um país do Médio Oriente, mas as autoridades turcas recusaram essa exigência e forçaram a sua rendição, o que acabou por acontecer.

Pode ver aqui o momento em que os reféns escaparam ao sequestro.

(Fonte: Público)

17 agosto 2007

Ali Ağca foi transferido para uma prisão em Ancara


O governo da Turquia transferiu hoje Mehmet Ali Ağca, o homem que tentou assassinar o Papa João Paulo II em 1981, de uma prisão de alta segurança de Istambul para outra semelhante em Ancara.
Ağca, de 49 anos, foi para a prisão de Istambul em 2000 quando foi extraditado de Itália, onde esteve preso 19 anos. Ağca tinha pedido às autoridades para o levarem para a prisão da cidade de Malatya (leste), onde vive a sua família, mas só conseguiu transferência para Ancara, a 700 quilómetros a noroeste da sua cidade natal.
Ağca já tinha processos contra si por assassinato no seu país quando atentou contra a vida do papa na praça de São Pedro em Roma no dia 13 de Maio de 1981. Os motivos do ataque ainda são considerados mistério e as hipóteses de que a União Soviética e a Bulgária estiveram por trás do atentado nunca foram comprovadas.

16 agosto 2007

Presidente da Turquia não aprovou o novo gabinete do primeiro-ministro


O presidente da Turquia recusou-se hoje a aprovar o novo gabinete do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, afirmando que o primeiro-ministro deve submeter a lista ao próximo mandatário.
Erdoğan afirmou que a atitude do presidente Ahmet Necdet Sezer foi "bastante positiva", e que a atitude deve ser encarada como uma cortesia ao sucessor.
Sezer é um secularista convicto, crítico do partido AKP, de Erdoğan, que tem raízes islamitas, tendo vetado várias vezes as suas leis e nomeações. Deverá aposentar-se quando o Parlamento turco eleger o seu sucessor, ainda durante este mês.
Erdoğan afirmou que ficou surpreso com a decisão do presidente, mas deixou claro não guardar mágoas.
O AKP obteve uma vitória decisiva nas eleições parlamentares de 22 de Julho. O primeiro-ministro deve trazer novos nomes para o gabinete, principalmente para acelerar as reformas políticas e económicas da Turquia.
A votação indirecta para o presidente da República no Parlamento começa na segunda-feira.
O AKP indicou como candidato o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gül, que deve conquistar a presidência no final da terceira ronda de votações, no dia 28 de Agosto, quando precisará apenas da maioria simples.
O AKP detém 341 das 550 cadeiras da Assembleia.
Tal como Erdoğan, Gül é um ex-islamita visto com desconfiança pela poderosa élite laica da Turquia, que inclui as Forças Armadas. Os militares ajudaram a atrapalhar a primeira tentativa do AKP de fazer Gül presidente, em Maio. A manobra obrigou Erdoğan a convocar eleições parlamentares meses antes do programado.
(Fonte: Reuters)

Ancara cancela visita do arcebispo de Chipre

Pela segunda vez, em quatro meses, Ancara anulou a visita do novo arcebispo greco-ortodoxo de Chipre, Chrysostomos, ao patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, prevista para 17 a 21 de Agosto.
A visita já tinha sido cancelada pelo governo turco em Maio passado.
Com essa decisão, "o governo de Ancara mostrou a sua verdadeira face", disse o arcebispo Chrysostomos, que também anunciou a sua intenção de enviar uma carta à Santa Sé e ao Conselho Mundial das Igrejas, para notificar sobre o ocorrido. Espera assim "sensibilizar a comunidade internacional sobre a não confiabilidade do governo turco em termos de direitos".

(Fonte: Rádio Vaticano)

Erdoğan apresenta hoje o novo Governo ao presidente da República

O primeiro-minsitro turco, Recep Tayyip Erdoğan, apresenta esta quinta-feira à tarde o seu novo Governo ao presidente da República, Ahmet Necdet Sezer.
Sezer encarregou Erdoğan de formar um novo Executivo após a vitória, com maioria absoluta, do partido AKP nas eleições legislativas de 22 de Julho.
Erdoğan manifestou-se convicto que o chefe de Estado não vetará nenhum dos nomes propostos, apesar de tal já ter acontecido no passado.
No centro das atenções está a pasta dos Negócios Estrangeiros, cujo anterior titular, Abdullah Gül, anunciou esta semana a sua candidatura à presidência da República.

15 agosto 2007

Gül defende o direito ao uso do véu islâmico


O candidato à Presidência turca, Abdullah Gül, afirmou esta quarta-feira não ter antecipado nenhum problema com o poderoso Exército do país por causa do véu islâmico que a sua mulher usa e insistiu que a Constituição garante a sua liberdade em usá-lo.
A elite secular turca, incluindo os generais, opõe-se à tentativa de Gül de concorrer ao posto mais alto da nação devido ao seu passado islâmico e ao fato da sua mulher, Hayrunisa, usar o véu islâmico.
O véu, visto por secularistas como uma ameaça à separação entre Estado e religião, é proibido em locais públicos e escolas, apesar de mais de metade das mulheres turcas o usar.
Questionado se o Exército pode levantar objecções sobre o véu, Gül respondeu aos jornalistas: "A Turquia é um país governado por leis [...]. A Constituição garante os direitos humanos básicos, incluindo o direito de cada um se vestir como quiser".
Gül também prometeu agir como um chefe de Estado imparcial. "O presidente deve manter distâncias iguais e observar o princípio da imparcialidade", disse Gül depois de procurar apoio para a sua candidatura entre líderes empresariais e sindicatos.
O Parlamento da Turquia vai realizar uma série de votações, com início na próxima semana, para a eleição presidencial.
Gül deve ganhar no terceiro turno, em 28 de Agosto, quando precisar de uma maioria simples entre os 550 membros do Parlamento, onde o seu partido, AKP, detém 341 assentos.